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<article-id pub-id-type="doi">10.21011/apn.2020.2202</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Adesão ao padrão alimentar mediterrânico em crianças e adolescentes em contexto de consulta de vigilância de saúde]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: The Mediterranean Eating Pattern is a food model of high quality and nutritional adequacy, which is associated with a better quality of life. Portugal, despite being a country with Mediterranean characteristics, is gradually moving away from this pattern. This occurs especially at younger ages, when the adoption of healthy eating habits is essential. Objectives: To assess the adherence to the Mediterranean Eating Pattern in children and adolescents and its association with their nutritional status. Methodology: Cross-sectional observational study. Mediterranean Eating Pattern was assessed using Mediterranean Diet Quality Index in Children and Adolescents (KIDMED index). Participants included children and adolescents aged 2-18 years, followed in health surveillance consultation at a private hospital in the north of Portugal. For the characterization of the nutritional status, the Body Mass Index was calculated, and the criteria of the World Health Organization were used. Exclusion criteria were defined as being less than 2 years old, any type of vegetarianism and the presence of diseases of eating behavior. Results: Of the 153 respondents, with an average age of 9,9±4,3 years and a predominance of girls (56,2%), 21,6% were overweight, 18,9% were obese and 9,2% underweight/malnutrition. There was a high adherence to the Mediterranean Eating Pattern (81.0%), although it decreased with age (r=0.279; p<0.001). There was no relationship between adherence to a mediterranean pattern and gender or nutritional status, nor with the moment of data collection (first versus subsequent appointment). However, in overweight/obese children and adolescents there is an increase in adherence in subsequent appointments. Conclusions: The studied population shows a high adherence to the Mediterranean Eating Pattern, however, decreasing with age. Overweight/obese children and adolescents are more receptive to adopt this eating pattern.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>     <p><b><font face="" size="4">Ades&atilde;o ao padr&atilde;o alimentar mediterr&acirc;nico em crian&ccedil;as e adolescentes em contexto de consulta de vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de</font></b></p>      <p><strong>Adherence to the mediterranean eating pattern in children and adolescents in the context of health surveillance consultation</strong></p>     <p><strong>Francisca Quaresma1*; In&ecirc;s Tomada1-3; Rui da Silva4; Em&iacute;dio Carreiro2; Carla R&ecirc;go1,2,5,6</strong></p>     <p><sup>1</sup>Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, Rua Diogo de Botelho, n.&ordm; 1327, 4169-005 Porto, Portugal</p>     <p><sup>2</sup>Centro da Crian&ccedil;a e do Adolescente do Hospital CUF Porto, Estrada da Circunvala&ccedil;&atilde;o, n.&ordm; 14341, 4100-180 Porto, Portugal</p>     <p><sup>3</sup>Centro de Biotecnologia e Qu&iacute;mica Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Cat&oacute;lica Portuguesa, Rua Diogo de Botelho, n.&ordm; 1327, 4169-005 Porto, Portugal</p>     <p><sup>4</sup>Ordem dos Nutricionistas, Rua do Pinheiro Manso, n.&ordm; 174, 4100-409 Porto, Portugal</p>     <p><sup>5</sup>Centro de Investiga&ccedil;&atilde;o em Tecnologias e Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de, Rua Dr. Pl&aacute;cido da Costa, 4200-450 Porto, Portugal</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup>6</sup>Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Rua Dr. Pl&aacute;cido da Costa, 4200-450 Porto, Portugal</p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>RESUMO</strong></p>     <p>Introdu&ccedil;&atilde;o: O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico &eacute; um modelo alimentar de elevada qualidade e adequa&ccedil;&atilde;o nutricional, que se associa a melhor qualidade de vida. Portugal, embora seja um pa&iacute;s com caracter&iacute;sticas mediterr&acirc;nicas, est&aacute; progressivamente a distanciar-se deste padr&atilde;o, sobretudo em idades mais jovens, onde a ado&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos alimentares saud&aacute;veis &eacute; essencial.</p>     <p>Objetivos: Avaliar a ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico em crian&ccedil;as e adolescentes, e a sua associa&ccedil;&atilde;o com o seu estado nutricional.</p>     <p>Metodologia: Estudo transversal, descritivo e anal&iacute;tico. Foi aplicado o Mediterranean Diet Quality Index in Children and Adolescents (&iacute;ndice KIDMED), a uma amostra de conveni&ecirc;ncia de crian&ccedil;as e adolescentes, entre os 2 e os 18 anos, seguidos em consulta de vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de num hospital privado do norte de Portugal. Para a caracteriza&ccedil;&atilde;o do estado nutricional foi calculado o &Iacute;ndice de Massa Corporal e utilizados os crit&eacute;rios da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de. Foram crit&eacute;rios de exclus&atilde;o uma idade inferior a 2 anos, qualquer tipo de vegetarianismo e a presen&ccedil;a de doen&ccedil;as do comportamento alimentar.</p>     <p>Resultados: Dos 153 inquiridos, com uma idade m&eacute;dia de 9,9&plusmn;4,3 anos e uma predomin&acirc;ncia do sexo feminino (56,2%), 21,6% apresentava excesso de peso, 18,9% obesidade e 9,2% baixo peso/desnutri&ccedil;&atilde;o. Observou-se alta ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico (81,0%), no entanto, esta era tanto menor quanto maior a idade (r=0,279; p&lt;0,001). N&atilde;o se verificou rela&ccedil;&atilde;o entre a ades&atilde;o a um padr&atilde;o mediterr&acirc;nico e o sexo ou o estado nutricional, nem com o momento de recolha dos dados (primeira consulta versus subsequente). Contudo, nas crian&ccedil;as e adolescentes com excesso de peso/obesidade observa-se um aumento da ades&atilde;o nas consultas subsequentes.</p>     <p>Conclus&otilde;es: A popula&ccedil;&atilde;o estudada revela uma elevada ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico, registando-se, no entanto, uma diminui&ccedil;&atilde;o com a idade. Crian&ccedil;as e adolescentes com excesso de peso/obesidade s&atilde;o mais recetivos a adotar este padr&atilde;o alimentar.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Palavras-chave</strong></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>KIDMED, Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico, Pediatria</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>ABSTRACT</strong></p>     <p>Introduction: The Mediterranean Eating Pattern is a food model of high quality and nutritional adequacy, which is associated with a better quality of life. Portugal, despite being a country with Mediterranean characteristics, is gradually moving away from this pattern. This occurs especially at younger ages, when the adoption of healthy eating habits is essential.</p>     <p>Objectives: To assess the adherence to the Mediterranean Eating Pattern in children and adolescents and its association with their nutritional status.</p>     <p>Methodology: Cross-sectional observational study. Mediterranean Eating Pattern was assessed using Mediterranean Diet Quality Index in Children and Adolescents (KIDMED index). Participants included children and adolescents aged 2-18 years, followed in health surveillance consultation at a private hospital in the north of Portugal. For the characterization of the nutritional status, the Body Mass Index was calculated, and the criteria of the World Health Organization were used. Exclusion criteria were defined as being less than 2 years old, any type of vegetarianism and the presence of diseases of eating behavior.</p>     <p>Results: Of the 153 respondents, with an average age of 9,9&plusmn;4,3 years and a predominance of girls (56,2%), 21,6% were overweight, 18,9% were obese and 9,2% underweight/malnutrition. There was a high adherence to the Mediterranean Eating Pattern (81.0%), although it decreased with age (r=0.279; p&lt;0.001). There was no relationship between adherence to a mediterranean pattern and gender or nutritional status, nor with the moment of data collection (first versus subsequent appointment). However, in overweight/obese children and adolescents there is an increase in adherence in subsequent appointments.</p>     <p>Conclusions: The studied population shows a high adherence to the Mediterranean Eating Pattern, however, decreasing with age. Overweight/obese children and adolescents are more receptive to adopt this eating pattern.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><strong>Keywords</strong></p>     <p>KIDMED, Mediterranean Eating Pattern, Pediatric</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</strong></p>     <p>O Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico (PAM) caracteriza-se por um elevado consumo de alimentos de origem vegetal, tais como hortofrut&iacute;colas, leguminosas, frutos oleaginosos, cereais e azeite (utilizado como principal fonte de gordura da alimenta&ccedil;&atilde;o), e um consumo moderado de produtos de origem animal, nomeadamente pescado, carnes brancas, ovos e latic&iacute;nios (1, 2). O baixo consumo de carnes vermelhas e de alimentos processados, a substitui&ccedil;&atilde;o do sal por ervas arom&aacute;ticas, o consumo de vinho tinto &agrave;s refei&ccedil;&otilde;es principais (exceto por crian&ccedil;as, adolescentes e gr&aacute;vidas) e de &aacute;gua ao longo do dia, bem como prefer&ecirc;ncia por produtos frescos, tradicionais, locais e sazonais s&atilde;o tamb&eacute;m pilares deste modelo alimentar (1, 2).</p>     <p>Atendendo &agrave;s caracter&iacute;sticas clim&aacute;ticas, econ&oacute;micas, sociais, culturais e gastron&oacute;micas, Portugal &eacute; considerado um pa&iacute;s com tra&ccedil;os mediterr&acirc;nicos (3). Por&eacute;m, &agrave; semelhan&ccedil;a de outros pa&iacute;ses, a popula&ccedil;&atilde;o portuguesa est&aacute; progressivamente a distanciar-se do PAM, particularmente em idades mais jovens (4-6).</p>     <p>A obesidade &eacute; atualmente um grave problema de sa&uacute;de p&uacute;blica a n&iacute;vel mundial. Portugal n&atilde;o &eacute; exce&ccedil;&atilde;o, sendo importante salientar a preval&ecirc;ncia de excesso de peso e obesidade na sua popula&ccedil;&atilde;o pedi&aacute;trica. Segundo os dados do estudo COSI Portugal-2019, 29,6% das crian&ccedil;as portuguesas entre os 6 e os 8 anos apresentam excesso de peso, das quais 12,0% s&atilde;o obesas (7). J&aacute; o Inqu&eacute;rito Alimentar Nacional e de Atividade F&iacute;sica 2015-1016 (IAN-AF) revelou uma preval&ecirc;ncia de excesso de peso e obesidade de 17,3% e 7,7%, respetivamente, em crian&ccedil;as com idade inferior a 10 anos, e de 23,6% e 8,7% em adolescentes (dos 10 aos 17 anos) (8). A baixa qualidade da alimenta&ccedil;&atilde;o, especialmente a elevada ingest&atilde;o de alimentos ricos em a&ccedil;&uacute;car, gordura de origem animal e sal, e o inadequado aporte em vitaminas e minerais, provenientes de hortofrut&iacute;colas, aliado a um estilo de vida sedent&aacute;rio, s&atilde;o determinantes quer para as taxas de obesidade observadas, quer para o subsequente desenvolvimento de comorbilidades a curto e a m&eacute;dio prazos (9).</p>     <p>O PAM &eacute; um modelo alimentar de elevada qualidade e adequa&ccedil;&atilde;o nutricional (10). Possivelmente, em conjunto com um estilo de vida fisicamente ativo, &eacute; um dos padr&otilde;es alimentares mais saud&aacute;veis, dada a sua associa&ccedil;&atilde;o a melhor qualidade de vida e a menores taxas de morbimortalidade por doen&ccedil;as cr&oacute;nicas n&atilde;o-transmiss&iacute;veis, tais como cancro, diabetes mellitus tipo 2, obesidade e doen&ccedil;a cardiovascular (11-14). A inf&acirc;ncia constitui uma oportunidade &uacute;nica para a aquisi&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos alimentares saud&aacute;veis, que se pretende que sejam mantidos ao longo da vida (15). O presente estudo teve como objetivo avaliar a ades&atilde;o ao PAM, em crian&ccedil;as e adolescentes seguidos em consulta de Pediatria e de Nutri&ccedil;&atilde;o Pedi&aacute;trica num hospital privado do norte de Portugal, e a sua associa&ccedil;&atilde;o com o seu estado nutricional.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><strong>METODOLOGIA</strong></p>     <p>Estudo transversal, descritivo e anal&iacute;tico, aplicado a uma amostra selecionada por conveni&ecirc;ncia de crian&ccedil;as e adolescentes, com idades compreendidas entre os 2 e os 18 anos, seguidos em consulta de vigil&acirc;ncia de sa&uacute;de ou de orienta&ccedil;&atilde;o nutricional num hospital privado do norte de Portugal. Foram considerados crit&eacute;rios de exclus&atilde;o uma idade inferior a 2 anos, qualquer tipo de vegetarianismo e o diagn&oacute;stico de doen&ccedil;as do comportamento alimentar.</p>     <p>O protocolo de avalia&ccedil;&atilde;o inclu&iacute;a a data de nascimento, o sexo, o tipo de consulta (Pediatria ou Nutri&ccedil;&atilde;o Pedi&aacute;trica), o momento de recolha da informa&ccedil;&atilde;o (primeira consulta ou consulta subsequente) e a medi&ccedil;&atilde;o do peso e da estatura. Procedeu-se ao c&aacute;lculo do &Iacute;ndice de Massa Corporal (IMC) sendo utilizados os crit&eacute;rios da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de para a caracteriza&ccedil;&atilde;o do estado de nutri&ccedil;&atilde;o (16).</p>     <p>A ades&atilde;o ao PAM foi avaliada atrav&eacute;s da aplica&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice KIDMED, um question&aacute;rio de f&aacute;cil e r&aacute;pida aplica&ccedil;&atilde;o (11). O KIDMED &eacute; constitu&iacute;do por 16 quest&otilde;es, cada uma cotada positiva (+1) ou negativamente (-1), de acordo com a rela&ccedil;&atilde;o favor&aacute;vel ou n&atilde;o a este padr&atilde;o alimentar, respetivamente. A cota&ccedil;&atilde;o final deste question&aacute;rio varia entre (-4) e (+12), sendo que uma pontua&ccedil;&atilde;o &le; 3 revela fraca ades&atilde;o, uma pontua&ccedil;&atilde;o entre 4 e 7 reflete uma ades&atilde;o interm&eacute;dia e uma pontua&ccedil;&atilde;o &ge; 8 indica uma alta ades&atilde;o ao PAM (17). O question&aacute;rio foi aplicado de forma direta aos participantes ou, nas crian&ccedil;as mais novas, aos pais/cuidadores.</p>     <p>Foi obtida a autoriza&ccedil;&atilde;o do Conselho de &Eacute;tica do Hospital CUF Porto para a aplica&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice KIDMED - Mediterranean Diet Quality Index in Children and Adolescents - nas consultas de Pediatria e de Nutri&ccedil;&atilde;o Pedi&aacute;trica. Os pais/cuidadores foram informados dos objetivos, tendo dado a autoriza&ccedil;&atilde;o para a recolha e o tratamento de dados.</p>     <p>Os dados foram analisados atrav&eacute;s do software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS&reg;) vers&atilde;o 25. A an&aacute;lise baseou-se no c&aacute;lculo das frequ&ecirc;ncias relativas e absolutas e dos valores m&iacute;nimos e m&aacute;ximos. Recorreu-se ao teste de independ&ecirc;ncia do qui-quadrado para averiguar a rela&ccedil;&atilde;o de independ&ecirc;ncia entre duas vari&aacute;veis qualitativas e ao coeficiente de Spearman para a an&aacute;lise de associa&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis ordinais. O valor de signific&acirc;ncia considerado foi de 5%.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>RESULTADOS</strong></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>Caracteriza&ccedil;&atilde;o da Amostra</strong></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Participaram 153 crian&ccedil;as e adolescentes, maioritariamente do sexo feminino (56,2%), com m&eacute;dia de idade de 9,9&plusmn;4,3 anos. Verificou-se uma preval&ecirc;ncia de excesso de peso e de obesidade de 21,6% e 18,9%, respetivamente, mais elevada no sexo feminino, ainda que sem significado estat&iacute;stico (p=0,246). Do total dos inquiridos, 86,9% frequentavam a consulta de Pediatria e a maior parte dos question&aacute;rios foi aplicado aquando de uma consulta subsequente (77,8%) (<a href ="/img/revistas/apn/n22/n22a02t1.jpg">Tabela 1</a>).</p>     
<p>&nbsp;</p>     <p><strong>Ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico</strong></p>     <p>Atrav&eacute;s da an&aacute;lise do score final do question&aacute;rio KIDMED foi poss&iacute;vel observar uma alta ades&atilde;o ao PAM (81,0% dos participantes) (<a href ="/img/revistas/apn/n22/n22a02t1.jpg">Tabela 1</a>). Na <a href ="/img/revistas/apn/n22/n22a02t2.jpg">Tabela 2</a> podem observar-se as taxas de resposta &agrave;s diferentes quest&otilde;es do &iacute;ndice KIDMED, sendo o consumo de frutos oleaginosos o item com menor pontua&ccedil;&atilde;o (22,9%).</p>     
<p>A an&aacute;lise da ades&atilde;o ao PAM em fun&ccedil;&atilde;o do tipo de consulta frequentada, permitiu verificar uma alta ades&atilde;o a este padr&atilde;o pelas crian&ccedil;as e adolescentes que frequentavam quer a consulta de Pediatria quer a de Nutri&ccedil;&atilde;o Pedi&aacute;trica (80,5% e 85,0%, respetivamente; p=0,314). Apesar da ades&atilde;o ao PAM pelos participantes recrutados em contexto de primeira consulta ser inferior ao verificado por aqueles recrutados numa consulta subsequente, n&atilde;o se registaram diferen&ccedil;as com significado estat&iacute;stico (p=0,103). O mesmo n&atilde;o se verificou quando se analisou a ades&atilde;o a este modelo alimentar entre as crian&ccedil;as e adolescentes com excesso de peso/obesidade, registando-se uma maior ades&atilde;o pelos participantes selecionados no &acirc;mbito de uma consulta subsequente (58,3% versus 88,0%; p=0,008).</p>     <p>O n&iacute;vel de ades&atilde;o ao PAM &eacute; similar entre sexos (p=0,131). No entanto, registou-se uma forte associa&ccedil;&atilde;o com a idade, na medida em que o n&iacute;vel de ades&atilde;o diminui com esta (rSpearman=0,279; p&lt;0,001). Embora pare&ccedil;a haver uma tend&ecirc;ncia para uma menor ades&atilde;o ao PAM com o aumento do IMC, esta n&atilde;o revela ser significativa (rSpearman=0,106; p=0,095). Tamb&eacute;m uma alta ades&atilde;o a este padr&atilde;o alimentar n&atilde;o parece estar relacionada com o estado nutricional das crian&ccedil;as e adolescentes (78,6%, 80,5% e 82,3%, respetivamente para baixo peso/desnutri&ccedil;&atilde;o, normoponderalidade e excesso de peso/obesidade; p=0,469).</p>     <p>Considerou-se pertinente analisar as diferentes quest&otilde;es da ferramenta KIDMED em fun&ccedil;&atilde;o do estado nutricional dos participantes (dados n&atilde;o apresentados). N&atilde;o se registaram diferen&ccedil;as com impacto em nenhuma das quest&otilde;es, com exce&ccedil;&atilde;o da relativa &agrave; toma do pequeno-almo&ccedil;o (quest&atilde;o 12. Costumas avan&ccedil;ar o pequeno-almo&ccedil;o?). Verificou-se que as crian&ccedil;as e adolescentes com excesso de peso ou obesidade eram as que, com mais frequ&ecirc;ncia, omitiam esta refei&ccedil;&atilde;o (75,0%; p=0,014).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS</strong></p>     <p>Ao longo dos &uacute;ltimos anos tem-se vindo a observar um progressivo afastamento do padr&atilde;o alimentar tradicional, mais precisamente do PAM (6, 18). A globaliza&ccedil;&atilde;o dos comportamentos e dos mercados, a mudan&ccedil;a do paradigma da estrutura familiar e as modas poder&atilde;o, pelo menos em parte, justificar esta mudan&ccedil;a (19). A aplica&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndice KIDMED a um grupo de crian&ccedil;as e adolescentes que frequentam a consulta de Pediatria e de Nutri&ccedil;&atilde;o Pedi&aacute;trica de um hospital do norte de Portugal, permitiu verificar uma boa ades&atilde;o a este padr&atilde;o alimentar, resultados bem mais positivos do que os encontrados num estudo realizado em 2012, em crian&ccedil;as do sul do pa&iacute;s (81.0% versus 52,5%) (20).&Eacute; largamente reconhecido que uma elevada ades&atilde;o &agrave; Dieta Mediterr&acirc;nica se associa a um melhor estado nutricional, diminui&ccedil;&atilde;o da preval&ecirc;ncia de obesidade e de fatores de risco para a doen&ccedil;a cardiovascular (21, 22). A popula&ccedil;&atilde;o avaliada apresenta uma elevada preval&ecirc;ncia de excesso de peso e obesidade (40,5%), superior &agrave; registada para a popula&ccedil;&atilde;o pedi&aacute;trica portuguesa da mesma idade (cerca de 30%) (9). A justifica&ccedil;&atilde;o poder&aacute; residir no facto das consultas onde se procedeu &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o do inqu&eacute;rito terem uma forte vertente de orienta&ccedil;&atilde;o nutricional e serem, em alguns casos, consulta de refer&ecirc;ncia de obesidade pedi&aacute;trica. No entanto, n&atilde;o se verificou qualquer rela&ccedil;&atilde;o entre a ades&atilde;o ao PAM e o estado nutricional das crian&ccedil;as e adolescentes, tal como j&aacute; observado por Arriscado e col. (23).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Agrave; semelhan&ccedil;a de alguns estudos realizados em It&aacute;lia e Espanha (23, 24), n&atilde;o foram encontradas diferen&ccedil;as na ades&atilde;o ao PAM entre sexos. J&aacute; no que respeita &agrave; idade, verificou-se uma rela&ccedil;&atilde;o inversa &agrave; ades&atilde;o ao PAM, isto &eacute;, quanto maior a idade, menor &eacute; a ades&atilde;o a um padr&atilde;o alimentar saud&aacute;vel e equilibrado. Este resultado n&atilde;o &eacute; totalmente inesperado se considerarmos que a adolesc&ecirc;ncia constitui um per&iacute;odo de maior autonomia nas escolhas alimentares comparativamente &agrave; inf&acirc;ncia, associado a mudan&ccedil;a de comportamentos, invariavelmente com agravamento dos h&aacute;bitos alimentares. Assim, a par da inf&acirc;ncia, a adolesc&ecirc;ncia &eacute; igualmente um per&iacute;odo priorit&aacute;rio de interven&ccedil;&atilde;o e de implementa&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias sustent&aacute;veis para melhoria do estilo de vida, atrav&eacute;s da ado&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas alimentares saud&aacute;veis e da pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica (24).</p>     <p>A ades&atilde;o ao PAM entre as crian&ccedil;as e adolescentes que frequentavam os diferentes tipos de consulta (Pediatria e Nutri&ccedil;&atilde;o Pedi&aacute;trica) n&atilde;o diferiu significativamente. Constatou-se, sim, uma ades&atilde;o bastante superior ao PAM nas consultas subsequentes entre aquelas que apresentavam excesso de peso ou obesidade, o que poder&aacute; traduzir um maior empenho na mudan&ccedil;a de atitudes e comportamentos referentes &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o nesta popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O consumo di&aacute;rio de um pequeno-almo&ccedil;o saud&aacute;vel e equilibrado &eacute; essencial no controlo da saciedade ao longo do dia e, consequentemente, na preven&ccedil;&atilde;o do ganho ponderal excessivo, o que sustenta os resultados obtidos, dado que as crian&ccedil;as e adolescentes com excesso de peso ou obesidade eram aquelas que, com mais frequ&ecirc;ncia, omitiam esta refei&ccedil;&atilde;o (25).</p>     <p>No contexto do PAM e do estilo de vida que lhe est&aacute; associado, nomeadamente a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, como limita&ccedil;&otilde;es do presente trabalho poder&aacute; ser considerado o desconhecimento de dados relativos &agrave; pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica, os quais permitiriam correlacionar de forma mais precisa a ades&atilde;o ao PAM e o estado nutricional das crian&ccedil;as e adolescentes. Outro aspeto, prende-se com o facto de ser um estudo realizado num hospital privado que, de certa forma, poder&aacute; traduzir-se numa amostra mais selecionada do ponto de vista socioecon&oacute;mico e educacional. Para al&eacute;m disso, sendo um question&aacute;rio de frequ&ecirc;ncia alimentar, poder&aacute; resultar em sub ou sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o relativa aos alimentos ingeridos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>CONCLUS&Otilde;ES</strong></p>     <p>Na popula&ccedil;&atilde;o estudada, independentemente do sexo e do estado nutricional, a ades&atilde;o ao PAM &eacute; elevada. No entanto, a ado&ccedil;&atilde;o deste modelo alimentar decresce progressivamente com a idade, o que vem refor&ccedil;ar a necessidade da implementa&ccedil;&atilde;o precoce de estrat&eacute;gias eficazes de promo&ccedil;&atilde;o de um estilo de vida saud&aacute;vel, ativo e tradicionalmente mediterr&acirc;nico, incentivando o gosto e consumo de alimentos que caracterizam o PAM.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><strong>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</strong></p> <ol>     <li>Davis C, Bryan J, Hodgson J, Murphy K. Definition of the Mediterranean Diet: A Literature Review. Nutrients. 2015; 7(11): 9139-9153.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Gra&ccedil;a P. Breve hist&oacute;ria do conceito de dieta Mediterr&acirc;nica numa perspetiva de sa&uacute;de. Fatores de Risco. 2014; 31: 20-22.</li>     <li>Barros V, Carrageta M, Gra&ccedil;a P, Queiroz J, Sarmento M. Dieta Mediterr&acirc;nica - Um patrim&oacute;nio civilizacional partilhado [Internet]. Comit&eacute; Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrim&oacute;nio Cultural Imaterial da UNESCO; 2013 [cited 2019 Jul 1]. Available from: <a href="https://comum.rcaap.pt/handle/10400.26/10480" target="_blank">https://comum.rcaap.pt/handle/10400.26/10480</a>.</li>     <li>Pinto A. Pol&iacute;ticas para as doen&ccedil;as cr&oacute;nicas n&atilde;o transmiss&iacute;veis em Portugal: uma retrospetiva desde a cria&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o nacional de sa&uacute;de. Contributos para uma pol&iacute;tica nutricional em Portugal. Tese Doutoramento Univ do Porto. 2016; 38 p.</li>     <li>Vilarnau C, Stracker DM, Funtikov A, Da Silva R, Estruch R, Bach-Faig A. Worldwide adherence to Mediterranean Diet between 1960 and 2011. Eur J Clin Nutr. 2019; 72, 83&ndash;91.</li>     <li>Pereira-da-Silva L, R&ecirc;go C, Pietrobelli A. The Diet of Preschool Children in the Mediterranean Countries of the European Union: A Systematic Review. Int J Environ Res Public Health. 2016; 13(6).</li>     <li>Instituto Nacional de Sa&uacute;de Doutor Ricardo Jorge (INSA). Childhood Obesity Surveillance Initiative: COSI Portugal 2019. Lisboa. 2019 [cited 2019 Sept 15]. Available from: <a href="http://www.insa.min-saude.pt/cosi-portugal-2019-excesso-de-peso-e-obesidade-infantil-continuam-em-tendencia-decrescente/" target="_blank">http://www.insa.min-saude.pt/cosi-portugal-2019-excesso-de-peso-e-obesidade-infantil-continuam-em-tendencia-decrescente/</a>.</li>     <li>Lopes C, et al. Inqu&eacute;rito Alimentar Nacional e de Atividade F&iacute;sica, IAN-AF 2015-2016: Relat&oacute;rio de resultados. Universidade do Porto, 2017. ISBN: 978-989-746-181-1. Available from: <a href="http://www.ian-af.up.pt"target="_blank">www.ian-af.up.pt</a>.</li>     <li>DGS. Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel em N&uacute;meros. Programa Nacional para a Promo&ccedil;&atilde;o da Alimenta&ccedil;&atilde;o Saud&aacute;vel. Lisboa: Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. 2014. [cited 2019 Jun 3]. Available from: <a href="https://www.dgs.pt/estatisticas-de-saude/estatisticas-de-saude/publicacoes/portugal-alimentacao-saudavel-em-numeros-2014.aspx" target="_blank">https://www.dgs.pt/estatisticas-de-saude/estatisticas-de-saude/publicacoes/portugal-alimentacao-saudavel-em-numeros-2014.aspx</a>.</li>     <li>Castro-Quezada I, Rom&aacute;n-Vi&ntilde;as B, Serra-Majem L. The Mediterranean Diet and Nutritional Adequacy: A Review. Nutrients. 2014; 6(1): 231-248</li>     <li>Serra-Majem L, Ribas L, Ngo J, Ortega RM, Garc&iacute;a A, P&eacute;rez-Rodrigo C, Aranceta J. Food, youth and Mediterranean diet in Spain. Development of KIDMED, Mediterranean Diet Quality Index in children and adolescents. Public Health Nutr. 2004; 7(7): 931-935.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Koloverou E, Esposito K, Giugliano D, Panagiotakos D. The effect of Mediterranean diet on the development of type 2 diabetes mellitus: A meta-analysis of 10 prospective studies and 136,846 participants. Metabolism. 2014; 63(7): 903-911.</li>     <li>Kwan HY, Chao X, Su T, Fu X, Tse AK, Fong WF, Yu Z. The Anticancer and Antiobesity effects of Mediterranean diet. Crit Rev Food Sci Nutr. 2015; 57(1): 82-94.</li>     <li>Widmer RJ, Flammer AJ, Lerman LO, Lerman A. The Mediterranean Diet, its Components, and Cardiovascular Disease. Am J Med. 2015; 128(3): 229-238</li>     <li>DGC, APN. Guia para educadores - Alimenta&ccedil;&atilde;o em idade escolar. Dire&ccedil;&atilde;o-Geral do Consumidor, Associa&ccedil;&atilde;o Portuguesa de Nutri&ccedil;&atilde;o. 2013 [cited 2019 Jun 4]. Available from: <a href="https://www.apn.org.pt/documentos/guias/GuiaAPN_AlimentacaoIdadeEscolar.pdf"target="_blank">https://www.apn.org.pt/documentos/guias/GuiaAPN_AlimentacaoIdadeEscolar.pdf</a>.</li>     <li>WHO Multicentre Growth Reference Study Group. WHO Child Growth Standards: Length/height-for-age, weight-for-age, weight-for-length, weight-for-height and body mass index-for-age: Methods and development. Geneva: WHO Library Cataloguing-in-Publication Data; 2006 [cited 2019 Jun 18]. Available from: <a href="https://www.who.int/childgrowth/standards/technical_report/en/"target="_blank">https://www.who.int/childgrowth/standards/technical_report/en/</a>.</li>     <li>Bach A, Serra-Majem L, Carrasco JL, Roman B, Ngo J, Bertomeu I, Obrador B. The use of indexes evaluating the adherence to the Mediterranean diet in epidemiological studies: a review. Public Health Nutr. 2006; 9(1a): 132-146.</li>     <li>Da Silva R, Bach-Faig A, Raid&oacute; Quintana B, Buckland G, Vaz de Almeida M, &amp; Serra-Majem L. Worldwide variation of adherence to the Mediterranean diet, in 1961&ndash;1965 and 2000&ndash;2003. Public Health Nutrition. 2009; 12(9A), 1676-1684.</li>     <li>Pereira-da-Silva L, Pinto E. Baixa Ades&atilde;o &agrave; Dieta Mediterr&acirc;nica em Portugal: Nutri&ccedil;&atilde;o das Gr&aacute;vidas em Portugal e suas Repercuss&otilde;es. Acta Med Port. 2016; 29(10):658-666.</li>     <li>Mateus M. Ades&atilde;o ao Padr&atilde;o Alimentar Mediterr&acirc;nico em jovens no Algarve. Tese Doutoramento Univ do Porto. 2012; 84 p.</li>     <li>Galan-Lopez P, Ries F, Gisladottir T, Dom&iacute;nguez R, S&aacute;nchez-Oliver AJ. Healthy Lifestyle: Relationship between Mediterranean Diet, Body Composition and Physical Fitness in 13 to 16-Years Old Icelandic Students. Int J Environ Res Public Health. 2018; 15(12): 2632.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Yilmaz F&Ccedil;, &Ccedil;aÄŸiran D, &Ouml;z&ccedil;elik A&Ouml;. Adolescent Obesity and Its Association with Diet Quality and Cardiovascular Risk Factors. Ecol Food Nutr. 2019; 58(3): 207-218.</li>     <li>Arriscado D, Muros JJ, Zabala M, Dalmau JM. Factors associated with low adherence to a Mediterranean diet in healthy children in northern Spain. Appetite. 2014; 80: 28-34.</li>     <li>Grosso G, Marventano S, Buscemi S, Scuderi A, Matalone M, Platania A, Giorgianni G, Rametta S, Nolfo F, Galvano F, Mistretta A. Factors associated with adherence to the Mediterranean diet among adolescents living in Sicily, southern Italy. Nutrients. 2013; 5(12): 4908-4923.</li>     <li>Alsharairi NA, Somerset SM. Skipping breakfast in early childhood and its associations with maternal and child BMI: a study of 2&ndash;5-year-old Australian children. Eur J Clin Nutr. 2015; 70(4): 450-455.</li>     </ol>     <p></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>  <b><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b>     <p>Francisca Quaresma</p>     <p>Avenida da Praia, n. 403 - Z4, 3885-404 Esmoriz, Portugal</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="mailto:franciscarquaresma@gmail.com">franciscarquaresma@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido a 19 de maio de 2020</p>     <p>Aceite a 30 de setembro de 2020</p>      ]]></body>
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