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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Efeitos da intervenção alimentar em adultos com excesso de peso ou obesidade]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Introduction: The prevalence of obesity and overweight in Portugal has been increasing. Thus, it is fundamental to assess the nutrition consultation, promoting a effective intervention. Objcetives: To study the effect of dietary intervention on the evolution of body composition and the adoption of healthy eating habits in overweight or obese patients. Methodology: This was a prospective study in a non-randomized sample of overweight or obese patients of both sexes who where monitored monthly for 3 months in the external consultations of nutrition of the Portimão Unit - Centro Hospitalar Universitário do Algarve. The information regarding eating habits was obtained through the 24-hour recalls. Bioimpedance were used to evaluate body composition. Results: The study included 38 patients (22 women and 16 men), who had an average age of 57,8 ± 12,7 years. There was a stasticall diference in antropometric values before and after the nutritional (p< 0,01). There was a statistically significant increase in the number of daily meals (p < 0,01) and the consumption of fruit and vegetables (p < 0,05). The physical activity and the increased number of daily meals, fruit and vegetable consumption and water intake were not significantly associated with the decrease in the percentage of fat mass. Conclusions: Targeted dietary intervention was essential in promoting healthy eating habits.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Antropometria]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Hábitos alimentares]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Intervenção alimentar]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Obesidade]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Anthropometry]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Eating habits]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Obesity]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>     <p><b>Efeitos da interven&ccedil;&atilde;o alimentar em adultos com excesso de peso ou obesidade</b></p>     <p><b>Effects of dietary intervention on overweight or obese adults</b></p>     <p><b>Nat&eacute;rsia Laranjeira<sup>1</sup>; Fabiana Duarte<sup>1</sup>; Ana Paula Alves<sup>1*</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Centro Hospitalar e Universit&aacute;rio do Algarve, Rua Le&atilde;o Penedo, 8000-386 Faro, Portugal</p> <a href="#c0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Introdu&ccedil;&atilde;o: A preval&ecirc;ncia de obesidade e excesso de peso em Portugal tem vindo a aumentar. Assim, &eacute; fundamental avaliar a efic&aacute;cia da consulta de nutri&ccedil;&atilde;o, promovendo uma interven&ccedil;&atilde;o eficaz.</p>     <p>Objetivos: Estudar o efeito da interven&ccedil;&atilde;o alimentar na evolu&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o corporal e na ado&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos alimentares saud&aacute;veis em utentes com excesso de peso ou obesidade.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Metodologia: Estudo epidemiol&oacute;gico observacional, descritivo e prospetivo, numa amostra de conveni&ecirc;ncia de doentes adultos com excesso de peso ou obesidade de ambos os g&eacute;neros que foram acompanhados mensalmente durante 3 meses nas consultas externas de nutri&ccedil;&atilde;o na Unidade de Portim&atilde;o do Centro Hospitalar Universit&aacute;rio do Algarve. A informa&ccedil;&atilde;o referente a h&aacute;bitos alimentares foi obtida atrav&eacute;s do inqu&eacute;rito alimentar &agrave;s 24 horas anteriores. Procedeu-se tamb&eacute;m &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o corporal pela t&eacute;cnica de bioimped&acirc;ncia.</p>     <p>Resultados: Foram inclu&iacute;dos 38 utentes (22 do sexo feminino e 16 do sexo masculino), os quais apresentaram uma idade m&eacute;dia de 57,8 &plusmn; 12,7 anos. Encontrou-se uma diferen&ccedil;a estatisticamente significativa entre os valores antropom&eacute;tricos antes e ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o alimentar individualizada (p &lt; 0,01). Verificou-se, uma diminui&ccedil;&atilde;o das m&eacute;dias de peso (92,8 &plusmn; 15,0 versus 91,1 &plusmn; 14,2 Kg) e &Iacute;ndice de Massa Corporal (35,3 &plusmn; 6,3 versus 34,6 &plusmn; 6,0 Kg/m2) entre a primeira e a terceira consultas de nutri&ccedil;&atilde;o, correspondendo a um estado de obesidade classe 2 e obesidade classe 1, respetivamente. Adicionalmente, observou-se que 55,3% dos doentes perderam massa gorda. Verificou-se, ainda, um aumento estatisticamente significativo do n&uacute;mero di&aacute;rio de refei&ccedil;&otilde;es (p &lt; 0,01) e do consumo de hortofrut&iacute;colas (p&lt; 0,05). A pr&aacute;tica de atividade f&iacute;sica e o aumento do n&uacute;mero di&aacute;rio de refei&ccedil;&otilde;es, do consumo de hortofrut&iacute;colas e da ingest&atilde;o h&iacute;drica n&atilde;o revelaram associa&ccedil;&atilde;o estatisticamente significativa com a diminui&ccedil;&atilde;o da percentagem de massa gorda.</p>     <p>Conclus&otilde;es: A interven&ccedil;&atilde;o alimentar direcionada foi essencial na promo&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos alimentares saud&aacute;veis.</p>     <p><b>Palavras-chave</b></p>     <p>Antropometria, H&aacute;bitos alimentares, Interven&ccedil;&atilde;o alimentar, Obesidade</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Abstract</b></p>     <p>Introduction: The prevalence of obesity and overweight in Portugal has been increasing. Thus, it is fundamental to assess the nutrition consultation, promoting a effective intervention.</p>     <p>Objcetives: To study the effect of dietary intervention on the evolution of body composition and the adoption of healthy eating habits in overweight or obese patients.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Methodology: This was a prospective study in a non-randomized sample of overweight or obese patients of both sexes who where monitored monthly for 3 months in the external consultations of nutrition of the Portim&atilde;o Unit &ndash; Centro Hospitalar Universit&aacute;rio do Algarve. The information regarding eating habits was obtained through the 24-hour recalls. Bioimpedance were used to evaluate body composition.</p>     <p>Results: The study included 38 patients (22 women and 16 men), who had an average age of 57,8 &plusmn; 12,7 years. There was a stasticall diference in antropometric values before and after the nutritional (p&lt; 0,01). There was a statistically significant increase in the number of daily meals (p &lt; 0,01) and the consumption of fruit and vegetables (p &lt; 0,05). The physical activity and the increased number of daily meals, fruit and vegetable consumption and water intake were not significantly associated with the decrease in the percentage of fat mass.</p>     <p>Conclusions: Targeted dietary intervention was essential in promoting healthy eating habits.</p>     <p><b>Keywords</b></p>     <p>Anthropometry, Eating habits, Dietary intervention, Obesity</p>     <p>&nbsp;</p>  <hr>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></p>     <p>A obesidade constitui um importante fator de risco para o desenvolvimento de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, tais como hipertens&atilde;o arterial, dislipidemia, diabetes mellitus (DM) tipo 2, osteoartrite, alguns tipos de cancro e doen&ccedil;as cardiovasculares (1, 2). Uma perda ponderal sustentada de apenas 3% a 5% pode produzir benef&iacute;cios clinicamente significativos em alguns fatores de risco cardiovascular (2).</p>     <p>Em 2016, mais de 1,9 mil milh&otilde;es (39%) de adultos tinha excesso de peso, 650 milh&otilde;es (13%) dos quais eram obesos (3). A n&iacute;vel nacional, 22% dos portugueses t&ecirc;m obesidade e 34% pr&eacute;-obesidade (4). De acordo com o estudo baseado nos dados do Inqu&eacute;rito Alimentar Nacional e de Atividade F&iacute;sica (IAN-AF) realizado entre 2015-2016, seis em cada dez portugueses s&atilde;o pr&eacute;-obesos ou obesos (4).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A obesidade &eacute; definida como uma condi&ccedil;&atilde;o na qual existe excesso de gordura corporal. As comorbilidades s&atilde;o consequ&ecirc;ncia do excesso de gordura e n&atilde;o do excesso de peso. Atualmente, o tecido adiposo tem sido considerado um novo &oacute;rg&atilde;o end&oacute;crino que sintetiza ativamente uma enorme variedade de potentes mol&eacute;culas sinalizadoras bioativas com fun&ccedil;&otilde;es aut&oacute;crina, par&aacute;crina e end&oacute;crina. Existem diferen&ccedil;as no local espec&iacute;fico de secre&ccedil;&atilde;o de algumas das mol&eacute;culas produzidas pelo tecido adiposo que podem ajudar a explicar a grande patogenicidade da gordura intra-abdominal, contudo, em geral a sua s&iacute;ntese parece ser proporcional ao n&uacute;mero total de adip&oacute;citos.O peso corporal e o &Iacute;ndice de Massa Corporal (IMC) n&atilde;o refletem nem a composi&ccedil;&atilde;o corporal ou a distribui&ccedil;&atilde;o de gordura (5).</p>     <p>A primeira abordagem ap&oacute;s o diagn&oacute;stico de uma situa&ccedil;&atilde;o de excesso de peso ou obesidade deve ser a referencia&ccedil;&atilde;o para a consulta de nutri&ccedil;&atilde;o que &eacute; um processo estruturado, tendo como objetivo uma interven&ccedil;&atilde;o personalizada. A terap&ecirc;utica nutricional &eacute; necessariamente multifocal, ou seja, dirigida a um vasto conjunto de comportamentos e recorrendo a estrat&eacute;gias fundamentadas, facilitadoras da mudan&ccedil;a comportamental sustent&aacute;vel. &Eacute; conhecida a sua a&ccedil;&atilde;o na melhoria dos biomarcadores das doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, sendo que a consulta de nutri&ccedil;&atilde;o em adultos nos cuidados prim&aacute;rios mostrou ser eficaz na melhoria da qualidade da dieta, no controlo da glicemia e na perda de peso (6).</p>     <p>&Eacute; fundamental conhecer a efic&aacute;cia da consulta de nutri&ccedil;&atilde;o em Portugal, nos cuidados secund&aacute;rios, onde os doentes com obesidade e excesso ponderal que s&atilde;o referenciados t&ecirc;m associadas comorbilidades.</p>     <p><b>OBJETIVOS</b></p>     <p>Estudar o efeito da interven&ccedil;&atilde;o alimentar na evolu&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o corporal e na ado&ccedil;&atilde;o de h&aacute;bitos alimentares saud&aacute;veis em doentes com excesso de peso ou obesidade.</p>     <p><b>METODOLOGIA</b></p>     <p>Estudo prospetivo, numa amostra de conveni&ecirc;ncia constitu&iacute;da por doentes de ambos os g&eacute;neros com excesso de peso ou obesidade que frequentaram as consultas externas de nutri&ccedil;&atilde;o na Unidade de Portim&atilde;o do Centro Hospitalar Universit&aacute;rio do Algarve. Constitu&iacute;ram crit&eacute;rios de inclus&atilde;o: idade igual ou superior a 18 anos; IMC igual ou superior a 25 Kg/m2; ser ass&iacute;duo a consultas de nutri&ccedil;&atilde;o mensais por um per&iacute;odo de tr&ecirc;s meses.</p>     <p>A colheita da hist&oacute;ria cl&iacute;nica permitiu a identifica&ccedil;&atilde;o dos antecedentes cl&iacute;nicos pessoais do doente. Por outro lado, a informa&ccedil;&atilde;o referente a h&aacute;bitos alimentares (n&uacute;mero de refei&ccedil;&otilde;es, consumo de hortofrut&iacute;colas e ingest&atilde;o h&iacute;drica) foi obtida atrav&eacute;s do inqu&eacute;rito alimentar &agrave;s 24 horas anteriores. A quantifica&ccedil;&atilde;o de por&ccedil;&otilde;es alimentares foi realizada com recurso a medidas caseiras padronizadas. Com efeito, considerou-se que uma por&ccedil;&atilde;o de fruta corresponde a uma pe&ccedil;a de fruta de tamanho m&eacute;dio (160 g) e que uma por&ccedil;&atilde;o de hort&iacute;colas corresponde a 2 ch&aacute;venas almo&ccedil;adeiras de hort&iacute;colas crus (180 g) ou a 1 ch&aacute;vena almo&ccedil;adeira de hort&iacute;colas cozinhados (140 g) (7). A quantifica&ccedil;&atilde;o da ingest&atilde;o h&iacute;drica di&aacute;ria foi, por sua vez, realizada atrav&eacute;s da an&aacute;lise do n&uacute;mero de copos de &aacute;gua de 200 mL ingeridos. Os doentes foram, ainda, questionados sobre a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cio f&iacute;sico, os quais foram categorizados como fisicamente inativos ou ativos (os doentes que praticavam exerc&iacute;cio f&iacute;sico no m&iacute;nimo tr&ecirc;s vezes por semana e no m&iacute;nimo 30 minutos por sess&atilde;o).</p>     <p>Relativamente &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o antropom&eacute;trica, procedeu-se &agrave; medi&ccedil;&atilde;o da estatura atrav&eacute;s de um estadi&oacute;metro (sensibilidade de 0,1 cm), de acordo com a Orienta&ccedil;&atilde;o da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de (Orienta&ccedil;&atilde;o n&ordm; 017/2013 de 05/12/2013) (8). O peso e o IMC foram obtidos atrav&eacute;s da balan&ccedil;a Tanita Body Composition Analyzer TBF-300 (sensibilidade de 0,1 Kg). A avalia&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o corporal (percentagem de massa gorda, massa magra e &aacute;gua corporal total) foi efetuada pela t&eacute;cnica de bioimped&acirc;ncia. Os doentes eram sempre avaliados durante o per&iacute;odo da manh&atilde; entre as 9h30 e as 12 horas. Era pedido ao doente para tirar todos os metais, urinar pelo menos 30 minutos antes da avalia&ccedil;&atilde;o, evitar o consumo de alimentos e bebidas at&eacute; 4 horas antes de se realizar o teste. A avalia&ccedil;&atilde;o era realizada com o doente em repouso e a pr&aacute;tica de exerc&iacute;cios at&eacute; 8 horas anteriores n&atilde;o era recomendada; evitar no dia da avalia&ccedil;&atilde;o medicamentos que causassem reten&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica, n&atilde;o estar no per&iacute;odo menstrual, n&atilde;o estar febril, n&atilde;o ingerir &aacute;lcool nas 48 horas anteriores, assim como evitar o consumo excessivo de ch&aacute;s, caf&eacute; na v&eacute;spera e no dia anterior ao exame. O pedido de colabora&ccedil;&atilde;o aos doentes foi feito mediante consentimento informado, livre e esclarecido, de acordo com as normas constantes das declara&ccedil;&otilde;es de Hels&iacute;nquia. O estudo teve parecer favor&aacute;vel da Comiss&atilde;o de &Eacute;tica e do Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o do Centro Hospitalar Universit&aacute;rio do Algarve.</p>     <p>A interven&ccedil;&atilde;o alimentar foi adequada &agrave;s necessidades nutricionais individuais, tendo em conta as prefer&ecirc;ncias, intoler&acirc;ncias e alergias alimentares. Numa fase inicial era questionada a motiva&ccedil;&atilde;o para a perda de peso e caso o utente se encontrasse motivado (numa fase de a&ccedil;&atilde;o) era elaborado plano alimentar com uma restri&ccedil;&atilde;o de 500 kcal no valor energ&eacute;tico total (VET) di&aacute;rio. Com efeito, as necessidades energ&eacute;ticas foram calculadas recorrendo &agrave;s f&oacute;rmulas do Food and Nutrition Board (9). Para a distribui&ccedil;&atilde;o do VET pelos macronutrientes, assumiu-se uma distribui&ccedil;&atilde;o de 50% de hidratos de carbono, 20% de prote&iacute;na e 30% de l&iacute;pidos.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os dados recolhidos foram analisados e tratados utilizando o programa Statistical Package for Social Sciences, vers&atilde;o 25. Na an&aacute;lise e descri&ccedil;&atilde;o das carater&iacute;sticas da amostra, as vari&aacute;veis quantitativas foram expressas como valor m&eacute;dio &plusmn; desvio-padr&atilde;o e as qualitativas como frequ&ecirc;ncias. Para verificar a exist&ecirc;ncia de diferen&ccedil;as significativas nas vari&aacute;veis antes e ap&oacute;s a implementa&ccedil;&atilde;o da terap&ecirc;utica nutricional utilizou-se o teste t-student para amostras emparelhadas. A associa&ccedil;&atilde;o entre vari&aacute;veis foi testada pelo teste do Qui-quadrado de independ&ecirc;ncia para as vari&aacute;veis categ&oacute;ricas. Assumiu-se um valor de signific&acirc;ncia de 5% (p &lt; 0,05).</p>     <p><b>RESULTADOS</b></p>     <p>A amostra do estudo foi constitu&iacute;da por 38 indiv&iacute;duos, dos quais 57,9% eram do sexo feminino e 42,1% do sexo masculino. Os doentes tinham idade compreendida entre 25 e 80 anos, sendo que a m&eacute;dia de idades foi de 57,8 &plusmn; 12,7 anos.</p>     <p>Constatou-se uma preval&ecirc;ncia de hipertens&atilde;o arterial de 54,5% e de 56,3% nos indiv&iacute;duos do sexo feminino e masculino, respetivamente. De igual modo, verificou-se uma maior preval&ecirc;ncia de DM nos homens (56,3%) do que nas mulheres (27,3%).</p>     <p>Encontrou-se uma diferen&ccedil;a estatisticamente significativa entre os valores antropom&eacute;tricos antes e ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o alimentar individualizada (p &lt; 0,01). Verificou-se, portanto, uma diminui&ccedil;&atilde;o das m&eacute;dias de peso (92,8 &plusmn; 15,0 versus 91,1 &plusmn; 14,2 Kg) e IMC (35,3 &plusmn; 6,3 versus 34,6 &plusmn; 6,0 Kg/m<sup>2</sup>) entre a primeira e a terceira consultas de nutri&ccedil;&atilde;o, correspondendo a um estado de obesidade classe 2 e obesidade classe 1, respetivamente. Por outro lado, observou-se um aumento estatisticamente significativo do n&uacute;mero di&aacute;rio de refei&ccedil;&otilde;es (p &lt; 0,01) e do n&uacute;mero de por&ccedil;&otilde;es de hortofrut&iacute;colas consumidas diariamente (p &lt; 0,05) ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o alimentar (<a href ="/img/revistas/apn/n16/n16a05t1.jpg">Tabela 1</a>).</p>     
<p>Observou-se uma diminui&ccedil;&atilde;o da percentagem de massa gorda em mais de metade dos doentes (55,3%), embora sem diferen&ccedil;a estatisticamente significativa entre o sexo feminino e masculino (63,6 versus 43,8%, p = 0,224). A propor&ccedil;&atilde;o de doentes que diminuiu a percentagem de massa gorda foi superior no grupo de doentes fisicamente ativos (p = 0,859) e no grupo de doentes que apresentaram um aumento do consumo de hort&iacute;colas (p = 0,691) e da ingest&atilde;o h&iacute;drica (p = 0,847). De igual modo, a diminui&ccedil;&atilde;o da percentagem de massa gorda n&atilde;o apresentou associa&ccedil;&atilde;o significativa com o n&uacute;mero di&aacute;rio de refei&ccedil;&otilde;es (p = 0,744) e o n&uacute;mero de por&ccedil;&otilde;es de fruta consumidas diariamente (p = 0,154) (<a href ="/img/revistas/apn/n16/n16a05t2.jpg">Tabela 2</a>).</p>     
<p><b>DISCUSS&Atilde;O DOS RESULTADOS</b></p>     <p>Na terap&ecirc;utica nutricional direcionada &agrave; redu&ccedil;&atilde;o ponderal &eacute; recomendada uma perda gradual de 5 a 10% do peso inicial num per&iacute;odo de tempo de 6 meses, a qual pode prevenir e controlar doen&ccedil;as associadas &agrave; obesidade (2, 10). Efetivamente, estudos demonstraram a efic&aacute;cia da terap&ecirc;utica nutricional na perda e na manuten&ccedil;&atilde;o do peso (6, 11). De igual modo, obteve-se como resultado na presente investiga&ccedil;&atilde;o uma diminui&ccedil;&atilde;o significativa do peso e do IMC.</p>     <p>A consulta de nutri&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo estruturado que tem como objetivos promover h&aacute;bitos alimentares saud&aacute;veis e, consequentemente, melhorar o estado de sa&uacute;de a longo prazo (6). Com efeito, a modifica&ccedil;&atilde;o de comportamentos alimentares &eacute; reconhecida como uma das abordagens terap&ecirc;uticas de primeira linha de doen&ccedil;as cr&oacute;nicas, nomeadamente a obesidade (6, 12). O consumo adequado de alimentos ricos em nutrientes e de baixo valor energ&eacute;tico, nomeadamente hortofrut&iacute;colas, e a simult&acirc;nea diminui&ccedil;&atilde;o da ingest&atilde;o de alimentos de elevada densidade energ&eacute;tica propiciam o d&eacute;fice energ&eacute;tico (13, 14). Assim, o aumento do consumo de fruta e hort&iacute;colas pode diminuir a densidade energ&eacute;tica da dieta e, portanto, promover a perda de peso (2, 13, 14). A pr&aacute;tica regular de atividade f&iacute;sica &eacute;, igualmente, importante para aumentar o gasto energ&eacute;tico, por&eacute;m verificou-se uma elevada preval&ecirc;ncia da inatividade f&iacute;sica (63,2%) na amostra estudada.</p>     <p>A Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de recomenda o consumo de pelo menos 400 gramas de hortofrut&iacute;colas por dia (equivalente a 5 ou mais por&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias) (12). Segundo o IAN-AF 2015-2016, mais de metade da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (53%) n&atilde;o cumpre a recomenda&ccedil;&atilde;o anteriormente mencionada. Realmente, os portugueses apresentaram um consumo m&eacute;dio di&aacute;rio de 224 gramas de fruta e de 164 gramas de produtos hort&iacute;colas (15). No presente estudo, o consumo de hortofrut&iacute;colas, antes e ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o alimentar, foi, igualmente, inferior ao preconizado, assim como se verificou um consumo m&eacute;dio di&aacute;rio de por&ccedil;&otilde;es de fruta superior ao de produtos hort&iacute;colas. Todavia, observou-se uma mudan&ccedil;a significativa do comportamento alimentar, uma vez que se verificou o aumento do consumo m&eacute;dio di&aacute;rio de fruta e de produtos hort&iacute;colas ap&oacute;s a interven&ccedil;&atilde;o alimentar, corroborando os resultados obtidos por outros autores (14). Wagner et al. avaliaram o efeito da educa&ccedil;&atilde;o alimentar e nutricional sobre o consumo de hortofrut&iacute;colas em adultos com excesso de peso ou obesidade. Ap&oacute;s 10 semanas, os participantes dos dois grupos de interven&ccedil;&atilde;o referiram um aumento significativo da m&eacute;dia de frequ&ecirc;ncia semanal do consumo de hortofrut&iacute;colas (14).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O curto espa&ccedil;o de tempo em que decorreu a interven&ccedil;&atilde;o alimentar pode justificar o facto de n&atilde;o se ter encontrado associa&ccedil;&atilde;o significativa entre a mudan&ccedil;a dos h&aacute;bitos alimentares (n&uacute;mero di&aacute;rio de refei&ccedil;&otilde;es, consumo di&aacute;rio de hortofrut&iacute;colas e ingest&atilde;o h&iacute;drica) e a composi&ccedil;&atilde;o corporal.</p>     <p>Este estudo encerra algumas limita&ccedil;&otilde;es, nomeadamente o reduzido tamanho da amostra, n&atilde;o se ter realizado um grupo controlo e o curto espa&ccedil;o de tempo em que decorreu a interven&ccedil;&atilde;o alimentar. A utiliza&ccedil;&atilde;o do inqu&eacute;rito referente &agrave;s 24 horas anteriores foi escolhido por ser o mais adequado ao tempo disponibilizado para a consulta de nutri&ccedil;&atilde;o. Sempre que poss&iacute;vel foi pedida uma hist&oacute;ria alimentar, mas como se obteve uma baixa resposta, optamos por utilizar este m&eacute;todo. Sabendo que pode n&atilde;o ser representativo da ingest&atilde;o alimentar realizada e estar dependente da mem&oacute;ria do doente. Outra limita&ccedil;&atilde;o prende-se com o facto de n&atilde;o se ter considerado o per&iacute;metro da cintura para an&aacute;lise, o qual teria sido pertinente para uma melhor carateriza&ccedil;&atilde;o da amostra a n&iacute;vel dos par&acirc;metros antropom&eacute;tricos.</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>A interven&ccedil;&atilde;o alimentar direcionada promoveu o aumento do n&uacute;mero de por&ccedil;&otilde;es de hortofrut&iacute;colas consumidas. Al&eacute;m disso, a terap&ecirc;utica nutricional resultou numa redu&ccedil;&atilde;o dos valores antropom&eacute;tricos (peso e IMC).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></p> <ol>     <li>World Health Organization. Obesity&nbsp;: preventing and managing the global epidemic: report of a WHO consultation (WHO technical report series, 894). Geneva; 2000.</li>     <li>Jensen MD, Ryan DH, Apovian CM, Ard JD, Comuzzie AG, Donato KA, et al. 2013 AHA/ACC/TOS Guideline for the Management of Overweight and Obesity in Adults. Circulation. 2014 Jun 24;129(25 suppl 2):S102&ndash;38.</li>     <li>World Health Organization. Obesity and overweight. 2017 [cited 2018 Apr 20]. Available from: <a href="http://www.who.int/" target="_blank">http://www.who.int/</a>.</li>     <li>Oliveira A, Ara&uacute;jo J, Severo M, Correia D, Ramos E, Torres D, et al. Prevalence of general and abdominal obesity in Portugal: comprehensive results from the National Food, Nutrition and Physical Activity Survey 2015-2016.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Prentice AM, Jebb SA. Beyond body mass index. Obes Rev. 2001;2(3):141&ndash;7.</li>     <li>Mitchell LJ, Ball LE, Ross LJ, Barnes KA, Williams LT. Effectiveness of Dietetic Consultations in Primary Health Care: A Systematic Review of Randomized Controlled Trials. J Acad Nutr Diet. 2017 Dec;117(12):1941&ndash;62.</li>     <li>Faculdade de Ci&ecirc;ncias da Nutri&ccedil;&atilde;o e Alimenta&ccedil;&atilde;o da Universidade do Porto. Guia: Os Alimentos na Roda. Instituto do Consumidor; 2003.</li>     <li>Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de. Orienta&ccedil;&atilde;o da Dire&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de no017/2013 - Avalia&ccedil;&atilde;o Antropom&eacute;trica no Adulto. 2013.</li>     <li>Institute of Medicine. Dietary Reference Intakes for Energy, Carbohydrate, Fiber, Fat, Fatty Acids, Cholesterol, Protein, and Amino Acids. Washington, D.C: National Academies Press; 2005.</li>     <li>Kushner RF, Ryan DH. Assessment and Lifestyle Management of Patients With Obesity. JAMA. 2014 Sep 3;312(9):943.</li>     <li>Nurkkala M, Kaikkonen K, Vanhala ML, Karhunen L, Ker&auml;nen A-M, Korpelainen R. Lifestyle intervention has a beneficial effect on eating behavior and long-term weight loss in obese adults. Eat Behav. 2015;18:179&ndash;85.</li>     <li>World Health Organization. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases: report of a joint WHO/FAO expert consultation (WHO technical Report Series, 916). Geneva; 2003.</li>     <li>Rolls BJ. What is the role of portion control in weight management? Int J Obes. 2014 Jul 25;38(S1):S1&ndash;8.</li>     <li>Wagner MG, Rhee Y, Honrath K, Blodgett Salafia EH, Terbizan D. Nutrition education effective in increasing fruit and vegetable consumption among overweight and obese adults. Appetite. 2016;100:94&ndash;101.</li>     ]]></body>
<body><![CDATA[<li>Lopes C, Torres D, Oliveira A, Severo M, Alarc&atilde;o V, Guiomar S, et al. Inqu&eacute;rito alimentar nacional e de atividade f&iacute;sica (IAN-AF) 2015-16. Universidade do Porto; 2017.</li>     </ol>     <p>&nbsp;</p>     <p>  <b><a href="#topc0">Endere&#231;o para correspond&#234;ncia</a><a name="c0"></a></b>     <p>Ana Paula Alves</p>     <p>Rotunda Salgueiro Maia, lote 55, 8&ordm; B,</p>     <p>8500-643 Portim&atilde;o, Portugal</p> <a href="mailto:ana.p.alves44@gmail.com">ana.p.alves44@gmail.com</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Entregue a 3 de julho de 2018</p>     <p>Aceite a 14 de janeiro de 2019</p>     ]]></body>
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