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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Manobra de Epley na vertigem posicional paroxística benigna: resolver a uma velocidade vertiginosa]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The epley maneuver for benign paroxysmal positional vertigo: a review of the literature]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Unidade Local de Saúde de Matosinhos USF Lagoa ]]></institution>
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<self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2182-51732012000400007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S2182-51732012000400007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S2182-51732012000400007&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Objectivo: O objectivo deste trabalho consiste em rever a evidência sobre a efectividade e a segurança da manobra de Epley (ME) no tratamento da vertigem posicional paroxística benigna (VPPB) posterior. Fontes de dados: Medline, sítios de medicina baseada na evidência, Índex de Revistas Médicas Portuguesas e referências bibliográficas dos artigos seleccionados. Métodos de revisão: Pesquisa de normas de orientação clínica (NOC), revisões sistemáticas, meta-análises, ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC), publicados entre Janeiro/2000 e Junho/2011, utilizando os termos MeSH: benign paroxysmal positional vertigo e therapy. Foi utilizada a Strength Of Recommendation Taxonomy (SORT) para atribuição dos níveis de evidência e forças de recomendação. Resultados: A American Academy of Neurology documenta que a ME é efectiva e segura, pelo que deve ser opção para qualquer doente com VPPB posterior. A American Academy of Otolaryngology recomenda que a ME seja usada como primeira linha na VPPB. A meta-análise da Cochrane (nivel de evidência 1) objectivou uma efectividade da ME superior comparativamente às manobras-placebo e ausência de tratamento, quer a nível de sintomas (OR = 4,42) quer a nível de negatividade do teste de Dix-Hallpike (DH) (OR= 6,40). A meta-análise de Prim-Espada verificou que os pacientes submetidos à ME foram mais bem sucedidos na resolução dos sintomas (OR = 6,52) (nível de evidência 2). A revisão de Helminski revelou uma taxa de negatividade do teste de DH superior entre os grupos intervencionados (67 - 93%) comparativamente aos grupos controlo (10 - 38%) (nível de evidência 3). Não foram registados efeitos laterais sérios (nível de evidência 1). Conclusões: A evidência revela a ME é efectiva e segura no tratamento da VPPB a curto prazo (SOR A). A ME tem um grande valor para o Médico de Família que assim poderá resolver esta vertigem, sem efeitos laterais importantes, sem grandes custos adicionais e a uma velocidade quase vertiginosa.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Goal: The objective of this study is to review the evidence on the efficacy and safety of the Epley maneuver (EM) in the treatment of posterior canal benign paroxysmal positional vertigo (BPPV). Data sources: Medline, evidence-based medicine websites, the Index of Portuguese Medical Journals, and references of selected articles. Review methods: Guidelines, systematic reviews, meta-analyses and randomized controlled trials using the MeSH terms benign paroxysmal positional vertigo and therapy. The Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) was used for the assignment of levels of evidence and the strength of recommendations. Results: The American Academy of Neurology reports that the EM is effective and safe and is a treatment option for any patient with posterior BPPV. The American Academy of Otolaryngology recommends that the EM be used as first line treatment for BPPV. A Cochrane meta-analysis (level of evidence 1) found the EM better than placebo treatment and no treatment for symptoms (OR = 4.42) and for producing a negative Dix-Hallpike (DH) test (OR = 6.40). The meta-analysis by Prim-Espada found that patients undergoing the EM had better resolution of symptoms (OR = 6.52) (level of evidence 2). Helminski’s systematic review found a higher rate of negative DH tests in the treated groups (67 - 93%) compared to control groups (10 - 38%) (level of evidence 3). Serious side effects were not reported (level of evidence 1). Conclusions: The evidence reveals that the EM is effective and safe in the treatment of BPPV in the short term (SOR A). The EM is of great value to the General Practitioner in the rapid resolution of posterior BPPV without major side effects and without great costs.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Vertigem Posicional Paroxística Benigna]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Tratamento]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Benign Paroxysmal Positional Vertigo]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Therapy]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>REVIS&#213;ES</b></p>       <p><font size="4"><b>Manobra de <i>Epley</i> na vertigem posicional parox&#237;stica benigna: resolver a uma     velocidade vertiginosa</b></font></p>       <p><font size="3"><b>The epley maneuver for benign paroxysmal   positional vertigo: a review of the literature</b></font></p>       <p><b>Jos&#233; Agostinho Santos*</b></p>       <p>*Interno 4.<sup>o</sup> ano Medicina Geral e Familiar, USF Lagoa,   Unidade Local de Sa&#250;de de Matosinhos</p>       <p><a href="#c0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a> | <a href="#c0">Direcci&oacute;n para correspondencia</a> | <a href="#c0">Correspondence</a><a name="topc0"></a></p>       <p>&nbsp;</p> <hr/>       <p><b>RESUMO</b></p>       <p><b>Objectivo:</b> O objectivo deste trabalho     consiste em rever a evid&#234;ncia sobre a efectividade e a seguran&#231;a da manobra de     Epley (ME) no tratamento da vertigem posicional parox&#237;stica benigna (VPPB)     posterior.</p>       <p><b>Fontes de dados:</b> <i>Medline,</i> s&#237;tios de medicina baseada na evid&#234;ncia, &#205;ndex de Revistas     M&#233;dicas Portuguesas e refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas dos artigos seleccionados.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>M&#233;todos de revis&#227;o:</b> Pesquisa de normas     de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica (NOC), revis&#245;es sistem&#225;ticas, meta-an&#225;lises, ensaios     cl&#237;nicos aleatorizados e controlados (ECAC), publicados entre Janeiro/2000 e     Junho/2011, utilizando os termos <i>MeSH:     benign paroxysmal positional vertigo</i> e <i>therapy.</i> Foi utilizada a <i>Strength Of     Recommendation Taxonomy</i> (SORT) para atribui&#231;&#227;o dos n&#237;veis de evid&#234;ncia e     for&#231;as de recomenda&#231;&#227;o.</p>       <p><b>Resultados:</b> A <i>American Academy of Neurology</i> documenta que a ME &#233; efectiva e     segura, pelo que deve ser op&#231;&#227;o para qualquer doente com VPPB posterior. A <i>American Academy of Otolaryngology </i>recomenda     que a ME seja usada como primeira linha na VPPB. A meta-an&#225;lise da Cochrane     (nivel de evid&#234;ncia 1) objectivou uma efectividade da ME superior     comparativamente &#224;s manobras-placebo e aus&#234;ncia de tratamento, quer a n&#237;vel de     sintomas (OR = 4,42) quer a n&#237;vel de negatividade do teste de Dix-Hallpike (DH)     (OR= 6,40). A meta-an&#225;lise de Prim-Espada verificou que os pacientes submetidos     &#224; ME foram mais bem sucedidos na resolu&#231;&#227;o dos sintomas (OR = 6,52) (n&#237;vel de     evid&#234;ncia 2). A revis&#227;o de <i>Helminski</i> revelou uma taxa de negatividade do teste de DH superior entre os grupos     intervencionados (67 &#8211; 93%) comparativamente aos grupos controlo (10     &#8211; 38%) (n&#237;vel de evid&#234;ncia 3). N&#227;o foram registados efeitos laterais     s&#233;rios (n&#237;vel de evid&#234;ncia 1).</p>       <p><b>Conclus&#245;es:</b> A evid&#234;ncia revela a ME &#233;     efectiva e segura no tratamento da VPPB a curto prazo (SOR A). A ME tem um grande     valor para o M&#233;dico de Fam&#237;lia que assim poder&#225; resolver esta vertigem, sem     efeitos laterais importantes, sem grandes custos adicionais e <i>a uma velocidade quase vertiginosa.</i></p>       <p><b>Palavras chave:</b> Vertigem Posicional     Parox&#237;stica Benigna; Tratamento.</p>         <p>&nbsp;</p> <hr/>     <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p><b>Goal:</b> The objective of this study is to     review the evidence on the efficacy and safety of the Epley maneuver (EM) in   the treatment of posterior canal benign paroxysmal positional vertigo (BPPV).</p>       <p><b>Data sources:</b> Medline, evidence-based     medicine websites, the Index of Portuguese Medical Journals, and references of     selected articles.</p>       <p><b>Review methods:</b> Guidelines, systematic     reviews, meta-analyses and randomized controlled trials using the MeSH terms     benign paroxysmal positional vertigo and therapy. The Strength of     Recommendation Taxonomy (SORT) was used for the assignment of levels of     evidence and the strength of recommendations.</p>       <p><b>Results:</b> The American Academy of     Neurology reports that the EM is effective and safe and is a treatment option     for any patient with posterior BPPV. The American Academy of Otolaryngology     recommends that the EM be used as first line treatment for BPPV. A Cochrane     meta-analysis (level of evidence 1) found the EM better than placebo treatment     and no treatment for symptoms (OR = 4.42) and for producing a negative     Dix-Hallpike (DH) test (OR = 6.40). The meta-analysis by Prim-Espada found that     patients undergoing the EM had better resolution of symptoms (OR = 6.52) (level     of evidence 2). Helminski&#8217;s systematic review found a higher rate of negative     DH tests in the treated groups (67 - 93%) compared to control groups (10 - 38%)     (level of evidence 3). Serious side effects were not reported (level of evidence     1).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Conclusions:</b> The evidence reveals that     the EM is effective and safe in the treatment of BPPV in the short term (SOR     A). The EM is of great value to the General Practitioner in the rapid     resolution of posterior BPPV without major side effects and without great     costs.</p>       <p><b>Keywords:</b> Benign Paroxysmal Positional     Vertigo; Therapy.</p>         <p>&nbsp;</p> <hr/>       <p><b>INTRODU&#199;&#195;O</b></p>       <p>A vertigem     posicional consiste na sensa&#231;&#227;o subjectiva rotacional que surge quando a cabe&#231;a     muda de posi&#231;&#227;o relativamente &#224; gravidade. Tal acontece em situa&#231;&#245;es comuns como     rodar na cama, elevar a cabe&#231;a para observar acima de uma prateleira ou     inclinar-se para apertar o sapato.<sup>1,2</sup> Os doentes referem,     habitualmente, epis&#243;dios de vertigem com dura&#231;&#227;o de segundos, que v&#227;o     aprendendo a prevenir com medidas auto-restritivas dos movimentos cef&#225;licos.<sup>2,3</sup></p>       <p>A vertigem     posicional parox&#237;stica benigna (VPPB) &#233; a causa mais frequente de vertigem e     constitui um tipo de vertigem posicional cuja etiologia se associa com o ouvido     interno. A sua incid&#234;ncia &#233; de 10,7 &#8211; 64 casos/ /100000 indiv&#237;duos/ano e     aumenta 38% por d&#233;cada de vida.<sup>1,2,3</sup> A sua preval&#234;ncia &#233; m&#225;xima na     sexta d&#233;cada de vida e duas vezes mais comum nas mulheres.<sup>1,4</sup> Estima-se que 86% dos pacientes adultos com VPPB se ausentem do seu local de     trabalho ou limitem a sua vida di&#225;ria de alguma forma.<sup>2</sup></p>       <p>O termo <i>benigna</i> emerge da origem n&#227;o-relacionada     com altera&#231;&#245;es neurol&#243;gicas e o conceito <i>parox&#237;stica</i> relembra o in&#237;cio s&#250;bito e inesperado dos epis&#243;dios vertiginosos.<sup>2</sup> A     causa da VPPB &#233; idiop&#225;tica ou prim&#225;ria em 50-70%, sendo o traumatismo     cranioencef&#225;lico a causa secund&#225;ria mais frequente (7-17%).<sup>5</sup> Existem     duas variantes principais de VPPB: a VPPB do canal semicircular posterior (VPPB     do canal posterior), constituindo 85-95% dos casos e o alvo desta revis&#227;o, e a     VPPB do canal semicircular lateral (VPPB do canal horizontal), respons&#225;veis por     5-10%.<sup>1,2</sup> A maioria dos casos &#233; unilateral.<sup>1</sup></p>       <p>Subsistem     duas teorias para a etiologia do VPPB posterior. A canalit&#237;ase &#233; a mais     plaus&#237;vel e apoia-se na compreens&#227;o de que as part&#237;culas ou cristais da endolinfa,     habitualmente flutuantes e livres no utr&#237;culo, entram inadvertidamente para o     canal semicircular posterior que, por ser o mais inferior dos tr&#234;s canais     semi-circulares, tende a servir de &#8220;crivo&#8221; para estes cristais. Estas     part&#237;culas ficam a&#237; retidas, causando altera&#231;&#245;es de in&#233;rcia dentro do canal e,     consequentemente, uma vertigem e um nistagmo quando a cabe&#231;a se move no plano     do canal. A teoria da cupulolit&#237;ase assenta na deposi&#231;&#227;o e liga&#231;&#227;o das     part&#237;culas &#224;s c&#250;pulas, excitando constantemente os seus terminais nervosos e     transmitindo uma falsa sensa&#231;&#227;o de movimento cef&#225;lico ao c&#233;rebro.<sup>1,2,3</sup></p>       <p>A sensa&#231;&#227;o     de &#8220;espa&#231;o a girar em torno da cabe&#231;a&#8221; associada a n&#225;useas de grau vari&#225;vel &#233;     mais t&#237;pica da VPPB do canal posterior, por&#233;m nem sempre referida pelos doentes     que a t&#234;m. Muitos poder&#227;o descrev&#234;-la como tonturas, desequil&#237;brios s&#250;bitos ou     &#8220;quedas de tens&#227;o&#8221;. Cinquenta por cento dos pacientes reportam tamb&#233;m     desequil&#237;brio inespec&#237;fico entre os epis&#243;dios agudos cl&#225;ssicos de VPPB     posterior.<sup>1,2</sup> Em um ter&#231;o dos doentes, existe uma hist&#243;ria at&#237;pica     de vertigem posicional e uma manobra (ou teste) de Dix-Hallpike que documenta     um nistagmo posicional, altamente sugestivo de VPPB. Por estes motivos, a     literatura sugere que as queixas do doente em si (sem exame objectivo) n&#227;o tem     precis&#227;o suficiente para um diagn&#243;stico.<sup>2,6</sup></p>       <p>O     diagn&#243;stico de vertigem posicional parox&#237;stica benigna do canal posterior &#233;,     portanto, essencialmente cl&#237;nico e baseado na teoria da canalit&#237;ase,     dispensando exames complementares. Resulta da conjuga&#231;&#227;o de uma hist&#243;ria     sugestiva (epis&#243;dios de vertigem despoletados por mudan&#231;as da posi&#231;&#227;o da cabe&#231;a     relativamente a gravidade, sem sintomas auditivos associados) com um achado     cl&#225;ssico no exame objectivo: um nistagmo vertical e rotacional (para o lado afectado)     provocado pela manobra de Dix-Hallpike (DH), que inclui quatro passos.<sup>1,2,3,4,5</sup> Esta inicia-se trazendo de forma r&#225;pida o doente da posi&#231;&#227;o sentada e com a     cabe&#231;a rodada a 45&#186; para um dos lados (aleatoriamente, para a direita) para a     posi&#231;&#227;o supina com a cabe&#231;a mantida na sua rota&#231;&#227;o e pesco&#231;o extendido a 20&#186;     para al&#233;m da margem da maca. Nesta posi&#231;&#227;o, o paciente &#233; instru&#237;do a manter os     olhos abertos, permitindo a observa&#231;&#227;o do nistagmo com caracter&#237;sticas     particulares: existe um per&#237;odo de lat&#234;ncia habitualmente de 5-20 segundos at&#233;     ao in&#237;cio do nistagmo, podendo raramente durar at&#233; 1 minuto. Este aumenta,     ent&#227;o, gradualmente de intensidade at&#233; que resolve dentro de 60 segundos e, por     isso, frequentemente designado &#8220;nistagmo crescendo-decrescendo&#8221;. O doente &#233;     questionado, ao mesmo tempo, sobre sintomas vertiginosos que frequentemente     emergem concomitantemente com o movimento ocular r&#237;tmico. O nistagmo volta a     surgir com o retorno &#224; posi&#231;&#227;o sentada, por&#233;m a sua direc&#231;&#227;o do nistagmo pode     estar revertida (<a href="#f1">Figura 1</a>). A manobra de DH &#233; repetida nos seus quatro passos     numa segunda vez com a rota&#231;&#227;o da cabe&#231;a para o lado esquerdo.<sup>1,2,3</sup> Mais raramente, o teste DH pode ser positivo bilateralmente, diagnosticando-se     uma VBBP bilateral (que, geralmente, ocorre ap&#243;s traumatismo craniano).<sup>1,2,3</sup></p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v28n4/28n4a07f1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Outro     aspecto peculiar deste nistagmo &#233; que &#233; fatig&#225;vel, havendo uma redu&#231;&#227;o da sua     intensidade quando a manobra de DH &#233; repetida. Por&#233;m, esta repeti&#231;&#227;o n&#227;o &#233;     recomendada uma vez que n&#227;o acrescenta qualquer ponto relevante ao diagn&#243;stico     e poder&#225; ser desconfort&#225;vel para o paciente ao precipitar novamente os sintomas     vertiginosos.<sup>1,2</sup></p>       <p>A manobra de     DH dever&#225; ser realizada no gabinete m&#233;dico, sendo considerado o <i>gold standard</i> para o diagn&#243;stico de VPPB     posterior.<sup>1,2,3</sup> Apresenta uma sensibilidade de 79%, uma     especificidade de 75% e &#233; o crit&#233;rio diagn&#243;stico mais comum para inclus&#227;o de     indiv&#237;duos em ensaios cl&#237;nicos. Apresenta, contudo, limita&#231;&#245;es na depend&#234;ncia     da experi&#234;ncia e rigor metodol&#243;gico dos cl&#237;nicos que a realizam.<sup>1,2</sup> Constitui, genericamente, uma t&#233;cnica de f&#225;cil aplicabilidade para o m&#233;dico,     mas de algum desconforto para o doente.<sup>1,2,6</sup></p>       <p>A VPPB     lateral parece tamb&#233;m dever-se &#224; presen&#231;a de cristais da endolinfa no canal     lateral. Esta &#233; muito menos frequente e de diagn&#243;stico menos definido atendendo     &#224; escassez de estudos. Neste tipo, o teste de DH &#233; negativo apesar de uma     hist&#243;ria de vertigem posicional muito sugestiva, pelo que dever&#225; proceder-se ao     chamado teste do rolamento supino.<sup>1,2</sup> A sua descri&#231;&#227;o mais detalhada     escapa ao &#226;mbito deste trabalho.</p>       <p>O     diagn&#243;stico diferencial com VPPB do canal posterior inclui outras altera&#231;&#245;es     otol&#243;gicas (doen&#231;a de Meni&#233;re, neurite vestibular, labirintite, vertigem     p&#243;s-traum&#225;tica), altera&#231;&#245;es neurol&#243;gicas (enxaqueca, insufici&#234;ncia     vertebrobasilar, doen&#231;as desmielinizantes, doen&#231;a cerebelar, outras les&#245;es do     Sistema Nervoso Central), perturba&#231;&#227;o da ansiedade, iatrogenia medicamentosa e     hipotens&#227;o postural.<sup>1,2,6</sup></p>       <p>O tratamento     da VPPB tem merecido aten&#231;&#227;o cient&#237;fica nos &#250;ltimos anos, pelo que as     denominadas manobras de reposicionamento das part&#237;culas t&#234;m-se destacado e sido     descritas como efectivas e seguras.<sup>1,3,6</sup> Elas incluem a manobra de <i>Epley,</i> a manobra de Sermont e a manobra     de Brandt-Daroff. A manobra de <i>Epley</i> (ME), tamb&#233;m designada de procedimento de reposicionamento dos canalitos,     ganhou popularidade entre a comunidade m&#233;dica pela sua relativa simplicidade     quer para o cl&#237;nico quer para o doente.<sup>1,2,3,6</sup> Consiste,     essencialmente, em deslocar as part&#237;culas da endolinfa (designadas por     canalitos) retidas no canal semicircular posterior para o utr&#237;culo, onde ficam     livres e inertes. O procedimento decorre segundo cinco etapas simples, descritas por JM Epley (<a href="#f2">Figura 2</a>):</p>       <p>1. O     paciente &#233; colocado sentado na ponta da maca/mesa e com a cabe&#231;a rodada a 45&#186;     para o lado afectado (correspondente ao lado em que o teste de DH foi     positivo).</p>       <p>2. O     paciente &#233; rapidamente levado para uma posi&#231;&#227;o supina com a cabe&#231;a rodada e     pendente para al&#233;m da margem da mesa. Assim se mant&#233;m durante 20-30 segundos.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>3. A cabe&#231;a     &#233; rodada 90&#186; para o outro lado (n&#227;o afectado) e assim permanece 20 segundos.</p>       <p>4. A cabe&#231;a     faz nova rota&#231;&#227;o de 90&#186; para o mesmo lado, apenas se conseguindo tal com a     rota&#231;&#227;o concomitante do corpo do paciente de uma posi&#231;&#227;o supina para dec&#250;bito     lateral. Assim, estabiliza por mais 20-30 segundos.</p>       <p>5. O doente     volta &#224; posi&#231;&#227;o sentada, com os p&#233;s pendentes para al&#233;m da margem da mesa no     lado n&#227;o-afectado.<sup>1,2,3,6,7</sup></p>            <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="f2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v28n4/28n4a07f2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Epley     descreveu, no in&#237;cio dos anos 90, duas t&#233;cnicas supostamente auxiliadoras na     efectividade da manobra: 1. a vibra&#231;&#227;o da mast&#243;ide antes da sua execu&#231;&#227;o com o     putativo objectivo de agilizar a liberta&#231;&#227;o dos canalitos dentro do canal     semicircular; 2. as restri&#231;&#245;es de actividade p&#243;s-tratamento (com evic&#231;&#227;o de     determinadas posi&#231;&#245;es, nomeadamente ao dormir).<sup>2,7</sup> Apesar de     amplamente usadas desde ent&#227;o, estas t&#233;cnicas auxiliadoras foram carecendo de     evid&#234;ncia a suportar o seu uso, pelo que t&#234;m ca&#237;do em desuso nos &#250;ltimos anos.</p>       <p>Tratando-se     de um procedimento de f&#225;cil execu&#231;&#227;o no gabinete m&#233;dico, de baixo custo e     supostamente produtor de al&#237;vio imediato,<sup>1,2,3,8</sup> a aplicabilidade da     ME na consulta de Medicina Geral e Familiar teria um impacto potencialmente     gigante na resolu&#231;&#227;o deste frequente s&#237;ndrome vertiginoso. Os dados recentes     sugerem que os pacientes com VPPB experimentam um atraso de meses no seu     diagn&#243;stico e um atraso maior na sua terap&#234;utica adequada, recebendo     farmacoterapia que inclui supressores vestibulares ineficazes.<sup>1,2</sup> O     seu diagn&#243;stico e tratamento correctos e atempados s&#227;o essenciais, levando a     uma melhoria da qualidade dos cuidados de sa&#250;de e a uma redu&#231;&#227;o dos custos.<sup>2</sup></p>       <p>Assim, o     objectivo deste trabalho consiste em rever a evid&#234;ncia dispon&#237;vel sobre a     efectividade (ou resolu&#231;&#227;o) e a seguran&#231;a (ou efeitos laterais) do uso da     manobra de <i>Epley</i> no tratamento da     vertigem posicional parox&#237;stica benigna do canal posterior.</p>       <p><b>M&#201;TODOS</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Foi     realizada uma pesquisa de normas de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica (NOC), revis&#245;es     sistem&#225;ticas, meta-an&#225;lises e ensaios cl&#237;nicos aleatorizados e controlados     (ECAC), nas fontes de dados <i>National     Guideline Clearinghouse, Guidelines Finder, Canadian Medical Association     Practice Guidelines, Cochrane, DARE, Bandolier, Medline,</i> &#205;ndex de Revistas     M&#233;dicas Portuguesas e refer&#234;ncias bibliogr&#225;ficas dos artigos seleccionados,     publicados entre Janeiro/2000 e 18/Junho/2011, nas l&#237;nguas portuguesa, inglesa     e espanhola e utilizando os termos <i>MeSH:     benign paroxysmal positional vertigo e therapy.</i></p>       <p>Os crit&#233;rios     de inclus&#227;o dos artigos consistiram numa popula&#231;&#227;o constitu&#237;da por indiv&#237;duos     com &#8805; 18 anos e com diagn&#243;stico cl&#237;nico de VPPB, cuja interven&#231;&#227;o fosse o     uso isolado da manobra de <i>Epley</i> pelo     m&#233;dico comparativamente ao uso de manobras-placebo, outras manobras de     reposicionamento de part&#237;culas, terap&#234;utica farmacol&#243;gica ou &#224; aus&#234;ncia de     qualquer terap&#234;utica. Os resultados medidos foram a resolu&#231;&#227;o da vertigem     [integrando um <i>outcome</i>-orientado-para-o-paciente     (POEM): frequ&#234;ncia, severidade e taxa de resolu&#231;&#227;o sintomatol&#243;gicas; e um <i>outcome</i>-orientado-para-a-doen&#231;a (DOE):     convers&#227;o do teste de Dix-Hallpike para negativo] e os efeitos laterais.</p>       <p>Foram     exclu&#237;dos os estudos que inclu&#237;ram a administra&#231;&#227;o farmacol&#243;gica concomitante     ou aplica&#231;&#227;o concomitante de outras manobras de reposicionamento das     part&#237;culas. N&#227;o foram, tamb&#233;m, seleccionados os estudos que avaliassem a     efic&#225;cia da Manobra de <i>Epley</i> executada     pelo pr&#243;prio paciente.</p>       <p>Foi     utilizada a escala <i>Strength Of     Recommendation Taxonomy</i> (SORT) da <i>American     Academy of Family Physicians</i><sup>9</sup> para avalia&#231;&#227;o da qualidade dos     estudos e atribui&#231;&#227;o das for&#231;as de recomenda&#231;&#227;o.</p>       <p><b>RESULTADOS</b></p>       <p>Foram     encontrados 217 artigos, cinco dos quais foram seleccionados: duas Normas de     Orienta&#231;&#227;o Cl&#237;nica (NOC), duas revis&#245;es com meta-an&#225;lises e uma revis&#227;o     sistem&#225;tica.</p>       <p>A NOC da <i>American Academy of Neurology</i> &#233; baseada     em evid&#234;ncia cl&#237;nica e foi publicada em 2008.<sup>10</sup> Nas suas linhas orientadoras     documenta, com uma for&#231;a de recomenda&#231;&#227;o A (ap&#243;s convers&#227;o para a SORT), que a     manobra de <i>Epley</i> &#233; efectiva e segura,     pelo que deve ser dada como op&#231;&#227;o terap&#234;utica a doentes de qualquer idade com     VPPB do canal posterior. A Academia Americana revela que a vibra&#231;&#227;o mastoideia     provavelmente n&#227;o apresenta benef&#237;cio para os doentes, com uma for&#231;a de     recomenda&#231;&#227;o B (ap&#243;s convers&#227;o para a SORT) e que n&#227;o encontrou evid&#234;ncia     suficiente para determinar a efic&#225;cia das restri&#231;&#245;es de movimento p&#243;s-manobra.</p>       <p>A NOC para o     diagn&#243;stico e tratamento da vertigem posicional parox&#237;stica benigna da <i>American Academy of Otolaryngology</i> data     de 2008.2 Esta sociedade cient&#237;fica recomenda, baseada em ECACs de qualidade     moderada/boa e com limita&#231;&#245;es m&#237;nimas, que a manobra de <i>Epley</i> deve ser usada como primeira linha no tratamento da VPPB.     Salienta o seu potencial de resolu&#231;&#227;o r&#225;pida dos sintomas, com um baixo <i>Number Needed to Treat</i> (NNT = 1,3     &#8211; 3,4), conduzindo a melhoria da qualidade de vida e a redu&#231;&#227;o dos riscos     de queda. Esta Academia Americana salienta tamb&#233;m o facto dos efeitos laterais     serem ligeiros e transit&#243;rios (n&#225;useas, v&#243;mitos e ainda a convers&#227;o para VPPB     do canal lateral durante a manobra, em 6-7% dos doentes tratados), ocorrendo em     cerca de 12% dos pacientes. &#201; opini&#227;o destes peritos que os doentes que     manifestaram n&#225;useas severas na realiza&#231;&#227;o do teste de DH dever&#227;o ser     candidatos a profilaxia anti-em&#233;tica para a realiza&#231;&#227;o da ME.</p>       <p>A primeira     meta-an&#225;lise encontrada &#233; da <i>Cochrane</i> (<a href="#q1">Quadro I</a>) e data de 2010.8 Os autores exclu&#237;ram, para esta an&#225;lise     quantitativa, uma s&#233;rie de estudos que consideraram com inadequada aloca&#231;&#227;o e     sem oculta&#231;&#227;o dos avaliadores m&#233;dicos dos resultados. Consideraram que a     oculta&#231;&#227;o dos avaliadores m&#233;dicos seria essencial para medi&#231;&#227;o dos <i>outcomes</i>-orientados-para-doen&#231;a     (verifica&#231;&#227;o da convers&#227;o do teste de DH para negativo). A revis&#227;o incluiu,     ent&#227;o, cinco ECACs de boa qualidade, com um total de 292 pacientes. A     interven&#231;&#227;o estudada foi o uso de ME num grupo comparativamente ao uso de     manobras-placebo ou aus&#234;ncia de tratamento no grupo controlo. A meta-an&#225;lise     permitiu objectivar uma efectividade da ME superior comparativamente &#224;s     manobras-placebo e aus&#234;ncia de tratamento, quer a n&#237;vel de melhoria sintom&#225;tica     (POEM: Odds Ratio = 4,42; IC 95% 2,62 &#8211; 7,44) quer a n&#237;vel de convers&#227;o     do teste de DH para negativo (DOE: Odds Ratio = 6,40; IC 95% 3,63 &#8211;     11,28), em 24 horas &#8211; 1 m&#234;s ap&#243;s a realiza&#231;&#227;o do tratamento. Quanto a     seguran&#231;a, poucos efeitos laterais foram documentados (essencialmente v&#243;mitos e     incapacidade de tolerar a manobra por desconforto atribu&#237;do a problemas da     coluna cervical) e nenhuma complica&#231;&#227;o s&#233;ria foi registada. Tratando-se de uma     meta-an&#225;lise consistente e rigorosa, incluindo estudos com resultados     congruentes, a esta revis&#227;o foi atribu&#237;do n&#237;vel de evid&#234;ncia 1.</p>         <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center"><a name="q1"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v28n4/28n4a07q1.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Esta revis&#227;o     da <i>Cochrane</i> incluiu um ECAC canadiano     da autoria de <i>Munoz et al,</i> que foi     realizado em contexto de cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios, pelo que merece algum     destaque nos Resultados, embora o seu valor estat&#237;stico tenha sido pesado na     meta-an&#225;lise.<sup>4</sup> Trata-se de um estudo que preenche crit&#233;rios de boa     qualidade: dupla-oculta&#231;&#227;o assegurada, uma razo&#225;vel dimens&#227;o amostral e um <i>follow-up</i> &#8805; 80%. Este ensaio     incluiu 79 pacientes adultos com VPPB, a metade dos quais foi aplicada a ME e &#224;     outra metade uma manobra-placebo. Os resultados medidos uma semana     ap&#243;s-manobras revelaram que 31,6% do grupo intervencionado teve resolu&#231;&#227;o     sintom&#225;tica <i>versus</i> 24,4% no grupo     controlo, uma diferen&#231;a que n&#227;o foi estatisticamente significativa. N&#227;o foram,     tamb&#233;m, encontradas diferen&#231;as estatisticamente significativas nos efeitos     laterais. Sob o ponto de vista de outcome-orientado-para-a-doen&#231;a, 34,2% no     grupo intervencionado teve negatividade no teste DH <i>versus</i> 14,6% no grupo controlo, diferen&#231;a que j&#225; foi   estatisticamente significativa.</p>       <p>A     meta-an&#225;lise de <i>Prim-Espada et al</i> (<a href="#q2">Quadro II</a>) &#233; de 2010 e incluiu seis ECACs, com um total de 351 pacientes     adultos com VPPB.<sup>11</sup> Inclui alguns estudos exclu&#237;dos na meta-an&#225;lise     anterior por n&#227;o terem oculta&#231;&#227;o dos avaliadores cl&#237;nicos. Estes estudos     asseguraram, no entanto, oculta&#231;&#227;o dos doentes envolvidos, pelo que os autores     consideraram que algumas conclus&#245;es poderiam ser retiradas quanto aos <i>outcomes</i>-orientados-para-o-paciente. A     interven&#231;&#227;o estudada foi o uso de ME num grupo comparativamente ao uso de     placebo ou outro tratamento no grupo controlo e um dos <i>outcomes</i> medidos foi a varia&#231;&#227;o sintomatol&#243;gica (portanto, <i>resultado</i>-orientado-para-o-doente) em 24     horas &#8211; 1 m&#234;s ap&#243;s a realiza&#231;&#227;o do tratamento. Os resultados revelaram     uma taxa de resolu&#231;&#227;o sintomatol&#243;gica de 74,15% entre o grupo intervencionado     comparativamente a 34,94% no grupo controlo, uma diferen&#231;a que foi     estatisticamente significativa. Conjugando os seis estudos pelo processo     estat&#237;stico subjacente a uma meta-an&#225;lise, os pacientes que se submeteram &#224; ME     foram 6,5 vezes mais bem sucedidos na resolu&#231;&#227;o dos sintomas do que os do grupo     controlo (OR = 6,52; IC 95% 4,17 &#8211; 10,20). N&#227;o foram encontradas     diferen&#231;as estatisticamente significativas entre os dois grupos, a n&#237;vel de     efeitos laterais. O teste de heterogeneidade n&#227;o foi estatisticamente     significativo (p=0,32) revelando homogeneidade entre os seis estudos. Trata-se     de uma meta-an&#225;lise com algumas limita&#231;&#245;es, atendendo ao acima exposto, pelo     que lhe &#233; atribu&#237;do um menor n&#237;vel de evid&#234;ncia (n&#237;vel de evid&#234;ncia 2).</p>          <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q2"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v28n4/28n4a07q2.jpg"/></p>    
<p>&nbsp;</p>       <p>A revis&#227;o     sistem&#225;tica (<a href="#q3">Quadro III</a>) data de 2010 e estudou 10 ensaios (dois ECAC e oito     quasi-ECAC), realizados em contexto hospitalar (Otorrinolaringologia,     Neurologia e Medicina Interna).<sup>12</sup> A interven&#231;&#227;o estudada foi a     aplica&#231;&#227;o da ME num grupo comparativamente &#224; aplica&#231;&#227;o de placebo ou outro     tratamento no grupo controlo e o <i>outcome</i> medido foi a negatividade no teste de DH (portanto, resultado-orientado-para-a-doen&#231;a)     em 24 horas &#8211; 1 m&#234;s ap&#243;s a realiza&#231;&#227;o do tratamento. Apenas dois ensaios     (2 ECAC) apresentavam crit&#233;rios para uma s&#237;ntese quantitativa, pelo que a     elabora&#231;&#227;o de uma meta-an&#225;lise n&#227;o foi poss&#237;vel. Os resultados revelaram uma     taxa de negatividade do teste de DH superior entre os grupos intervencionados     com ME (67 &#8211; 93%) comparativamente aos grupos controlo que realizaram     manobras-placebo (10 &#8211; 38%). Dois estudos comparam a ME com a manobra de     Sermont, encontrando altas taxas de negatividade do teste de DH (71-93%) e sem     diferen&#231;as estatisticamente significativas entre os dois grupos. N&#227;o foram     encontradas diferen&#231;as estatisticamente significativas entre os dois grupos a     n&#237;vel de efeitos laterais. Os autores exclu&#237;ram explicitamente os resultados     orientados para o paciente, alegando a poss&#237;vel introdu&#231;&#227;o de vi&#233;ses na medi&#231;&#227;o     da efectividade da ME ao ter em conta a impress&#227;o subjectiva do doente.     Consideraram que a hist&#243;ria cl&#237;nica em torno do s&#237;ndrome vertiginoso seria     muito particular (com a introdu&#231;&#227;o no discurso do doente de termos de dif&#237;cil     caracteriza&#231;&#227;o como desequil&#237;brio, tonturas, n&#225;useas inespec&#237;ficas) e poderia     ser pouco precisa e segura na medi&#231;&#227;o dos resultados. Os mesmos autores revelam     tamb&#233;m que a aus&#234;ncia de oculta&#231;&#227;o dos m&#233;dicos respons&#225;veis pelo <i>follow-up</i> nalguns estudos inclu&#237;dos     poder&#225; ser uma limita&#231;&#227;o da revis&#227;o, ao poder enviesar e sobrestimar a efic&#225;cia     da terap&#234;utica institu&#237;da. &#201; relembrado que este aspecto nestes estudos foi     motivo de exclus&#227;o na meta-an&#225;lise da <i>Cochrane.</i> Por&#233;m, neste artigo, os autores consideraram-nos quase-ECACs, cumprindo os     restantes crit&#233;rios de boa qualidade metodol&#243;gica. A aus&#234;ncia de medi&#231;&#227;o de <i>outcomes</i> orientados para o doente   implica, segundo as normas da SORT, a atribui&#231;&#227;o de n&#237;vel de evid&#234;ncia 3.</p>       <p>&nbsp;</p>    <p align="center"><a name="q3"></a><img src="/img/revistas/rpmgf/v28n4/28n4a07q3.jpg"/></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>Conclus&#245;es</b></p>       <p>Do processo     de pesquisa, foi encontrada evid&#234;ncia consider&#225;vel que responde ao objectivo     deste trabalho. Uma meta-an&#225;lise da <i>Cochrane</i> (com estudos de boa qualidade e com resultados congruentes entre si) e outra de <i>Prim-Espada et al,</i> ambas medidoras de     um resultado orientado para a resolu&#231;&#227;o sintom&#225;tica, e uma revis&#227;o sistem&#225;tica     com <i>outcome</i> orientado para a     negatividade do teste de DH, revelaram que a manobra de <i>Epley</i> &#233; efectiva e segura no tratamento da vertigem posicional     parox&#237;stica benigna a curto prazo (SOR A). Trata-se de uma conclus&#227;o que vai de     encontro &#224;s normas de orienta&#231;&#227;o cl&#237;nica elaboradas pelas sociedades     cient&#237;ficas americanas que recomendam a ME como tratamento de primeira linha para     a VPPB. </p>       <p>Um facto que     &#233; curioso &#233; o de que a maioria dos estudos inclu&#237;dos apresentam OR relativos &#224;     convers&#227;o no teste de DH para negatividade. Os investigadores s&#227;o un&#226;nimes em     considerar o <i>outcome</i>-orientado-para-a-doen&#231;a     como mais objectivo na medi&#231;&#227;o da efectividade da manobra de <i>Epley,</i> atendendo &#224; dif&#237;cil valoriza&#231;&#227;o     de queixas menos t&#237;picas de VPPB e &#224; vari&#225;vel documenta&#231;&#227;o sintomatol&#243;gica de     paciente para paciente relativamente a esta tem&#225;tica.<sup>1,2,3,8,12</sup> Essa     variabilidade traduz, muito possivelmente, as diferentes realidades sociais de     origem e os desiguais n&#237;veis de escolaridade.</p>       <p>Entre os     diferentes estudos inclu&#237;dos, todos eles fizeram uma reavalia&#231;&#227;o m&#233;dica entre     24 horas e 1 m&#234;s ap&#243;s a aplica&#231;&#227;o terap&#234;utica da manobra. Tal constitui o     per&#237;odo-chave para avalia&#231;&#227;o do sucesso terap&#234;utico deste procedimento de     reposi&#231;&#227;o dos canalitos, uma vez que a VPPB poder&#225; ter regress&#227;o espont&#226;nea a     partir do 1.<sup>o</sup> m&#234;s de evolu&#231;&#227;o, enevoando os resultados de efic&#225;cia     da ME (e conduzindo a um erro estat&#237;stico tipo II: falha em demonstrar uma     diferen&#231;a real entre o tratamento e controlo).<sup>1,2,3,6,8,12</sup> Por esta     raz&#227;o, todas as revis&#245;es seleccionadas exclu&#237;ram ensaios cuja primeira     avalia&#231;&#227;o de <i>follow-up</i> s&#243; decorreu     ap&#243;s quatro semanas. Nesta sequ&#234;ncia, a maior parte dos estudos inclu&#237;dos n&#227;o     avaliou a efic&#225;cia da ME a longo prazo, tendo terminado a maior parte deles at&#233;     poucos meses ap&#243;s tratamento, pelo que a evid&#234;ncia actual apenas permite     documentar a efic&#225;cia deste procedimento de reposicionamento das part&#237;culas a     curto prazo. <i>Rashad</i> documentou no seu     estudo envolvendo 103 pacientes que, ap&#243;s a manobra de <i>Epley,</i> 65% mantinham-se sem epis&#243;dios de VPPB nos cinco anos ap&#243;s o     tratamento.<sup>13</sup> Ser&#227;o necess&#225;rios mais estudos no sentido de colmatar     esta lacuna.</p>       <p>Existiu variabilidade     entre os diferentes ensaios no n&#250;mero de vezes que a ME foi aplicada como     tratamento inicial da vertigem. Alguns autores executam-na apenas uma vez     enquanto outros a realizam at&#233; que os sintomas vertiginosos desaparecessem ou     houvesse negatividade no teste de DH. De facto, Epley n&#227;o descreveu o n&#250;mero de     ciclos do procedimento, pelo que, entre a literatura sobre a mat&#233;ria, &#233;     recomendado que o n&#250;mero seja avaliado no momento da consulta de acordo com a     severidade dos sintomas, disponibilidade do cl&#237;nico e antecedentes pessoais de     resolu&#231;&#227;o com ME.<sup>1,2</sup></p>       <p>Entretanto,     apesar das conclus&#245;es das revis&#245;es inclu&#237;das, n&#227;o fazerem refer&#234;ncia a     diferen&#231;as nas taxas de resolu&#231;&#227;o entre as diferentes faixas et&#225;rias, a     literatura sugere que os idosos tendem a responder menos &#224; manobra de <i>Epley,</i> talvez pela menor colabora&#231;&#227;o     durante a sua execu&#231;&#227;o, menor mobilidade e maior produ&#231;&#227;o de canalitos que os     doentes mais jovens. A VPPB de origem secund&#225;ria tamb&#233;m parece ter pior     progn&#243;stico.<sup>1</sup></p>       <p>Desde a     descri&#231;&#227;o original de Epley, come&#231;ou a ser pr&#225;tica o uso da manobra     gradualmente, sem t&#233;cnicas auxiliares, como a vibra&#231;&#227;o da mast&#243;ide ou     restri&#231;&#245;es dos movimentos cef&#225;licos. Ensaios realizados t&#234;m incentivado o     abandono destas, ao sugerir que n&#227;o h&#225; acr&#233;scimo da efic&#225;cia da ME.<sup>1,2,5,14,15,16</sup> Uma minoria dos estudos inclu&#237;dos nas revis&#245;es usou as restri&#231;&#245;es da     mobilidade, por&#233;m os autores n&#227;o deram relev&#226;ncia a este aspecto nem os     agruparam para qualquer processo estat&#237;stico paralelo. Atendendo &#224; evid&#234;ncia     actual, que revela que quer a vibra&#231;&#227;o quer as medidas restritivas n&#227;o t&#234;m     qualquer papel terap&#234;utico, o seu uso pouco ou nada ter&#225; enviesado as     conclus&#245;es destas revis&#245;es.</p>       <p>Tamb&#233;m     parecem consensuais, entre a literatura cient&#237;fica, as contra-indica&#231;&#245;es para a     realiza&#231;&#227;o da ME. Elas s&#227;o as mesmas que aquelas para a realiza&#231;&#227;o do teste de     DH, pelo facto de ambos exigirem mobilidade cervical numa extens&#227;o semelhante.     A realiza&#231;&#227;o do teste DH dever&#225; ser preterida em situa&#231;&#245;es de estenose     cervical, cifoescoliose severa, limita&#231;&#227;o cervical, radiculopatia cervical,     s&#237;ndrome de Down, artrite reumat&#243;ide grave, espondilite anquilosante, doen&#231;a de     Paget, traumatismo espinal e obesidade m&#243;rbida. Apesar de n&#227;o existirem relatos     de acidentes vasculares p&#243;s-teste de DH, a sua realiza&#231;&#227;o em doentes com doen&#231;a     arterial significativa dever&#225; tamb&#233;m ser ponderada.<sup>1,2</sup> Uma     explica&#231;&#227;o pr&#233;via das t&#233;cnicas ao paciente antes de as realizar &#233; essencial,     alertando-o para a possibilidade de despertar uma intensa sensa&#231;&#227;o vertiginosa,     possivelmente associada a n&#225;useas. Importante ser&#225; tamb&#233;m tranquiliz&#225;-lo de que     o cl&#237;nico far&#225; o suporte da sua cabe&#231;a quando esta pender para al&#233;m da maca e     que n&#227;o h&#225; risco de queda.<sup>2</sup></p>       <p>A aus&#234;ncia     de efeitos laterais s&#233;rios com este tratamento &#233; muito relevante neste caso em     particular, uma vez que a condi&#231;&#227;o cl&#237;nica para a qual actua tem uma resolu&#231;&#227;o     espont&#226;nea com o tempo (80% ao fim de 3 meses de evolu&#231;&#227;o natural), o que     facilmente limitaria a sua aplicabilidade caso a seguran&#231;a do procedimento n&#227;o     fosse t&#227;o s&#243;lida.<sup>1,2</sup></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A acrescentar     ao par&#225;grafo anterior, os elevados OR de resolu&#231;&#227;o dos sintomas e de convers&#227;o     para negatividade no teste de DH poder&#227;o ser muito animadores para um cl&#237;nico     que contacta frequentemente com o diagn&#243;stico de VPPB na sua consulta. Um NNT     descrito entre 1,3-3,4 &#233; baixo e, portanto, revelador da efectividade da ME.     Este entusiasmo poder&#225; ser consequente das caracter&#237;sticas pr&#243;prias deste     procedimento de reposicionamento das part&#237;culas: n&#227;o &#233; invasiva, &#233;     reproduz&#237;vel, &#233; de f&#225;cil acesso, n&#227;o condiciona iatrogenia medicamentosa (a     acrescentar aos seus poucos e transit&#243;rios efeitos laterais) e acima de tudo,     condiciona uma resolu&#231;&#227;o r&#225;pida dos sintomas.<sup>2,11</sup> Contudo, alguma     prud&#234;ncia na interpreta&#231;&#227;o destes valores ser&#225; aconselh&#225;vel no contexto da     especialidade de Medicina Geral e Familiar. Se n&#227;o restam d&#250;vidas quanto &#224;     efectividade e seguran&#231;a da ME, as elevadas taxas de resolu&#231;&#227;o poder&#227;o ser algo     inflaccionadas pelo facto de a maioria dos estudos ter ocorrido em contexto     hospitalar e portanto, realizadas maioritariamente por especialistas de     Otorrinolaringologia e Neurologia. De facto, apenas um estudo teve lugar em     cuidados de sa&#250;de prim&#225;rios e, apesar das diferen&#231;as a favor da ME, a taxa de     sucesso foi claramente inferior aos dos outros ensaios. As raz&#245;es para estas     discrep&#226;ncias poder-se-&#227;o ligar a performances desiguais na realiza&#231;&#227;o das     manobras (tendo em conta a pr&#225;tica cl&#237;nica distinta) e popula&#231;&#245;es diferentes     envolvidas (referenciada <i>versus</i> geral).<sup>2</sup> A estes pontos acrescenta-se ainda o pr&#243;prio diagn&#243;stico de     VPPB. O estudo de <i>Hanley</i> e <i>O&#8217;Dowd,</i> realizado em contexto de     Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios, documentou que o teste de DH tem um valor     preditivo positivo de 83% e um valor preditivo negativo de 52% para o     diagn&#243;stico de VPPB,<sup>17</sup> valores menores que os encontrados em estudos     envolvendo um contexto hospitalar.<sup>2</sup> Como tal, uma manobra de DH     negativa n&#227;o exclui necessariamente o diagn&#243;stico, pelo que &#233; recomend&#225;vel a     sua repeti&#231;&#227;o noutra consulta para afastamento de um falso-negativo, sobretudo     se perante uma hist&#243;ria cl&#237;nica muito sugestiva de VPPB do canal posterior.<sup>1,2</sup> Estes pontos de discuss&#227;o salientam a necessidade premente de mais ECACs de boa     qualidade realizados no &#226;mbito dos Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios.</p>       <p>Num sentido     especulativo por parte do autor, estas discrep&#226;ncias entre as taxas de sucesso     nos Cuidados de Sa&#250;de Prim&#225;rios e nos Cuidados Hospitalares poder&#227;o traduzir     uma necessidade de pr&#225;tica e actualiza&#231;&#227;o na realiza&#231;&#227;o desta t&#233;cnica, de modo     a explorar o mais poss&#237;vel o seu potencial terap&#234;utico. A evid&#234;ncia relata que     ao M&#233;dico de Fam&#237;lia apenas restar&#227;o alternativas menos bem estudadas que     incluem outras manobras do foro otorrinol&#243;gico. A terap&#234;utica farmacol&#243;gica com     anti-histam&#237;nicos e benzodiazepinas n&#227;o t&#234;m qualquer papel na resolu&#231;&#227;o desta     vertigem, n&#227;o podendo substituir as manobras de reposicionamento das     part&#237;culas.<sup>2,9,10,16</sup> Um suposto sucesso farmacol&#243;gico ter&#225; sido     confundido durante algum tempo com a resolu&#231;&#227;o espont&#226;nea que poder&#225; ocorrer     ap&#243;s um a tr&#234;s meses de evolu&#231;&#227;o, pelo que o seu uso constitui um gasto     econ&#243;mico desnecess&#225;rio, fora os potenciais efeitos laterais (como sonol&#234;ncia     ou d&#233;fice cognitivo) e interac&#231;&#245;es medicamentosas.<sup>1,2</sup> Apesar do     termo &#8220;benigna&#8221; sugerir um bom progn&#243;stico, n&#227;o dispensa um tratamento     pr&#243;-activo deste s&#237;ndrome vertiginoso que condiciona uma perda consider&#225;vel da     qualidade de vida. Inclusive os doentes mais idosos podem apresentar uma     limita&#231;&#227;o ainda maior nas suas actividades da vida di&#225;ria, elevando     consequentemente o risco de s&#237;ndrome depressivo.<sup>1,2</sup> Relembrando as     linhas orientadoras da <i>American Academy     of Otolaryngology,</i> o seu tratamento correcto e em tempo &#250;til reduz o risco     de queda.<sup>2</sup></p>       <p>Um     tratamento adequado para a VPPB poder&#225; conduzir a uma minimiza&#231;&#227;o dos gastos     econ&#243;micos, redu&#231;&#227;o da sua recorr&#234;ncia, diminui&#231;&#227;o do recurso aos Servi&#231;os de     Sa&#250;de por parte do paciente e decr&#233;scimo no volume de referencia&#231;&#227;o para as     especialidades hospitalares. O MF tem, assim, um papel privilegiado de ac&#231;&#227;o,     podendo contribuir para estes objectivos com uma cl&#237;nica fundamentada em     evid&#234;ncia dentro do seu gabinete e que ser&#225;, certamente, altamente satisfat&#243;ria     para os pacientes que v&#234;em os seus sintomas melhorarem drasticamente. Eles     pr&#243;prios poder&#227;o aprender e reproduzir posteriormente a ME em suas casas,     estendendo a cabe&#231;a para l&#225; de uma almofada alta (em vez da margem da maca).     Parece existir alguma evid&#234;ncia a favor da ME auto-administrada.<sup>1,2,3,16</sup> Esta n&#227;o &#233; seleccionada para resultados e discuss&#227;o nesta revis&#227;o, por&#233;m, abre     um interessante ponto de partida para trabalhos futuros.</p>       <p>Os doentes     que apresentem falha terap&#234;utica dever&#227;o seguir, segundo caso a caso, um     segundo ciclo de tratamento ou entrar num novo diagn&#243;stico diferencial que     considere altera&#231;&#245;es neurol&#243;gicas ou vestibulares at&#233; ent&#227;o ocultas.<sup>1,2,3</sup></p>     <p>A manobra de <i>Epley</i> tem, portanto, um grande valor     para o M&#233;dico de Fam&#237;lia que assim poder&#225; resolver, sem efeitos laterais     importantes, sem grandes custos adicionais e <i>a uma velocidade quase vertiginosa,</i> uma condi&#231;&#227;o cl&#237;nica que &#233;     relativamente frequente.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>REFER&#202;NCIAS BIBLIOGR&#193;FICAS</b></p>       <!-- ref --><p>1. Bhattarai     H. Benign paroxysmal positional vertigo: present perspective. Nepal J ENT Head     Neck Surg 2010; 1 (2): 28-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S2182-5173201200040000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>2. Bhattacharyya     N, Baugh RF, Orvidas L, Barrs D, Bronston LJ, Cass S, et al. Clinical practice     guideline: Benign paroxysmal positional vertigo. Otolaryngol Head Neck Surg     2008&nbsp; Nov; 139 (5 Suppl 4):     :S47-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S2182-5173201200040000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>3. Burlamaqui     JC, Campos CA, Neto OM. Manobra de Epley para vertigem postural parox&#237;stica     benigna: revis&#227;o sistem&#225;tica. ACTA ORL/T&#233;cn Otorrinolaringol 2006; 24 (1):     15-22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S2182-5173201200040000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>4. Munoz JE,     Miklea JT, Howard M, Springate R, Kaczorowski J. Canalith repositioning     maneuver for benign paroxysmal positional vertigo: randomized controlled trial     in family practice. Can Fam Phys 2007 Jun; 53 (6): 1048-53.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S2182-5173201200040000700004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>5. Simoceli     L, Bittar RSN, Gretters ME. Restri&#231;&#245;es posturais n&#227;o interferem nos resultados     da manobra de reposi&#231;&#227;o canalicular. Rev Bras Otorrinolaringol 2005; 71 (1):     55-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S2182-5173201200040000700005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>6. Labuguen     RH. Initial evaluation of vertigo. Am Fam Physician 2006 Jan 15; 73 (2):     244-51.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S2182-5173201200040000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>7. Epley JM.     The canalith repositioning procedure: for treatment of benign paroxysmal     positional vertigo. Otolaryngol Head Neck Surg 1992 Sep; 107 (3): 399-404.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S2182-5173201200040000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>8. Hilton     MP, Pinder DK. The Epley (canalith repositioning) manoeuvre for benign     paroxysmal positional vertigo. Cochrane Database Syst Rev 2010; (3): CD003162.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S2182-5173201200040000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>9. Ebell MH,     Sikew J, Weiss BD, Woolf SH, Susman J, Ewingman B, et al. Strength of     Recommendation Taxonomy (SORT): a patient-centered approach to grading evidence     in the medical literature. Am Fam Physician 2004 Feb 1; 69 (3): 548-56.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S2182-5173201200040000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>10. Fife TD,     Iverson DJ, Lempert T, Furman JM, Baloh RW, Tusa RJ, et al. Practice parameter:     therapies for benign paroxysmal positional vertigo (an evidence-based review):     report of the Quality Standards Subcommittee of the American Academy of     Neurology. 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Effectiveness of particle repositioning     maneuvers in the treatment of benign paroxysmal positional vertigo: a     systematic review. Phys Ther 2010 May; 90 (5): 663-78.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S2182-5173201200040000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>13. Rashad     UM. Long-term follow-up after Epley&#8217;s manoeuvre in patients with benign     paroxysmal positional vertigo. J Laryngol Otol 2009 Jan; 123 (1): 69-74.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S2182-5173201200040000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>14. Devaiah     AK, Andreoli S. Postmaneuver restrictions in benign paroxysmal positional     vertigo: an individual patient data meta-analysis. Otolaryngol Head Neck Surg     2010 Feb; 142 (2): 155-9.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S2182-5173201200040000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>15. Fyrmpas     G, Rachovitsas D, Haidich AB, Constantinidis J, Triaridis S, Vital V et al. Are     postural restrictions after an Epley maneuver unnecessary? First results of a     controlled study and review of the literature. Auris Nasus Larynx 2009 Dec; 36     (6): 637-43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S2182-5173201200040000700015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>16. Clinch     CR, Kahill A, Klatt LA, Stewart D. What is the best approach to benign     paroxysmal positional vertigo in the elderly? J Fam Pract 2010 May; 59 (5):     295-7.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S2182-5173201200040000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>17. Hanley     K, O&#8217;Dowd T. Symptoms of vertigo in general practice: a prospective study of     diagnosis. 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