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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tendências recentes de segregação habitacional na Área Metropolitana de Lisboa]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper focuses on the influence that residential markets and their most recent dynamics have on the cohesion or socio-spatial segregation trends in the Lisbon metropolitan system. The paper is divided into four parts. The first part presents in a resumed form, the main defining elements for Lisbon urban development in this decade of 2010, where the effects of the economic crisis combined with global socioeconomic and technological changes. The second part exposes the components that marked the most recent evolution of the real estate and housing markets in Portugal and particularly in the metropolis of Lisbon. The third describes how such changes have put severe pressures on household's financial capacities; an analysis mostly based on the 2016-2018 evolution of the house price to income ratios, both for purchase and renting situations, in the municipalities of the Lisbon Metropolitan Area. The final part of the paper reflects on corresponding social and urban new challenges and dilemmas, also focusing on the possible reasons for political mismatches and difficulties in consolidating territorial cohesion, spatial justice and the right to housing as main elements for urban policy sustainment on the metropolis of Lisbon.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></font></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4">Tend&ecirc;ncias recentes de segrega&ccedil;&atilde;o habitacional na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa</font></b>     <p></p>     <p> <b><font face="Verdana" size="3"> Recent trends in housing segregation in the Lisbon Metropolitan Area</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana" size="2">Jo&atilde;o Seixas<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b><b><font face="Verdana" size="2">; Gon&ccedil;alo Antunes<a name="top2" id="top2"></a><a href="#2">II</a></font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">CICS.NOVA Centro Interdisciplinar de Ci&ecirc;ncias Sociais, FCSH- UNL, Portugal. e-mail: <a href="mailto:jseixas@fcsh.unl.pt" target="_blank">jseixas@fcsh.unl.pt</a>.</font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="12"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font><font size="2" face="Verdana">CICS.NOVA Centro Interdisciplinar de Ci&ecirc;ncias Sociais, FCSH- UNL, Portugal. e-mail: <a href="mailto:goncalo.antunes@fcsh.unl.pt" target="_blank">goncalo.antunes@fcsh.unl.pt</a>.</font><br/>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>RESUMO</b></font><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Este texto incide sobre a influ&ecirc;ncia que os mercados residenciais e as suas din&acirc;micas mais recentes t&ecirc;m nas tend&ecirc;ncias de coes&atilde;o ou de segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial no sistema metropolitano de Lisboa. O texto desenvolve-se em quatro partes. A primeira parte apresenta de forma sucinta alguns elementos definidores da evolu&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica de Lisboa nesta vertiginosa d&eacute;cada de 2010, onde se conjugaram os efeitos da crise econ&oacute;mica europeia com as muta&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas e tecnol&oacute;gicas globais. Na segunda parte exp&otilde;em-se as componentes que t&ecirc;m marcado a evolu&ccedil;&atilde;o mais recente dos mercados imobili&aacute;rio e habitacional em Portugal e na metr&oacute;pole de Lisboa. Na terceira descrevem-se como tais muta&ccedil;&otilde;es nos mercados habitacionais t&ecirc;m pressionado, de forma crescente, as capacidades financeiras das fam&iacute;lias – an&aacute;lise desenvolvida sobretudo em fun&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o evolutiva das taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias das fam&iacute;lias na aquisi&ccedil;&atilde;o, bem como no arrendamento habitacional nos diversos territ&oacute;rios da &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa (AML) e para o per&iacute;odo 2016-2018. Perante as press&otilde;es e a consider&aacute;vel escassez – ou desfasamento, por outras prioridades de pol&iacute;tica econ&oacute;mica – nas respostas pol&iacute;ticas, na parte final do texto reflecte-se sobre as novas contesta&ccedil;&otilde;es sociais e urbanas, em evidente crescendo e decorrentes sobretudo destas press&otilde;es habitacionais. O foco recai sobre as poss&iacute;veis raz&otilde;es dos desfasamentos pol&iacute;ticos e das respectivas dificuldades de consolidar a coes&atilde;o territorial, ou mesmo a justi&ccedil;a espacial, como elementos relevantes para a forma&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas urbanas, desde logo na essencial dimens&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o, para a metr&oacute;pole de Lisboa.</p> <b>Palavras-chave:</b> habita&ccedil;&atilde;o, segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial, taxas de esfor&ccedil;o, &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa.     <p></p> </font> <hr size="1" noshade="noshade"/>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> This paper focuses on the influence that residential markets and their most recent dynamics have on the cohesion or socio-spatial segregation trends in the Lisbon metropolitan system. The paper is divided into four parts. The first part presents in a resumed form, the main defining elements for Lisbon urban development in this decade of 2010, where the effects of the economic crisis combined with global socioeconomic and technological changes. The second part exposes the components that marked the most recent evolution of the real estate and housing markets in Portugal and particularly in the metropolis of Lisbon. The third describes how such changes have put severe pressures on household's financial capacities; an analysis mostly based on the 2016-2018 evolution of the house price to income ratios, both for purchase and renting situations, in the municipalities of the Lisbon Metropolitan Area. The final part of the paper reflects on corresponding social and urban new challenges and dilemmas, also focusing on the possible reasons for political mismatches and difficulties in consolidating territorial cohesion, spatial justice and the right to housing as main elements for urban policy sustainment on the metropolis of Lisbon. </font> </p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><b>Keywords:</b> real estate market, Lisbon Metropolitan Area, urban segregation, housing.</font></p> <hr size="1" noshade="noshade" /> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>&nbsp; </p>     <p><font size="3"><b>1. A evolu&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica de Lisboa na d&eacute;cada de 2010</b></font> </p>     <p> O sistema urbano de Lisboa tem-se distinguido nesta d&eacute;cada de 2010 por um forte ritmo de transforma&ccedil;&atilde;o, em m&uacute;ltiplas das suas dimens&otilde;es geogr&aacute;ficas e socioecon&oacute;micas. Quase no final da segunda d&eacute;cada do s&eacute;culo XXI, a maior metr&oacute;pole portuguesa configura-se cada vez mais cosmopolita e integrada nas tend&ecirc;ncias vanguardistas globais. Tem procurado estruturar novas perspetivas de qualidade de vida urbana bem como de empreendedorismo econ&oacute;mico, alterando de forma paradigm&aacute;tica as suas pol&iacute;ticas e investimentos urban&iacute;sticos – nos espa&ccedil;os p&uacute;blicos, nos equipamentos, nas estruturas ecol&oacute;gicas. Por seu lado, prepara-se um refor&ccedil;o das compet&ecirc;ncias e recursos aut&aacute;rquicos e regionais – via um processo de descentraliza&ccedil;&atilde;o do Estado central, previsto para o pr&oacute;ximo par de anos – para governos urbanos e metropolitanos com maiores responsabilidades. Estas s&atilde;o din&acirc;micas sociopol&iacute;ticas consideravelmente disruptivas num Estado com profundas tradi&ccedil;&otilde;es centralistas, e que podem traduzir uma interessante atitude de transforma&ccedil;&atilde;o.</p>     <p> Por&eacute;m, &eacute; tamb&eacute;m em Lisboa que se mant&ecirc;m pesadas heran&ccedil;as de um passado pol&iacute;tico e cultural que menosprezou durante d&eacute;cadas os valores da vida urbana. E onde hoje, por efeitos dos impactos da crise, de uma economia urbana em transforma&ccedil;&atilde;o desde pelo menos o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 2010 (Seixas <i>et al</i>., 2015), de uma consequente pol&iacute;tica econ&oacute;mica e fiscal austerit&aacute;ria e de suporte ao investimento externo; e ainda de um urbanismo que se conectou com os sistemas financeiros globais; se instalam novos padr&otilde;es de desigualdade ou mesmo de segrega&ccedil;&atilde;o socio espacial, desde logo no acesso a bens basilares como a habita&ccedil;&atilde;o. Mantendo-se, ou melhor, reconfigurando-se as incertezas na capacidade de governa&ccedil;&atilde;o urbana, de redistribui&ccedil;&atilde;o de ativos comuns e de defesa de direitos fundamentais. Convergindo os sistemas urbanos cada vez mais para uma situa&ccedil;&atilde;o de charneira, em termos de s&eacute;rias decis&otilde;es pol&iacute;ticas – de pol&iacute;tica urbana seguramente, mas tamb&eacute;m de pol&iacute;tica econ&oacute;mica e mesmo de modelos mais globais de progresso. </p>     <p> S&atilde;o como tal cada vez mais vis&iacute;veis as ambival&ecirc;ncias, bem como os conflitos, entre as din&acirc;micas e os agentes de inova&ccedil;&atilde;o e de transforma&ccedil;&atilde;o, e as paralelas tend&ecirc;ncias de fomento de novos tipos de desigualdades e consequentemente de segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial, configurando novos riscos de perda do que Edward Soja (2010) havia definido como justi&ccedil;a espacial. A quest&atilde;o da justi&ccedil;a espacial e das desigualdades socioecon&oacute;micas nos espa&ccedil;os urbanos contempor&acirc;neos &eacute; uma quest&atilde;o-chave de efeitos transversais; tornando-se em si mesma causa e efeito de desenvolvimento ou, pelo contr&aacute;rio, de limita&ccedil;&atilde;o de novos modelos de progresso social, econ&oacute;mico e mesmo ecol&oacute;gico (Harvey, 2006; Mayer, 2009). Apesar da relativa recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica portuguesa nos anos mais recentes, e ap&oacute;s duros anos de austeridade, as desigualdades socioecon&oacute;micas t&ecirc;m-se acentuado a n&iacute;vel global (Piketty, 2013; Comiss&atilde;o Europeia, 2010). Por sua vez, e como confirmam diversas an&aacute;lises, a segrega&ccedil;&atilde;o espacial tem sido em importante medida resultado das din&acirc;micas de evolu&ccedil;&atilde;o das desigualdades socioecon&oacute;micas, a par de um quadro consideravelmente d&eacute;bil de pol&iacute;ticas urbanas e territoriais (Marcuse, 2010; Musterd, 2017). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Estes desfasamentos tornaram-se particularmente evidentes numa das dimens&otilde;es mais vitais, sen&atilde;o a mais vital, para a coes&atilde;o urbana e para os direitos &agrave; cidade: a habita&ccedil;&atilde;o. No caso portugu&ecirc;s, conjugaram-se uma s&eacute;rie de factores que conduziram a uma situa&ccedil;&atilde;o de aut&ecirc;ntica encruzilhada. Por um lado, por o sector residencial se encontrar contaminado por desequil&iacute;brios hist&oacute;ricos que inclu&iacute;am amplas falhas de provis&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o a valores e em territ&oacute;rios sustent&aacute;veis, d&eacute;cadas de congelamento de rentabilidades imobili&aacute;rias, territ&oacute;rios com paisagens e densidades fragmentadas e pol&iacute;ticas parciais e, sobretudo, sustentadas em mecanismos banc&aacute;rios e de mercado. Por outro lado, pela estrutura&ccedil;&atilde;o de uma ampla bateria de pol&iacute;ticas direcionadas para a reabilita&ccedil;&atilde;o urbana, para o turismo e para a atrac&ccedil;&atilde;o de investimentos financeiros externos – pol&iacute;ticas que, a par de uma paisagem financeira de vis&iacute;veis <i>rent gaps</i> (Smith e Williams, 1986) e de altas expectativas de rentabilidades financeiras, t&ecirc;m tido intensos resultados para o sistema urbano de Lisboa (Seixas <i>et al</i>., 2019; Mendes, 2017). </p>     <p> Este texto incide sobre a influ&ecirc;ncia que os mercados residenciais e as suas din&acirc;micas mais recentes t&ecirc;m nas tend&ecirc;ncias de coes&atilde;o ou de segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial no sistema urbano de Lisboa. O texto desenvolve-se em quatro partes. Nesta sec&ccedil;&atilde;o introdut&oacute;ria apresentam-se de forma sucinta alguns elementos definidores da evolu&ccedil;&atilde;o urban&iacute;stica de Lisboa nesta vertiginosa d&eacute;cada de 2010, onde se conjugaram os efeitos da crise econ&oacute;mica europeia com as muta&ccedil;&otilde;es socioecon&oacute;micas e tecnol&oacute;gicas globais. Na sec&ccedil;&atilde;o seguinte exp&otilde;em-se as componentes que t&ecirc;m marcado a evolu&ccedil;&atilde;o mais recente dos mercados imobili&aacute;rio e habitacional em Portugal e na metr&oacute;pole de Lisboa. Na terceira sec&ccedil;&atilde;o descrevem-se como tais muta&ccedil;&otilde;es nos mercados habitacionais t&ecirc;m pressionado, de forma crescente, as capacidades financeiras das fam&iacute;lias – an&aacute;lise desenvolvida sobretudo em fun&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o evolutiva das taxas de esfor&ccedil;o das fam&iacute;lias na aquisi&ccedil;&atilde;o, bem como no arrendamento de casa nos diversos territ&oacute;rios da &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa (AML) e para o per&iacute;odo 2016-2018. Perante as press&otilde;es e a consider&aacute;vel escassez – ou desfasamento, por outras prioridades de pol&iacute;tica econ&oacute;mica – nas respostas pol&iacute;ticas. A quarta sec&ccedil;&atilde;o reflecte sobre as novas contesta&ccedil;&otilde;es sociais e urbanas, em evidente crescendo e decorrentes sobretudo destas press&otilde;es habitacionais, e enfoca sobre as poss&iacute;veis raz&otilde;es dos desfasamentos pol&iacute;ticos e das respectivas dificuldades de consolidar a coes&atilde;o territorial, ou mesmo a justi&ccedil;a espacial, como elementos relevantes para a forma&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas, desde logo na essencial dimens&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o, para a metr&oacute;pole de Lisboa. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p> <font size="3"><b>2. O percurso liberalizador do mercado de habita&ccedil;&atilde;o</b></font> </p>     <p> <b>Os desequil&iacute;brios do mercado de habita&ccedil;&atilde;o</b> </p>     <p> As pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o em Portugal t&ecirc;m mantido uma tend&ecirc;ncia de liberaliza&ccedil;&atilde;o desde a entrada na Comunidade Econ&oacute;mica Europeia, em 1986, o que tem levado a uma maior financeiriza&ccedil;&atilde;o do mercado de habita&ccedil;&atilde;o. Este fen&oacute;meno, como veremos, tem sido particularmente evidente e intenso nos anos mais recentes (Santos, 2018; 2019). </p>     <p> Dever&aacute; salientar-se que a liberaliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ocorreu apenas em Portugal, sendo, pelo contr&aacute;rio, uma tend&ecirc;ncia generalizada desde meados da d&eacute;cada de 1970 nos pa&iacute;ses ocidentais (Malpass e Murie, 1999; Lowe, 2011; Hays, 2012; Madden e Marcuse, 2016; Lund, 2016; McCrone e Stephens, 2017). Esta tend&ecirc;ncia de liberaliza&ccedil;&atilde;o foi particularmente evidente na flexibiliza&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de arrendamento (Mullins e Murie, 2006) e, tamb&eacute;m, no desinvestimento e aliena&ccedil;&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica (Pawson e Mullins, 2010; Forrest e Murie, 2011). Depois de a maioria dos pa&iacute;ses ocidentais terem investido de forma intensa em pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s a Segunda Guerra Mundial, poder&aacute; dizer-se que desde meados da d&eacute;cada de 1970 o decl&iacute;nio do Estado Social tem levado a uma postura mais neutra e menos comprometida com os (des)equil&iacute;brios do mercado de habita&ccedil;&atilde;o (Bramley, Munro, e Pawson, 2004). </p>     <p> Em Portugal, este percurso de liberaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; particularmente evidente nas pol&iacute;ticas de arrendamento (Antunes, 2018, 2019a). Tal como ocorreu em grande parte dos pa&iacute;ses do sul da Europa, a generalidade da popula&ccedil;&atilde;o privilegiou a aquisi&ccedil;&atilde;o de casa pr&oacute;pria, ao inv&eacute;s de aceder a habita&ccedil;&atilde;o pelo mercado de arrendamento (Allen <i>et al</i>., 2004; Bargelli <i>et al</i>., 2017; 2019). Esta situa&ccedil;&atilde;o apenas &eacute; contrariada nos principais meios urbanos, nomeadamente nas cidades de Lisboa e do Porto, que concentram a maioria da oferta do mercado de arrendamento. </p>     <p> Entretanto, o mercado de arrendamento seria marcado pelo congelamento das rendas nas cidades de Lisboa e do Porto, em 1948 [<a name="top3" id="top3"></a><a href="#3">3</a>], durante o Estado Novo. O congelamento das rendas manteve-se at&eacute; &agrave; &ldquo;Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos&rdquo;, em 1974, tendo sido, ali&aacute;s, alargado a todo o territ&oacute;rio nacional em Setembro do mesmo ano [<a name="top4" id="top4"></a><a href="#4">4</a>]. Al&eacute;m do congelamento das rendas, acrescentava-se, ainda, a prorroga&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica dos contratos de arrendamento (&ldquo;contratos vincul&iacute;sticos&rdquo;), sem que o senhorio lhes pudesse colocar termo (com excep&ccedil;&otilde;es), disposi&ccedil;&atilde;o que vinha desde a I Rep&uacute;blica Portuguesa (Leit&atilde;o, 2014; Antunes, 2018; 2019a). Quer isto dizer que, em meados da d&eacute;cada de 1980, o quadro legal das pol&iacute;ticas de arrendamento era tendencialmente proteccionista, favorecendo a posi&ccedil;&atilde;o dos inquilinos. Esta tend&ecirc;ncia foi pela primeira vez amea&ccedil;ada em 1985, com a Lei das Rendas [<a name="top5" id="top5"></a><a href="#5">5</a>], que permitia a &ldquo;correc&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;ria&rdquo; do valor das rendas, situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o agradou aos inquilinos por verem as rendas aumentadas, nem aos propriet&aacute;rios, que consideravam os aumentos desajustados da realidade (Ferreira, 1987; Rocha, 2014). Sobre esta mat&eacute;ria refere Ferreira ( <i>id.</i>) que a &ldquo;correc&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;ria&rdquo; n&atilde;o foi suficiente para ajustar os valores &agrave; realidade, o que inviabilizava a dinamiza&ccedil;&atilde;o do mercado de arrendamento e as necess&aacute;rias obras de conserva&ccedil;&atilde;o de um parque habitacional que se encontrava muito degradado. </p>     <p> Foi neste contexto de liberaliza&ccedil;&atilde;o que em 1990 surgiu o Regime do Arrendamento Urbano (RAU).[<a name="top6" id="top6"></a><a href="#6">6</a>] O RAU n&atilde;o alterou o cen&aacute;rio dos contratos de arrendamento antigos (anteriores a 1990), que se mantiveram com as rendas desactualizadas e automaticamente prorrog&aacute;veis, mas admitia que se estabelecessem novos contratos de arrendamento de dura&ccedil;&atilde;o limitada, com um m&iacute;nimo de cinco anos, o que permitia ao senhorio extinguir o contrato no seu final. No geral, poder&aacute; dizer-se que o RAU abriu portas &agrave; modernidade no sector de arrendamento, com um regime juridicamente condensado, a cria&ccedil;&atilde;o de contratos a termo e a previs&atilde;o de actualiza&ccedil;&otilde;es peri&oacute;dicas das rendas (Leit&atilde;o, 2014; Rocha, 2014; Antunes, 2019a). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Na mesma d&eacute;cada em que surgiu o RAU, ocorreu um crescimento explosivo de compra de habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria com acesso a cr&eacute;dito banc&aacute;rio, sendo que na maioria das situa&ccedil;&otilde;es a taxa de esfor&ccedil;o era menor na op&ccedil;&atilde;o de compra do que no arrendamento. Na cidade de Lisboa, a percentagem de propriet&aacute;rios-residentes n&atilde;o atingia os dois d&iacute;gitos em 1960, tendo subido at&eacute; obter uma posi&ccedil;&atilde;o maiorit&aacute;ria em 2011, de 51,8%, ou seja, em poucas d&eacute;cadas passou-se de uma <i>cidade de inquilinos</i> para uma <i>cidade de propriet&aacute;rios</i> (Nunes, 2005; Acciaiuoli, 2015). Ainda no que respeita ao arrendamento, em 2006 foi promulgado o Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU)[<a name="top7" id="top7"></a><a href="#7">7</a>], tendo-se voltado ao tema da actualiza&ccedil;&atilde;o das &ldquo;rendas antigas&rdquo; (anteriores a 1990), num processo complexo que acabou por n&atilde;o ter grande aceita&ccedil;&atilde;o nem agradar a inquilinos ou propriet&aacute;rios, pelo que grande parte dos contratos antigos permaneceu com as rendas por actualizar (Leit&atilde;o, 2014). </p>     <p> Mais tarde, em 2011, o memorando da Troika dispunha v&aacute;rias considera&ccedil;&otilde;es sobre o &ldquo;mercado de habita&ccedil;&atilde;o&rdquo;, tendo sido nesse contexto que em 2012 foram introduzidas importantes altera&ccedil;&otilde;es ao NRAU.[<a name="top8" id="top8"></a><a href="#8">8</a>] Ao contr&aacute;rio do que tinha sucedido at&eacute; ent&atilde;o, estas altera&ccedil;&otilde;es tiveram repercuss&otilde;es nos &ldquo;contratos antigos&rdquo; (anteriores a 1990), for&ccedil;ando a que estes passassem, depois de um per&iacute;odo transit&oacute;rio, para o NRAU, ou seja, contratos limitados temporalmente e de renda de acordo com o mercado livre. </p>     <p> At&eacute; &agrave; liberaliza&ccedil;&atilde;o do mercado de arrendamento, a desactualiza&ccedil;&atilde;o das rendas e a prorroga&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica dos contratos criaram uma esp&eacute;cie de habita&ccedil;&atilde;o social for&ccedil;ada no parque habitacional privado, sem que os locadores fossem ressarcidos da fun&ccedil;&atilde;o social que estavam a dar &agrave; sua propriedade (Antunes, 2018; 2019a). Os efeitos foram, entre outros, a manuten&ccedil;&atilde;o (artificial) de agregados familiares em locais centrais da cidade, pagando rendas mensais que n&atilde;o correspondiam ao valor de mercado, assim como a degrada&ccedil;&atilde;o do edificado residencial, por compreens&iacute;vel incapacidade financeira dos propriet&aacute;rios. Contudo, afirma o mesmo autor, depois das altera&ccedil;&otilde;es provocadas pelo RAU (1990) e NRAU (2006), o percurso liberalizador atingiu o expoente m&aacute;ximo com as altera&ccedil;&otilde;es de 2012, conceptualizadas no sentido de fomentar os proveitos econ&oacute;micos e n&atilde;o o de proteger as fam&iacute;lias. </p>     <p> No caso portugu&ecirc;s, al&eacute;m da aludida liberaliza&ccedil;&atilde;o do mercado de arrendamento, o conjunto mais alargado de pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m assentou em modelos tipicamente neoliberais. Sobre esta quest&atilde;o atente-se &agrave;s dota&ccedil;&otilde;es or&ccedil;amentais do Estado portugu&ecirc;s para as pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o entre 1987 e 2011 (<a href="#q1">Quadro 1</a>). </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q1" id="q1"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07q1.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> Conforme o <a href="#q1">Quadro 1</a>, entre 1987 e 2011 o Estado portugu&ecirc;s executou cerca de 9,6 mil milh&otilde;es de euros em pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o, sendo que, desse valor, 73,3% foram destinados para a bonifica&ccedil;&atilde;o de juros no cr&eacute;dito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, ou seja, contribu&iacute;ram para o funcionamento do mercado privado. O crescimento do acesso ao cr&eacute;dito para aquisi&ccedil;&atilde;o de casa pr&oacute;pria nos regimes bonificado e geral contribuiu para que Portugal tenha hoje um dos parques habitacionais mais jovens a n&iacute;vel europeu, sendo, inclusivamente, o pa&iacute;s da Uni&atilde;o Europeia (UE) com maior peso de fogos constru&iacute;dos na d&eacute;cada de 1990 (Mateus, 2015). De acordo com o <a href="#q1">Quadro 1</a>, apenas 22% do investimento or&ccedil;amental entre 1987 e 2011 foram dirigidos a programas de realojamento (e.g. Programa Especial de Realojamento) e o remanescente para programas de apoio &agrave; reabilita&ccedil;&atilde;o e ao mercado de arrendamento (e.g. Incentivo ao Arrendamento por Jovens e Porta 65). Na verdade, a monopoliza&ccedil;&atilde;o de apoios para a compra de casa assenta num modelo de ac&ccedil;&atilde;o tipicamente neoliberal que contribui para financiar processos especulativos, que beneficiaram os neg&oacute;cios fundi&aacute;rios, os promotores imobili&aacute;rios, a constru&ccedil;&atilde;o civil e a banca, bem como a classe m&eacute;dia com acesso ao cr&eacute;dito banc&aacute;rio como grupo destinat&aacute;rio (Antunes, 2018, 2019b). </p>     <p> Apesar dos cerca de 9,6 mil milh&otilde;es de euros investidos em pol&iacute;ticas habitacionais entre 1987 e 2011 (<a href="#q1">Quadro 1</a>), tal n&atilde;o foi suficiente para eliminar todas as situa&ccedil;&otilde;es habitacionais indignas em Portugal. Conforme o &ldquo;Levantamento nacional das necessidades de realojamento habitacional&rdquo;, coordenado pelo Instituto da Habita&ccedil;&atilde;o e da Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana, no in&iacute;cio de 2018 foram identificadas 25 762 fam&iacute;lias a residir em &ldquo;situa&ccedil;&otilde;es claramente insatisfat&oacute;rias&rdquo;, sendo que deste total 19 050 fam&iacute;lias residiam nas AML e &Aacute;rea Metropolitana do Porto (AMP), com clara predomin&acirc;ncia da AML, na qual foram identificados 13 828 agregados familiares, ou seja, mais de 50% do total nacional (IHRU, 2018). </p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>As novas press&otilde;es sobre os mercados residenciais</b> </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Depois de nas d&eacute;cadas de 1980 a 2000 terem sido propostas v&aacute;rias medidas de reabilita&ccedil;&atilde;o urbana sem grande sucesso or&ccedil;amental e pr&aacute;tico, e n&atilde;o obstante o lento ressurgimento do interesse pela cidade consolidada a partir de meados da d&eacute;cada passada, o eclodir da crise financeira e o fomento de uma s&eacute;rie de factores econ&oacute;micos e pol&iacute;ticos de &acirc;mbito global mas tamb&eacute;m nacional – sucintamente referidos na introdu&ccedil;&atilde;o deste texto – desencadearam profundas altera&ccedil;&otilde;es nos mercados imobili&aacute;rio e residencial do sistema metropolitano de Lisboa. </p>     <p> Perante a crise financeira e as exig&ecirc;ncias do respectivo resgate, sucede-se a aprova&ccedil;&atilde;o de uma s&eacute;rie de pol&iacute;ticas de atrac&ccedil;&atilde;o de investimento para a reabilita&ccedil;&atilde;o urbana, numa perspectiva mais liberal de flexibiliza&ccedil;&atilde;o e dinamiza&ccedil;&atilde;o dos mercados imobili&aacute;rios. Neste &acirc;mbito pode-se destacar o Regime Excepcional para a Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana (RERU), de 2014, que dispensa das opera&ccedil;&otilde;es de reabilita&ccedil;&atilde;o v&aacute;rias normas t&eacute;cnicas impostas no Regulamento Geral das Edifica&ccedil;&otilde;es Urbanas (RGEU), possibilitando interven&ccedil;&otilde;es menos onerosas e exigentes em termos t&eacute;cnicos.[<a name="top9" id="top9"></a><a href="#9">9</a>] Ainda na reabilita&ccedil;&atilde;o, foram criados instrumentos financeiros, como o Instrumento Financeiro para a Reabilita&ccedil;&atilde;o e Revitaliza&ccedil;&atilde;o Urbana, vulgarmente conhecido como IFRRU 2020, integrado no PORTUGAL 2020[<a name="top10" id="top10"></a><a href="#10">10</a>] e cofinanciado por fundos europeus, que concede empr&eacute;stimos com condi&ccedil;&otilde;es vantajosas para apoiar a reabilita&ccedil;&atilde;o urbana em todo o territ&oacute;rio nacional. Note-se que na maioria das situa&ccedil;&otilde;es em que t&ecirc;m estado envolvidos apoios financeiros p&uacute;blicos, n&atilde;o se tem exigido garantias para que os edif&iacute;cios reabilitados sejam colocados no mercado imobili&aacute;rio a valores mais reduzidos, como seria expect&aacute;vel, pelo menos numa parte relevante, em interven&ccedil;&otilde;es beneficiadoras de investimento p&uacute;blico. </p>     <p> Foram, entretanto, igualmente posicionados outros incentivos de pol&iacute;tica fiscal e financeira para atrair investimento externo e com impactos relevantes nos mercados imobili&aacute;rios, tais como o Regime fiscal especial para residentes n&atilde;o habituais, criado em 2009.[<a name="top11" id="top11"></a><a href="#11">11</a>] Em Outubro de 2012 seria criado o Programa de Vistos Gold, que permite que cidad&atilde;os n&atilde;o europeus recebam a cidadania portuguesa (e passaporte europeu) ap&oacute;s investirem em neg&oacute;cios no pa&iacute;s, sendo o mercado imobili&aacute;rio uma das op&ccedil;&otilde;es de investimento para aceder ao programa, ap&oacute;s a aquisi&ccedil;&atilde;o de bens im&oacute;veis de valor igual ou superior a 500 mil euros. Nos anos mais recentes o n&uacute;mero de habita&ccedil;&otilde;es adquiridas por n&atilde;o residentes tem sido substancial – de acordo com dados do INE, em 2018 foram adquiridas 19 912 habita&ccedil;&otilde;es por n&atilde;o residentes, o que corresponde a 8,2% dos im&oacute;veis transaccionados em Portugal, tendo a AML concentrado 21% desses neg&oacute;cios. Estas pol&iacute;ticas no seu conjunto t&ecirc;m provocado profundas altera&ccedil;&otilde;es nos mercados imobili&aacute;rios e residenciais, em particular nos pa&iacute;ses com maiores debilidades financeiras e, como tal, muito receptivos aos influxos externos (Lesteg&aacute;s <i>et al</i> ., 2019). </p>     <p> Simultaneamente, diversos fundos imobili&aacute;rios internacionais t&ecirc;m revelado grande interesse em investir na AML, o que se traduz na aquisi&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios, sobretudo em &aacute;reas urbanas valorizadas. Estes fundos imobili&aacute;rios internacionais, alheios &agrave;s disfun&ccedil;&otilde;es urbanas locais, encaram os edif&iacute;cios adquiridos como bens patrimoniais ou &ldquo;dep&oacute;sitos banc&aacute;rios&rdquo; (i.e. n&atilde;o dando necessariamente utiliza&ccedil;&atilde;o a estes), efectuando posteriores opera&ccedil;&otilde;es de reabilita&ccedil;&atilde;o destinadas aos segmentos mais elevados ou a servi&ccedil;os de retorno r&aacute;pido como o Alojamento Local (AL). </p>     <p> Por sua vez, t&ecirc;m sido bem-sucedidas as pol&iacute;ticas de marketing urbano e de fomento da simbologia global de Lisboa e da sua receptividade internacional, como cidade com hist&oacute;ria e identidade, com boa qualidade de vida e segura, e muito atractiva quer para o turismo nos seus v&aacute;rios segmentos, como para os investidores internacionais. Um sucesso em termos de pol&iacute;tica econ&oacute;mica, fortemente defendido sobretudo em contextos de crise e de p&oacute;s-crise, e que tem permitido &agrave; regi&atilde;o e mesmo ao pa&iacute;s uma consider&aacute;vel recupera&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica. </p>     <p> A estas transforma&ccedil;&otilde;es juntar-se-&atilde;o as din&acirc;micas das novas plataformas digitais de intermedia&ccedil;&atilde;o como a Airbnb ou a Uber; ferramentas muito potentes de altera&ccedil;&atilde;o dos fluxos de capitais e dos investimentos. Nesta d&eacute;cada incrementa-se uma aut&ecirc;ntica revolu&ccedil;&atilde;o digital e uma paulatina transi&ccedil;&atilde;o tecno-econ&oacute;mica que potenciar&aacute; o desdobramento das funcionalidades urbanas e das economias de intermedia&ccedil;&atilde;o, com amplas influ&ecirc;ncias nos quotidianos sociais e econ&oacute;micos das cidades. Nestes &acirc;mbitos, destaque para a extraordin&aacute;ria evolu&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno mais marcante do turismo urbano nesta d&eacute;cada de 2010 – AL – com uma fort&iacute;ssima implanta&ccedil;&atilde;o nas centralidades mais relevantes, configurando-se como um novo agente que influencia as principais estruturas e condi&ccedil;&otilde;es dos mercados habitacionais. O AL tem contribu&iacute;do para muitas das recentes transforma&ccedil;&otilde;es do mercado imobili&aacute;rio, ao diminuir a oferta de frac&ccedil;&otilde;es habitacionais para as destinar para o servi&ccedil;o tur&iacute;stico. Estudos recentes (Rio Fernandes <i>et al</i>., 2018, 2019) t&ecirc;m demonstrado o crescimento muito acelerado de estabelecimentos de AL nas duas &aacute;reas metropolitanas portuguesas. Veja-se, por exemplo, que em 2010 o n&uacute;mero de estabelecimentos de AL era uma realidade residual, sendo que, em 2019, o n&uacute;mero destes estabelecimentos na AML &eacute; superior a 25 000 , a maioria na cidade de Lisboa e, em particular, no seu centro hist&oacute;rico.[<a name="top12" id="top12"></a><a href="#12">12</a>] Para a dissemina&ccedil;&atilde;o do AL tamb&eacute;m contribuiu uma legisla&ccedil;&atilde;o tolerante, que deixa para o poder local eventuais condicionalismos. A permissividade da legisla&ccedil;&atilde;o nacional levou a que a actividade tivesse um crescimento vertiginoso nas &aacute;reas urbanas de maior press&atilde;o tur&iacute;stica, apenas se come&ccedil;ando a configurar restri&ccedil;&otilde;es de iniciativa municipal a partir de 2018/19, nos bairros hist&oacute;ricos com maior press&atilde;o tur&iacute;stica (em Lisboa), bem como na zona costeira da Ericeira (Mafra) e num bairro popular pr&oacute;ximo do Aeroporto (Moscavide – Loures). </p>     <p> Nos anos mais recentes instala-se nas principais zonas urbanas do pa&iacute;s uma perspectiva de cont&iacute;nuo crescimento e valoriza&ccedil;&atilde;o dos investimentos imobili&aacute;rios, pelo que o valor do metro quadrado manter&aacute; uma alta expectativa de valoriza&ccedil;&atilde;o (Lesteg&aacute;s <i>et al</i>., id.; Carvalho, <i>et al</i>., 2019). A falta de oferta de habita&ccedil;&atilde;o e o aumento significativo da procura – sobretudo por estrangeiros (com benef&iacute;cios fiscais) e por grandes fundos imobili&aacute;rios (igualmente com benef&iacute;cios fiscais) –, levar&atilde;o a que o mercado se reequilibre de forma profunda, pressionando fortemente as taxas de esfor&ccedil;o das fam&iacute;lias que procuram habita&ccedil;&atilde;o nos mercados de venda e de arrendamento. </p>     <p> Estas recentes transforma&ccedil;&otilde;es, a par de uma estrutura da propriedade e demogr&aacute;fica muito r&iacute;gidas; perante um historial de fr&aacute;geis pol&iacute;ticas habitacionais e muito pouco <i>stock</i> de habita&ccedil;&atilde;o social; e finalmente perante uma nova e acentuada redu&ccedil;&atilde;o nos mercados de arrendamento; provocar&atilde;o novos paradoxos entre o fomento de oportunidades ansiadas h&aacute; muito (na reabilita&ccedil;&atilde;o urbana, no turismo e no desenvolvimento econ&oacute;mico, na redinamiza&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica da cidade e da regi&atilde;o), com s&uacute;bitas e elevadas dificuldades no acesso &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, bem como nas pr&oacute;prias din&acirc;micas de viv&ecirc;ncia quotidiana na cidade central, e enfim em altera&ccedil;&otilde;es nas din&acirc;micas sociogeogr&aacute;ficas de toda a metr&oacute;pole. </p>     <p> Estas elevadas press&otilde;es sobre o mercado habitacional e o receio da cria&ccedil;&atilde;o de uma din&acirc;mica de expans&atilde;o-contrac&ccedil;&atilde;o, evidenciam a urg&ecirc;ncia de ac&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Desde logo, na relev&acirc;ncia de disponibilizar informa&ccedil;&atilde;o em tempo &uacute;til e de se acompanhar a evolu&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os nos mercados de arrendamento e de venda – tendo o Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE) iniciado a compila&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica de forma sistematizada sobre o mercado imobili&aacute;rio desde 2016.[<a name="top13" id="top13"></a><a href="#13">13</a>] Ser&aacute; sobre estes dados oficiais que se ir&aacute; desenvolver a an&aacute;lise da evolu&ccedil;&atilde;o dos valores nos mercados habitacionais (de compra e de arrendamento), bem como das taxas de esfor&ccedil;o para as fam&iacute;lias, tanto para a cidade central como para o sistema metropolitano.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p> <font size="3"><b>3. </b> <b>Evolu&ccedil;&atilde;o das taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias na AML (2016-2018)</b></font> </p>     <p> Perante os factos real&ccedil;ados, importa perceber do ponto de vista quantitativo a evolu&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os habitacionais e das taxas de esfor&ccedil;o das fam&iacute;lias que procuraram casa na AML entre o in&iacute;cio de 2016 e o final de 2018. A an&aacute;lise &eacute; realizada por trimestre para o caso da aquisi&ccedil;&atilde;o de casa e por semestre no que se refere ao arrendamento, e inclui a evolu&ccedil;&atilde;o do mercado de habita&ccedil;&atilde;o nos munic&iacute;pios da AML e, com maior pormenor, nas freguesias do munic&iacute;pio de Lisboa. A an&aacute;lise fundamental incide no c&aacute;lculo das taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias exigidas &agrave;s fam&iacute;lias que procuram casa – para compra ou para arrendamento – no sistema metropolitano de Lisboa. </p>     <p>&nbsp; </p>     <p> <b>Evolu&ccedil;&atilde;o recente dos valores imobili&aacute;rios</b> </p>     <p> Conforme mostram o <a href="#q2">Quadro 2</a> e a <a href="#f1">Figura 1</a>, na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa o valor do metro quadrado subiu de forma muito consider&aacute;vel entre 2016 e 2018. Como seria expect&aacute;vel, a maior subida ocorreu no munic&iacute;pio de Lisboa, com uma valoriza&ccedil;&atilde;o absoluta de 1 135 &euro; e relativa de 60,5%. Noutros concelhos, como Oeiras (58,4%) e Amadora (50,8%), a varia&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foi bastante acentuada. Em oposi&ccedil;&atilde;o encontram-se concelhos de menor cariz urbano, como Sesimbra, Moita e Palmela que apresentam os valores mais reduzidos no contexto da AML, que, por sua vez, teve uma varia&ccedil;&atilde;o de 18,5%. </p>     <p>&nbsp;</p> <a name="q2" id="q2"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07q2.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p> <a name="f1" id="f1"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07f1.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p> No seguimento, verifica-se que a maior press&atilde;o se regista em torno da principal centralidade metropolitana (Lisboa), e, de forma mais alargada, no eixo Lisboa-Oeiras-Cascais, tamb&eacute;m denominado como linha do Estoril. Esta valoriza&ccedil;&atilde;o tem maior express&atilde;o nos territ&oacute;rios mais pr&oacute;ximos de Lisboa em termos de transporte rodovi&aacute;rio e ferrovi&aacute;rio, como, por exemplo, a linha de Sintra e as pontes para a margem sul do rio Tejo (Almada, Montijo e Alcochete). No fundo, uma din&acirc;mica de valoriza&ccedil;&atilde;o que segue as linhas estruturantes de extens&atilde;o urban&iacute;stica da metr&oacute;pole.</p> Da an&aacute;lise do <a href="/img/revistas/cct/n39/n39a07q3.jpg" target="_blank">Quadro 3</a> e <a href="#f2">Figura 2</a>, referente &agrave; mesma evolu&ccedil;&atilde;o para as freguesias do concelho de Lisboa, destaca-se a fort&iacute;ssima valoriza&ccedil;&atilde;o das freguesias do centro hist&oacute;rico, onde, por exemplo, na freguesia de Santo Ant&oacute;nio o valor do metro quadrado cresce cerca de 2 400 &euro;, o que corresponde a uma varia&ccedil;&atilde;o global de 113,5% (para os tr&ecirc;s anos de an&aacute;lise, recorde-se, mais do que duplica). No total, 19 das 24 freguesias tiveram uma varia&ccedil;&atilde;o superior a 50%. A freguesia do Parque nas Na&ccedil;&otilde;es apresenta os valores mais reduzidos, embora nesse caso particular o pre&ccedil;o do metro quadrado j&aacute; fosse muito elevado em 2016. Destaque tamb&eacute;m para algumas freguesias mais distantes do centro da cidade, como Marvila (62,9%), Santa Clara (29,7%), Lumiar (36%), Benfica (60,7%), Carnide (45,7%), e Olivais (62,7%), que tiveram, de igual forma, varia&ccedil;&otilde;es que se podem considerar muito elevadas.         
<p>&nbsp;</p>     <a name="f2" id="f2"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07f2.jpg"/>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p><b>Evolu&ccedil;&atilde;o das taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias na aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o</b></p>         <p> Tendo como base os dados oficiais do INE, calcularam-se as Taxas de Esfor&ccedil;o M&eacute;dias (TEM) inerentes &agrave; aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o, bem como para a op&ccedil;&atilde;o de arrendamento habitacional. Dever&aacute; notar-se que as taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias calculadas no &acirc;mbito deste trabalho partem de uma adapta&ccedil;&atilde;o explorat&oacute;ria do c&aacute;lculo da taxa de esfor&ccedil;o familiar (ver a metodologia adoptada adiante). A referida adapta&ccedil;&atilde;o da taxa de esfor&ccedil;o familiar, aqui calculada como taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia para determinado territ&oacute;rio (munic&iacute;pios e freguesias), foi constru&iacute;da de acordo com os dados estat&iacute;sticos actualmente disponibilizados pelo INE, alguns deles de compila&ccedil;&atilde;o (muito) recente (sequ&ecirc;ncias iniciadas em 2016 e em 2017). Obviamente, a constru&ccedil;&atilde;o e adapta&ccedil;&atilde;o da taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia para o caso portugu&ecirc;s est&aacute; condicionada pelos dados estat&iacute;sticos existentes, que det&ecirc;m limita&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias de an&aacute;lise, decomposi&ccedil;&atilde;o escalar e tamb&eacute;m de extrapola&ccedil;&atilde;o. Embora o c&aacute;lculo da taxa de esfor&ccedil;o familiar seja simples quando efectuado perante o rendimento dispon&iacute;vel de um agregado familiar concreto (r&aacute;cio despesas com a habita&ccedil;&atilde;o / rendimentos familiares), os c&aacute;lculos tornam-se mais complexos quando se pretende aferir a taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia para um determinado territ&oacute;rio, como se prop&otilde;e neste trabalho. </p>         <p> O <a href="#e1">Esquema 1</a> exp&otilde;e as equa&ccedil;&otilde;es realizadas para determinar as taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias dos territ&oacute;rios analisados, entre o in&iacute;cio de 2016 e o final da an&aacute;lise em 2018. </p>         <p>&nbsp;</p>     <a name="e1" id="e1"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07e1.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>         <p> 1) Para o c&aacute;lculo da Taxa de Esfor&ccedil;o M&eacute;dia [TEM] de determinado territ&oacute;rio, foi necess&aacute;rio identificar o Valor M&eacute;dio do Alojamento [VMA], tendo-se utilizado, nesse caso, o valor mediano de vendas das casas (INE, &euro;, m <sup>2</sup>) [A] e a superf&iacute;cie m&eacute;dia &uacute;til dos alojamentos na freguesia ou munic&iacute;pio (INE, m<sup>2</sup>) [B]. </p>         <p> Com o VMA calculado, efectuou-se a simula&ccedil;&atilde;o do Encargo Total com o Alojamento [ETA], junto do simulador p&uacute;blico da Caixa Geral de Dep&oacute;sitos, para 90% do VMA, com Euribor a 12 meses, Spread 1,500%, taxa nominal 1,217% somando-se tamb&eacute;m os encargos obrigat&oacute;rios relativos aos empr&eacute;stimos. </p>         <p> 2) No que respeita ao rendimento familiar, optou-se por utilizar o rendimento bruto declarado deduzido do IRS liquidado por agregado fiscal (INE, &euro;), ao n&iacute;vel da AML.[<a name="top14" id="top14"></a><a href="#14">14</a>]</p>         <p> 3) Nesta fase, tendo-se um valor relativo ao encargo monet&aacute;rio com a habita&ccedil;&atilde;o [ETA] e de rendimento familiar [RF], chegou-se &agrave; taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia [TEM] dos territ&oacute;rios observados. </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O exemplo supracitado (Esquema 1) reflecte a taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia na aquisi&ccedil;&atilde;o de casa, sendo que no arrendamento o c&aacute;lculo &eacute; mais elementar, substituindo-se [A] pelo valor mediano de arrendamento das casas (INE, &euro;, m <sup>2</sup>)[<a name="top15" id="top15"></a><a href="#15">15</a>]e retirando-se a sec&ccedil;&atilde;o referente &agrave; simula&ccedil;&atilde;o de empr&eacute;stimo. </p>         <p> Todos os indicadores e valores foram recolhidos junto do INE, com a excep&ccedil;&atilde;o da simula&ccedil;&atilde;o do encargo banc&aacute;rio, realizado no simulador da Caixa Geral de Dep&oacute;sitos (CGD) e que levou em considera&ccedil;&atilde;o os crit&eacute;rios mais generalizados de cr&eacute;dito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o. No caso da aquisi&ccedil;&atilde;o de casa, a TEM foi calculada para todos os concelhos da AML e freguesias do munic&iacute;pio e Lisboa, entre 2016 e 2018, por trimestre, tendo-se calculado no total 528 taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias. Para o arrendamento, a TEM foi calculada para todos os concelhos da AML e freguesias do munic&iacute;pio de Lisboa, entre o final de 2017 e 2018, por semestre, calculando-se assim 132 taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias. Para perceber na plenitude a evolu&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; habita&ccedil;&atilde;o na AML foram ainda calculadas taxas de varia&ccedil;&atilde;o do metro quadrado entre 2016 e 2018 (apresentadas anteriormente) e taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias para as fam&iacute;lias com o equivalente a 125%, 75% e 50% do rendimento m&eacute;dio, em 2018, o que se traduziu no c&aacute;lculo de mais 352 taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias. </p>         <p> Como primeira an&aacute;lise sobre os resultados das taxas de esfor&ccedil;o, apresentam-se os valores respectivos para os concelhos da AML. Conforme o <a href="#q4">Quadro 4</a> e a <a href="#f3">Figura 3</a>, &eacute; poss&iacute;vel verificar que o valor m&eacute;dio de taxa de esfor&ccedil;o na AML subiu ligeiramente nos extremos do per&iacute;odo analisado, de 25% para 28%. Contudo, dentro do territ&oacute;rio da AML podemos encontrar modelos de evolu&ccedil;&atilde;o muito distintos. Com efeito, no concelho de Lisboa registam-se os valores m&aacute;ximos e uma evolu&ccedil;&atilde;o muito consider&aacute;vel, de 38% para 58%. Destaque tamb&eacute;m para Cascais com uma evolu&ccedil;&atilde;o de 38% para 53%, e Oeiras com uma evolu&ccedil;&atilde;o de 29% para 44%. Por outro lado, as taxas de esfor&ccedil;o mais reduzidas sucedem-se em concelhos como a Moita, Amadora, Seixal e Vila Franca de Xira, todos abaixo de 21% no final de 2018. </p>         <p>&nbsp;</p>     <a name="q4" id="q4"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07q4.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>     <a name="f3" id="f3"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07f3.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>         <p> Sobre as taxas de esfor&ccedil;o na aquisi&ccedil;&atilde;o de casa pr&oacute;pria, o Banco de Portugal emitiu em Fevereiro de 2018 uma recomenda&ccedil;&atilde;o em que aconselhava a atribui&ccedil;&atilde;o de novos cr&eacute;ditos apenas a clientes que n&atilde;o ultrapassassem 50% do rendimento l&iacute;quido com as presta&ccedil;&otilde;es mensais de todos os empr&eacute;stimos (habita&ccedil;&atilde;o e consumo).[<a name="top16" id="top16"></a><a href="#16">16</a>] Esta recomenda&ccedil;&atilde;o do supervisor banc&aacute;rio instava ainda a que o valor emprestado para aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria ficasse abaixo de 90%, assim como um limite de 40 anos nos novos contratos de cr&eacute;dito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, com converg&ecirc;ncia gradual para uma maturidade m&eacute;dia de 30 anos at&eacute; final de 2022. </p>         <p> &Eacute; reconhecido pela literatura internacional que quando as taxas de esfor&ccedil;o atingem os patamares de 35%-40% e se mant&eacute;m em perspectiva ascendente, os riscos de amplo sobreaquecimento dos mercados tornam-se muito s&eacute;rios, quer a n&iacute;vel social como econ&oacute;mico-financeiro. Ali&aacute;s, as pr&oacute;prias entidades banc&aacute;rias evitam conceder cr&eacute;ditos para os casos que se configurem acima dos 35% de taxa de esfor&ccedil;o por cliente.[<a name="top17" id="top17"></a><a href="#17">17</a>]</p>         <p> No <a href="#q4">Quadro 4</a> e <a href="#f3">Figura 3</a> &eacute; poss&iacute;vel verificar que no final de 2018 os concelhos de Lisboa, Cascais e Oeiras se encontravam muito acima do patamar de 35% exigido pelos bancos para aceder a um cr&eacute;dito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, e que a taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia nos concelhos de Lisboa (58%) e Cascais (53%) est&aacute; acima da recomenda&ccedil;&atilde;o do supervisor. Desta forma, torna-se quase imposs&iacute;vel para um agregado familiar com rendimento m&eacute;dio comprar uma habita&ccedil;&atilde;o nestes tr&ecirc;s concelhos. Analisando os mesmos elementos, &eacute; poss&iacute;vel verificar uma forte heterogeneidade no territ&oacute;rio da AML, com os concelhos do Barreiro, Moita, Palmela, Sesimbra, Set&uacute;bal e Sintra com valores de taxa de esfor&ccedil;o igual ou inferior a 20%, ou seja, encontra-se nestes concelhos a op&ccedil;&atilde;o mais econ&oacute;mica para adquirir uma habita&ccedil;&atilde;o na AML. </p>         <p> Conforme o <a href="#g1">Gr&aacute;fico 1</a>, &eacute; poss&iacute;vel verificar a evolu&ccedil;&atilde;o dos tr&ecirc;s concelhos da AML com maior e menor valor de taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia. Nos concelhos em que a taxa de esfor&ccedil;o &eacute; mais reduzida (Palmela, Moita e Barreiro), todos na margem sul do Tejo, a tend&ecirc;ncia geral foi de pequena subida da taxa de esfor&ccedil;o. Nos concelhos com esfor&ccedil;o superior (Cascais, Lisboa e Oeiras) a tend&ecirc;ncia de subida &eacute; muito acentuada, situa&ccedil;&atilde;o que &eacute; especialmente evidente desde o in&iacute;cio de 2017. Note-se que no in&iacute;cio de 2016 a taxa de esfor&ccedil;o de Cascais era similar &agrave; de Lisboa, situa&ccedil;&atilde;o que se alterou em 2017, com um crescimento mais intenso de Lisboa. Importa igualmente olhar para a diferen&ccedil;a nos limites temporais da an&aacute;lise, sendo que nas cidades de Lisboa e Cascais a taxa de esfor&ccedil;o aumentou no total 20% e 15%. No que respeita &agrave; m&eacute;dia da AML, verifica-se uma tend&ecirc;ncia de subida mais ligeira, tendo passado de 25% no in&iacute;cio de 2016 para 28% no final da an&aacute;lise.</p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <a name="g1" id="g1"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07g1.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>         <p> Olhando agora para o concelho de Lisboa (<a href="#q5">Quadro 5</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>), tal como ocorreu para os concelhos da AML, a taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia na aquisi&ccedil;&atilde;o de casa pr&oacute;pria subiu em todas as freguesias entre 2016 e 2018. De um m&iacute;nimo de taxa de esfor&ccedil;o de 19% registado no Beato, no primeiro trimestre de 2016, passou-se para um m&iacute;nimo de 34%, na mesma freguesia, no quarto trimestre de 2018. No que respeita aos m&aacute;ximos registados, no primeiro trimestre de 2016 encontrava-se em 72% no Parque das Na&ccedil;&otilde;es, que liderava de forma muito destacada, estando agora em 91%, na freguesia de Santo Ant&oacute;nio.</p>         <p>&nbsp;</p>     <a name="q5" id="q5"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07q5.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>     <a name="f4" id="f4"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07f4.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>         <p>Voltando a assumir as recomenda&ccedil;&otilde;es do Banco de Portugal, de taxa de esfor&ccedil;o inferior a 50% do rendimento familiar para o cr&eacute;dito ao consumo e &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel verificar que no final de 2018, das 24 freguesias da cidade de Lisboa, 14 tinham um valor de taxa de esfor&ccedil;o superior a 50%, condicionando assim fortemente o acesso ao cr&eacute;dito e &agrave; habita&ccedil;&atilde;o a uma fam&iacute;lia de rendimento m&eacute;dio (<a href="#f4">Quadro 5</a> e <a href="#f4">Figura 4</a>). Embora os valores da taxa de esfor&ccedil;o sejam inferiores a 50% nas restantes dez freguesias, s&atilde;o sempre superiores ao limiar de 35% normalmente colocado pelas entidades banc&aacute;rias, tornado assim o acesso ao cr&eacute;dito e &agrave; compra de habita&ccedil;&atilde;o muito dif&iacute;cil para fam&iacute;lias com um rendimento m&eacute;dio. </p>         <p> Como &eacute; poss&iacute;vel verificar na <a href="#f4">Figura 4</a>, as taxas de esfor&ccedil;o mais elevadas encontram-se n&atilde;o s&oacute; nas freguesias centrais da cidade, como Santa Maria Maior, Miseric&oacute;rdia, Estrela, Avenidas Novas e Santo Ant&oacute;nio, mas tamb&eacute;m em freguesias lim&iacute;trofes, com destaque para o Parque das Na&ccedil;&otilde;es e Bel&eacute;m, embora nesses casos seja conhecida a valoriza&ccedil;&atilde;o preexistente do seu metro quadrado.</p>         <p> O <a href="#g2">Gr&aacute;fico 2</a> apresenta as tr&ecirc;s freguesias da cidade de Lisboa com valores m&iacute;nimos e m&aacute;ximos de taxa de esfor&ccedil;o. Nas freguesias com valores inferiores (Beato, Santa Clara e Penha de Fran&ccedil;a), a tend&ecirc;ncia geral &eacute; de subida, num total de 10%. No caso das freguesias com valores superiores (Bel&eacute;m, Avenidas Novas e Santo Ant&oacute;nio), a taxa de esfor&ccedil;o aumentou de forma bastante consider&aacute;vel desde o in&iacute;cio de 2017, situa&ccedil;&atilde;o similar &agrave; que ocorreu em todo o territ&oacute;rio da AML (Gr&aacute;fico 1). Na freguesia de Santo Ant&oacute;nio, em particular, a diferen&ccedil;a entre o momento inicial e final &eacute; de 45%.</p>         <p>&nbsp;</p>     <a name="g2" id="g2"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07g2.jpg"/>         
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>         <p> Note-se tamb&eacute;m que, ao contr&aacute;rio do que sucedia no in&iacute;cio de 2016, em que a freguesia do Parque das Na&ccedil;&otilde;es era destacadamente aquela com a taxa de esfor&ccedil;o superior (<a href="#q5">Quadro 5</a>), no in&iacute;cio de 2017 essa posi&ccedil;&atilde;o passou para a freguesia de Santo Ant&oacute;nio e, no final de 2018, o Parque das Na&ccedil;&otilde;es j&aacute; n&atilde;o se encontra entre as tr&ecirc;s freguesias com maior taxa de esfor&ccedil;o. Paralelamente importa destacar a constante da cidade de Lisboa, tendo passado de 38% para 58%, numa varia&ccedil;&atilde;o total de 20%. </p>         <p> Mais recentemente, o INE divulgou as tend&ecirc;ncias do primeiro trimestre de 2019 (INE, 2019). Indica o INE que o &Iacute;ndice de Pre&ccedil;os de Habita&ccedil;&atilde;o aumentou 9,2% em temos hom&oacute;logos, mantendo a tend&ecirc;ncia de subida do &uacute;ltimo semestre de 2018 (que teve um aumento de 9,3% em termos hom&oacute;logos – ou seja, existe uma ligeira desacelera&ccedil;&atilde;o do crescimento). No que se refere ao n&uacute;mero de habita&ccedil;&otilde;es transaccionadas, embora a tend&ecirc;ncia ainda seja de crescimento, h&aacute; a registar uma descida no n&uacute;mero de transac&ccedil;&otilde;es, assim como um aumento significativo do per&iacute;odo em que as casas se encontram em venda. Na AML, o valor das habita&ccedil;&otilde;es transaccionadas fixou-se nos 2,9 mil milh&otilde;es de euros, o que corresponde a 47,5% do total nacional. </p>         <p>&nbsp; </p>         <p><b>Evolu&ccedil;&atilde;o das taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias no arrendamento de habita&ccedil;&atilde;o</b> </p>         <p> Focando a an&aacute;lise no mercado de arrendamento, destaca-se que a percentagem de habita&ccedil;&otilde;es arrendadas tem vindo a diminuir desde a d&eacute;cada de 1960 em todo o pa&iacute;s. Neste contexto de decr&eacute;scimo, o concelho de Lisboa continua a ser aquele em que este regime tem mais peso, sobretudo por raz&otilde;es de mercado (procura) e hist&oacute;ricas (Acciaiuoli, 2015). </p>         <p> Conforme o <a href="#q6">Quadro 6</a>, &eacute; poss&iacute;vel verificar que os valores do metro quadrado e das rendas praticadas subiram substancialmente entre o in&iacute;cio de 2017 e o final de 2018. Analisando o cen&aacute;rio mais recente da taxa de esfor&ccedil;o (segundo semestre de 2018), &eacute; poss&iacute;vel verificar que arrendar uma habita&ccedil;&atilde;o nos concelhos de Alcochete (41%), Almada (44%), Cascais (68%), Lisboa (67%), Mafra (41%), Odivelas (41%) e Oeiras (64%) exige um esfor&ccedil;o financeiro mensal superior a 40%, consumindo, desta forma, parte substancial do rendimento familiar. Com a excep&ccedil;&atilde;o do concelho da Moita (26%), os restantes concelhos da AML t&ecirc;m um valor de taxa de esfo&ccedil;o superior a 30% no mercado de arrendamento. Apesar de estarmos a analisar um intervalo de tempo reduzido, nos concelhos com maior procura a taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia subiu de forma muito acentuada, nomeadamente em Cascais (10%), Lisboa (8%) e Oeiras (9%). Assim, percebem-se as recentes dificuldades em arrendar uma casa na AML, sobretudo na linha do Estoril, com taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias superiores a 60%, e, como veremos mais &agrave; frente, com valores especialmente elevados, sobretudo em Lisboa. </p>         <p>&nbsp;</p>     <a name="q6" id="q6"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07q6.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>         <p> Por compara&ccedil;&atilde;o com o <a href="#q4">Quadro 4</a>, o <a href="#q6">Quadro 6</a> permite perceber que a taxa de esfor&ccedil;o no acesso ao mercado de arrendamento na AML &eacute; substancialmente superior &agrave; taxa de esfor&ccedil;o para a aquisi&ccedil;&atilde;o de casa pr&oacute;pria em todos os concelhos analisados. Situa&ccedil;&atilde;o que configura fragilidades relevantes face &agrave;s necessidades habitacionais dos segmentos sociais com menores rendimentos e, de igual forma, condiciona a mobilidade residencial da popula&ccedil;&atilde;o. </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p> O <a href="#q7">Quadro 7</a> aborda a evolu&ccedil;&atilde;o do valor do metro quadrado e da taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia no mercado de arrendamento nas freguesias do concelho de Lisboa. &Eacute; poss&iacute;vel perceber que a taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia exigida &eacute; consideravelmente superior aos valores registados para os restantes concelhos. No final de 2018, das 24 freguesias que comp&otilde;em a capital, apenas quatro (Ajuda, Beato, Marvila e Santa Clara) tinham valores inferiores a 50%, embora sempre superiores a 45%, o que corresponde a um encargo financeiro que condiciona (e limita) fortemente o acesso ao mercado de arrendamento. No outro extremo &eacute; poss&iacute;vel encontrar freguesias com taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias superiores a 90% do rendimento m&eacute;dio familiar, nomeadamente em Santo Ant&oacute;nio (90%), Avenidas Novas (94%) e Parque das Na&ccedil;&otilde;es (99%), ou seja, valores impratic&aacute;veis para a generalidade da popula&ccedil;&atilde;o.</p>         <p>&nbsp;</p>     <a name="q7" id="q7"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07q7.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>         <p>&nbsp;</p>     <a name="f5" id="f5"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07f5.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>         <p> O <a href="#q7">Quadro 7</a> permite ainda perceber, por compara&ccedil;&atilde;o com o <a href="#q5">Quadro 5</a>, que a taxa de esfor&ccedil;o no acesso ao mercado de arrendamento na cidade de Lisboa, e tal como para a AML, &eacute; efectivamente muito superior &agrave; taxa de esfor&ccedil;o para a aquisi&ccedil;&atilde;o de casa pr&oacute;pria em todas as freguesias da cidade. Como foi referido em ponto anterior, esta situa&ccedil;&atilde;o adv&eacute;m de um conjunto muito alargado de circunst&acirc;ncias, nomeadamente o percurso atribulado das pol&iacute;ticas de arrendamento em toda a segunda metade do s&eacute;culo XX, com congelamentos de renda parciais (em 1948) e totais (em 1974, depois da Revolu&ccedil;&atilde;o), os contratos vincul&iacute;sticos, entre outras particularidades do mercado de arrendamento portugu&ecirc;s, que levaram &agrave; perda de dinamismo desde segmento de mercado imobili&aacute;rio e &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o do <i>stock</i> de habita&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis para arrendamento, o que teve repercuss&atilde;o nos pre&ccedil;os actualmente praticados (Antunes, 2019a). Como &eacute; &oacute;bvio, esta situa&ccedil;&atilde;o acaba por ter efeito sobretudo nos grupos sociais mais fr&aacute;geis do ponto de vista econ&oacute;mico, nomeadamente os jovens &agrave; procura de primeira habita&ccedil;&atilde;o ou a estudar em Lisboa, bem como a popula&ccedil;&atilde;o com actividade profissional mais prec&aacute;ria e inst&aacute;vel. </p>         <p>&nbsp; </p>         <p><b>Tipos de fam&iacute;lias, n&iacute;veis de rendimentos e taxas de esfor&ccedil;o residencial </b> </p>         <p> O rendimento l&iacute;quido m&eacute;dio das fam&iacute;lias n&atilde;o corresponde a uma realidade uniforme para todos os agregados familiares de um territ&oacute;rio socialmente complexo como a AML. Simultaneamente, os encargos habitacionais incluem ainda outros custos, ligados aos consumos de electricidade, de &aacute;gua e de g&aacute;s, bem como a despesas de condom&iacute;nio, de manuten&ccedil;&atilde;o e de diversos impostos municipais (para os casos de casa pr&oacute;pria) e seguros diversos, como de vida e da habita&ccedil;&atilde;o. </p>         <p> Para mitigar estas limita&ccedil;&otilde;es, s&atilde;o aqui adicionadas duas propostas de an&aacute;lise (Quadros <a href="#q8">8</a> e <a href="#q9">9</a>) que poder&atilde;o apoiar uma melhor compreens&atilde;o do peso financeiro da habita&ccedil;&atilde;o para as fam&iacute;lias residentes na AML. </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <a name="q8" id="q8"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07q8.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>     <a name="q9" id="q9"></a><img src="/img/revistas/cct/n39/n39a07q9.jpg"/>         
<p>&nbsp;</p>         <p> Conforme o <a href="#q8">Quadro 8</a> e em conformidade com as an&aacute;lises anteriores, &eacute; poss&iacute;vel verificar que no final de 2018 os valores de taxa de esfor&ccedil;o s&atilde;o, no geral, bastante elevados (e proibitivos), mesmo para as fam&iacute;lias com rendimento 25% superior &agrave; m&eacute;dia. Olhando para as fam&iacute;lias com apenas 50% do rendimento l&iacute;quido m&eacute;dio mensal – situa&ccedil;&otilde;es comuns em contexto de fam&iacute;lias monoparentais, de um ou dois elementos no desemprego, ou simplesmente de baixos rendimentos –, a aquisi&ccedil;&atilde;o de casa pr&oacute;pria torna-se imposs&iacute;vel nos concelhos de Lisboa (116%) e Cascais (105%), que exigem taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias incomport&aacute;veis. No mesmo sentido, a maioria dos concelhos encontra-se consideravelmente acima das recomenda&ccedil;&otilde;es nacionais e internacionais para aceder ao cr&eacute;dito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, sendo que apenas os concelhos do Barreiro e da Moita t&ecirc;m valores de taxa de esfor&ccedil;o inferiores a 35%. </p>         <p> Para as fam&iacute;lias com 50% do rendimento familiar l&iacute;quido m&eacute;dio, a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; ainda mais preocupante no acesso ao mercado de arrendamento, estando todos os concelhos acima de 50% de taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia, num quadro bastante dram&aacute;tico para a larga maioria das economias familiares, podendo o custo financeiro com a habita&ccedil;&atilde;o – sempre em termos m&eacute;dios, realce-se de novo – ultrapassar os 100% em Oeiras, Cascais e Lisboa (<a href="#q8">Quadro 8</a>). </p>         <p> Considerando estas an&aacute;lises, torna-se evidente que, para fam&iacute;lias com 50% do rendimento, ou mesmo 75%, o acesso ao mercado de habita&ccedil;&atilde;o se encontra cada vez mais limitado a um n&uacute;mero restrito de territ&oacute;rios menos centrais e, na sua maioria, na margem sul do rio Tejo. Realidade muito s&eacute;ria que, quando sustentada em elementos de base estruturante (como referido nos pontos anteriores), pode indiciar novas tend&ecirc;ncias de fundo nas transforma&ccedil;&otilde;es sociogeogr&aacute;ficas da metr&oacute;pole de Lisboa. </p>         <p> A situa&ccedil;&atilde;o nas freguesias da capital &eacute;, como demostra o <a href="#q9">Quadro 9</a>, mais alarmante. No caso da aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o, os agregados familiares com o equivalente a 125% do rendimento l&iacute;quido m&eacute;dio familiar t&ecirc;m dificuldade de acesso &agrave; habita&ccedil;&atilde;o em 22 das 24 freguesias do concelho, com a excep&ccedil;&atilde;o do Beato e Santa Clara. As fam&iacute;lias com 75% do rendimento m&eacute;dio podem ver a procura impossibilitada nas quatro freguesias que apresentam valores acima de 100% (Avenidas Novas, Bel&eacute;m, Parque das Na&ccedil;&otilde;es e Santo Ant&oacute;nio), mas tamb&eacute;m em quase todas as restantes freguesias da capital, sempre com valores acima de 45%, ou seja, superiores ao limiar de 35% utilizado actualmente pelas entidades banc&aacute;rias. No caso de uma fam&iacute;lia com 50% do rendimento dispon&iacute;vel, nenhuma freguesia tem valores inferiores aos 67% do Beato, podendo (apenas hipoteticamente) chegar aos 183% na freguesia de Santo Ant&oacute;nio.</p>         <p> Ainda no <a href="#q9">Quadro 9</a> &eacute; poss&iacute;vel observar a taxa de esfor&ccedil;o m&eacute;dia no mercado de arredamento na cidade de Lisboa. Neste caso, considerando um agregado familiar com 125% de rendimento l&iacute;quido m&eacute;dio, &eacute; poss&iacute;vel verificar que o valor m&iacute;nimo &eacute; de 37%, no Beato, e m&eacute;dio de 54%, o que se consubstancia num esfor&ccedil;o bastante elevado para o acesso &agrave; habita&ccedil;&atilde;o. Nos casos das fam&iacute;lias com 75% e 50% do rendimento m&eacute;dio, torna-se na pr&aacute;tica imposs&iacute;vel a op&ccedil;&atilde;o pelo mercado de arrendamento, com valores que podem ser superiores a 100% do rendimento m&eacute;dio. Quer isto dizer que na cidade de Lisboa a op&ccedil;&atilde;o pelo mercado de arrendamento &eacute; hoje muito dif&iacute;cil para uma fam&iacute;lia com rendimento acima da m&eacute;dia, e praticamente imposs&iacute;vel para os agregados que auferem entre 75% e 50% do rendimento m&eacute;dio na AML. </p>         <p>&nbsp; </p>         <p><b>Tend&ecirc;ncias mais relevantes</b> </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Da an&aacute;lise desenvolvida neste ponto, poder-se-&atilde;o sistematizar determinadas conclus&otilde;es em termos das tend&ecirc;ncias para as fam&iacute;lias que procuram habita&ccedil;&atilde;o nos mercados de venda ou de arrendamento do sistema metropolitano de Lisboa: </p>         <p> 1. As subidas dos pre&ccedil;os residenciais s&atilde;o consideravelmente desiguais nos diferentes territ&oacute;rios da AML. O que por sua vez provoca diferentes n&iacute;veis de evolu&ccedil;&atilde;o das taxas de esfor&ccedil;o familiares, consoante os territ&oacute;rios. Se por um lado as taxas de esfor&ccedil;o m&eacute;dias para a aquisi&ccedil;&atilde;o de habita&ccedil;&atilde;o na AML se alteraram ligeiramente nestes tr&ecirc;s anos (de 25% para 28%), a evolu&ccedil;&atilde;o mostra ser muito distinta nos munic&iacute;pios mais centrais da AML, notavelmente nos munic&iacute;pios de Lisboa (de uma m&eacute;dia de 38% para uma m&eacute;dia de 58% para a compra), de Cascais (de 38% para 53%, idem) e de Oeiras (de 29% para 44%, <i>ibidem</i>). Esta press&atilde;o nas centralidades urbanas &eacute; particularmente vis&iacute;vel nas freguesias do centro hist&oacute;rico e consolidado de Lisboa. Note-se que este cen&aacute;rio de heterogeneidade identificado nas taxas de esfor&ccedil;o exigidas no acesso ao mercado de habita&ccedil;&atilde;o na AML est&aacute; conforme os indicadores de rendimento disponibilizados pelo INE (rendimentos declarados em IRS), que indicam anualmente as seguintes tend&ecirc;ncias: a) o rendimento da AML &eacute; consideravelmente superior ao resto do pa&iacute;s; b) alguns concelhos, como Lisboa, Oeiras e Cascais t&ecirc;m um rendimento declarado muito superior &agrave; m&eacute;dia nacional; c) v&aacute;rios concelhos da AML, sobretudo os mais afastados de Lisboa, t&ecirc;m rendimentos inferiores &agrave; m&eacute;dia nacional. Quer isto dizer que, em termos de rendimento, mas tamb&eacute;m de justi&ccedil;a espacial e do acesso a bens urbanos como &eacute; o caso da habita&ccedil;&atilde;o – como &eacute; demonstrado neste trabalho – a AML &eacute; uma regi&atilde;o significativamente desigual quando vista internamente nos seus diversos e muito diferenciados territ&oacute;rios. Com, por sua vez, se n&atilde;o posicionadas relevantes medidas sociais e pol&iacute;ticas, preocupantes tend&ecirc;ncias potenciadoras de novos padr&otilde;es de segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial. </p>         <p> 2. H&aacute; diferen&ccedil;as muito significativas entre os mercados de compra e os mercados de arrendamento. Situando-nos no final de 2018, estes diferenciais s&atilde;o vis&iacute;veis em termos das m&eacute;dias das taxas de esfor&ccedil;o, quer para todo o sistema metropolitano – 28% na compra e 46% no arrendamento – quer para as suas principais centralidades – por exemplo 58% na compra e 67% no arrendamento para o munic&iacute;pio de Lisboa, ou 53% para compra e 68% no arrendamento para o munic&iacute;pio de Cascais. Esta maior press&atilde;o no arrendamento n&atilde;o ser&aacute;, no entanto, t&atilde;o claramente ligada &agrave;s zonas mais hist&oacute;ricas e consolidadas, devido sobretudo &agrave; dimens&atilde;o m&eacute;dia das casas por freguesia, consideravelmente menor nestas zonas. </p>         <p> 3. Estando este trabalho a analisar as taxas de esfor&ccedil;o em termos m&eacute;dios, chega-se &agrave; conclus&atilde;o de que o acesso &agrave; habita&ccedil;&atilde;o se encontra condicionado, com tend&ecirc;ncia de agravamento, mas n&atilde;o totalmente impossibilitado. Veja-se a este prop&oacute;sito que a oferta no mercado imobili&aacute;rio num determinado concelho ou freguesia &eacute; heterog&eacute;nea, existindo oportunidades mesmo para as fam&iacute;lias com rendimento mais reduzido. Contudo, levando em considera&ccedil;&atilde;o a enorme procura por habita&ccedil;&atilde;o, por exemplo, no concelho de Lisboa, podemos colocar em quest&atilde;o que tipo de habita&ccedil;&otilde;es s&atilde;o oferecidas para o segmento de rendimento mais reduzido, sendo que nessas condi&ccedil;&otilde;es dificilmente estar&aacute; assegurada &ldquo;uma habita&ccedil;&atilde;o de dimens&atilde;o adequada, em condi&ccedil;&otilde;es de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar&rdquo;, conforme consagra a Constitui&ccedil;&atilde;o Portuguesa (Art. 65.<sup>o</sup>), podendo assim potenciar, como alerta a Lei de Bases da Habita&ccedil;&atilde;o[<a name="top18" id="top18"></a><a href="#18">18</a>], situa&ccedil;&otilde;es de insalubridade, sobrelota&ccedil;&atilde;o ou risco de promiscuidade (Art. 9.<sup>o</sup>). </p>         <p> 4. A an&aacute;lise desenvolvida para as variabilidades dos rendimentos familiares (125%, 75%, 50%) mostra as dificuldades em aceder a habita&ccedil;&atilde;o nos mercados residenciais cl&aacute;ssicos, para os agregados familiares com rendimentos m&eacute;dios (ou mesmo acima da m&eacute;dia). Para os casos de 50% dos rendimentos familiares m&eacute;dios da metr&oacute;pole, as taxas de esfor&ccedil;o para compra s&atilde;o respectivamente de 56% na AML e de 116% no munic&iacute;pio de Lisboa; enquanto que para arrendamento as taxas de esfor&ccedil;o passam a ser de 91% na m&eacute;dia da AML e de 134% em Lisboa. Dito de forma simples, a evolu&ccedil;&atilde;o mais recente dos valores residenciais nos mercados imobili&aacute;rios do sistema metropolitano de Lisboa, e sobremaneira nas zonas mais centrais e costeiras, condiciona fortemente o acesso &agrave; habita&ccedil;&atilde;o para as gera&ccedil;&otilde;es mais novas – se estas dependerem apenas de si pr&oacute;prias, bem como da sua capacidade de endividamento perante a banca. Outrossim ser&aacute; a situa&ccedil;&atilde;o, tendencialmente crescente, da partilha de habita&ccedil;&atilde;o por parte destas gera&ccedil;&otilde;es. Caso as tend&ecirc;ncias de mercado se mantenham, ser&aacute; bastante plaus&iacute;vel voltar a alastrar-se na cidade de Lisboa os fen&oacute;menos de fam&iacute;lias a residir em &ldquo;partes-de-casa&rdquo;, situa&ccedil;&atilde;o comum nas d&eacute;cadas de 1940 e 1950, o que se consubstanciaria num penoso retrocesso civilizacional no contexto da habita&ccedil;&atilde;o nacional. </p>         <p> 5. A concentra&ccedil;&atilde;o do aumento dos pre&ccedil;os e das rendas, e as mais elevadas press&otilde;es financeiras na potencial compra ou arrendamento de habita&ccedil;&atilde;o nas principais centralidades da metr&oacute;pole, a manter-se no m&eacute;dio prazo – e mesmo considerando a alta percentagem de casa pr&oacute;pria em Portugal, o que tem permitido manter n&iacute;veis relativamente confort&aacute;veis de estabilidade residencial – pode estar a provocar uma nova tend&ecirc;ncia de desconcentra&ccedil;&atilde;o populacional e mesmo de segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial, de escala metropolitana. </p>         <p> Uma &uacute;ltima e breve nota para refor&ccedil;ar a perspectiva de que as an&aacute;lises evolutivas aqui apresentadas foram desenvolvidas com base em valores medianos (de mercado e de territ&oacute;rio). E, como tal, s&atilde;o indicadores sint&eacute;ticos os que aqui se apresentam. N&atilde;o obstante, estes representam, de forma consistente, as reais tend&ecirc;ncias de evolu&ccedil;&atilde;o dos indicadores principais de pre&ccedil;os e rendas do mercado imobili&aacute;rio, bem como das taxas de esfor&ccedil;o familiares. As an&aacute;lises no &acirc;mbito deste estudo ir&atilde;o agora ser aprofundadas, nomeadamente em desdobramentos por tipos de fam&iacute;lias e tipos de fogos – e se poss&iacute;vel face a distintas tipologias territoriais – por forma a assim se permitir uma leitura mais fina e imposta quer pela seriedade que as tend&ecirc;ncias mostram assumir, quer pela necessidade de posicionamento de respectivas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.</p>         <p>&nbsp;</p>         <p> <font size="3"><b>4. </b> <b>Reac&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e expectativas</b></font> </p>         <p> <b>Reac&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas</b> </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Resultado de diversos e poderosos factores sociopol&iacute;ticos e econ&oacute;mico-financeiros – quer os de ordem hist&oacute;rica, quer os entretanto posicionados por efeito das importantes transforma&ccedil;&otilde;es decorridas nesta d&eacute;cada – as mais recentes din&acirc;micas dos mercados imobili&aacute;rios e habitacionais da regi&atilde;o de Lisboa, a manterem-se nos seus principais elementos, estar&atilde;o a configurar novas tend&ecirc;ncias de acesso &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, do seu pr&oacute;prio usufruto e, em pot&ecirc;ncia, novas tend&ecirc;ncias de configura&ccedil;&atilde;o metropolitana e mesmo de segrega&ccedil;&atilde;o espacial. A an&aacute;lise aqui desenvolvida sobre o acesso &agrave; habita&ccedil;&atilde;o nos tr&ecirc;s anos mais recentes confirma um cen&aacute;rio de aumento de dificuldades de acesso nas principais centralidades, de forma mais evidente no mercado de arrendamento e para os agregados familiares ou indiv&iacute;duos com rendimentos mais baixos, em in&iacute;cio de vida activa ou com maior precariedade (laboral e/ou familiar). </p>         <p> Face a estas relevantes press&otilde;es, que atingem tamb&eacute;m as restantes classes sociais e territ&oacute;rios de quase todo o sistema urbano; e perante a relativa debilidade ou mesmo secundariza&ccedil;&atilde;o das respostas pol&iacute;ticas, tem-se assistido a um aumento da contesta&ccedil;&atilde;o social e a um paulatino posicionamento de movimentos urbanos pugnando por pol&iacute;ticas de apoio &agrave; habita&ccedil;&atilde;o mais amplas e consistentes (Seixas e Guterres, 2018). </p>         <p> A conjuga&ccedil;&atilde;o das crescentes manifesta&ccedil;&otilde;es de protesto por parte da sociedade civil, com um cada vez maior reconhecimento por parte das esferas pol&iacute;ticas – embora mais relutante e consideravelmente parcial em termos das diferentes &aacute;reas de poder e prioridades pol&iacute;ticas – poder&aacute; estar a provocar uma altera&ccedil;&atilde;o das estruturas percepcionais (em primeiro lugar) e pol&iacute;ticas (seguidamente) perante a relev&acirc;ncia destas quest&otilde;es. Por&eacute;m, as mais recentes reac&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas &agrave; chamada ‘quest&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o', e os consequentes programas, em posicionamento muito recente (tanto em &acirc;mbito local como em &acirc;mbito nacional) revelam ainda diferenciais significativos face &agrave; gravidade da quest&atilde;o e aos crescentes elementos de press&atilde;o social e mesmo de protesto ou conflito. Estes desfasamentos foram recentemente objecto de uma an&aacute;lise de pendor mais conceptual, em Seixas <i>et al</i>. (2019), sistematizada em termos dos conceitos incrementais de ‘aberturas', de ‘aus&ecirc;ncias' e de ‘contradi&ccedil;&otilde;es'. </p>         <p> Por um lado, as perspectivas de abertura t&ecirc;m-se revelado pelo posicionamento de uma pan&oacute;plia de importantes instrumentos legislativos e program&aacute;ticos, sobretudo desde o estabelecimento da Secretaria de Estado da Habita&ccedil;&atilde;o e do crescente reconhecimento municipal das press&otilde;es habitacionais. Envolvendo nomeadamente a &ldquo;Nova Gera&ccedil;&atilde;o de Pol&iacute;ticas de Habita&ccedil;&atilde;o&rdquo;[<a name="top19" id="top19"></a><a href="#19">19</a>], que inclui um conjunto de programas, desde os que transmitem apoio p&uacute;blico &agrave;s fam&iacute;lias em estado de grave precariedade habitacional (e.g. &ldquo;Porta de Entrada&rdquo; e &ldquo;Primeiro Direito&rdquo;), aos apoios fiscais e financeiros ao arrendamento de longa dura&ccedil;&atilde;o, como &eacute; o caso do &ldquo;Programa de Arrendamento Acess&iacute;vel&rdquo;. Por seu lado, foi finalmente aprovada a Lei de Bases de Habita&ccedil;&atilde;o, no in&iacute;cio de Julho de 2019, cujos objetivos centrais passam por defender o princ&iacute;pio constitucional do direito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o (art. 65) atrav&eacute;s de provis&otilde;es como a prote&ccedil;&atilde;o de despejo em caso de primeira habita&ccedil;&atilde;o, uma melhor defini&ccedil;&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o social da habita&ccedil;&atilde;o, e o estabelecimento de estrat&eacute;gias plurianuais nacionais e municipais de habita&ccedil;&atilde;o. Entretanto, no final de 2018 havia sido finalmente transferida para os munic&iacute;pios a capacita&ccedil;&atilde;o de planeamento e de regulamenta&ccedil;&atilde;o sobre o alojamento local, ou tur&iacute;stico. Ao n&iacute;vel municipal, e sobretudo nos territ&oacute;rios com maior press&atilde;o, uma s&eacute;rie de pol&iacute;ticas est&atilde;o finalmente a ser implementadas. O munic&iacute;pio de Lisboa &eacute; paradigm&aacute;tico, sobretudo com o lan&ccedil;amento do ambicioso &ldquo;Programa de Renda Acess&iacute;vel&rdquo; que envolve a realiza&ccedil;&atilde;o de parcerias p&uacute;blico-privadas para a constru&ccedil;&atilde;o de complexos de uso misto, prevendo-se a disponibiliza&ccedil;&atilde;o de 7 mil fogos de habita&ccedil;&atilde;o acess&iacute;vel at&eacute; ao ano de 2021. </p>         <p> Por&eacute;m, este posicionamento consideravelmente activo de uma ampla s&eacute;rie de pol&iacute;ticas de apoio &agrave; habita&ccedil;&atilde;o revela a exist&ecirc;ncia de importantes desfasamentos – sobretudo entre os poderes local e nacional – bem como lacunas de recursos e de d&uacute;bias prioridades de ac&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, sobretudo face ao panorama global das s&eacute;rias press&otilde;es nas taxas de esfor&ccedil;o familiares e aos riscos sociogeogr&aacute;ficos de segrega&ccedil;&atilde;o urbana, como analisados nos pontos anteriores deste texto. Estes desfasamentos – ou, como referido por Seixas <i>et al</i>. (id.), estas aus&ecirc;ncias – podem ser interpretados face uma cultura pol&iacute;tico-administrativa que em Portugal raramente coloca a coes&atilde;o territorial e o desenvolvimento urbano como objeto central das pol&iacute;ticas nacionais (Seixas e Marques, 2015). Por um lado, o pendor das pol&iacute;ticas efectuadas durante os anos de austeridade – e sobretudo as mais ligadas &agrave; activa&ccedil;&atilde;o dos mercados imobili&aacute;rios e &agrave; atrac&ccedil;&atilde;o de investimento financeiro externo – n&atilde;o t&ecirc;m sido significativamente alteradas na sua ess&ecirc;ncia. Por outro lado, mant&ecirc;m-se significativos desfasamentos – quer de princ&iacute;pios, quer de recursos – entre as pol&iacute;ticas nacionais e as pol&iacute;ticas locais. Exemplar para a compreens&atilde;o destes desfasamentos ser&aacute; uma compara&ccedil;&atilde;o simples entre os mecanismos de acesso familiar do &ldquo;Programa de Arrendamento Acess&iacute;vel&rdquo; (PAA) do Governo nacional, e do &ldquo;Programa de Renda Acess&iacute;vel&rdquo; (PRA) da C&acirc;mara Municipal de Lisboa. Para o programa nacional, a refer&ecirc;ncia para apoio situa-se em 20% abaixo dos valores medianos do mercado, enquanto que para o programa municipal a refer&ecirc;ncia para apoio se situa, justamente, nos n&iacute;veis de rendimento das fam&iacute;lias[<a name="top20" id="top20"></a><a href="#20">20</a>]. </p>         <p>&nbsp; </p>         <p><b>Expectativas</b> </p>         <p> A par da maioria das sociedades Europeias, Portugal encontra-se hoje numa evidente din&acirc;mica de transi&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica e ecol&oacute;gica. Vai-se instalando – apesar das resist&ecirc;ncias decorrentes de uma enraizada cultura de <i>path-dependency</i>, quer na sociedade e economia, quer na pr&oacute;pria administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica – uma crescente consci&ecirc;ncia e abertura para novas interpreta&ccedil;&otilde;es, processos e agentes de problem&aacute;tica e de progresso (Freire, 2017). Estando o territ&oacute;rio, e notavelmente as cidades e a vida urbana, a ganhar posicionamento cultural e pol&iacute;tico e a serem crescentemente reconhecidos os impactos que as pol&iacute;ticas econ&oacute;micas provocam nestas. Um paulatino reposicionamento – e uma consequente repolitiza&ccedil;&atilde;o – das arenas urbanas e dos seus desafios em termos muito mais salientes, transversais e, maxime, reivindicativos (Merrifield, 2013; Moulaert <i>et al</i>., 2013; Nel.lo, 2015). </p>         <p> Para os sistemas urbanos do Sul da Europa, que j&aacute; evidenciavam determinadas dificuldades econ&oacute;micas e pol&iacute;ticas antes da crise de 2008, e que hoje apresentam novos desequil&iacute;brios decorrentes das novas pol&iacute;ticas de transi&ccedil;&atilde;o (Seixas e Albet, 2012), estas transforma&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m-se sucedido em simult&acirc;neo com um deliberado redireccionamento dos capitais privados e p&uacute;blicos e das pol&iacute;ticas redistributivas. O que tem resultado em paisagens socioecon&oacute;micas urbanas crescentemente amb&iacute;guas, nas quais, a par de interessantes din&acirc;micas de transi&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica e ecol&oacute;gica, se sucedem novas estruturas de precariedade e maiores incertezas na sustenta&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida – sobretudo nas gera&ccedil;&otilde;es mais jovens – e como tal evidentes riscos de aumento das desigualdades socioespaciais e dos direitos urbanos. </p>         <p> O sector da habita&ccedil;&atilde;o, dado o seu car&aacute;cter central tanto em termos socio-urbanos como econ&oacute;mico-financeiros, &eacute; um sector extremamente sens&iacute;vel ou mesmo decisivo perante as transforma&ccedil;&otilde;es em curso e as reconfigura&ccedil;&otilde;es dos tecidos urbanos. &Eacute; igualmente sens&iacute;vel perante os evidentes desequil&iacute;brios na capacidade pol&iacute;tica da sua governa&ccedil;&atilde;o (Seixas 2013, Mendes 2017, Antunes 2018). Sendo assim um sector paradigm&aacute;tico das crescentes disputas – com incertas evolu&ccedil;&otilde;es, por tamb&eacute;m dependentes de decisivos factores por sua vez em evolu&ccedil;&atilde;o – entre novos modelos pseudoliberais de desenvolvimento econ&oacute;mico e urbano, e a crescente reac&ccedil;&atilde;o social face ao aumento dos riscos de injusti&ccedil;a espacial e o consequente posicionamento de novos movimentos sociais urbanos. Movimentos estes onde as gera&ccedil;&otilde;es mais novas s&atilde;o as mais preponderantes, com din&acirc;micas e influ&ecirc;ncias crescentes, e configurando propostas cada vez mais consistentes de altera&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;ticas e de atitudes institucionais. Atuando essencialmente em &acirc;mbitos e reivindica&ccedil;&otilde;es de base local, estes movimentos s&atilde;o, por sua vez, sustentados em redes interterritoriais e por princ&iacute;pios cada vez mais transversais de defesa do patrim&oacute;nio urbano coletivo e dos bens comuns (Nel.lo, id.; Blanco e Gom&aacute;, 2016; Foster e Laione, 2016). </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Num panorama j&aacute; em certa tend&ecirc;ncia p&oacute;s-austerit&aacute;ria da pol&iacute;tica portuguesa, as novas tend&ecirc;ncias e press&otilde;es socioecon&oacute;micas e ecol&oacute;gicas da metr&oacute;pole de Lisboa – e tal como parece suceder com a maioria das metr&oacute;poles europeias – poder&atilde;o traduzir-se num importante movimento de crescente centralidade cultural e pol&iacute;tica para as quest&otilde;es urbanas e habitacionais. Perante as evidentes press&otilde;es nos mercados residenciais, sobretudo nos territ&oacute;rios mais centrais e para as classes mais fragilizadas e prec&aacute;rias; as mais recentes abordagens pol&iacute;ticas s&atilde;o ainda consideravelmente pouco eficazes – se bem que not&aacute;veis face a um passado que secundarizava as pol&iacute;ticas urbanas e um presente que sobrevaloriza os resultados financeiros. Os mais recentes cen&aacute;rios pol&iacute;ticos mostram que ainda n&atilde;o est&aacute; plenamente situada uma ampla vis&atilde;o inter-escalar que conecte vis&otilde;es de &acirc;mbito local, nacional e mesmo Europeu, para enfrentar as s&eacute;rias tend&ecirc;ncias de segrega&ccedil;&atilde;o habitacional no principal sistema urbano portugu&ecirc;s. </p>         <p> Seguindo a perspectiva conceptual de Seixas <i>et al</i>. (id.), entre as propostas pol&iacute;ticas de abertura – ainda em configura&ccedil;&atilde;o muito recente e de forma consideravelmente desequilibrada face &agrave; amplitude das dimens&otilde;es em quest&atilde;o – e as mais evidentes dimens&otilde;es de aus&ecirc;ncia, de ordem mais estruturante – est&aacute; a formar-se muito rapidamente um panorama de vis&iacute;veis contradi&ccedil;&otilde;es. Sendo este panorama particularmente evidente perante as necessidades de coes&atilde;o e de justi&ccedil;a espacial – ou inversamente, perante os riscos de segrega&ccedil;&atilde;o – nos territ&oacute;rios urbanos e para as novas gera&ccedil;&otilde;es que convivem com uma dupla precariedade. Para mais, em contextos posteriores &agrave; grave crise econ&oacute;mico-financeira e que impactou sobremaneira na Europa do Sul. </p>         <p> O acentuar destas contradi&ccedil;&otilde;es ir&aacute; muito provavelmente continuar a aumentar as tens&otilde;es sobre as correspondentes estruturas pol&iacute;ticas e institucionais, mas tamb&eacute;m sobre os pr&oacute;prios movimentos c&iacute;vicos que emanam dos tecidos sociais e urbanos. A n&iacute;vel local ou mesmo metropolitano, ser&aacute; na gest&atilde;o destas tens&otilde;es que residir&aacute; parte relevante dos elementos pol&iacute;ticos chave para o futuro pr&oacute;ximo da governa&ccedil;&atilde;o de Lisboa e das suas problem&aacute;ticas maiores. N&atilde;o obstante, perante a condi&ccedil;&atilde;o de largo espectro destas press&otilde;es e desafios, de <i>stakeholders</i> de influ&ecirc;ncia crescentemente global, e ainda de uma cultura enraizada de formata&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas econ&oacute;micas consideravelmente desfocadas destas dimens&otilde;es; ser&aacute; igualmente decisiva a conjuga&ccedil;&atilde;o de posicionamentos a escalas mais amplas, desde logo a n&iacute;vel nacional, mas seguramente a n&iacute;vel Europeu. Sendo que a estas escalas tamb&eacute;m se perspectiva uma crescente tens&atilde;o e intersec&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, bem como uma crescente influ&ecirc;ncia por parte dos movimentos sociais e urbanos, cada vez mais interligados em redes internacionais. </p>         <p>&nbsp; </p>         <p><font size="3"><b>Agradecimento</b></font> </p>         <p> Os autores gostariam de agradecer aos professores Paulo Trigo Pereira (ISEG-UL) e Jo&atilde;o Ferr&atilde;o (ICS-UL), a atenta leitura do manuscrito pr&eacute;vio &agrave; edi&ccedil;&atilde;o e os seus valiosos coment&aacute;rios para a melhor consolida&ccedil;&atilde;o da metodologia e an&aacute;lise desenvolvida. </p>         <p>&nbsp; </p>         <p><font size="3"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></font> </p>         <!-- ref --><p> Acciaiuoli, M. (2015) <i>Casas com escritos – uma hist&oacute;ria da habita&ccedil;&atilde;o em Lisboa</i>, Lisboa: Biz&acirc;ncio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696661&pid=S2182-3030201900020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Allen J., Barlow J., Leal J., Maloutas T., Padovani L. (2004) <i>Housing and Welfare in Southern Europe</i>, Oxford: Blackwell.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696663&pid=S2182-3030201900020000700002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Antunes, G. (2018) <i>Pol&iacute;ticas de habita&ccedil;&atilde;o - 200 anos</i>, Lisboa: C&acirc;mara Municipal de Lisboa e editora Caleidosc&oacute;pio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696665&pid=S2182-3030201900020000700003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <p> Antunes, G. (2019a) &ldquo;O arrendamento em Portugal desde meados do s&eacute;culo XIX: pequena s&iacute;ntese&rdquo;, <i>Confidencial Imobili&aacute;rio</i>, Abril 2019, 342, pp. 27-30. </p>         <p> Antunes, G. (2019b) &ldquo;Pol&iacute;tica de habita&ccedil;&atilde;o social em Portugal: de 1974 &agrave; actualidade&rdquo;, <i>F&oacute;rum Sociol&oacute;gico</i>, 34, pp. 7-17. </p>         <!-- ref --><p> Banco de Portugal (2018) Relat&oacute;rio de Estabilidade Financeira Junho 2018, <a         href="http://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/pdf-boletim/ref_06_2018_pt.pdf" target="_blank"     > http://www.bportugal.pt/sites/default/files/anexos/pdf-boletim/ref_06_2018_pt.pdf</a>, consultado a 15 de Junho de 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696669&pid=S2182-3030201900020000700006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Bargelli, E., Heitkamp, T. (2017) <i>New developments in Southern European housing</i>, Pisa: Pisa University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696671&pid=S2182-3030201900020000700007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Bargelli, E., Heitkamp, T., Sim&oacute;n-Moreno, H., Varela, C.V. (2017) <i> Housing policy and tenure types in the 21<sup>st</sup> century a Southern European perspective </i> , Pisa: Pisa University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696673&pid=S2182-3030201900020000700008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Blanco, I., Gom&aacute;, R. (2016) <i>El Municipalisme del B&eacute; Com&uacute;</i>, Barcelona: Icaria Editorial.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696675&pid=S2182-3030201900020000700009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Bramley, G. Munro, M., Pawson, H. (2004) <i> Key issues in housing: policies and markets in 21<sup>st</sup> century Britain </i> . Nova Iorque: Palgrave.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696677&pid=S2182-3030201900020000700010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <p> Carvalho, L., Chamusca, P., Rio Fernandes, J., Pinto, J. (2019) &ldquo;Gentrification in Porto: floating city users and internationally-driven urban change&rdquo;, <i>Urban Geography</i>, Volume 40, Issue 4, pp. 565-572. </p>         <!-- ref --><p> Comiss&atilde;o Europeia (2010) Why socio-economic inequalities increase? Facts and policy responses in Europe, Luxembourg: Publication Office of the European Union.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696680&pid=S2182-3030201900020000700012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Ferreira, A.F. (1987) <i>Por uma nova pol&iacute;tica de habita&ccedil;&atilde;o</i>, Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696682&pid=S2182-3030201900020000700013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Forrest, R., Murie, A. (2011) <i>Selling the Welfare State – the privatisation of public housing</i>, Nova Iorque: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696684&pid=S2182-3030201900020000700014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <p> Foster, S. R., Iaione, C. (2016) &ldquo;The city as a commons&rdquo;, <i>Yale Law and Policy Review</i>, Vol. 34, n.&ordm; 281, pp. 281-349. </p>         <!-- ref --><p> Freire, A. (2017) <i>Para l&aacute; da &laquo;Geringon&ccedil;a&raquo;</i>, Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Contraponto.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696687&pid=S2182-3030201900020000700016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Harvey D. (2006[1982]) <i>The limits to capital</i>, Londres: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696689&pid=S2182-3030201900020000700017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Hays, A. (2012) <i>The Federal Government and urban housing</i>, Nova Iorque: State University of New York.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696691&pid=S2182-3030201900020000700018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<p> Heylen, K., Haffner, M. (2013) &ldquo;A Ratio or Budget Benchmark for Comparing Affordability across Countries?&rdquo;, <i>Journal of Housing and the Built Environment</i>, 28(3), pp. 547-565. </p>         <p> Hulchanski, J. D. (1995) &ldquo;The Concept of Housing Affordability: Six Contemporary Uses of the Housing Expenditure-To-Income Ratio&rdquo;, <i>Housing Studies</i>, 10(4), pp. 471-491. </p>         <!-- ref --><p> IHRU (2015) 1987-2011. 25 Anos de Esfor&ccedil;o do Or&ccedil;amento do Estado com a Habita&ccedil;&atilde;o, Lisboa: Instituto da Habita&ccedil;&atilde;o e Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696695&pid=S2182-3030201900020000700021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> IHRU (2018) Levantamento Nacional das Necessidades de Realojamento Habitacional, Lisboa: Instituto da Habita&ccedil;&atilde;o e Reabilita&ccedil;&atilde;o Urbana.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696697&pid=S2182-3030201900020000700022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> INE (2019) &Iacute;ndice de Pre&ccedil;os da Habita&ccedil;&atilde;o 1&ordm; trimestre de 2019 (nota informativa). Lisboa: Instituto Nacional de Estat&iacute;stica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696699&pid=S2182-3030201900020000700023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Laureano, R., Soares, H. (eds.) (2008) <i>Perspectivas do cr&eacute;dito &agrave; habita&ccedil;&atilde;o</i>, Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es S&iacute;labo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696701&pid=S2182-3030201900020000700024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Leit&atilde;o, L.M., 2014. <i>Arrendamento urbano</i>. Coimbra: Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696703&pid=S2182-3030201900020000700025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <p> Lesteg&aacute;s, I., Seixas, J., Lois-Gonz&aacute;lez, R.C (2019) &ldquo;Commodifying Lisbon: A Study on the Spatial Concentration of Short-Term Rentals&rdquo;, <i>Social Sciences</i>, 8, 33. </p>         <!-- ref --><p> Lowe, S. (2011) <i>The housing debate</i>, Bristol: University of Bristol.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696706&pid=S2182-3030201900020000700027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Lund, B. (2016) <i>Housing politics in the United Kingdom – power, planning and protest</i> , Bristol: Policy Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696708&pid=S2182-3030201900020000700028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Madden, D., Marcuse, P. (2016) <i>In Defense of housing</i>, Londres: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696710&pid=S2182-3030201900020000700029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Malpass, P., Murie, A. (1999) <i>Housing policy and practice</i>, Nova Iorque: Palgrave Macmillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696712&pid=S2182-3030201900020000700030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <p> Marcuse, P. (2010) &ldquo;From critical urban theory to the right to the city&rdquo;, <i>City</i>, 13:2-3, 185-197. </p>         <!-- ref --><p> Mateus. A. (coord.) (2015) <i>Tr&ecirc;s d&eacute;cadas de Portugal Europeu – balan&ccedil;o e perspectivas</i>, Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Francisco Manuel dos Santos.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696715&pid=S2182-3030201900020000700032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> McCrone, G., Stephens, M. (2017) <i>Housing policy in Britain and Europe</i>, Londres: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696717&pid=S2182-3030201900020000700033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <p> Mendes, L. (2017) &ldquo;Gentrifica&ccedil;&atilde;o, financeiriza&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o capitalista do espa&ccedil;o urbano&rdquo;, <i>Cadernos Poder Local</i>, n. 8. pp.56-86. </p>         <p> Merrifield, A. (2013) &ldquo;The urban question under planetary urbanization, <i>International Journal of Urban and Regional Research</i>, Vol. 37(3), pp. 909-922. </p>         <!-- ref --><p> Moulaert, F., Maccallum, D., Mehmood, A., Hamdouch, A. (eds.) (2013) <i>The International Handbook of Social Innovation</i>. Cheltenham: Edward Elgar.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696721&pid=S2182-3030201900020000700036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Mullins, D., Murie, A. (2006) <i>Housing policy in the UK</i>, Hampshire: Palgrave Macmillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696723&pid=S2182-3030201900020000700037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <p> Musterd, Sako <i>et al</i>. (2017) &ldquo;Socioeconomic segregation in European capital cities. Increasing separation between poor and rich&rdquo;, <i>Urban Geography</i>, Vol. 38, N.&ordm;7, pp. 1062-1083. </p>         <!-- ref --><p> Nel.Lo, O (2015) <i>La ciudad en movimiento</i>, Diaz &amp; Ponz, Madrid.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696726&pid=S2182-3030201900020000700039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <p> Nunes, J. P. (2005) &ldquo;Uma cidade de propriet&aacute;rios? Mudan&ccedil;as na distribui&ccedil;&atilde;o dos estatutos de ocupa&ccedil;&atilde;o do alojamento na &aacute;rea metropolitana de Lisboa entre 1950 e 2001&rdquo;, <i>Forum Sociol&oacute;gico</i>, 13/14, pp. 113-135. </p>         <p> OCDE (2019) National Accounts of OECD Countries, Volume 2019, Issue 1, OECD Publishing: Paris. </p>         <!-- ref --><p> Pawson, H., Mullins, D. (2010) <i>After council housing</i>, Hampshire: Palgrave Macmillan.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696730&pid=S2182-3030201900020000700042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Piketty, T. (2013) <i>Capital in the 21<sup>st</sup> Century</i>, Harvard: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696732&pid=S2182-3030201900020000700043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Rio Fernandes, J., Carvalho, L., Chamusca, P., Mendes, T. (2018) <i>O Porto e a Airbnb</i>, Porto: Book Cover.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696734&pid=S2182-3030201900020000700044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Rio Fernandes, J., Carvalho, L., Chamusca, P., Mendes, T., Gago, A. (2019) <i>Lisboa e a Airbnb</i>, Porto: Book Cover.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696736&pid=S2182-3030201900020000700045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Rocha, A.S. (2014) <i>O essencial sobre o arrendamento urbano</i>, Porto: Vida Econ&oacute;mica.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696738&pid=S2182-3030201900020000700046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Santos, A. C. (coord,) (2019) <i>A nova quest&atilde;o da habita&ccedil;&atilde;o em Portugal</i>, Coimbra: Actual.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696740&pid=S2182-3030201900020000700047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <p> Santos, A. C. (2018) &ldquo;Financeiriza&ccedil;&atilde;o do Estado, pol&iacute;tica de habita&ccedil;&atilde;o e subs&iacute;dios &agrave; especula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, <i>Le Monde Diplomatique</i> - edi&ccedil;&atilde;o portuguesa, Agosto 2018, 142, 4-5. </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Seixas J. (2013) <i>A Cidade na encruzilhada. Repensar a cidade e a sua pol&iacute;tica</i>, Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696743&pid=S2182-3030201900020000700049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <!-- ref --><p> Seixas, J., Albet, A. (2012) <i>Urban Governance in Southern Europe</i>. Londres: Ashgate.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696745&pid=S2182-3030201900020000700050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         <p> Seixas, J., Tulumello, S., Alegretti, G. (2019) &ldquo;Lisboa em transi&ccedil;&atilde;o profunda e desequilibrada. Habita&ccedil;&atilde;o, imobili&aacute;rio e pol&iacute;tica urbana no sul da Europa e na era digital&rdquo;, <i>Cadernos Metr&oacute;pole</i> 43 (no prelo). </p>         <p> Seixas, J., Guterres, A.B. (2018) &ldquo;Political evolution in the Lisbon of the digital era. Fast urban changes, slow institutional restructuring and growing civic pressures&rdquo;, <i>Urban Research and Practice</i>, volume 11, issue 3. </p>         <p> Seixas, J., Marques, T.S. (2015) &ldquo;O Territ&oacute;rio e as Cidades em Portugal. Filhos de um Deus menor?&rdquo;, in <i>Afirmar o Futuro: Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas para Portugal</i>, Lisboa: Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian e Instituto de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas Thomas Jefferson. </p>         <p> Seixas, J., Tulumello, S., Corvelo, S., Drago, A. (2015) &ldquo;Din&acirc;micas sociogeogr&aacute;ficas e pol&iacute;ticas na &Aacute;rea Metropolitana de Lisboa em tempos de crise e de austeridade&rdquo;, <i>Cadernos Metr&oacute;pole</i>, 34, pp. 371-399. </p>         <!-- ref --><p> Smith. N., Williams, P. (eds.) (1986) <i>Gentrification in the city</i>, London: Allen &amp; Unwin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696751&pid=S2182-3030201900020000700055&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>         ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p> Soja, E. (2010) <i>Seeking Spatial Justice</i>, Minneapolis: University of Minnesota Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1696753&pid=S2182-3030201900020000700056&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>         <p>&nbsp;</p> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> Received: 04-10-2019; Accepted: 09-12-2019. </font></p>     <p>&nbsp;</p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif">     <p>NOTAS</p> </font>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> <a name="3" id="3"></a>[<a href="#top3">3</a>] Lei n.&deg; 2 030, de 22 de Junho de 1948.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="4" id="4"></a>[<a href="#top4">4</a>] Decreto-Lei n.&ordm; 445/74, de 12 de Setembro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="5" id="5"></a>[<a href="#top5">5</a>] Lei n.&ordm; 46/85, de 20 de Setembro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="6" id="6"></a>[<a href="#top6">6</a>] Decreto-Lei n.&ordm; 321-B/90, de 15 de Outubro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="7" id="7"></a>[<a href="#top7">7</a>] Lei n.<sup>o</sup> 6/2006, de 27 de Fevereiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="8" id="8"></a>[<a href="#top8">8</a>] Lei n.<sup>o</sup> 31/2012, de 14 de Agosto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="9" id="9"></a>[<a href="#top9">9</a>] O RERU foi revogado recentemente pelo Decreto-Lei n.<sup>o</sup> 95/2019, de 18 de Julho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="10" id="10"></a>[<a href="#top10">10</a>] Quadro de aplica&ccedil;&atilde;o dos fundos da Uni&atilde;o Europeia para o desenvolvimento do pa&iacute;s.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="11" id="11"></a>[<a href="#top11">11</a>] Decreto-Lei n.&ordm; 249/2009, de 23 de Setembro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="12" id="12"></a>[<a href="#top12">12</a>] Conforme dados do Registo Nacional de Alojamento Local, plataforma do Turismo de Portugal.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="13" id="13"></a>[<a href="#top13">13</a>] O INE organiza informa&ccedil;&atilde;o sobre o valor mediano de venda, por trimestre, desde o in&iacute;cio de 2016, e sobre o valor mediado de renda, semestral, desde 2017.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="14" id="14"></a>[<a href="#top14">14</a>] Este mesmo indicador &eacute; utilizado, por exemplo, no Programa de Arrendamento Acess&iacute;vel. Na AML, o indicador tem o valor de 17 690 &euro; para 2016 e 17 940 &euro; para 2017 (dados do INE), tendo sido actualizado para 2018 (18 380 &euro;), conforme a evolu&ccedil;&atilde;o relativa do rendimento portugu&ecirc;s indicada pela OCDE (OCDE, 2019).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="15" id="15"></a>[<a href="#top15">15</a>] Indicador com informa&ccedil;&atilde;o semestral desde o final de 2017.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="16" id="16"></a>[<a href="#top16">16</a>] Conforme <a                 href="https://www.bportugal.pt/comunicado/banco-de-portugal-aplica-medida-macroprudencial-aos-novos-creditos-habitacao-e-ao-consumo" target="_blank"             > https://www.bportugal.pt/comunicado/banco-de-portugal-aplica-medida-macroprudencial-aos-novos-creditos-habitacao-e-ao-consumo</a>, acesso em 15 de Mar&ccedil;o de 2019.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="17" id="17"></a>[<a href="#top17">17</a>] A literatura internacional tende a apontar geralmente para 30% como esfor&ccedil;o m&aacute;ximo do rendimento com a habita&ccedil;&atilde;o (Hulchanski, 1995; Heylen e Haffner, 2013). Contudo, existem entidades que colocam a fasquia noutros valores, como &eacute; o caso do Eurostat, que coloca como limite m&aacute;ximo 40%, o que tem influ&ecirc;ncia directa nos dados estat&iacute;sticos produzidos em diversos pa&iacute;ses europeus.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="18" id="18"></a>[<a href="#top18">18</a>] Lei n.<sup>o</sup> 83/2019, de 3 de Setembro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="19" id="19"></a>[<a href="#top19">19</a>] Estando j&aacute; em processo os seguintes e mais significativos programas: ‘1&ordm; Direto – Programa de Apoio ao Acesso &agrave; Habita&ccedil;&atilde;o', o ‘Porta de Entrada – Programa de Apoio ao Alojamento Urgente', o ‘Chave na M&atilde;o – Programa de Mobilidade Habitacional para a Coes&atilde;o Territorial', o ‘Da Habita&ccedil;&atilde;o ao Habitat', e finalmente o ‘Programa de Arrendamento Acess&iacute;vel', bem como determinadas altera&ccedil;&otilde;es legislativas em mat&eacute;ria de arrendamento urbano, sobretudo para a protec&ccedil;&atilde;o dos agregados mais fr&aacute;geis e carenciados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"><a name="20" id="20"></a>[<a href="#top20">20</a>] Nos primeiros dois meses de aplica&ccedil;&atilde;o do PAA nacional, o n&uacute;mero de contratos estabelecido foi de vinte, n&uacute;mero muito baixo que demonstra bem as debilidades desta pol&iacute;tica p&uacute;blica, e tanto mais face &agrave;s necessidades. Por seu lado, o PRA do munic&iacute;pio de Lisboa mant&eacute;m-se h&aacute; quase um ano sem poder avan&ccedil;ar no terreno, devido a d&uacute;vidas colocadas pelo Tribunal de Contas em termos da aplicabilidade de contratualiza&ccedil;&atilde;o com terceiros e privados.</font></p> <font size="2" face="Verdana, Geneva, sans-serif"> </font>     ]]></body>
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