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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>RESENHA</b></font></p>     <p align="right"></p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="4"><b>Recensão do livro &quot;No Centro, à Margem. Sociologia das intervenções urbanísticas e habitacionais do Estado no centro histórico do Porto&quot;</b></font></b> </p>     <p>  <b><font face="Verdana" size="3"><b>Review of &quot;No Centro, à Margem. Sociologia das intervenções urbanísticas e habitacionais do Estado no centro histórico do Porto&quot;</b></font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <b><font face="Verdana" size="2">Sónia Alves<a name="top1" id="top1"></a><a href="#1">I</a></font></b> </p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1" id="1"></a>[<a href="#top1">I</a>]</font></font><font size="2" face="Verdana">Instituto de Ciências Sociais &#8211; Universidade de Lisboa, Portugal. e-mail: <a href="mailto:sonia.alves@ics.ulisboa.pt" target="_blank">sonia.alves@ics.ulisboa.pt</a></font>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Centro, à Margem. Sociologia das intervenções urbanísticas e habitacionais do Estado no centro histórico do Porto</font></b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">João Queirós</font></b></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Porto: Edições Afrontamento, 2015</font><br/>     <br/> </p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p> 	    <p>       <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este livro é a primeira parte da tese de doutoramento do sociólogo João     Queirós, orientada por Virgílio Borges Pereira, com quem o autor tem     desenvolvido investigação sobre a temática da habitação e da questão social     na cidade do Porto (Pereira e Queirós, 2012; Pereira e Queirós, 2014; Pereira, 2016).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Como é anunciado no prefácio, o livro oferece uma leitura histórica e de     interpretação sociológica das condições que estiveram na génese de     diferentes fases de política habitacional e urbanística na cidade do Porto.     Segundo o próprio autor, o objetivo do livro é o de &#8220;         <i>         elaborar um retrato sócio histórico e uma apreciação sociológica da         génese e estruturação das políticas estatais direcionadas para o centro         histórico do Porto, designadamente nas suas vertentes urbanística e         habitacional, com vista à inteleção do modo como estas contribuíram         para a (re)produção do tecido urbano e social desta área da cidade        </i>     &#8221; (Queirós, 2016, p. 15, itálicos no original). Um importante contributo do     livro é, precisamente, o de discutir, de forma crítica, as causas e os     efeitos de políticas públicas em processos de recomposição do tecido social     portuense. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     O livro divide-se em 5 capítulos, que percorrem diferentes períodos da     história recente da política habitacional e urbanística do Porto,     oferecendo uma descrição apurada das condições habitacionais das famílias     residentes no centro histórico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Na introdução, o autor refere um conjunto de razões que justificam a     relevância de um estudo deste tipo, focado na cidade do Porto. Saliento as     que se relacionam diretamente com as características do stock habitacional     da cidade: uma elevada proporção de habitação social comparativamente à     média nacional (respetivamente 14% e 3% do total da habitação), mas também     uma elevada proporção de alojamentos vagos (cerca de 20%, dos quais 7%     estão em edifícios muito degradados) e ainda de habitação precária, tais     como ilhas (onde, se estima, vivem ainda 5% da população portuense). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     No primeiro capítulo, que foca as décadas de 50 e 60, o autor explica a     proliferação das formas de habitação precária à luz da inação do estado e     de movimentos de êxodo rural que aumentam a procura de habitação por parte     de uma população de fracos recursos. As ilhas, casas minúsculas construídas     no interior de estreitos quarteirões com pouca luz, e os quartos     sobrelotados, sem instalações de casa de banho, que resultam da subdivisão     de edifícios antigos e degradados do centro histórico, são a resposta de um     setor privado altamente especulativo que explora as necessidades     habitacionais de uma classe trabalhadora de baixos rendimentos. É também o     resultado da falta de ação do estado (ao nível da regulação, fiscalização e     provisão de habitação) que não promove a defesa dos direitos destes     cidadãos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Para além de oferecer uma descrição apurada das condições de enorme miséria     habitacional que se vivem na urbe portuense em meados do século XX, o     primeiro capítulo interpreta os propósitos e os efeitos das respostas de     política habitacional e urbanística desenvolvida pela Câmara Municipal do     Porto nesse período. Nomeadamente, o Plano de Salubrização das Ilhas e o     Plano de Melhoramentos que corresponde, segundo Queirós, &#8220;à mais ampla     iniciativa habitacional do estado alguma vez realizada no Porto&#8221; (Idem:     23). Lançado em 1956, o Plano de Melhoramentos permitiu a construção, em 10     anos, de seis mil fogos de alojamento público. Uma habitação para acomodar     população desalojada na sequência da erradicação de ilhas (estima-se que 13     mil ilhas foram demolidas) e de outro tipo de habitação destruída para a     concretização de obras de infraestruturação ou de desenvolvimento urbano     (ex. criação de ruas, equipamentos, etc.). Uma transferência estimada em     cerca de 45 mil pessoas de áreas centrais para os novos bairros de     habitação social construídos na periferia. A concretização de um objetivo     do Plano Diretor da Cidade do Porto de 1962, de descompressão demográfica     do centro histórico e de renovação urbana de alguns quarteirões, com vista     à reabilitação do património edificado para a afirmação da cidade como um     centro de negócios e de turismo. A criação de miradouros, a demolição de     quarteirões para ampliar a visibilidade e a acessibilidade a monumentos     classificados, a reorganização e requalificação do comércio local, a     criação de percursos turísticos, são exemplos de ações com vista à     concretização desses objetivos. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Uma parte da investigação de João Queirós é dedicada à análise do Estudo de     Renovação Urbana do Barredo do arquiteto Fernando Távora apresentado em     1969 à Câmara Municipal do Porto. O interesse do autor por este estudo é     justificado a dois níveis. Por um lado, porque o arquiteto desenvolve uma     abordagem de &#8216;conservação integrada&#8217; que combina a ideia de reabilitar     preservando quase integralmente o conjunto edificado e, tanto quanto     possível, o tecido social existente (ver pp. 46-55). Por outro lado, porque     o estudo oferece um levantamento exaustivo das condições de habitação e de     ocupação de dois quarteirões do Barredo (na Ribeira) que João Queirós     utiliza (no segundo capítulo), para complementar outra informação     estatística e documental e, assim, traçar o retrato socioeconómico,     sociográfico e sociológico do centro histórico do Porto nas vésperas do 25     de abril. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     No terceiro capítulo, a partir de relatos de moradores, ex-moradores e     técnicos, somos transportados para o contexto revolucionário de 1974 e     convidados a perceber as causas dos movimentos sociais, de participação     política, dos residentes organizados em comissões e associações de rua ou     de bairro. João Queirós ajuda-nos a entender os movimentos de ocupação de     fogos municipais desabitados e as formas de participação pública em     colaboração com as brigadas técnicas locais (arquitetos, assistentes     sociais, etc.) como parte de um movimento global de luta pelo direito à     &#8216;habitação&#8217; e à &#8216;cidade&#8217;. A criação do CRUARB (Comissão para a Renovação     Urbana da Área da Ribeira-Barredo) para a condução do processo de renovação     urbana da zona ribeirinha, de acordo com os princípios e a metodologia de     intervenção proposta por Fernando Távora, e as vicissitudes de natureza     ideológica e política que condicionaram a sua ação entre 1977 e 2004 são     analisadas nos capítulos seguintes. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     No quarto capítulo são discutidas as políticas do estado de incentivo à     compra da casa, em detrimento de apoio à requalificação e ao arrendamento     urbano, bem como a influência da agenda e do financiamento europeu para as     estratégias desenvolvidas no centro histórico do Porto durante os anos 90.     Nomeadamente, a criação da &#8220;Fundação para o Desenvolvimento da Zona     Histórica do Porto&#8221;, com cofinanciamento do Programa Europeu de Luta contra     a Pobreza, e o &#8220;Projeto-Piloto Urbano do Bairro da Sé&#8221; a que o CRUARB se     candidatou e administrou durante um período em que escasseava o     financiamento para a reabilitação urbana em Portugal (ver Alves, 2016).     Porque o financiamento europeu não autorizava a requalificação do edificado     para fins habitacionais (considerada uma competência dos Estados-Membros),     os investimentos públicos no âmbito da intervenção no bairro da Sé     dirigem-se sobretudo à requalificação de espaços e equipamentos públicos, e     à revitalização do sector comercial e do turismo, mantendo-se a estratégia     de transferência de população mal alojada para os bairros sociais de     localização periférica. No centro histórico reforçam-se as tendências de     desertificação populacional e de terciarização, sobretudo no cluster da     animação, lazer e cultura. Com a falta de regulação de horários de animação     noturna e estratégias de revitalização comercial e urbana conduzidas por     interesses económicos, as necessidades de bem-estar da população residente     vão sendo cada vez mais secundarizadas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     No quinto capítulo, através da análise de discursos (de políticos, de     técnicos, &#8230;) e documental (ex. legislação, documentos estratégicos, etc.),     o autor defende que desde 2004 a gentrificação se afirma como estratégia de     transformação urbana do centro histórico do Porto, constituindo a Sociedade     de Reabilitação Urbana (SRU) Porto Vivo, SA. o mecanismo institucional que     a operacionaliza. O novo urbanismo neoliberal que o modelo das SRUs     consubstancia, e que sujeita os interesses dos moradores a interesses     económicos de privados (investidores do setor da construção, da promoção     imobiliária e do turismo), é responsável pela diminuição da oferta de     habitação no centro histórico e sobretudo de uma habitação acessível à     maior parte da população que habitava a área. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     O livro de João Queirós é um manifesto contra as políticas de     requalificação urbana que, mostrando pouca humanidade, favorecem, através     de processos de requalificação do ambiente construído, a progressiva     destruição do tecido social original dos territórios intervencionados. É um     manifesto contra as políticas públicas que para além de alimentarem ciclos     de especulação e endividamento relacionado com o negócio do imobiliário,     produzem sentimentos de desconfiança e de insatisfação face à ação pública.     Por ser um livro que desenvolve uma análise crítica, bem fundamentada, às     políticas e às práticas de habitação e urbanismo, esta é uma obra de     leitura obrigatória que não pode ser ignorada. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REFERÊNCIAS </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Alves, S. (2016) &#8220;Poles Apart? A Comparative Study of Housing Policies and     Outcomes in Portugal and Denmark&#8221;, <i>Housing, Theory and Society</i>, DOI:     10.1080/14036096.2016.1236036 </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1688444&pid=S2182-3030201700010001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Pereira, V.B. (Org.) (2016)         <i>         A Habitação Social na Transformação da Cidade. Sobre a Génese e Efeitos         do «Plano de Melhoramentos para a Cidade do Porto» de 1956        </i>     , Porto: Edições Afrontamento (Coleção O Estado, a Habitação e a Questão     Social na Cidade do Porto, vol. 2).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1688445&pid=S2182-3030201700010001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Pereira, V.B., Queirós, J. (2014) &#8220;'It&#8217;s not a <i>bairro</i>, is it?': subsistence sociability and focused avoidance in a public housing estate&#8221;,    <i>Environment and Planning A</i>, 46: 1297-1316.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1688447&pid=S2182-3030201700010001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     Pereira, V.B., Queirós, J. (2012)         <i>         Na Modesta Cidadezinha: génese e estruturação de um bairro de casas         económicas do Porto [Amial, 1938-2010]        </i>     , Porto: Edições Afrontamento (Coleção O Estado, a Habitação e a Questão Social na Cidade do Porto, vol. 1).</font></p>      ]]></body>
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