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<article-id pub-id-type="doi">10.17127/got/2015.8.007</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Transformações do espaço urbano costeiro: patrimonialização do meio ambiente na cidade de Florianópolis/Santa Catarina - Brasil]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Transformations of the coastal urban space: the patrimonialization of the environment in the city of Florianópolis/Santa Catarina - Brazil]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this paper we discuss the city of Florianópolis in aspects of development of mariculture, projecting it as a large national producer of oysters and shellfish, and the beach, which once served to receive the city evictions and was raised to become a leisure area and a site for summer vacations. These elements - sea and beach - experienced new settings, from the appropriation and reinterpretation of old uses of natural resources, in a way that they changed the social and environmental perspective. Environmental patrimonialization is part of a touristic perspective as a process that appears inseparable from the new strategies of appropriation of images of the city and city marketing, turining the city into an image to be consumed with an idealized model of standardized urban spaces.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO ORIGINAL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Transforma&ccedil;&otilde;es do espa&ccedil;o urbano costeiro: patrimonializa&ccedil;&atilde;o do meio ambiente na cidade de Florian&oacute;polis/Santa Catarina - Brasil</b></p>     <p><b>Transformations of the coastal urban space: the patrimonialization of the environment in the city of Florian&oacute;polis/Santa Catarina &ndash; Brazil</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Moser, Gisele<sup>1</sup></b></p>     <p><sup>1</sup>Doutoranda no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o Interdisciplinar em Ci&ecirc;ncias Humanas &ndash; Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).&nbsp;Campus Universit&aacute;rio, CFH/PPGICH - Trindade - CEP 88.040-900, Florian&oacute;polis &ndash; Santa Catarina - Brasil.&nbsp;<a href="mailto:gisapalma@gmail.com">gisapalma@gmail.com</a>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>RESUMO</b></p>     <p>Neste trabalho problematizo a cidade de Florian&oacute;polis sob os aspectos do desenvolvimento da maricultura, projetando-a como grande produtora nacional de ostras e mariscos, e da praia, que outrora servia para receber os despejos da cidade e foi elevada &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o de lazer e veraneio. Estes elementos - mar e praia - passaram por novas configura&ccedil;&otilde;es, a partir da apropria&ccedil;&atilde;o e ressignifica&ccedil;&atilde;o de antigos usos dos recursos naturais, de tal modo que ocorrem transforma&ccedil;&otilde;es na perspectiva social e ambiental. A patrimonializa&ccedil;&atilde;o do meio ambiente insere-se numa perspectiva tur&iacute;stica como um processo que se apresenta indissoci&aacute;vel das novas estrat&eacute;gias de apropria&ccedil;&atilde;o das imagens da cidade e de marketing da cidade, tornado a cidade uma imagem a ser consumida com um modelo idealizado de espa&ccedil;os urbanos padronizados.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><b>Palavras-chave</b>: cidade; hist&oacute;ria urbana; meio ambiente; patrimonializa&ccedil;&atilde;o; Florian&oacute;polis.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>In this paper we discuss the city of Florian&oacute;polis in aspects of development of mariculture, projecting it as a large national producer of oysters and shellfish, and the beach, which once served to receive the city evictions and was raised to become a leisure area and a site for summer vacations. These elements - sea and beach - experienced new settings, from the appropriation and reinterpretation of old uses of natural resources, in a way that they changed the social and environmental perspective. Environmental patrimonialization is part of a touristic perspective as a process that appears inseparable from the new strategies of appropriation of images of the city and city marketing, turining the city into an image to be consumed with an idealized model of standardized urban spaces.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Keywords:</b> city; urban history; environment; patrimonialization; Florian&oacute;polis.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1. Expans&atilde;o territorial numa ilha</b></p>     <p>A cidade de Florian&oacute;polis, capital do estado de Santa Catarina, localizada no litoral do Sul do Brasil, hoje com cerca de 450 mil habitantes, &eacute; composta por uma parte territorial no continente, com treze quil&ocirc;metros quadrados, e outra parte insular, numa &aacute;rea de 420 quil&oacute;metros quadrados. Deste territ&oacute;rio insular, nove quil&oacute;metros quadrados da &aacute;rea total foram incorporados atrav&eacute;s de aterros feitos desde o final do s&eacute;culo XIX, utilizando-se principalmente o m&eacute;todo de aterro hidr&aacute;ulico, conforme indicam os Estudos de Impacto Ambiental/Relat&oacute;rio de Impacto no Meio Ambiente (EIA/RIMA), documentos obrigat&oacute;rios na constru&ccedil;&atilde;o de obras urbanas.<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> O aterro hidr&aacute;ulico utiliza a &aacute;gua como um aspirador de p&oacute; para levar a areia do fundo do mar para a superf&iacute;cie, diferente do aterro mec&acirc;nico, como o realizado na Avenida Beira Mar Norte, em que ocorre o transporte rodovi&aacute;rio de material (PROCHNOW, 2009, p.9). Estes aterros fazem parte do chamado processo de &ldquo;higieniza&ccedil;&atilde;o&rdquo; ocorrido no Brasil, como parte das pol&iacute;ticas urban&iacute;sticas ent&atilde;o vigentes, e que permitiram a amplia&ccedil;&atilde;o territorial com a constru&ccedil;&atilde;o de bulevares e novas vias de circula&ccedil;&atilde;o para autom&oacute;veis, havendo a expuls&atilde;o dos pobres que habitavam nestas &aacute;reas e a elimina&ccedil;&atilde;o dos corti&ccedil;os<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a> das &aacute;reas centrais ou de interesse.</p>     <p>Em Florian&oacute;polis, a organiza&ccedil;&atilde;o do centro urbano da cidade deu-se ligada &agrave; exist&ecirc;ncia de fontes de &aacute;gua e &agrave; orla mar&iacute;tima, com a fixa&ccedil;&atilde;o dos moradores em torno do largo da Igreja Matriz, acompanhando os caminhos que levavam &agrave;s fontes at&eacute; ao s&eacute;culo XVIII. No s&eacute;culo XIX, os caminhos passaram a seguir o mar em dire&ccedil;&atilde;o ao porto. As casas eram constru&iacute;das de costas para o mar e a praia era lugar de despejo. Narra o historiador Oswaldo Cabral que, no s&eacute;culo XIX, ap&oacute;s o toque de recolher dado &agrave;s nove horas da noite, os escravos sa&iacute;am &agrave;s ruas com uma esp&eacute;cie de balde na cabe&ccedil;a levando os dejetos e excrementos reunidos durante o dia para serem despejados no mar (CABRAL, 1971, p.215). &Agrave; medida que a cidade crescia, aumentava tamb&eacute;m o h&aacute;bito de jogar lixo e entulho nas praias e nos mangues, e ent&atilde;o come&ccedil;avam a surgir os primeiros projetos para aterros na ilha (CECCA, 1996, p.56).</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f1">     <p><img src="/img/revistas/got/n8/n8a08f1.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>No Jornal do Com&eacute;rcio, veiculado na cidade de Florian&oacute;polis (que ent&atilde;o se chamava Nossa Senhora do Desterro) em 18 de janeiro de 1884, aparece um dos primeiros registros com a proposta para se aterrar os terrenos alagadi&ccedil;os da praia do Menino Deus. Conforme o relat&oacute;rio<a href="#_ftn3" name="_ftnref3">[3]</a> daquele ano elaborado pelo presidente da prov&iacute;ncia de Santa Catarina, Francisco Jos&eacute; da Rocha, o intuito do aterro era o de aproveitar a &aacute;rea conquistada ao mar para logradouro p&uacute;blico e para edifica&ccedil;&otilde;es, e ao mesmo tempo remover os &ldquo;esterquil&iacute;nios&rdquo; que ali se formavam, al&eacute;m de impedir a continuidade do dep&oacute;sito de lixo no local. Logo, em 1884, come&ccedil;aram os trabalhos para a realiza&ccedil;&atilde;o do primeiro aterro da cidade, na Praia da Boa Vista, que se estendia do forte Santa B&aacute;rbara at&eacute; o in&iacute;cio da ladeira do Menino Deus, na subida do Hospital de Caridade. Nos anos seguintes, outros aterros foram feitos na &aacute;rea central, al&eacute;m da canaliza&ccedil;&atilde;o de diversos rios, o que gerou problemas de escoamento das &aacute;guas de morros pr&oacute;ximos, como no caso do Rio da Bulha<a href="#_ftn4" name="_ftnref4">[4]</a> (sob a atual Avenida Herc&iacute;lio Luz). Outro problema ocorreu com a transfer&ecirc;ncia do cemit&eacute;rio municipal, que antes ocupava os arredores da igreja, para o topo do morro contaminando as &aacute;guas da principal vertente que abastecia a cidade.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f2">     <p><img src="/img/revistas/got/n8/n8a08f2.gif"></p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Dentre tantos aterros, podemos citar alguns que geraram grande impacto nas &aacute;reas em que foram instalados: na d&eacute;cada de 1940 foi realizado um aterro no Largo 13 de Maio, imedia&ccedil;&otilde;es do Hospital de Caridade; nos anos de 1960 foi iniciado o aterro da ba&iacute;a Norte, correspondente a atual avenida Beira-Mar Norte; na d&eacute;cada de 1970 foi feito um aterro para a cabeceira da ponte Colombo Salles, que liga a ilha ao continente, e os 440 mil metros quadrados do aterro da ba&iacute;a Sul, com projeto de urbaniza&ccedil;&atilde;o e paisagismo elaborados por Burle Marx, nunca implantados, contemplando &aacute;reas de lazer e esportes; nos anos 2000 foram realizado os aterros da Via Expressa Sul (liga&ccedil;&atilde;o do Centro at&eacute; o aeroporto) e da Beira-Mar Continental (planejado j&aacute; na d&eacute;cada de 1950), na &aacute;rea continental da cidade.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f3">     <p><img src="/img/revistas/got/n8/n8a08f3.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.1. Meio ambiente e turismo</b></p>     <p>Da sequ&ecirc;ncia de aterros na &aacute;rea central da cidade, a utiliza&ccedil;&atilde;o do mar como esta&ccedil;&atilde;o balne&aacute;ria deu-se em lugares mais afastados, sendo a Praia de Fora, na ba&iacute;a Norte, considerada o local ideal para o banho de mar. J&aacute; nas duas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo XIX, os habitantes com maior poder aquisitivo constru&iacute;ram na Praia de Fora seus sobrados com a frente voltada para o mar. Eram suas resid&ecirc;ncias de fim de semana, pois a moradia em geral localizava-se no Centro com seus com&eacute;rcios na mesma casa. Virg&iacute;lio V&aacute;rzea afirmava que &ldquo;poucos lugares no globo possuir&atilde;o praias t&atilde;o bonitas e de um desenho mais interessante e caprichoso como as da costa catarinense, tanto na Ilha como no continente&rdquo; (V&Aacute;RZEA, 1985, p.113). Considerava a Praia de Fora como &ldquo;a principal de Florian&oacute;polis&rdquo; e como &ldquo;a primeira esta&ccedil;&atilde;o balnear da capital, cuja popula&ccedil;&atilde;o para a&iacute; acode, em parte, na &eacute;poca pr&oacute;pria, habitando as casas da beira-mar&rdquo; (V&Aacute;RZEA, 1985, p.113-114).</p>     <p>O que antes se referia como &ldquo;esta&ccedil;&atilde;o de &aacute;guas&rdquo; ou &ldquo;esta&ccedil;&atilde;o balnear&rdquo; deu lugar ao termo &ldquo;turismo&rdquo; que come&ccedil;ou a ser empregado em Florian&oacute;polis no final da d&eacute;cada de 1940 (FERREIRA, 1998, p.100-102). A partir da d&eacute;cada de 1950, o setor de turismo passa a concentrar boa parte dos investimentos e na d&eacute;cada de 1970 consolida-se como um importante meio econ&ocirc;mico da cidade. Os financiamentos facilitados atrav&eacute;s do Banco Nacional de Habita&ccedil;&atilde;o (BNH) impulsionaram a expans&atilde;o imobili&aacute;ria e aos poucos foram criados pequenos n&uacute;cleos residenciais em &aacute;reas destinadas aos turistas. A tabela abaixo (<a href="#f4">Figura 4</a>) deixa claro o grande crescimento populacional, especialmente da d&eacute;cada de 1980 para 1990, que obteve um incremento de 67 mil habitantes. Da mesma forma, de 2000 a 2008, contabilizou-se um crescimento de 53% no n&uacute;mero anual de turistas em Florian&oacute;polis, conforme dados divulgados pela Santur.<a href="#_ftn5" name="_ftnref5">[5]</a> O que vale ser destacado &eacute; que ao mesmo tempo em que se registrou o aumentou do n&uacute;mero de turistas tamb&eacute;m houve um aumento no n&uacute;mero de moradores. Ou seja, muitos que chegaram at&eacute; &agrave; cidade apenas como visitantes optaram pelo local para fixar resid&ecirc;ncia, constatado pelo aumento significativo no n&uacute;mero de habitantes em Florian&oacute;polis, chegando a 400 mil habitantes no ano de 2007, crescimento superior ao do Estado e do pa&iacute;s.<a href="#_ftn6" name="_ftnref6">[6]</a> Diferente do discurso propagado na imprensa local que indica os &ldquo;nativos&rdquo; como a maioria, o Censo Demogr&aacute;fico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), apresentou que 51,71% dos moradores de Florian&oacute;polis s&atilde;o nascidos em outras cidades.<a href="#_ftn7" name="_ftnref7">[7]</a> Ao chegar no s&eacute;culo XXI, a capital catarinense atinge a marca atual de mais de um milh&atilde;o de habitantes no conglomerado que comp&otilde;e a regi&atilde;o metropolitana, chamada de Grande Florian&oacute;polis.<a href="#_ftn8" name="_ftnref8">[8]</a></p>     <p>&nbsp;</p> <a name="f4">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><img src="/img/revistas/got/n8/n8a08f4.gif"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Este incremento populacional tamb&eacute;m se deve aos investimentos em propagandas realizados pelo governo do Estado e pela m&iacute;dia que noticia constantemente Florian&oacute;polis associando aos seus atrativos naturais. Em pesquisa emp&iacute;rica realizada no cen&aacute;rio nacional e internacional percebemos que Florian&oacute;polis &eacute; citada como &ldquo;a capital com melhor qualidade de vida&rdquo;<a href="#_ftn9" name="_ftnref9">[9]</a> e Santa Catarina como &ldquo;melhor destino tur&iacute;stico&rdquo;<a href="#_ftn10" name="_ftnref10">[10]</a>, sendo propagandeada como um destino tur&iacute;stico internacional comparadas a Ibiza (Espanha) e Saint-Tropez (Fran&ccedil;a)<a href="#_ftn11" name="_ftnref11">[11]</a>. Como resultado, todos os meses a capital recebe cerca de mil novos moradores que migram por uma oportunidade de trabalho ou em busca da t&atilde;o propagada qualidade de vida. <a href="#_ftn12" name="_ftnref12">[12]</a> O que ocorre &eacute; que pelo menos 20% destes acabam constituindo os &ldquo;bols&otilde;es de pobreza&rdquo;. <a href="#_ftn13" name="_ftnref13">[13]</a> Conforme dados da prefeitura de Florian&oacute;polis, no ano de 2001 foram identificados mais de 50 &ldquo;bols&otilde;es de pobreza&rdquo;, correspondendo a 14,7% da popula&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio, compondo as chamadas &ldquo;&aacute;reas de interesse social&rdquo;.<a href="#_ftn14" name="_ftnref14">[14]</a> Esse discurso entre o real da cidade e o propagado parece andar em descompasso diante das imagens que circulam refor&ccedil;ando apenas as &ldquo;belezas naturais&rdquo;, ou seja, as praias, o mar e a vegeta&ccedil;&atilde;o presentes na ilha, invibilizando os problemas sociais existentes.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>1.2. Meio ambiente e patrimonializa&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>Diante do cen&aacute;rio apresentado, a patrimonializa&ccedil;&atilde;o do meio ambiente insere-se numa perspectiva tur&iacute;stica como um processo que se apresenta indissoci&aacute;vel das novas estrat&eacute;gias de apropria&ccedil;&atilde;o e de marketing, onde a cultura, e da mesma forma o meio ambiente, passam a ser uma imagem a ser consumida com um modelo idealizado de espa&ccedil;os urbanos padronizados, ocorrendo uma patrimonializa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das imagens produzidas da cidade (JEUDY, 2005, p.69). Pensando de acordo com o que prop&otilde;e Andreas Huyssen, &ldquo;a imagem da cidade propriamente dita torna-se central para seu sucesso em um mundo globalmente competitivo&rdquo; (HUYSSEN, 2000, p.100). O <i>city marketing</i><a href="#_ftn15" name="_ftnref15"><i><b>[15]</b></i></a> passa a ser utilizado como um instrumento das pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, no qual a representa&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o passa a mostrar uma imagem ideal da cidade, transformando-a em mercadoria e atuando diretamente nos processos de interven&ccedil;&atilde;o para a renova&ccedil;&atilde;o urbana (SANCH&Eacute;Z, 2001, p.34). Em Florian&oacute;polis, o <i>city marketing</i> tem se desenvolvido no intuito de atrair novos moradores com maior poder aquisitivo e investidores para as &aacute;reas de potencial tur&iacute;stico.</p>     <p>O termo &ldquo;revitaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, vinculado a v&aacute;rios projetos urbanos apresentados pelo poder p&uacute;blico ou em parcerias p&uacute;blico-privadas, conforme aponta Neil Smith, mascara os objetivos da mudan&ccedil;a urbana, sendo que &ldquo;a linguagem da &lsquo;regenera&ccedil;&atilde;o&rsquo; substitui deliberadamente a linguagem simples e honesta da gentrifica&ccedil;&atilde;o<a href="#_ftn16" name="_ftnref16">[16]</a>&rdquo; (SMITH, 2006, p.83). Pode-se dizer que existe a&iacute; uma tens&atilde;o entre o meio ambiente e o desenvolvimento do turismo, permeados pelas mem&oacute;rias dos moradores e pelas expectativas dos investidores. A imagem da cidade voltada para o lazer e esvaziada das disputas torna invis&iacute;vel as tens&otilde;es do cotidiano que hoje afetam a malha urbana fragmentada.</p>     <p>Da&nbsp; mesma forma, novos usos do mar vem sendo associados pautados por intencionalidades tur&iacute;sticas e comerciais, como o cultivo de ostras na costa catarinense. O desenvolvimento da maricultura na atualidade projeta a cidade como grande produtora nacional de ostras e mexilh&otilde;es, representando 80% no mercado nacional, com uma capacidade de produ&ccedil;&atilde;o de 3,2 mil toneladas por ano.<a href="#_ftn17" name="_ftnref17">[17]</a> A maricultura trata-se do cultivo de organismos marinhos, atividade que vem crescendo devido &agrave; aplica&ccedil;&atilde;o de novas t&eacute;cnicas e apresentando-se como uma fonte de renda alternativa &agrave; pesca artesanal &ndash; que se encontra em decl&iacute;nio frente &agrave; pesca industrial. Em Santa Catarina, a principal esp&eacute;cie de ostra cultivada n&atilde;o &eacute; nativa da regi&atilde;o e sim de origem japonesa, ou do Pac&iacute;fico (<i>Crassostrea gigas</i>), introduzida a partir de estudos feitos no final da d&eacute;cada de 1980 pela Secretaria de Agricultura do Estado, atrav&eacute;s da Empresa de Pesquisa Agropecu&aacute;ria e Extens&atilde;o Rural de Santa Catarina (EPAGRI), e pelo Laborat&oacute;rio de Moluscos Marinhos (LMM), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Com o crescimento da cidade concomitante &agrave; produ&ccedil;&atilde;o da maricultura, um dos fatores que preocupa e que interfere na qualidade dos moluscos &eacute; a polui&ccedil;&atilde;o, podendo afetar o cultivo e a sa&uacute;de do consumidor, visto que muitas habita&ccedil;&otilde;es n&atilde;o possuem canaliza&ccedil;&otilde;es corretas de seus esgotos e ainda despejando-os no mar (BECKER, 2008). Assim, a preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente est&aacute; na pauta das discuss&otilde;es dos &oacute;rg&atilde;os envolvidos no desenvolvimento do cultivo na capital catarinense. Entre os riscos de polui&ccedil;&atilde;o, a biol&oacute;gica<a href="#_ftn18" name="_ftnref18">[18]</a> &eacute; a que requer maior aten&ccedil;&atilde;o, sendo as principais fontes de contamina&ccedil;&atilde;o a partir de efluentes dom&eacute;sticos e dejetos agr&iacute;colas lan&ccedil;ados sem tratamentos (WOLFF, 2007, p.166).</p>     <p>Em busca de uma efetividade da atividade de maricultura e de amplia&ccedil;&atilde;o do mercado para os produtores foi criada a FENAOSTRA (Festa Nacional da Ostra e da Cultura A&ccedil;oriana), realizada anualmente, com in&iacute;cio em 1999 sob a organiza&ccedil;&atilde;o do Instituto de Gera&ccedil;&atilde;o de Oportunidades de Florian&oacute;polis (IGEOF). Na p&aacute;gina da prefeitura na internet diz: &ldquo;O festival &eacute; um verdadeiro resgate da gastronomia e da cultura a&ccedil;oriana da Ilha de Santa Catarina&rdquo;.<a href="#_ftn19" name="_ftnref19">[19]</a> A afirma&ccedil;&atilde;o torna-se contradit&oacute;ria diante da presen&ccedil;a do cultivo de uma ostra que n&atilde;o &eacute; nativa da regi&atilde;o e da produ&ccedil;&atilde;o recente, iniciada somente ap&oacute;s o decl&iacute;nio da pesca.&nbsp; Torna-se necess&aacute;rio problematizar esta naturaliza&ccedil;&atilde;o de &ldquo;resgate&rdquo; e &ldquo;cultura a&ccedil;oriana&rdquo;, cabendo investigar com maior detalhamento esta quest&atilde;o. Hoje, as comunidades produtoras de ostras em Florian&oacute;polis concentram-se no Sul da ilha, sendo a maior no Ribeir&atilde;o da Ilha, seguida pelas do Norte, em Santo Ant&ocirc;nio de Lisboa, Cacup&eacute;, Sambaqui e Praia do Forte. (SANTA CATARINA, 2013)</p>     <p>A sele&ccedil;&atilde;o de um bem cultural<a href="#_ftn20" name="_ftnref20">[20]</a> sempre se faz em um jogo de disputas, seja pela comunidade ou pelo poder p&uacute;blico, mas que tem como base uma constru&ccedil;&atilde;o de uma tradi&ccedil;&atilde;o. Dentro desta concep&ccedil;&atilde;o, pode-se utilizar o termo &ldquo;tradi&ccedil;&atilde;o inventada&rdquo;, conforme apresentado por Eric Hobsbawm, entendo como &ldquo;um conjunto de pr&aacute;ticas, normalmente reguladas por regras t&aacute;cita ou abertamente aceitas; [onde] tais pr&aacute;ticas, de natureza ritual ou simb&oacute;lica, visam inculcar certos valores e normas de comportamento atrav&eacute;s da repeti&ccedil;&atilde;o, o que implica, automaticamente, uma continuidade em rela&ccedil;&atilde;o ao passado&rdquo; (HOBSBAWM, 1997, p.9). Hobsbawm assim diferencia &ldquo;tradi&ccedil;&atilde;o&rdquo; e &ldquo;costume&rdquo;, enquanto a &ldquo;tradi&ccedil;&atilde;o&rdquo; tem a caracter&iacute;stica e objetivo de ser invari&aacute;vel, impondo pr&aacute;ticas fixas do passado atrav&eacute;s da repeti&ccedil;&atilde;o, por outro lado o &ldquo;costume&rdquo; n&atilde;o impede as inova&ccedil;&otilde;es e permite mudan&ccedil;as, por entender que nem mesmo as sociedades tradicionais s&atilde;o t&atilde;o invari&aacute;veis.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>1.3. Novos rumos para a cidade</b></p>     <p>A cidade de Florian&oacute;polis segue em transforma&ccedil;&atilde;o de seu espa&ccedil;o urbano, implicando mudan&ccedil;as f&iacute;sicas e sociais desde o momento em que ocorre o afastamento do mar do Centro e expande os balne&aacute;rios tur&iacute;sticos para as &aacute;reas pesqueiras. Com isso, novos usos passam a ser feitos do mar, novos significados e novas sociabilidades surgem neste novo cen&aacute;rio. Ao compreender a cidade em sua din&acirc;mica urbana e percebendo o cotidiano nas suas entrelinhas, permite-se identificar reinven&ccedil;&otilde;es e representa&ccedil;&otilde;es, muitas vezes pr&oacute;ximas de outras tantas cidades.</p>     <p>Diante das transforma&ccedil;&otilde;es do s&eacute;culo XX, o mar foi ressignificado em seus usos ao receber novas dimens&otilde;es e apropria&ccedil;&otilde;es at&eacute; ser considerado espa&ccedil;o de lazer e veraneio. Entre o desenvolvimento da maricultura e da cidade lazer, projeta-se um lugar relacionado com o mar de diferentes formas, colocando-se como um desafio de interpreta&ccedil;&atilde;o, sendo necess&aacute;rio perceber a cidade em suas pluralidades e singularidades atrav&eacute;s da interdisciplinaridade. Compreendendo que certos assuntos e objetos necessitam de colabora&ccedil;&atilde;o entre diferentes disciplinas, a interdisciplinaridade permite uma vis&atilde;o cr&iacute;tica ao questionar os valores, aspectos sociol&oacute;gicos e educativos, dentro da perspectiva apresentada por H&eacute;ctor Leis em que &ldquo;a pr&aacute;tica da interdisciplinaridade sup&otilde;e o equil&iacute;brio de dois aspectos, por um lado, uma vis&atilde;o integradora de diversas disciplinas e, por outro, um salto cognitivo que n&atilde;o esteja pressuposto em qualquer somat&oacute;ria de abordagens disciplinares&rdquo; (LEIS, 2011, p.110). Sendo assim, este estudo amplia-se a cada novo olhar e busca contribuir com os estudos ambientais das zonas costeiras brasileiras.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>2. Refer&ecirc;ncias</b></p>     <!-- ref --><p>BECKER, Daniella de Sousa Maria. <i>Diagn&oacute;stico da produ&ccedil;&atilde;o de moluscos no munic&iacute;pio de Florian&oacute;polis/SC</i>. 2008. 121 f. TCC (Gradua&ccedil;&atilde;o) - Curso de Ci&ecirc;ncias Econ&ocirc;micas, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florian&oacute;polis/SC, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731610&pid=S2182-1267201500020000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>BIDOU-ZACHARIASEN, Catherine. Introdu&ccedil;&atilde;o. In: BIDOU-ZACHARIASEN, Catherine (Coord.). <i>De volta &agrave; cidade:</i> Dos processos de gentrifica&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas de &ldquo;revitaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos centros urbanos. S&atilde;o Paulo : Annablume, 2006. p. 21-57.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>CABRAL, Oswaldo. <i>Nossa Senhora do Desterro</i>: Not&iacute;cia I. Florian&oacute;polis: UFSC, 1971.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731613&pid=S2182-1267201500020000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>CECCA, Centro de Estudos Cultura e Cidadania. <i>Uma cidade numa ilha:</i> relat&oacute;rio sobre os problemas s&oacute;cio-ambientais da Ilha de Santa Catarina. Florian&oacute;polis : Insular, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731615&pid=S2182-1267201500020000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>FERREIRA, S&eacute;rgio Luiz. <i>O banho de mar na Ilha de Santa Catarina.</i> Florian&oacute;polis : Ed. das &Aacute;guas, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731617&pid=S2182-1267201500020000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HOBSBAWM, Eric. <i>A inven&ccedil;&atilde;o das tradi&ccedil;&otilde;es</i>. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731619&pid=S2182-1267201500020000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>HUYSSEN, Andreas. <i>Seduzidos pela mem&oacute;ria</i>. Rio de Janeiro : Aeroplano, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731621&pid=S2182-1267201500020000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>JEUDY, Henri Pierre. <i>Espelho das cidades</i>. Rio de Janeiro : Casa da Palavra, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731623&pid=S2182-1267201500020000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>LEIS, H&eacute;ctor Ricardo. Especificidades e desafios da interdisciplinaridade nas ci&ecirc;ncias humanas. In: PHILIPPI Jr, Arlindo e SILVA NETO, Antonio. <i>Interdisciplinaridade em Ci&ecirc;ncia, Tecnologia e Inova&ccedil;&atilde;o</i>. Barueri, SP : Editora Manole, 2011. p. 106-122.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731625&pid=S2182-1267201500020000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>PROCHNOW, Ronan Max; DAL SANTO, Mariane Alves; AMEY, Robert. A expans&atilde;o das cidades sobre a Zona Costeira: Estudo de Caso de Florian&oacute;polis, BR, e Boston, USA. <i>EGAL-Encontro de Ge&oacute;grafos da Am&eacute;rica Latina</i>, 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731627&pid=S2182-1267201500020000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>S&Aacute;NCHEZ, Fernanda. A reinven&ccedil;&atilde;o das cidades na virada de s&eacute;culo. <i>Revista de Sociologia e Pol&iacute;tica</i>, Jun. 2001, n&ordm; 16, p. 31-49.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731629&pid=S2182-1267201500020000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>SANTA CATARINA. <i>S&iacute;ntese Informativa da Maricultura 2013</i>. Florian&oacute;polis : Empresa de Pesquisa Agropecu&aacute;ria e Extens&atilde;o Rural de Santa Catarina &ndash; Epagri, Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca, 2013.</p>     <p>SMITH, Neil. A gentrifica&ccedil;&atilde;o generalizada: de uma anomalia local &agrave; uma &ldquo;regenera&ccedil;&atilde;o&rdquo; urbana como estrat&eacute;gia urbana global. In: BIDOU-ZACHARIASEN, Catherine (Coord). <i>De volta &agrave; cidade:</i> Dos processos de gentrifica&ccedil;&atilde;o &agrave;s pol&iacute;ticas de &ldquo;revitaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; dos centros urbanos. S&atilde;o Paulo : Annablume, 2006. p.59-87.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>SUGAI, Maria Ines. <i>As interven&ccedil;&otilde;es vi&aacute;rias e as transforma&ccedil;&otilde;es do espa&ccedil;o urbano</i>. A via de contorno norte-Ilha. 2v. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Arquitetura) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de S&atilde;o Paulo, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731633&pid=S2182-1267201500020000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>V&Aacute;RZEA, Virg&iacute;lio. <i>Santa Catarina:</i> a Ilha. Florian&oacute;polis : Ed. Lunardelli, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731635&pid=S2182-1267201500020000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>VILLA&Ccedil;A, Fl&aacute;vio. <i>Espa&ccedil;o intra-urbano no Brasil</i>. Studio nobel, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731637&pid=S2182-1267201500020000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>WOLFF, Ruy &Aacute;vila. <i>Avalia&ccedil;&atilde;o de par&acirc;metros oceanogr&aacute;ficos em &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o de ostras nas &aacute;guas da ba&iacute;a Sul (SC) - Brasil</i>. 2007. 244 f. Tese (Doutorado) - Curso de Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Geografia, Centro de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas, Universidade Federal de Santa Catarina, Florian&oacute;polis, 2007. Dispon&iacute;vel em: <a href="https://www.repositorio.ufsc.br/handle/123456789/103181" target="_blank">https://www.repositorio.ufsc.br/handle/123456789/103181</a>. Acesso em: 23 out. 2015.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1731639&pid=S2182-1267201500020000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Os documentos referentes a cada obra podem ser consultados no Instituto de Planejamento Urbano de Florian&oacute;polis (IPUF) e na Funda&ccedil;&atilde;o do Meio Ambiente de Santa Catarina (FATMA).</p>     <p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Os corti&ccedil;os abrigavam a popula&ccedil;&atilde;o mais pobre da cidade, em geral habitados por pescadores, marinheiros, lavadeiras, soldados, escravos libertos e prostitutas. Conforme aponta Fl&aacute;vio Villa&ccedil;a, o corti&ccedil;o &eacute; um tipo de &aacute;rea residencial central das camadas de baixa renda muito comum nas cidades brasileiras no final do s&eacute;culo XIX (VILLA&Ccedil;A, 1998, p.229). &ldquo;O corti&ccedil;o &eacute; a &lsquo;solu&ccedil;&atilde;o&rsquo; de mercado, &eacute; uma moradia alugada, &eacute; um produto da iniciativa privada. Em seus diversos tipos, foi a primeira forma f&iacute;sica de habita&ccedil;&atilde;o oferecida ao &lsquo;homem livre&rsquo; brasileiro da mesma forma que o aluguel foi a primeira forma econ&ocirc;mica&rdquo; (VILLA&Ccedil;A apud SUGAI, 1994, p.17).</p>     <p><a href="#_ftnref3" name="_ftn3">[3]</a> Relat&oacute;rio apresentado &agrave; Assembleia Legislativa da Prov&iacute;ncia de Santa Catarina pelo presidente Dr. Francisco Jos&eacute; da Rocha. Desterro: 20 maio de 1888. Dispon&iacute;vel para consulta no Arquivo P&uacute;blico do Estado de Santa Catarina, Centro, Florian&oacute;polis/Santa Catarina.</p>     <p><a href="#_ftnref4" name="_ftn4">[4]</a> O Rio da Bulha era o maior e mais caudaloso, tendo sua nascente no Morro da Boa Vista.</p>     <p><a href="#_ftnref5" name="_ftn5">[5]</a> Dados da Santur <i>apud</i> Projeto Sinais Vitais Florian&oacute;polis. Instituto Comunit&aacute;rio Grande Florian&oacute;polis, 2008. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.icomfloripa.org.br/sinais_vitais_08" target="_blank">http://www.icomfloripa.org.br/sinais_vitais_08</a>. Acesso em: 15 jan. 2010.</p>     <p><a href="#_ftnref6" name="_ftn6">[6]</a> Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE). In: BIONDI, Antonio. <i>Crescimento e turismo desordenados amea&ccedil;am encantos de Floripa</i>. UOL Not&iacute;cias. 25 jan. 2008.</p>     <p><a href="#_ftnref7" name="_ftn7">[7]</a> Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.ibge.gov.br/" target="_blank">http://www.ibge.gov.br/</a>.</p>     <p><a href="#_ftnref8" name="_ftn8">[8]</a> Dados do IBGE do Censo Demogr&aacute;fico 2010 indicam a Grande Florian&oacute;polis com 1.012.233 habitantes. De acordo com a Associa&ccedil;&atilde;o dos Munic&iacute;pios da Grande Florian&oacute;polis, este conglomerado &eacute; composto por 22 munic&iacute;pios: &Aacute;guas Mornas, Alfredo Wagner, Angelina, Anit&aacute;polis, Ant&ocirc;nio Carlos, Bigua&ccedil;u, Canelinha, Florian&oacute;polis, Garopaba, Governador Celso Ramos, Leoberto Leal, Major Gercino, Nova Trento, Palho&ccedil;a, Paulo Lopes, Rancho Queimado, Santo Amaro da Imperatriz, S&atilde;o Bonif&aacute;cio, S&atilde;o Jo&atilde;o Batista, S&atilde;o Jos&eacute;, S&atilde;o Pedro de Alc&acirc;ntara e Tijucas.</p>     <p><a href="#_ftnref9" name="_ftn9">[9]</a> Em 2000, Florian&oacute;polis foi eleita como a capital com melhor qualidade de vida do pa&iacute;s pelo Atlas de Desenvolvimento Humano, do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), tendo como base o &Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano (IDHM). Mais dados dispon&iacute;veis em: <a href="http://www.santacatarinabrasil.com.br/pt/qualidade-de-vida/" target="_blank">http://www.santacatarinabrasil.com.br/pt/qualidade-de-vida/</a>. Acesso em 23 out. 2015.</p>     <p><a href="#_ftnref10" name="_ftn10">[10]</a> Santa Catarina foi escolhido como o estado preferencial na categoria &ldquo;Destino Tur&iacute;stico Nacional&rdquo; pela revista especializada Brasil Travel News desde 2007 e apontado como &ldquo;O melhor destino tur&iacute;stico do pa&iacute;s&rdquo; pela revista Viagem e Turismo/Editora Abril em 2007. Em 2012 recebeu novamente o t&iacute;tulo pela sexta vez consecutiva. Dados divulgados no site da <i>Santa Catarina Turismo (Santur),</i> empresa de economia mista vinculada &agrave; Secretaria de Estado da Cultura, Turismo e Esporte. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.santur.sc.gov.br" target="_blank">http://www.santur.sc.gov.br</a>. Acesso em: 11 maio 2010.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#_ftnref11" name="_ftn11">[11]</a> Em 2009, o jornal italiano <i>Corriere della Sera</i> publicou uma mat&eacute;ria destacando a cidade de Florian&oacute;polis, expressando ser &ldquo;surpreendente&rdquo; o fato de uma cidade brasileira ter qualidade de vida alta, baixa criminalidade e fisionomias semelhantes aos europeus. A mat&eacute;ria fez refer&ecirc;ncia &agrave; &aacute;rea de Jurer&ecirc; como uma nova Saint-Tropez ou Ibiza. GIOVAGNINI, Maria Laura. Le citt&agrave; del futuro: Florian&oacute;polis. <i>Corriere della Sera</i>, 15 out. 2009. Roma, It&aacute;lia, 15 out. 2009. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.corriere.it/cronache/09_ottobre_15/iodonna-citta_410509d8-b993-11de-88c-00144f02aabc.shtml" target="_blank">http://www.corriere.it/cronache/09_ottobre_15/iodonna-citta_410509d8-b993-11de-88c-00144f02aabc.shtml</a>. Acesso em: 19 out. 2009.</p>     <p><a href="#_ftnref12" name="_ftn12">[12]</a> Proje&ccedil;&atilde;o feita pela <i>Secretaria Municipal de Urbanismo e Servi&ccedil;os P&uacute;blicos (SUSP)</i> e <i>Centrais El&eacute;tricas de Santa Catarina (Celesc)</i> com base nas liga&ccedil;&otilde;es de energia el&eacute;trica realizadas mensalmente. In: REBEQUI, Aline. Ilha, o para&iacute;so dos migrantes. <i>Jornal</i> <i>Not&iacute;cias do Dia</i>. Florian&oacute;polis, 10 out. 2008.</p>     <p><a href="#_ftnref13" name="_ftn13">[13]</a> &ldquo;Bols&otilde;es de pobreza&rdquo;&eacute; um termo utilizado pelos &oacute;rg&atilde;os governamentais para referir-se aos aglomerados de fam&iacute;lias de baixa renda em &aacute;reas urbanas perif&eacute;ricas.</p>     <p><a href="#_ftnref14" name="_ftn14">[14]</a> Conforme descrito no documento &ldquo;Programa Habitar Brasil&rdquo; da Prefeitura Municipal de Florian&oacute;polis, as &Aacute;reas de Interesse Social s&atilde;o caracterizadas &ldquo;pela forma de ocupa&ccedil;&atilde;o desordenada, irregular ou clandestina (...) situadas nas encostas dos morros da &aacute;rea insular, em terrenos com declividade menos acentuados em fundos de vales, especificamente na &aacute;rea do continente, havendo, ainda, comunidades situadas em &aacute;reas de mangues e dunas&rdquo;. Documendo dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.pmf.sc.gov.br/arquivos/arquivos/pdf/07_01_2010_17.23.04.a575e7df24caedc9518a207cbae6aeb1.pdf" target="_blank">http://www.pmf.sc.gov.br/arquivos/arquivos/pdf/07_01_2010_17.23.04.a575e7df24caedc9518a207cbae6aeb1.pdf</a>. p.12. Acesso em 23 out. 2015.</p>     <p><a href="#_ftnref15" name="_ftn15">[15]</a> O termo <i>city marketing</i> &eacute; empregado no sentido proposto por Fernanda S&aacute;nchez: &ldquo;Se ler a cidade significa ter uma representa&ccedil;&atilde;o de cidade, construir uma imagem de cidade significa tamb&eacute;m compreender e interpretar e, sobretudo, sintetizar, dada a complexidade do fen&ocirc;meno observado. Por&eacute;m, &ldquo;leituras&rdquo;, no plural, implicam que a cidade pode ser representada, ou melhor, imaginada, a partir de diversos olhares. N&atilde;o h&aacute; uma &uacute;nica leitura poss&iacute;vel. (...) As imagens-s&iacute;ntese oficiais, aquelas que se imp&otilde;em como dominantes em cada cidade onde opera um projeto de moderniza&ccedil;&atilde;o urbana definido e explicitado, n&atilde;o deixam margem para d&uacute;vidas ou interpreta&ccedil;&otilde;es diversas sobre a informa&ccedil;&atilde;o que veiculam; n&atilde;o oferecem alternativas &agrave; sua decodifica&ccedil;&atilde;o. Organizam, a seu modo, a cidade, tornando-a simbolicamente eficiente, uma esp&eacute;cie de publicidade que concretiza o modo de reconhec&ecirc;-la e avali&aacute;-la.&rdquo; (S&Aacute;NCHEZ, 2001, p.34).</p>     <p><a href="#_ftnref16" name="_ftn16">[16]</a> O termo <i>gentrification</i> foi utilizado pela primeira vez por Ruth Glass no in&iacute;cio d&eacute;cada de 1960, em Londres, compreendendo a transforma&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o social dos residentes (substitui&ccedil;&atilde;o das classes populares por classes m&eacute;dias assalariadas) e um processo de investimento, reabilita&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o das &aacute;reas (BIDOU-ZACHARIASEN, 2006, p.22).</p>     <p><a href="#_ftnref17" name="_ftn17">[17]</a> Dados dispon&iacute;veis no site da Prefeitura de Florian&oacute;polis: <a href="http://www.pmf.sc.gov.br/sites/fenaostra/index.php?pagina=home&amp;menu=0" target="_blank">http://www.pmf.sc.gov.br/sites/fenaostra/index.php?pagina=home&amp;menu=0</a>. Acesso em 8 jun. 2015.</p>     <p><a href="#_ftnref18" name="_ftn18">[18]</a> &ldquo;A contamina&ccedil;&atilde;o microbiol&oacute;gica de moluscos &eacute; de origem antr&oacute;pica, exceto as ligadas aos v&iacute;brios e bact&eacute;rias marinhas introduzidas no meio pela transfer&ecirc;ncia de moluscos cultivados em &aacute;reas epid&ecirc;micas&rdquo; (WOLFF, 2007, p.166).</p>     <p><a href="#_ftnref19" name="_ftn19">[19]</a> Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.pmf.sc.gov.br/sites/fenaostra/index.php?cms=fenaostra&amp;menu=1" target="_blank">http://www.pmf.sc.gov.br/sites/fenaostra/index.php?cms=fenaostra&amp;menu=1</a>. Acesso em 8 jun. 2015.</p>     <p><a href="#_ftnref20" name="_ftn20">[20]</a> A discuss&atilde;o sobre o patrim&ocirc;nio imaterial no Brasil ganhou espa&ccedil;o a partir da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988, quando a preserva&ccedil;&atilde;o cultural recebeu um conceito mais abrangente de &ldquo;bem cultural&rdquo;. O artigo 216 da Constitui&ccedil;&atilde;o diz que: &ldquo;Constituem patrim&ocirc;nio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de refer&ecirc;ncia &agrave; identidade, &agrave; a&ccedil;&atilde;o e &agrave; mem&oacute;ria dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.&rdquo;</p>     ]]></body>
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