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<journal-title><![CDATA[Revista de Gestão Costeira Integrada]]></journal-title>
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<article-id pub-id-type="doi">10.5894/rgci482</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pescadores Artesanais e pressão imobiliária urbana: Qual o destino dessas comunidades tradicionais?]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Artisanal Fishermen and urban real estate pressure: What is the destiny of these traditional communities?]]></article-title>
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<self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1646-88722014000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1646-88722014000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1646-88722014000300006&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Este trabalho surge da necessidade de se lançar outros olhares científicos para analisar as comunidades tradicionais de pescadores artesanais, nesse caso, do Litoral Paraibano, Nordeste do Brasil, que já não são mais camponesas, mas que, em parte, ainda possuem vínculos com a pesca, de forma direta ou indireta. Nessas comunidades de pescadores artesanais, a pesca, para muitos, já não se apresenta como atividade econômica principal, e sim secundária, ou até esporádica. A diminuição na quantidade de pescados por causa da sobrepesca e da degradação ambiental, como também o processo de urbanização do Litoral Paraibano, inserido no contexto nacional brasileiro, geram pressão imobiliária sobre as comunidades tradicionais e as modificam. Esses são fatores a serem considerados para se diagnosticar os problemas existentes e tentar apontar possíveis soluções e estratégias de ação, seja pelo Poder Público ou por organizações não governamentais. O objetivo deste trabalho é analisar o processo de urbanização e a pressão imobiliária sobre as comunidades tradicionais de pescadores artesanais nas Praias da Penha e Tambaú, no município de João Pessoa, e em Praia de Lucena, em município homônimo. Em Tambaú e Lucena, a pressão imobiliária urbana sobre as comunidades tradicionais de pescadores artesanais começou na década de 1970. Na praia da Penha, esse processo está ocorrendo na atualidade. Para este trabalho, é adotado o materialismo histórico como método de interpretação da realidade, e a pesquisa participante como método de pesquisa, dentro de uma abordagem qualitativa. Como procedimento de pesquisa, é utilizada a pesquisa em profundidade. Isso implica em dialogar de forma mais extensa com algumas pessoas consideradas relevantes, por suas atividades e seu comprometimento com a atividade pesqueira. Por ser um trabalho de geografia urbana, a pergunta central dos diálogos desenvolvidos nesse tipo de entrevista foi: Como o processo de urbanização vem modificando as comunidades tradicionais de pesca? Os assuntos que fomentaram a discussão foram: Processo de urbanização e mudanças no cotidiano dos pescadores artesanais; Pressão imobiliária em comunidades tradicionais; Desenvolvimento local integrado como possibilidade de permanência da comunidade, ou seja, de não expropriação do espaço geográfico pelo capital; E ainda algumas possibilidades postas numa lógica de diálogo com o tema planejamento urbano, a fim de provocar a discussão na busca da totalidade. As respostas dadas pelos pescadores são sempre muito parecidas, ou até mesmo iguais, pois todos vivem ou vivenciaram o processo de urbanização de suas comunidades pesqueiras. Isso ocasionou mudanças para os/nos pescadores, com relação à moradia e ao interesse sobre onde e em que trabalhar. A incredulidade dos pescadores na melhoria das condições de trabalho e na qualidade de vida contribui para que esses profissionais não queiram que seus filhos sigam a profissão dos pais. Dizem os pescadores que o mar é perigoso; que é melhor para os filhos estudarem e se qualificarem em profissões disponíveis no espaço urbano, em que agora estão inseridos. Segundo os pescadores entrevistados, o saldo desse descontentamento é a diminuição, em cerca de 66&#37;, do número de pescadores profissionais nos últimos 40 anos. (...)]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This work emerges from the need of analyzing the traditional communities of artisanal fishermen with other scientific eyes, more specifically on the coast of Paraíba, northeast of Brazil, which are no longer rustic, but in part, they still have direct or indirect ties with fishing. In these communities of artisanal fishermen, the fishing activity for many is no longer the main economic activity but a secondary or even a sporadic one. The decrease in the amount of fish caused by the overfishing and by the environmental deterioration as well as by the process of urbanization of the coast of Paraíba, inserted in the national Brazilian context, generate real estate pressure on the traditional communities and end up modifying them. These are factors that have to be considered to diagnose the existing problems and to try to identify the possible solutions and action strategies, be it through the government or non-governmental organizations. The objective of this work is to analyze the urbanization process and the real estate pressure on the traditional communities of artisanal fishermen at the following beaches: Praia da Penha and Tambaú, in the municipality of João Pessoa and in Praia de Lucena in the same municipality. In Tambaú and in Lucena the urban real state pressure on the traditional communities of artisanal fishermen started in the 1970s. In Praia da Penha this process is happening currently. The historical materialism was adopted as a method of reality interpretation and the participatory research was chosen as a research method, being part of a qualitative approach for this work. The in-depth research is used as a research procedure. This implies having a more extensive dialogue with some people considered to be more relevant because of their activities and commitment to the fishing activity. For being a work of urban geography, the central question of the developed dialogues in this method of interview was: how has the urbanization process been modifying the traditional fishing communities? The topics that promoted the discussion were: the urbanization process and the changes of the artisanal fishermen's daily routine; the real estate pressure on the traditional communities; integrated local development as a possibility for the community to remain where they live, in other words, of not expropriating the geographical space by capital; and also some possibilities posed in a dialogue with the urban planning theme, in order to promote a discussion in search of the wholeness. The answers given by the fishermen are always very alike, or even the same, because all of them are experiencing or experienced the urbanization process of their fishing communities. This caused changes to the fishermen in relation to housing and the interest in where to work and what to work on. The disbelief of the fishermen in improvements of work conditions and in life quality contributes for these professionals not to want their children to follow their parents' profession. The fishermen say that the sea is dangerous; that it is better for their children to study and qualify themselves for jobs available in the urban space, in which they are now inserted. According to the fishermen interviewed, the result of this discontentment is the decrease in approximately 66&#37; of the number of professional fishermen over the last 40 years. (...)]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Processo de Urbanização]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Moradia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Planejamento Urbano]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Pesca Artesanal]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Urbanization Process]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Housing]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>ARTIGO / </b>ARTICLE</p>       <p><b>Pescadores Artesanais e press&atilde;o imobili&aacute;ria     urbana:</b><b>Qual o destino dessas comunidades tradicionais?<a href="#0">*</a><a name="top0"></a></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Artisanal Fishermen and urban     real estate pressure: What is the destiny of these traditional     communities?</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Ismael Xavier de Ara&uacute;jo<sup>@, 1</sup>; Roberto Sassi<sup>2</sup>; Eduardo     Rodrigues Viana de Lima<sup>1, 3</sup></b></p> 	    <p><sup>@</sup>Corresponding author: &lt;<a href="mailto:santinhosarmando9@gmail.com">santinhosarmando9@gmail.com</a>&gt;</p>     <p><sup>1</sup>Universidade Federal da Para&iacute;ba, Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o Geografia - PPGG (Doutorado), Centro de Ci&ecirc;ncias Exatas e da Natureza. Cidade Universit&aacute;ria - Campus I, 58059-900 Jo&atilde;o Pessoa, PB, Brasil. e-mail: &lt;<a href="mailto:araujoismael@hotmail.com">araujoismael@hotmail.com</a>&gt;    <br>   <sup>2</sup>Universidade Federal da Para&iacute;ba, Departamento de Sistem&aacute;tica e Ecologia, Centro de Ci&ecirc;ncias Exatas e da Natureza. Cidade Universit&aacute;ria - Campus I, 58051-900 Jo&atilde;o Pessoa, PB, Brasil. e-mail: &lt;<a href="mailto:sassi_rs@yahoo.com.br">sassi_rs@yahoo.com.br</a>&gt;    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup>3</sup>Universidade Federal da Para&iacute;ba,     Departamento de Geografia, Centro de Ci&ecirc;ncias Exatas e da Natureza. Cidade     Universit&aacute;ria - Campus I, 58059-900 Jo&atilde;o Pessoa, PB, Brasil. e-mail: &lt;<a href="mailto:eduvianalima@gmail.com">eduvianalima@gmail.com</a>&gt;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este trabalho surge da         necessidade de se lan&ccedil;ar outros olhares cient&iacute;ficos para analisar as         comunidades tradicionais de pescadores artesanais, nesse caso, do Litoral         Paraibano, Nordeste do Brasil, que j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o mais camponesas, mas que, em         parte, ainda possuem v&iacute;nculos com a pesca, de forma direta ou indireta. Nessas         comunidades de pescadores artesanais, a pesca, para muitos, j&aacute; n&atilde;o se apresenta     ]]></body>
<body><![CDATA[    como atividade econ&ocirc;mica principal, e sim secund&aacute;ria, ou at&eacute; espor&aacute;dica. A         diminui&ccedil;&atilde;o na quantidade de pescados por causa da sobrepesca e da degrada&ccedil;&atilde;o         ambiental, como tamb&eacute;m o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o do Litoral Paraibano, inserido         no contexto nacional brasileiro, geram press&atilde;o imobili&aacute;ria sobre as comunidades         tradicionais e as modificam. Esses s&atilde;o fatores a serem considerados para se         diagnosticar os problemas existentes e tentar apontar poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es e         estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o, seja pelo Poder P&uacute;blico ou por organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o         governamentais. O objetivo deste trabalho &eacute; analisar o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o         e a press&atilde;o imobili&aacute;ria sobre as comunidades tradicionais de pescadores         artesanais nas Praias da Penha e Tamba&uacute;, no munic&iacute;pio de Jo&atilde;o Pessoa, e em     ]]></body>
<body><![CDATA[    Praia de Lucena, em munic&iacute;pio hom&ocirc;nimo. Em Tamba&uacute; e Lucena, a press&atilde;o         imobili&aacute;ria urbana sobre as comunidades tradicionais de pescadores artesanais         come&ccedil;ou na d&eacute;cada de 1970. Na praia da Penha, esse processo est&aacute; ocorrendo na         atualidade. Para este trabalho, &eacute; adotado o materialismo hist&oacute;rico como m&eacute;todo         de interpreta&ccedil;&atilde;o da realidade, e a pesquisa participante como m&eacute;todo de pesquisa,         dentro de uma abordagem qualitativa. Como procedimento de pesquisa, &eacute; utilizada         a pesquisa em profundidade. Isso implica em dialogar de forma mais extensa com         algumas pessoas consideradas relevantes, por suas atividades e seu         comprometimento com a atividade pesqueira. Por ser um trabalho de geografia         urbana, a pergunta central dos di&aacute;logos desenvolvidos nesse tipo de entrevista     ]]></body>
<body><![CDATA[    foi: Como o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o vem         modificando as comunidades tradicionais de pesca? Os assuntos que         fomentaram a discuss&atilde;o foram: Processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;as no cotidiano         dos pescadores artesanais; Press&atilde;o imobili&aacute;ria em comunidades tradicionais;         Desenvolvimento local integrado como possibilidade de perman&ecirc;ncia da         comunidade, ou seja, de n&atilde;o expropria&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o geogr&aacute;fico pelo capital; E         ainda algumas possibilidades postas numa l&oacute;gica de di&aacute;logo com o tema         planejamento urbano, a fim de provocar a discuss&atilde;o na busca da totalidade. As         respostas dadas pelos pescadores s&atilde;o sempre muito parecidas, ou at&eacute; mesmo iguais,         pois todos vivem ou vivenciaram o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o de suas comunidades     ]]></body>
<body><![CDATA[    pesqueiras. Isso ocasionou mudan&ccedil;as para os/nos pescadores, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;         moradia e ao interesse sobre onde e em que trabalhar. A incredulidade dos         pescadores na melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de trabalho e na qualidade de vida         contribui para que esses profissionais n&atilde;o queiram que seus filhos sigam a         profiss&atilde;o dos pais. Dizem os pescadores que o mar &eacute; perigoso; que &eacute; melhor para         os filhos estudarem e se qualificarem em profiss&otilde;es dispon&iacute;veis no espa&ccedil;o         urbano, em que agora est&atilde;o inseridos. Segundo os pescadores entrevistados, o         saldo desse descontentamento &eacute; a diminui&ccedil;&atilde;o, em cerca de 66%, do n&uacute;mero de pescadores profissionais nos &uacute;ltimos 40 anos. O mestre de pesca Manuel, da Praia de Tamba&uacute;, calcula que h&aacute;         40 anos havia cerca de 60 mestres de pesca, ou seja, capit&atilde;es de barcos.         Atualmente, h&aacute; cerca de 20 mestres. Os entrevistados reclamam que os barcos s&atilde;o     ]]></body>
<body><![CDATA[    pequenos, com cerca de apenas 08 metros. A desorganiza&ccedil;&atilde;o da atividade         pesqueira, a falta de fiscaliza&ccedil;&atilde;o nos repasses governamentais, a falta de         acesso a cr&eacute;dito e o analfabetismo ou semi-analfabetismo do profissional         contribuem significativamente para que essa atividade produtiva seja         desinteressante para os familiares dos pescadores artesanais. Ao mesmo tempo,         os pescadores da praia da Penha se encontram otimistas com a chegada de         condom&iacute;nios residenciais e com a possibilidade de vender sua produ&ccedil;&atilde;o pesqueira         aos novos vizinhos, sem a necessidade de atravessadores. Mas, com o surgimento         de novos postos de trabalho, tamb&eacute;m surge o temor de serem removidos, como         ocorreu em Lucena e Tamba&uacute;. Por causa do processo de desterritorializa&ccedil;&atilde;o das     ]]></body>
<body><![CDATA[    comunidades tradicionais de pesca artesanal no Brasil, setores da sociedade         civil organizada v&ecirc;m se articulando para discutir e exigir do Governo Federal a         regulariza&ccedil;&atilde;o e demarca&ccedil;&atilde;o dessas comunidades. Por isso, este artigo contribui         para as reflex&otilde;es sobre as comunidades de pescadores artesanais, a partir de         temas como espa&ccedil;o urbano, moradia e possibilidades de emprego e renda para os         pescadores artesanais, considerando a gest&atilde;o costeira a partir da l&oacute;gica do         desenvolvimento local integrado. Para tanto, a discuss&atilde;o evolui considerando         aspectos inter-relacionados ao tema, como turismo, cultura, press&atilde;o imobili&aacute;ria         e possibilidades de perman&ecirc;ncia dos pescadores em suas comunidades         tradicionais. Nesse sentido, s&atilde;o propostas algumas diretrizes de cunho urbano     ]]></body>
<body><![CDATA[    para tratar de problemas que s&atilde;o urbanos, pois essas comunidades tradicionais,         atualmente, est&atilde;o inseridas nesse contexto. O espa&ccedil;o se transformou e precisa         ser visto a partir de outros olhares. O esfor&ccedil;o de desenvolver um trabalho         sobre pescadores artesanais que n&atilde;o seja antropol&oacute;gico e etnogr&aacute;fico &eacute; motivado         pelo interesse de ver profissionais de diversos campos do conhecimento se         debru&ccedil;ando sobre essa tem&aacute;tica que &eacute; significativa para a seguran&ccedil;a alimentar         de um pa&iacute;s. O Brasil &eacute; um pa&iacute;s com mais de 15 mil dispositivos legais (leis)         desconhecidos pelo povo. Tamb&eacute;m possui quantidade elevada de minist&eacute;rios         federais (39 minist&eacute;rios) e secretarias estaduais e municipais, geralmente         desarticulados entre si e entre as col&ocirc;nias de pesca e associa&ccedil;&otilde;es de     ]]></body>
<body><![CDATA[    pescadores. Essa desorganiza&ccedil;&atilde;o contribui apenas para os interesses econ&ocirc;micos         de poucas pessoas, que se beneficiam desse suposto caos. Nesse cen&aacute;rio, h&aacute; as         comunidades tradicionais, muito pobres, e um sistema econ&ocirc;mico capitalista         agressivo. &Eacute; nesse espa&ccedil;o de contradi&ccedil;&otilde;es socioespaciais que o pescador         tradicional se encontra, marginalizado socialmente, economicamente e         espacialmente. A Gest&atilde;o Costeira Integrada deve considerar o processo de         urbaniza&ccedil;&atilde;o sobre as comunidades tradicionais de pescadores artesanais, pois o         afastamento desses trabalhadores das praias, como tamb&eacute;m a n&atilde;o valoriza&ccedil;&atilde;o da         atividade pesqueira e de sua complexidade cultural, contribuem para a         diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero e da qualidade desses profissionais, relevantes para a     ]]></body>
<body><![CDATA[    seguran&ccedil;a alimentar. Nessa perspectiva, a an&aacute;lise das comunidades de pescadores         tradicionais deve contemplar estudos sobre equipamentos urbanos e instrumentos         de pol&iacute;tica urbana significativos para os pescadores, que venham assegurar a         visibilidade e a perman&ecirc;ncia desses trabalhadores em seus espa&ccedil;os geogr&aacute;ficos.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>:</b> Processo de Urbaniza&ccedil;&atilde;o, Moradia, Planejamento Urbano, Pesca Artesanal,     Desenvolvimento Local Integrado.</p> <hr size="1" noshade>      <p><b>ABSTRACT</b></p>       <p>This work emerges from the need of analyzing the         traditional communities of artisanal fishermen with other scientific eyes, more         specifically on the coast of Para&iacute;ba, northeast of Brazil, which are no longer         rustic, but in part, they still have direct or indirect ties with fishing. In     ]]></body>
<body><![CDATA[    these communities of artisanal fishermen, the fishing activity for many is no         longer the main economic activity but a secondary or even a sporadic one. The         decrease in the amount of fish caused by the overfishing and by the environmental         deterioration as well as by the process of urbanization of the coast of         Para&iacute;ba, inserted in the national Brazilian context, generate real estate         pressure on the traditional communities and end up modifying them. These are         factors that have to be considered to diagnose the existing problems and to try         to identify the possible solutions and action strategies, be it through the         government or non-governmental organizations. The objective of this work is to         analyze the urbanization process and the real estate pressure on the     ]]></body>
<body><![CDATA[    traditional communities of artisanal fishermen at the following beaches: Praia         da Penha and Tamba&uacute;, in the municipality of Jo&atilde;o Pessoa and in Praia de Lucena         in the same municipality. In Tamba&uacute; and in Lucena the urban real state pressure         on the traditional communities of artisanal fishermen started in the 1970s. In         Praia da Penha this process is happening currently. The historical materialism         was adopted as a method of reality interpretation and the participatory         research was chosen as a research method, being part of a qualitative approach         for this work. The in-depth research is used as a research procedure. This         implies having a more extensive dialogue with some people considered to be more         relevant because of their activities and commitment to the fishing activity.     ]]></body>
<body><![CDATA[    For being a work of urban geography, the central question of the developed         dialogues in this method of interview was: how has the urbanization process         been modifying the traditional fishing communities? The topics that promoted         the discussion were: the urbanization process and the changes of the artisanal         fishermen&rsquo;s daily routine; the real estate pressure on the traditional         communities; integrated local development as a possibility for the community to         remain where they live, in other words, of not expropriating the geographical         space by capital; and also some possibilities posed in a dialogue with the         urban planning theme, in order to promote a discussion in search of the         wholeness. The answers given by the fishermen are always very alike, or even     ]]></body>
<body><![CDATA[    the same, because all of them are experiencing or experienced the urbanization         process of their fishing communities. This caused changes to the fishermen in         relation to housing and the interest in where to work and what to work on. The         disbelief of the fishermen in improvements of work conditions and in life         quality contributes for these professionals not to want their children to         follow their parents&rsquo; profession. The fishermen say that the sea is dangerous;         that it is better for their children to study and qualify themselves for jobs         available in the urban space, in which they are now inserted. According to the         fishermen interviewed, the result of this discontentment is the decrease in         approximately 66% of the number of professional fishermen over the last 40     ]]></body>
<body><![CDATA[    years. The master fisher Manuel, of Praia de Tamba&uacute;, reckons that 40 years ago         there were around 60 master fishers or boat captains. Currently there are         approximately 20 masters. The interviewees complain about the boats being         small, with only around 08 meters; the disorganization of the fishing activity,         the lack of supervision on the allocation of government resources, the lack of         access to credit and the illiteracy or semi-illiteracy of this professional         contribute significantly for this economic activity to become uninteresting for         the relatives of the artisanal fishermen. At the same time, the fishermen from         the beach of Penha find themselves optimistic with the arrival of residential         condominiums and with the possibility to sell their fisheries production to the     ]]></body>
<body><![CDATA[    new neighbors without the need of middlemen. However, with the arrival of new         jobs, the fear of being removed, as it happened in Lucena and in Tamba&uacute;, also         emerges. Because of the deterritorialization process of the traditional         communities of artisanal fishing in Brazil, sectors of the organized civil         society have been articulating themselves to discuss and demand from the         federal government the regularization and demarcation of these communities.         Therefore, this article contributes to reflections about the communities of         artisanal fishermen as regards to themes such as urban space, housing and job         possibilities and income for the artisanal fishermen, considering the coastal         management from the logic of integrated local development. For that reason, the     ]]></body>
<body><![CDATA[    discussion evolves considering aspects that are interrelated to the theme, such         as tourism, culture, real estate pressure and possibilities of the fishermen to         remain in their traditional communities. Accordingly, some urban guidelines are         proposed to address problems that are urban, because these traditional         communities currently are inserted in this context. The space was transformed         and needs to be seen from other eyes. The effort of developing a work about         artisanal fishermen that does not have an anthropologic or ethnographic nature         is motivated by the interest of seeing professionals of several fields of         knowledge addressing to this theme which is significant for the food safety of         a country. Brazil is a country with more than 15 thousand laws, unknown by its     ]]></body>
<body><![CDATA[    people. It also has a high quantity of federal ministries (39 ministries) as         well as state and municipal departments, which are generally not articulated         amongst themselves and neither among the fishery colonies and fishermen         associations. This disorganization only contributes to the economic interests         of few people that benefit themselves from this supposed chaos. In this         scenario, there are the very poor traditional communities and an aggressive         capitalist economic system. It is in this scope of social and spatial         contradictions that the traditional fisherman finds himself, socially,         economically and spatially marginalized. The Integrated Coastal Management         should consider the urbanization process on the traditional communities of     ]]></body>
<body><![CDATA[    artisanal fishermen, because the distancing of these workers from the beaches         as well as the non valuing of the fishing activity and of its cultural         complexity contribute to the decrease of the number and of the quality of these         professionals, who are relevant for the food safety.&nbsp; Under this perspective, the analysis of the         traditional fishermen communities should contemplate significant studies on         urban facilities and urban policy instruments for the fishermen, which will         ensure the visibility and persistence of these workers in their geographic         spaces.</p>     <p><b>Keywords</b>: Urbanization     Process, Housing, Urban Planning, Artisanal Fishing, Integrated Local     Development.</p> <hr size="1" noshade>       <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>1. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>       <p>A atividade pesqueira tradicional proporciona emprego     para mais de 90% dos pescadores de captura do mundo, e sua import&acirc;ncia para a     seguran&ccedil;a alimentar e para a mitiga&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o da pobreza vem sendo cada     vez mais estudada. Todavia, a falta de capacidade institucional e a n&atilde;o     inclus&atilde;o do setor em pol&iacute;ticas de desenvolvimento nacionais e regionais     limitam a possibilidade de contribui&ccedil;&atilde;o dessa atividade econ&ocirc;mica (Mathiesen, 2012).</p>       <p>A pesca compreende uma     atividade de recolec&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s da explora&ccedil;&atilde;o dos recursos biol&oacute;gicos da     hidrosfera, considerando os componentes biol&oacute;gicos aqu&aacute;ticos, o meio     f&iacute;sico-qu&iacute;mico a&iacute; existente e a sociedade, recolectando ou predando (Lackey     &amp; Nielsen, 1980). De forma artesanal, a pesca tem como     objetivo uma grande variedade de esp&eacute;cies de peixes, moluscos e crust&aacute;ceos.     Para captura, s&atilde;o usadas diferentes artes de pesca. Geralmente, a atividade     ocorre em zonas pr&oacute;ximas &agrave; costa, de pouca profundidade. As embarca&ccedil;&otilde;es     utilizadas s&atilde;o de pequeno e m&eacute;dio porte, tripuladas geralmente por at&eacute; tr&ecirc;s     pessoas (Urbistondo, 2001), que     compreendem o capit&atilde;o da embarca&ccedil;&atilde;o, denominado mestre, e dois ajudantes, que     podem ser aprendizes ou mesmo profissionais.</p>       <p>A Lei Federal     brasileira n&ordm; 11.959/2009, que estabelece a Pol&iacute;tica Nacional de     Desenvolvimento Sustent&aacute;vel da Aquicultura e da Pesca, define pesca como toda a     opera&ccedil;&atilde;o, a&ccedil;&atilde;o ou ato tendente a extrair, colher, apanhar, aprender ou capturar     recursos pesqueiros. Por sua vez, recursos pesqueiros s&atilde;o os animais e vegetais     hidr&oacute;bios pass&iacute;veis de explora&ccedil;&atilde;o, estudo ou pesquisa pela pesca amadora, de     subsist&ecirc;ncia, cient&iacute;fica, comercial e pela aquicultura. Ainda de acordo com     esse dispositivo legal, pescador artesanal &eacute; o trabalhador que pratica     diretamente a pesca profissional, de forma autonoma ou em regime de economia     familiar, com meios de produ&ccedil;&atilde;o pr&oacute;prios ou mediante contrato de parceria,     podendo utilizar embarca&ccedil;&otilde;es de pequeno porte.</p>       <p>Nesse tipo de     atividade extrativista voltada para o com&eacute;rcio, em que o pescado geralmente &eacute;     repassado para um intermedi&aacute;rio, a acumula&ccedil;&atilde;o de capital praticamente inexiste,     de maneira que a pobreza, a baixa escolaridade e a falta de financiamentos     p&uacute;blicos e privados s&atilde;o caracter&iacute;sticas marcantes no perfil dos trabalhadores     que atuam nessa atividade do setor prim&aacute;rio da economia.</p>       <p>Isso tamb&eacute;m implica     em moradias de baixo padr&atilde;o de renda, tornando-os mais vulner&aacute;veis &agrave; remo&ccedil;&atilde;o     pelo Poder P&uacute;blico ou compra da casa por pessoas com poder aquisitivo elevado     ou grupos econ&ocirc;micos que se interessem pelo espa&ccedil;o litor&acirc;neo que os pescadores     estejam ocupando, no sentido da apropria&ccedil;&atilde;o do capital, que, atualmente,     compreende a constru&ccedil;&atilde;o de condom&iacute;nios residenciais fechados ou de lazer,     hot&eacute;is, resorts, restaurantes, dentre outros equipamentos urbanos que     interessam ao capital.</p>       <p>A literatura     cient&iacute;fica sobre os pescadores artesanais os classifica como camponeses e     trabalhadores do mar. Tamb&eacute;m surgem textos que mostram os pescadores artesanais     como apenas trabalhadores do mar. Na pesca artesanal brasileira, a &uacute;nica     evolu&ccedil;&atilde;o marcante nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas foi na utiliza&ccedil;&atilde;o da embarca&ccedil;&atilde;o, que     avan&ccedil;ou de jangada e barco a vela para barco a motor, na d&eacute;cada de 1960, o que     contribuiu para o aumento da produ&ccedil;&atilde;o do pescado e para uma maior mobilidade do     pescador. O que &eacute; escasso na literatura sobre pescadores artesanais &eacute; uma     discuss&atilde;o sobre sua situa&ccedil;&atilde;o de moradia quando do avan&ccedil;o da urbaniza&ccedil;&atilde;o sobre     essas comunidades tradicionais, bem como proposi&ccedil;&otilde;es a esse respeito.</p>       <p>Nos &uacute;ltimos 40 anos,     o crescimento urbano acelerado das cidades brasileiras vem alcan&ccedil;ando e     englobando muitas comunidades de pescadores, transformando o rural em urbano.     Isso demanda novas formas de enten-der a complexidade dessa atividade econ&ocirc;mica     e, ainda mais relevante, a complexidade do modelo de interpreta&ccedil;&atilde;o dessa     realidade, considerando as mudan&ccedil;as na forma e fun&ccedil;&atilde;o dessas comunidades     tradicionais, o que contribui para proposi&ccedil;&otilde;es que venham analisar o tema     &lsquo;pescadores artesanais&rsquo;, de maneira mais espec&iacute;fica, ou seja, mais direcionada     para as suas realidades atuais.</p>     <p>Discutir sobre pesca     e pescador artesanal se justifica por se saber que, no Brasil, a pesca     artesanal &eacute; respons&aacute;vel por 45% da produ&ccedil;&atilde;o de pescado do pa&iacute;s, al&eacute;m de empregar     98% dos pescadores do pa&iacute;s, com importante contribui&ccedil;&atilde;o na soberania     alimentar. Al&eacute;m disso, garante a renda de mais de um milh&atilde;o de fam&iacute;lias.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>H&aacute; muitos espa&ccedil;os     geogr&aacute;ficos que ainda formam comunidades tradicionais, compondo espa&ccedil;os de moradia,     de trabalho e de vida, reproduzindo rela&ccedil;&otilde;es sociais, culturais e econ&ocirc;micas     que precisam, al&eacute;m de ser investigadas e diagnosticadas, ser tamb&eacute;m levadas &agrave;     discuss&atilde;o no plano de estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o municipal, a fim de fazer frente ao     processo de modifica&ccedil;&atilde;o do lugar de trabalho e de vida que prejudique a     reprodu&ccedil;&atilde;o do trabalhador pescador e de seu cotidiano, o que implica, tamb&eacute;m,     analisar o processo de mudan&ccedil;as nos padr&otilde;es de gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda da     comunidade, como tamb&eacute;m do espa&ccedil;o de moradia, &agrave; medida que o urbano e a     especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria passam a compor o cotidiano.</p>       <p>Este texto segue o     seguinte racioc&iacute;nio: entender como o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira     modificou e vem modificando o cotidiano de comunidades de pescadores     artesanais; entender o porqu&ecirc; da press&atilde;o urbana sobre essas comunidades; para     da&iacute;, ent&atilde;o, poder sugerir algumas diretrizes que venham se desdobrar em     estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o de acordo com os dados at&eacute; aqui coletados e os argumentos     at&eacute; ent&atilde;o postos, considerando as falas de sujeitos sociais que vivenciam as     realidades dessas praias.</p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>2. Objetivos</b></p>       <p><b>2.1. Geral</b></p>       <p>Analisar o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o e a press&atilde;o     imobili&aacute;ria sobre as comunidades tradicionais de pescadores artesanais nas     Praias da Penha e Tamba&uacute;, em Jo&atilde;o Pessoa, e em Praia de Lucena, em munic&iacute;pio     hom&ocirc;nimo.</p>       <p><b>2.2. Espec&iacute;ficos</b></p>       <p>- Entender como o     processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira modificou e vem modificando o cotidiano de     comunidades de pescadores artesanais;</p>       <p>- Compreender os     motivos da press&atilde;o urbana sobre essas comunidades tradicionais;</p>       <p>- Abordar diretrizes que venham se desdobrar em     estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o para a perman&ecirc;ncia das comunidades tradicionais, frente ao     capital imobili&aacute;rio.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>       <p><b>3. Caracteriza&ccedil;&atilde;o</b> <b>das &aacute;reas</b></p>       <p>Para entender os     novos padr&otilde;es espaciais de algumas comunidades de pescadores e, tamb&eacute;m, suas     novas rela&ccedil;&otilde;es de trabalho e mudan&ccedil;as no cotidiano, neste estudo, foram     analisadas tr&ecirc;s comunidades de pescadores: A comunidade de pescadores     artesanais da Praia da Penha, localizada no setor Leste da Cidade de Jo&atilde;o     Pessoa / PB, inserida no polo tur&iacute;stico do munic&iacute;pio; a comunidade de     pescadores artesanais que residia na Praia de Tamba&uacute;, praia urbana mais     frequentada da cidade de Jo&atilde;o Pessoa; e a comunidade de pescadores artesanais     que residia na praia central da cidade de Lucena/PB, cidade esta situada ao     norte do munic&iacute;pio de Jo&atilde;o Pessoa.</p>       <p>As dist&acirc;ncias em     rela&ccedil;&atilde;o ao Centro da Cidade de Jo&atilde;o Pessoa, capital da Para&iacute;ba, s&atilde;o: Praia da     Penha - 14km; Praia de Tamba&uacute; - 07km; Praia de Lucena - 25km.</p>       <p>As coordenadas     geogr&aacute;ficas decimais da Sede do munic&iacute;pio de Jo&atilde;o Pessoa s&atilde;o: Latitude -7.11532     e longitude -34.861; e da Sede do munic&iacute;pio de Lucena s&atilde;o: Latitude -6.89927 e     longitude -34.8691.</p>       <p>&nbsp;</p>   <a href="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a06f1.jpg" target="_blank">Figura 1</a>    
<p>&nbsp;</p>       <p>Essas praias est&atilde;o     assentadas sobre forma&ccedil;&otilde;es arenosas holoc&ecirc;nicas do &uacute;ltimo per&iacute;odo de     transgress&atilde;o-regress&atilde;o marinha, com altitudes de at&eacute; 6 metros. Seus sedimentos     s&atilde;o formados por areias quartzosas finas. O clima &eacute; Tropical Litor&acirc;neo &Uacute;mido,     com chuvas de outono a inverno, precipita&ccedil;&atilde;o de 1800mm/ano e umidade relativa     do ar em torno de 76%. As correntes marinhas s&atilde;o de Sudeste-Noroeste, e a     plataforma continental possui 50km na costa do estado da Para&iacute;ba. H&aacute; uma linha     on shore, de arrecifes de corais intermitentes e paralela &agrave; costa numa     dist&acirc;ncia de 1km.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>4.</b><b>Metodologia</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A sociedade est&aacute;     inserida em espa&ccedil;os de disputas desiguais entre grupos e classes de interesses     e poderes aquisitivos diferentes e contradit&oacute;rios. Por isso, a metodologia     utilizada neste trabalho, quanto &agrave; forma de interpreta&ccedil;&atilde;o da realidade, &eacute;     alicer&ccedil;ada pelo materialismo hist&oacute;rico, que tem como princ&iacute;pio a an&aacute;lise da     realidade como produto hist&oacute;rico da sociedade, dado em determinadas condi&ccedil;&otilde;es     postas pelos grupos socioecon&ocirc;micos dominantes.</p>       <p>Desta feita, a     abordagem &eacute; qualitativa, considerando o aprofundamento da compreens&atilde;o das     rela&ccedil;&otilde;es sociais dos pescadores. Com rela&ccedil;&atilde;o ao m&eacute;todo de pesquisa, este     trabalho est&aacute; alicer&ccedil;ado na pesquisa participante, a qual tem como fundamento a     an&aacute;lise de uma determinada realidade a partir da observa&ccedil;&atilde;o dos sujeitos da     pesquisa. (Gerhardt &amp; Silveira, 2009).</p>       <p>O procedimento de     pesquisa utilizado foi a Entrevista em Profundidade. A finalidade &eacute; dialogar     por mais de uma vez com os sujeitos da pesquisa. Esses di&aacute;logos objetivam     compreender as perspectivas que os sujeitos da pesquisa possuem a respeito de     seu trabalho e de sua vida, al&eacute;m de experi&ecirc;ncias cotidianas. O come&ccedil;o do     di&aacute;logo pode se dar por uma afirma&ccedil;&atilde;o, uma pergunta, uma interjei&ccedil;&atilde;o etc., sem     haver uma estrutura&ccedil;&atilde;o de perguntas e respostas, o que contribui para que o     pesquisador possa adquirir mais conhecimentos sobre o espa&ccedil;o pesquisado e as     pessoas que o animam (Taylor &amp; Bogdan, 2008).</p>     <p>Os di&aacute;logos com os sujeitos da pesquisa come&ccedil;aram a partir da seguinte     pergunta: como as casas de veraneio e os condom&iacute;nios residenciais de luxo v&ecirc;m     modificando as comunidades tradicionais de pesca?</p>       <p>A partir dessa pergunta,     feita para os entrevistados, os di&aacute;logos produziram dados semelhantes no     discurso de cada um. Da&iacute; em diante, sendo as respostas dos sujeitos da pesquisa     muito parecidas, se fazia outra pergunta que tamb&eacute;m foi feita em todos os     di&aacute;logos: Qual seria a solu&ccedil;&atilde;o para garantir que os pescadores atuais continuassem     trabalhando e tendo renda a partir da pesca?</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>5. Processo de     urbaniza&ccedil;&atilde;o e mudan&ccedil;as no cotidiano dos pescadores artesanais</b></p>       <p>Com o avan&ccedil;o das cidades, muitas comunidades     tradicionais, como, por exemplo, de pescadores, foram englobadas pela malha     urbana, implicando na remo&ccedil;&atilde;o de comunidades de pescadores, ou at&eacute; mesmo sua     pulveriza&ccedil;&atilde;o, dispers&atilde;o na cidade, causada pela reloca&ccedil;&atilde;o encampada por pessoas     que se diziam donas de faixas litor&acirc;neas, destinando os terrenos onde ficavam     as moradias dos pescadores para o loteamento imobili&aacute;rio voltado para as casas     de veraneio. Esse fen&ocirc;meno foi bastante representativo no litoral paraibano a     partir da d&eacute;cada de 1970.</p>       <p>Com isso, a atividade pesqueira ainda continuou sendo     a ocupa&ccedil;&atilde;o de muitos trabalhadores, mas, a partir da&iacute;, muitos pescadores se     viram em uma nova condi&ccedil;&atilde;o, a de moradores urbanos. Nesse caso, em duas     situa&ccedil;&otilde;es distintas, ou morando em casas localizadas a alguns quarteir&otilde;es do     mar, ou pior, residindo em aglomerados de moradias subnormais, termo mais     conhecido no Brasil por comunidades ou favelas, ou mesmo, em muitos casos, nas     duas condi&ccedil;&otilde;es ao mesmo tempo.</p>       <p>Dessa forma, padr&otilde;es     de moradias seculares deixam de existir em meses para dar lugar a outra     estrutura, a outro ritmo, trazendo consigo novas caracter&iacute;sticas de vida no que     se torna urbano.&nbsp; Em v&aacute;rios casos, o     &uacute;nico padr&atilde;o que se aprofunda &eacute; a pobreza, al&eacute;m da nega&ccedil;&atilde;o pelo capital de o     trabalhador permanecer morando na praia e ter a possibilidade de, num futuro     pr&oacute;ximo, serem o pescador e sua fam&iacute;lia orientados por empres&aacute;rios que poderiam     ser parceiros, ou mesmo o Poder P&uacute;blico, a diversificar sua fonte de renda com     atividades voltadas ao turismo e &agrave; cultura, como parte integrante de uma     comunidade tradicional, por isso diferenciada, oferecendo servi&ccedil;os culturais diferenciados     em rela&ccedil;&atilde;o ao que os grandes equipamentos tur&iacute;sticos propiciam.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os grandes     equipamentos tur&iacute;sticos geralmente propiciam o chamado n&atilde;o-lugar. Este &eacute;     caracterizado pela aus&ecirc;ncia de diferencia&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e cultural em rela&ccedil;&atilde;o     aos espa&ccedil;os ao redor, portanto sem identidade. O n&atilde;o-lugar &eacute; desprovido de um     contexto local e geralmente segue padr&otilde;es arquitet&ocirc;nicos internacionais,     descontextualizados da localidade em que est&aacute; inserido. Tudo isso em oposi&ccedil;&atilde;o     ao lugar, espa&ccedil;o hist&oacute;rico, cultural, onde h&aacute; rela&ccedil;&atilde;o de identidade entre os     habitantes e o ambiente.</p>       <p>Quanto ao campo, &eacute;     esse um lugar de produ&ccedil;&atilde;o e de obras. A produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola/pesqueira faz     nascerem produtos; a paisagem &eacute; uma obra. Essa obra emerge de um espa&ccedil;o     lentamente modelado, originariamente ligado aos grupos que a ocupam atrav&eacute;s de     uma rec&iacute;proca sacraliza&ccedil;&atilde;o que &eacute; a seguir profanada pela cidade e pela vida     urbana, que captam essa sacraliza&ccedil;&atilde;o, condensam-na e depois a dissolvem no     transcorrer das &eacute;pocas, absorvendo-a na racionalidade (Lefebvre, 2001).</p>       <p>Essa sacraliza&ccedil;&atilde;o &eacute;     aqui entendida como rela&ccedil;&atilde;o de respeito e &eacute;tica por parte do pescador com o     ambiente de praia e com o mar, como tamb&eacute;m com sua comunidade, que vai se     modificando a ponto de se transformar de forma complexa a partir dos novos arranjos     espaciais e culturais do espa&ccedil;o urbano, de moradia e at&eacute; mesmo de localiza&ccedil;&atilde;o e     dist&acirc;ncia, que s&atilde;o submetidos pelos grupos econ&ocirc;micos, que buscam ocupar os     espa&ccedil;os que antes eram do pescador, chegando ao ponto de fam&iacute;lias de pescadores     virem a n&atilde;o se interessar mais por este of&iacute;cio.</p>       <p>Nesse sentido, o     pr&oacute;prio Poder P&uacute;blico torna-se criador privilegiado de escassez, ou seja,     contribui para tornar os espa&ccedil;os mais caros e cobi&ccedil;ados, estimulando a     especula&ccedil;&atilde;o e fomentando a produ&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os vazios dentro das cidades     (Santos, 2008), o que contribui para que o capital pressione as comunidades     tradicionais de pesca, ou seja, atrav&eacute;s da for&ccedil;a do setor imobili&aacute;rio, pelo     encantamento do pescador no sentido de vender a sua casa e ir morar em &aacute;reas     mais afastadas da costa, o que ir&aacute; prejudic&aacute;-lo quanto &agrave;s potencialidades de     sua atividade junto a outras atividades econ&ocirc;micas, como turismo, servi&ccedil;os     culturais, dentre outros.</p>       <p>Assim, o pescador, transformado em morador urbano,     passa a assumir posi&ccedil;&otilde;es diferenciadas nas formas de pensar e agir, pois o     modelo espacial que passa a existir ao seu redor e dentro de sua comunidade, a     saber, o urbano, muda seu cotidiano e, at&eacute; mesmo, contribui para direcion&aacute;-lo a     trabalhar em outras atividades econ&ocirc;micas, pois estas passam a se multiplicar     no novo cen&aacute;rio socioecon&ocirc;mico de moradia. Desta feita, essa vida urbana, com     sua polui&ccedil;&atilde;o e ocupa&ccedil;&otilde;es irregulares em &aacute;reas ambientalmente impr&oacute;prias,     prejudica a produ&ccedil;&atilde;o pesqueira, o que impele o pescador e seus filhos para     outras atividades econ&ocirc;micas, em que a pesca, em muitos casos, passa a ser     atividade econ&ocirc;mica secund&aacute;ria, e n&atilde;o mais principal, o que vai afastando do     of&iacute;cio as gera&ccedil;&otilde;es seguintes.</p>       <p>Com a mudan&ccedil;a nos     padr&otilde;es espaciais e a complexidade das novas possibilidades de trabalho, as     necessidades dos indiv&iacute;duos da comunidade tradicional se multiplicam, surgindo     necessidades criadas, ou seja, que n&atilde;o s&atilde;o b&aacute;sicas, como &eacute; primordial comer,     beber, morar, dormir bem, dentre outras. As necessidades criadas trazem desejos     de possuir melhores roupas, cal&ccedil;ados, ve&iacute;culos, eletroeletr&ocirc;nicos etc. Da&iacute; o     interesse por outras fontes de renda, que passam a concorrer com a pesca, o que     consiste no fetiche da mercadoria.</p>       <p>Segundo Marx (1996),     o fetiche da mercadoria &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o social entre os pr&oacute;prios homens, que, para     eles, aqui assume a forma fantasmag&oacute;rica de uma rela&ccedil;&atilde;o entre coisas. Por isso,     para encontrar uma analogia, temos de nos deslocar &agrave; regi&atilde;o nebulosa do mundo     da religi&atilde;o. Aqui, os produtos do c&eacute;rebro humano parecem dotados de vida pr&oacute;pria,     figuras aut&ocirc;nomas, que mant&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es entre si e com os homens. Assim, o mundo     das mercadorias acontece com os produtos da m&atilde;o humana.</p>       <p>Isso Karl Marx chama     de fetichismo, que adere aos produtos de trabalho, t&atilde;o logo s&atilde;o produzidos como     mercadorias, e que, por isso, &eacute; insepar&aacute;vel da produ&ccedil;&atilde;o de mercadorias. Esse     car&aacute;ter fetichista do mundo das mercadorias prov&eacute;m, como a an&aacute;lise precedente     j&aacute; demonstrou, do car&aacute;ter social peculiar do trabalho que produz mercadorias.</p>       <p>Com isso, objetos de     uso se tornam mercadorias apenas por serem produtos de trabalhos privados,     exercidos independentemente uns dos outros. O complexo desses trabalhos     privados forma o trabalho social total. Como os produtores somente entram em     contato social mediante a troca de seus produtos de trabalho, as     caracter&iacute;sticas especificamente sociais de seus trabalhos privados s&oacute; aparecem     dentro dessa troca.</p>       <p>Para tanto, o tempo de trabalho no mar, como pescador     artesanal, com o decr&eacute;scimo do pescado nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, n&atilde;o passa a ser     mais t&atilde;o vantajoso para o pescador que reside em &aacute;rea urbana, em     compara&ccedil;&atilde;o&nbsp; a outras atividades     relacionadas ao espa&ccedil;o urbano, como os servi&ccedil;os de pintor, pedreiro, vigilante,     jardineiro, caseiro, gar&ccedil;om etc. Assim, para consumir a mesma quantidade de     produtos, ou at&eacute; mais, a renda da pesca e o tempo para obt&ecirc;-la se tornam     desvantajosos em rela&ccedil;&atilde;o a outras atividades econ&ocirc;micas.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para denominar a sociedade p&oacute;s-industrial,ou seja, aquela que nasce da     industrializa&ccedil;&atilde;o e a sucede, propomos, aqui, o conceito de sociedade urbanaque designa,     mais que um fato consumado, a tend&ecirc;ncia, a orienta&ccedil;&atilde;o, a virtualidade. Isso,     por conseguinte, n&atilde;o tira o valor de outra caracteriza&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica da realidade     contempor&acirc;nea, como, por exemplo, a an&aacute;lise da &quot;sociedade burocr&aacute;tica de     consumo dirigido''. O tecido urbanoprolifera, estende-se, corr&oacute;i os res&iacute;duos de vida agr&aacute;ria. Essas     palavras, &quot;o tecido urbano&quot;, n&atilde;o designam, de maneira restrita, o     dom&iacute;nio edificado nas cidades, mas o conjunto das manifesta&ccedil;&otilde;es do predom&iacute;nio     da cidade sobre o campo (Lefebvre, 1991).</p>     <p>Esse conjunto das manifesta&ccedil;&otilde;es do predom&iacute;nio da     cidade sobre o campo &eacute; percebido na diferencia&ccedil;&atilde;o dos ritmos de trabalho e vida     desses espa&ccedil;os diferenciados. Tamb&eacute;m s&atilde;o observados nos desejos de consumo, que     se agu&ccedil;am quando a aglomera&ccedil;&atilde;o de pessoas &eacute; maior. No espa&ccedil;o urbano, a maior     circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o e de transportes facilita a capacidade de     manobrar/ditar/dirigir o que a sociedade de massa deve consumir.</p>       <p>Essa imposi&ccedil;&atilde;o das elites para as massas implica em     analisar de forma atenta quais s&atilde;o as mudan&ccedil;as que est&atilde;o ocorrendo nas     comunidades de pescadores artesanais que, por algum motivo, ainda est&atilde;o emersas     em &aacute;reas urbanas e n&atilde;o foram, ao menos por enquanto, relocadas de alguma     maneira pela for&ccedil;a do capital, para dar lugar a empreendimentos imobili&aacute;rios.     Capital este que, como criador de necessidades, dentro da l&oacute;gica do fetiche da     mercadoria, tamb&eacute;m cria at&eacute; mesmo o interesse do pescador, desavisado ou     desiludido, de sair do ambiente de praia para morar em outras partes da cidade,     muitas vezes, longe do seu lugar de trabalho, o mar e a praia.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>6. Press&atilde;o imobili&aacute;ria     em comunidades tradicionais de pescadores artesanais</b></p>       <p>O crescimento urbano     no Brasil foi e ainda &eacute; pautado na edifica&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas em saltos. Esses saltos     obedecem &agrave; l&oacute;gica da especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria, onde h&aacute; descontinuidades no     processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o, a fim de que os espa&ccedil;os deixados vazios entre uma     faixa urbana constru&iacute;da e outra possam valorizar com o tempo, &agrave; medida que a     infraestrutura, os servi&ccedil;os p&uacute;blico e privados e a circula&ccedil;&atilde;o de pessoas e     mercadorias valorizem ainda mais os vazios urbanos.</p>       <p>A partir da     prolifera&ccedil;&atilde;o do autom&oacute;vel para a classe alta e classe m&eacute;dia alta, no final da     d&eacute;cada de 1970, em Jo&atilde;o Pessoa, e do aumento de coletivos nas linhas de &ocirc;nibus,     atrelada &agrave; pol&iacute;tica habitacional de constru&ccedil;&atilde;o de conjuntos habitacionais para     a popula&ccedil;&atilde;o de baixa renda, no per&iacute;odo da Ditadura Militar (1964-85), a cidade     come&ccedil;ou a se expandir rapidamente.</p>       <p>Esse modelo de     expans&atilde;o r&aacute;pida ou &ldquo;urban sprawl&rdquo;, como citado por Ojima (2007), surge em meados da d&eacute;cada de 1960 e expressa o     crescimento descontrolado das aglomera&ccedil;&otilde;es urbanas norte-americanas,     principalmente pela dispers&atilde;o do padr&atilde;o suburbano de urbaniza&ccedil;&atilde;o. Tal processo     ocorreu, nos Estados Unidos, com maior evid&ecirc;ncia no per&iacute;odo p&oacute;s-Segunda Guerra     Mundial, quando a popula&ccedil;&atilde;o americana de maior poder aquisitivo buscou, nas     &aacute;reas mais afastadas dos centros das cidades, melhor qualidade de vida.</p>       <p>O termo &ldquo;urban     sprawl&rdquo; indica crescimento exagerado da cidade, a partir de pr&aacute;ticas como a     produ&ccedil;&atilde;o de sub&uacute;rbios, condom&iacute;nios horizontais fechados e conjuntos     habitacionais populares, localizados nas &ldquo;franjas&rdquo; ou bordas urbanas, distantes     do centro e da mancha consolidada da cidade. (Ojima, 2007).</p>       <p>No caso de Jo&atilde;o Pessoa,     a cidade nasceu &agrave;s margens do rio Sanhau&aacute; e cresceu em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;s praias     mar&iacute;timas. A partir da d&eacute;cada de 1970, as elites buscaram, nas proximidades das     praias, lugares afastados das classes menos favorecidas, ao mesmo tempo em que     buscaram tamb&eacute;m estabelecer moradias, num primeiro momento, de segunda     resid&ecirc;ncia, adensando o urbano nesses espa&ccedil;os.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Al&eacute;m de se afastarem     dos despossu&iacute;dos, as elites tamb&eacute;m buscavam usufruir dos ambientes naturais de     praia, os quais sempre foram vistos como espa&ccedil;os de lazer. Nesse momento     hist&oacute;rico, o espa&ccedil;o de lazer tempor&aacute;rio passou, gradativamente, a ser espa&ccedil;o     perene de lazer e vida, onde tamb&eacute;m era, como ainda &eacute;, relevante o contato com     a natureza.</p>       <p>Santos (2008) afirma     que a natureza, hoje, &eacute; um valor, e, em termos de processo hist&oacute;rico, ela &eacute;     social. O valor da natureza est&aacute; relacionado com a escala de valores     estabelecida pela sociedade para aqueles bens que antes eram chamados naturais.     Essa valoriza&ccedil;&atilde;o incide de modo importante sobre as zonas costeiras dos pa&iacute;ses perif&eacute;ricos     e tropicais. Obviamente, essas praias ensolaradas s&atilde;o produtos de venda f&aacute;cil     para quem tem poder aquisitivo, mercadorias valorizadas para as elites do pa&iacute;s     e popula&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses temperados e frios. Essa quest&atilde;o, na verdade, cria um     potencial de desenvolvimento que pode ser um fator portador de uma     multiplica&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, de empregos diretos e indiretos e de circula&ccedil;&atilde;o de     mercadorias, mas que tamb&eacute;m inclui um potencial de impactos perversos, tanto     ambientais como sociais, como tem sido para as comunidades tradicionais de     pescadores.</p>       <p>O processo de     urbaniza&ccedil;&atilde;o, quando chega a uma comunidade de pescadores, n&atilde;o tira deles o     car&aacute;ter de comunidade tradicional. Da&iacute; a possibilidade de direcionar pol&iacute;ticas     p&uacute;blicas nessa perspectiva, para que os trabalhadores pescadores possam     permanecer em suas moradias hist&oacute;ricas a partir de uma releitura deles por eles     mesmos, devidamente interpretada pelos pr&oacute;prios pescadores, al&eacute;m de t&eacute;cnicos e     cientistas, analisando e propondo possibilidades, contando com a colabora&ccedil;&atilde;o do     Poder P&uacute;blico, tendo em vista a rela&ccedil;&atilde;o de desvantagem socioecon&ocirc;mica dessas     comunidades em rela&ccedil;&atilde;o ao capital, pois este tem maior poder de articula&ccedil;&atilde;o e     reinven&ccedil;&atilde;o.</p>       <p>Para proteger as     comunidades tradicionais, inclusive comunidades de pescadores, foi promulgado     no Brasil o Decreto Federal n.&ordm; 6.040/2007, que Institui a Pol&iacute;tica Nacional de     Desenvolvimento Sustent&aacute;vel dos Povos e Comunidades Tradicionais, que, no art.     2&ordm; de seu anexo, expressa como objetivo geral promover o desenvolvimento sustent&aacute;vel     dos Povos e das Comunidades Tradicionais, com &ecirc;nfase no reconhecimento, no     fortalecimento e na garantia dos seus direitos.</p>       <p>Embora todas essas     dimens&otilde;es estejam contempladas no objetivo geral desse Decreto, que insere os     pescadores artesanais como comunidade tradicional, essa lei ainda carece de     aten&ccedil;&atilde;o por parte do Poder P&uacute;blico, que n&atilde;o possui a mesma velocidade de a&ccedil;&atilde;o     dos grupos capitalistas, que reinventam formas de se apropriar das terras que     interessam &agrave; acumula&ccedil;&atilde;o de capital, de acordo com o tempo e o espa&ccedil;o.</p>       <p>Desta feita,     historicamente, as comunidades de pescadores s&atilde;o extintas pelo capital     imobili&aacute;rio, atrav&eacute;s da expuls&atilde;o dos pescadores da faixa de praia pelos pretensos     donos de faixas litor&acirc;neas, seja pelo Estado, que reloca esses trabalhadores     para &aacute;reas mais distantes da praia, seja por grupos empresariais que chegam com     recursos financeiros suficientes para comprarem, Paulatinamente, a pre&ccedil;os     baixos, as moradias prec&aacute;rias dos pescadores.</p>       <p>Atualmente, &eacute; o     Decreto Federal n&ordm; 6.040/2007 que surge como instrumento jur&iacute;dico norteador     para garantir o pescador em faixa de praia, pois considera Povos e Comunidades Tradicionais como grupos     culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas     pr&oacute;prias de organiza&ccedil;&atilde;o social, que ocupam e usam territ&oacute;rios e recursos     naturais como condi&ccedil;&atilde;o para sua reprodu&ccedil;&atilde;o cultural, social, religiosa,     ancestral e econ&ocirc;mica, utilizando conhecimentos, inova&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas gerados e     transmitidos pela tradi&ccedil;&atilde;o. Assim como entende que Territ&oacute;rios Tradicionais     s&atilde;o os espa&ccedil;os necess&aacute;rios &agrave; reprodu&ccedil;&atilde;o cultural, social e econ&ocirc;mica dos povos     e das comunidades tradicionais, sejam eles utilizados de forma permanente ou     tempor&aacute;ria.</p>       <p>O reconhecimento de que h&aacute; uma comunidade tradicional     em ambiente de vetor de crescimento urbano contribui para que uma determinada     zona rural que passa a ser urbana n&atilde;o seja pass&iacute;vel de ser removida pelo     capital imobili&aacute;rio, que busca nos espa&ccedil;os litor&acirc;neos ambientes para sua     constante reprodu&ccedil;&atilde;o, tendo em vista que a visibilidade dos     povos e das comunidades tradicionais deve se     expressar por meio do pleno e efetivo exerc&iacute;cio da cidadania, considerando, dentre outros princ&iacute;pios, o reconhecimento e a     consolida&ccedil;&atilde;o dos direitos dos povos e das comunidades tradicionais, o que implica na perman&ecirc;ncia no territ&oacute;rio de     trabalho, moradia e vida, como expressa a Pol&iacute;tica Nacional de     Desenvolvimento Sustent&aacute;vel dos Povos e Comunidades Tradicionais.</p>       <p><b>7. Comunidades tradicionais de Pescadores Artesanais: Praia de Lucena, Praia de Tamba&uacute;     e Praia da Penha</b></p>       <p>A problem&aacute;tica urbana     n&atilde;o permite ao pensamento lan&ccedil;ar-se na explora&ccedil;&atilde;o do poss&iacute;vel sem precau&ccedil;&atilde;o.     Cabe ao analista descrever e discernir tipos de urbaniza&ccedil;&atilde;o e dizer no que se     tornaram as formas, as fun&ccedil;&otilde;es, as estruturas urbanas transformadas pela     explos&atilde;o da cidade antiga e pela urbaniza&ccedil;&atilde;o generalizada (Lefebvre, 1999).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Nessa perspectiva,     para expressar o espa&ccedil;o em termos mais observ&aacute;veis, podemos entender que,     sempre que a sociedade (a totalidade social) sofre uma mudan&ccedil;a, as formas ou os     objetos geogr&aacute;ficos (tanto os novos como os velhos) assumem novas fun&ccedil;&otilde;es; a     muta&ccedil;&atilde;o cria uma nova urbaniza&ccedil;&atilde;o espacial. Em qualquer ponto do tempo, o modo     de funcionamento da estrutura social atribui determinados valores &agrave;s formas.     Todavia, se examinarmos apenas uma fatia de tempo homog&ecirc;neo, careceremos de um     contexto em que possamos basear nossas observa&ccedil;&otilde;es, uma vez que a estrutura     varia conforme os diferentes per&iacute;odos hist&oacute;ricos (Santos, 1985).</p>       <p>Assim, consideramos a     urbaniza&ccedil;&atilde;o um processo social, espacialmente fundamentado, no qual um amplo     leque de sujeitos, com objetivos e compromissos diversos, interage por meio de     uma configura&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de pr&aacute;ticas espaciais entrela&ccedil;adas. Em uma sociedade     vinculada por classes, como a sociedade capitalista, essas pr&aacute;ticas espaciais     adquirem um conte&uacute;do de classe definido, o que n&atilde;o quer dizer que todas as     pr&aacute;ticas espaciais possam ser assim interpretadas. Considerando ainda que, sob     o capitalismo, o amplo leque das pr&aacute;ticas de classe, em associa&ccedil;&atilde;o com a     circula&ccedil;&atilde;o do capital, a reprodu&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a de trabalho e das rela&ccedil;&otilde;es de     classe, e a necessidade de controlar a for&ccedil;a de trabalho permanecem hegem&ocirc;nicos     (Harvey, 2005).</p>       <p>A press&atilde;o imobili&aacute;ria urbana que ocorre na Praia da     Penha (<a href="#f2">Fig. 2</a> e <a href="#f3">3</a>) e em seus contornos acontece devido ao processo de     periferiza&ccedil;&atilde;o das classes mais abastadas, pois a &aacute;rea central (o centro da     cidade), &agrave; medida que vai aumentando sua din&acirc;mica econ&ocirc;mica em com&eacute;rcio e     presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os, deixa de ser confort&aacute;vel como ambiente de moradia para     as classes de maior poder aquisitivo. Com isso, &ldquo;A elite, a partir do momento     em que se inicia o processo de centraliza&ccedil;&atilde;o das atividades comerciais e     presta&ccedil;&otilde;es de servi&ccedil;os, come&ccedil;a progressivamente a abandonar suas resid&ecirc;ncias     centralmente localizadas, indo residir na periferia&rdquo;. (Corr&ecirc;a, 2002).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f2"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a06f2.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p><a name="f3"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a06f3.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao onde     morar, &eacute; preciso lembrar que existe um diferencial espacial na localiza&ccedil;&atilde;o de     resid&ecirc;ncias vistas em termos de conforto e qualidade. Essa diferen&ccedil;a reflete,     em primeiro lugar, um diferencial no pre&ccedil;o da terra &ndash; que &eacute; fun&ccedil;&atilde;o da renda     esperada &ndash; que varia em fun&ccedil;&atilde;o das amenidades e da acessibilidade (Corr&ecirc;a,     2002). Al&eacute;m de os ambientes de amenidades serem espa&ccedil;os apreciados para a   moradia, tamb&eacute;m o s&atilde;o para o lazer e o entretenimento.</p>     <p>As faixas de praia no     Brasil, assim como em diversos pa&iacute;ses pelo mundo, s&atilde;o procuradas para nelas     serem constru&iacute;dos equipamentos tur&iacute;sticos e de entretenimento, voltados para os     mais abastados, n&atilde;o s&oacute; da cidade e da regi&atilde;o, mas tamb&eacute;m de qualquer lugar do     planeta. Dessa forma, uma &aacute;rea de praia, na cultura da popula&ccedil;&atilde;o litor&acirc;nea do     Nordeste brasileiro, implica em espa&ccedil;o de amenidades, ou seja, possui humidade     elevada, propicia a facilidade do banho de mar, sol, espa&ccedil;o natural que     culturalmente serve ao lazer e ao entretenimento, &agrave; atividade f&iacute;sica e &agrave;     contempla&ccedil;&atilde;o.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Num primeiro momento, comprar moradias numa comunidade     de pescadores pareceria desinteressante para o capital, mas, ao contextualizar     a realidade especulativa do espa&ccedil;o urbano em que est&aacute; inserido o Bairro da     Penha e sua comunidade de pescadores, ou seja, em um espa&ccedil;o que j&aacute; &eacute; urbano e,     para al&eacute;m disso, zona destinada ao turismo pela Lei de Zoneamento Municipal,     mostra a posi&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica para o capital imobili&aacute;rio em rela&ccedil;&atilde;o ao Bairro da     Penha e sua localiza&ccedil;&atilde;o.</p>       <p>Nesse contexto, as     terras urbanas que hoje est&atilde;o em posse dos pescadores caracterizariam o espa&ccedil;o     de pior localiza&ccedil;&atilde;o dessa zona costeira para se adquirir im&oacute;veis, tendo em     vista que, nesse espa&ccedil;o, vivem pessoas de baixo poder aquisitivo, e que tamb&eacute;m     os outros terrenos ao redor est&atilde;o loteados para condom&iacute;nios residenciais de     alto padr&atilde;o, hot&eacute;is e equipamentos de lazer e entretenimento, o que torna esses   terrenos ao redor bem mais caros.</p>     <p>Todavia, &eacute; nos     espa&ccedil;os aparentemente desinteressantes para o setor imobili&aacute;rio que &eacute; poss&iacute;vel     se realizar lucros mais vultosos. A localiza&ccedil;&atilde;o &eacute; sempre relativa, e, sendo     assim, &eacute; poss&iacute;vel relativizar espa&ccedil;os considerando suas caracter&iacute;sticas     atraentes. Dependendo do que se venha considerar quando da valoriza&ccedil;&atilde;o de uma     &aacute;rea, aspectos como segrega&ccedil;&atilde;o socioespacial e lazer tendem a interessar     pessoas abastadas, o que desperta o interesse do capital imobili&aacute;rio.</p>       <p>Do ponto de vista     comparativo com outras comunidades de pescadores do estado da Para&iacute;ba, podemos     observar que a hist&oacute;ria de apropria&ccedil;&atilde;o de comunidades de pescadores pelo     capital imobili&aacute;rio, como vem ocorrendo na Praia da Penha, possui     caracter&iacute;sticas semelhantes com o que j&aacute; aconteceu na d&eacute;cada de 1970 em Tamba&uacute;,     praia central de Jo&atilde;o Pessoa (<a href="#f4">Fig. 4</a>), atualmente com sua orla ocupada por     hot&eacute;is e pr&eacute;dios residenciais que servem a pessoas com alto poder aquisitivo.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f4"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a06f4.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Isso tamb&eacute;m ocorreu em Lucena, munic&iacute;pio que     atualmente tem a sua orla ocupada por casas de veraneio, pousadas e loteamentos     (<a href="#f5">Fig. 5</a>). Naquele momento hist&oacute;rico, nos dois casos (Tamba&uacute; e Lucena), pessoas     mais abastadas compraram casas e terrenos, onde moravam os pescadores, de     pessoas que se consideravam donas dessas terras. O saldo social &eacute; a atual     situa&ccedil;&atilde;o de moradia desses pescadores, que est&atilde;o, em grande parte, no     aglomerado de moradias sub-normais S&atilde;o Jos&eacute;, entre os bairros nobres de Tamba&uacute;     e Manaira, em Jo&atilde;o Pessoa; e na &ldquo;comunidade&rdquo; Carrapeta, em Lucena.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f5"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a06f5.jpg"/>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Para entender como foi o processo de reloca&ccedil;&atilde;o ao qual     os pescadores da Praia de Lucena e da Praia de Tamba&uacute; foram submetidos, tanto     pelo poder p&uacute;blico como pelos capitalistas donos destas terras praianas,     vejamos os depoimentos de pescadores das duas praias, como tamb&eacute;m o depoimento     de um pescador da Praia da Penha, onde o processo de urbaniza&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea, que     vem ocorrendo h&aacute; alguns anos, passa a comprometer a perman&ecirc;ncia dos pescadores.     Com isto, objetiva-se compreender o processo de expropria&ccedil;&atilde;o que ocorreu no     passado para os pescadores de Lucena e Tamba&uacute;, e como est&aacute; ocorrendo atualmente   para os pescadores da praia da Penha.</p>     <p><b>7.1. Depoimento do presidente da Col&ocirc;nia de Pescadores de     Lucena, Severino Am&acirc;ncio (53 anos), sobre a Praia de Lucena</b></p>       <p><i>Morei na beira da     praia. Os propriet&aacute;rios davam um canto na beira da praia quando se pedia um     peda&ccedil;o de ch&atilde;o. Terreno de praia at&eacute; &agrave; d&eacute;cada de 1970 n&atilde;o tinha valor. Entre os     pescadores, se dizia que quem vivia em praia era aratu <a href="#1">1</a><a name="top1"></a>.     A maioria dos pescadores recebeu terreno em troca para sair da praia. Quando     moravam na praia, os pescadores n&atilde;o tinham permiss&atilde;o de construir casas de     alvenaria. Viviam em casas de palha e ch&atilde;o batido</i>(<a href="#f6">Fig. 6</a>).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f6"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a06f6.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p><i>Hoje, a press&atilde;o &eacute;     sobre as cai&ccedil;aras <a href="#2">2</a><a name="top2"></a>dos     pescadores: os veranistas n&atilde;o querem que os pescadores fa&ccedil;am cai&ccedil;aras em frente     &agrave;s suas resid&ecirc;ncias.</i></p>       <p><i>A pesca como     atividade principal gera apenas um sal&aacute;rio m&iacute;nimo</i> (R$ 678,00 reais, o que equivale, em 13/04/2014, a $312,44) <i>por m&ecirc;s, em m&eacute;dia. Muitos pescadores hoje j&aacute;     deixam de pescar para fazer outras atividades que sejam mais lucrativas. A     pesca como</i> <i>primeira atividade s&oacute;     daria certo com embarca&ccedil;&otilde;es mais apropriadas. Hoje em dia, o pescador tem medo     de mandar o filho para o mar. A situa&ccedil;&atilde;o do pescador &eacute; penosa, pois &eacute; dif&iacute;cil     de viver. Se eu pesco e tenho filho, eu n&atilde;o quero que ele v&aacute; para o mar. Hoje   em dia, tem muitas profiss&otilde;es, muitas possibilidades.</i></p>     <p><i>Essa pesca que temos     a&iacute; n&atilde;o d&aacute; para tirar mais de um sal&aacute;rio m&iacute;nimo por m&ecirc;s. A gente pesca, no     m&aacute;ximo, a vinte milhas, muitas vezes em barcos pequenos, de at&eacute; oito metros,     para ir num dia e voltar no outro. N&atilde;o temos dinheiro para melhorar nosso     trabalho. O governo oferece empr&eacute;stimos, mas n&atilde;o temos como fazer empr&eacute;stimos     porque n&atilde;o temos como dar garantias, pois n&atilde;o temos bens.</i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Depoimento do pescador Claudemar (Vav&aacute;, 62 anos),     sobre a praia de Tamba&uacute;</b></p>       <p><i>Tamba&uacute; come&ccedil;ou a     crescer a partir de 1955. At&eacute; a&iacute; s&oacute; existiam pescadores na praia. O hotel     Tamba&uacute;</i>(<a href="#f7">Fig. 7</a>)<i>, constru&iacute;do em 1978,     atraiu o crescimento. A cai&ccedil;ara dos pescadores ficava onde fica o hotel Tamba&uacute;.     Eu cheguei em 1966. Nesse ano, Tamba&uacute; j&aacute; estava loteado at&eacute; o que hoje &eacute; a     Avenida Rui Carneiro. Essa avenida ainda n&atilde;o existia nessa &eacute;poca.</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f7"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a06f7.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p><i>Os pescadores moravam     na atual Av. Franca Filho, no atual bairro de Mana&iacute;ra, e na Avenida Olinda, que   fica em frente ao hotel Tamba&uacute;.</i></p>     <p><i>Em 1967, fizeram uma     Vila dos Pescadores, perto da Capital Fiat, na Avenida Rui Carneiro. Fica na     Avenida Sap&eacute;. Na &eacute;poca, o governo fez cerca de 65 casas. Hoje, pescador na     Vila, n&atilde;o tem mais de 10 pessoas. A maioria dos pescadores que receberam as     casas morreram. Os filhos foram vendendo essas casas e, dos que ficaram, quase     nenhum trabalha com a pesca atualmente.</i></p>       <p><i>Toda vida o Poder     P&uacute;blico mudou como bem queria o lugar do pescador morar, e pescador &eacute; bicho     besta, tudo aceitava. E, tamb&eacute;m, quando se dava ao pescador uma casa de alvenaria     para ele deixar a de palha, quem &eacute; que n&atilde;o queria? O neg&oacute;cio do pescador mesmo     &eacute; ter a beira da praia dele e um lugar para botar a fam&iacute;lia.</i></p>       <p><i>Hoje, a beira de     praia &eacute; do turista, mas, na minha &eacute;poca, a beira de praia todo mundo sabia que     era do pescador. Lugar de pescador &eacute; na beira da praia. Atualmente, a maioria     dos pescadores mora na comunidade S&atilde;o Jos&eacute;, e o restante, em bairros pobres da     cidade.</i></p>       <p><i>Nossa cai&ccedil;ara est&aacute; ao     lado do hotel Tamba&uacute;, mas hoje eu n&atilde;o tenho coragem de ficar na cai&ccedil;ara a     partir das 21h, pois &eacute; muito perigoso. A cai&ccedil;ara era onde ocorria o lazer do     pescador. Onde ele bebia com os amigos, onde ele botava a rede e dormia quando     vinha cansado do mar.</i></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>A maioria dos     pescadores de hoje s&atilde;o os filhos dos pescadores velhos. J&aacute; os pescadores de hoje     n&atilde;o querem seus filhos pescando. Daqui a duas gera&ccedil;&otilde;es, praticamente n&atilde;o haver&aacute;     mais pescador. A pescaria &eacute; incerta. Somente se o filho n&atilde;o quiser estudar &eacute;     que ele vai virar pescador. Eu tenho um filho pescador, mas eu n&atilde;o queria isso     para o meu filho. E tenho certeza que ele n&atilde;o quer isso para o filho dele.</i></p>       <p><i>Da minha &eacute;poca para     hoje, j&aacute; diminuiu cerca de 70% do n&uacute;mero de pescadores, e n&atilde;o est&aacute; recompondo.     Est&atilde;o vindo pescadores de outros lugares.</i></p>       <p><b>7.3. Depoimento do presidente da associa&ccedil;&atilde;o de Pescadores     da Penha, Jos&eacute; Paulino (Zeca, 46 anos), sobre a Praia da Penha</b></p>       <p><i>Tem pessoas que j&aacute;     est&atilde;o pensando em vender suas casas, porque a pesca j&aacute; n&atilde;o t&aacute; t&atilde;o boa. Pescador     tamb&eacute;m est&aacute; mais escasso. Hoje, o pescador tamb&eacute;m &eacute; pedreiro, pintor, trabalha     na constru&ccedil;&atilde;o civil. Tamb&eacute;m tem pescador que hoje &eacute; funcion&aacute;rio p&uacute;blico.     Pescaria &eacute; hoje e n&atilde;o amanh&atilde;, e o pescador n&atilde;o vai deixar a fam&iacute;lia passar     fome. Tem que pescar cerca de 20 dias em m&eacute;dia por m&ecirc;s para lucrar um sal&aacute;rio     m&iacute;nimo.</i></p>       <p><i>Na Penha, ainda h&aacute;     umas 100 fam&iacute;lias de pescadores. O n&uacute;mero de pescadores vem caindo nos &uacute;ltimos     anos.</i></p>       <p><i>D&aacute; muito pouco peixe     por causa da polui&ccedil;&atilde;o e pesca predat&oacute;ria. O mangue do Rio do Cabelo foi extinto     para fazer condom&iacute;nio fechado. Esse condom&iacute;nio destruiu o estu&aacute;rio. O rio chegava     a 3m de profundidade, na d&eacute;cada de 1980. Era um estu&aacute;rio grande. N&atilde;o existe     mais. Os peixes precisam de estu&aacute;rios para se reproduzir. Os caranguejos     precisam de mangues.</i></p>       <p><i>Onde havia um bar     conhecido como Forr&oacute; da Penha hoje &eacute; um restaurante que veio de outro pa&iacute;s.     Esse restaurante j&aacute; comprou tr&ecirc;s casas e certamente vai comprar mais. Essas     casas eram de pessoas que n&atilde;o tinham v&iacute;nculo com a pesca. Os bares compravam     pescado aos pescadores. O restaurante compra apenas aos atravessadores. Muitas     pessoas que moram no centro de Jo&atilde;o Pessoa passaram a conhecer a praia da Penha     por causa desse restaurante. Embora a Penha seja t&atilde;o perto, muitas pessoas n&atilde;o     conheciam.</i></p>       <p><i>O pescador nato n&atilde;o     pensa em sair da praia, a n&atilde;o ser para o cemit&eacute;rio. Mas quem tem a pesca como     um divertimento, estes n&atilde;o veem problema em vender. Hoje, umas 30 fam&iacute;lias no     Bairro da Penha vivem apenas do mar. H&aacute; umas 30 a 40 fam&iacute;lias que vivem entre o     mar e uma atividade econ&ocirc;mica no continente. O restante tem a pesca como     divers&atilde;o, passatempo.</i></p>       <p><i>As nossas mulheres j&aacute;     trabalham como empregadas dom&eacute;sticas nos condom&iacute;nios, tamb&eacute;m como bab&aacute;, como     tamb&eacute;m no Centro da Cidade, pela facilidade de transporte.</i></p>       <p><i>Como a Penha &eacute; um     lugar sossegado, muitas pessoas v&ecirc;m atr&aacute;s de casas para morar. &Agrave;s vezes, s&atilde;o     fam&iacute;lias atr&aacute;s de casas para usar como segunda resid&ecirc;ncia, para ter uma casa na     praia.</i></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Quando v&ecirc;m cursos     oferecidos pelo governo, s&atilde;o de dois dias. Isso &eacute; muito pouco. Tamb&eacute;m ensinar o     pescador a pescar &eacute; dif&iacute;cil, &eacute; como querer botar um bode dentro d&rsquo;&aacute;gua. &Eacute; querer     ensinar um padre a rezar a missa. Isso n&atilde;o ajuda. A Professora Cristina Crispim     vem fazendo um trabalho s&eacute;rio conosco, nos ensinando a n&atilde;o degradar a natureza.     Isso nos &eacute; &uacute;til. Vem nos ensinando como repovoar de caranguejo o Rio Aratu, que     &eacute; aqui pr&oacute;ximo da Penha; vem nos ensinando a criar ostra. Mesmo assim, ainda     precisamos de mais coisas, porque isso ainda n&atilde;o &eacute; suficiente. Quem n&atilde;o quer     uma vida melhor? Ainda haver&aacute; pescador trabalhando na constru&ccedil;&atilde;o civil e em     outras atividades.</i></p>       <p><i>Quanto &agrave; vinda dos     condom&iacute;nios fechados para o nosso redor, &eacute; bom, porque a&iacute; a gente tem mais     facilidade de escoar a produ&ccedil;&atilde;o. Nosso medo &eacute; nos tirarem daqui, nos remover     para longe da praia.</i></p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>8. An&aacute;lise dos depoimentos dos senhores Cibil (Praia de     Lucena) e Vav&aacute; (Praia de Tamba&uacute;)</b></p>       <p>Podemos observar, nas     falas dos senhores Cibil e Vav&aacute;, que o terreno de praia, tanto em Lucena como     em Jo&atilde;o Pessoa, h&aacute; algumas d&eacute;cadas, praticamente n&atilde;o tinha valor econ&ocirc;mico. &Agrave;     medida que os terrenos come&ccedil;aram a se valorizar, porque passaram a surgir     interessados em comprar terrenos para veraneio, num primeiro momento, e depois     para moradia como primeira resid&ecirc;ncia, os pescadores foram removidos da beira     de praia para dentro do continente.</p>       <p>À medida que essas     áreas, até então rurais, passaram a ser urbanas, os pescadores passaram, pouco     a pouco, a perder a identidade com o ambiente de seu ofício, a praia, e depois o mar, considerando que, ao serem relocados para     conjuntos habitacionais ou mesmo aglomerados de moradias subnormais (favelas),     muitos pescadores passaram a exercer outros ofícios.</p>     <p>Nas falas de Cibil e     de Vav&aacute;, tamb&eacute;m aparecem as caracter&iacute;sticas da moradia do pescador nesse     per&iacute;odo. Eram casas de palha, geralmente em s&iacute;tios de coqueiros, onde os     pescadores n&atilde;o tinham direito de fazer melhoramentos nas palho&ccedil;as, no sentido     de transform&aacute;-las em casas de alvenaria, ou mesmo de taipa.</p>       <p>O motivo &eacute; que, mesmo     naquela &eacute;poca, com os terrenos de praia ainda sem valor, esses terrenos j&aacute; eram     entendidos pelos propriet&aacute;rios como reserva de mercado, como tamb&eacute;m a terra, no     Brasil, historicamente, serve para perpetuar poder nas m&atilde;os de seus donos, que     passam a ter o controle social dos moradores.</p>     <p>O processo de remo&ccedil;&atilde;o     dos pescadores dos ambientes de praia foi t&atilde;o marcante nas praias de Lucena e     Tamba&uacute; que Cibil relata que os veranistas em Lucena n&atilde;o querem que uma cai&ccedil;ara     seja constru&iacute;da em frente &agrave;s casas de veraneio; enquanto que em Tamba&uacute; o     pescador Vav&aacute; diz, de forma saudosa, que a praia era do pescador, mas hoje a     praia &eacute; do turista.</p>       <p>Cibil e Vav&aacute; tamb&eacute;m     comentam sobre a rela&ccedil;&atilde;o do Estado com os pescadores. Ambos expressam que as     a&ccedil;&otilde;es do Estado, historicamente, n&atilde;o beneficiam os pescadores. At&eacute; hoje, o     Estado n&atilde;o procurou garantir o territ&oacute;rio tradicional de pesca, o que se     verifica nas reloca&ccedil;&otilde;es e na dispers&atilde;o dos pescadores, que o Poder P&uacute;blico     participou de forma ativa ou passiva.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;     perman&ecirc;ncia dos trabalhadores da pesca artesanal nessa atividade, o Estado     tamb&eacute;m n&atilde;o tem criado mecanismos efetivos para que o pescador possa se adequar     &agrave;s novas exig&ecirc;ncias da atividade, t&atilde;o penalizada pela polui&ccedil;&atilde;o, falta de     capacita&ccedil;&atilde;o adequada e efetiva e falta de subs&iacute;dios que verdadeiramente     contribuam para a melhoria na qualidade de vida do pescador, ou mesmo a falta     de acesso aos subs&iacute;dios, pois o pescador n&atilde;o tem o que dar de garantia para ter     direito aos empr&eacute;stimos.</p>       <p>Por causa de todas     essas dificuldades dos pescadores, que deixaram de ser e viver em ambientes     rurais para serem e viverem em ambientes urbanos, dispersos e emersos nas     possibilidades de trabalho e estudos no espa&ccedil;o urbano, Cibil e Vav&aacute; deixam     claro que n&atilde;o querem que seus filhos e netos sejam pescadores, pois o que     ganham com a pesca durante um m&ecirc;s de trabalho dificilmente passa de um sal&aacute;rio     m&iacute;nimo. Como diz Cibil, o mar &eacute; perigoso. Como diz Vav&aacute;, o trabalho do pescador     &eacute; muito dif&iacute;cil. Sendo assim, a cidade passa a propiciar o emprego desta m&atilde;o de     obra em outras atividades econ&ocirc;micas, escasseando cada vez mais o n&uacute;mero de     pescadores.</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>9. An&aacute;lise do depoimento do senhor Zeca</b></p>       <p>Observamos quase     todos os mesmos aspectos de precariedade do trabalho e da vida do pescador na comunidade de     pescadores tradicionais da Penha: baixa renda, destrui&ccedil;&atilde;o do estu&aacute;rio e do     manguezal para dar lugar a moradias de alto padr&atilde;o, polui&ccedil;&atilde;o do mar e pesca     predat&oacute;ria.</p>     <p>Quanto &agrave; chegada de     condom&iacute;nios de alto padr&atilde;o e hot&eacute;is nos arredores da Praia da Penha, os     pescadores veem esse tipo de urbaniza&ccedil;&atilde;o esperan&ccedil;osos de venderem por pre&ccedil;os     melhores o pescado, mas, como historicamente as comunidades de pesca s&atilde;o     relocadas, eles t&ecirc;m receio de serem expulsos da praia por algum governo que     queira favorecer grupos econ&ocirc;micos do ramo hoteleiro.</p>       <p>Todavia, o que vem     ocorrendo, de fato, &eacute; a compra de im&oacute;veis na comunidade de pescadores pelo     capital comercial e por pessoas que n&atilde;o possuem dinheiro suficiente para     comprar uma casa em um condom&iacute;nio fechado, mas que t&ecirc;m interesse de ter uma     moradia em ambiente de praia.</p>       <p>Isso ocorre porque h&aacute;     muito mais dinheiro circulando em Jo&atilde;o Pessoa atualmente do que h&aacute; quatro     d&eacute;cadas. E a Praia da Penha se tornou um enclave de possibilidades de aquisi&ccedil;&atilde;o     de im&oacute;vel relativamente barato em uma faixa de praia onde os terrenos est&atilde;o     muito valorizados, por estar na zona tur&iacute;stica delimitada no Plano Diretor do     munic&iacute;pio de Jo&atilde;o Pessoa.</p>       <p>Assim, o capital vem     se reinventando, e as comunidades exclu&iacute;das passam a sofrer press&atilde;o tanto do     capital como do Estado capitalista, como tamb&eacute;m omiss&atilde;o deste, que n&atilde;o busca     desenvolver pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que contribuam efetivamente para que comunidades     tradicionais se mantenham em espa&ccedil;os que passam a se valorizar economicamente.</p>     <p>O pescador que     atualmente reside na Penha &eacute; um pescador diferenciado em rela&ccedil;&atilde;o ao que ali     habitava h&aacute; 40 anos, pois esse pescador &eacute; urbano, ou seja, tem acesso a     informa&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m tem proximidade de bens e servi&ccedil;os que deseja consumir,     considerando que vive em uma sociedade burocr&aacute;tica de consumo dirigido, como     afirma Henri Lefebvre (1991).</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Isso implica em o     pescador come&ccedil;ar a exercer outras atividades produtivas em detrimento da pesca,     visto que pescar &eacute; considerado por eles um trabalho penoso e que n&atilde;o rende mais     de um sal&aacute;rio m&iacute;nimo por m&ecirc;s. Assim, o pescador passa a desejar bens e servi&ccedil;os     que ele n&atilde;o pode adquirir com a atividade pesqueira, por render pouco e tamb&eacute;m     por esta renda ser incerta.</p>     <p>A implica&ccedil;&atilde;o direta     disso &eacute; a diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de pescadores, que preferem receber at&eacute; mais de     um sal&aacute;rio m&iacute;nimo em atividades urbanas relacionadas &agrave; constru&ccedil;&atilde;o civil, como     tamb&eacute;m a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os nos condom&iacute;nios, como vigilante, jardineiro,     caseiro etc. As mulheres desses pescadores tamb&eacute;m deixam de se ocupar em     atividades relacionadas com a pesca, passando a desempenhar servi&ccedil;os de bab&aacute;,     diarista, empregada dom&eacute;stica, dentre outras atividades.</p>       <p>Discutir o processo     de reordenamento urbano na Praia da Penha e seus arredores compreende, antes de     mais nada, discutir desenvolvimento sustent&aacute;vel em sua ess&ecirc;ncia, pois surge uma     quest&atilde;o: como garantir que o planejamento, numa perspectiva de desenvolvimento     sustent&aacute;vel, acompanhe a velocidade do avan&ccedil;o imobili&aacute;rio, no sentido de     garantir a perman&ecirc;ncia e a manuten&ccedil;&atilde;o de uma comunidade tradicional, de forma a     estar inter-relacionada com esse processo, e n&atilde;o apenas ser marginalizada e     retirada pela for&ccedil;a e complexidade do capital imobili&aacute;rio em suas m&uacute;ltiplas     dimens&otilde;es?</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><b>10. Depoimentos de pescadores que coordenam pescadores</b></p>       <p><b>10.1. Depoimento do Armador <a href="#3">3</a><a name="top3"></a> de Pesca Iran (59 anos)</b></p>       <p><i>Tenho um barco e     pesco h&aacute; mais de 40 anos. Nos &uacute;ltimos anos, vem diminuindo o n&uacute;mero de     pescadores. Os pais n&atilde;o querem que seus filhos pesquem. Antigamente, os     pescadores eram donos da praia. A especula&ccedil;&atilde;o imobili&aacute;ria foi retirando os     pescadores da praia.</i></p>     <p><i>É mais vantagem o     pescador ter sua mulher trabalhando de doméstica e ele trabalhando de vigia do     que passar quatro dias por semana no mar. Escolhemos a equipe do barco pela     relação de confiança. 90% dos pescadores moram na favela São José.</i></p>     <p><i>Aqui, em Tamba&uacute;, h&aacute;     cerca de 30 barcos</i>(<a href="#f8">Fig. 8</a>)<i>, e em     cada um trabalham 03 pescadores. O mestre <a href="#4">4</a><a name="top4"></a> de pesca e dois ajudantes, geralmente profissionais da pesca. A nossa cai&ccedil;ara,     que &eacute; o lugar onde os pescadores colocam petrechos, j&aacute; foi relocada v&aacute;rias     vezes para partes diferentes da praia!</i></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a name="f8"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a06f8.jpg"/>     
<p>&nbsp;</p>     <p><i>N&oacute;s n&atilde;o somos vistos     como prioridade pelos governos. Nossa cai&ccedil;ara n&atilde;o tem nem banheiro e n&atilde;o d&aacute;     mais para fazer necessidade aqui pela beira da praia, pois esta praia j&aacute; est&aacute;     totalmente ocupada por casas, pr&eacute;dios e pessoas. Fui secret&aacute;rio da col&ocirc;nia -     todo mundo acha que a pesca &eacute; de um jeito, mas a pesca &eacute; de outro.</i></p>       <p><i>A pesca &eacute;     desorganizada, pois n&atilde;o h&aacute; controle efetivo dos &oacute;rg&atilde;os federais e estaduais     respons&aacute;veis. H&aacute; pessoas que se beneficiam dessa falta de controle estatal e do     analfabetismo do pescador. Isso tamb&eacute;m contribui para o quadro de     desorganiza&ccedil;&atilde;o do setor pesqueiro artesanal do Brasil. Recursos federais s&atilde;o     investidos, mas s&atilde;o mal administrados. A cada ano que passa, diminui a     quantidade de peixes. Como vai organizar uma categoria em que os trabalhadores     s&atilde;o analfabetos?</i></p>       <p><b>10.2. Depoimento do mestre de pesca Manuel (67 anos)</b></p>     <p><i>Aqui, em Tamba&uacute;, h&aacute;     uns 40 anos, havia uns 60 profissionais de pesca que sabiam fazer tudo, desde     lidar com os petrechos de pesca, como tamb&eacute;m localizar os melhores lugares de     pesca no mar. Esses s&atilde;o os Mestres, comandantes dos botes. O mestre tem que     saber de tudo, de proa a polpa da embarca&ccedil;&atilde;o. Havia cerca de 120 ajudantes     muito bons.</i></p>       <p><i>Hoje, tem muitos     pescadores &ldquo;pega na rua&rdquo;<a href="#5">5</a><a name="top5"></a>,     ou seja, sem qualifica&ccedil;&atilde;o para trabalhar no mar. Os jovens de hoje n&atilde;o sabem     amarrar um anzol, ancorar o barco para pescar ou mesmo trabalhar com outros     acess&oacute;rios de pesca. Nossos barcos s&atilde;o compostos de tripula&ccedil;&atilde;o formada pelo     Mestre e mais dois ajudantes. T&aacute; dif&iacute;cil arrumar gente qualificada para ajudar.     Atualmente, s&oacute; h&aacute; cerca de 20 Mestres aqui em Tamba&uacute;.</i></p>       <p><i>Ainda moro aqui em     Tamba&uacute;, na Avenida Olinda, e n&atilde;o tenho interesse de sair daqui. Esse terreno &eacute;     da fam&iacute;lia</i>(<a href="#f9">Fig. 9</a>)<i>. Minha     m&atilde;e ainda &eacute; viva, tem 83 anos. Eu sou o mais velho. Tem seis casas aqui nesse     terreno e todos s&atilde;o familiares. H&aacute; muitos construtores querendo comprar nosso     terreno. E n&atilde;o queremos vender. Se sairmos daqui, vamos para a favela, e voc&ecirc;     sabe o que tem na favela: muita droga e viol&ecirc;ncia.</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a name="f9"></a></p> <img src="/img/revistas/rgci/v14n3/14n3a06f9.jpg"/>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><i>Meu pai era pescador     e teve quatro filhos. Desses quatro filhos, tr&ecirc;s s&atilde;o pescadores. Eu tenho dois     filhos e um &eacute; pescador. Com rela&ccedil;&atilde;o aos meus outros dois irm&atilde;os que s&atilde;o     pescadores, um tem um filho que n&atilde;o &eacute; pescador e o outro tem dois filhos que     tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o pescadores. O pescador n&atilde;o quer que seu filho siga essa     profiss&atilde;o.</i></p>       <p>&nbsp;</p>       <p><b>11. An&aacute;lise dos depoimentos dos senhores Iran e Manuel</b></p>     <p>O armador de pesca     Iran e o mestre de pesca Manuel tamb&eacute;m salientam a diminui&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de     pescadores nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Deixa claro que os pescadores n&atilde;o querem que     seus filhos trabalhem na pesca e que n&atilde;o h&aacute; organiza&ccedil;&atilde;o nessa atividade econ&ocirc;mica     em todos os n&iacute;veis de produ&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m governamentais relacionados. Eles     tamb&eacute;m salientam que os pescadores apenas possuem condi&ccedil;&otilde;es financeiras para     morar em favelas.</p>     <p>Iran salienta a     dificuldade de se organizar uma atividade produtiva composta por analfabetos e     semi-analfabetos, al&eacute;m de destacar o fato de a atividade pesqueira tradicional     n&atilde;o ser vista como prioridade pelo governo, como tamb&eacute;m os trabalhadores nela     envolvidos.</p>       <p>O mestre Manuel chega     a fornecer dados a partir de sua mem&oacute;ria quanto &agrave; diminui&ccedil;&atilde;o da quantidade de     mestres de pesca nos &uacute;ltimos 40 anos. Segundo Manuel, a queda no n&uacute;mero desses     profissionais &eacute; de 66%.</p>       <p>No bojo do processo     de urbaniza&ccedil;&atilde;o de Tamba&uacute;, que teve como uma de suas consequ&ecirc;ncias a diminui&ccedil;&atilde;o     do n&uacute;mero de pescadores profissionais, mestres ou ajudantes, podemos perceber     esse decr&eacute;scimo no n&uacute;mero de pescadores na &aacute;rvore geneal&oacute;gica da fam&iacute;lia do     senhor Manuel, onde seu pai gerou quatro filhos, dos quais tr&ecirc;s s&atilde;o pescadores.     Todavia, dos cinco netos do pai do mestre Manuel, filhos dos tr&ecirc;s irm&atilde;os que     s&atilde;o pescadores, apenas um &eacute; pescador.</p>       <p>A perman&ecirc;ncia do mestre Manuel na Avenida Olinda,     atualmente com o metro quadrado supervalorizado, se d&aacute; por quest&otilde;es de la&ccedil;os     parentais. O desejo de a fam&iacute;lia permanecer unida &eacute; bem maior do que um     poss&iacute;vel interesse em vender o terreno e dividir o dinheiro entre os     familiares. &Eacute; percept&iacute;vel, tamb&eacute;m, a consci&ecirc;ncia da perda na qualidade de vida     se venderem o terreno, pois dali sairiam para um conjunto habitacional     perif&eacute;rico ou para uma favela. O que n&atilde;o &eacute; da vontade da m&atilde;e de seu Manuel e     nem dos tr&ecirc;s irm&atilde;os que s&atilde;o pescadores.</p>     <p>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>12. Conclus&otilde;es</b></p>       <p>A discuss&atilde;o sobre     desenvolvimento passa pela quest&atilde;o do direito a permanecer residindo no lugar     de vida e trabalho dos ancestrais, mesmo que esteja ocorrendo uma migra&ccedil;&atilde;o da     for&ccedil;a de trabalho tradicional para outras atividades econ&ocirc;micas. Discutir     desenvolvimento tamb&eacute;m &eacute; tratar sobre onde morar, o que implica em onde viver e     trabalhar.</p>       <p>O urbano n&atilde;o deve     cercear a perman&ecirc;ncia das comunidades tradicionais em seus lugares. O urbano     traz problemas e conflitos de todos os vieses sociais, econ&ocirc;micos e culturais,     mas tamb&eacute;m traz possibilidades que precisam ser postas em discuss&atilde;o e an&aacute;lise.     Da&iacute; a necessidade de se analisar o pescador artesanal tamb&eacute;m pelo vi&eacute;s da     moradia.</p>       <p>Portanto, para     discutir desenvolvimento, partamos do seguinte pressuposto: o desenvolvimento &eacute;     um conceito multidimensional. Os seus objetivos s&atilde;o sempre sociais e &eacute;ticos     (solidariedade sincr&ocirc;nica). Ele cont&eacute;m uma condicionalidade ambiental expl&iacute;cita     (solidariedade diacr&ocirc;nica com as gera&ccedil;&otilde;es futuras); o crescimento econ&ocirc;mico,     embora necess&aacute;rio, tem um valor apenas instrumental; o desenvolvimento n&atilde;o pode     ocorrer sem crescimento, no entanto, o crescimento n&atilde;o garante por si s&oacute; o     desenvolvimento; o crescimento pode, da mesma forma, estimular o mau desenvolvimento,     processo no qual o crescimento do PIB &eacute; acompanhado de desigualdades sociais,     desemprego e pobreza crescente (Sachs, 2008), al&eacute;m de remo&ccedil;&atilde;o de comunidades     tradicionais, o que deve ser evitado.</p>     <p>Quem est&aacute; interessado     numa &ldquo;economia de desenvolvimento&rdquo; deve investir no ser humano e na sociedade.     Quem quer ver os frutos da prosperidade econ&ocirc;mica deve se preocupar mais com     isso. Para atingir desenvolvimento social, &eacute; preciso mudar padr&otilde;es de     comportamento social que s&atilde;o estabelecidos a partir do &ldquo;corpo&rdquo; e do     &ldquo;metabolismo&rdquo; das sociedades, vistas como sistemas complexos compostos por     agentes que interagem em termos de competi&ccedil;&atilde;o e coopera&ccedil;&atilde;o. Por isso,     Desenvolvimento Local Integrado Sustent&aacute;vel &eacute; um programa pol&iacute;tico, uma     estrat&eacute;gia pol&iacute;tica de empoderamento das comunidades, uma tecnologia social     (Franco, 2002).</p>     <p>No tocante &agrave;     intera&ccedil;&atilde;o de diferentes interesses e modos de trabalho e vida em espa&ccedil;os     urbanos, a reflex&atilde;o sobre a cidade deve ser concebida como sistema     urbano-social-ambiental, porque a cidade &eacute; um sistema no qual cada indiv&iacute;duo ou     grupo social, cada rua ou bairro &eacute; interdependente do todo, e seu funcionamento     depende de estrat&eacute;gias comuns, devendo ser discutidas e negociadas num     processo pol&iacute;tico-social. A vis&atilde;o n&atilde;o sist&ecirc;mica ou fragmentada da cidade n&atilde;o     isola apenas os cidad&atilde;os e os grupos sociais entre si, mas tamb&eacute;m distorce a     vis&atilde;o das causas das atividades humanas que produzem impacto socioambiental na     cidade e nos cidad&atilde;os.</p>     <p>Tal impacto tende a     ser visto como um problema an&ocirc;nimo, acidental, extra-social e pr&oacute;prio da     cidade. Tamb&eacute;m &eacute; visto como um problema pertencente sempre ao outro eu-parte do     sistema urbano-social-ambiental (Menegat &amp; Almeida, 2004). E essas formas fragmentadas de     pensar geram m&eacute;todos fragmentados de agir, o que implica em ciclos viciosos de     atraso e marginaliza&ccedil;&atilde;o de comunidades tradicionais.</p>     <p>Em 2009, foi     promulgada a Lei n&ordm; 11.959/2009, que disp&otilde;e sobre o Plano Nacional de     Desenvolvimento Sustent&aacute;vel da Aquicultura e Pesca. O art. 7&ordm; dessa lei fala em     proteger &aacute;reas pesqueiras, mas n&atilde;o diz como fazer. Mesmo que dissesse, o que     seria um grande avan&ccedil;o na pol&iacute;tica pesqueira, isso s&oacute; asseguraria locais aqu&aacute;ticos     pass&iacute;veis de ocorr&ecirc;ncia de recursos pesqueiros.</p>     <p>Recursos pesqueiros     s&atilde;o os animais e os vegetais hidr&oacute;bios pass&iacute;veis de explora&ccedil;&atilde;o, estudo ou     pesquisa, como tamb&eacute;m pela pesca amadora, de subsist&ecirc;ncia, cient&iacute;fica,     comercial e pela aquicultura, o que n&atilde;o implicaria na manuten&ccedil;&atilde;o das     comunidades tradicionais na orla mar&iacute;tima, ou seja, em seus lugares historicamente     constru&iacute;dos.</p>     <p>A Organiza&ccedil;&atilde;o     N&atilde;o-Governamental Caritas Brasileira, ligada &agrave; igreja Cat&oacute;lica, vem articulando     a discuss&atilde;o sobre demarca&ccedil;&atilde;o das terras das comunidades de pescadores, a fim de     que essas n&atilde;o sejam esbulhadas pelo capital imobili&aacute;rio, pela a&ccedil;&atilde;o negativa do     Estado sobre essas comunidades e pela omiss&atilde;o deste. Esse processo est&aacute; ainda     na fase de mobiliza&ccedil;&atilde;o de pessoas e institui&ccedil;&otilde;es, inclusive estaduais e     federais de educa&ccedil;&atilde;o.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A C&aacute;ritas Brasileira tem mobilizado pescadores e     pescadoras do Brasil. Com rela&ccedil;&atilde;o a essa tem&aacute;tica, objetiva arrecadar at&eacute; 2015     mais de 1 milh&atilde;o de assinaturas para um projeto de lei que vise regularizar os     territ&oacute;rios dessas comunidades tradicionais.Para     articular e mobilizar os pescadores e as pescadoras, foram realizadas caravanas     pelas regi&otilde;es do Brasil. Os militantes que comp&otilde;em as equipes das caravanas     buscam informar e mobilizar comunidades pesqueiras, com a finalidade de     articular e organizar os pescadores e as pescadoras para empoder&aacute;-los dos seus     direitos de identidade cultural, de pesca, de moradia e de ir e vir,     enfrentando os desafios de permanecer em seus territ&oacute;rios.</p>       <p>Um dos grandes     desafios da demarca&ccedil;&atilde;o &eacute; n&atilde;o gerar leis que prejudiquem uma determinada regi&atilde;o     ou localidade, como vem acontecendo em alguns casos relacionados &agrave;s comunidades     quilombolas e ind&iacute;genas, quando a normatiza&ccedil;&atilde;o da terra comunal e a desintrus&atilde;o     tem gerado v&aacute;rios problemas econ&ocirc;micos e sociais, tanto para esses povos como     para empreendedores, al&eacute;m de grupos econ&ocirc;micos de investidores.</p>       <p>Uma quest&atilde;o deve, ent&atilde;o, ser levantada na discuss&atilde;o da demarca&ccedil;&atilde;o: como     a comunidade tradicional est&aacute; se relacionando com o munic&iacute;pio e como,     historicamente, os capitalistas se relacionam com essas comunidades? O     tratamento das quest&otilde;es municipais deve ocorrer &agrave; luz da gest&atilde;o sustent&aacute;vel de     dimens&atilde;o municipal e de forma integrada, tendo em vista estrat&eacute;gias de produtividade     para as diferentes localidades municipais, com a valoriza&ccedil;&atilde;o das manifesta&ccedil;&otilde;es     culturais, o que tende a aumentar a autoestima dos sujeitos locais e contribuir     para a gera&ccedil;&atilde;o de emprego e renda, equidade no acesso aos servi&ccedil;os p&uacute;blicos e a     realiza&ccedil;&atilde;o da justi&ccedil;a ambiental e social, tendo em vista a complexidade     cultural de um munic&iacute;pio metropolitano, como &eacute; o caso de Jo&atilde;o Pessoa e Lucena.</p>     <p>Destacando o artigo     5&ordm; da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal Brasileira, que trata dos direitos e deveres     individuais e coletivos, incisos XXII e XXIII, nos quais &eacute; garantido o direito     &agrave; propriedade, mas esta deve cumprir sua fun&ccedil;&atilde;o social, ou seja, n&atilde;o apenas     servir a interesses particulares, mas em conson&acirc;ncia com os interesses     coletivos a partir do di&aacute;logo entre a prefeitura municipal, demais poderes e a     sociedade, atrav&eacute;s de estudos t&eacute;cnicos desenvolvidos pela prefeitura e     propostas elaboradas pela comunidade e, tamb&eacute;m, de forma articulada, as     comunidades e grupos de interesse do entorno.</p>     <p>Essa rela&ccedil;&atilde;o entre     Poder P&uacute;blico e participa&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria significa um avan&ccedil;o no sistema     democr&aacute;tico representativo do Brasil, em que apenas os estudos t&eacute;cnicos n&atilde;o     bastam, mas se faz necess&aacute;rio escutar os mun&iacute;cipes e dialogar com eles em     semin&aacute;rios tem&aacute;ticos nos quais se discutem os problemas e as solu&ccedil;&otilde;es para os     pr&oacute;ximos anos, com metas para cerca de dez anos, como prop&otilde;e o Estatuto das     Cidades (Lei n&ordm; 10.257/2001).</p>     <p>Devido &agrave; sua capacidade de organiza&ccedil;&atilde;o e operacionaliza&ccedil;&atilde;o, o munic&iacute;pio     possui condi&ccedil;&otilde;es de enfrentar a problem&aacute;tica do desenvolvimento, pois &eacute; parte     planejadora e operante do Estado na dimens&atilde;o local, devendo contar com sua     popula&ccedil;&atilde;o para dialogar sobre suas necessidades b&aacute;sicas e criadas. Desta feita,     &eacute; no &acirc;mbito municipal que se pode, de forma sist&ecirc;mica e sistematica, formar a     sociedade para o desenvolvimento sustent&aacute;vel, pois seus mun&iacute;cipes conhecem, de     forma cotidiana, os problemas municipais e, de maneira mais pr&aacute;tica, tamb&eacute;m     t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de tecer melhores coment&aacute;rios sobre poss&iacute;veis solu&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>O munic&iacute;pio carece de planejamento participativo, empoderamento e     fiscaliza&ccedil;&atilde;o popular, instrumentos que disciplinem a sua expans&atilde;o urbana, sua     estrutura fundi&aacute;ria e press&atilde;o sobre a natureza, levando em considera&ccedil;&atilde;o os     aspectos culturais locais, as limita&ccedil;&otilde;es ambientais e o controle do mercado     imobili&aacute;rio, ao mesmo tempo em que carece de uma gest&atilde;o voltada para a     converg&ecirc;ncia das diferentes atividades produtivas, potencializando-as e     contribuindo para que tenham efic&aacute;cia.</p>     <p>Assim, o que se quer propor s&atilde;o estrat&eacute;gias de complementaridade entre     os diferentes grupos e classes que habitam o lugar, ou seja, estrat&eacute;gias     voltadas ao desenvolvimento humano, preserva&ccedil;&atilde;o ambiental e empoderamento     comunit&aacute;rio, o que tende a contribuir no processo de intera&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o     entre os diferentes interesses econ&ocirc;micos em um determinado espa&ccedil;o.</p>     <p>Isso implica em reconhecer e desenvolver formas que atenuem as     desigualdades sociais e o conv&iacute;vio entre grupos sociais e econ&ocirc;micos, que     certamente continuar&atilde;o em eterna disputa por causa do modelo econ&ocirc;mico, mas     n&atilde;o necessariamente que um venha sucumbir frente ao outro.</p>     <p>O Decreto     Federal n&ordm; 6.040/2007, que institui a Pol&iacute;tica Nacional de     Desenvolvimento Sustent&aacute;vel dos Povos e Comunidades Tradicionais, deixa claro,     em um de seus princ&iacute;pios, que, mesmo em um espa&ccedil;o urbano, os direitos de uma     comunidade tradicional de permanecer no lugar devem ser mantidos.</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Assim, diz este     documento legal que a pluralidade socioambiental, econ&ocirc;mica e cultural das     comunidades e dos povos tradicionais que interagem nos diferentes biomas e     ecossistemas, seja em &aacute;reas rurais ou urbanas, &eacute; princ&iacute;pio que deve contribuir     na condu&ccedil;&atilde;o do planejamento de um determinado espa&ccedil;o. Isso tende a contribuir     para o reconhecimento e a consolida&ccedil;&atilde;o dos direitos dos povos e das     comunidades tradicionais, que &eacute; outro princ&iacute;pio do decreto supracitado.</p>     <p>Outro princ&iacute;pio do     referido decreto que aqui deve ser mencionado &eacute; o da preserva&ccedil;&atilde;o dos direitos     culturais, o exerc&iacute;cio de pr&aacute;ticas comunit&aacute;rias, a mem&oacute;ria cultural e a     identidade. Sabe-se que muitas comunidades tradicionais est&atilde;o em intensa     transforma&ccedil;&atilde;o em suas manifesta&ccedil;&otilde;es culturais, por serem espa&ccedil;os em que os     sujeitos passam a desempenhar atividades urbanas, e a pesca come&ccedil;a a deixar de     ser uma atividade econ&ocirc;mica procurada e exercida pelos moradores do lugar.</p>       <p>Todavia, &eacute; justamente     nas manifesta&ccedil;&otilde;es culturais materiais e imateriais da pesca que essa atividade     pode ainda perdurar, considerando que muitas pessoas, principalmente turistas,     amantes dos passeios n&aacute;uticos ou pescadores amadores, podem pagar para     contemplar o modo de trabalho e vida do pescador artesanal, que deveria ser em     espa&ccedil;o considerado historicamente de comunidade tradicional, para fins de constru&ccedil;&atilde;o de equipamento p&uacute;blico ou     constru&ccedil;&atilde;o/melhorias de moradia para outras fam&iacute;lias de pescadores, garantindo     que o espa&ccedil;o permane&ccedil;a ocupado por fam&iacute;lias que se relacionam com as atividades     pesqueiras.</p>       <p>Outros instrumentos     de valoriza&ccedil;&atilde;o da comunidade tradicional em espa&ccedil;o urbano tamb&eacute;m podem ser     considerados, como, por exemplo, a inser&ccedil;&atilde;o, de maneira obrigat&oacute;ria, nos     relat&oacute;rios antr&oacute;picos para licen&ccedil;as ambientais de grandes empreendimentos, de     modo que sejam levadas em considera&ccedil;&atilde;o suas formas de participa&ccedil;&atilde;o na cadeia     produtiva, e como tal empreendimento pode interagir economicamente com a     comunidade tradicional, propondo a cria&ccedil;&atilde;o de parcerias.</p>     <p>As comunidades de     pescadores localizadas em &aacute;reas urbanas devem ser entendidas como espa&ccedil;os     tur&iacute;sticos, o que demanda aten&ccedil;&atilde;o especial dos Minist&eacute;rios do Turismo,     Minist&eacute;rio da Pesca, Minist&eacute;rio do Meio Ambiente; Minist&eacute;rio do Planejamento;     Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social, entre outros.</p>       <p>A valoriza&ccedil;&atilde;o do     patrim&ocirc;nio cultural material e imaterial como indutor para sociedades     sustent&aacute;veis deve observar a constru&ccedil;&atilde;o de invent&aacute;rios culturais, que podem ser convertidos em poderosos instrumentos de an&aacute;lise urbana e municipal de forma     sist&ecirc;mica (Rolnik &amp; Pinheiro, 2008), beneficiando essas comunidades e     contribuindo para o aumento da renda familiar, como tamb&eacute;m sinalizando onde     devem ser constru&iacute;dos equipamentos urbanos como mercado de peixe, espa&ccedil;o     cultural da pesca e da vida marinha etc. que venham contribuir para a     visibilidade da comunidade tradicional, sendo entendida com um espa&ccedil;o que deve     fazer parceria com os ambientes ao redor, deixando de ser vista apenas como uma     &aacute;rea a ser removida, como historicamente tem ocorrido.</p>     <p>&nbsp;</p>        <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>       <!-- ref --><p>Corr&ecirc;a, Roberto Lobato (2002) - <i>O espa&ccedil;o urbano</i><b>.</b> 96p, Ed. &Aacute;tica, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 85-08032609.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000401&pid=S1646-8872201400030000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Diegues, Ant&ocirc;nio Carlos (1983) - Pescadores, camponeses a trabalhadores do mar. 287p,     &Aacute;tica, S&atilde;o Paulo, Brasil. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://nupaub.fflch.usp.br/sites/nupaub.fflch.usp.br/files/color/prof%204.pdf" target="_blank">http://nupaub.fflch.usp.br/sites/nupaub.fflch.usp.br/files/color/prof 4.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000403&pid=S1646-8872201400030000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Franco, Augusto de (2002) <i>- Pobreza e desenvolvimento local</i>. 336p,     ARCA sociedade do conhecimento, Bras&iacute;lia, DF, Brasil. ISBN: 85-88699036.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000405&pid=S1646-8872201400030000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Forman, Shepard     (1970) - <i>The raft fisherman</i>. 158p,     Bloomington, Indiana University Press, Bloomington, IN,     U.S.A. ISBN: 253-39201-2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000407&pid=S1646-8872201400030000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Gerhardt, Tatiana Engel; Silveira, Denise Tolfo (org)     (2009) - <i>M&eacute;todos de pesquisa.</i>  Universidade Aberta do Brasil, Secretaria de     Educação a Distância, Editora da UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil. ISBN     978-8538600718&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000409&pid=S1646-8872201400030000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Harvey, David (2005) - <i>A produ&ccedil;&atilde;o capitalista do espa&ccedil;o</i>. 252p. Annablume, S&atilde;o Paulo, SP,     Brasil. ISBN: 8574194964.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000410&pid=S1646-8872201400030000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Lackey, Robert     Thomas; Nielsen, Larry (orgs.) (1980) - <i>Fisheries     Management</i>. 422p. Blackwell, Oxford, U.K. ISBN: 0632006153.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000412&pid=S1646-8872201400030000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Lefebvre, Henry (1991) - <i>A vida cotidiana no mundo moderno</i>. 216p., &Aacute;tica, S&atilde;o Paulo, SP,     Brasil. ISBN: 8508037929.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000414&pid=S1646-8872201400030000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Lefebvre, Henry (1999) - <i>A revolu&ccedil;&atilde;o urbana</i>. 178p., Ed. UFMG, Belo Horizonte, MG, Brasil.  ISBN:     8570411952.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000416&pid=S1646-8872201400030000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Lefebvre, Henry (2001) - <i>O direito &agrave; cidade.</i> 145p.,Centauro,     S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 8588208121.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000418&pid=S1646-8872201400030000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Marx, Karl (1996) - <i>O Capital</i><b>.</b> <i>Cr&iacute;tica da Economia Pol&iacute;tica. O Processo de     Produ&ccedil;&atilde;o do Capital</i>. 482p.,&nbsp; Livro     Primeiro, Tomo 1, Editora Nova Cultural, S&atilde;o Paulo, Brasil. ISBN: 8535108319.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000420&pid=S1646-8872201400030000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Mathiesen,     &Aacute;rni (Org.) (2012)     - <i>El estado mundial de la pesca y la acuicultura</i>. 231p., Departamento de     Pesca y Acuicultura de la Organizaci&oacute;n de las Naciones Unidas para la     Alimentaci&oacute;n y la Agricultura, Roma, It&aacute;lia. ISBN: 978-9253072255. Dispon&iacute;vel on-line em: <a href="http://www.fao.org/docrep/016/i2727s/i2727s.pdf" target="_blank">http://www.fao.org/docrep/016/i2727s/i2727s.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000422&pid=S1646-8872201400030000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Maldonado, Simone Carneiro (1993) - <i>Espa&ccedil;o e indivis&atilde;o na pesca mar&iacute;tima</i>. 194p., Annablume, S&atilde;o Paulo,     SP, Brasil. ISBN: 8585596082.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000424&pid=S1646-8872201400030000600013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Menegat, Rualdo; Almeida, Gerson (2004) -     Sustentabilidade, democracia e gest&atilde;o ambiental urbana<b>.</b><i>In:</i> Rualdo Menegat     (org.), <i>Desenvolvimento Sustent&aacute;vel e     Gest&atilde;o Ambiental nas Cidades: estrat&eacute;gias a partir de Porto Alegre</i>,     pp.171-194, Editora da UFRGS, Porto Alegre, RS, Brasil. ISBN: 857025766X.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000426&pid=S1646-8872201400030000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (2012) - <i>Guia de cadastramento de grupos:     populacionais, tradicionais e espec&iacute;ficos: cadastro &uacute;nico para programas     sociais</i>. 101p., Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Social e Combate &agrave; Fome;     Secretaria Nacional de Renda de Cidadania, Bras&iacute;lia, DF, Brasil.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000428&pid=S1646-8872201400030000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Ojima, Ricardo (2007) - Dimens&otilde;es da     urbaniza&ccedil;&atilde;o dispersa e uma proposta metodol&oacute;gica para estudos comparativos. <i>Revista brasileira de estudos     populacionais</i>(ISSN: 0102-3098), 24(2):277-300, S&atilde;o Paulo, SP,     Brasil. . Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.scielo.br/pdf/rbepop/v24n2/06.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/rbepop/v24n2/06.pdf</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000430&pid=S1646-8872201400030000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Rolnik, Raquel; Pinheiro, Otilie Macedo     (Orgs.) (2004) - <i>Plano diretor     participativo: guia para elabora&ccedil;&atilde;o pelos Munic&iacute;pios e cidad&atilde;os.</i>160p.,Conselho Federal de Engenharia,     Arquitetura e Agronomia, Minist&eacute;rio das Cidades, Bras&iacute;lia, DF, Brasil.     Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.sehac.ms.gov.br/controle/ShowFile.php?id=151304" target="_blank">http://www.sehac.ms.gov.br/controle/ShowFile.php?id=151304</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000432&pid=S1646-8872201400030000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Sachs, Ignacy (2008) - <i>Desenvolvimento: includente, sustent&aacute;vel, sustentado</i>. 151p.,     Garamond, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. ISBN: 85761704X.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000434&pid=S1646-8872201400030000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <!-- ref --><p>Santos, Milton (1985) - <i>Espa&ccedil;o e M&eacute;todo</i>. 88p., Nobel, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN:     8521302940.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000436&pid=S1646-8872201400030000600019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>     <!-- ref --><p>Santos, Milton (2008) - <i>A urbaniza&ccedil;&atilde;o brasileira</i><b>.</b> 176p., 5&ordf; ed., Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, SP, Brasil. ISBN: 9788531408601.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000438&pid=S1646-8872201400030000600020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>       <p>Taylor, S.J.; Bogdan, R. (2008)     &ndash; La Entrevista em Profundad. <i>In: M&eacute;todos Quantitativos Aplicados 2</i>, pp.100-132, Centro de Investigaci&oacute;n e Docencia, Secretar&iacute;a de Educaci&oacute;n &nbsp;y &nbsp;Cultura de Chihuahua, Chihuahua, CHH, M&eacute;xico. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://ulloavision.org/archivos/antologias/meto2.pdf" target="_blank">http://ulloavision.org/archivos/antologias/meto2.pdf</a>.</p>       <!-- ref --><p>Urbistondo, Jos&eacute; Ant&ocirc;nio Alarc&oacute;n(2001)     - Inventario de la Pesca Artesanal en Espa&ntilde;a Mediterr&aacute;nea (2000-2001). 45p., Centro     Oceanogr&aacute;fico, M&aacute;laga, Espanha. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.faocopemed.org/old_copemed/en/activ/research/artfsh.htm" target="_blank">http://www.faocopemed.org/old_copemed/en/activ/research/artfsh.htm</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000441&pid=S1646-8872201400030000600022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p><b>Legisla&ccedil;&atilde;o</b></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Constitui&ccedil;&atilde;o     da Rep&uacute;blica Federativa do Brasil de 1988</i>. Publicada no Di&aacute;rio Oficial da Uni&atilde;o de 05     de outubro de 1988. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/caonstituicao.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/caonstituicao.htm</a>.</p>       <p><i>Decreto     N&ordm; 6.040, de 07 de fevereiro de 2007</i>. Institui a pol&iacute;tica nacional de desenvolvimento     sustent&aacute;vel dos povos e comuni-dades tradicionais. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/decreto/d6040.htm</a><u></u></p>     <p><i>Lei Federal N&ordm;     11.959, de 29 de julho de 2009</i> .  &nbsp; Disp&otilde;e sobre a Pol&iacute;tica Nacional de Desenvolvimento     Sustent&aacute;vel da Aquicultura e da Pesca, regula as atividades pesqueiras, revoga     a Lei n<sup>o</sup> 7.679, de 23 de     novembro de 1988, e dispositivos do Decreto-Lei n<sup>o</sup> 221, de 28 de fevereiro de 1967, e d&aacute;     outras provid&ecirc;ncias. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/Lei/L11959.htm" target="_blank">http://www.planalto.     gov.br/ccivil_03/_ato2007-010/2009/Lei/L11959.htm</a>.</p>     <p><i>Lei     Federal N&ordm; 10.257, de 10 de julho de 2001</i> . Regulamenta os arts. 182 e     183 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, estabelece diretrizes gerais da pol&iacute;tica urbana e     d&aacute; outras provid&ecirc;ncias. Dispon&iacute;vel on-line em <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10257.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/ L10257.htm.</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><a href="#top0">*</a><a name="0"></a>Submission: 3 JAN 2014; Peer review: 12 FEB 2014; Revised: 28 APR 2014; Accepted: 24 JUN 2014; Available on-line: 14 SET 2014</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Notas:</b></p>     <p><a href="#top1">1</a><a name="1"></a> Esse caranguejo tamb&eacute;m &eacute; chamado de Maria Farinha. Tem colora&ccedil;&atilde;o branca e amarelada, e tem como habitat as areias de praia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><a href="#top2">2</a><a name="2"></a> Palho&ccedil;a que serve como dep&oacute;sito para armazenamento de apetrechos de pesca dos pescadores. As cai&ccedil;aras s&atilde;o constru&iacute;das nas areias de praia pelos pescadores. Exemplos de petrechos de pesca s&atilde;o: rede, jangada, linha, anzol e canoa. H&aacute; algumas d&eacute;cadas, os pescadores moravam em palho&ccedil;as semelhantes &agrave;s cai&ccedil;aras.</p>     <p><a href="#top3">3</a><a name="3"></a> Armador de pesca &eacute; a pessoa f&iacute;sica ou jur&iacute;dica que, registrada e licenciada pelas autoridades competentes, apresta, em seu nome ou sob sua responsabilidade, embarca&ccedil;&atilde;o para ser utilizada na atividade pesqueira, pondo-a ou n&atilde;o a operar por sua conta (Lei Federal 11.959/2009).</p>     <p><a href="#top4">4</a><a name="4"></a> O mestre &eacute; o capit&atilde;o de pesca. Por isso &eacute; a pessoa que possui autoridade frente aos outros pescadores por ser ele a pessoa que det&eacute;m mais conhecimentos e os segredos da pesca. O mestre faz a media&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica entre a terra e o mar (Maldonado, 1993; Diegues, 1983; Forman, 1970).</p>     <p><a href="#top5">5</a><a name="5"></a> Pega na rua &eacute; uma express&atilde;o idiom&aacute;tica brasileira que significa: pessoa sem qualifica&ccedil;&atilde;o; pessoa sem condi&ccedil;&otilde;es para desempenhar uma determinada fun&ccedil;&atilde;o ou atividade.</p>      ]]></body>
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