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<journal-title><![CDATA[Revista Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia]]></journal-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Gunshot wounds occur more frequently in our society. The high cost of these injuries, since the initial approach until the treatment of their after-effects, has justifi ed the world wide publishing of various articles. The constant use to sophisticated fire arms by the police forces and the criminal groups in the major cities of Latin America, like Rio de Janeiro, has created statistics which can only be compared to war zones. The purpose of this article is to review the essential ballistic concepts for the military orthopedic surgeon plus the trauma and the guidelines to be address these traumatisms, in order to demystify the myths related to ammunition.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b><font face="Verdana" size="2">ARTIGO DE REVISÃO</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="4">O que o ortopedista deve saber sobre balística terminal</font></b></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><b>Carlos Durão<sup>I, II</sup></b>; <b>Rui Pinto<sup>III</sup></b></font></p>    <p><font face="Verdana" size="2">I. Serviço de Ortopedia do Hospital de São João. Porto. Portugal.<br />II. Hospital Central do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Brasil.<br />III. Exército Português. Portugal.<br /></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="Verdana" size="2"><a name="topc"></a><a href="#c">Endereço para correspondência</a></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">RESUMO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ferimentos por proj&eacute;teis de arma de fogo come&ccedil;am a ser frequentes em nosso meio. O elevado custo destas les&otilde;es desde a sua abordagem inicial at&eacute; o tratamento das suas sequelas tem justificado a publica&ccedil;&atilde;o de diversos artigos mundialmente. O constante recurso a sofi sticadas armas de fogo pelas for&ccedil;as policiais e pela criminalidade nas principais metr&oacute;poles da America Latina como o Rio de Janeiro, geram estat&iacute;sticas s&oacute; comparadas a zonas de guerra. Este artigo busca fazer uma revis&atilde;o dos conceitos bal&iacute;sticos essenciais para o cirurgi&atilde;o ortopedista militar e do trauma e de condutas a serem adotadas frente a estes traumatismos esclarecendo alguns mitos.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Palavras chave</b>: feridas por armas de fogo, balística terminal, medicina legal, fraturas por projéteis de alta energia. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">ABSTRACT</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Gunshot wounds occur more frequently in our society. The high cost of these injuries, since the initial approach until the treatment of their after-effects, has justifi ed the world wide publishing of various articles. The constant use to sophisticated fire arms by the police forces and the criminal groups in the major cities of Latin America, like Rio de Janeiro, has created statistics which can only be compared to war zones. The purpose of this article is to review the essential ballistic concepts for the military orthopedic surgeon plus the trauma and the guidelines to be address these traumatisms, in order to demystify the myths related to ammunition.</p></font>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Key words</b>: Gunshot wounds, ballistic trauma, forensic pathology, military medicine. </font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">INTRODUÇÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>As les&otilde;es dos membros por proj&eacute;teis de arma de fogo (PAF) est&atilde;o entre as mais frequentes de todas as les&otilde;es ocorridas em confl itos militares, representando cerca de 70%. Destas &eacute; a principal les&atilde;o que afeta os membros inferiores[1]. Muitas delas s&atilde;o ocasionadas por fragmentos e estilha&ccedil;os de proj&eacute;teis, que sofrem ricochetes em superf&iacute;cies r&iacute;gidas como o solo, por exemplo. As feridas variam de gravidade consoante a energia transferida pelo proj&eacute;til. Proj&eacute;teis que atingem a v&iacute;tima no final da sua trajet&oacute;ria bal&iacute;stica e portanto com baixa energia cin&eacute;tica, normalmente geram apenas escoria&ccedil;&otilde;es, les&otilde;es contusas e perfuro-contusas de pouca gravidade. Diferente &eacute; o caso dos proj&eacute;teis que atingem a v&iacute;tima com m&eacute;dia ou grande energia cin&eacute;tica, em que mais da metade das les&otilde;es est&atilde;o associadas a fraturas e uma complexa reconstru&ccedil;&atilde;o pode ser necess&aacute;ria[2].</p>
    <p>Embora alguns ferimentos possam ser fatais, particularmente as fraturas femorais com les&otilde;es vasculares associadas, a maioria das les&otilde;es nos membros n&atilde;o s&atilde;o fatais e o tratamento pode ser retardado. No entanto todos estes ferimentos podem estar associados &agrave; elevada morbidade, devendo ser iniciado o tratamento adequado o mais breve poss&iacute;vel. Isso n&atilde;o se aplica apenas aos ferimentos militares, mas a todos os ferimentos por PAF[2]. &Eacute; importante perceber que uma avalia&ccedil;&atilde;o mais precisa s&oacute; pode ser alcan&ccedil;ada durante a abordagem cir&uacute;rgica o que n&atilde;o se consegue apenas com uma observa&ccedil;&atilde;o superficial do aspeto da ferida na sala de trauma.</p></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">ASPETOS BALÍSTICOS DOS PROJÉTEIS DE ALTA ENERGIA</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>O dom&iacute;nio da bal&iacute;stica terminal &eacute; fundamental para explicar os efeitos destas les&otilde;es nos tecidos humanos. Raz&atilde;o pela qual abordaremos alguns conceitos fundamentais. O potencial lesivo dos proj&eacute;teis depende basicamente da sua energia cin&eacute;tica expressa pela f&oacute;rmula: E=mv<sup>2</sup>/2 . Para que estes causem danos &eacute; necess&aacute;rio que realizem um trabalho mec&acirc;nico de deforma&ccedil;&atilde;o dos tecidos, transferindo assim a sua energia cin&eacute;tica. Apenas pequena parte desta energia &eacute; transformada em calor e por isso este aumento da temperatura do proj&eacute;til n&atilde;o &eacute; capaz de gerar qualquer tipo de les&atilde;o t&eacute;rmica, nem suficiente para o tornar est&eacute;ril[3,4].</p>
    <p>A capacidade de penetra&ccedil;&atilde;o de um proj&eacute;til &eacute; medida pela f&oacute;rmula do Coeficiente Bal&iacute;stico : CB= m/ Id2, em que m &eacute; a massa do projetil, I o fator de forma e d o calibre[4, 5]. O fator de forma &eacute; uma&nbsp; constante que mede o qu&atilde;o pontiagudo &eacute; o projetil sendo menor nos mais afilados. Pela equa&ccedil;&atilde;o notamos a import&acirc;ncia do calibre, se o dobrarmos estaremos reduzindo o seu poder de penetra&ccedil;&atilde;o &agrave; quarta parte do que possuia antes (22 = 4). Por outro lado, quanto maior a massa, maior a sua inercia e a sua capacidade de atravessar o alvo. Portanto o proj&eacute;til mais penetrante &eacute; aquele que for mais fino, estreito e pesado[4] (como os dos fuzis) ao contr&aacute;rio de proj&eacute;teis esf&eacute;ricos e de borracha como os utilizados nas muni&ccedil;&otilde;es n&atilde;o letais.</p>
    <p>O calibre &eacute; apenas uma das vari&aacute;veis do potencial do ferimento, uma vez que indica o di&acirc;metro do proj&eacute;til medido em cent&eacute;simos de polegada ou em mil&iacute;metros, mas n&atilde;o o seu comprimento e, portanto n&atilde;o revela sua massa (<a name="topf1"></a><a href="#f1">Figura 1</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f1"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f1.jpg" width="368" height="321" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    <p>A for&ccedil;a que oferece resist&ecirc;ncia ao deslocamento do proj&eacute;til &eacute; representada pelo Arrasto. O seu valor &eacute; diretamente proporcional &agrave; densidade do meio atravessado, ao valor do fator forma e ao quadrado tanto da velocidade quanto do calibre do proj&eacute;til. Desvios do eixo do proj&eacute;til em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua dire&ccedil;&atilde;o de v&ocirc;o aumentam o arrasto por oferecerem maior superf&iacute;cie de contato com o meio. O retardo que o proj&eacute;til sofre ao atravessar um meio &eacute; diretamente proporcional ao arrasto e inversamente proporcional &agrave; sua massa. Quanto maior o retardo , maior a energia&nbsp; transferida[4]. Logo, um proj&eacute;til que n&atilde;o transfixe a v&iacute;tima ter&aacute; transferido para ela toda a sua energia, conferindo um maior "stopping power".</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A estabilidade do proj&eacute;til &eacute; alcan&ccedil;ada quando o seu centro de massa e o seu centro de press&atilde;o est&atilde;o alinhados com a trajet&oacute;ria. Quando o centro de massa esta localizado na ponta do proj&eacute;til e o de press&atilde;o na sua base, este tende a ser muito est&aacute;vel como nas setas. No caso dos proj&eacute;teis de fuzil o centro de press&atilde;o fica mais pr&oacute;ximo da ponta que do centro de massa. Os mais curtos tendem a tombar mais superficialmente ao longo do trajeto, dentro da v&iacute;tima[4]. Isso explica porque algumas feridas de entrada de&nbsp; proj&eacute;teis de alta energia s&atilde;o t&atilde;o grandes em compara&ccedil;&atilde;o com outros projeteis de baixa energia.</p>
    <p>Os proj&eacute;teis disparados por armas de guerra, e aqui de uma forma muitosuperficial incluiremos os fuzis (espingardas metralhadoras como a G3 7,62 mm ou a Galil 5,56 mm utilizadas pelo Ex&eacute;rcito) s&atilde;o revestidos por uma jaqueta de metal duro, de modo a n&atilde;o se deformarem facilmente, provocando les&otilde;es mais transfi xantes. O uso de proj&eacute;teis de alta energia deform&aacute;veis foi utilizado pelos ingleses em 1890. A deforma&ccedil;&atilde;o destes ao atingirem a v&iacute;tima propiciava maior transfer&ecirc;ncia da energia gerando que combinavam a deforma&ccedil;&atilde;o do proj&eacute;til com a sua alta velocidade foram t&atilde;o eficazes, que foram proibidas para o uso militar por Conven&ccedil;&otilde;es em 1899, podendo ainda ser utilizadas na ca&ccedil;a[6]. Ent&atilde;o qual a raz&atilde;o para que muni&ccedil;&otilde;es de ca&ccedil;a de alta energia&nbsp; sejam mais letais que as militares? Isto justifica-se pelo fato de que proj&eacute;teis militares s&atilde;o desenhados para ferir e n&atilde;o necessariamente para matar. Um soldado morto retira apenas um soldado do combate, um soldado ferido necessita de ajuda e mobiliza mais soldados. As muni&ccedil;&otilde;es militares acabam por ser mais leves, facilitando assim o seu transporte individual, aumentando a cad&ecirc;ncia real de tiro, armas menores facilitam o manuseio em espa&ccedil;os pequenos como no interior de ve&iacute;culos e troca de tiros em espa&ccedil;os fechados. Numericamente a velocidade dos proj&eacute;teis deve ser considerada baixa quando inferior a 300m/s, m&eacute;dia entre 300m/s e 600m/s e alta acima de 600m/s[4].</p>
    <p>A forma pontiaguda destes proj&eacute;teis faz com que o orif&iacute;cio de entrada seja menor que o do proj&eacute;til na maioria dos casos, com microlacera&ccedil;&otilde;es[7, 4]. Mas h&aacute; fatores que podem tornar este orif&iacute;cio muito maior como a velocidade, a dist&acirc;ncia e a regi&atilde;o anat&oacute;mica envolvida. Di maio afirma que qualquer coisa que altere a estabilidade do proj&eacute;til na sua entrada tende a ampliar muito a ferida[7]. Nos tiros dados em estruturas &oacute;sseas, h&aacute; uma transfer&ecirc;ncia muito r&aacute;pida da energia, que vem a distender a pele do orif&iacute;cio de entrada, promovendo uma ferida com aspeto&ldquo;explosivo&rdquo;[7, 4, 8, 9]. Feridas por proj&eacute;teis de fuzil na cabe&ccedil;a podem ser t&atilde;o grandes que impossibilitam a distin&ccedil;&atilde;o entre entrada e sa&iacute;da[7, 4] (<a name="topf2"></a><a href="#f2">Figuras 2 </a>e <a name="topf3"></a><a href="#f3">3</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f2"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f2.jpg" width="508" height="597" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p><a name="f3"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f3.jpg" width="372" height="329" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">OS FENÓMENOS DE CAVITAÇÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>O trajeto dos proj&eacute;teis de alta energia difere dos demais devido &agrave; maior pot&ecirc;ncia das ondas de press&atilde;o que produzem. Os projeteis rompem os tecidos deixando um t&uacute;nel (cavidade permanente) cujas paredes s&atilde;o deslocadas por estas ondas em dire&ccedil;&atilde;o radial e sentido centr&iacute;fugo. A cavidade tempor&aacute;ria &eacute; o resultado do alargamento da cavidade permanente sob a influ&ecirc;ncia das ondas de press&atilde;o puls&aacute;teis. Quanto mais r&aacute;pido o fluxo de energia cin&eacute;tica, maior o impulso dado aos tecidos vizinhos, &agrave; cavidade permanente e maior ser&aacute; a cavidade tempor&aacute;ria[4, 6, 7]. Esse aspeto do ferimento &eacute; an&aacute;logo &agrave; onda originada durante um mergulho na &aacute;gua. Se o mergulhador entra na &aacute;gua muito reto e com a cabe&ccedil;a para frente ( igual &agrave; configura&ccedil;&atilde;o de ponta para a frente de um proj&eacute;til com inclina&ccedil;&atilde;o de 0&ordm;), a onda deve ser m&iacute;nima. A onda &eacute; maior quando a pessoa mergulha de barriga (semelhante a um proj&eacute;til com inclina&ccedil;&atilde;o de 90&ordm;). No tecido, esta onda, a cavidade tempor&aacute;ria, provoca um traumatismo fechado.</p>
    <p>Proj&eacute;teis deform&aacute;veis, que transferem rapidamente a sua energia para os tecidos, s&atilde;o capazes de produzir grandes cavidades tempor&aacute;rias. A cavidade tempor&aacute;ria, entretanto s&oacute; deixa les&otilde;es vis&iacute;veis macroscopicamente quando a velocidade do proj&eacute;til &eacute; superior a 304m/s[4]. O efeito mais vis&iacute;vel &eacute; a infiltra&ccedil;&atilde;o hemorr&aacute;gica causada pela rutura dos capilares pela a&ccedil;&atilde;o contundente da onda de press&atilde;o. Tem sido alvo de discuss&atilde;o as les&otilde;es vasculo-nervosas causadas &agrave; dist&acirc;ncia, como as neuropraxias[8, 10]. Ou os espasmos vasculares. Grande parte da les&atilde;o permanente nas feridas das extremidades resulta no fato de as estruturas serem atingidas pelo proj&eacute;til &iacute;ntegro, por seus fragmentos ou por proj&eacute;teis secund&aacute;rios. Como em todo traumatismo fechado, surgem for&ccedil;as de avuls&atilde;o, e as estruturas laceram os pontos onde um lado est&aacute; fixo e o outro se movimenta livremente. Hiperestesias, palidez ou pulso fraco jamais devem ser atribu&iacute;dos a espasmo arterial sem antes se excluir a presen&ccedil;a de trombo arterial (<a name="topf4"></a><a href="#f4">Figuras 4</a> e <a name="topf5"></a><a href="#f5">5</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f4"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f4.jpg" width="369" height="201" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p><a name="f5"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f5.jpg" width="368" height="375" border="0" /></center></p>    
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">FERIDAS DE SAÍDA</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Se os proj&eacute;teis mantivessem a sua estabilidade ao longo do trajeto, produziriam sa&iacute;das pouco menores que a entrada, mas n&atilde;o &eacute; isso o que se sucede, uma vez que ao longo do trajeto os proj&eacute;teis sofrem desvios e at&eacute; deforma&ccedil;&otilde;es e costumam sair de lado ou de base, ampliando muito mais a sa&iacute;da[8,9]. S&atilde;o v&aacute;rias as causas que contribuem para o aumento da ferida de sa&iacute;da. A mais importante &eacute; o comprimento do trajeto[11]. Nos primeiros centimetros ainda n&atilde;o existe uma cavidade tempor&aacute;ria bem formada, atingindo o m&aacute;ximo aos trinta cent&iacute;metros e diminu&iacute;ndo logo ap&oacute;s. Se, no entanto, o segmento a ser atingido for pequeno como um bra&ccedil;o e o proj&eacute;til n&atilde;o tocar no osso, n&atilde;o existe tempo suficiente para que o proj&eacute;til tombe e produza uma cavidade tempor&aacute;ria significativa[4, 12]. O mesmo j&aacute; n&atilde;o ocorre se o segmento atingido for maior,como a coxa, podendo a cavita&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria m&aacute;xima coincidir com a sa&iacute;da do proj&eacute;til, produzindo feridas muito grandes, com aspeto em couve flor. Se&nbsp; neste trajeto for atingido algum plano &oacute;sseo, d&aacute; se tranfer&ecirc;ncia precoce de energia e a sa&iacute;da ser&aacute; maior[12, 13, 14, 15].</p>
    <p>Notem que numa troca de tiros, se o proj&eacute;til transfixar a v&iacute;tima e n&atilde;o atingir nenhum &oacute;rg&atilde;o vital, parte da sua energia n&atilde;o ser&aacute; transferida, Isto permite que a v&iacute;tima mesmo atingida possa continuar em combate. Este mesmo proj&eacute;til pode atingir outra pessoa com energia sufi ciente para a matar consoante a regi&atilde;o anat&oacute;mica atingida, o que motiva grande discuss&atilde;o sobre a utiliza&ccedil;&atilde;o destas muni&ccedil;&otilde;es pelas for&ccedil;as policiais brasileiras[12]. Por esta raz&atilde;o foram desenvolvidos proj&eacute;teis como hollow point para uso policial, uma vez que por serem mais deform&aacute;veis s&atilde;o menos transfixantes,13,14 o que reduz o n&uacute;mero de v&iacute;timas colaterais e aumenta o efeito stopping power, al&eacute;m de produzir menor ricochete quando falham o alvo.</p>
    <p>A fragmenta&ccedil;&atilde;o do proj&eacute;til durante a fratura &oacute;ssea pode dar origem &agrave; proj&eacute;teis secund&aacute;rios e v&aacute;rios orif&iacute;cios de sa&iacute;da (<a name="topf6"></a><a href="#f6">Figuras 6&nbsp;a 9</a>).</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f6"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f6.jpg" width="371" height="285" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p><a name="f7"></a>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f7.jpg" width="370" height="330" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p><a name="f8"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f8.jpg" width="370" height="508" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p><a name="f9"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f9.jpg" width="528" height="525" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p></font>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font face="Verdana" size="2">DIFERENÇAS ENTRE LESÕES MILITARES E CIVIS</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Como acontece com todas as fraturas cominutivas associadas a les&atilde;o extensa de partes moles, a morbilidade est&aacute; relacionada com a sua contamina&ccedil;&atilde;o[16,17]. As feridas militares s&atilde;o das mais contaminadas[18],de acordo com os resultados de diversos estudos realizados com feridos da Segunda Guerra Mundial e das guerras da Cor&eacute;ia e do Vietnam[19] onde foram isolados tr&ecirc;s ou quatro especies diferentes de bact&eacute;rias, e at&eacute; seis tipos em alguns trabalhos, contra apenas um tipo de bact&eacute;ria isolado nas feridas no meio civil causadas por PAF[18, 19]. As esp&eacute;cies aer&oacute;bicas parecem ser muito similares, mas as anaer&oacute;bicas foram mais frequentes nas feridas militares, que nas do meio civil. S&atilde;o exce&ccedil;&otilde;es as do meio rural ou que ocorrem em ambientes extremamente contaminados, onde o grau de contamina&ccedil;&atilde;o das feridas parece ser equivalente[20].</p>
    <p>Entre os fatores que mais contribuem para a gravidade das feridas militares, salienta-se o atraso e as condi&ccedil;&otilde;es da evacua&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica. Durante a Guerra do Golfo , em 1991, o tempo m&eacute;dio decorrido entre o acidente e o atendimento m&eacute;dico, foi de 10 horas. A ferida j&aacute; pode ser considerada contaminada em seis horas, e infetada ap&oacute;s este tempo, quando j&aacute; ocorreu multiplica&ccedil;&atilde;o bacteriana e dissemina&ccedil;&atilde;o pelo sistema linf&aacute;tico[20].</p>
    <p>As feridas militares est&atilde;o mais associadas a ferimentos penetrantes do abdomen com eviscera&ccedil;&atilde;o, mas a utiliza&ccedil;&atilde;o de armamento de guerra entre a popula&ccedil;&atilde;o civil no Rio de Janeiro (inclusive granadas) parece igualar estes dados, uma vez que ao transfixar a cavidade abdominal pode ocorrer contamina&ccedil;&atilde;o com gram negativos do intestino. H&aacute; relatos de que narcotraficantes cariocas contaminam os proj&eacute;teis com material fecal com o objetivo de aumentar as complica&ccedil;&otilde;es[12]. O princ&iacute;pio do tratamento em ambos os meios &eacute; o mesmo, embora a experi&ecirc;ncia aponte para um desbridamento mais radical em feridas militares. Mas este deve ser feito com cautela e da forma mais anat&oacute;mica poss&iacute;vel[20, 21, 22] (<a name="topf10"></a><a href="#f10">Figura 10</a>)</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f10"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f10.jpg" width="367" height="339" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">LESÕES POR TIROS DE CAÇADEIRA</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Estas s&atilde;o as les&otilde;es mais frequentes no nosso meio. As les&otilde;es geradas por armas que utilizam cartuchos de proj&eacute;teis m&uacute;ltiplos diferem das causadas por proj&eacute;teis &uacute;nicos. Cada proj&eacute;til produz a sua pr&oacute;pria ferida de entrada e tem o seu trajeto. Por outro lado, a concentra&ccedil;&atilde;o das feridas &eacute; inversamente proporcional &agrave; dist&acirc;ncia do disparo[4, 23].</p>
    <p>Embora sejam consideradas les&otilde;es de baixa velocidade em tiros de curta dist&acirc;ncia os seus efeitos s&atilde;o devastadores. Nos tiros inferiores a 7 metros costuma haver les&atilde;o acess&oacute;ria causada pela bucha, e em les&otilde;es a curta dist&acirc;ncia esta bucha pode penetrar no corpo da v&iacute;tima[23] (<a name="topf11"></a><a href="#f11">Figuras 11</a> e <a name="topf12"></a><a href="#f12">12</a>)</p>    <p>&nbsp;</p><a name="f11"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f11.jpg" width="371" height="327" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p><a name="f12"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f12.jpg" width="366" height="234" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p></font>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font face="Verdana" size="2">TRATAMENTO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>O tratamento das feridas por PAF, deve seguir os mesmos princ&iacute;pios gerais aplic&aacute;veis a outros tiposde traumatismos. O objetivo priorit&aacute;rio consiste na identifica&ccedil;&atilde;o das les&otilde;es potencialmente fatais. A menos que existam hemorragias &oacute;bvias, a avalia&ccedil;&atilde;o dos membros s&oacute; deve ser feita ap&oacute;s garantir a estabiliza&ccedil;&atilde;o do doente[24,25,26]:</p>
    <p>Lavagem exaustiva da ferida e desbridamento cir&uacute;rgico,</p>
    <p>Estabiliza&ccedil;&atilde;o do membro, Antibioticoterapia adequada e profilaxia do t&eacute;tano.</p>
    <p>De todos estes, a cirurgia &eacute; o fator mais importante. A antibioticoterapia &eacute; importante, mas &eacute; secund&aacute;ria &agrave; cirurgia e n&atilde;o deve ser usada em alternativa a esta.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">TRATAMENTO CIRÚRGICO E TÉCNICA OPERATÓRIA</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>O objetivo &eacute; reduzir o risco de infe&ccedil;&atilde;o. Todas as fraturas t&ecirc;m indica&ccedil;&atilde;o formal para serem exploradas cirurgicamentes e tratadas como fraturas expostas. Embora alguns Servi&ccedil;os tenham apresentado bons resultados com o tratamento conservador, estes casos s&atilde;o atribu&iacute;veis a projeteis de baixa energia e com r&aacute;pido atendimento m&eacute;dico, diferente do j&aacute; exposto[27].</p>
    <p>Quando existirem m&uacute;ltiplos e pequenos estilha&ccedil;os nem todos precisam de ser removidos. Numa ferida pequena, se n&atilde;o houver a suspeita de fratura ou les&atilde;o articular, e se o projetil estiver superficial e for de baixa energia, o tratamento conservador &eacute; admiss&iacute;vell, mas com o acompanhamento ambulatorial cuidadoso. Embora raro est&atilde;o descritos casos de migra&ccedil;&atilde;o de proj&eacute;teis e de saturnismo pela absor&ccedil;&atilde;o do chumbo[28,29].</p>
    <p>O desbridamento cir&uacute;rgico tem como objetivo remover corpos estranhos e tecidos desvitalizados[24]. O desbridamento come&ccedil;a pela margem da ferida. Les&otilde;es do tipo desenluvamento podem necessitar de maior desbridamento, com remo&ccedil;&atilde;o de parte do tecido subcut&acirc;neo. Entretanto a cirurgia deve ser o mais anat&oacute;mica poss&iacute;vel. Podem ser necess&aacute;rias fasciotomias. Nos casos de les&otilde;es por alta energia a remo&ccedil;&atilde;o de tecido muscular necr&oacute;tico &eacute; fundamental. A falta de circula&ccedil;&atilde;o capilar, altera&ccedil;&atilde;o na contratilidade, na cor e na consist&ecirc;ncia s&atilde;o sinais de compromisso muscular, e o cir&uacute;rgi&atilde;o deve ser cauteloso para realizar o m&iacute;nimo desbridamento necess&aacute;rio. &Eacute; um processo que pode aumentar a hemorragia e portanto o anestesista deve estar atentono sentido de assegurar a estabilidade hemodin&acirc;mica do doente[21,22].</p>
    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os Nervos e vasos n&atilde;o comprometidos devem ser preservados, assim como os tend&otilde;es inseridos nos m&uacute;sculos. Podem ser dados pontos de refer&ecirc;ncia para interven&ccedil;&otilde;es futuras. Maiores difi culdades ocorrem no desbridamento &oacute;sseo, principalmente com pequenas esqu&iacute;rolas. Estes fragmentos, sem conex&otilde;es com tecidos vi&aacute;veis, devem ser removidos para evitar zonas de sequestro &oacute;sseo. A fratura deve ser lavada abundantemente, sendo recomend&aacute;vel utilizar nove litros de soro para fraturas expostas[20].</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">AMPUTAÇÃO</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>A Amputa&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria pode ser necess&aacute;ria como parte inicial do desbridamento. Esta decis&atilde;o parece un&acirc;nime quando o membro esta preso apenas pela pele ou se se encontra muito lacerado. Mas a viabilidade do membro pode ser mais dif&iacute;cil de avaliar em les&otilde;es menos graves. Alguns crit&eacute;rios podem ajudar na indica&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria da amputa&ccedil;&atilde;o:</p>
    <p>Extensa perda &oacute;ssea.</p>
    <p>Les&atilde;o extensa com perda de pele e tegumentos, incluindo les&atilde;o vascular.</p>
    <p>Les&atilde;o neurol&oacute;gica, principalmente envolvendo as m&atilde;os ou os p&eacute;s.</p>
    <p>Em caso de d&uacute;vida pode ser necess&aacute;ria um reavalia&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s 48 horas para tomar a a decis&atilde;o da amputa&ccedil;&atilde;o. Preservar um membro sem fun&ccedil;&atilde;o, sem inerva&ccedil;&atilde;o e ,&agrave;s vezes, com infe&ccedil;&atilde;o cr&oacute;nica, pode ser mais prejudicial para o doente que uma amputa&ccedil;&atilde;o e reabilita&ccedil;&atilde;o precoce.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">O ENCERRAMENTO DA FERIDA</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O encerramento secund&aacute;rio &eacute; a regra. A ferida &eacute; deixada aberta para permitir a drenagem, diminuir o edema e prevenir o aumento das press&otilde;es tissulares, impedindo aprgress&atilde;o de infe&ccedil;&otilde;es. Entretanto algumas feridas pela sua extens&atilde;o ou localiza&ccedil;&atilde;o, como as da face e genit&aacute;lia, podem ser encerradas primariamente, mas s&atilde;o casos de exce&ccedil;&atilde;o. Feridas de alta energia com perda de partes moles e grande cominui&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea, nunca devem ser encerradas primariamente e geralmente necessitam de reconstru&ccedil;&atilde;o pela cirurgia pl&aacute;stica, cerca de sete ou catorze dias ap&oacute;s o desbridamento, dependendo dos recursos dispon&iacute;veis e do tipo de ferida.</p>
    <p>As les&otilde;es de baixa energia provocam feridas pequenas e necessitam de pouco desbridamento. Geralmente cicatrizam por segunda inten&ccedil;&atilde;o, mas nunca devem ser encerradas primariamente.</p>
    <p>As articula&ccedil;&otilde;es expostas devem ser cobertas durante a interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica prim&aacute;ria, para prevenir artrites s&eacute;pticas[30]. Se o desbridamento for efi ciente a aplica&ccedil;&atilde;o de antis&eacute;pticos diretamente no osso &eacute; desnecess&aacute;ria j&aacute; s&atilde;o potencialmente t&oacute;xicos para as c&eacute;lulas &oacute;sseas. Deve se ter cuidado ao realizar o penso e a imobiliza&ccedil;&atilde;o, de maneira a evitar s&iacute;ndromes compartimentais.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">CLASSIFICAÇÃO DAS FRATURAS</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Algumas classifica&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sido propostas para fraturas por PAF, mas a sua variabilidade &eacute; tanta que nenhuma classifica&ccedil;&atilde;o &eacute; un&acirc;nime. Talvez a mais consensual seja a desenvolvida pelo Comit&eacute; Internacional da Cruz Vermelha[22] (IRC), que correlaciona a ferida com a sua gravidade, tendo em conta o tamanho do orif&iacute;cio de entrada, de sa&iacute;da, das cavita&ccedil;&otilde;es, das fraturas e de estruturas vitais, mas o seu uso &eacute; demasiado complexo. Na pr&aacute;tica, as fraturas podem ser divididas em incompletas e completas.</p>
    <p>As fraturas completas podem dividir-se, em simples e cominutivas. As incompletas em:</p>
    <p>Tipo "Drill-hole": Quando um t&uacute;nel &eacute; criado atrav&eacute;s do osso como os produzidos pelas brocas.</p>
    <p>Tipo "Divot" ou " chip type": Quando parte da cortical &eacute; removida, mas o canal permanece, &agrave; semelhan&ccedil;a dos torr&otilde;es utilizados como suporte das bolas de golfe ap&oacute;s a tacada (Divot).</p>
    <p>Os proj&eacute;teis de alta energia causam fraturas completas, geralmente cominutivas, e os de baixa energia, fraturas incompletas, ou quando completas,de pouca complexidade.</p></font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">ESTABILIZAÇÃO DAS FRATURAS</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>A estabiliza&ccedil;&atilde;o das fraturas permite o al&iacute;vio da dor, diminui os danos nos tecidos moles e &oacute;sseos permitindo a sua consolida&ccedil;&atilde;o. A utiliza&ccedil;&atilde;o de imobilza&ccedil;&otilde;es, como a desenvolvida por Owen Thomas durante a Primeira Guerra Mundial, reduziu drasticamente a mortalidade das fraturas do femur[21]. Hoje, v&aacute;rias s&atilde;o as op&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas deixando no passado a imagem de uma enfermaria repleta de soldados em tra&ccedil;&atilde;o esqueletica &agrave; espera da consolida&ccedil;&atilde;o demorada de uma fratura femoral.</p></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Fixação interna Placas</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>As placas e parafusos permitem a redu&ccedil;&atilde;o anat&oacute;mica e uma fixa&ccedil;&atilde;o r&iacute;gida. No entanto s&atilde;o mais vulner&aacute;veis &agrave;s infe&ccedil;&otilde;es. T&eacute;cnicas minimamente invasivas diminuem a exposi&ccedil;&atilde;o e o risco de complica&ccedil;&otilde;es. Devem sempre ser avaliadas as condi&ccedil;&otilde;es da pele e na d&uacute;vida aguardar a "janela de oportunidade". A osteoss&iacute;ntese &eacute; a op&ccedil;&atilde;o de tratamento na reconstru&ccedil;&atilde;o articular em fraturas de baixa energia e no meio civil.</p></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Fixação intramedular</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>A fixa&ccedil;&atilde;o intramedular com cavilha &eacute; considerada o m&eacute;todo de escolha para estabiliza&ccedil;&atilde;o de fraturas expostas diafis&aacute;rias da t&iacute;bia e do f&eacute;mur, no meio civil[31]. As vantagens desta fixa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os elevados &iacute;ndices de cicatriza&ccedil;&atilde;o da ferida e de consolida&ccedil;&atilde;o da fratura, sem a necessidade de imobiliza&ccedil;&atilde;o gessada, o que facilita a troca dos pensos.</p>
    <p>Durante a Guerra do Vietnam trabalhos revelaram uma taxa de 50% de maus resultados com cavilhas utilizadas em fraturas associadas a les&otilde;es vasculares, por complica&ccedil;&otilde;es do material ou por infe&ccedil;&otilde;es. Isto pode ser atribu&iacute;do a dificuldades t&eacute;cnicas locais e &agrave; gravidade das les&otilde;es de alta energia no meio militar. Atualmente a cavilha intramedular tem sido a op&ccedil;&atilde;o mais usada nas fraturas diafi s&aacute;rias nos Estados Unidos, onde normalmente as fraturas s&atilde;o minimamentecontaminadas e tratadas em menos de seis horas.</p></font>    <p><b><font face="Verdana" size="2">Fixação externa</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>O Fixador Externo (<a name="topf13"></a><a href="#f13">Figura 13</a>) &eacute; a op&ccedil;&atilde;o de estabiliza&ccedil;&atilde;o das fraturas por proj&eacute;teis de arma de fogo mais utilizada em feridas militares, durante a abordagem cir&uacute;rgica inicial[32]. Tem por indica&ccedil;&otilde;es:</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p><a name="f13"></a>     <p>    <center><img src="/img/revistas/rpot/v20n2/20n2a03f13.jpg" width="369" height="332" border="0" /></center></p>    
<p>&nbsp;</p>
    <p>- Grande perda &oacute;ssea</p>
    <p>- Extensa les&atilde;o de partes moles</p>
    <p>- Les&otilde;es vasculares associadas</p>
    <p>- Fraturas associadas com queimaduras</p>
    <p>- Politraumatizados (Damage Control)</p></font>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font face="Verdana" size="2">TRATAMENTO CONSERVADOR</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Embora o tratamento cir&uacute;rgico seja geralmente o recomendado, em determinadas circunst&acirc;ncias como nos casos das feridas de projeteis de baixa energia ou de fraturas incompletas, com preserva&ccedil;&atilde;o de partes moles e baixo risco de infe&ccedil;&atilde;o , o tratamento conservador poder&aacute; ser uma boa op&ccedil;&atilde;o.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">IMPLICAÇÕES MÉDICO LEGAIS</font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Os ferimentos causados por tiros t&ecirc;m implica&ccedil;&otilde;es m&eacute;dico legais importantes. A simples interpreta&ccedil;&atilde;o de uma ferida pode denunciar um homic&iacute;dio ou esclarecer um acidente. O encontro de elementos figurados relacionados com a combust&atilde;o da p&oacute;lvora, o chamado GSR (gunshot residues), junto &agrave; ferida s&atilde;o evid&ecirc;ncias de que a v&iacute;tima esteve ao alcance desta n&uacute;vem de res&iacute;duos, denunciando um disparo pr&oacute;ximo &agrave; v&iacute;tima e caracterizando uma ferida de entrada.</p>
    <p>Durante o disparo s&atilde;o expulsos gases incandescentes e restos de p&oacute;lvora combusta e n&atilde;o combusta. Quanto mais pr&oacute;xima a v&iacute;tima estiver da sa&iacute;da destes elementos do cano da arma, mais concentrados estes estar&atilde;o, e quanto mais afastada, mais dispersos. O termo "&agrave; queima roupa" &eacute; usado quando a dist&acirc;ncia do disparo &eacute; t&atilde;o pr&oacute;xima que &eacute; poss&iacute;vel encontrar uma zona de chamuscamento, de queimadura na ferida de entrada, muito dependente da muni&ccedil;&atilde;o e da arma utilizada. Repare que este termo n&atilde;o tem rela&ccedil;&atilde;o com a capacidade da v&iacute;tima reagir, como erroneamente observamos na comunica&ccedil;&atilde;o social e refere-se apenas a uma estimativa da posi&ccedil;&atilde;o e da dist&acirc;ncia. A p&oacute;lvora combusta reduz a sua massa e traduz-se como uma poeira, uma fuligem ao redor da ferida, caracterizando uma zona de esfuma&ccedil;amento, conhecida como negro de fumo. J&aacute; a p&oacute;lvora n&atilde;o combusta, com maior massa, &eacute; projetada mais para a diante e, face a esta proje&ccedil;&atilde;o associada &agrave; sua temperatura d&aacute; origem a chamada zona de tatuagem,isto porque estes vest&iacute;gios ficam incrustados na pele sendo algumas vezes de dif&iacute;cil remo&ccedil;&atilde;o.</p>
    <p>Estas zonas descritas, al&eacute;m de caracterizarem uma ferida de entrada, v&atilde;o ajudar a estimar a dist&acirc;ncia do disparo. Mas se houver roupa entre a ferida e o disparo, estes elementos ser&atilde;o mais evidentes na roupa. Da&iacute; a import&acirc;ncia forense de preserva-la.</p>
    <p>O proj&eacute;til exerce uma a&ccedil;&atilde;o perfuro-contundente, sendo alguns mais perfurantes que outros, consoante a sua forma. Ao vencer a elasticidade da pele o proj&eacute;til acaba por romper os tecidos e capilares ao redor da ferida, dando origem a uma orla de equimose (ausente nos cad&aacute;veres). Os seus movimentos de rota&ccedil;&atilde;o promovem uma orla de escoria&ccedil;&atilde;o e as suas sujidades e vest&iacute;gios criam uma orla de "limpadura", de enxugo. Estas tr&ecirc;s orlas s&atilde;o t&iacute;picas dos orif&iacute;cios de entrada, independentemente da sua dist&acirc;ncia. S&atilde;o exce&ccedil;&atilde;o os disparos com cano encostado junto aos planos &oacute;sseos, que guardam caracter&iacute;sticas estreladas que lembram orif&iacute;cios de sa&iacute;da. A sua interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; muito estudada em medicina legal e devem ser evitadas falsas interpreta&ccedil;&otilde;es pelo ortopedista entre os orif&iacute;cios de entrada e sa&iacute;da. Isto parece muito simples quando observamos apenas dois orif&iacute;cios, mas pode tornar se muito complexo quando apenas um proj&eacute;til produz m&uacute;ltiplos orif&iacute;cios de entrada e de sa&iacute;da ou quando encontramos diversos projeteis. A ferida deve&nbsp; ser fotografada e documentada sempre que poss&iacute;vel, para que possa posteriormente ser apreciada numa eventual per&iacute;cia m&eacute;dico-legal.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">CONCLUSÕES</font></b></p><font face="verdana" size="2">    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O conhecimento da bal&iacute;stica terminal permite compreender o mecanismo de les&atilde;o dos pr&oacute;jeteis de alta energia evitando erros do passado e mitos sobre algumas muni&ccedil;&otilde;es. A experi&ecirc;ncia que antes era quase exclusiva dos cirurgi&otilde;es militares, hoje &eacute; compartilhada com os cirurgi&otilde;es dos grandes centros urbanos que atendem rotineiramente v&iacute;timas de tiro.</p>
    <p>Os principais determinantes, conforme j&aacute; discutido, s&atilde;o: a propriedade dos tecidos atrav&eacute;s dos quais o proj&eacute;til passa (elasticidade, densidade, coes&atilde;o, estrutura interna); di&acirc;metro, forma, massa e velocidade do proj&eacute;til; se se expande ou se fragmenta; seu material, comprimento e se a trajet&oacute;ria &eacute; suficientemente longa para permitir uma inclina&ccedil;&atilde;o de 90&ordm;. S&oacute; ocorre cavita&ccedil;&atilde;o tempor&aacute;ria significativa quando o proj&eacute;til penetra com velocidade suficiente e depois deformase, fragmenta-se ou inclina-se 90&ordm;.</p>
    <p>O estiramento tecidual pode ser absorvido com pouco ou nenhum efeito delet&eacute;rio pelo tecido el&aacute;stico, como por exemplo, do pulm&atilde;o e do m&uacute;sculo. J&aacute; a cavidade tempor&aacute;ria formada pelos tecidos menos el&aacute;sticos como o f&iacute;gado ou cerebral determina uma les&atilde;o mais grave.</p>
    <p>A abordagem dos doentes deve ser multidisciplinar e dar aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s secund&aacute;rias. A escolha do m&eacute;todo de osteoss&iacute;ntese deve ser avaliada caso a caso tendo em conta as les&otilde;es de partes moles, a contamina&ccedil;&atilde;o, a personalidade da fratura e a experi&ecirc;ncia do Servi&ccedil;o e do cirurgi&atilde;o.</p></font>    <p>&nbsp;</p>    <p><b><font face="Verdana" size="2">REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</font></b></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">1. Burger C, Mueller M, Wlodarczyk P, Mahoney Peter F. Ballistic trauma: a practical guide. 2nd. British Library; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S1646-2122201200020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">2. Clasper JC. The interaction of projectiles with bone and management of ballistic fractures. J R Army Med Corps. 2001; 147: 52-61</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S1646-2122201200020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">3. Hopkison DAW, Marshall TK. Firearms injuries. British J Surg. 1997; 54 (5): 344-353</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000162&pid=S1646-2122201200020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">4. Hercules Hygino de Carvalho. Medicina Legal. Texto e Atlas. Ed Atheneu. São Paulo: Ed Atheneu; 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S1646-2122201200020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">5. França Genival V. Medicina Legal. 9ª. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan; 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S1646-2122201200020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">6. Sykes L. N Jr, Champion HR. Dum Dums, hollow-points, and devastators: techniques designed to increase wounding potential of bullets. J Trauma. 1988; 28: 618</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S1646-2122201200020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">7. Maio VJM Di. Wounds caused by center rifles in Gunshot Wounds. 2ª. Florida; 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000168&pid=S1646-2122201200020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">8. Fackler ML. Wound ballistics. A review of common misconceptions. JAMA. 1988; 259 (18): 2730-2736</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000170&pid=S1646-2122201200020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">9. Barach E, Tomlanovich M, Nowak R. Ballistics: a pathophysiologic examination of the wounding mechanisms of fi rearms: part I. J Trauma. 1986; 26: 225</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000171&pid=S1646-2122201200020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">10. Amato JJ, Billy LJ. Temporary cavitation in hight-velocity pulmonary missile injury. Ann Thorac Surg. 1974; 18: 565</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000172&pid=S1646-2122201200020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">11. Ziervogel J.F. A study of muscle damage caused by 7,62 NATO rifle. Acta Chir Scand. 1979;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000173&pid=S1646-2122201200020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">12. Durão CH. Lesões por projéteis de arma de fogo de alta energia. XXIX Congresso Nacional de Ortopedia; 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000175&pid=S1646-2122201200020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">13. Celens E. A Terminal effects of bullets based on fi ring results in gelatin medium and numerical modeling. J Trauma. 1996; 40</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000177&pid=S1646-2122201200020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">14. Cheng XY. Wound properties of steel pellets with different velocities and quality on softy tissue of dogs. J Trauma. 1988; 28</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000178&pid=S1646-2122201200020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">15. Liu Y, Li S. Characteristics of cavities trailing different effects of two types of bullets on soft tissue of dogs. Acta Chir Scand. 1982; 508</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000179&pid=S1646-2122201200020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">16. Wang ZG. Pathological changes of gunshot wounds at various intervals after wounding. Acta Chir Scand. 1982;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000180&pid=S1646-2122201200020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">17. Kudsen PJ. Terminal Ballistics of 762mm NATO bullets; experiments in ordnance gelatin. Int. J Legal Med. 1995; 108: 62</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000182&pid=S1646-2122201200020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">18. Lindberg RB, Wetzler TF, Marshall JD. The bacterial flora of battle wounds at time of primary debridement. Ann Surg. 1955;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000183&pid=S1646-2122201200020000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">19. Rich NM, Metz CW Jr. Internal versus external fixation of fractures with concomitant vascular injury in Vietnam. J Trauma. 1971;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000185&pid=S1646-2122201200020000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">20. Coupland RM. Technical aspects of war wound excision. Br j surg. 1989;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000187&pid=S1646-2122201200020000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">21. Rose SC, Fijisaki CK, Moore EE. Incomplete fractures associated with penetrating trauma: Etiology, appearance and natural history. J Trauma. 1988;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000189&pid=S1646-2122201200020000300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">22. Coupland RM. The Red Cross wound classification. War wounds of limbs: Surgical Management. Oxford: Butterworh Heinemann; 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000191&pid=S1646-2122201200020000300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">23. Ordog GJ, Wasserberger J, Balasubramaniam S. Shotgun wound ballistics. J Trauma. 1998;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000193&pid=S1646-2122201200020000300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">24. Fackler ML, Breteau J.P. Open wound drainage versus wound excision in treating the modern assault rifle wound. Surgery. 1989;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000195&pid=S1646-2122201200020000300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">25. Adams DB. wound ballistics: a review. Mil Med. 1982;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000197&pid=S1646-2122201200020000300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">26. Amato JJ, Billy LJ. Vascular injuries. An experimental study of hight and low velocity missile wounds. Arch Surg. 1970;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000199&pid=S1646-2122201200020000300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">27. Norman J, Glover JL. Lower extremity vascular trauma: a comprehensive aggressive approach. Am Surg. 1995;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000201&pid=S1646-2122201200020000300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">28. Benzley WC, Rosenthal RE. Intoxication 18 months after a gunshot wound. Clin Orthopedic. 1984;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000203&pid=S1646-2122201200020000300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">29. Rhee JM, Martin R. The management of retained bullets in the limbs. Injury. 1997; 28</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000205&pid=S1646-2122201200020000300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">30. Patzakis MJ, Harvey JP, Tyler D. The role of antibiotics in the management of open fractures. J Bone Joint Surg Am. 1974;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000206&pid=S1646-2122201200020000300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">31. Bergman M, Tronetta P, Kerina M. Femur fractures caused by gunshots: treatment by immediate reamed intramedullary nailing. J trauma. 1993;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000208&pid=S1646-2122201200020000300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <!-- ref --><p><font face="verdana" size="2">32. Dubravko H, Zarko R, Tomislav T. external fi xation in war trauma management of the extremities: experience from the war in Croatia. J Trauma. 1994;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000210&pid=S1646-2122201200020000300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>    <p>&nbsp;</p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b><font face="Verdana" size="2">Conflito de interesse: </font></b></p><font face="verdana" size="2">    <p>Nada a declarar.</p></font>    <p>&nbsp;</p><a name="c"></a>    <p><b><font face="Verdana" size="2"><a href="#topc">Endereço para correspondência</a></font></b></p>    <p><font face="Verdana" size="2">Carlos Durão    <br>Alameda dos Oceanos    <br>Rotunda das Oliveiras, 4 Bloco C, Apto    <br>Frente    <br>Parque das Nações    <br>Lisboa    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>    <br>    <br>    <br></font></p>    <p>&nbsp;</p>    <p><font face="verdana" size="2"><b>Data de Aceitação: </b> 2012-01-22</font></p>     ]]></body>
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