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<article-id pub-id-type="doi">10.23906/ri2018.57a06</article-id>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Desafios de segurança no golfo da Guiné]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Portuguese presidency of the G7++FoGG: major challenges and main results]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Ministério dos Negócios Estrangeiros  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Security issues in the Gulf of Guinea have been gaining accuracy due to the significant increase of incidents of piracy, bunkering, drug trafficking, human trafficking, immigration and illegal fishing. Portugal was the first non-member to assume the Presidency of the Group of Friends within the G7 that follows the maritime security themes in the Gulf of Guinea Maritime (G7++FoGG). During its Presidency in 2016 several aspects were attempted: the integral approach to maritime safety (in safety and security), the operationalization of the regional and interregional coordination centers integrated in the architecture of Yaoundé; the exchange of information between institutions and existing mechanisms; the establishment of National Committees of Maritime Security and the optimization of capabilities of multilateral structures based in Lisbon (as the European Maritime Safety Agency (EMSA) and the MAOC-N – Maritime Analysis and Operation Centre – Narcotics).]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p style="text-align: right;"><b>QUE SEGURANÇA MARÍTIMA TEMOS E QUEREMOS</b></p>     <p><b>Desafios de seguran&ccedil;a&nbsp;no golfo da Guin&eacute;</b></p>     <p><b>The Portuguese presidency of&nbsp;the G7++FoGG:&nbsp;major challenges&nbsp;and    main results</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Joaquim Ferreira Marques</b></p>     <p>Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros | Pal&aacute;cio das Necessidades,    Largo do Silvas 1399-030 Lisboa &ndash; Portugal | <a href="mailto:joaquim.marques@mne.pt">joaquim.marques@mne.pt</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>As quest&otilde;es de seguran&ccedil;a no golfo&nbsp;da Guin&eacute; t&ecirc;m    vindo a ganhar acuidade em fun&ccedil;&atilde;o do aumento significativo de    incidentes de pirataria,&nbsp;<i>bunkering</i>,&nbsp;narcotr&aacute;fico, tr&aacute;fico    de pessoas, imigra&ccedil;&atilde;o e pesca ilegal. Portugal foi o primeiro    n&atilde;o membro a assumir a presid&ecirc;ncia do Grupo de Amigos que, no &acirc;mbito    do&nbsp;G7, segue as tem&aacute;ticas relativas &agrave; seguran&ccedil;a mar&iacute;tima    no golfo da Guin&eacute; (G7++FoGG). Durante a sua presid&ecirc;ncia em 2016    foi tentada a abordagem integral de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima (nas vertentes&nbsp;<i>safety    and security</i>), a operacionaliza&ccedil;&atilde;o dos centros regionais e    inter-regionais de coordena&ccedil;&atilde;o integrados na Arquitetura de Iaund&eacute;;    a troca de informa&ccedil;&atilde;o entre institui&ccedil;&otilde;es e mecanismos    existentes; o estabelecimento de comit&eacute;s nacionais de seguran&ccedil;a    mar&iacute;tima e a otimiza&ccedil;&atilde;o das val&ecirc;ncias de estruturas    multilaterais sediadas em Lisboa (como a&nbsp;emsa&nbsp;&ndash; Ag&ecirc;ncia    Europeia de Seguran&ccedil;a Mar&iacute;tima e o&nbsp;MAOC-N&nbsp;&ndash; Centro    de An&aacute;lise e Opera&ccedil;&otilde;es Mar&iacute;timas &ndash; Narc&oacute;ticos).</p>     <p><b>Palavras-chave</b>:&nbsp;G7++FoGG, Portugal, pol&iacute;tica externa, golfo    da Guin&eacute;.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>Security issues in the Gulf of Guinea&nbsp;have been gaining accuracy due to    the significant increase of incidents of piracy, bunkering, drug trafficking,    human trafficking, immigration and illegal fishing. Portugal was the first non-member    to assume the Presidency of the Group of Friends within the&nbsp;G7 that follows    the maritime security themes in the Gulf of Guinea Maritime (G7++FoGG). During    its Presidency in 2016 several aspects were attempted: the integral approach    to maritime safety (in safety and security), the operationalization of the regional    and interregional coordination centers integrated in the architecture of Yaound&eacute;;    the exchange of information between institutions and existing mechanisms; the    establishment of National Committees of Maritime Security and the optimization    of capabilities of multilateral structures based in Lisbon (as the European    Maritime Safety Agency (EMSA) and the&nbsp;MAOC-N&nbsp;&ndash;&nbsp;Maritime    Analysis and Operation Centre &ndash; Narcotics).</p>     <p><b>Keywords:</b>&nbsp;G7++FoGG, Portugal, foreign policy, Gulf of Guinea.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ATORES E HIST&Oacute;RICO</b></p>     <p>Tudo come&ccedil;ou com uma iniciativa do Benim, da Nig&eacute;ria e do Togo,    formalizada numa carta do Presidente da Rep&uacute;blica do Benim, Boni Yayi,    ao secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, a 27 de julho de    2011, solicitando a cria&ccedil;&atilde;o de um mecanismo de apoio contra a    pirataria no golfo da Guin&eacute; (GoG). Estes tr&ecirc;s pa&iacute;ses refletem    tr&ecirc;s problemas&nbsp;-no&nbsp;GoG: o Togo disp&otilde;e hoje de um quadro    jur&iacute;dico robusto em mat&eacute;ria de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima    mas n&atilde;o tem meios; o Benim tem alguns meios e desenvolveu em coopera&ccedil;&atilde;o    com a Nig&eacute;ria um exerc&iacute;cio de controlo muito eficaz; a Nig&eacute;ria    &eacute; o pa&iacute;s com maior n&uacute;mero de incidentes, os meios n&atilde;o    s&atilde;o suficientes e a legisla&ccedil;&atilde;o ainda n&atilde;o est&aacute;    totalmente desenvolvida.</p>     <p>Coincidindo com a presen&ccedil;a de Portugal no Conselho de Seguran&ccedil;a    das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (CSNU) como membro n&atilde;o permanente, foram    aprovadas as resolu&ccedil;&otilde;es 2018 (2011) e 2039 (2012), incentivando    os estados regionais a assumirem a responsabilidade de garantir a seguran&ccedil;a    do litoral da &Aacute;frica Ocidental e a definirem conjuntamente uma estrat&eacute;gia    regional abrangente para abordar problemas de inseguran&ccedil;a mar&iacute;tima    no&nbsp;GoG. Posteriormente, os estados regionais reuniram-se em Iaund&eacute;,    em junho de 2013, para a Cimeira sobre Seguran&ccedil;a Mar&iacute;tima no&nbsp;GoG&nbsp;e    decidiram fortalecer os mecanismos de coopera&ccedil;&atilde;o, iniciando assim    o chamado &laquo;processo de Iaund&eacute;&raquo;.</p>     <p>Em 2011, a presid&ecirc;ncia francesa do&nbsp;G8 incluiu a seguran&ccedil;a    mar&iacute;tima na agenda do grupo e, em 2013, a presid&ecirc;ncia brit&acirc;nica    do&nbsp;G8 criou o&nbsp;G8++FoGG. Em 2014-2015, a Fran&ccedil;a presidiu ao    grupo que ent&atilde;o se tornou&nbsp;G7++FoGG&nbsp;dada a sa&iacute;da da R&uacute;ssia    do&nbsp;G8.</p>     <p>Desde ent&atilde;o, o&nbsp;G7++FoGG&nbsp;apoia o processo de Iaund&eacute;,    os estados do&nbsp;GoG&nbsp;e as organiza&ccedil;&otilde;es regionais relevantes.    Al&eacute;m dos membros do&nbsp;G7, o&nbsp;G7++FoGG&nbsp;inclui os seguintes    estados n&atilde;o&nbsp;G7: Austr&aacute;lia (observador), B&eacute;lgica, Brasil    (observador), Dinamarca, Holanda, Noruega, Portugal, Rep&uacute;blica da Coreia,    Espanha e Su&iacute;&ccedil;a. Participam tamb&eacute;m nas reuni&otilde;es    do grupo a Uni&atilde;o Europeia (UE), o&nbsp;UNODC (Escrit&oacute;rio das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas sobre Drogas e Crime), a Interpol, e o&nbsp;MAOC-N&nbsp;&ndash; Centro    de An&aacute;lise e Opera&ccedil;&otilde;es Mar&iacute;timas &ndash; Narc&oacute;ticos    desde a presid&ecirc;ncia portuguesa do ano passado, bem como os pa&iacute;ses    da regi&atilde;o (17 estados costeiros, dois estados insulares e cinco estados    sem litoral); e ainda as organiza&ccedil;&otilde;es regionais africanas: Comunidade    Econ&oacute;mica dos Estados da &Aacute;frica Ocidental (CEDEAO), Comunidade    Econ&oacute;mica de Estados da &Aacute;frica Central (ECCAS), Comiss&atilde;o    do Golfo da Guin&eacute; (CGG) e Uni&atilde;o Africana (UA).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>PRESID&Ecirc;NCIA PORTUGUESA DO G7++FoGG</b></p>     <p>Portugal assumiu a presid&ecirc;ncia do&nbsp;G7++FoGG&nbsp;a partir de 1 de    janeiro de 2016, coincidindo com a presid&ecirc;ncia japonesa do&nbsp;G7++FoGG&nbsp;e    a convite desta, por sugest&atilde;o da anterior presid&ecirc;ncia (Fran&ccedil;a).    Tratou-se, ali&aacute;s, da primeira vez que um n&atilde;o membro do&nbsp;G7    presidiu a um grupo de trabalho na &oacute;tica do&nbsp;G7.</p>     <p>Portugal comprometeu-se, como afirm&aacute;mos nos objetivos da nossa presid&ecirc;ncia,    a refor&ccedil;ar a apropria&ccedil;&atilde;o do processo de Iaund&eacute; por    parte dos atores da regi&atilde;o, com um foco claro na capacita&ccedil;&atilde;o    de estruturas relevantes diretamente e indiretamente relacionadas com a seguran&ccedil;a    mar&iacute;tima.</p>     <p>Com base no trabalho das anteriores presid&ecirc;ncias do grupo (respetivamente,    Reino Unido e Fran&ccedil;a), Portugal continuou a promover a coordena&ccedil;&atilde;o    e otimiza&ccedil;&atilde;o das sinergias entre diferentes atores e iniciativas    da regi&atilde;o, em estreita articula&ccedil;&atilde;o com a&nbsp;UA,&nbsp;UNODC,    Organiza&ccedil;&atilde;o Mar&iacute;tima Internacional (OMI) e Interpol. Al&eacute;m    disso, a presid&ecirc;ncia portuguesa procurou tirar m&aacute;ximo partido da    presen&ccedil;a em Lisboa de organiza&ccedil;&otilde;es relevantes que lidam    com a seguran&ccedil;a mar&iacute;tima (MAOC-N&nbsp;e&nbsp;EMSA), bem como da    Comunidade dos Pa&iacute;ses de L&iacute;ngua Portuguesa (CPLP), que tem a sua    pr&oacute;pria estrat&eacute;gia para os oceanos.</p>     <p>Nos dias 6 e 7 de junho, teve lugar em Lisboa a primeira reuni&atilde;o do    grupo sob presid&ecirc;ncia portuguesa. Pela primeira vez, o&nbsp;G7++FoGG&nbsp;reuniu    na Europa e conseguiu-se a maior taxa de participa&ccedil;&atilde;o de estados    africanos. Como resultado (e tamb&eacute;m pela primeira vez), foi adotada por    este grupo uma declara&ccedil;&atilde;o (&laquo;Declara&ccedil;&atilde;o de    Lisboa&raquo;) que visa abordar as principais preocupa&ccedil;&otilde;es com    que a regi&atilde;o se confronta, reiterando compromissos conjuntos para encontrar    solu&ccedil;&otilde;es. Apesar de n&atilde;o ser operacional, a declara&ccedil;&atilde;o,    que foi sujeita a intenso debate durante a reuni&atilde;o mas que acabou por    ser um texto consensual, &eacute; hoje um instrumento de refer&ecirc;ncia do&nbsp;G7++FoGG&nbsp;que    importa preservar. Merece igualmente refer&ecirc;ncia a contribui&ccedil;&atilde;o    da Marinha Portuguesa para a nossa presid&ecirc;ncia, disponibilizando uma visita    ao Centro de Opera&ccedil;&otilde;es para a Seguran&ccedil;a Mar&iacute;tima    (COSMAR), no Alfeite, e um exerc&iacute;cio naval de pirataria que foi muito    apreciado pelos participantes na reuni&atilde;o.</p>     <p>A segunda reuni&atilde;o do&nbsp;G7++FoGG&nbsp;ocorreu na cidade da Praia,    em Cabo Verde, a 2 de dezembro. Nessa ocasi&atilde;o, foram debatidos os resultados    (discretos) da Cimeira Extraordin&aacute;ria da Uni&atilde;o Africana sobre    Seguran&ccedil;a e Desenvolvimento Mar&iacute;timo em Lom&eacute;, Togo, a 15    de outubro. Refiro-me a &laquo;resultados discretos&raquo; uma vez que, apesar    de a Carta da Uni&atilde;o Africana sobre Seguran&ccedil;a Mar&iacute;tima e    Desenvolvimento em &Aacute;frica (Carta de Lom&eacute;) ter sido adotada (o    que constitui um avan&ccedil;o significativo em si mesmo!), os seus anexos,    estes sim verdadeiramente operacionais, ainda n&atilde;o o foram. N&atilde;o    posso, no entanto, deixar de salientar o facto de Cabo Verde ter anunciado (pelo    pr&oacute;prio ministro dos Neg&oacute;cios Estrangeiros, das Comunidades e    da Defesa de Cabo Verde, Lu&iacute;s Filipe Tavares) a sua disponibilidade para    acolher o Centro Multinacional de Coordena&ccedil;&atilde;o (CMC) da zona&nbsp;G.    Com esta decis&atilde;o, o&nbsp;GoG&nbsp;passa a estar limitado por dois estados    lus&oacute;fonos, a sul por Angola (CMC&nbsp;da zona&nbsp;A) e a Norte por Cabo    Verde (CMC&nbsp;da zona&nbsp;G). A decis&atilde;o de Cabo Verde &eacute; fruto    de um trabalho intenso das autoridades portuguesas junto de Cabo Verde e de    outros parceiros internacionais.</p>     <p>Merece ainda refer&ecirc;ncia a decis&atilde;o do&nbsp;MAOC-N&nbsp;(a que j&aacute;    aludi brevemente antes) em aderir, enquanto observador, ao&nbsp;G7++FoGG, fruto    do empenho e dilig&ecirc;ncias da presid&ecirc;ncia portuguesa. Os pa&iacute;ses    do&nbsp;G7&nbsp;n&atilde;o colocaram qualquer obje&ccedil;&atilde;o a esta ades&atilde;o.</p>     <p>Em 2017, a It&aacute;lia, com a presid&ecirc;ncia do&nbsp;G7, assumiu tamb&eacute;m    a presid&ecirc;ncia do&nbsp;G7++FoGG.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>O OU OS PROBLEMAS</b></p>     <p>A variada e extensa latitude de problemas e amea&ccedil;as no&nbsp;GoG&nbsp;deve    motivar o&nbsp;G7-H-FoGG&nbsp;a aumentar sua a&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o,    avan&ccedil;ando e consolidando uma abordagem hol&iacute;stica, procurando sempre    refor&ccedil;ar a apropria&ccedil;&atilde;o pelos estados africanos.</p>     <p>Chegou o momento de intensificar as a&ccedil;&otilde;es em algumas &aacute;reas    espec&iacute;ficas, como por exemplo a cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos r&aacute;pidos    capazes de reagir &agrave;s amea&ccedil;as no mar.</p>     <p>Por conseguinte, Portugal acredita que &eacute; de extrema import&acirc;ncia    continuar a apoiar ativamente os esfor&ccedil;os regionais no&nbsp;GoG. Tr&ecirc;s    elementos continuam a ser cruciais neste esfor&ccedil;o:&nbsp;i) meios tecnol&oacute;gicos    para garantir a seguran&ccedil;a mar&iacute;tima;&nbsp;ii) coordena&ccedil;&atilde;o    de diferentes atores e iniciativas; e&nbsp;iii) vontade pol&iacute;tica, apropria&ccedil;&atilde;o    regional e envolvimento com vista a resultados concretos.</p>     <p>Sobre este ponto gostaria de referir o facto de ter sido atribu&iacute;do a    Portugal &ndash; em exclusivo &ndash; o projeto de apoio da&nbsp;ue&nbsp;&agrave;    seguran&ccedil;a mar&iacute;tima na &Aacute;frica Ocidental, com um envelope    financeiro de dez milh&otilde;es de euros, ao abrigo do qual vamos equipar com    botes semirr&iacute;gidos e capacitar as for&ccedil;as de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima    dos pa&iacute;ses costeiros da&nbsp;cedeao.</p>     <p>Desde a Cimeira de Iaund&eacute;, os estados da regi&atilde;o tomaram a iniciativa    de estabelecer os princ&iacute;pios e o quadro para futuras medidas contra a    pirataria e o assalto &agrave; m&atilde;o armada contra navios da regi&atilde;o.</p>     <p>Todavia, convir&aacute; ter presente que, apesar do aumento de casos de pirataria    e assalto &agrave; m&atilde;o armada no mar, sobretudo envolvendo raptos e pedidos    de resgate, a situa&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o &eacute; muito d&iacute;spar    em termos de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima.</p>     <p>Ao falarmos de pirataria e assalto &agrave; m&atilde;o armada no mar consideramos    sobretudo a Nig&eacute;ria, uma vez que os eventos em outros locais s&atilde;o    muito poucos, mas isso n&atilde;o significa que os outros pa&iacute;ses da orla    costeira do&nbsp;GoG&nbsp;n&atilde;o enfrentem problemas de outros tipos no    contexto da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima de outro tipo. Assim, destacaria    a pesca ilegal, n&atilde;o reportada e n&atilde;o regulamentada, ou o despejo    de detritos no mar, j&aacute; para n&atilde;o falar em quest&otilde;es mais    espec&iacute;ficas como a limpeza dos muitos portos da costa do golfo que est&atilde;o    hoje repletos de lixos que impedem a sua utiliza&ccedil;&atilde;o e por isso    o bem-estar das popula&ccedil;&otilde;es para quem o mar &eacute; fundamental    para sua subsist&ecirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p> <a name="m1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n57/n57a06m1.jpg">      
<p>&nbsp;</p> <a name="g1"></a> <img src="/img/revistas/ri/n57/n57a06g1.jpg">      
]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>A nossa presid&ecirc;ncia do&nbsp;G7 ++FoGG&nbsp;procurou apoiar os esfor&ccedil;os    dos estados na regi&atilde;o no quadro do processo regional de Iaund&eacute;,    mas tamb&eacute;m contribuir para fortalecer os objetivos estrat&eacute;gicos    definidos pelo&nbsp;G7&nbsp;e pela&nbsp;UE, conforme previsto na estrat&eacute;gia    da&nbsp;UE&nbsp;para o&nbsp;GoG&nbsp;e respetivo plano de a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A quest&atilde;o da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima no&nbsp;GoG&nbsp;continua    a ser abordada na nossa agenda internacional di&aacute;ria, tanto no plano bilateral    como multilateral. O debate organizado em 25 de abril de 2016 pelo&nbsp;CSNU,    em Nova York, onde Portugal participou, foi prova disso. A declara&ccedil;&atilde;o    dos Assuntos Externos do&nbsp;G7&nbsp;sobre seguran&ccedil;a mar&iacute;tima    que foi emitida em 11 de abril de 2016, em Hiroxima, mereceu a nossa participa&ccedil;&atilde;o    a convite do Jap&atilde;o que nos solicitou coment&aacute;rios.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>SITUA&Ccedil;&Atilde;O ATUAL E PRINCIPAIS AMEA&Ccedil;AS NO GOG</b></p>     <p>Portugal considera que os desafios de seguran&ccedil;a na regi&atilde;o do&nbsp;GoG&nbsp;devem    ser abordados de forma hol&iacute;stica e abrangente. Uma abordagem meramente    nacional ou monotem&aacute;tica ser&aacute; sempre insuficiente.</p>     <p>O tr&aacute;fico transregional de drogas, armas, seres humanos e demais com&eacute;rcio    il&iacute;cito de bens e servi&ccedil;os alimenta a inseguran&ccedil;a e instabilidade    no&nbsp;GoG&nbsp;e em toda a &Aacute;frica Ocidental. Al&eacute;m disso, a pesca    ilegal, n&atilde;o declarada e n&atilde;o regulamentada, e o despejo de res&iacute;duos,    como vimos, tamb&eacute;m s&atilde;o ocorr&ecirc;ncias persistentes na regi&atilde;o    e causam danos dram&aacute;ticos nos ecossistemas, com consequ&ecirc;ncias a    longo prazo para as economias locais. Reconhecemos que h&aacute; tamb&eacute;m    um ponto importante a abordar que se relaciona com o facto de que muitos governos    na regi&atilde;o do&nbsp;GoG&nbsp;n&atilde;o est&atilde;o ainda suficientemente    conscientes da import&acirc;ncia de combater o crime mar&iacute;timo tendo em    vista o potencial do com&eacute;rcio mar&iacute;timo. Muitos sofrem do que se    designa por cegueira mar&iacute;tima, seja por ainda n&atilde;o terem optado    por dar a aten&ccedil;&atilde;o devida ao mar, seja por n&atilde;o disporem    de meios t&eacute;cnicos que lhes permitam control&aacute;-lo.</p>     <p>Como o secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas enquadrou, &laquo;embora    a pirataria se manifeste no mar, as ra&iacute;zes do problema devem ser encontradas    em terra. Em ess&ecirc;ncia, a pirataria &eacute; uma ofensa criminal que &eacute;    impulsionada por dificuldades econ&oacute;micas e que floresce na aus&ecirc;ncia    de uma aplica&ccedil;&atilde;o efetiva da lei&raquo;.</p>     <p>De acordo com o International Maritime Bureau, 2016 registou o n&uacute;mero    mais elevado de raptos no&nbsp;GoG&nbsp;nos &uacute;ltimos dez anos, 34, num    total de 77 eventos. H&aacute; claramente um agravamento dos atores no&nbsp;GoG.</p>     <p>Os piratas e indiv&iacute;duos envolvidos em assaltos &agrave; m&atilde;o armada    no mar aumentaram a viol&ecirc;ncia empregue nos ataques e est&atilde;o a robustecer    o tipo de armas que utilizam. Al&eacute;m de armas ligeiras, os piratas passaram    a utilizar metralhadoras e lan&ccedil;adores de granadas com foguete.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Precisamos enfrentar rapidamente este tipo de amea&ccedil;a, que tem um impacto    directo na seguran&ccedil;a e nos meios de subsist&ecirc;ncia da Europa. Cerca    de 90 por cento do com&eacute;rcio mundial &eacute; transportado pela ind&uacute;stria    naval internacional e existem mais de 50 mil navios mercantes internacionalmente,    transportando todo tipo de carga, dois ter&ccedil;os da qual combust&iacute;veis.    A frota mundial est&aacute; registada em mais de 150 pa&iacute;ses, muito embora    o Panam&aacute;, Singapura, as ilhas Marshall e a Lib&eacute;ria sejam a maioria,    e ocupa mais de um milh&atilde;o de mar&iacute;timos de praticamente todas as    nacionalidades.</p>     <p>O que acontece no&nbsp;GoG&nbsp;afeta n&atilde;o s&oacute; a regi&atilde;o,    mas tamb&eacute;m &ndash; e consequentemente &ndash; todos os pa&iacute;ses    diretamente envolvidos no transporte mar&iacute;timo, no com&eacute;rcio e na    economia mundial. Os mares livres, abertos e est&aacute;veis s&atilde;o uma    pedra angular para a paz, a estabilidade e a prosperidade, tal como afirmado    na declara&ccedil;&atilde;o do&nbsp;G7&nbsp;de Hiroxima.</p>     <p>Outro aspeto cada vez mais presente nas nossas discuss&otilde;es &ndash; a    presen&ccedil;a militar nas &aacute;guas internacionais como fator dissuasivo    &ndash;, merece uma abordagem cuidadosa.</p>     <p>Na realidade, os &laquo;piratas&raquo;, na maioria das vezes, no caso do&nbsp;GoG,    operam em &aacute;guas territoriais. Isto, obviamente, diminui consideravelmente    o impacto que uma for&ccedil;a naval internacional permanente nas &aacute;guas    da regi&atilde;o poderia ter na luta contra o assalto &agrave; m&atilde;o armada    no&nbsp;GoG, cujos n&uacute;meros s&atilde;o muito superiores aos da pirataria,    dado n&atilde;o poder atuar nas &aacute;guas territoriais dos estados sem autoriza&ccedil;&atilde;o    dos mesmos.</p>     <p>Defendemos um aumento dos esfor&ccedil;os para ajudar a desenvolver as capacidades    das marinhas e guardas costeiras desses estados como pr&eacute;-requisito para    um exerc&iacute;cio efetivo da autoridade mar&iacute;tima, permitindo que esses    estados enfrentem os desafios a longo prazo num contexto de apropria&ccedil;&atilde;o    e coopera&ccedil;&atilde;o regional. A possibilidade de uma interven&ccedil;&atilde;o    militar internacional, como foi o caso da costa da Som&aacute;lia, n&atilde;o    parece vi&aacute;vel no&nbsp;GoG, num contexto de uma pluralidade de estados,    cada um com a sua pr&oacute;pria pol&iacute;tica de defesa nacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A ARQUITETURA DE IAUND&Eacute;</b></p>     <p>A atual arquitetura do quadro inter-regional, conforme acordado em Iaund&eacute;,    deve ser a refer&ecirc;ncia de qualquer abordagem internacional de apoio &agrave;s    organiza&ccedil;&otilde;es e estados da regi&atilde;o. As amea&ccedil;as que    enfrentamos no&nbsp;GoG&nbsp;s&oacute; podem ser abordadas a partir de uma perspetiva    de longo prazo. At&eacute; agora, devemos reconhecer que a implementa&ccedil;&atilde;o    e operacionaliza&ccedil;&atilde;o das estruturas do processo de Iaund&eacute;    est&aacute; a progredir muito devagar e importa incentivar os estados da regi&atilde;o    a envolverem-se mais nestas quest&otilde;es e a assumirem as responsabilidades    que s&atilde;o, em &uacute;ltima an&aacute;lise, suas.</p> <ul>       <li>O Centro de Coordena&ccedil;&atilde;o Inter-Regional (ICC) em Iaund&eacute;      foi inaugurado em setembro de 2014, mas, at&eacute; agora, faltam fundos que      o permitam p&ocirc;r a funcionar plenamente. A cria&ccedil;&atilde;o de uma      equipa com a capacidade necess&aacute;ria e os meios t&eacute;cnicos vitais      &eacute; um elemento essencial. Foi ponderada uma confer&ecirc;ncia de doadores      para ajudar a resolver esses problemas, mas ainda sem data.</li>       <li>O Centro de Coordena&ccedil;&atilde;o Regional de Seguran&ccedil;a Mar&iacute;tima      da &Aacute;frica Central (CRESMAC) em Ponta Negra, no Congo, j&aacute; est&aacute;      operacional (curiosamente, o porto de Ponta Negra foi em 2016 um dos locais      mais complicados em termos de assalto &agrave; m&atilde;o armada). O Centro      Regional de Coordena&ccedil;&atilde;o de Seguran&ccedil;a Mar&iacute;tima      da &Aacute;frica Ocidental (CRESMAO), em Abidjan, tamb&eacute;m j&aacute;      est&aacute; operacional.</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>At&eacute; agora, os dois &uacute;nicos centros ativos de coordena&ccedil;&atilde;o      multinacional (CMC) s&atilde;o os localizados em Cotonu (zona&nbsp;E) e em      Duala (zona&nbsp;D). Luanda vai acolher o&nbsp;CMC&nbsp;da zona&nbsp;a&nbsp;e      a cidade da Praia o&nbsp;CMC&nbsp;da zona&nbsp;G.</li>     </ul>     <p>N&atilde;o obstante, o&nbsp;G7++FoGGG&nbsp;continuar&aacute; a mobilizar o    apoio &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es regionais relevantes (CEEAC,&nbsp;CEDEAO&nbsp;e&nbsp;GGC)    e aos estados costeiros e portu&aacute;rios, nomeadamente no que diz respeito:</p> <ul>       <li>&Agrave; plena operacionaliza&ccedil;&atilde;o do&nbsp;ICC&nbsp;em Iaund&eacute;      com a brevidade poss&iacute;vel.</li>       <li>&Agrave; plena operacionaliza&ccedil;&atilde;o do&nbsp;CRESMAO,&nbsp;em      Abidjan, e do&nbsp;CRESMAC,&nbsp;em Ponta Negra.</li>       <li>&Agrave; intensifica&ccedil;&atilde;o da troca de informa&ccedil;&otilde;es      mar&iacute;timas, atrav&eacute;s de canais seguros, entre a &laquo;ind&uacute;stria&raquo;/operadores      privados e as ag&ecirc;ncias locais de seguran&ccedil;a. Merece refer&ecirc;ncia      a recente substitui&ccedil;&atilde;o do Centro Mar&iacute;timo de Com&eacute;rcio      e Informa&ccedil;&atilde;o do&nbsp;GoG&nbsp;(MTJSC-GoG), uma estrutura regional      criada em 2014, por iniciativa do Reino Unido e da Fran&ccedil;a, e que pretendia      responder a dificuldades na partilha de informa&ccedil;&otilde;es de sensibiliza&ccedil;&atilde;o      do dom&iacute;nio mar&iacute;timo para o com&eacute;rcio &ndash;&nbsp;GoG&nbsp;(MDAT-GoG).</li>       <li>&Agrave; coopera&ccedil;&atilde;o refor&ccedil;ada entre as autoridades      nacionais.</li>       <li>Ao melhoramento da rede de interc&acirc;mbio de informa&ccedil;&otilde;es      regionais africanas e a associa&ccedil;&atilde;o de recursos contra redes      de tr&aacute;fico ilegal (narc&oacute;ticos, armas e migra&ccedil;&atilde;o),      com base no&nbsp;MAOC-N.</li>       <li>&Agrave; coordena&ccedil;&atilde;o com as organiza&ccedil;&otilde;es regionais      e os estados costeiros, a fim de criar abordagens legais a n&iacute;vel nacional      e regional, conforme apropriado. Gostaria de recordar que Portugal presidiu      nesse per&iacute;odo tamb&eacute;m ao Grupo de Trabalho Jur&iacute;dico do      Grupo de Contacto sobre Pirataria ao Largo da Costa da Som&aacute;lia.</li>       <li>&Agrave; coopera&ccedil;&atilde;o com os estados portu&aacute;rios costeiros      para refor&ccedil;ar as suas capacidades na &aacute;rea da seguran&ccedil;a      mar&iacute;tima, em articula&ccedil;&atilde;o com o setor privado.</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>&Agrave; coopera&ccedil;&atilde;o, nomeadamente nas &aacute;reas da capacita&ccedil;&atilde;o      e assessoria, com os estados costeiros em seus respetivos processos de extens&atilde;o      da plataforma continental, otimizando assim a explora&ccedil;&atilde;o de      recursos mar&iacute;timos (minerais, animais e gen&eacute;ticos) e contribuindo      para a preven&ccedil;&atilde;o de conflitos de jurisdi&ccedil;&atilde;o entre      estados vizinhos.</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>APOIO INTERNACIONAL AO GOLFO DA GUIN&Eacute; &ndash; PROPOSTAS</b></p>     <p>Portugal considera que a comunidade internacional deve aumentar o seu apoio    &agrave; regi&atilde;o, uma vez que a comunidade internacional como um todo    depende do com&eacute;rcio no&nbsp;GoG. A&nbsp;UE&nbsp;poderia assumir um maior    envolvimento no&nbsp;GoG&nbsp;atrav&eacute;s de avan&ccedil;os na implementa&ccedil;&atilde;o    da estrat&eacute;gia da&nbsp;UE&nbsp;e do seu plano de a&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>O apoio internacional poderia abranger os seguintes aspectos:</p>     <p>ABORDAGEM JUR&Iacute;DICA</p>     <p>Ajudar as organiza&ccedil;&otilde;es costeiras e regionais na cria&ccedil;&atilde;o    de uma caixa comum de ferramentas jur&iacute;dicas, a n&iacute;vel nacional    e regional, e proporcionar-lhes os meios adequados para lidarem de forma mais    eficaz com a natureza constantemente evolutiva das amea&ccedil;as mar&iacute;timas    &agrave; seguran&ccedil;a e &agrave; estabilidade na regi&atilde;o. Em toda    a regi&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio o apoio jur&iacute;dico, designadamente,    para traduzir as conven&ccedil;&otilde;es internacionais permitindo quando &eacute;    necess&aacute;rio a transposi&ccedil;&atilde;o para os ordenamentos jur&iacute;dicos    internos, principalmente as relativas ao direito penal relacionado com o direito    do mar, mormente no que respeita &agrave; Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es    Unidas sobre o Direito do Mar.</p>     <p>A experi&ecirc;ncia positiva colhida pela&nbsp;UE&nbsp;no oceano &Iacute;ndico    e as li&ccedil;&otilde;es aprendidas com o Grupo de Contacto sobre Pirataria    na Costa da Som&aacute;lia, incluindo o F&oacute;rum Jur&iacute;dico sobre Pirataria,    ainda sob a presid&ecirc;ncia portuguesa, devem ser capazes de alimentar esse    processo.</p>     <p>CAPACITA&Ccedil;&Atilde;O</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A abordagem deve ser estrat&eacute;gica e em conson&acirc;ncia com a evolu&ccedil;&atilde;o    da implementa&ccedil;&atilde;o da Arquitetura de Iaund&eacute;. No caso de uma    abordagem europeia, a&nbsp;UE&nbsp;deve priorizar o seu apoio &agrave;s estruturas    de execu&ccedil;&atilde;o e/ou aos estados prim&aacute;rios envolvidos. O apoio    poderia ent&atilde;o ser alargado progressivamente a outros pa&iacute;ses da    regi&atilde;o, conforme adequado. O projeto&nbsp;CRIMGO&nbsp;e o seu sucessor&nbsp;GoG-IN,    que corre no &acirc;mbito do Programa das Rotas Mar&iacute;timas Cr&iacute;ticas,    com o apoio do Instrumento de Contribui&ccedil;&atilde;o para a Estabilidade    e a Paz (ICSP), contribui para a configura&ccedil;&atilde;o da Arquitetura de    Iaund&eacute;.</p>     <p>TROCA DE INFORMA&Ccedil;&Otilde;ES</p>     <p>Deve ser dada uma forte &ecirc;nfase &agrave; troca de informa&ccedil;&otilde;es    e &agrave; consci&ecirc;ncia situacional mar&iacute;tima (MSA), que &eacute;    fundamental para alcan&ccedil;ar a seguran&ccedil;a mar&iacute;tima. A troca    de informa&ccedil;&atilde;o relevante e fi&aacute;vel, atrav&eacute;s de canais    seguros e protegidos, entre estados e embarca&ccedil;&otilde;es, entre navios    e autoridades costeiras e portu&aacute;rias, bem como entre navios e embarca&ccedil;&otilde;es,    pode ser a chave mais promissora para evitar incidentes ilegais. No entanto,    isso requer meios que os estados da regi&atilde;o, pelo menos alguns deles,    n&atilde;o podem suportar. Este interc&acirc;mbio de informa&ccedil;&otilde;es    s&oacute; ser&aacute;, pois, de utilidade, se n&atilde;o houver pontos em branco    ou vulner&aacute;veis na cadeia. O refor&ccedil;o da vigil&acirc;ncia mar&iacute;tima,    por exemplo, ajudando os estados ribeirinhos a estabelecerem sistemas de controlo    (nomeadamente radares) na regi&atilde;o, poderia merecer aten&ccedil;&atilde;o    extra.</p>     <p>PROTE&Ccedil;&Atilde;O DE PORTOS E OUTRAS INFRAESTRUTURAS CR&Iacute;TICAS</p>     <p>Em termos mais pr&aacute;ticos, apoiando os esfor&ccedil;os dos estados do&nbsp;GoG&nbsp;a    limpar portos, canais e embocadouros da regi&atilde;o, que s&atilde;o usados    como esconderijos por piratas e outros criminosos, para n&atilde;o mencionar    o perigo f&iacute;sico para navios e outras embarca&ccedil;&otilde;es que esta    polui&ccedil;&atilde;o implica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>ECONOMIA AZUL</b></p>     <p>No que diz respeito &agrave; economia azul, gostaria de fazer refer&ecirc;ncia    &agrave; nossa Estrat&eacute;gia Nacional para o Mar 2013-2020, que compreende    objetivos estrat&eacute;gicos que podem ser replicados na &aacute;rea do&nbsp;GoG:</p> <ul>       <li>recuperar uma identidade mar&iacute;tima nacional dentro de um quadro moderno,      proativo e empreendedor;</li>       <li>concretizar o potencial econ&oacute;mico, geopol&iacute;tico e geoestrat&eacute;gico      dos estados costeiros e portu&aacute;rios;</li>       ]]></body>
<body><![CDATA[<li>criar condi&ccedil;&otilde;es para atrair investimentos nacionais e internacionais;</li>       <li>fortalecer a capacidade cient&iacute;fica e tecnol&oacute;gica nacional,      estimulando o desenvolvimento de novas &aacute;reas de atua&ccedil;&atilde;o;</li>       <li>incentivar e promover parcerias p&uacute;blicas, p&uacute;blico-privadas      e da sociedade civil efetivas.</li>     </ul>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONCLUS&Otilde;ES</b></p>     <p>Os desafios de seguran&ccedil;a na regi&atilde;o do golfo da Guin&eacute; ter&atilde;o    de ser considerados numa maneira hol&iacute;stica e compreensiva. Embora a principal    aten&ccedil;&atilde;o da comunidade internacional tenha sido dirigida para o    problema da seguran&ccedil;a mar&iacute;tima, a regi&atilde;o &eacute; confrontada    com quest&otilde;es de seguran&ccedil;a mais latas.</p>     <p>A presid&ecirc;ncia portuguesa do&nbsp;G7++FoGG, em 2016, conseguiu alguns    resultados concretos. N&atilde;o s&oacute; contribuiu para o refor&ccedil;o    da coordena&ccedil;&atilde;o entre todos os atores relevantes, como tamb&eacute;m    para a operacionaliza&ccedil;&atilde;o da coordena&ccedil;&atilde;o e desenvolvimento    de estruturas de vigil&acirc;ncia na regi&atilde;o.</p>     <p>Para al&eacute;m disso, temos vindo a trabalhar em contacto estreito com os    pa&iacute;ses da regi&atilde;o e com as organiza&ccedil;&otilde;es regionais    de &Aacute;frica mais relevantes, bem como com a&nbsp;UE&nbsp;e outros parceiros    internacionais, na consolida&ccedil;&atilde;o da cultura da seguran&ccedil;a    mar&iacute;tima na regi&atilde;o do&nbsp;GoG.</p>     <p>Como assegurar a total participa&ccedil;&atilde;o e apropria&ccedil;&atilde;o    do processo pelos estados africanos continua a ser um desafio. Por isso, &eacute;    importante continuar com a&nbsp;capacity building&nbsp;das relevantes estruturas    locais direta e indiretamente relacionadas com seguran&ccedil;a mar&iacute;tima,    assim como com a forma&ccedil;&atilde;o de funcion&aacute;rios e quadros locais    em quest&otilde;es de seguran&ccedil;a mar&iacute;tima.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Portugal j&aacute; est&aacute; a seguir esta via, trabalhando bilateralmente    com pa&iacute;ses na regi&atilde;o, tais como S&atilde;o Tom&eacute; e Pr&iacute;ncipe    e Cabo Verde, no desenvolvimento das suas capacidades de vigil&acirc;ncia, no    quadro da coopera&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnico-militar. De registar tamb&eacute;m    a excel&ecirc;ncia da coopera&ccedil;&atilde;o militar com as For&ccedil;as    Armadas de Angola.</p>     <p>Multilateralmente, Portugal tamb&eacute;m continuar&aacute; a participar ativa    e construtivamente no&nbsp;G7++FoGG&nbsp;e noutras discuss&otilde;es relevantes    sobre seguran&ccedil;a mar&iacute;tima, incluindo a Uni&atilde;o Europeia e    as Na&ccedil;&otilde;es Unidas.&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 17 de janeiro de 2018 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o:    23 de fevereiro de 2018</p>      ]]></body>

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