<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992016000100002</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Constituição de 1976: A visão de Bona]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Portuguese Constitution of 1976: the Bona view]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fonseca]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Mónica]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
<xref ref-type="aff" rid="A03"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Instituto Universitário de Lisboa Centro de Estudos Internacionais ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Instituto Universitário de Lisboa Departamento de História ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A03">
<institution><![CDATA[,Universidade Nova de Lisboa Instituto Português de Relações Internacionais ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<numero>49</numero>
<fpage>11</fpage>
<lpage>26</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992016000100002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992016000100002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992016000100002&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A aprovação da Constituição da República Portuguesa em 2 de abril de 1976 representou o princípio do fim do processo de transição para a democracia em Portugal. Consequentemente, a normalização política que se começou a sentir na recém-nascida democracia portuguesa teve o seu impacto também ao nível internacional. Se o processo de democratização português foi acompanhado atentamente pelos diferentes atores internacionais, quer da Europa, quer pelas duas superpotências (Estados Unidos e União Soviética), a concretização do modelo político de democracia representativa e pluralista acabaria de vez com as hesitações e desconfianças internacionais. Neste artigo iremos analisar em detalhe o modo como a República Federal da Alemanha acompanhou o processo constituinte em Portugal.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The adoption of the Constitution of the Portuguese Republic on April 2, 1976 marked the beginning of the end of the democratic transition in Portugal. Consequently, the political normalization that was felt in the brand new Portuguese democracy had its impact at the international level. If the process. of Portuguese democratization was closely followed by different international actors, whether in Europe or the two superpowers (USA and USSR), the implementation of the political model of representative and pluralist democracy would definitely put an end to the international hesitations and misgivings. In this article we will analyze how the Federal Republic of Germany followed the constitutional process in Portugal.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Ordem constitucional]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Portugal]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[República Federal da Alemanha]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[democratização]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Constitutional order]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Portugal]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[West Germany]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[democratization]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>40 ANOS DA CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA: DINÂMICAS INTERNAS E EXTERNAS</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976: A vis&atilde;o de Bona</B><sup><a href="#0">*</a></sup><a name="top0"></a></p>     <p><B>The Portuguese Constitution of 1976: the Bona view</B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Ana M&oacute;nica Fonseca</B></p>     <p>Investigadora de p&oacute;s-doutoramento no Centro de Estudos Internacionais do ISCTE &ndash; Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa (CEI &ndash; IUL), e professora auxiliar convidada do Departamento de Hist&oacute;ria do ISCTE &ndash; IUL. &Eacute; ainda investigadora associada no IPRI &ndash; UNL. As suas &aacute;reas de investiga&ccedil;&atilde;o incidem sobre as transi&ccedil;&otilde;es para a democracia na Europa do Sul, as rela&ccedil;&otilde;es luso-alem&atilde;s durante a Guerra Fria e a social-democracia europeia e a promo&ccedil;&atilde;o da democracia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>RESUMO</B></p>     <p>A aprova&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa em 2 de abril de 1976 representou o princ&iacute;pio do fim do processo de transi&ccedil;&atilde;o para a democracia em Portugal. Consequentemente, a normaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que se come&ccedil;ou a sentir na rec&eacute;m-nascida democracia portuguesa teve o seu impacto tamb&eacute;m ao n&iacute;vel internacional. Se o processo de democratiza&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;s foi acompanhado atentamente pelos diferentes atores internacionais, quer da Europa, quer pelas duas superpot&ecirc;ncias (Estados Unidos e Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica), a concretiza&ccedil;&atilde;o do modelo pol&iacute;tico de democracia representativa e pluralista acabaria de vez com as hesita&ccedil;&otilde;es e desconfian&ccedil;as internacionais. Neste artigo iremos analisar em detalhe o modo como a Rep&uacute;blica Federal da Alemanha acompanhou o processo constituinte em Portugal.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Palavras-chave</B><i>: </i>Ordem constitucional, Portugal, Rep&uacute;blica Federal da Alemanha, democratiza&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p lang="en-US"><B>ABSTRACT</B></p>     <p>The adoption of the Constitution of the Portuguese Republic on April 2, 1976 marked the beginning of the end of the democratic transition in Portugal. Consequently, the political normalization that was felt in the brand new Portuguese democracy had its impact at the international level. If the process. of Portuguese democratization was closely followed by different international actors, whether in Europe or the two superpowers (USA and USSR), the implementation of the political model of representative and pluralist democracy would definitely put an end to the international hesitations and misgivings. In this article we will analyze how the Federal Republic of Germany followed the constitutional process in Portugal.</p>     <p><B>Keywords: </B>Constitutional order, Portugal, West Germany, democratization</p>     <p lang="en-US">&nbsp;</p>     <p>A aprova&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa em 2 de abril de 1976, juntamente com a revis&atilde;o da plataforma de entendimento entre o Movimento das For&ccedil;as Armadas (MFA) e os partidos pol&iacute;ticos (Pacto MFA-&nbsp;Partidos), de 26 de fevereiro desse ano &ndash; que se revelaria indispens&aacute;vel para a pr&oacute;pria Constitui&ccedil;&atilde;o &ndash; representam o princ&iacute;pio do fim do processo de transi&ccedil;&atilde;o para a democracia em Portugal. Consequentemente, a normaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que se come&ccedil;ou a sentir na rec&eacute;m&nbsp;nascida democracia portuguesa teve o seu impacto tamb&eacute;m ao n&iacute;vel internacional. Se o processo de democratiza&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;s foi acompanhado atentamente pelos diferentes atores internacionais, quer da Europa, quer pelas duas superpot&ecirc;ncias (Estados Unidos e Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica), a concretiza&ccedil;&atilde;o do modelo pol&iacute;tico de democracia representativa e pluralista acabaria de vez com as hesita&ccedil;&otilde;es e desconfian&ccedil;as internacionais.</p>     <p>Neste artigo iremos procurar acompanhar a rea&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Federal da Alemanha (RFA) &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o e ao conte&uacute;do da Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa de 1976, que se justifica por ter sido esta a principal respons&aacute;vel pelo apoio internacional por parte da Europa Ocidental &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o portuguesa, auxiliando pol&iacute;tica e moralmente o desenvolvimento dos principais partidos portugueses, com particular destaque para o Partido Socialista (PS). Para tal iremos fazer uma breve descri&ccedil;&atilde;o dos principais acontecimentos que enformaram o processo constituinte, em particular os ocorridos em finais de 1975, de modo a compreendermos o que ia na mente dos principais observadores externos da realidade portuguesa. Seguidamente iremos perceber quais as medidas e posi&ccedil;&otilde;es que a aprova&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o permitiu, nomeadamente ao desbloquear alguns aspectos fundamentais para a jovem democracia portuguesa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>De Abril a Abril (1974-1976): O contexto pol&iacute;tico da nova Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa</B></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O golpe de 25 de abril de 1974, que derrubou o regime autorit&aacute;rio do Estado Novo, ap&oacute;s quarenta anos de ditadura, foi um golpe militar, feito por oficiais, na sua maioria subalternos, com pouca ou nenhuma colabora&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as pol&iacute;ticas civis. Apesar de hoje conhecermos a exist&ecirc;ncia de contactos entre alguns membros do MFA e elementos dos principais grupos pol&iacute;ticos - como o Partido Comunista Portugu&ecirc;s (PCP) ou o PS &ndash;, na realidade estes foram espor&aacute;dicos e pontuais<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Esta natureza estritamente militar por detr&aacute;s do golpe foi, no entanto, acautelada com a apresenta&ccedil;&atilde;o de um programa pol&iacute;tico, elaborado sob a lideran&ccedil;a de Ernesto Melo Antunes. O principal objetivo deste programa seria a clarifica&ccedil;&atilde;o dos objetivos pol&iacute;ticos do MFA, deixando claro que os militares pretendiam &laquo;a instaura&ccedil;&atilde;o de uma democracia e n&atilde;o a substitui&ccedil;&atilde;o de uma ditadura por outra&raquo;<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>O Programa do MFA tornar-se-ia, ent&atilde;o, a base que regularia as novas autoridades portuguesas. Neste texto, apresentado publicamente pelo general Ant&oacute;nio de Sp&iacute;nola, presidente da Junta de Salva&ccedil;&atilde;o Nacional (JSN) apenas algumas horas ap&oacute;s o golpe, eram definidas as medidas imediatas para a implementa&ccedil;&atilde;o da desejada democracia pol&iacute;tica e as estruturas que deveriam ser criadas para esse mesmo objetivo. O tom dominante das &laquo;medidas imediatas&raquo; refletia o corte total com o regime autorit&aacute;rio, vis&iacute;vel atrav&eacute;s da destitui&ccedil;&atilde;o da Assembleia Nacional ou a extin&ccedil;&atilde;o dos principais organismos do regime autorit&aacute;rio &ndash; a Dire&ccedil;&atilde;o Geral de Seguran&ccedil;a (DGS)<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>, a Legi&atilde;o Portuguesa e outras organiza&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Eram ainda restauradas as liberdades individuais e c&iacute;vicas, com a extin&ccedil;&atilde;o da Censura e a liberta&ccedil;&atilde;o dos presos pol&iacute;ticos.</p>     <p>Ainda dentro das &laquo;medidas imediatas&raquo;, surgia aquele que seria o principal objetivo pol&iacute;tico patente no programa: a convoca&ccedil;&atilde;o, no prazo de doze meses, de uma assembleia constituinte, &laquo;eleita por sufr&aacute;gio universal directo e secreto&raquo;<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>. Esta convoca&ccedil;&atilde;o seria feita pela JSN, principal respons&aacute;vel pelo exerc&iacute;cio do poder pol&iacute;tico at&eacute; que fosse nomeado um governo provis&oacute;rio civil, que estaria em fun&ccedil;&otilde;es at&eacute; que se realizassem as elei&ccedil;&otilde;es legislativas constitucionais. Seriam tamb&eacute;m os membros da JSN a assumir os cargos de Presidente da Rep&uacute;blica, de chefe e vice-chefe de Estado-Maior General das For&ccedil;as Armadas (CEMGFA), assim como os de chefe de Estado-Maior de cada um dos ramos. Neste sentido, a Junta concentraria &laquo;os mais altos cargos da hierarquia militar&raquo;. A defini&ccedil;&atilde;o de um prazo claro para a realiza&ccedil;&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es demonstrava que o MFA estava decidido a entregar o poder &agrave;s for&ccedil;as pol&iacute;ticas e sinalizava igualmente que o per&iacute;odo de exce&ccedil;&atilde;o militar seria &laquo;relativamente breve&raquo;, pois ficaria conclu&iacute;do com as primeiras elei&ccedil;&otilde;es constitucionais<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>.</p>     <p>Apesar de este ser &laquo;um programa m&iacute;nimo&raquo;, n&atilde;o deixava de definir as principais linhas de rumo do futuro governo provis&oacute;rio, nomeadamente ao n&iacute;vel da independ&ecirc;ncia do sistema judicial e da defini&ccedil;&atilde;o de uma nova pol&iacute;tica econ&oacute;mica e social, tendo em particular aten&ccedil;&atilde;o &laquo;a defesa das classes mais desfavorecidas&raquo;. No tocante &agrave; pol&iacute;tica externa, assegurava&nbsp;se o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos por Portugal, nomeadamente, a sua lealdade &agrave; NATO (e a continua&ccedil;&atilde;o da presen&ccedil;a americana nos A&ccedil;ores) e ao bloco ocidental, o que permitiu uma atitude de &laquo;expectativa benevolente&raquo; relativamente &agrave; evolu&ccedil;&atilde;o dos acontecimentos em Portugal por parte dos principais aliados do Pa&iacute;s no bloco ocidental<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. No que dizia respeito &agrave; pol&iacute;tica ultramarina, o programa rompia definitivamente com o regime do Estado Novo ao assumir que a &laquo;solu&ccedil;&atilde;o das guerras no Ultramar &eacute; pol&iacute;tica e n&atilde;o militar&raquo; e que o objetivo das novas autoridades era a defini&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica que conduzisse &agrave; paz<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>     <p>De acordo com o Programa do MFA, existiam dois grandes constrangimentos &agrave; a&ccedil;&atilde;o do governo provis&oacute;rio: a primeira conferia poderes constituintes ao pr&oacute;prio programa, uma vez que, governando apenas por decreto&nbsp;lei, os diplomas do governo provis&oacute;rio teriam de &laquo;obedecer obrigatoriamente&raquo; aos princ&iacute;pios definidos pelo MFA. O segundo constrangimento era que, apesar de se defender que o governo provis&oacute;rio deveria &laquo;lan&ccedil;ar os fundamentos&raquo; de novas pol&iacute;ticas econ&oacute;micas e sociais, era igualmente definido que as &laquo;grandes reformas de fundo&raquo; apenas poderiam ser adotadas no &acirc;mbito da futura Assembleia Constituinte. Ou seja, limitava a atua&ccedil;&atilde;o do governo provis&oacute;rio &agrave; gest&atilde;o quotidiana e &agrave; cria&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es que permitissem a instaura&ccedil;&atilde;o dessa Assembleia Constituinte. Por outro lado, o mesmo programa restringia a dura&ccedil;&atilde;o do regime de exce&ccedil;&atilde;o, sendo que o pr&oacute;prio MFA se propunha a devolver o poder na sequ&ecirc;ncia da aprova&ccedil;&atilde;o da nova Constitui&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>.</p>     <p>Assente nestas bases m&iacute;nimas, o processo pol&iacute;tico que se desenrolaria a partir de abril de 1974 tornar&nbsp;se&nbsp;ia insepar&aacute;vel do Programa do MFA e da sua carga constitucional. As ambiguidades e indefini&ccedil;&otilde;es patentes no texto do programa, nomeadamente no que dizia respeito ao papel do pr&oacute;prio MFA no processo pol&iacute;tico, teriam graves consequ&ecirc;ncias nos meses que se seguiram, plenos de lutas e confrontos pol&iacute;ticos.</p>     <p>Estas disposi&ccedil;&otilde;es ficaram, grosso modo, plasmadas na Lei 3/74, de 14 de maio, a primeira base constitucional que regularia o funcionamento da futura Assembleia Constituinte. Neste texto, as fun&ccedil;&otilde;es desta assembleia visavam exclusivamente a elabora&ccedil;&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o sendo, por&eacute;m, o &uacute;nico &oacute;rg&atilde;o de soberania. Apesar de estar sujeita a v&aacute;rios constrangimentos, quer em termos de prazos para redigir e aprovar a Constitui&ccedil;&atilde;o, quer em termos de limita&ccedil;&otilde;es legislativas que ultrapassassem o seu car&aacute;cter constituinte, a Assembleia Constituinte era reconhecida na Lei 3/74 como o &uacute;nico &oacute;rg&atilde;o com compet&ecirc;ncia para aprovar e &laquo;conferir obrigatoriedade&raquo; &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o, uma vez que mais nenhuma outra institui&ccedil;&atilde;o &laquo;tinha o poder de a promulgar, de a sancionar ou de a vetar&raquo;<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a><B>. </B></p>     <p>Do ponto de vista internacional, estes primeiros acontecimentos imediatamente ap&oacute;s o derrube do regime autorit&aacute;rio acabaram por criar uma sensa&ccedil;&atilde;o de &laquo;expectativa benevolente&raquo; perante a mudan&ccedil;a pol&iacute;tica em Portugal<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. Era claro, sobretudo para as autoridades da RFA, que seria expect&aacute;vel e at&eacute; ben&eacute;fico dar aos portugueses &laquo;a oportunidade de cometer alguns erros&raquo;, com vista a que o caminho que seguissem fosse tomado em plena consci&ecirc;ncia<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Esta postura justifica, adicionalmente, as primeiras rea&ccedil;&otilde;es da RFA. Quer ao n&iacute;vel governamental, quer ao n&iacute;vel partid&aacute;rio, estas foram n&atilde;o s&oacute; de &laquo;simpatia&raquo;, mas mesmo de apoio a Portugal. A RFA apoiaria as for&ccedil;as democr&aacute;ticas, mas tal seria feito atrav&eacute;s das &laquo;autoridades n&atilde;o&nbsp;oficiais &ndash; partidos e funda&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas&raquo;, que deveriam expandir e aprofundar os contactos j&aacute; estabelecidos com os interlocutores portugueses. Deste modo, Bona dispunha de v&aacute;rios e multifacetados instrumentos para atuar em rela&ccedil;&atilde;o ao que se passava em Lisboa. O primeiro era o elenco governativo, que poderia exercer alguma press&atilde;o pol&iacute;tica e econ&oacute;mica, n&atilde;o s&oacute; junto das autoridades portuguesas, mas tamb&eacute;m internacionalmente, quer junto de outros governos quer em organismos internacionais, como a nato ou a CEE. Em segundo lugar, a RFA dispunha ainda dos atores informais, os partidos e as funda&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas a eles associadas. O recurso a estes atores informais justificava&nbsp;se com o facto de poderem desenvolver uma atividade muito mais discreta em Portugal, trabalhando com os partidos portugueses na constru&ccedil;&atilde;o das bases de um sistema democr&aacute;tico<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Como n&atilde;o ser&aacute; surpreendente, o Partido Social&nbsp;Democrata Alem&atilde;o (SPD), por ser o principal partido na coliga&ccedil;&atilde;o governamental e aquele que, dentro do elenco partid&aacute;rio alem&atilde;o tinha j&aacute; uma rede de contactos estabelecida em Portugal, juntamente com a Funda&ccedil;&atilde;o Friedrich Ebert (FES), foi o que esteve mais ativo em Portugal nos meses agitados que se seguiram &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o de abril de 1974<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>     <p>A &laquo;expectativa benevolente&raquo; inicial, por&eacute;m, dissipou&nbsp;se ao longo do ver&atilde;o de 1974. Provocado pela discuss&atilde;o em torno da resolu&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o colonial, o fosso entre o MFA e o Presidente da Rep&uacute;blica, general Ant&oacute;nio de Sp&iacute;nola<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>, aprofundou&nbsp;se, levando finalmente &agrave; demiss&atilde;o do general em finais de setembro de 1974. &Agrave; medida que a situa&ccedil;&atilde;o portuguesa se foi radicalizando, crescia tamb&eacute;m o receio ocidental de que Portugal resvalasse para um regime comunista ou que regredisse para uma nova ditadura de direita, que seria igualmente negativo do ponto de vista da RFA e da Europa Ocidental.</p>     <p>Nos primeiros meses ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o dos Cravos surgiu em Portugal uma multitude de novos partidos pol&iacute;ticos que, compreensivelmente, n&atilde;o estavam devidamente organizados. A 6 de maio de 1974 fora criado o Partido Popular Democr&aacute;tico (PPD, atual PSD), liderado por Francisco S&aacute; Carneiro e representativo de uma tend&ecirc;ncia pol&iacute;tica mais pr&oacute;xima do centro&nbsp;direita, englobava os antigos elementos da Ala Liberal. J&aacute; em julho desse ano, &eacute; criado o Centro Democr&aacute;tico Social (CDS), sob lideran&ccedil;a de Diogo Freitas do Amaral, Adelino Amaro da Costa e Xavier Pintado, numa tend&ecirc;ncia pr&oacute;xima da democracia crist&atilde;. Herdeiro das movimenta&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas vindas ainda do regime autorit&aacute;rio, assinalamos a exist&ecirc;ncia do MDP/CDE (Movimento Democr&aacute;tico Portugu&ecirc;s/ Comiss&atilde;o Democr&aacute;tica Eleitoral), resultado da plataforma eleitoral preparada nas elei&ccedil;&otilde;es de 1969, mas que contava com uma forte influ&ecirc;ncia do PCP, tendo participado em todos os governos provis&oacute;rios. Apenas o PCP tinha uma estrutura nacional com quadros pr&oacute;prios, que vinha j&aacute; do tempo da ditadura. O PCP, liderado por &Aacute;lvaro Cunhal, era claramente pr&oacute;&nbsp;Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica. A sua ascens&atilde;o na cena pol&iacute;tica portuguesa levantou nos aliados ocidentais de Portugal uma enorme preocupa&ccedil;&atilde;o, receando que Portugal, um pa&iacute;s no seio do bloco ocidental, se transformasse num basti&atilde;o comunista, uma esp&eacute;cie de Cuba no <i>backyard </i>europeu. Para evitar a crescente influ&ecirc;ncia do PCP e da URSS em Lisboa, os pa&iacute;ses ocidentais, em particular a RFA, procuraram intensificar a sua presen&ccedil;a em Portugal, quer fosse atrav&eacute;s da constante troca de visitas oficiais, quer ao n&iacute;vel do interc&acirc;mbio de peritos pol&iacute;ticos, com destaque para a cont&iacute;nua presen&ccedil;a de representantes do SPD e da FES em Lisboa<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O outono de 1974 trouxe o princ&iacute;pio da radicaliza&ccedil;&atilde;o das tend&ecirc;ncias pol&iacute;ticas em disputa no processo de democratiza&ccedil;&atilde;o portugu&ecirc;s, mas nem por isso as autoridades deixaram de avan&ccedil;ar com a regulamenta&ccedil;&atilde;o do funcionamento do aparelho de estado. A pe&ccedil;a legislativa fundamental para a elabora&ccedil;&atilde;o da constitui&ccedil;&atilde;o do novo regime democr&aacute;tico foi a lei eleitoral, publicada pelo Decreto&nbsp;Lei 621A/74, de 15 de novembro. Nele se definia o sufr&aacute;gio universal aos cidad&atilde;os de ambos os sexos, maiores de 18 anos, residentes em Portugal e nos territ&oacute;rios ainda sob administra&ccedil;&atilde;o portuguesa, sem exclus&atilde;o dos analfabetos. Apesar da grande e crescente influ&ecirc;ncia das For&ccedil;as Armadas na vida pol&iacute;tica portuguesa, os militares eram, segundo a lei eleitoral, ineleg&iacute;veis<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>. Era assim atribu&iacute;da exclusiva responsabilidade na composi&ccedil;&atilde;o da futura Assembleia Legislativa aos eleitores portugueses, que teriam a possibilidade de decidir o equil&iacute;brio das for&ccedil;as partid&aacute;rias na elabora&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o. Isto tornar&nbsp;se&nbsp;ia central para o futuro do processo pol&iacute;tico e para o conte&uacute;do do texto constitucional.</p>     <p>Como se compreender&aacute; do que atr&aacute;s &eacute; dito, na Assembleia Constituinte estariam apenas representados os partidos pol&iacute;ticos e os seus deputados seriam exclusivamente civis, o que afastava, em princ&iacute;pio, os militares do processo constituinte. Ali&aacute;s, apesar de, no Programa do MFA, apenas se referir a forma&ccedil;&atilde;o de &laquo;associa&ccedil;&otilde;es c&iacute;vicas, poss&iacute;veis embri&otilde;es de futuros partidos pol&iacute;ticos&raquo;, a verdade &eacute; que logo nas primeiras semanas ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o formaram&nbsp;se in&uacute;meros partidos pol&iacute;ticos, que conseguiram mobilizar a sociedade civil portuguesa. Perante o crescente dom&iacute;nio pelo MFA da cena pol&iacute;tica nacional, os partidos pol&iacute;ticos, alguns ainda muito fr&aacute;geis ao n&iacute;vel organizativo e program&aacute;tico<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>, seguiram uma estrat&eacute;gia de aproxima&ccedil;&atilde;o ao MFA, que via, consequentemente, a sua posi&ccedil;&atilde;o no aparelho de Estado &laquo;consideravelmente refor&ccedil;ada&raquo;<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>.</p>     <p>Esta posi&ccedil;&atilde;o fortaleceu&nbsp;se ainda mais na sequ&ecirc;ncia da demiss&atilde;o do general Sp&iacute;nola da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, em finais de setembro de 1974. Este saiu em rutura com o MFA, muito por causa da evolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que o Movimento preconizava e estava a levar a cabo. Esta ascens&atilde;o refletiu&nbsp;se na cria&ccedil;&atilde;o do Conselho Superior do MFA, ou Conselho dos Vinte, em meados de outubro. O Conselho reunia num s&oacute; organismo todos os oficiais que ocupavam cargos pol&iacute;tico&nbsp;militares. Nele estavam presentes os elementos da JSN, os membros da Comiss&atilde;o Coordenadora do MFA, o comandante&nbsp;adjunto do COPCON<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a> e os militares que tinham ocupado (e que ocupassem, no futuro) fun&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas ao n&iacute;vel de ministro ou alto&nbsp;comiss&aacute;rio. O objetivo do Conselho dos Vinte era ent&atilde;o coordenar as atividades de todos os seus membros e funcionar como ponte entre os diferentes n&iacute;veis dos militares e entre militares e civis. Ou seja, como afirmou o general Costa Gomes, deveriam &laquo;auscultar as bases atrav&eacute;s dos diferentes &oacute;rg&atilde;os das For&ccedil;as Armadas&raquo; e estar em contacto com os partidos pol&iacute;ticos<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Simultaneamente, em meados de novembro de 1974, foi criada tamb&eacute;m a Assembleia de Delegados do MFA (Assembleia dos Duzentos), onde estavam representados os tr&ecirc;s ramos das For&ccedil;as Armadas, que tinha essencialmente fun&ccedil;&otilde;es consultivas. Estes dois organismos sinalizam uma crescente presen&ccedil;a do MFA na vida pol&iacute;tica portuguesa, mas sem que estivesse claramente definido o seu lugar no aparelho de Estado e quais os seus verdadeiros poderes. Come&ccedil;a aqui um dos principais debates relativamente ao futuro da Revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa e ao papel do MFA nessa revolu&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>A quest&atilde;o da institucionaliza&ccedil;&atilde;o do MFA e a sua participa&ccedil;&atilde;o no processo constituinte come&ccedil;ou em finais de 1974, altura em que aumentou a press&atilde;o sobre os militares no sentido de avan&ccedil;arem com a sua promessa de realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es at&eacute; 25 de abril de 1975. Foi como resposta a esta press&atilde;o que surgiu a legisla&ccedil;&atilde;o relativamente &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es e aos partidos pol&iacute;ticos, aprovada em meados de novembro de 1974 e j&aacute; referida anteriormente. Por&eacute;m, subsistia a quest&atilde;o relativamente ao papel do MFA no futuro quadro constitucional. Existiam duas hip&oacute;teses em discuss&atilde;o: por um lado, a possibilidade de o MFA participar ativamente nos trabalhos da Assembleia Constituinte, atrav&eacute;s da elei&ccedil;&atilde;o de alguns dos seus membros para o cargo de deputados; a outra hip&oacute;tese seria a assinatura de um acordo pr&eacute;&nbsp;constitucional entre o Movimento e os partidos, algo que fora inicialmente proposto pelo l&iacute;der comunista &Aacute;lvaro Cunhal, e rapidamente aceite por v&aacute;rios setores pol&iacute;ticos e militares<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>.</p>     <p>As conversa&ccedil;&otilde;es entre o MFA e os v&aacute;rios partidos pol&iacute;ticos estavam j&aacute; em curso quando se d&aacute; o 11 de Mar&ccedil;o de 1975. Por&eacute;m, as consequ&ecirc;ncias desta tentativa de golpe falhada, levada a cabo pelas for&ccedil;as pr&oacute;ximas do general Ant&oacute;nio de Sp&iacute;nola, foram mais determinantes para o futuro ambiente constitucional do que qualquer negocia&ccedil;&atilde;o que se tinha desenrolado at&eacute; a&iacute;<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>. De facto, como resposta &agrave; tentativa de golpe, foi convocada por elementos da 5.&ordf; Divis&atilde;o uma assembleia do MFA, que ficou conhecida como a &laquo;Assembleia Selvagem&raquo;. Contando com a presen&ccedil;a do Presidente da Rep&uacute;blica, Costa Gomes, e do primeiro&nbsp;ministro, Vasco Gon&ccedil;alves, o que lhe conferira alguma legitimidade pol&iacute;tica, e dos elementos da Coordenadora do MFA, para al&eacute;m de in&uacute;meros representantes dos tr&ecirc;s ramos das For&ccedil;as Armadas, esta assembleia provocou uma acelera&ccedil;&atilde;o do ritmo revolucion&aacute;rio da transi&ccedil;&atilde;o portuguesa &agrave; democracia. As principais conclus&otilde;es desta &laquo;Assembleia Selvagem&raquo; passaram pela institucionaliza&ccedil;&atilde;o do MFA, pela cria&ccedil;&atilde;o do Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o (CR) e pela consolida&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das assembleias do MFA. O CR viria substituir tr&ecirc;s &oacute;rg&atilde;os de soberania nacionais &ndash; a JSN, o Conselho de Estado e o Conselho dos Vinte &ndash; e funcionaria como um &oacute;rg&atilde;o executivo cuja principal compet&ecirc;ncia seria &laquo;dirigir a revolu&ccedil;&atilde;o&raquo;. No entanto, uma das principais decis&otilde;es emanadas da &laquo;Assembleia Selvagem&raquo; (a par do programa de nacionaliza&ccedil;&otilde;es e da renova&ccedil;&atilde;o da confian&ccedil;a pol&iacute;tica em Vasco Gon&ccedil;alves) foi a marca&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia Constituinte para o dia 25 de abril de 1975, precisamente o &uacute;ltimo dia do prazo definido no Programa do MFA<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>.</p>     <p>Deste modo, a &laquo;Assembleia Selvagem&raquo; da madrugada de 11 de mar&ccedil;o de 1975 tinha conseguido, em simult&acirc;neo, a acelera&ccedil;&atilde;o do processo revolucion&aacute;rio e a institucionaliza&ccedil;&atilde;o do MFA, nomeadamente atrav&eacute;s da institui&ccedil;&atilde;o do CR e a realiza&ccedil;&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia Constituinte dentro do prazo definido originalmente pelo Programa do MFA. A realiza&ccedil;&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es era um elemento central que refletiria n&atilde;o s&oacute; a vontade do MFA de se manter fiel ao seu programa, como seria essencial para a credibilidade internacional das autoridades portuguesas &ndash; como o pr&oacute;prio Presidente Costa Gomes afirmou, as elei&ccedil;&otilde;es constituiriam &laquo;um verdadeiro exame c&iacute;vico de Portugal perante o Mundo que nos observa&raquo;<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>No entanto, para que as elei&ccedil;&otilde;es se pudessem realizar o MFA exigia que se salvaguardasse o seu papel no futuro processo constituinte. Pegando nas negocia&ccedil;&otilde;es em curso desde janeiro de 1975, mas imprimindo&nbsp;lhes um novo car&aacute;cter devido aos acontecimentos de 11 de mar&ccedil;o, a Plataforma de Acordo Constitucional foi assinada a 13 de abril, entre o CR (representado na pessoa do Presidente da Rep&uacute;blica, Costa Gomes) e os partidos pol&iacute;ticos: PS, PCP, PPD, CDS, MDP/CDE e Frente Socialista Popular (FSP). A Alian&ccedil;a Oper&aacute;rio&nbsp;Camponesa (AOC) viria a aderir mais tarde.</p>     <p>A assinatura do Pacto MFA&nbsp;Partidos, nome pelo qual ficou conhecida a Plataforma de Acordo Constitucional, serviu para os partidos pol&iacute;ticos como garante da realiza&ccedil;&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia Constituinte. De resto, as circunst&acirc;ncias e as disposi&ccedil;&otilde;es do pacto n&atilde;o deixavam muita margem de manobra. As suas disposi&ccedil;&otilde;es tornaram&nbsp;se determinantes para a evolu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da transi&ccedil;&atilde;o para a democracia em Portugal e representavam uma &laquo;vit&oacute;ria&raquo; para aqueles que &laquo;pretendiam assegurar que a futura Constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o anularia as pol&iacute;ticas revolucion&aacute;rias&raquo;<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>.</p>     <p>O pacto consagrava o dom&iacute;nio do MFA e, em especial, do CR, na vida pol&iacute;tica portuguesa, uma vez que definia um conjunto de elementos que deveriam obrigatoriamente constar da futura Constitui&ccedil;&atilde;o, limitando de certo modo os trabalhos da Assembleia Constituinte. O pacto procurava definir a estrutura institucional do futuro regime portugu&ecirc;s, segundo o qual o CR deveria constituir&nbsp;se como o &laquo;centro do poder pol&iacute;tico&raquo;, acima de duas c&acirc;maras: um parlamento civil (Assembleia Legislativa) e um parlamento militar (Assembleia do MFA). Estes tr&ecirc;s &oacute;rg&atilde;os eram respons&aacute;veis pela elei&ccedil;&atilde;o do Presidente da Rep&uacute;blica, que seria igualmente presidente do CR e da assembleia militar. Todos os poderes mais relevantes eram concentrados no Presidente da Rep&uacute;blica e no CR, &laquo;incluindo os de dissolu&ccedil;&atilde;o da Assembleia civil, da nomea&ccedil;&atilde;o do Primeiro&nbsp;Ministro e da escolha de certos ministros&raquo;. Sem d&uacute;vida que o CR era a principal autoridade pol&iacute;tica e militar, uma vez que tinha poderes de &laquo;fiscaliza&ccedil;&atilde;o da constitucionalidade das leis e sancionava as leis aprovadas pelo parlamento civil e pelo Governo&raquo;. Ao mesmo tempo, todos os assuntos que dissessem respeito &agrave; institui&ccedil;&atilde;o militar &laquo;continuavam a ser uma coutada do Conselho&raquo;, estando previsto que nenhuma institui&ccedil;&atilde;o tinha &laquo;poderes de controlo sobre o Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o ou a Assembleia do MFA&raquo;<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>. Por fim, &eacute; de acrescentar que o pacto imprimia &agrave; futura Constitui&ccedil;&atilde;o um &laquo;elemento doutrin&aacute;rio&raquo; &ndash; a Constitui&ccedil;&atilde;o deveria consagrar as conquistas revolucion&aacute;rias que levariam Portugal &laquo;na via original para um socialismo Portugu&ecirc;s&raquo; &ndash; e um &laquo;elemento organizat&oacute;rio &ndash; relativo aos &oacute;rg&atilde;os de soberania&raquo; e ao per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o do regime, &laquo;entre tr&ecirc;s a cinco anos, a fixar pela Assembleia Constituinte&raquo;<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. Para os observadores internacionais, parecia que o rumo da Revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa estava definitivamente tra&ccedil;ado &agrave; esquerda e que a transforma&ccedil;&atilde;o de Portugal num regime pr&oacute;ximo de um sat&eacute;lite sovi&eacute;tico estava iminente.</p>     <p>Para al&eacute;m da garantia da manuten&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas revolucion&aacute;rias alcan&ccedil;adas at&eacute; a&iacute;, outro dos objetivos subjacentes ao texto do Pacto MFA&nbsp;Partidos seria precisamente garantir que os resultados das pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia Constituinte n&atilde;o afetariam a distribui&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as no cen&aacute;rio pol&iacute;tico portugu&ecirc;s. Assim, era igualmente estabelecido na Plataforma de Acordo Constitucional que &laquo;n&atilde;o deveria haver rela&ccedil;&atilde;o entre os resultados das elei&ccedil;&otilde;es e a composi&ccedil;&atilde;o do governo provis&oacute;rio&raquo;, sendo que o elenco governativo apenas poderia ser alterado pelo Presidente da Rep&uacute;blica, &laquo;depois de ouvidos o Primeiro&nbsp;Ministro e o Conselho da Revolu&ccedil;&atilde;o&raquo;<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>E, na realidade, as elei&ccedil;&otilde;es vieram demonstrar que estas preocupa&ccedil;&otilde;es faziam sentido. A vit&oacute;ria esmagadora dos partidos moderados e a grande participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa (mais de 90 por cento dos eleitores recenseados) eram o reflexo claro de que os recentes acontecimentos e o apelo ao voto em branco, levado a cabo por alguns setores do MFA, n&atilde;o tinham tido influ&ecirc;ncia junto dos eleitores portugueses. Naquelas que foram as primeiras elei&ccedil;&otilde;es livres e democr&aacute;ticas em cinquenta anos, os partidos moderados, o PS e o ppd<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>, foram os claros vencedores, tendo o PS obtido 38 por cento dos votos e o PPD cerca de 27 por cento. O PCP n&atilde;o conseguiu mais do que 12 por cento. Por&eacute;m, devido ao Pacto MFA&nbsp;Partidos, estes resultados tiveram pouco resultado pr&aacute;tico imediato. Acima de tudo, tornavam evidentes &laquo;as contradi&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas do momento&raquo;, demonstrando que a aposta dos partidos em aceitar a assinatura do pacto como o &laquo;pre&ccedil;o das elei&ccedil;&otilde;es&raquo; tinha sido &laquo;acertada&raquo;, uma vez que estas permitiram que existisse, pela primeira vez em quase cinquenta anos, &laquo;uma directa legitimidade democr&aacute;tica&raquo;<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>.</p>     <p>De facto, a principal consequ&ecirc;ncia do ato eleitoral de 25 de abril de 1975 foi precisamente o &laquo;enorme impacto moral&raquo; das for&ccedil;as pol&iacute;ticas moderadas, que ganhavam assim a garantia do &laquo;compromisso da sociedade portuguesa&raquo; para com a Democracia. Estes partidos, em particular o PS e o PPD, ganhavam assim &laquo;legitimidade eleitoral&raquo;, oposta &agrave; legitimidade revolucion&aacute;ria do MFA. A acrescentar a isto, as elei&ccedil;&otilde;es de 25 de abril de 1975 revelavam tamb&eacute;m que</p>     <p>os comunistas e os seus aliados estavam &laquo;longe de ser a principal for&ccedil;a pol&iacute;tica em Portugal&raquo;. Perante estes resultados, as autoridades alem&atilde;s consideravam que havia agora &laquo;uma inquestion&aacute;vel oportunidade para o estabelecimento de uma democracia livre e pluralista em Portugal&raquo;<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a><B>. </B></p>     <p>Estes eventos algo contradit&oacute;rios levaram a que as implica&ccedil;&otilde;es internacionais da transi&ccedil;&atilde;o portuguesa se exponenciassem ainda mais. A partir de abril de 1975, ficou tra&ccedil;ado o caminho do processo revolucion&aacute;rio portugu&ecirc;s. As for&ccedil;as moderadas, ou seja, os partidos pol&iacute;ticos, mas tamb&eacute;m alguns setores dentro do MFA, tornando&nbsp;se claro que tinham o apoio da maioria da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa, ganharam novos argumentos para obterem o t&atilde;o necess&aacute;rio apoio internacional. E o comportamento dos pa&iacute;ses europeus ocidentais ficou marcado por uma &laquo;abordagem bidirecional&raquo;. Por um lado, ao n&iacute;vel dos partidos pol&iacute;ticos &ndash; em particular os partidos socialistas ou social&nbsp;democratas da Internacional Socialista &ndash; era antecipada a possibilidade de assist&ecirc;ncia e de uma futura ades&atilde;o de Portugal &agrave; CEE, como est&iacute;mulo para a estabiliza&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o portuguesa, ao mesmo tempo que se desenvolviam esfor&ccedil;os de apoio e desenvolvimento aos partidos portugueses, especialmente ao PS<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>. Por outro lado, ao n&iacute;vel oficial, a Comiss&atilde;o Europeia e os estados&nbsp;membros da Europa Comunit&aacute;ria (a maior parte deles governados pelos mesmos partidos social&nbsp;democratas), amea&ccedil;avam que nada disso aconteceria se em Portugal n&atilde;o vingasse um regime democr&aacute;tico e pluralista<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. A iniciativa mais clara desta estrat&eacute;gia da &laquo;cenoura e do pau&raquo; aconteceu por ocasi&atilde;o da Cimeira de Hels&iacute;nquia no princ&iacute;pio de agosto de 1975, onde foi assinada a Ata Final da Confer&ecirc;ncia de Seguran&ccedil;a e Coopera&ccedil;&atilde;o Europeia (CSCE). Durante os encontros bilaterais com o Presidente da Rep&uacute;blica Portuguesa, o general Costa Gomes, os diferentes chefes de governo dos pa&iacute;ses da CEE (Gr&atilde;&nbsp;Bretanha, Holanda, RFA, entre outros) salientaram que estavam prontos para apoiar Portugal, pol&iacute;tica e economicamente, mas n&atilde;o estavam dispostos &laquo;a ajudar e a apoiar a prepara&ccedil;&atilde;o de uma ditadura militar em Portugal&raquo;, nas palavras do chanceler da RFA, Helmut Schmidt<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>.</p>     <p>Imediatamente a seguir &agrave; Cimeira de Hels&iacute;nquia foi convocada uma reuni&atilde;o dos principais l&iacute;deres partid&aacute;rios da Internacional Socialista, onde foi criado o Comit&eacute; de Apoio e Solidariedade para com a Democracia e o Socialismo em Portugal, uma ideia do ex&nbsp;chanceler federal, l&iacute;der do SPD e pr&eacute;mio Nobel da Paz, Willy Brandt. O Comit&eacute; era constitu&iacute;do pelos l&iacute;deres dos partidos socialistas ou social&nbsp;democratas da RFA (Brandt), Gr&atilde;&nbsp;Bretanha (Harold Wilson), &Aacute;ustria (Bruno Kreisky), Fran&ccedil;a (Fran&ccedil;ois Mitterrand), Su&eacute;cia (Olof Palme) e Holanda (Joop den Uyl), que acreditavam que a situa&ccedil;&atilde;o em Portugal requeria uma &laquo;a&ccedil;&atilde;o concertada&raquo;, de modo a &laquo;evitar que o pa&iacute;s fosse tomado pelos Comunistas&raquo;<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>. O Comit&eacute; acreditava igualmente que a onda de &laquo;simpatia e boa&nbsp;f&eacute;&raquo; que o 25 de Abril tinha criado relativamente a Portugal n&atilde;o deveria ser desperdi&ccedil;ada pelo &laquo;desrespeito absoluto da vontade da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa&raquo;, conforme esta se havia manifestado nas elei&ccedil;&otilde;es de abril de 1975. Os principais objetivos do Comit&eacute; eram o apoio ao estabelecimento de um regime democr&aacute;tico, a liberdade de imprensa, a constitui&ccedil;&atilde;o de uma associa&ccedil;&atilde;o sindical livre e democr&aacute;tica e a luta contra o isolamento internacional de Portugal<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>.</p>     <p>Estes princ&iacute;pios refletiram&nbsp;se na atua&ccedil;&atilde;o dos partidos social&nbsp;democratas europeus: o apoio &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do PS e o constante interc&acirc;mbio de visitantes, intensificado ao longo do &laquo;ver&atilde;o quente&raquo; de 1975, com particular aten&ccedil;&atilde;o aos elementos das For&ccedil;as Armadas Portuguesas. Na verdade, este foi o per&iacute;odo de maior radicaliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em Portugal e parecia tornar&nbsp;se cada vez mais prov&aacute;vel um confronto direto entre as for&ccedil;as moderadas e as mais revolucion&aacute;rias. Os ataques &agrave;s sedes do PCP e outros partidos de esquerda no Norte de Portugal, lan&ccedil;aram o mote para um contexto social cada vez mais radicalizado que praticamente dividiu o Pa&iacute;s ao meio<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>. A cria&ccedil;&atilde;o do Comit&eacute; serviu tamb&eacute;m para demonstrar que os europeus eram un&acirc;nimes relativamente &agrave; necessidade de apoiar as for&ccedil;as moderadas portuguesas. Essa mensagem destinava se a exercer press&atilde;o quer sobre a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, quer sobre os pr&oacute;prios Estados Unidos, que tinham adotado sempre uma posi&ccedil;&atilde;o de desconfian&ccedil;a relativamente &agrave;s reais capacidades de a democracia vingar em Portugal, para al&eacute;m de refor&ccedil;ar internamente a posi&ccedil;&atilde;o do PS, assegurando que teria o apoio da Europa Ocidental<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>.</p>     <p>Na verdade, a situa&ccedil;&atilde;o portuguesa come&ccedil;ou a estabilizar em finais de 1975, n&atilde;o sem antes se dar um confronto final entre as for&ccedil;as moderadas e de esquerda, ocorrido em finais de novembro desse ano. Depois do 25 de Novembro de 1975, altura em que foi anulada uma tentativa de golpe de Estado pela extrema&nbsp;esquerda, o regime pol&iacute;tico portugu&ecirc;s p&ocirc;de finalmente avan&ccedil;ar rumo ao estabelecimento de uma democracia pluralista de tipo ocidental. Para tal desfecho foi determinante a rela&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as interna, mas n&atilde;o podemos deixar de acentuar a import&acirc;ncia do contexto internacional<sup><a href="#39">39</a></sup><a name="top39"></a>.</p>     <p>Nesse sentido, &eacute; importante destacar que o caminho para a normaliza&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em Portugal foi acompanhado com igual aten&ccedil;&atilde;o por parte dos aliados ocidentais de Portugal, com destaque para a rfa<sup><a href="#40">40</a></sup><a name="top40"></a>. Um dos primeiros passos nesse sentido foi precisamente a revis&atilde;o da Plataforma de Acordo Constitucional assinada entre o MFA e os partidos pol&iacute;ticos. Na sequ&ecirc;ncia dos acontecimentos de finais de novembro de 1975, a composi&ccedil;&atilde;o do CR foi profundamente alterada, refletindo a nova orienta&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica portuguesa. Logo no princ&iacute;pio de dezembro, se ouvem os primeiros apelos dos partidos pol&iacute;ticos, nomeadamente do PS e do PPD, no sentido de se rever o Pacto MFA&nbsp;Partidos, algo que &eacute; aprovado pelo CR em 11 de dezembro. Apesar de ainda hoje surgirem alguns debates sobre quem ter&aacute; iniciado o processo de revis&atilde;o do pacto, o que essa renegocia&ccedil;&atilde;o revela acima de tudo &eacute; a crescente converg&ecirc;ncia pol&iacute;tica entre o CR e as for&ccedil;as partid&aacute;rias e esta quest&atilde;o tornar&nbsp;se&nbsp;ia &laquo;um dos temas dominantes da vida pol&iacute;tica nacional&raquo;<sup><a href="#41">41</a></sup><a name="top41"></a>.</p>     <p>Assinado a 26 de fevereiro de 1976, o novo pacto era agora &laquo;desprovido do elemento doutrin&aacute;rio&raquo; e reduzia &laquo;substancialmente a interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica dos militares&raquo;<sup><a href="#42">42</a></sup><a name="top42"></a>. Ainda assim, mantinha&nbsp;se o CR como um &oacute;rg&atilde;o com fun&ccedil;&otilde;es de conselho do Presidente da Rep&uacute;blica, sendo inclusivamente um dos &oacute;rg&atilde;os de soberania nacional, logo a seguir ao Presidente (que se mantinha como Presidente do pr&oacute;prio CR). As outras fun&ccedil;&otilde;es do Conselho mantinham&nbsp;se, nomeadamente como &laquo;garante do cumprimento da Constitui&ccedil;&atilde;o&raquo;, como &laquo;garante da fidelidade ao esp&iacute;rito da Revolu&ccedil;&atilde;o&raquo; e, finalmente, como &laquo;&oacute;rg&atilde;o pol&iacute;tico e legislativo em mat&eacute;ria militar&raquo;. A principal distin&ccedil;&atilde;o relativamente ao primeiro pacto e elemento simultaneamente diferenciador perante o novo contexto pol&iacute;tico nacional era que o Presidente da Rep&uacute;blica seria eleito diretamente atrav&eacute;s de sufr&aacute;gio universal, apesar de se manter impl&iacute;cito que este seria sempre um cargo ocupado por um militar. A Assembleia Constituinte seria agora a respons&aacute;vel pela defini&ccedil;&atilde;o dos &laquo;termos da efectiva&ccedil;&atilde;o da responsabilidade pol&iacute;tica do Governo perante o Parlamento&raquo;. O per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o da Revolu&ccedil;&atilde;o portuguesa, anteriormente um dos pontos de disputa entre as for&ccedil;as moderadas e revolucion&aacute;rias, era agora claramente definido: a primeira legislatura teria a dura&ccedil;&atilde;o de quatro anos, ap&oacute;s a qual a Assembleia da Rep&uacute;blica teria poderes constituintes, podendo levar a cabo a primeira revis&atilde;o constitucional, altura em que o per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o e a vig&ecirc;ncia do pacto se consideravam extintos<sup><a href="#43">43</a></sup><a name="top43"></a>.</p>     <p>A partir daqui, apesar de algum criticismo relativamente a certos princ&iacute;pios que haviam sido j&aacute; aprovados e que imprimiam &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o o seu cunho revolucion&aacute;rio, os trabalhos da Constituinte continuaram com rapidez. De tal modo que a Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa foi votada e aprovada em 2 de abril de 1976 e tornou&nbsp;se no s&iacute;mbolo maior da instaura&ccedil;&atilde;o de um regime democr&aacute;tico pluralista e parlamentar. A 25 de abril de 1976, dois anos ap&oacute;s o derrube do Estado Novo, seria eleita a primeira Assembleia da Rep&uacute;blica da democracia portuguesa e, em junho, tiveram lugar as elei&ccedil;&otilde;es para a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, entrando plenamente em fun&ccedil;&otilde;es o novo sistema pol&iacute;tico portugu&ecirc;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O impacto internacional destes acontecimentos n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil de antecipar. A confirma&ccedil;&atilde;o de um regime pol&iacute;tico democr&aacute;tico e representativo foi saudado por todos os aliados ocidentais de Portugal, nomeadamente pelos pa&iacute;ses da Europa Ocidental. De um modo geral, a aprova&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o suscitou rea&ccedil;&otilde;es especiais por parte dos governos, que no entanto n&atilde;o deixaram de assinalar que finalmente seria poss&iacute;vel seguir um caminho de democracia.</p>     <p>Os aspectos mais destacados pela imprensa alem&atilde; passavam sobretudo pelo tom geral da Constitui&ccedil;&atilde;o, que &laquo;obrigava os futuros governos ao socialismo&raquo;, procurava p&ocirc;r fim &agrave; &laquo;explora&ccedil;&atilde;o do homem pelo homem&raquo;, atrav&eacute;s das nacionaliza&ccedil;&otilde;es e da cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es &laquo;para o exerc&iacute;cio democr&aacute;tico de poder pela classe trabalhadora&raquo;<sup><a href="#44">44</a></sup><a name="top44"></a>. Na realidade, os acontecimentos vividos entre 25 de abril de 1974 e a promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o tinham marcado profundamente o texto final da Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa e essa era a caracter&iacute;stica que mais condicionava qualquer reflex&atilde;o sobre a mesma. Para o <i>Frankfurter Allgemeine</i>, a quest&atilde;o poderia colocar&nbsp;se sobretudo pela exclus&atilde;o quase impl&iacute;cita dos partidos de direita do governo, uma vez que &laquo;dificilmente seria poss&iacute;vel realizar o seu programa de governo sem correr o risco de infringir a Constitui&ccedil;&atilde;o&raquo; &ndash; e por isso o cds se tinha negado a aprovar o novo texto fundamental portugu&ecirc;s (apesar de se afirmar disposto a governar de acordo com a Constitui&ccedil;&atilde;o se o resultado das elei&ccedil;&otilde;es assim decidisse)<sup><a href="#45">45</a></sup><a name="top45"></a>. Sobretudo, a imprensa alem&atilde; procurava destacar que aquilo que tinha chegado a ser impens&aacute;vel em dois anos tinha finalmente sendo alcan&ccedil;ado e que agora era altura de preparar as elei&ccedil;&otilde;es para aquele que seria o primeiro parlamento portugu&ecirc;s eleito livremente depois dos quarenta anos de regime autorit&aacute;rio.</p>     <p>Da Embaixada da Rep&uacute;blica Federal da Alemanha em Lisboa surgiam coment&aacute;rios que atestavam estas contradi&ccedil;&otilde;es da Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa. Por um lado, era incontorn&aacute;vel a import&acirc;ncia que a aprova&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o acartava, sobretudo tendo em conta a enorme press&atilde;o de que fora alvo, ao longo dos dez meses que haviam durado os trabalhos da Constituinte. Sinal disso mesmo, era o facto de os principais artigos, &laquo;inclusivamente aqueles que definiam os principais aspectos do funcionamento do sistema pol&iacute;tico&raquo;, s&oacute; terem sido acordados &laquo;nos &uacute;ltimos dias&raquo;. Por outro lado, o facto de grande parte da discuss&atilde;o se ter centrado na defini&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo de transi&ccedil;&atilde;o (per&iacute;odo ap&oacute;s o qual seria poss&iacute;vel uma revis&atilde;o do texto constitucional), indicava j&aacute; que esta seria uma constitui&ccedil;&atilde;o de algum modo &laquo;a prazo&raquo;, muito marcada pela distribui&ccedil;&atilde;o de for&ccedil;as no momento e que, no essencial, j&aacute; n&atilde;o correspondia &agrave; realidade portuguesa, &laquo;sobretudo desde o 25 de Novembro de 1975&raquo;. A discuss&atilde;o mais intensa centrava&nbsp;se em torno do prazo de salvaguarda da Constitui&ccedil;&atilde;o antes de uma revis&atilde;o do seu texto. A principal quest&atilde;o era precisamente a necessidade de, a prazo, se rever o poder pol&iacute;tico dos militares (atrav&eacute;s do CR), havendo j&aacute; quem advogasse que as For&ccedil;as Armadas Portuguesas deviam &laquo;retornar aos quart&eacute;is&raquo;, tend&ecirc;ncia defendida, por exemplo, por Ramalho Eanes. N&atilde;o obstante, ficaram desde logo definidos quais os aspectos que n&atilde;o deveriam ser alterados logo na primeira revis&atilde;o constitucional &ndash; o que a Embaixada alem&atilde; em Lisboa considerava um mecanismo de prote&ccedil;&atilde;o da heran&ccedil;a revolucion&aacute;ria da transi&ccedil;&atilde;o portuguesa. No entanto, como o embaixador Fritz Caspari prontamente relatava para Bona, seria o resultado das elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 25 de abril de 1976 que ditaria qual o verdadeiro rumo de Portugal no futuro mais imediato<sup><a href="#46">46</a></sup><a name="top46"></a>.</p>     <p>&Agrave; semelhan&ccedil;a do que tinha acontecido precisamente um ano antes, aquando das elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia Constituinte, tamb&eacute;m em 1976 o PS foi o principal vencedor das primeiras elei&ccedil;&otilde;es da jovem democracia portuguesa. Apesar de ter diminu&iacute;do a sua percentagem, o PS, com 34,9 por cento dos votos, tornou&nbsp;se o partido mais votado, seguido de perto pelo PPD, com 24,3 por cento e pelo CDS, com 15,9 por cento. O PCP, apesar de parecer ainda uma for&ccedil;a dominante na vida pol&iacute;tica portuguesa, captou apenas 14,4 por cento dos votos, passando a ser a quarta for&ccedil;a na Assembleia da Rep&uacute;blica<sup><a href="#47">47</a></sup><a name="top47"></a>.</p>     <p>Por seu lado, o PS e o seu l&iacute;der, M&aacute;rio Soares, tinham j&aacute; tornado claro que iriam avan&ccedil;ar com um governo de minoria, recusando uma poss&iacute;vel alian&ccedil;a com o PPD. Respeitando sempre a soberania nacional e os interesses de Portugal, o Governo de Bona n&atilde;o deixava de se sentir de algum modo desconfort&aacute;vel com a possibilidade de um governo fr&aacute;gil em Portugal. Houve ent&atilde;o necessidade de fazer sentir em Lisboa, junto dos l&iacute;deres dos tr&ecirc;s partidos mais votados, de que era importante reconhecer que os portugueses tinham votado com o objetivo de estabelecer uma democracia forte em Portugal, mas que tal &laquo;s&oacute; seria alcan&ccedil;ado e assegurado com um governo apoiado por uma maioria parlamentar clara&raquo;<sup><a href="#48">48</a></sup><a name="top48"></a>. No entanto, esta press&atilde;o n&atilde;o surtiu o efeito desejado e no dia 16 de julho de 1976 tomava posse o I Governo Constitucional da democracia portuguesa, liderado por M&aacute;rio Soares e apenas com o apoio do PS. Apesar das press&otilde;es e insist&ecirc;ncia dos aliados de Portugal, especialmente da RFA, no sentido de se formar um governo de coliga&ccedil;&atilde;o que garantisse maior estabilidade pol&iacute;tica, n&atilde;o deixou de haver um grande apoio no sentido da consolida&ccedil;&atilde;o da democracia em Portugal possibilitada claramente pelos princ&iacute;pios plasmados na Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa aprovada em 2 de abril de 1976.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>CONCLUS&Atilde;O</B></p>     <p>A transi&ccedil;&atilde;o portuguesa para a democracia foi despoletada por um golpe militar que rapidamente se revestiu de caracter&iacute;sticas pol&iacute;ticas, tendo o MFA definido logo &agrave; partida as condi&ccedil;&otilde;es para o estabelecimento de uma Assembleia Constituinte, que lan&ccedil;aria as bases do novo regime pol&iacute;tico portugu&ecirc;s. Contudo, todas as hesita&ccedil;&otilde;es e indefini&ccedil;&otilde;es que estavam j&aacute; patentes no Programa do MFA foram acentuadas com a evolu&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e com o chamado &laquo;Processo Revolucion&aacute;rio em Curso&raquo; (PREC).</p>     <p>Os principais conflitos pol&iacute;ticos que enredaram Portugal no per&iacute;odo entre abril de 1974 e abril de 1976 condicionaram fortemente o papel da Assembleia Constituinte. Em primeiro lugar, porque colocaram a d&uacute;vida relativamente &agrave; exist&ecirc;ncia sequer de elei&ccedil;&otilde;es com vista &agrave; Assembleia Constituinte, como aconteceu na sequ&ecirc;ncia da crise de 11 de mar&ccedil;o de 1975. Em segundo lugar, porque depois de assumida essa assembleia, se tentou ao m&aacute;ximo condicionar o seu trabalho, constrangendo e delimitando claramente as suas &aacute;reas de interven&ccedil;&atilde;o (que se deveriam cingir &agrave; mera elabora&ccedil;&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o). Para tal, o MFA e o CR fizeram aprovar a Plataforma de Acordo Constitucional pelos partidos pol&iacute;ticos, como contrapartida da realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es. Por&eacute;m, a n&atilde;o altera&ccedil;&atilde;o da lei eleitoral, que assegurava uma plena participa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o portuguesa atrav&eacute;s do sufr&aacute;gio universal, concedeu &agrave; Assembleia Constituinte uma legitimidade democr&aacute;tica que marcou, igualmente, os trabalhos da Constituinte. Por fim, com a clarifica&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica portuguesa, a partir de novembro de 1975, foi finalmente poss&iacute;vel encontrar uma nova solu&ccedil;&atilde;o que, simultaneamente, salvaguardasse a independ&ecirc;ncia e autonomia da Assembleia Constituinte e assegurasse a participa&ccedil;&atilde;o do MFA na vida pol&iacute;tica portuguesa.</p>     <p>Devido a esta dupla dimens&atilde;o, a Constitui&ccedil;&atilde;o portuguesa aprovada a 2 de abril de 1976 n&atilde;o marca definitivamente o fim da fase de transi&ccedil;&atilde;o na democratiza&ccedil;&atilde;o portuguesa. A manuten&ccedil;&atilde;o de elementos n&atilde;o democr&aacute;ticos, como seja a perman&ecirc;ncia do CR, que conservava alguns poderes legislativos (relativamente &agrave; esfera militar) e de fiscaliza&ccedil;&atilde;o constituinte faz com que o fim da transi&ccedil;&atilde;o portuguesa se desse ao mesmo tempo que a sua consolida&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, ou seja, apenas em 1982, quando se procede &agrave; primeira revis&atilde;o constitucional. Ainda assim, a consagra&ccedil;&atilde;o de um regime democr&aacute;tico, pluralista e parlamentar &eacute; feita e assegurada logo na Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica Portuguesa de abril de 1976.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O acompanhamento dos acontecimentos feito pelos aliados ocidentais de Portugal, nomeadamente pela RFA, &eacute; j&aacute; consideravelmente conhecido. No entanto, o impacto particular dos acontecimentos de finais de 1975 e durante os primeiros meses de 1976 e o acompanhamento que receberam em Bona ficam agora analisados em maior detalhe. Para a RFA torna&nbsp;se claro que a Constitui&ccedil;&atilde;o, juntamente com a revis&atilde;o do Pacto MFA&nbsp;Partidos, que a antecedeu e possibilitou, e, posteriormente, com a realiza&ccedil;&atilde;o das primeiras elei&ccedil;&otilde;es legislativas e presidenciais, que colocaram o aparelho pol&iacute;tico em pleno funcionamento, Portugal tinha entrado definitivamente no caminho da institui&ccedil;&atilde;o de uma democracia representativa de estilo ocidental.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>BIBLIOGRAFIA</B></p>     <p>AMARAL, Diogo Freitas do &ndash; <i>O Antigo Regime e a Revolu&ccedil;&atilde;o. Mem&oacute;rias Pol&iacute;ticas (1946-1975)</i>. Lisboa: Bertrand Editores, 1996.</p>     <p>CARVALHO, Thiago &ndash; <i>Do Lirismo ao Pragmatismo. A Dimens&atilde;o Multilateral das Rela&ccedil;&otilde;es Luso-Brasileiras (1974-1976)</i>. Lisboa: MNE &ndash; Instituto Diplom&aacute;tico, 2009.</p>     <p>CASTRO, Francisco &ndash; &laquo;A CEE e o PREC&raquo;. In <i>Pen&eacute;lope</i>. N.&ordm; 26, 2002.</p>     <p>CEREZALES, Diego Palacios &ndash; &laquo;Um caso de viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica: o &ldquo;Ver&atilde;o Quente&rdquo; de 1975&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. xxxvii (165), 2003, pp. 1127-1157.</p>     <p>COELHO, M&aacute;rio Batista (coord.) &ndash; <i>Portugal, Sistema Pol&iacute;tico e Constitucional. 1974-1987</i>. Lisboa: Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, 1989.</p>     <p>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Portugal em Transe</i>. Vol. VII. <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>. Dire&ccedil;&atilde;o de Jos&eacute; Mattoso. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2003.</p>     <p>FONSECA, Ana M&oacute;nica &ndash; &laquo;O apoio da social-democracia alem&atilde; &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o portuguesa (1974-1975)&raquo;. In <i>Ler Hist&oacute;ria</i>. N.&ordm; 63, 2012, pp. 93-107.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>FONSECA, Ana M&oacute;nica, <i>&laquo;&Eacute; Preciso Regar os Cravos!&raquo; A Social-Democracia Alem&atilde; e a Transi&ccedil;&atilde;o Portuguesa para a Democracia (1974-1976)</i>. Lisboa: ISCTE &ndash; Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa. Tese de doutoramento em Hist&oacute;ria Moderna e Contempor&acirc;nea, especializa&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da &Eacute;poca Contempor&acirc;nea, 2011.</p>     <p>FRAIN, Marietherese &ndash; <i>O ppd/psd na Consolida&ccedil;&atilde;o do Regime Democr&aacute;tico</i>. Lisboa: Editorial Not&iacute;cias, 1998.</p>     <p>GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;O processo constitucional e a estabilidade do regime&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. xxv (105-106), 1990.</p>     <p>GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;The international dimensions of the Portuguese transition&raquo;. <i>In</i> Konstantinos G. Karamanlis Foundation &ndash; <i>The Transition to Democracy in Spain, Portugal and Greece. Thirty Years After</i>. Atenas: Konstantinos G. Karamanlis Foundation, 2005.</p>     <p>MATEUS, Dalila Cabrita &ndash; <i>A pide/dgs na Guerra Colonial. </i><i>1961-1974</i>. Lisboa: Terra-mar, 2004.</p>     <p>M&uuml;hlen, Patrick von zur &ndash; <i>Die internationale Arbeit der Friedrich-Ebert-Stiftung. Von</i><i> den Anf&auml;ngen bis zum Ende des Ost-West&mdash; Konflikts.</i> Bona: Dietz Verlag, 2007.</p>     <p>REZOLA, Maria In&aacute;cia &ndash; <i>25 de Abril: Mitos de Uma Revolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Esfera dos Livros, 2007.</p>     <p>RODRIGUES, Lu&iacute;s Nuno &ndash; <i>Marechal Costa Gomes. No Centro da Tempestade</i>. Lisboa: Esfera dos Livros, 2008.</p>     <p>RODRIGUES, Lu&iacute;s Nuno &ndash; <i>Sp&iacute;nola</i>. Lisboa: Esfera dos Livros, 2010.</p>     <p>ROSAS, Fernando (coord.) &ndash; <i>Portugal e a Transi&ccedil;&atilde;o para a Democracia (1974-1976)</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, 1999.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>S&Aacute;, Tiago Moreira de &ndash; <i>Os Estados Unidos da Am&eacute;rica e a Democracia Portuguesa (1974-1976)</i>. Lisboa: MNE &ndash; Instituto Diplom&aacute;tico, 2009.</p>     <p>SABLOSKY, Juliet &ndash; &laquo;A actividade partid&aacute;ria transnacional e as rela&ccedil;&otilde;es de Portugal com a Comunidade Europeia&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. Vol. xxxi (138), 1996.</p>     <p>TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; <i>Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea de Portugal. Do 25 de Abril &agrave; Atualidade</i>. Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a, 2007.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 5 de janeiro de 2016 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 29 de fevereiro de 2016</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>NOTAS</B></p>     <p><Sup><a name="0"></a><a href="#top0">*</a></Sup>Este texto tem como ponto de partida o cap&iacute;tulo publicado em Belchior, Ana Maria (org.) &ndash; <i>As Constitui&ccedil;&otilde;es Republicanas Portuguesas. Direitos Fundamentais e Representa&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica (1911-2011)</i>. Lisboa: Editora Mundos Sociais, 2013, pp. 103-115 (Fonseca, Ana M&oacute;nica &ndash; &laquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976: o contexto pol&iacute;tico&raquo;).</p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup>REZOLA, Maria In&aacute;cia &ndash; <i>25 de Abril: Mitos de Uma Revolu&ccedil;&atilde;o</i>. Lisboa: Esfera dos Livros, 2007, p. 51.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup><i>Ibidem</i>, p. 47.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup>Por press&atilde;o do general Costa Gomes, que seria o chefe de Estado-Maior das For&ccedil;as Armadas, a DGS manteve-se no ativo nas col&oacute;nias, depois de ser &laquo;reestruturada e saneada, organizando-se como pol&iacute;cia de Informa&ccedil;&atilde;o Militar&raquo;, sendo assim reconhecida e salvaguardada a sua import&acirc;ncia para o apoio &agrave;s opera&ccedil;&otilde;es ainda em curso nos territ&oacute;rios africanos. Cf. <i>Programa do Movimento das For&ccedil;as Armadas Portuguesas</i>. Centro de Documenta&ccedil;&atilde;o 25 de Abril da Universidade de Coimbra. (Consultado em: 12 de junho de 2012]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=programa" target="_blank">http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=programa</a>. Ver tamb&eacute;m MATEUS, Dalila Cabrita &ndash; <i>A pide/dgs na Guerra Colonial. 1961-1974</i>. Lisboa: Terramar, 2004, p. 83.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup><i>Programa do Movimento das For&ccedil;as Armadas Portuguesas</i>.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup>GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;O processo constitucional e a estabilidade do regime&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. xxv (105-106), 1990, p. 10.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup>CASTRO, Francisco &ndash; &laquo;A CEE e o PREC&raquo;. In <i>Pen&eacute;lope</i>. N.&ordm; 26, 2002, p. 128.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup><i>Programa do Movimento das For&ccedil;as Armadas Portuguesas</i>.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup><i>Ibidem</i>. Ver tamb&eacute;m MIRANDA, Jorge &ndash; &laquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976 no &acirc;mbito do constitucionalismo portugu&ecirc;s&raquo;. <i>In</i> COELHO, M&aacute;rio Batista (coord.) &ndash; <i>Portugal, Sistema Pol&iacute;tico e Constitucional. 1974-1987</i>. Lisboa: Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, 1989, p. 617 e segs.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup>Miranda, Jorge de &ndash; &laquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976 no &acirc;mbito do constitucionalismo portugu&ecirc;s&raquo;, p. 621.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup>CASTRO, Francisco &ndash; &laquo;A CEE e o PREC&raquo;, p. 128.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup>Protocolo da 34.&ordf; Reuni&atilde;o da Comiss&atilde;o dos Neg&oacute;cios Estrangeiros do Bundestag. 9 de outubro de 1974. Parlamentsarchiv (PA), Deutsche Bundestag (DBT) 3104 A7/3.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup>Relat&oacute;rio do Departamento de Assuntos Pol&iacute;ticos sobre as rela&ccedil;&otilde;es da RFA com Portugal. 15 de junho de 1974. Politisches Archiv von Ausw&auml;rtiges Amt (doravante, PAAA), 101436.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup>M&Uuml;HLEN, Patrick von zur &ndash; <i>Die internationale Arbeit der Friedrich-Ebert-Stif-tung. Von den Anf&auml;ngen bis zum Ende des Ost-West&mdash;Konflikts. </i>Bona: Dietz Verlag, 2007. Para uma descri&ccedil;&atilde;o detalhada do aux&iacute;lio da social-democracia alem&atilde; &agrave;s for&ccedil;as democr &aacute;ticas portuguesas, nomeadamente ao Partido Socialista, cf. FONSECA, Ana M&oacute;nica &ndash; <i>&laquo;&Eacute; Preciso Regar os Cravos!&raquo; A Social-Democracia Alem&atilde; e a Transi&ccedil;&atilde;o Portuguesa para a Democracia (1974-1976)</i>. Lisboa: ISCTE &ndash; Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa. Tese de doutoramento em Hist&oacute;ria Moderna e Contempor&acirc;nea, especializa&ccedil;&atilde;o em Hist&oacute;ria das Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da &Eacute;poca Contempor&acirc;nea, 2011.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup>O general Ant&oacute;nio de Sp&iacute;nola era uma das figuras mais respeitadas nas For&ccedil;as Armadas Portuguesas. Foi comandante militar da Guin&eacute; entre 1968 e 1973. No in&iacute;cio de 1974 &eacute; nomeado vice-chefe do Estado-Maior das For&ccedil;as Armadas, cargo do qual &eacute; demitido pela publica&ccedil;&atilde;o de <i>Portugal e o Futuro</i>, onde critica a pol&iacute;tica ultramarina de Caetano. A sua vis&atilde;o para o futuro das col&oacute;nias portuguesas passava pela realiza&ccedil;&atilde;o de referendos e a forma&ccedil;&atilde;o de uma comunidade federativa. Cf. Rodrigues, Lu&iacute;s Nuno &ndash; <i>Sp&iacute;nola</i>. Lisboa: Esfera dos Livros, 2010.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup>FONSECA, Ana Monica &ndash; <i>&laquo;&Eacute; Preciso Regar os Cravos!&raquo;</i>.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup>MOREIRA, Vital &ndash; &laquo;A institui&ccedil;&atilde;o da democracia. A Assembleia Constituinte e a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976&raquo;. <i>In</i> Rosas, Fernando (coord.) &ndash; <i>Portugal e a Transi&ccedil;&atilde;o para a Democracia (1974-1976)</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es Colibri, 1999, pp. 197-198.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup>Os principais partidos realizaram os seus primeiros congressos nacionais no &uacute;ltimo trimestre de 1974. O PCP foi o primeiro, a 20 de outubro. Seguiram-se o PPD, a 23 de novembro, e o PS, a 13-14 de dezembro de 1974, todos em Lisboa. O CDS apenas realizou o seu Congresso Nacional em janeiro de 1975, no Porto. <i>Cronologia Pulsar da Revolu&ccedil;&atilde;o</i>. Centro de Documenta&ccedil;&atilde;o 25 de Abril da Universidade de Coimbra. (Consultado em: 14 de junho de 2012]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=Cronologiapulsar" target="_blank">http://www1.ci.uc.pt/cd25a/wikka.php?wakka=Cronologiapulsar</a>.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup>Rezola, Maria In&aacute;cia &ndash; <i>25 de Abril: Mitos de Uma Revolu&ccedil;&atilde;o</i>, p. 113.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup>Comando Operacional do Continente.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup>Citado <i>in</i> REZOLA, Maria In&aacute;cia &ndash; <i>25 de Abril: Mitos de Uma Revolu&ccedil;&atilde;o</i>, pp. 116-117.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup>Cf. AMARAL, Diogo Freitas do &ndash; <i>O Antigo Regime e a Revolu&ccedil;&atilde;o. Mem&oacute;rias Pol&iacute;ticas (1946-1975)</i>. Lisboa: Bertrand Editores, 1996, pp. 353-355.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup>RODRIGUES, Lu&iacute;s Nuno &ndash; <i>Sp&iacute;nola</i>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup>RODRIGUES, Lu&iacute;s Nuno &ndash; <i>Marechal Costa Gomes. No Centro da Tempestade</i>. Lisboa: Esfera dos Livros, 2008, pp. 228-231.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup>Declara&ccedil;&otilde;es de Costa Gomes na tomada de posse do IV Governo Provis&oacute;rio, citado in <i>Ibidem</i>, p. 231.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Portugal em Transe</i>. Vol. VII. <i>Hist&oacute;ria de Portugal</i>. Dire&ccedil;&atilde;o de Jos&eacute; Mattoso. Lisboa: C&iacute;rculo de Leitores, 2003, p. 208.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup>GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;O processo constitucional e a estabilidade do regime&raquo;, p. 13. Para a consulta do texto da 1.&ordf; Plataforma de Acordo Constitucional. (Consultado em: 8 de mar&ccedil;o de 2016]. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://app.parlamento.pt/LivrosOnLine/Vozes_Constituinte/med01100000j.html#conteudo" target="_blank">http://app.parlamento.pt/LivrosOnLine/Vozes_Constituinte/med01100000j.html#conteudo</a>.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup>MIRANDA, Jorge &ndash; &laquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976 no &acirc;mbito do constitucionalismo portugu&ecirc;s&raquo;, p. 628.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup><i>Ibidem</i>.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup>O PPD foi fundado em 6 de maio de 1974 e entre os seus quadros estavam os antigos deputados da chamada Ala Liberal da Assembleia Nacional. Homens como Francisco S&aacute; Carneiro, Francisco Pinto Balsem&atilde;o ou Joaquim Magalh&atilde;es Mota tinham-se tornado conhecidos pela sua atua&ccedil;&atilde;o durante o marcelismo, em que representaram uma tentativa de renova&ccedil;&atilde;o interna do Estado Novo. Cf. FRAIN, Marietherese &ndash; <i>O PPD/PSD na Consolida&ccedil;&atilde;o do Regime Democr&aacute;tico</i>. Lisboa: Editorial Not&iacute;cias, 1998.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup>MIRANDA, Jorge &ndash; &laquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976 no &acirc;mbito do constitucionalismo portugu&ecirc;s&raquo;, p. 629.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Nota sobre a situa&ccedil;&atilde;o em Portugal. 30 de abril de 1974. PAAA, 110241.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup>FONSECA, Ana M&oacute;nica &ndash; &laquo;O apoio da social-democracia alem&atilde; &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o portuguesa (1974-1975)&raquo;. In <i>Ler Hist&oacute;ria</i>. N.&ordm; 63, 2012, pp. 93-107.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup>SABLOSKY, Juliet &ndash; &laquo;A actividade partid&aacute;ria transnacional e as rela&ccedil;&otilde;es de Portugal com a Comunidade Europeia&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. 31 (138), 1996, pp. 1011.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup>Memorando de Conversa&ccedil;&atilde;o entre o Chanceler Helmut Schmidt e o Presidente portugu&ecirc;s, Costa Gomes. 1 de agosto de 1975. Archiv der sozial Demokratie (ADSD), Helmut Schmidt Archiv (HSA), 1/hsa006605. A vers&atilde;o portuguesa das conversas bilaterais de Costa Gomes em Hels&iacute;nquia est&aacute; dispon&iacute;vel em Arquivo Hist&oacute;rico-Diplom&aacute;tico do Minist&eacute;rio dos Neg&oacute;cios Estrangeiros (AHDMNE), PEA, 1/75.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup>Apontamento sobre a reuni&atilde;o dos l&iacute;deres de Partido e de Governo da Internacional Socialista em Estocolmo. 15 de agosto de 1975. ADSD, HSA, 1/hsaa006657. Ver tamb&eacute;m Telegrama 15265 da Embaixada Americana em Bona para o State Department. 17 de setembro de 1975. NARA, Washington &ndash; <a href="http://aad.archives.gov/aad/series-descrip-tion.jsp?s=4073&amp;cat=all&amp;bc=sl" target="_blank">http://aad.archives.gov/aad/series-descrip-tion.jsp?s=4073&amp;cat=all&amp;bc=sl</a>.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup>Comunicado &agrave; imprensa. 8 de setembro de 1975. AdsD, WBA, A 11.4, 127.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup>Para uma an&aacute;lise detalhada a um caso exemplificativo do que foi o &laquo;ver&atilde;o quente&raquo; de 1975, cf. CEREZALES, Diego Palacios &ndash; &laquo;Um caso de viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica: o &ldquo;Ver&atilde;o Quente&rdquo; de 1975&raquo;. In <i>An&aacute;lise Social</i>. xxxvii (165), 2003, 1127-1157.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup>FONSECA, Ana M&oacute;nica &ndash; <i>&laquo;&Eacute; Preciso Regar os Cravos!&raquo;</i>.</p>     <p><Sup><a name="39"></a><a href="#top39">39</a></Sup>GASPAR, Carlos &ndash; &laquo;The international dimensions of the Portuguese transition&raquo;. <i>In</i> Konstantinos G. Karamanlis Foundation &ndash; <i>The Transition to Democracy in Spain, Portugal and Greece. Thirty Years After</i>. Atenas: Konstantinos G. Karamanlis Foundation, 2005, pp. 121-142.</p>     <p><Sup><a name="40"></a><a href="#top40">40</a></Sup>Para an&aacute;lises acerca do acompanhamento da evolu&ccedil;&atilde;o portuguesa pelos Estados Unidos ver o trabalho de S&Aacute;, Tiago Moreira de &ndash; <i>Os Estados Unidos da Am&eacute;rica e a Democracia Portuguesa (1974-1976)</i>. Lisboa: MNE &ndash; Instituto Diplom&aacute;tico, 2009; para o caso do Brasil, cf. CARVALHO, Thiago &ndash; <i>Do Lirismo ao Pragmatismo. A Dimens&atilde;o Multilateral das Rela&ccedil;&otilde;es Luso--Brasileiras (1974-1976)</i>. Lisboa: MNE &ndash; Instituto Diplom&aacute;tico, 2009.</p>     <p><Sup><a name="41"></a><a href="#top41">41</a></Sup>REZOLA, Maria In&aacute;cia &ndash; <i>25 de Abril: Mitos de Uma Revolu&ccedil;&atilde;o</i>, pp. 288-291.</p>     <p><Sup><a name="42"></a><a href="#top42">42</a></Sup>MIRANDA, Jorge &ndash; &laquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976 no &acirc;mbito do constitucionalismo portugu&ecirc;s&raquo;, p. 631.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="43"></a><a href="#top43">43</a></Sup>FERREIRA, Jos&eacute; Medeiros &ndash; <i>Portugal em Transe</i>, pp. 218-219; MIRANDA, Jorge &ndash; &laquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1976 no &acirc;mbito do constitucionalismo portugu&ecirc;s&raquo;, pp. 631-632.</p>     <p><Sup><a name="44"></a><a href="#top44">44</a></Sup>Telegrama 103 da Embaixada de Portugal em Bona. 5 de abril de 1976. AHDMNE, Telegramas Recebidos da Embaixada de Portugal em Bona, 1976.</p>     <p><Sup><a name="45"></a><a href="#top45">45</a></Sup><i>Frankfurter Allgemeine</i>, 5 de abril de 1976, p. 8.</p>     <p><Sup><a name="46"></a><a href="#top46">46</a></Sup>Telegrama 187 da Embaixada da RFA em Lisboa. 3 de abril de 1976. PAAA, b26, 110246.</p>     <p><Sup><a name="47"></a><a href="#top47">47</a></Sup>Dados citados por TELO, Ant&oacute;nio Jos&eacute; &ndash; <i>Hist&oacute;ria Contempor&acirc;nea de Portugal. Do 25 de Abril &agrave; Atualidade</i>. Lisboa: Editorial Presen&ccedil;a, 2007, p. 183.</p>     <p><Sup><a name="48"></a><a href="#top48">48</a></Sup>Telegrama do <i>Ausw&auml;rtiges Amt</i> para a Embaixada da Alemanha Federal em Lisboa. 28 de abril de 1976. PAAA, b26, 110246.</p>      ]]></body>
<back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[AMARAL]]></surname>
<given-names><![CDATA[Diogo Freitas do]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O Antigo Regime e a Revolução. Memórias Políticas (1946-1975)]]></source>
<year>1996</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Bertrand Editores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CARVALHO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Thiago]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Do Lirismo ao Pragmatismo. A Dimensão Multilateral das Relações Luso-Brasileiras (1974-1976)]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[MNE - Instituto Diplomático]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CASTRO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Francisco]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A CEE e o PREC]]></article-title>
<source><![CDATA[Penélope]]></source>
<year>2002</year>
<numero>26</numero>
<issue>26</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[CEREZALES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Diego Palacios]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um caso de violência política: o &#8220;Verão Quente&#8221; de 1975]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Social]]></source>
<year>2003</year>
<volume>xxxvii</volume>
<numero>165</numero>
<issue>165</issue>
<page-range>1127-1157</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[COELHO]]></surname>
<given-names><![CDATA[Mário Batista]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Portugal, Sistema Político e Constitucional. 1974-1987]]></source>
<year>1989</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Sociais]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FERREIRA]]></surname>
<given-names><![CDATA[José Medeiros]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Portugal em Transe]]></source>
<year>2003</year>
<volume>VII</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Círculo de Leitores]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FONSECA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Mónica]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O apoio da social-democracia alemã à democratização portuguesa (1974-1975)]]></article-title>
<source><![CDATA[Ler História]]></source>
<year>2012</year>
<numero>63</numero>
<issue>63</issue>
<page-range>93-107</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[FRAIN]]></surname>
<given-names><![CDATA[Marietherese]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O ppd/psd na Consolidação do Regime Democrático]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Notícias]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GASPAR]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O processo constitucional e a estabilidade do regime]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Social]]></source>
<year>1990</year>
<volume>xxv</volume>
<numero>105-106</numero>
<issue>105-106</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[GASPAR]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The international dimensions of the Portuguese transition]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Konstantinos]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<collab>Karamanlis Foundation</collab>
<source><![CDATA[The Transition to Democracy in Spain, Portugal and Greece. Thirty Years After]]></source>
<year>2005</year>
<publisher-loc><![CDATA[Atenas ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Konstantinos G. Karamanlis Foundation]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[MATEUS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Dalila Cabrita]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A pide/dgs na Guerra Colonial. 1961-1974]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Terra-mar]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Mühlen]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrick von zur]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Die internationale Arbeit der Friedrich-Ebert-Stiftung. Von den Anfängen bis zum Ende des Ost-West- Konflikts]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Bona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Dietz Verlag]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[REZOLA]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Inácia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[25 de Abril: Mitos de Uma Revolução]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Esfera dos Livros]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RODRIGUES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luís Nuno]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Marechal Costa Gomes. No Centro da Tempestade]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Esfera dos Livros]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[RODRIGUES]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luís Nuno]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Spínola]]></source>
<year>2010</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Esfera dos Livros]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[ROSAS]]></surname>
<given-names><![CDATA[Fernando]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Portugal e a Transição para a Democracia (1974-1976)]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições Colibri]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SÁ]]></surname>
<given-names><![CDATA[Tiago Moreira de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Os Estados Unidos da América e a Democracia Portuguesa (1974-1976)]]></source>
<year>2009</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[MNE - Instituto Diplomático]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[SABLOSKY]]></surname>
<given-names><![CDATA[Juliet]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A actividade partidária transnacional e as relações de Portugal com a Comunidade Europeia]]></article-title>
<source><![CDATA[Análise Social]]></source>
<year>1996</year>
<volume>xxxi</volume>
<numero>138</numero>
<issue>138</issue>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[TELO]]></surname>
<given-names><![CDATA[António José]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[História Contemporânea de Portugal. Do 25 de Abril à Atualidade]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editorial Presença]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
