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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Podemos e Ciudadanos: o fim do bipartidarismo em Espanha?]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper seeks to analise the Spanish party system that was has been established and consolidated in the current democratic period, as well as to shed some light on the reasons behind the foreseeable good outcomes of Podemos and Ciudadanos in the coming legislative elections. Methodologically, the analysis relies on the combination of historical elements with electoral data and recently published polls that may be read as clues to a possible electoral tendency]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>SISTEMAS POLÍTICO-PARTIDÁRIOS: OS CASOS ITALIANO E ESPANHOL</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B><i>Podemos</i></B><B> e <i>Ciudadanos</i> </B><B>o fim do bipartidarismo em Espanha?<a href="#0">*</a><a name="top0"></a></B></p>     <p><B><i>Podemos</i></B><B> and <i>Ciudadanos</i>: the end of the bipartidarism in Spain?</B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Filipe Vasconcelos Rom&atilde;o </B></p>     <p>Professor do Departamento de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais da Universidade Aut&oacute;noma de Lisboa e professor convidado do ISCTE-Instituto Universit&aacute;rio de Lisboa. Investigador integrado do OBSERVARE e investigador associado do Centro de Estudos Internacionais (CEI-ISCTE). Doutorado em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela Universidade de Coimbra.</p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p><B>RESUMO</B></p>     <p>Este artigo procura analisar o sistema de partidos espanhol que se estabeleceu e consolidou no actual per&iacute;odo democr&aacute;tico e lan&ccedil;ar algumas pistas acerca das raz&otilde;es que poder&atilde;o estar na origem dos eventuais bons resultados do Podemos e do Ciudadanos nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es legislativas. Em termos metodol&oacute;gicos, a an&aacute;lise assenta na conjuga&ccedil;&atilde;o de elementos hist&oacute;ricos com dados eleitorais e sondagens publicadas recentemente que poder&atilde;o constituir ind&iacute;cios de uma eventual tend&ecirc;ncia eleitoral.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Palavras-chave:</B> Espanha, sistema de partidos, Podemos, Ciudadanos.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>ABSTRACT</B></p>     <p>This AP seeks to analise the Spanish party system that was has been established and consolidated in the current democratic period, as well as to shed some light on the reasons behind the foreseeable good outcomes of Podemos and Ciudadanos in the coming legislative elections. Methodologically, the analysis relies on the combination of historical elements with electoral data and recently published polls that may be read as clues to a possible electoral tendency</p>     <p><B>Keywords</B>: Spain, party system, <i>Podemos</i>, <i>Ciudadanos</i></p>     <p><b>&nbsp;</b></p>     <p>Em v&aacute;rios pa&iacute;ses da Europa t&ecirc;m emergido movimentos pol&iacute;ticos que pretendem regenerar a vida p&uacute;blica e p&ocirc;r em causa o predom&iacute;nio dos partidos ditos tradicionais. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel afirmar que estes novos actores tenham muito em comum para al&eacute;m da boa receptividade que est&atilde;o a ter nos respectivos eleitorados e da surpresa que est&atilde;o a provocar entre pol&iacute;ticos e jornalistas. O discurso ideol&oacute;gico marca alguns, como no caso da Front National (FN) francesa (extrema-direita) ou do Syriza grego (esquerda radical), enquanto o pragmatismo &eacute; t&oacute;nica dominante em casos como o do Ciudadanos espanhol. Alguns partidos s&atilde;o fen&oacute;menos muito recentes e, por isso, surpreendentes, como o Podemos (Espanha), enquanto outros, como a FN, est&atilde;o h&aacute; d&eacute;cadas no terreno e encontram no actual clima de descontentamento social uma oportunidade para chegar ao poder.</p>     <p>A ascens&atilde;o de novos partidos pol&iacute;ticos na Europa n&atilde;o pode, pois, ser desligada da crise econ&oacute;mica e financeira que tem marcado o continente. Neste contexto, Espanha &eacute; incontorn&aacute;vel ao ser um dos pa&iacute;ses mais afectados pela quebra de popularidade dos partidos tradicionais. Os espanh&oacute;is t&ecirc;m a segunda taxa de desemprego mais alta da Uni&atilde;o Europeia, tendo sentido de forma particularmente violenta os problemas dos &uacute;ltimos anos. N&atilde;o ser&aacute;, pois, de estranhar que todo o sistema partid&aacute;rio esteja a ser posto em causa n&atilde;o pela emerg&ecirc;ncia de um mas sim de dois partidos que poder&atilde;o atrair o eleitorado de esquerda e de direita mais desiludido.</p>     <p>Este artigo procura analisar o sistema de partidos espanhol que se estabeleceu e consolidou no actual per&iacute;odo democr&aacute;tico e lan&ccedil;ar algumas pistas acerca das raz&otilde;es que poder&atilde;o estar na origem dos eventuais bons resultados do Podemos e do Ciudadanos nas pr&oacute;ximas elei&ccedil;&otilde;es legislativas. Em termos metodol&oacute;gicos, a an&aacute;lise assenta na conjuga&ccedil;&atilde;o de elementos hist&oacute;ricos com dados eleitorais e sondagens publicadas recentemente que poder&atilde;o constituir ind&iacute;cios de uma eventual tend&ecirc;ncia eleitoral.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>A TRANSI&Ccedil;&Atilde;O PARA A DEMOCRACIA</b></p>     <p>A morte do ditador Francisco Franco, em 1975, desencadeia um processo de transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica atrav&eacute;s do qual Espanha evoluiu para uma democracia pluralista de tipo ocidental. Ao contr&aacute;rio do que acontecera em Portugal, um ano antes, com o golpe militar de 25 de Abril de 1974 a constituir a ruptura que p&ocirc;s fim ao regime institu&iacute;do por Oliveira Salazar e continuado por Marcello Caetano, as For&ccedil;as Armadas espanholas eram claramente resistentes &agrave; mudan&ccedil;a<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>. Coube, assim, a alguns quadros pol&iacute;ticos da ditadura impulsionar a transforma&ccedil;&atilde;o, num pa&iacute;s onde a mem&oacute;ria de uma violenta guerra civil ainda estava bem presente. A lideran&ccedil;a deste processo ficou a cargo de Adolfo Su&aacute;rez, um quadro pol&iacute;tico da &uacute;ltima etapa do franquismo, a quem o rei Juan Carlos I (designado sucessor pelo pr&oacute;prio Franco) nomeou presidente do Governo em 1976<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>.</p>     <p>A prud&ecirc;ncia legal &eacute; a t&oacute;nica dominante na transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica espanhola, que pretende evitar qualquer ruptura formal pass&iacute;vel de gerar reac&ccedil;&otilde;es violentas: o processo inicia-se nas Cortes franquistas, com a aprova&ccedil;&atilde;o de um projecto que, depois de referendado, a 15 de Dezembro de 1976, passar&aacute; a Ley 1/1977, de reforma pol&iacute;tica<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Por&eacute;m, a determina&ccedil;&atilde;o com que a mudan&ccedil;a de regime &eacute; levada a cabo fica patente na pr&oacute;pria celeridade do processo. As primeiras elei&ccedil;&otilde;es legislativas pluripartid&aacute;rias desde o final da Segunda Rep&uacute;blica celebram-se logo a 15 de Junho de 1977 e s&atilde;o precedidas de uma decis&atilde;o arriscada de Su&aacute;rez: a legaliza&ccedil;&atilde;o do Partido Comunista de Espa&ntilde;a (PCE), formalizada a 7 de Abril, um S&aacute;bado de Aleluia. O presidente do Governo de Espanha entendia que as elei&ccedil;&otilde;es n&atilde;o teriam verdadeira legitimidade democr&aacute;tica se n&atilde;o fosse permitida a participa&ccedil;&atilde;o de um partido hist&oacute;rico que tinha tipo grande protagonismo durante os per&iacute;odos da Segunda Rep&uacute;blica e da Guerra Civil. O regresso dos comunistas &agrave; vida pol&iacute;tica activa suscitava grandes d&uacute;vidas e resist&ecirc;ncias entre os sectores mais conservadores, havendo fundados receios entre os moderados de que despoletasse um golpe militar capaz de anular todo o processo democr&aacute;tico<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     <p>O medo revelou-se (pelo menos num primeiro momento) infundado e o PCE concorreu &agrave;s legislativas, ganhando uma bancada parlamentar que lhe permitiu participar na redac&ccedil;&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o da nova Constitui&ccedil;&atilde;o. Ao contr&aacute;rio do que os pr&oacute;prios comunistas esperariam, e &agrave; semelhan&ccedil;a do que acontecera ao Partido Comunista Portugu&ecirc;s nas elei&ccedil;&otilde;es de 1975 para a Assembleia Constituinte, o PCE n&atilde;o se transformou no partido dominante da esquerda espanhola. As elei&ccedil;&otilde;es de 1977 permitiram a clarifica&ccedil;&atilde;o num pa&iacute;s em que havia grandes d&uacute;vidas sobre a configura&ccedil;&atilde;o do parlamento que seria eleito quatro d&eacute;cadas depois da &uacute;ltima ida &agrave;s urnas em liberdade.</p>     <p>As primeiras legislativas confirmaram a robustez de duas for&ccedil;as: a coliga&ccedil;&atilde;o de centro-direita Uni&oacute;n de Centro Democr&aacute;tico (UCD), uma forma&ccedil;&atilde;o heterog&eacute;nea que comportava desde liberais a social-democratas, passando por democrata-crist&atilde;os e conservadores; e o PSOE, que emergiu como grande partido da esquerda moderada<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. A UCD obt&eacute;m 34,44 por cento dos votos e 165 deputados (sobre um total de 350) e o PSOE alcan&ccedil;a os 29,32 por cento e 118 deputados<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. As duas principais forma&ccedil;&otilde;es, em conjunto, representam mais de 80 por cento dos deputados eleitos, o que confere um quadro claramente bipolarizado ao novo parlamento espanhol.</p>     <p>Nas elei&ccedil;&otilde;es de 1979, as primeiras legislativas celebradas no &acirc;mbito da nova Constitui&ccedil;&atilde;o (aprovada em referendo em 1978), confirma-se o protagonismo da UCD e do PSOE. Os resultados dos dois maiores partidos s&atilde;o muito semelhantes ao das elei&ccedil;&otilde;es pr&eacute;-constitucionais: os centristas revalidam a maioria relativa com 34,84 por cento e 168 deputados; e os socialistas chegam aos 30,4 por cento e 121 deputados<sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>. No entanto, a popularidade de Su&aacute;rez j&aacute; est&aacute; em queda e a UCD, que passara de coliga&ccedil;&atilde;o a partido pol&iacute;tico pouco tempo depois das elei&ccedil;&otilde;es de 1977, est&aacute; em desagrega&ccedil;&atilde;o acelerada. O presidente do Governo, politicamente pressionado pela crise econ&oacute;mica e social e pela viol&ecirc;ncia pol&iacute;tica praticada pela extrema-esquerda e pela extrema-direita, acaba por apresentar a demiss&atilde;o a Juan Carlos I<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a><sup>. </sup></p>     <p>A sess&atilde;o parlamentar destinada a eleger o sucessor de Su&aacute;rez na lideran&ccedil;a do Governo acaba por sintetizar a enorme complexidade da transi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica espanhola: a 23 de Fevereiro de 1981, enquanto era votado o nome de Leopoldo Calvo Sotelo, um grupo de membros da Guardia Civil toma de assalto o parlamento e faz ref&eacute;ns os deputados. O sequestro dura toda a noite e a cidade de Val&ecirc;ncia chega a ser tomada pelo Ex&eacute;rcito. A lealdade das chefias militares ao rei (mais do que &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o ou ao regime democr&aacute;tico) dita o fracasso de um golpe que exp&otilde;e de forma crua a pouca maturidade da democracia espanhola.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>CONSOLIDA&Ccedil;&Atilde;O DA DEMOCRACIA E DO MODELO BIPARTID&Aacute;RIO</b></p>     <p>As terceiras elei&ccedil;&otilde;es legislativas seriam determinantes para a consolida&ccedil;&atilde;o do novo regime e para uma aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; actual configura&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tico-partid&aacute;ria. As suas principais caracter&iacute;sticas, a n&iacute;vel nacional, foram:</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>     <blockquote>&bull; a altern&acirc;ncia no poder, com o PSOE a conquistar uma ampla maioria absoluta que o conduziu directamente para o governo;         <p></p>         <p>&bull; o fracasso eleitoral da UCD e posterior desagrega&ccedil;&atilde;o, num contexto p&oacute;s-Adolfo Su&aacute;rez;</p>         <p>&bull; a forte subida da conservadora Alianza Popular (AP), antecessora do actual Partido Popular (PP), que passa a ocupar o lugar da UCD como maior forma&ccedil;&atilde;o da oposi&ccedil;&atilde;o do centro-direita;</p>         <p>&nbsp;&bull; a queda acentuada do PCE;</p>         <p>&nbsp;&bull; a dificuldade de implanta&ccedil;&atilde;o do novo projecto pol&iacute;tico de Adolfo Su&aacute;rez, o Centro Democr&aacute;tico y Social (CDS).   </blockquote>     <p></p>     <p>Os socialistas chegam ao poder com uma ampla maioria: com uma participa&ccedil;&atilde;o acima dos 80 por cento do censo, obt&ecirc;m 48,11 por cento dos votos e 202 dos 350 deputados<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>. A atestar a tend&ecirc;ncia do eleitorado espanhol para o bipartidarismo est&aacute; ainda a substitui&ccedil;&atilde;o do maior partido do centro-direita: &agrave; forte eros&atilde;o da UCD (que obt&eacute;m 6,77 por cento dos votos e 11 deputados) corresponde uma subida clara da ap que, concorrendo coligada com o Partido Dem&oacute;crata Popular (PDP), passa dos 5,89 por cento e nove deputados (obtidos em 1979 sob a marca da Coalici&oacute;n Democr&aacute;tica) para os 26,36 por cento e 107 deputados<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a><sub>.</sub></p>     <p>&nbsp;O PSOE ir&aacute; permanecer no governo de Espanha at&eacute; Abril de 1996, renovando a maioria absoluta por duas vezes (1986 e 1989) e vencendo por maioria relativa uma vez (1993). Felipe Gonz&aacute;lez ser&aacute; a figura pol&iacute;tica dominante nesta etapa, assegurando a chefia do Governo durante quase catorze anos. Os executivos socialistas permitem uma normaliza&ccedil;&atilde;o interna do novo regime ao mesmo tempo que obt&ecirc;m reconhecimento externo com a ades&atilde;o &agrave; Comunidade Econ&oacute;mica Europeia e &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado Atl&acirc;ntico Norte. Em paralelo, os <i>populares </i>v&atilde;o procedendo &agrave;s adapta&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para constituir uma alternativa de poder efectiva num quadro plenamente democr&aacute;tico. Para isso, ter&atilde;o de romper com a imagem excessivamente conservadora e vinculada ao franquismo. Em Janeiro de 1989, a ap &eacute; refundada e nasce o Partido Popular<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>. Nos meses seguintes, a sua base &eacute; alargada com a integra&ccedil;&atilde;o de duas forma&ccedil;&otilde;es com as quais j&aacute; estivera coligado, o Partido Liberal (PL) e a Democracia Cristiana (DC), antigo PDP. O PP queria cortar com a imagem excessivamente conservadora da ap, o que o leva a suavizar o discurso ideol&oacute;gico. A face mais vis&iacute;vel desta estrat&eacute;gia &eacute; a substitui&ccedil;&atilde;o de Manuel Fraga Iribarne, fundador e ide&oacute;logo da ap e antigo ministro de Franco, por Jos&eacute; Mar&iacute;a Aznar, &agrave; altura presidente da comunidade de Castilla-Le&oacute;n, na lideran&ccedil;a do partido.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Aznar ser&aacute; derrotado por duas vezes em elei&ccedil;&otilde;es legislativas (1989 e 1993). O seu trabalho, nestes primeiros anos, passa sobretudo pela renova&ccedil;&atilde;o do discurso conservador e pela transforma&ccedil;&atilde;o do PP num partido de governo de centro-direita, no contexto de um sistema pol&iacute;tico bipolarizado. O conceito de &laquo;altern&acirc;ncia&raquo; integra o discurso <i>popular</i>, como fica patente numa afirma&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio Aznar constante do texto introdut&oacute;rio do programa eleitoral para as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 1996: &laquo;A altern&acirc;ncia &eacute; a garantia da estabilidade do pa&iacute;s, porque ao mesmo tempo que se substitui um governo, assegura-se a continuidade nacional, que recebe o impulso de uma nova pol&iacute;tica.&raquo;<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a></p>     <p>A humaniza&ccedil;&atilde;o da direita espanhola faz-se atrav&eacute;s de uma tentativa clara de apropria&ccedil;&atilde;o do legado da UCD. A primeira forma&ccedil;&atilde;o de Adolfo Su&aacute;rez tinha uma imagem mais centrista e moderada do que a da ap, pass&iacute;vel de atrair eleitorado indeciso. Jos&eacute; Mar&iacute;a Aznar, que na juventude assumira posi&ccedil;&otilde;es muito pr&oacute;ximas da extrema-direita e que tinha manifestado s&eacute;rias d&uacute;vidas acerca do projecto constitucional de 1978, reivindicava para o seu partido o &laquo;centro-reformista&raquo;<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>. Em 1996, o PP vence as elei&ccedil;&otilde;es legislativas com maioria relativa e chega ao governo de Espanha<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. Os primeiros quatro anos de poder ser&atilde;o marcados por um posicionamento centrista e pelo di&aacute;logo ditados pela necessidade de garantir o apoio parlamentar dos nacionalistas moderados bascos e catal&atilde;es e dos regionalistas can&aacute;rios.</p>     <p>Nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2000, o PP chega &agrave; maioria absoluta, o que produz uma inevit&aacute;vel mudan&ccedil;a de atitude evidenciada pelo fim do di&aacute;logo com outras for&ccedil;as pol&iacute;ticas. No segundo governo de Aznar, pela primeira vez, o PP poder&aacute; aplicar o seu programa sem ced&ecirc;ncias. O franquismo j&aacute; estava a uma dist&acirc;ncia temporal consider&aacute;vel e o crescimento econ&oacute;mico registado durante o primeiro Governo facilitava a empatia entre os cidad&atilde;os e uma direita que se podia voltar a afastar do centrismo<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>. Os grandes problemas com que se confronta Aznar t&ecirc;m, sobretudo, origem na frente externa, sendo a sua decis&atilde;o de apoiar acriticamente a invas&atilde;o norte-americana do Iraque, em 2003, apontada como uma das causas para a quebra de confian&ccedil;a entre o eleitorado e o seu Governo. A conjuga&ccedil;&atilde;o deste apoio com os atentados de 11 de Mar&ccedil;o de 2004 ser&atilde;o determinantes para desalojar os <i>populares </i>do poder.</p>     <p>A nova etapa socialista chega, assim, atrav&eacute;s de uma vit&oacute;ria inesperada nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 14 de Mar&ccedil;o de 2004. Estas realizam-se apenas tr&ecirc;s dias depois das ac&ccedil;&otilde;es de terroristas islamistas que provocaram 191 mortos e mais de dois mil feridos. A forma err&oacute;nea como o Governo do PP geriu a informa&ccedil;&atilde;o relativa &agrave; autoria dos atentados ter&aacute; influenciado os eleitores que deram a vit&oacute;ria aos socialistas de Jos&eacute; Luis Rodr&iacute;guez Zapatero. A generalidade dos estudos de opini&atilde;o publicados at&eacute; &agrave; data do atentado indicava que Mariano Rajoy, o sucessor indigitado por Jos&eacute; Mar&iacute;a Aznar, asseguraria a continuidade da direita no poder. O aumento da participa&ccedil;&atilde;o eleitoral, provavelmente fruto da persist&ecirc;ncia governamental em manter uma vers&atilde;o oficial que sustinha que a eta era a principal suspeita dos atentados, quando boa parte dos ind&iacute;cios apontava noutra direc&ccedil;&atilde;o, ter&aacute; alterado estas previs&otilde;es<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     <p>Rodr&iacute;guez Zapatero renova a maioria relativa em 2008 e o seu apogeu eleitoral &eacute; alcan&ccedil;ado em paralelo com o apogeu do bipartidarismo: o PSOE chega aos 43,87 por cento dos votos e aos 169 deputados nas mesmas elei&ccedil;&otilde;es em que o PP obt&eacute;m 39,94 por cento e 154 deputados. Tamb&eacute;m &eacute; de assinalar que o PSOE conta com 11 289 335 de votos e que o PP chega aos 10 278 010<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>. Foi a &uacute;nica vez, na hist&oacute;ria da democracia espanhola, que o partido mais votado superou os 11 milh&otilde;es de votos e que o segundo partido ultrapassou os dez milh&otilde;es. Nas legislativas desse ano, a Izquierda Unida (IU), coliga&ccedil;&atilde;o integrada pelo PCE, tem o pior resultado da hist&oacute;ria do comunismo espanhol no actual quadro democr&aacute;tico (3,77 por cento e dois deputados). A segunda etapa de governa&ccedil;&atilde;o socialista terminar&aacute;, em 2011, num contexto de forte crise econ&oacute;mica e social, com a maior derrota de sempre do PSOE (28,76 por cento e 110 deputados eleitos) e com a maior vit&oacute;ria de um PP que chega &agrave; maioria absoluta (44,63 por cento e 186 deputados).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>INFLU&Ecirc;NCIAS PARA O (OU DO) BIPARTIDARISMO ESPANHOL</b></p>     <p>Como ficou patente, ao longo de quase quarenta anos de democracia, o eleitorado espanhol consolidou um sistema bipartid&aacute;rio com um grande partido de centro-direita, o PP (depois da queda da UCD e da refunda&ccedil;&atilde;o da ap), e um grande partido de centro-esquerda, o PSOE. O dom&iacute;nio das duas maiores forma&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de Espanha em cada legislatura torna-se evidente quando observamos a percentagem de lugares que, em conjunto, t&ecirc;m ocupado no parlamento estatal. O momento em que o peso, em n&uacute;mero de deputados, das duas principais for&ccedil;as foi mais baixo (ver  <a href ="/img/revistas/ri/n45/n45a05g1.jpg">gr&aacute;fico 1</a>) registou-se na legislatura que teve in&iacute;cio em 1989, com uns expressivos 80,6 por cento do total. J&aacute; o valor mais elevado foi produto das elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 2008, quando os deputados do PSOE e do PP constitu&iacute;ram 92,3 por cento de todos os parlamentares eleitos.</p>     
<p>A tentativa para encontrar explica&ccedil;&otilde;es para o comportamento do eleitorado &eacute; um exerc&iacute;cio complexo e cuja exactid&atilde;o &eacute;, grande parte das vezes, imposs&iacute;vel de comprovar. Este texto n&atilde;o pretende fornecer uma resposta fechada acerca de quais poder&atilde;o ser as causas da tend&ecirc;ncia eleitoral dos espanh&oacute;is para ter, nos &uacute;ltimos trinta e oito anos, concentrado o seu voto em elei&ccedil;&otilde;es legislativas sobretudo em duas forma&ccedil;&otilde;es. Por&eacute;m, apresentar-se-&aacute; aqui uma proposta sobre alguns aspectos que t&ecirc;m coincidido com o bipartidarismo, mesmo que n&atilde;o seja l&iacute;quido afirmar que se trata de uma causa ou de uma consequ&ecirc;ncia do referido quadro.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>NACIONALISMOS CENTR&Iacute;FUGOS E REGIONALISMOS</B></p>     <p>A exist&ecirc;ncia de tr&ecirc;s regi&otilde;es de Espanha com identidades nacionais espec&iacute;ficas (Catalunha, Pa&iacute;s Basco e Galiza) foi determinante para a organiza&ccedil;&atilde;o territorial prevista na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1978. Poder&aacute; mesmo afirmar-se que a descentraliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e a institui&ccedil;&atilde;o de um Estado auton&oacute;mico esteve entre as principais prioridades do legislador constituinte espanhol e que caminhou lado a lado com a democratiza&ccedil;&atilde;o. O franquismo tinha procurado eliminar toda e qualquer manifesta&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica (e at&eacute; cultural) destas identidades, pelo que os nacionalismos basco, catal&atilde;o e galego foram perseguidos e impedidos de manter qualquer actividade. Ao chegar ao poder, Adolfo Su&aacute;rez, em coer&ecirc;ncia com o defendido acerca da legaliza&ccedil;&atilde;o do PCE, compreende que o novo regime s&oacute; ser&aacute; plenamente democr&aacute;tico se contar com a participa&ccedil;&atilde;o destes movimentos e se reconhecer a diversidade identit&aacute;ria. Rompendo com a tradi&ccedil;&atilde;o centralizadora do franquismo, Su&aacute;rez e os constituintes de 1978 ir&atilde;o recuperar uma parte do legado da Segunda Rep&uacute;blica e reconhecer um estatuto especial &agrave;s regi&otilde;es de Espanha que j&aacute; tivessem contado com algum tipo de materializa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Apesar de a Constitui&ccedil;&atilde;o reconhecer o direito &agrave; autonomia de qualquer parte do territ&oacute;rio, a sua segunda disposi&ccedil;&atilde;o transit&oacute;ria, sem referir abertamente o regime republicano, reconhece que &laquo;os territ&oacute;rios que no passado tenham plebiscitado afirmativamente projectos de Estatuto de autonomia&raquo; poder&atilde;o ter acesso imediato a mais compet&ecirc;ncias<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Os &uacute;nicos casos enquadr&aacute;veis nesta previs&atilde;o s&atilde;o os dos estatutos catal&atilde;o, plebiscitado e implementado antes do in&iacute;cio da Guerra Civil; basco, que s&oacute; come&ccedil;ou a ser levado &agrave; pr&aacute;tica depois do in&iacute;cio do conflito; e galego, que chega a ser plebiscitado, mas nunca entra em vigor. Adolfo Su&aacute;rez, ainda antes da aprova&ccedil;&atilde;o da nova Constitui&ccedil;&atilde;o, j&aacute; tinha demonstrado a sua defer&ecirc;ncia com os governos basco e catal&atilde;o no ex&iacute;lio e com as personalidades e partidos nacionalistas que os lideravam. Este aspecto &eacute; especialmente relevante no caso da Catalunha, com a Generalitat no ex&iacute;lio, chefiada pelo hist&oacute;rico republicano Josep Tarradellas, a ser legalmente reconhecida pelo presidente do Governo espanhol como base da pr&eacute;-autonomia atrav&eacute;s do Real Decreto-Ley 41/1977, de 29 de septiembre<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>. A este prop&oacute;sito, Francisco Jos&eacute; Ferraro Garc&iacute;a afirma que &laquo;com as pr&eacute;-autonomias, o papel dos partidos nacionalistas e regionalistas foi alcan&ccedil;ando prerrogativas de representa&ccedil;&atilde;o e de legitimidade muito acima da sua representatividade eleitoral&raquo;<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>.</p>     <p>A reforma pol&iacute;tica pr&eacute;-constitucional permite a recupera&ccedil;&atilde;o de velhos partidos nacionalistas e a funda&ccedil;&atilde;o de novas forma&ccedil;&otilde;es. Com a aprova&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o e com a entrada em vigor das novas autonomias, os nacionalismos ir&atilde;o obter uma base institucional fundamental para a recupera&ccedil;&atilde;o das respectivas identidades nacionais. A conjuga&ccedil;&atilde;o destes dois factores ditar&aacute; que em regi&otilde;es como a Catalunha e o Pa&iacute;s Basco se consolidem sistemas pol&iacute;tico-eleitorais &agrave; escala regional bastante distintos dos do resto de Espanha.</p>     <p>Os &uacute;ltimos anos, com a crise econ&oacute;mica e social a contribuir para desgastar os dois principais partidos nacionais, t&ecirc;m acentuado esta diferen&ccedil;a. Nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es para o parlamento auton&oacute;mico catal&atilde;o (135 deputados), em 2012, os nacionalistas de centro-direita da coliga&ccedil;&atilde;o Converg&egrave;ncia i Uni&oacute; obt&ecirc;m 30,7 por cento dos votos e 50 deputados e os independentistas da Esquerra Republicana de Catalunya 13,7 por cento e 21 deputados. As duas forma&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m dominado a pol&iacute;tica espanhola obtiveram resultados menos expressivos, com o Partit dels Socialistes de Catalunya (federado com o PSOE) a chegar aos 14,43 por cento dos votos e 30 deputados e o PP a n&atilde;o ultrapassar os 12,97 por cento e 19 deputados<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>. No caso do parlamento basco (75 deputados), em elei&ccedil;&otilde;es celebradas no mesmo ano, o moderado Partido Nacionalista Vasco (pnv) venceu com 34,61 por cento e 27 deputados e a EH-Bildu (coliga&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios partidos da esquerda independentista radical basca) ficou em segundo lugar com 25 por cento dos votos e 21 deputados. Os eleitores bascos relegaram o Partido Socialista de Euskadi (marca regional do PSOE) para terceiro lugar com 19,19 por cento e 16 deputados e o PP ficou pelos 11,75 por cento e dez deputados<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>AS DIFICULDADES DE UM TERCEIRO PARTIDO &Agrave; ESCALA NACIONAL</B></p>     <p>Em Espanha, o sistema eleitoral acabou por beneficiar os partidos nacionalistas perif&eacute;ricos, que foram ocupando uma posi&ccedil;&atilde;o de relativo destaque no Parlamento<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. O territ&oacute;rio espanhol est&aacute; dividido em 52 circunscri&ccedil;&otilde;es e a elei&ccedil;&atilde;o dos deputados &eacute; feita atrav&eacute;s de listas plurinominais fechadas. Al&eacute;m dos partidos com uma forte implanta&ccedil;&atilde;o em todo o Estado, este sistema beneficia as forma&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m os seus eleitores concentrados numa regi&atilde;o espec&iacute;fica. &Eacute; o caso dos nacionalismos centr&iacute;fugos, geralmente bem implantados nas respectivas comunidades aut&oacute;nomas. Desta forma, acabam por gerar-se distor&ccedil;&otilde;es na representa&ccedil;&atilde;o do eleitorado espanhol como um todo, o que tem dificultado o aparecimento de um terceiro partido.</p>     <p>A principal v&iacute;tima desta distor&ccedil;&atilde;o tem sido a Izquierda Unida. Observando o n&uacute;mero de votos e os deputados eleitos em elei&ccedil;&otilde;es legislativas, constata-se que o pior resultado de sempre da coliga&ccedil;&atilde;o integrada pelo PCE foi obtido em 2008, nas elei&ccedil;&otilde;es mais bipolarizadas da hist&oacute;ria do actual regime democr&aacute;tico. Nesse ano, a IU n&atilde;o supera os 3,77 por cento (969 946 votos) e elege dois deputados (um por Madrid e outro por Barcelona). Nas mesmas elei&ccedil;&otilde;es, a Esquerra Republicana de Catalunya com 1,16 por cento do total nacional (298 139 votos) elege tr&ecirc;s deputados e o Partido Nacionalista Vasco com 1,19 por cento (306 128 votos) consegue chegar aos seis deputados. Nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es legislativas (2011), a IU obt&eacute;m o seu melhor resultado desde 1996, com 6,92 por cento (1 686 040 votos) e 11 deputados eleitos. No entanto, a terceira forma&ccedil;&atilde;o com maior bancada parlamentar, a seguir ao PP e ao PSOE, foi a ciu, que n&atilde;o passou dos 4,17 por cento (1 015 691 votos) mas que chegou aos 16 deputados<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>.</p>     <p>N&atilde;o foi apenas &agrave; esquerda que se sentiram dificuldades de afirma&ccedil;&atilde;o de um terceiro partido &agrave; escala nacional espanhola. A pr&oacute;pria UCD, em 1982, registou uma queda muito acentuada em rela&ccedil;&atilde;o aos bons resultados de 1977 e de 1979. Como j&aacute; foi acima referido, o fim desta forma&ccedil;&atilde;o centrista foi ditado pelas divis&otilde;es internas e n&atilde;o deixa de ser digno de nota a celeridade com que foi substitu&iacute;da pela ap e como acabou por desaparecer ao longo da legislatura. Esta n&atilde;o foi, por&eacute;m, a &uacute;nica experi&ecirc;ncia centrista da hist&oacute;ria eleitoral recente. Adolfo Su&aacute;rez, depois da conturbada sa&iacute;da do Governo e da UCD, funda o Centro Democr&aacute;tico y Social (CDS), com o qual se apresenta &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es de 1982. A vida do CDS n&atilde;o ser&aacute; muito longa e confundir-se-&aacute; com os &uacute;ltimos anos de actividade pol&iacute;tica de Su&aacute;rez.</p>     <p>Nas suas primeiras legislativas, apesar da enorme notoriedade do antigo presidente do Governo, o CDS conquista apenas 2,87 por cento (604 309 votos) e dois deputados. Nas elei&ccedil;&otilde;es de 1986, os centrista t&ecirc;m o melhor resultado da sua breve hist&oacute;ria, com 9,22 por cento (1 861 912 votos) e 19 deputados. Tr&ecirc;s anos depois, em 1989, o partido desce para 7,89 por cento (1 617 716 votos) e 14 deputados<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. O ocaso do CDS chega com o resultado obtido nas elei&ccedil;&otilde;es aut&aacute;rquicas de 1991 e com a subsequente demiss&atilde;o de Adolfo Su&aacute;rez. Nas legislativas seguintes (1993), os centristas deixam de ter representa&ccedil;&atilde;o parlamentar, ao registar 1,76 por cento (414 740 votos). Com muito menos votos, 1,24 por cento (291 448 votos), o pnv elege cinco deputados e com precisamente metade dos votos, 0,88 por cento, correspondentes a 207 077 votos, a Coalici&oacute;n Canaria obt&eacute;m quatro deputados<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A experi&ecirc;ncia mais recente de tentativa de implanta&ccedil;&atilde;o de um partido posicionado ao centro do espectro pol&iacute;tico espanhol foi impulsionada por uma antiga militante socialista, Rosa D&iacute;ez. A ent&atilde;o deputada ao Parlamento Europeu entrou em ruptura com a gest&atilde;o de Rodr&iacute;guez Zapatero, sobretudo nas mat&eacute;rias respeitantes ao Pa&iacute;s Basco e &agrave; Catalunha. Desta forma, nasceu a Uni&oacute;n Progreso y Democracia (UPYD) em Setembro de 2007. O partido assumiu uma postura progressista em mat&eacute;rias sociais conjugada com uma intransig&ecirc;ncia clara acerca da unidade de Espanha e de cr&iacute;tica aos nacionalismos basco e catal&atilde;o<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>. A UPYD j&aacute; participou em duas elei&ccedil;&otilde;es legislativas (2008 e 2011) e em duas elei&ccedil;&otilde;es europeias (2009 e 2014) com resultados expressivos. Por&eacute;m, o sistema eleitoral n&atilde;o permitiu que &agrave; boa base eleitoral do partido correspondesse um n&uacute;mero de deputados consider&aacute;vel.</p>     <p>&nbsp;No caso da UPYD, a compara&ccedil;&atilde;o entre percentagem de votos e deputados eleitos em elei&ccedil;&otilde;es legislativas e europeias permite ver de forma clara as dificuldades que uma forma&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dia dimens&atilde;o e com o seu eleitorado distribu&iacute;do pelo territ&oacute;rio nacional poder&aacute; enfrentar em Espanha. Nas legislativas de 2008, o partido obt&eacute;m 1,19 por cento (306 079 votos) e consegue fazer eleger um deputado em 350 (D&iacute;ez foi eleita pelo c&iacute;rculo de Madrid). Nas elei&ccedil;&otilde;es europeias do ano seguinte, com 2,85 por cento (451 866 votos), &eacute; eleito um eurodeputado sobre um total de 54 eleitos. A compara&ccedil;&atilde;o entre as legislativas de 2011 e as europeias de 2014 aprofunda ainda mais esta ideia: com 4,7 por cento (1 143 225 votos), a UPYD consegue eleger cinco dos 350 deputados no Parlamento espanhol; enquanto com 6,51 por cento (1 022 232 votos) chega aos quatro deputados em 54<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>.</p>     <p>O facto de os deputados espanh&oacute;is ao Parlamento Europeu serem eleitos apenas atrav&eacute;s de um c&iacute;rculo nacional beneficia os partidos de dimens&atilde;o nacional, em detrimento dos partidos que concentram o seu apoio numa determinada regi&atilde;o, ao contr&aacute;rio do que ocorre nas elei&ccedil;&otilde;es para o Parlamento nacional.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>O FIM DA BIPOLARIZA&Ccedil;&Atilde;O NA POL&Iacute;TICA ESPANHOLA?</B></p>     <p>As elei&ccedil;&otilde;es europeias em que a UPYD obteve o seu melhor resultado, ironicamente, poder&atilde;o ter sido as que determinaram o limite da sua expans&atilde;o e que hipotecaram a possibilidade de capitalizar o descontentamento dos espanh&oacute;is com os dois maiores partidos. Em Maio de 2014, a grande novidade eleitoral n&atilde;o foi o milh&atilde;o de votos do partido de Rosa D&iacute;ez nem os dez por cento da Izquierda Unida, mas sim os 7,97 por cento (1 253 837 votos) e os cinco eurodeputados eleitos pelo Podemos, contra os progn&oacute;sticos da generalidade dos estudos de opini&atilde;o<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>.</p>     <p>O Podemos &eacute; fundado em Mar&ccedil;o de 2014 e tem entre os seus principais promotores alguns professores de Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica da Universidade Complutense de Madrid<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>. Em termos ideol&oacute;gicos, o Podemos adopta a linha do Movimiento 15-M, desenvolvido a partir de uma manifesta&ccedil;&atilde;o contra a austeridade celebrada a 15 de Mar&ccedil;o de 2011 em Madrid e que se celebrizou pelos vinte e oito dias de acampamento no centro da cidade. Mais do que pela proposta de alternativas, o discurso do Podemos assenta na cr&iacute;tica radical aos partidos e aos pol&iacute;ticos que t&ecirc;m ocupado o poder (que classifica como &laquo;a casta&raquo;) e &agrave;s pol&iacute;ticas de austeridade. Ao bom resultado obtido nas europeias seguiu-se um processo de consolida&ccedil;&atilde;o do partido e de conquista de espa&ccedil;o social e medi&aacute;tico. Poucos dias depois das elei&ccedil;&otilde;es, foi votada uma comiss&atilde;o que ficou respons&aacute;vel pela organiza&ccedil;&atilde;o da assembleia cidad&atilde; &laquo;<i>S&iacute; se </i>puede&raquo;. Esta realizou-se entre 15 de Setembro e 15 de Novembro e acaba por confirmar a lideran&ccedil;a de Pablo Iglesias e a sua proposta de modelo de partido e de linha ideol&oacute;gica<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>.</p>     <p>A consciencializa&ccedil;&atilde;o for&ccedil;ada acerca das consequ&ecirc;ncias da crise para o panorama pol&iacute;tico foi acompanhada, nos meses subsequentes &agrave;s europeias, pela subida do Podemos em todas as sondagens, &agrave; custa dos potenciais resultados dos partidos que j&aacute; se encontravam no terreno. O seguinte gr&aacute;fico, retirado da edi&ccedil;&atilde;o <i>online </i>do di&aacute;rio <i>El Pa&iacute;s</i>, sintetiza a progress&atilde;o dos v&aacute;rios partidos pol&iacute;ticos espanh&oacute;is no bar&oacute;metro eleitoral Metroscopia desde a primeira edi&ccedil;&atilde;o posterior &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es europeias.</p>     <p>Como fica patente neste estudo, o Podemos regista um crescimento assinal&aacute;vel no m&ecirc;s de Outubro, mantendo-se sempre acima dos 20 por cento a partir de Novembro. Lidera o bar&oacute;metro neste m&ecirc;s e conservar&aacute; esta posi&ccedil;&atilde;o, com excep&ccedil;&atilde;o do m&ecirc;s de Dezembro. Novembro, sempre de acordo com este estudo, tamb&eacute;m p&otilde;e fim ao bipartidarismo matizado que se registava em Espanha. A edi&ccedil;&atilde;o de Janeiro de 2015 incorpora outra novidade que espelha bem o momento complexo que a pol&iacute;tica espanhola vive: a emerg&ecirc;ncia do Ciudadanos.</p>     <p>Nas mesmas elei&ccedil;&otilde;es europeias que serviram de rampa de lan&ccedil;amento ao Podemos, o Ciudadanos, partido fundado em 2006 sob o signo da contesta&ccedil;&atilde;o ao nacionalismo catal&atilde;o, come&ccedil;a a adquirir dimens&atilde;o nacional, obtendo 3,16 por cento (497 146 votos) e elegendo dois eurodeputados. Este resultado ser&aacute; determinante para que os seus dirigentes comecem a alargar um projecto centrado na Catalunha a todo o Estado. Depois de uma tentativa de aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; UPYD, com quem partilha o discurso cr&iacute;tico em rela&ccedil;&atilde;o aos nacionalismos perif&eacute;ricos, o Ciudadanos acaba por optar por uma via pr&oacute;pria<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. Como se poder&aacute; confirmar pelo  <a href ="/img/revistas/ri/n45/n45a05g2.jpg">gr&aacute;fico 2</a><sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>, esta via tem surtido efeito e o partido, em Mar&ccedil;o, aproxima-se dos tr&ecirc;s primeiros partidos.</p>     
]]></body>
<body><![CDATA[<p>Todos os outros partidos, de acordo com o estudo em an&aacute;lise, acabaram por se ressentir com esta expans&atilde;o do Podemos e do Ciudadanos:</p>     <p>&bull; o PP parece caminhar para uma perda de metade do seu eleitorado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s &uacute;ltimas legislativas, quando chegou ao melhor resultado de sempre (44,6 por cento);</p>     <p>&bull; o PSOE n&atilde;o consegue capitalizar o descontentamento com o Governo dos <i>populares</i>, chegando a obter resultados abaixo dos 20 por cento na edi&ccedil;&atilde;o de Dezembro;</p>     <p>&bull; a IU que, historicamente, recolhia o voto de protesto dos eleitores de esquerda n&atilde;o consegue chegar aos sete por cento;</p>     <p>&bull; a UPYD v&ecirc; inviabilizado o seu projecto de se transformar num grande partido de charneira entre o PP e o PSOE e &eacute; ultrapassada pelo Ciudadanos na tentativa de alcan&ccedil;ar este objectivo.</p>     <p>O primeiro grande teste eleitoral no quadro desta nova realidade pol&iacute;tica foram as elei&ccedil;&otilde;es andaluzas, celebradas no dia 22 de Mar&ccedil;o. O voto dos andaluzes parece sinalizar que as mudan&ccedil;as em curso no panorama pol&iacute;tico espanhol se ir&atilde;o consolidar ao longo deste ano e repercutir-se nas institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. O PSOE, no poder na Andaluzia desde 1982, venceu as elei&ccedil;&otilde;es com 35,43 por cento (1 409 042 votos), mantendo os mesmos 47 deputados (sobre um total de 109) que tinha no Parlamento regional eleito em 2012. O PP, com 26,76 por cento (1 064 168 votos), s&oacute; conseguiu fazer eleger 33 deputados, menos 17 do que na legislatura anterior, e perdeu mais de meio milh&atilde;o de votos. Os grandes vencedores foram, assim, os partidos que ficaram em terceiro e quarto lugar: o Podemos, com 14,84 por cento (590 011 votos) e 15 deputados; e o Ciudadanos, com 9,28 por cento (368 988 votos) e nove deputados. A IU cai para 6,89 por cento (273 927 votos) e passa de 12 para cinco deputados<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>.</p>     <p>A Metroscopia, empresa respons&aacute;vel pelo bar&oacute;metro acima citado, levou a cabo um estudo sobre transfer&ecirc;ncia de voto nas elei&ccedil;&otilde;es andaluzas, comparando os resultados de 2012 com os de 2015. Segundo esta estimativa, os 590 mil votos do Podemos ter&atilde;o origem, sobretudo, na absten&ccedil;&atilde;o (185 mil), no PSOE (144 mil) e na IU (143 mil). Os 369 mil votos do Ciudadanos vir&atilde;o do PP (223 mil), da absten&ccedil;&atilde;o (42 mil) e do PSOE (29 mil)<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>     <p>Esta estimativa &eacute; importante, porque parece conferir uma fragmenta&ccedil;&atilde;o dos eleitorados de esquerda e de direita. S&atilde;o v&aacute;rios os ind&iacute;cios que levam a pensar que a cidadania espanhola come&ccedil;a a acusar um cansa&ccedil;o acentuado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s solu&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas de altern&acirc;ncia. O PSOE e um partido de centro-direita (UCD ou PP) t&ecirc;m mantido um duop&oacute;lio governativo desde a reinstitui&ccedil;&atilde;o da democracia. A corroborar este predom&iacute;nio est&aacute; a aus&ecirc;ncia de uma tradi&ccedil;&atilde;o de partilha de poder (coliga&ccedil;&otilde;es) no executivo central espanhol: as &uacute;nicas excep&ccedil;&otilde;es s&atilde;o os acordos de incid&ecirc;ncia parlamentar que conferiram uma base mais s&oacute;lida ao &uacute;ltimo Governo (minorit&aacute;rio) de Felipe Gonz&aacute;les (1993-1996) e ao primeiro Governo (minorit&aacute;rio) de Jos&eacute; Mar&iacute;a Aznar. Face ao exposto, e tendo em conta que, no &acirc;mbito da actual crise, PSOE e PP j&aacute; exerceram poder e j&aacute; aplicaram medidas de austeridade, n&atilde;o ser&aacute; de estranhar que os eleitores procurem uma terceira (ou at&eacute; uma quarta) via que conduza a uma supera&ccedil;&atilde;o da altern&acirc;ncia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>CONCLUS&Otilde;ES</B></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Espanha vive um processo de transforma&ccedil;&atilde;o eleitoral profundo. J&aacute; n&atilde;o s&atilde;o s&oacute; as sondagens a diz&ecirc;-lo, quando confirmam a queda de popularidade dos pol&iacute;ticos e partidos tradicionais ou quando projectam inten&ccedil;&otilde;es de voto. As elei&ccedil;&otilde;es andaluzas vieram confirmar o primeiro sinal transmitido pelas europeias de 2014.</p>     <p>A actual etapa democr&aacute;tica espanhola tem sido dominada por dois grandes partidos, um de centro-esquerda e outro de centro-direita. A principal altera&ccedil;&atilde;o a este protagonismo ter&aacute; sido a &laquo;substitui&ccedil;&atilde;o&raquo; da Uni&oacute;n de Centro Democr&aacute;tico pela Alianza Popular/Partido Popular como principal forma&ccedil;&atilde;o de centro-direita, na sequ&ecirc;ncia da desagrega&ccedil;&atilde;o dos centristas. Esta bipartidariza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica tamb&eacute;m se reflectiu no Governo, com a altern&acirc;ncia a funcionar, com tr&ecirc;s per&iacute;odos de governo de centro-direita e dois per&iacute;odos de governo socialista.</p>     <p>A afirma&ccedil;&atilde;o de um terceiro partido &agrave; escala nacional tamb&eacute;m tem sido particularmente dif&iacute;cil, em fun&ccedil;&atilde;o da conjuga&ccedil;&atilde;o da lei eleitoral com a exist&ecirc;ncia de partidos pol&iacute;ticos regionais. A Izquierda Unida, que integra o PCE, tem sido a forma&ccedil;&atilde;o mais persistente, com deputados eleitos em todas as legislaturas. O CDS, at&eacute; ao in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990, tamb&eacute;m parecia poder desempenhar a fun&ccedil;&atilde;o de terceiro partido, mas n&atilde;o resistiu a mais de tr&ecirc;s legislaturas.</p>     <p>Tendo em conta este legado, n&atilde;o deixa de ser surpreendente a emerg&ecirc;ncia de dois partidos pol&iacute;ticos com possibilidade de partilhar o protagonismo com socialistas e <i>populares</i>. Num primeiro momento, tudo parecia indicar que a alternativa aos partidos &laquo;tradicionais&raquo; afectaria sobretudo a esquerda, com o Podemos a capitalizar o descontentamento dos eleitorados socialista e comunista. Por&eacute;m, os bons resultados do Ciudadanos nas elei&ccedil;&otilde;es europeias e andaluzas e a sua clara ascens&atilde;o nas sondagens indicam que este poder&aacute; acabar por constituir ref&uacute;gio para o eleitorado de centro-direita insatisfeito com a governa&ccedil;&atilde;o do PP.</p>     <p>N&atilde;o ter&aacute; cabimento levar a cabo um exerc&iacute;cio de futurologia num texto desta natureza, mas h&aacute; dois cen&aacute;rios que come&ccedil;am a ganhar alguma for&ccedil;a face &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es legislativas de Novembro:</p>     <p>&bull; a fragmenta&ccedil;&atilde;o do centro-direita e do centro-esquerda nacionais que deixar&atilde;o de contar com um partido para passar a constituir um bloco de dois partidos (PP e Ciudadanos, por um lado, e PSOE e Podemos, por outro) &ndash; cen&aacute;rio menos prov&aacute;vel face &agrave; maior ruptura preconizada pelo Podemos e &agrave; sua aparente pouca apet&ecirc;ncia para pactos;</p>     <p>&bull; emerg&ecirc;ncia do Ciudadanos como partido charneira que tanto poder&aacute; governar com o PP como com o PSOE, realizando o projecto do CDS. O &uacute;nico que n&atilde;o parece oferecer grandes d&uacute;vidas &eacute; que, por ora, a bipartidariza&ccedil;&atilde;o est&aacute; &agrave; beira de terminar em Espanha.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de recep&ccedil;&atilde;o: 19 de Janeiro de 2015 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 15 de Mar&ccedil;o de 2015 </i></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>NOTAS</B></p>     <p><a href="#top0">*</a><a name="0"></a> A pedido do autor o texto n&atilde;o adopta as normas do Novo Acordo Ortogr&aacute;fico.</p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Ver Olmo, Pedro Oliver &ndash; &laquo;El nacionalismo del ej&eacute;rcito espa&ntilde;ol&raquo;. <i>In</i> Taibo, Carlos (ed.) &ndash; <i>Nacionalismo espa&ntilde;ol. Esencias, memoria e intituciones</i>. Madrid: Los Libros de la Catarata, 2007, p. 219.</p>     <p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Ver Abad, Jos&eacute; Garc&iacute;a &ndash; <i>Adolfo Su&aacute;rez. Una tragedia griega</i>. Madrid: La Esfera de los Libros, 2005, PP. 180-181.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> O referendo nacional &agrave; Ley para la Reforma Pol&iacute;tica &eacute; o primeiro acto eleitoral livre e democr&aacute;tico desde as elei&ccedil;&otilde;es legislativas de Fevereiro de 1936. Regista uma participa&ccedil;&atilde;o de 77,72 por cento do eleitorado, que distribui o seu voto da seguinte forma: &laquo;Sim&raquo;, 94,45 por cento dos votos v&aacute;lidos; e &laquo;N&atilde;o&raquo;, 2,57 por cento dos votos v&aacute;lidos. Ver Ministerio del Interior &ndash; Gobierno de Espa&ntilde;a, 2015.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Ver Mor&aacute;n, Gregorio &ndash; <i>Adolfo Su&aacute;rez. Ambici&oacute;n y destino</i>. Barcelona: Editorial Debate, 2009, PP. 141-144.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Depois de grande pol&eacute;mica, o PSOE renuncia formalmente &agrave; ideologia marxista num congresso extraordin&aacute;rio, celebrado em Setembro de 1979. No anterior congresso ordin&aacute;rio (Maio do mesmo ano), o secret&aacute;rio-geral Felipe Gonz&aacute;lez recusara apresentar-se como candidato &agrave; lideran&ccedil;a do partido, em virtude da aprova&ccedil;&atilde;o de uma mo&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica que reafirmava aquela linha ideol&oacute;gica (ver Butler, Fernando Ollero &ndash; &laquo;El congreso extraordinario del PSOE (septiembre de 1979)&raquo;. In <i>Revista del Departamento de Derecho Pol&iacute;tico</i>, 6, 1979).</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Ver Ministerio del Interior &ndash; Gobierno de Espa&ntilde;a, 2015.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> <i>Ibidem. </i></p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Ver Mor&aacute;n, Gregorio &ndash; <i>Adolfo Su&aacute;rez. Ambici&oacute;n y destino</i>, PP. 254-255.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> Ver Ministerio del Interior &ndash; Gobierno de Espa&ntilde;a, 2015.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> <i>Ibidem. </i></p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Ver Palma, Luisa &ndash; &laquo;Mancha entreg&oacute; ayer a Fraga el testigo de una ap que ho yes ya Partido Popular&raquo;. In <i>ABC</i>, 21 de Janeiro de 1989, p. 19.</p>     <p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> Tradu&ccedil;&atilde;o do autor. Ver Aznar, Jos&eacute; Mar&iacute;a &ndash; &laquo;Un cambio razonable y necesrio&raquo;. In <i>Con la nueva mayor&iacute;a: programa electoral</i>. Madrid: Partido Popular, 1996.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> Ver Casanova, Juli&aacute;n, e Andr&eacute;s, Carlos Gil <i>&ndash; Historia de Espa&ntilde;a en el siglo XX</i>. Barcelona: Editorial Ariel, 2009, p. 357.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> Nas elei&ccedil;&otilde;es legislativas de 1996, o Partido Popular obteve 38,79 por cento e 156 deputados sobre um total de 350. Ver Ministerio del Interior &ndash; Gobierno de Espa&ntilde;a, 2015.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Durante a legislatura 1996-2000, o Produto Interno Bruto (PIB) espanhol registou as seguintes taxas de crescimento: 1996, 2,4 por cento; 1997, 3,9 por cento; 1998, 4,5 por cento; 1999, 4,7 por cento; 2000, cinco por cento (Banco Mun-dial, 2012).</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Ver B&eacute;roud, Sophie &ndash; &laquo;Manipulations et mobilisations: l&rsquo;Espagne du 11 au 14 mars 2004&raquo;. In <i>Critique Internationale</i>, N.&ordm; 31, 2006, p. 53.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Ver Ministerio del Interior &ndash; Gobierno de Espa&ntilde;a, 2015.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Ver <i>Constituci&oacute;n Espa&ntilde;ola</i>, La Moncloa, 1978, p. 37.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> Ver Real Decreto-Ley 41/1977, de 29 de septiembre. In <i>Bolet&iacute;n Oficial del Estado</i>, 238/1977. Madrid, Consejo de Ministros.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Tradu&ccedil;&atilde;o do autor. Ver Garc&iacute;a, Francisco Jos&eacute; Ferraro &ndash; &laquo;El estado abierto del estado de las autonomias&raquo;. In Garc&iacute;a, Francisco Jos&eacute; Ferraro (ed.) &ndash; <i>Un balance del Estado de las Autonom&iacute;as</i>. Almer&iacute;a: Fundaci&oacute;n Cajamar, 2006, p. 14.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Ver Generalitat de Catalunya, 2015.</p>     <p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Ver Gobierno Vasco, 2015.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> Ver ace, 2012.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Ver Ministerio del Interior &ndash; Gobierno de Espa&ntilde;a, 2015.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup><i>Ibidem. </i></p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> <i>Ibidem. </i></p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Ver Altozano, Manuel &ndash; &laquo;El partido de D&iacute;ez y Savater pide la devoluci&oacute;n al Estado de las compet&ecirc;ncias de educaci&oacute;n&raquo;. In <i>El Pa&iacute;s</i>, 30 de Setembro de 2007.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Ver Ministerio del Interior &ndash; Gobierno de Espa&ntilde;a, 2015.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> <i>Ibidem. </i></p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Ver &laquo;Los 62 de Podemos&raquo;. In <i>El Pa&iacute;s Online</i>, 16 de Novembro de 2014.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Ver Manetto, Francesco &ndash; &laquo;Pablo Iglesias promote acabar con &ldquo;reg&iacute;men&rdquo; de la Transici&oacute;n&raquo;. In <i>El Pa&iacute;s Online</i>, 16 de Novembro de 2016.</p>     <p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Ver &laquo;Bar&oacute;metro electoral: abril 2015&raquo;. In <i>Metroscopia Blogs El Pa&iacute;s</i>, 13 de Abril de 2015.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Ver Sanz, Luis &Aacute;ngel &ndash; &laquo;El acuerdo UPYD-Ciutadans, al borde de la ruptura por desconfianza mutua&raquo;. In <i>El Mundo.es</i>, 20 de Novembro de 2014.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Ver Junta de Andalucia, 2015.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Ver &laquo;De donde vienen y a donde van los votos. Elecciones Andaluzas, 2015&raquo;. In <i>Metroscopia Blogs El Pa&iacute;s</i>, 6 de Abril de 2015.</p>      ]]></body>
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