<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1645-9199</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Relações Internacionais (R:I)]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Relações Internacionais]]></abbrev-journal-title>
<issn>1645-9199</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[IPRI-UNL]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1645-91992015000100003</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As dimensões interna e internacional da crise na Ucrânia]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Domestic and external dimensions of the Ukrainian crisis]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dias]]></surname>
<given-names><![CDATA[Vanda Amaro]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Coimbra  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Fundação de Ciência e Tecnologia  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>03</month>
<year>2015</year>
</pub-date>
<numero>45</numero>
<fpage>45</fpage>
<lpage>55</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1645-91992015000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1645-91992015000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1645-91992015000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[Em novembro de 2013, as ruas de Kiev foram palco de uma onda de manifestações que reclamavam uma maior aproximação da Ucrânia à União Europeia, bem como um compromisso real com reformas institucionais. Não obstante a clara conexão à situação interna do país, a crise da Ucrânia não pode ser dissociada do quadro geopolítico e de segurança em que Kiev se insere. Com o objetivo de lançar um olhar sobre a imbricada relação entre as dinâmicas endógenas e exógenas em jogo na crise da Ucrânia, este artigo começa por desconstruir a dimensão interna do conflito, para depois analisar como a dimensão externa contribuiu para o desenrolar dos eventos. O artigo termina com algumas reflexões finais sobre a crise ucraniana e as suas consequências para a paz e segurança europeia.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In November 2013, Kiev was the stage of a wave of demonstrations demanding Ukraine's association with the European Union, as well as a commitment with institutional reforms in the country. Despite the straight connection to Ukraine's internal situation, this crisis cannot be dissociated from the country's broader geopolitical and security framework. In that regard, and aiming at shedding light on the Ukrainian crisis exogenous and endogenous dynamics, this paper starts by deconstructing the conflict's internal dimension. It follows by analysing how its external dimension has contributed to the events' unfolding. The paper finishes with some final reflexions on the Ukrainian crisis and its overall consequences for European peace and security.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Ucrânia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Rússia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[União Europeia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[NATO]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Ukraine]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Russia]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[European Union]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[NATO]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>A GUERRA NA UCRÂNIA</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>As dimens&otilde;es interna e internacional da crise </B><B>na Ucr&acirc;nia</B></p>     <p><B>Domestic and external dimensions of the Ukrainian crisis</B></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>Vanda Amaro Dias </B></p>     <p>Aluna do Programa de Doutoramento em Pol&iacute;tica Internacional e Resolu&ccedil;&atilde;o de Conflitos da Universidade de Coimbra e bolseira da Funda&ccedil;&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia (SFRH/BD/72865/2010). Mestre em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais, especializa&ccedil;&atilde;o em Estudos Europeus, e licenciada em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica e Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>RESUMO</B></p>     <p>Em novembro de 2013, as ruas de Kiev foram palco de uma onda de manifesta&ccedil;&otilde;es que reclamavam uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o da Ucr&acirc;nia &agrave; Uni&atilde;o Europeia, bem como um compromisso real com reformas institucionais. N&atilde;o obstante a clara conex&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o interna do pa&iacute;s, a crise da Ucr&acirc;nia n&atilde;o pode ser dissociada do quadro geopol&iacute;tico e de seguran&ccedil;a em que Kiev se insere. Com o objetivo de lan&ccedil;ar um olhar sobre a imbricada rela&ccedil;&atilde;o entre as din&acirc;micas end&oacute;genas e ex&oacute;genas em jogo na crise da Ucr&acirc;nia, este artigo come&ccedil;a por desconstruir a dimens&atilde;o interna do conflito, para depois analisar como a dimens&atilde;o externa contribuiu para o desenrolar dos eventos. O artigo termina com algumas reflex&otilde;es finais sobre a crise ucraniana e as suas consequ&ecirc;ncias para a paz e seguran&ccedil;a europeia.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>Palavras-chave</B><i>: </i>Ucr&acirc;nia, R&uacute;ssia, Uni&atilde;o Europeia, NATO.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>ABSTRACT</B></p>     <p>In November 2013, Kiev was the stage of a wave of demonstrations demanding Ukraine&rsquo;s association with the European Union, as well as a commitment with institutional reforms in the country. Despite the straight connection to Ukraine&rsquo;s internal situation, this crisis cannot be dissociated from the country&rsquo;s broader geopolitical and security framework. In that regard, and aiming at shedding light on the Ukrainian crisis exogenous and endogenous dynamics, this paper starts by deconstructing the conflict&rsquo;s internal dimension. It follows by analysing how its external dimension has contributed to the events&rsquo; unfolding. The paper finishes with some final reflexions on the Ukrainian crisis and its overall consequences for European peace and security.</p>     <p><B>Keywords</B>: Ukraine, Russia, European Union, NATO.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Em novembro de 2013, as ruas de Kiev foram palco de uma onda de manifesta&ccedil;&otilde;es que reclamavam uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o da Ucr&acirc;nia &agrave; Uni&atilde;o Europeia (UE), bem como um compromisso real com reformas institucionais, nomeadamente o combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, ao abuso de poder, ao nepotismo, &agrave; desigualdade socioecon&oacute;mica e &agrave; viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos no pa&iacute;s.</p>     <p>O movimento &laquo;Euromaidan&raquo;, como ficou conhecido, parece ter sido despoletado pela decis&atilde;o das elites pol&iacute;ticas em Kiev adiarem a assinatura do Acordo de Associa&ccedil;&atilde;o com a UE, que coincidiu com a celebra&ccedil;&atilde;o de um generoso, ainda que pouco transparente, acordo econ&oacute;mico com a R&uacute;ssia<sup><a href="#1">1</a></sup><a name="top1"></a>.</p>     <p>Ap&oacute;s tr&ecirc;s meses de confrontos marcados por um escalar da viol&ecirc;ncia no terreno e uma gest&atilde;o pouco eficaz do conflito, a 21 de fevereiro de 2014, o ent&atilde;o Presidente Viktor Yanukovitch e os l&iacute;deres da oposi&ccedil;&atilde;o assinaram um acordo mediado pela UE, que visava colocar termo &agrave; crise pol&iacute;tica na Ucr&acirc;nia. Todavia, nos dias seguintes, Viktor Yanukovitch partia para o ex&iacute;lio e o Parlamento ucraniano votava a destitui&ccedil;&atilde;o dos seus poderes, ao mesmo tempo que elegia o governo interino que haveria de gerir o pa&iacute;s at&eacute; &agrave;s elei&ccedil;&otilde;es legislativas de maio de 2014.</p>     <p>Percecionando os eventos na sua vizinhan&ccedil;a pr&oacute;xima como um esquema ocidental para promover reformas em Kiev contr&aacute;rias aos interesses russos e promover a aproxima&ccedil;&atilde;o da Ucr&acirc;nia &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es euro-atl&acirc;nticas, Moscovo envolveu-se desde cedo nesta crise. O objetivo era reverter as din&acirc;micas em curso na Ucr&acirc;nia e assegurar a manuten&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s na sua esfera de influ&ecirc;ncia. O pol&iacute;tico e militar a movimentos separatistas no Leste e Sul da Ucr&acirc;nia e a anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia a 18 de mar&ccedil;o de 2014 constituem os pontos mais altos da estrat&eacute;gia russa na regi&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o obstante a clara conex&atilde;o &agrave; situa&ccedil;&atilde;o interna do pa&iacute;s, a crise da Ucr&acirc;nia n&atilde;o pode ser dissociada do quadro geopol&iacute;tico e de seguran&ccedil;a em que Kiev se insere. Este artigo visa explorar a complexidade inerente a este fen&oacute;meno. Como tal, e a fim de lan&ccedil;ar um olhar sobre a imbricada rela&ccedil;&atilde;o entre as din&acirc;micas end&oacute;genas e ex&oacute;genas em jogo nesta crise, o artigo come&ccedil;a por desconstruir a dimens&atilde;o interna do conflito, para depois analisar como a dimens&atilde;o externa contribuiu para o desenrolar dos eventos. O artigo termina com algumas reflex&otilde;es finais sobre a crise ucraniana e as suas consequ&ecirc;ncias para a paz e seguran&ccedil;a europeia.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>A DIMENS&Atilde;O INTERNA DA CRISE UCRANIANA</b></p>     <p>O final da Guerra Fria implicou consider&aacute;veis transforma&ccedil;&otilde;es geoestrat&eacute;gicas e geopol&iacute;ticas a n&iacute;vel regional e global. Desde logo, o desmembramento da Uni&atilde;o das Rep&uacute;blicas Socialistas Sovi&eacute;ticas (URSS) deu origem a uma s&eacute;rie de novas entidades pol&iacute;ticas. Neste contexto, a Ucr&acirc;nia emergia como um Estado independente, n&atilde;o obstante a sua significativa diversidade geogr&aacute;fica e social.</p>     <p>Desde ent&atilde;o, este pa&iacute;s de suma import&acirc;ncia estrat&eacute;gica no quadro geopol&iacute;tico e geoestrat&eacute;gico europeu alargado embarcou numa qu&aacute;drupla transi&ccedil;&atilde;o: pol&iacute;tica, econ&oacute;mica, institucional e identit&aacute;ria<sup><a href="#2">2</a></sup><a name="top2"></a>. No que concerne &agrave; pol&iacute;tica externa, Kiev tem oscilado entre uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o ora &agrave; UE, ora &agrave; R&uacute;ssia, consoante os seus interesses e perce&ccedil;&otilde;es nos diferentes momentos.</p>     <p>N&atilde;o obstante este processo de transi&ccedil;&atilde;o, o que se verificou na pr&aacute;tica foi que os l&iacute;deres pol&iacute;ticos ucranianos falharam na moderniza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e econ&oacute;mica do pa&iacute;s. A corrup&ccedil;&atilde;o e a desigualdade socioecon&oacute;mica escalaram para n&iacute;veis inaceit&aacute;veis e o fosso entre pr&oacute;-europeus e pr&oacute;-russos aumentou consideravelmente<sup><a href="#3">3</a></sup><a name="top3"></a>. Por outro lado, as liga&ccedil;&otilde;es pouco transparentes dos oligarcas ucranianos &agrave; R&uacute;ssia, sobretudo no setor energ&eacute;tico, agravaram os n&iacute;veis de depend&ecirc;ncia do pa&iacute;s, deixando-o vulner&aacute;vel a press&otilde;es pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas por parte de Moscovo<sup><a href="#4">4</a></sup><a name="top4"></a>.</p>     <p>A d&eacute;bil situa&ccedil;&atilde;o socioecon&oacute;mica, aliada &agrave;s flutuantes op&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica externa da Administra&ccedil;&atilde;o de Viktor Yanukovitch, que levaram &agrave; recusa em assinar o Acordo de Associa&ccedil;&atilde;o com a UE em prol de uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; R&uacute;ssia, abriu caminho para a mobiliza&ccedil;&atilde;o da sociedade civil ucraniana na pra&ccedil;a Maidan, em Kiev.</p>     <p>O movimento &laquo;Euromaidan&raquo; destaca-se pela sua heterogeneidade, bem como pela visibilidade que atribui &agrave; sociedade civil na escolha dos rumos pol&iacute;ticos da Ucr&acirc;nia. Este movimento juntou classes trabalhadoras, oligarcas e ativistas pol&iacute;ticos nos protestos contra o Governo. Ainda que este movimento tenha sido inicialmente associado a um sentimento nacionalista exacerbado, uma desconstru&ccedil;&atilde;o das din&acirc;micas e discursos que dele emanaram demonstra que, mais que um sentimento de &oacute;dio ou descrimina&ccedil;&atilde;o, o que uniu a sociedade civil ucraniana foi a vontade generalizada de encontrar um espa&ccedil;o onde a identidade ucraniana pudesse florescer de forma sustentada, independentemente dos interesses particulares das classes pol&iacute;ticas corruptas que t&ecirc;m governado o pa&iacute;s desde o fim da Guerra Fria<sup><a href="#5">5</a></sup><a name="top5"></a>. Neste sentido, a crise ucraniana assume-se como uma tentativa de construir uma identidade nacional e definir o rumo pol&iacute;tico, econ&oacute;mico e regional do pa&iacute;s<sup><a href="#6">6</a></sup><a name="top6"></a>. Por outro lado, este processo de matura&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia nacional e de reforma pol&iacute;tica institucional parece ser identificado com uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; UE. Apesar de as massas reunidas em Kiev demonstrarem um diminuto conhecimento das implica&ccedil;&otilde;es inerentes &agrave; assinatura do Acordo de Associa&ccedil;&atilde;o com a UE que esteve na origem dos protestos, estas parecem associar a integra&ccedil;&atilde;o europeia a democracia, primado do direito, direitos humanos e <i>boa governa&ccedil;&atilde;o</i><sup><a href="#7">7</a></sup><a name="top7"></a>.</p>     <p>Os protestos massivos por parte da sociedade civil ucraniana despoletaram uma forte e violenta resposta por parte das for&ccedil;as policiais ligadas ao regime de Viktor Yanukovitch. Seguiram-se tr&ecirc;s meses de confrontos entre os manifestantes e as for&ccedil;as policiais. O escalar dos n&iacute;veis de viol&ecirc;ncia no terreno e a gest&atilde;o pouco eficaz do conflito levaram o ent&atilde;o Presidente Viktor Yanukovitch e os l&iacute;deres da oposi&ccedil;&atilde;o a assinar um acordo mediado pela UE que visava colocar termo &agrave; crise pol&iacute;tica na Ucr&acirc;nia. Este acordo, assinado a 21 de fevereiro de 2014, previa a limita&ccedil;&atilde;o dos poderes presidenciais, a realiza&ccedil;&atilde;o de elei&ccedil;&otilde;es e a desmobiliza&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as da oposi&ccedil;&atilde;o ao Governo de Kiev. Todavia, nos dias seguintes, o Presidente em fun&ccedil;&otilde;es partia para o ex&iacute;lio e o Parlamento ucraniano votava a destitui&ccedil;&atilde;o dos seus poderes, ao mesmo tempo que elegia o governo interino que haveria de gerir o pa&iacute;s at&eacute; &agrave; realiza&ccedil;&atilde;o de novas elei&ccedil;&otilde;es legislativas.</p>     <p>Moscovo viu com desconfian&ccedil;a os eventos na sua vizinhan&ccedil;a pr&oacute;xima, que considerou serem parte de um esquema ocidental para promover reformas contr&aacute;rias aos interesses russos e promover a aproxima&ccedil;&atilde;o da Ucr&acirc;nia &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es euro-atl&acirc;nticas. Visando reverter as din&acirc;micas em curso na Ucr&acirc;nia e assegurar a manuten&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s na sua esfera de influ&ecirc;ncia, a R&uacute;ssia envolveu-se desde cedo nesta crise. Apesar de ter usado um vasto leque de instrumentos econ&oacute;micos e diplom&aacute;ticos para atingir os seus objetivos, o apoio pol&iacute;tico e militar a movimentos separatistas no Leste e Sul da Ucr&acirc;nia e a anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia a 18 de mar&ccedil;o de 2014 constituem os pontos mais significativos da sua estrat&eacute;gia na regi&atilde;o.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>N&atilde;o colocando fim &agrave; crise ucraniana, a anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia veio contribuir para um escalar dos n&iacute;veis de tens&atilde;o no Sul e Leste da Ucr&acirc;nia. &Agrave; medida que movimentos separatistas pr&oacute;-russos, apoiados por Moscovo, desencadeavam conflitos violentos, o novo Presidente em fun&ccedil;&otilde;es na Ucr&acirc;nia, Petro Poroshenko, come&ccedil;ou a armar uma nova &laquo;guarda nacional&raquo; para defender o pa&iacute;s de investidas de &laquo;grupos extremistas&raquo;<sup><a href="#8">8</a></sup><a name="top8"></a>. Para al&eacute;m disso, o novo Governo em Kiev comprometeu-se a encetar uma s&eacute;rie de reformas com vista a melhorar a situa&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s e minorar os n&iacute;veis de descontentamento da sua popula&ccedil;&atilde;o. No entanto, estas reformas s&atilde;o dif&iacute;ceis de implementar e requerem um esfor&ccedil;o para dar resposta aos m&uacute;ltiplos desafios pol&iacute;ticos e econ&oacute;micos que Kiev est&aacute; com dificuldades em gerir<sup><a href="#9">9</a></sup><a name="top9"></a>.</p>     <p>Simultaneamente, Moscovo reunia uma consider&aacute;vel for&ccedil;a militar na fronteira com a Ucr&acirc;nia e encetava esfor&ccedil;os para desestabilizar uma economia j&aacute; de si fragilizada<sup><a href="#10">10</a></sup><a name="top10"></a>. O conflito na regi&atilde;o de Donbas acabou por alterar ainda mais as caracter&iacute;sticas da crise ucraniana. Se at&eacute; ent&atilde;o os conflitos assumiam uma natureza h&iacute;brida, integrando simultaneamente for&ccedil;as volunt&aacute;rias e irregulares, com a eclos&atilde;o de conflitos nesta regi&atilde;o parece assistir-se &agrave; emerg&ecirc;ncia de uma guerra convencional <i>de facto </i>entre for&ccedil;as armadas regulares ucranianas e o ex&eacute;rcito russo. Ainda que Moscovo negue oficialmente a presen&ccedil;a de for&ccedil;as militares em solo ucraniano, informa&ccedil;&otilde;es recentes apontam para o facto de os rebeldes pr&oacute;-russos disporem de armamento que s&oacute; pode ser proveniente das For&ccedil;as Armadas russas. Para al&eacute;m disso, an&aacute;lises sobre o conflito indicam que os separatistas pr&oacute;-russos admitem o envolvimento das For&ccedil;as Armadas russas no conflito, tanto ao n&iacute;vel do fornecimento de armas como da disponibiliza&ccedil;&atilde;o de militares no terreno.</p>     <p>Ap&oacute;s algumas tentativas falhadas de chegar a um acordo pol&iacute;tico que estabelecesse o cessar-fogo nas zonas de conflito no Sul e Leste ucraniano<sup><a href="#11">11</a></sup><a name="top11"></a>, os l&iacute;deres da R&uacute;ssia, da Ucr&acirc;nia, da Alemanha e da Fran&ccedil;a conseguiram promover um acordo com os separatistas ucranianos, na cidade de Minsk, a 11 de fevereiro de 2015. O acordo de Minsk foi estabelecido na base do respeito pela integridade territorial e a soberania da Ucr&acirc;nia e previa um cessar-fogo a partir de 15 de fevereiro, a retirada de artilharia pesada, a cria&ccedil;&atilde;o de uma zona de seguran&ccedil;a e a entrega do controlo total da fronteira &agrave; Ucr&acirc;nia at&eacute; ao final de 2015<sup><a href="#12">12</a></sup><a name="top12"></a>. Contudo, o sucesso desde acordo ficou desde logo comprometido por uma ofensiva lan&ccedil;ada pelos rebeldes pr&oacute;-russos imediatamente ap&oacute;s a assinatura do mesmo e por relatos que testemunham a entrada de equipamento pesado russo na Ucr&acirc;nia<sup><a href="#13">13</a></sup><a name="top13"></a>.</p>     <p>O envolvimento da comunidade internacional na gest&atilde;o do conflito tornou-se claro. Quer pelo peso que a Ucr&acirc;nia tem no xadrez pol&iacute;tico e de seguran&ccedil;a europeu alargado, quer pelo envolvimento direto ou indireto da R&uacute;ssia nestes eventos, a verdade &eacute; que a crise ucraniana extravasou os limites nacionais e assume-se hoje como um epis&oacute;dio incontorn&aacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es internacionais. A sec&ccedil;&atilde;o seguinte deste artigo visa analisar a dimens&atilde;o externa da crise ucraniana, a fim de lan&ccedil;ar um olhar mais esclarecido sobre as m&uacute;ltiplas din&acirc;micas em jogo neste cen&aacute;rio.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>A DIMENS&Atilde;O EXTERNA DA CRISE UCRANIANA: O PAPEL DA R&Uacute;SSIA, DA UE E DA NATO</B></p>     <p>Desde o in&iacute;cio da crise ucraniana, v&aacute;rios foram os atores internacionais que se envolveram nos eventos despoletados a partir das manifesta&ccedil;&otilde;es na pra&ccedil;a Maidan, em Kiev, em novembro de 2013, desde l&iacute;deres nacionais a organiza&ccedil;&otilde;es internacionais. A pr&oacute;pria origem do movimento &laquo;Euromaidan&raquo; n&atilde;o pode ser dissociada da dimens&atilde;o internacional, uma vez que um dos seus principais motores foi a oscila&ccedil;&atilde;o das elites em Kiev entre a ado&ccedil;&atilde;o de um rumo pr&oacute;-europeu ou pr&oacute;-russo para o pa&iacute;s. Ainda que a UE e a R&uacute;ssia sejam os atores envolvidos de maior relevo, muitos outros est&atilde;o atualmente associados &agrave; gest&atilde;o desta crise, nomeadamente os eua, a NATO, a OSCE e os l&iacute;deres nacionais de v&aacute;rios estados. Para efeitos do presente artigo, e dada a complexidade inerente &agrave; desconstru&ccedil;&atilde;o do contributo de cada um destes atores para o desenrolar dos eventos, optou-se por limitar a an&aacute;lise ao contributo de tr&ecirc;s atores centrais na eclos&atilde;o e desenvolvimento da crise ucraniana: a R&uacute;ssia, a UE e a NATO.</p>     <p>A R&uacute;ssia tem tido um papel incontorn&aacute;vel na crise ucraniana, encetando uma estrat&eacute;gia que visa proteger os interesses russos na regi&atilde;o e enfraquecer o poder e legitimidade do novo Governo de Kiev. An&aacute;lises sobre a tem&aacute;tica oferecem explica&ccedil;&otilde;es variadas sobre a atua&ccedil;&atilde;o de Moscovo. Entre estas contam-se a necessidade de Vladimir Putin refor&ccedil;ar a sua popularidade dom&eacute;stica; as ambi&ccedil;&otilde;es regionais russas que privilegiam a edifica&ccedil;&atilde;o de um bloco econ&oacute;mico euro-asi&aacute;tico, cujo sucesso depende em certa medida da participa&ccedil;&atilde;o ou pelo menos da lealdade da Ucr&acirc;nia; e a responsabilidade de proteger russos &eacute;tnicos no espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico<sup><a href="#14">14</a></sup><a name="top14"></a>. A par destas justifica&ccedil;&otilde;es para a interven&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, econ&oacute;mica e militar da R&uacute;ssia no espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico, &eacute; de real&ccedil;ar uma linha de an&aacute;lise que vislumbra a anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia e o apoio russo a movimentos separatistas como um movimento reativo, despoletado pelos acontecimentos de novembro de 2013, ou ainda como uma extens&atilde;o de um novo imperialismo russo, cujo objetivo &uacute;ltimo &eacute; a reunifica&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o que outrora pertencera &agrave; URSS. Nesta &uacute;ltima vis&atilde;o, a interven&ccedil;&atilde;o russa no conflito pode ainda ser interpretada como um aviso a todos os pa&iacute;ses do espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico que pensem em abandonar a &oacute;rbita de influ&ecirc;ncia russa em prol de uma maior aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es euro-atl&acirc;nticas<sup><a href="#15">15</a></sup><a name="top15"></a>.</p>     <p>Ainda que o papel da R&uacute;ssia na crise ucraniana possa ser visto como uma rea&ccedil;&atilde;o ao movimento &laquo;Euromaidan&raquo; e &agrave; amea&ccedil;a que o mesmo parece representar para os interesses russos no espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico, reduzir a an&aacute;lise a esta dimens&atilde;o acaba por negligenciar uma s&eacute;rie de fatores que enriquecem a compreens&atilde;o dos eventos na regi&atilde;o. Muito embora a interven&ccedil;&atilde;o russa nesta crise tenha sido projetada como um evento inesperado, uma an&aacute;lise contextual das rela&ccedil;&otilde;es de Moscovo com os pa&iacute;ses da sua vizinhan&ccedil;a demonstra que o Kremlin tem apostado na cria&ccedil;&atilde;o de condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis &agrave; sua interven&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico, com o intuito de salvaguardar os seus interesses pol&iacute;ticos e de seguran&ccedil;a. Neste sentido, o papel da R&uacute;ssia na crise ucraniana pode ser percecionado como um prolongamento da sua pol&iacute;tica externa tal como vem sendo desenvolvida desde os anos 2000.</p>     <p>Efetivamente, a R&uacute;ssia tem-se revelado assertiva nas suas op&ccedil;&otilde;es de pol&iacute;tica externa. Moscovo n&atilde;o est&aacute; interessada em ter nas suas fronteiras qualquer clima de instabilidade pol&iacute;tica ou econ&oacute;mica ou um refor&ccedil;o do poder de for&ccedil;as pol&iacute;ticas russ&oacute;fobas que pos-sam colocar em causa a sua seguran&ccedil;a nacional e regional. Para al&eacute;m disso, Moscovo quer evitar precedentes de remo&ccedil;&atilde;o de governos em fun&ccedil;&otilde;es, sobretudo em prol de elites pr&oacute;-europeias, de modo a n&atilde;o permitir um efeito de cont&aacute;gio na sua vizinhan&ccedil;a que tenha potencial para colocar em perigo a sua posi&ccedil;&atilde;o de supremacia nas din&acirc;micas de poder e seguran&ccedil;a no espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico<sup><a href="#16">16</a></sup><a name="top16"></a>.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Isto sucede porque Moscovo tende a percecionar a independ&ecirc;ncia e aproxima&ccedil;&atilde;o dos pa&iacute;ses da sua vizinhan&ccedil;a &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es euro-atl&acirc;nticas como uma amea&ccedil;a aos seus interesses regionais. Como tal, tem desenvolvido uma estrat&eacute;gia que passa pela utiliza&ccedil;&atilde;o de recursos econ&oacute;micos, pol&iacute;ticos e militares para assegurar que os mesmos se mantenham na sua esfera de influ&ecirc;ncia<sup><a href="#17">17</a></sup><a name="top17"></a>.</p>     <p>No seguimento desta l&oacute;gica, Moscovo foi perent&oacute;ria a declarar o Governo de transi&ccedil;&atilde;o na Ucr&acirc;nia, estabelecido no final de fevereiro de 2014, como ilegal e extremista<sup><a href="#18">18</a></sup><a name="top18"></a>. Da mesma forma, ao sentir os seus interesses amea&ccedil;ados, Moscovo n&atilde;o hesitou em usar as suas vantagens na pen&iacute;nsula da Crimeia e no Sul e Leste ucraniano para influenciar as decis&otilde;es pol&iacute;ticas de Kiev. O objetivo primordial foi n&atilde;o s&oacute; coagir os l&iacute;deres pol&iacute;ticos em Kiev a acomodar os interesses russos, mas tamb&eacute;m garantir o controlo de uma das mais importantes mais-valias para a R&uacute;ssia na Ucr&acirc;nia: o acesso ao mar Negro<sup><a href="#19">19</a></sup><a name="top19"></a>.</p>     <p>Em geral, e &agrave; semelhan&ccedil;a do que acontece um pouco por todos os conflitos &laquo;gelados&raquo; no espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico, a R&uacute;ssia tem pouco interesse em promover a resolu&ccedil;&atilde;o dos conflitos no Sul e Leste ucraniano, uma vez que tal implicaria a elimina&ccedil;&atilde;o de uma importante for&ccedil;a de influ&ecirc;ncia sobre as decis&otilde;es pol&iacute;ticas de Kiev<sup><a href="#20">20</a></sup><a name="top20"></a>. Do mesmo modo, ainda que a ideia de reconstru&ccedil;&atilde;o da Novorossiya esteja a ser difundida no discurso pol&iacute;tico e nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o social<sup><a href="#21">21</a></sup><a name="top21"></a>, parece pouco prov&aacute;vel que Moscovo almeje uma verdadeira emancipa&ccedil;&atilde;o dos territ&oacute;rios em conflito, j&aacute; que tamb&eacute;m isso diminuiria a sua capacidade de influenciar os rumos pol&iacute;ticos da Ucr&acirc;nia. Para al&eacute;m disso, a independ&ecirc;ncia destes territ&oacute;rios iria resultar na emerg&ecirc;ncia de uma s&eacute;rie de novas entidades pol&iacute;ticas no espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico, implicando esfor&ccedil;os adicionais para garantir a seguran&ccedil;a da sua vizinhan&ccedil;a e uma posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica em conformidade com os seus interesses regionais e globais. Nesse sentido, a pr&oacute;pria anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia pode ser encarada mais como um mecanismo de coer&ccedil;&atilde;o face &agrave; tomada de posse do Governo de transi&ccedil;&atilde;o em Kiev e &agrave; sua propens&atilde;o pr&oacute;-europeia, do que como um verdadeiro encorajamento ao separatismo na regi&atilde;o<sup><a href="#22">22</a></sup><a name="top22"></a>.</p>     <p>O envolvimento russo nos confrontos no Sul e Leste ucraniano parece ser incontest&aacute;vel. Ao contr&aacute;rio do que sucedeu na pra&ccedil;a Maidan, n&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncias claras que as manifesta&ccedil;&otilde;es e a ocupa&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios p&uacute;blicos nestas regi&otilde;es tenham tido origem na sociedade civil. Todavia, Moscovo tem demonstrado uma posi&ccedil;&atilde;o amb&iacute;gua face aos eventos na Ucr&acirc;nia. &Agrave; medida que as regi&otilde;es do Sul e Leste ucraniano demonstravam o seu desejo por uma maior autonomia em rela&ccedil;&atilde;o a Kiev, a R&uacute;ssia manifestava o seu respeito pelos resultados, mas evitava cautelosamente reconhecer estes territ&oacute;rios como aut&oacute;nomos ou independentes. Isto demonstra que o Kremlin n&atilde;o est&aacute; verdadeiramente interessado na desintegra&ccedil;&atilde;o da Ucr&acirc;nia, por um lado, e, por outro, que a sua ambiguidade no apoio aos separatistas est&aacute; a levar ao crescimento do fosso entre os mesmos e Moscovo<sup><a href="#23">23</a></sup><a name="top23"></a>. Apesar de v&aacute;rias an&aacute;lises real&ccedil;arem que os pr&oacute;prios movimentos separatistas na regi&atilde;o parecerem mais interessados em obter um maior grau de autonomia do que em promover uma integra&ccedil;&atilde;o na R&uacute;ssia<sup><a href="#24">24</a></sup><a name="top24"></a>, estes est&atilde;o conscientes da sua vulnerabilidade pol&iacute;tica e militar perante o Kremlin e veem com desconfian&ccedil;a esta ambiguidade. No geral, a atua&ccedil;&atilde;o russa na crise ucraniana representa uma manifesta&ccedil;&atilde;o de poder com o intuito de manter a Ucr&acirc;nia na sua esfera de influ&ecirc;ncia. N&atilde;o obstante, o novo Governo em Kiev tem resistido a estas din&acirc;micas de poder e atuado no sentido de garantir o que considera ser melhor para o futuro do pa&iacute;s. Nesta &oacute;tica, iniciou uma s&eacute;rie de reformas estruturais e assinou em junho de 2014, o Acordo de Associa&ccedil;&atilde;o com a UE, que continua a ser vista como um motor de estabilidade e prosperidade. Como resposta a esta situa&ccedil;&atilde;o, Moscovo tem refor&ccedil;ado o seu apoio &agrave;s for&ccedil;as separatistas, bem como as suas for&ccedil;as militares nas zonas fronteiri&ccedil;as, com o objetivo de acentuar a instabilidade no pa&iacute;s e, desta forma, condicionar as decis&otilde;es pol&iacute;ticas em Kiev<sup><a href="#25">25</a></sup><a name="top25"></a>. Todavia, se daqui parecem ter resultado algumas concess&otilde;es pol&iacute;ticas que passam pela reforma constitucional e a descentraliza&ccedil;&atilde;o do poder de tomada de decis&atilde;o em territ&oacute;rio ucraniano, os efeitos na agenda internacional de Kiev parecem ser limitados, uma vez que, oficialmente, esta continua a privilegiar a aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es euro-atl&acirc;nticas, em conformidade com as exig&ecirc;ncias da sociedade civil<sup><a href="#26">26</a></sup><a name="top26"></a>.</p>     <p>Perante o cen&aacute;rio de anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia e do apoio a movimentos separatistas em solo ucraniano, a comunidade internacional condenou publicamente a posi&ccedil;&atilde;o de Moscovo. Por&eacute;m, ainda que esta anexa&ccedil;&atilde;o seja ilegal do ponto de vista do direito internacional, e que os l&iacute;deres ocidentais tenham sido perent&oacute;rios na sua condena&ccedil;&atilde;o dos eventos, na pr&aacute;tica optou-se por uma aceita&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o <i>de facto </i>e pela concentra&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os na preven&ccedil;&atilde;o de novos desafios &agrave; estabilidade e soberania ucraniana e, por extens&atilde;o, a todos os pa&iacute;ses do espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico onde este cen&aacute;rio se pudesse repetir<sup><a href="#27">27</a></sup><a name="top27"></a>.</p>     <p>No quadro da UE, numa cimeira extraordin&aacute;ria do Conselho Europeu, em 30 de agosto de 2014, apelou-se &agrave; retirada de todas as for&ccedil;as militares russas em territ&oacute;rio ucraniano, ao mesmo tempo que os l&iacute;deres europeus se mostraram dispon&iacute;veis para tomar medidas adicionais para resolver o conflito. Neste sentido, a UE imp&ocirc;s uma s&eacute;rie de san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e entraves &agrave; emiss&atilde;o de vistos de oficiais russos e l&iacute;deres separatistas no Leste e Sul ucraniano. &Eacute; expect&aacute;vel que a UE continue a aplicar san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas com o intuito de dissuadir as suas investidas na Ucr&acirc;nia. Contudo, &eacute; incerto que os estados europeus consigam chegar a acordo noutras medidas a aplicar a Moscovo<sup><a href="#28">28</a></sup><a name="top28"></a>. Ainda que os pa&iacute;ses que estiveram outrora sob domina&ccedil;&atilde;o sovi&eacute;tica, como a Pol&oacute;nia ou a Litu&acirc;nia, reclamem uma estrat&eacute;gia mais dura, a Alemanha, a Fran&ccedil;a e a It&aacute;lia permanecem reticentes em agudizar as suas rela&ccedil;&otilde;es com a R&uacute;ssia, por temerem retalia&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e, sobretudo, econ&oacute;micas. Por outro lado, o Presidente Putin j&aacute; percebeu a hesita&ccedil;&atilde;o e relut&acirc;ncia europeia em avan&ccedil;ar com medidas mais duras e parece estar preparado para absorver o choque econ&oacute;mico imediato que possa advir das san&ccedil;&otilde;es impostas, pelo que estas correm o risco de se revelar ineficazes na resolu&ccedil;&atilde;o do conflito<sup><a href="#29">29</a></sup><a name="top29"></a>. De facto, as san&ccedil;&otilde;es aplicadas at&eacute; ao momento mostraram-se insuficientes quer para reverter a anexa&ccedil;&atilde;o da Crimeia, quer para atenuar a interven&ccedil;&atilde;o russa nos conflitos no Sul e Leste ucraniano<sup><a href="#30">30</a></sup><a name="top30"></a>.</p>     <p>Desta forma, apesar de as declara&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas irem no sentido de mostrar que a UE estava pronta para agir rapidamente, o que se tem verificado na pr&aacute;tica &eacute; uma letargia nos processos de tomada de decis&atilde;o e na sua capacidade para lidar com os eventos na sua vizinhan&ccedil;a. No geral, a UE tem feito <i>too little, too late </i>no que respeita &agrave; crise ucraniana. Isto representa uma derrota da sua pol&iacute;tica externa e de seguran&ccedil;a, n&atilde;o s&oacute; por n&atilde;o conseguir assegurar a paz em solo europeu, mas tamb&eacute;m por ter revelado o seu fracasso na transforma&ccedil;&atilde;o da sua vizinhan&ccedil;a numa zona de paz, estabilidade e prosperidade, baseada na aceita&ccedil;&atilde;o de normas e valores europeus. Neste sentido, a Pol&iacute;tica Europeia de Vizinhan&ccedil;a falhou no seu objetivo de transformar a vizinhan&ccedil;a europeia e permanece incapaz de fornecer instrumentos ou mecanismos que permitiam lidar com a crise ucraniana de forma sustentada e eficaz<sup><a href="#31">31</a></sup><a name="top31"></a>. Do mesmo modo, a crise ucraniana parece inaugurar uma nova fase das rela&ccedil;&otilde;es entre a UE e a R&uacute;ssia, uma fase que substitui din&acirc;micas de coopera&ccedil;&atilde;o por <i>nuances </i>de confronta&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica<sup><a href="#32">32</a></sup><a name="top32"></a>.</p>     <p>Por seu turno, o papel da NATO na crise ucraniana tem sido mais nominal que efetivo. Isto deve-se, em parte, ao peso que os interesses norte-americanos t&ecirc;m na defini&ccedil;&atilde;o da agenda da organiza&ccedil;&atilde;o. No contexto global, a Ucr&acirc;nia representa um interesse marginal para Washington e &eacute; improv&aacute;vel que a situa&ccedil;&atilde;o se reverta nos anos vindouros. Neste sentido, &eacute; in&oacute;cuo falar de uma estrat&eacute;gia norte-americana para a resolu&ccedil;&atilde;o do conflito ucraniano que v&aacute; para al&eacute;m da mera ret&oacute;rica pol&iacute;tica e da aplica&ccedil;&atilde;o de san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas<sup><a href="#33">33</a></sup><a name="top33"></a>. No seio da NATO, tal como sucede na UE, os estados-membros demonstram interesses contradit&oacute;rios no que toca a adotar medidas mais duras para penalizar a R&uacute;ssia pela sua interven&ccedil;&atilde;o na Ucr&acirc;nia. Por outro lado, o seu escopo de atua&ccedil;&atilde;o &eacute; limitado, no sentido em que a ofensiva russa cai fora do &acirc;mbito do artigo v. Assim, ainda que a interven&ccedil;&atilde;o russa tenha levado o secret&aacute;rio-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, a declarar a crise ucraniana como &laquo;a mais s&eacute;ria crise na Europa desde a queda do Muro de Berlim&raquo;, uma atua&ccedil;&atilde;o mais substancial por parte desta organiza&ccedil;&atilde;o parece ser pouco prov&aacute;vel a menos que isso coloque em risco direto algum dos seus estados-membros<sup><a href="#34">34</a></sup><a name="top34"></a>.</p>     <p>A multiplicidade de atores envolvidos demonstra que a crise ucraniana &eacute; muito mais que um evento nacional. Trata-se de um conjunto de din&acirc;micas que englobam a insatisfa&ccedil;&atilde;o da sociedade civil ucraniana, mas tamb&eacute;m uma luta entre a R&uacute;ssia e o Ocidente pela influ&ecirc;ncia sobre um territ&oacute;rio de import&acirc;ncia incontorn&aacute;vel no quadro geopol&iacute;tico europeu alargado. Contudo, a breve an&aacute;lise da interven&ccedil;&atilde;o de atores internacionais na crise ucraniana que aqui se efetuou demonstra que enquanto no plano europeu se tra&ccedil;am san&ccedil;&otilde;es contra Moscovo, se realizam avalia&ccedil;&otilde;es do impacto da crise ucraniana e se engendram estrat&eacute;gias de coordena&ccedil;&atilde;o entre a UE e a NATO, no terreno a R&uacute;ssia constitui um dos principais motores do que pode ser considerado como verdadeira guerra em solo ucraniano<sup><a href="#35">35</a></sup><a name="top35"></a>.</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><B>REFLEX&Otilde;ES FINAIS</B></p>     <p>Os eventos que ocorreram na Ucr&acirc;nia em novembro de 2013 parecem ter iniciado um novo cap&iacute;tulo no entendimento das rela&ccedil;&otilde;es de poder e de seguran&ccedil;a no espa&ccedil;o europeu alargado. Com efeito, a particularidade desta crise alerta-nos para a complexidade dos conflitos do p&oacute;s-Guerra Fria, sobretudo no espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico, ao mesmo tempo que deita por terra uma no&ccedil;&atilde;o at&eacute; ent&atilde;o tomada como garantida: que a seguran&ccedil;a em solo europeu era um dado adquirido<sup><a href="#36">36</a></sup><a name="top36"></a>.</p>     <p>Ainda que as estruturas estatais de poder na regi&atilde;o continuem a desempenhar um papel primordial, n&atilde;o podemos ignorar a interven&ccedil;&atilde;o de outros atores, como a sociedade civil e as institui&ccedil;&otilde;es internacionais (<i>e.g. </i>UE e NATO), nem t&atilde;o-pouco as imbricadas rela&ccedil;&otilde;es de poder e jogos de interesses que ocorrem neste espa&ccedil;o. Neste sentido, uma compreens&atilde;o abrangente e informada dos eventos s&oacute; pode ter lugar quando se traz para a an&aacute;lise dos mesmos as suas dimens&otilde;es end&oacute;genas e ex&oacute;genas.</p>     <p>A crise ucraniana surge como muito mais do que um mero desacato interno ou um movimento reativo da parte de Moscovo. Ela resulta da evolu&ccedil;&atilde;o e interse&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es identit&aacute;rias, pol&iacute;ticas, socioecon&oacute;micas e geoestrat&eacute;gicas. Desta forma, a sua compreens&atilde;o n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel sem a an&aacute;lise do quadro geopol&iacute;tico mais vasto em que Kiev se insere, bem como das perce&ccedil;&otilde;es e interesses dos v&aacute;rios atores envolvidos nestes acontecimentos. Para al&eacute;m disso, esta &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o em permanente evolu&ccedil;&atilde;o e os seus efeitos no m&eacute;dio e longo prazo s&atilde;o ainda dif&iacute;ceis de prever. As din&acirc;micas presentes nesta crise s&atilde;o m&uacute;ltiplas e interagem constantemente umas com as outras. Por conseguinte, &eacute; prov&aacute;vel que estejamos apenas a assistir ao in&iacute;cio de uma s&eacute;rie de mudan&ccedil;as estruturais que ter&atilde;o um impacto nos planos local, regional e at&eacute; mesmo global<sup><a href="#37">37</a></sup><a name="top37"></a>.</p>     <p>N&atilde;o obstante os esfor&ccedil;os da comunidade internacional, e em particular da UE e da NATO, o que se verifica &eacute; que a R&uacute;ssia est&aacute; a jogar com regras e interesses distintos<sup><a href="#38">38</a></sup><a name="top38"></a>. Moscovo continua a ter uma vis&atilde;o realista da cena internacional, onde a seguran&ccedil;a absoluta &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o <i>sine qua non </i>para a sua sobreviv&ecirc;ncia. Os pa&iacute;ses ocidentais foram apanhados de surpresa com os eventos na Ucr&acirc;nia e n&atilde;o t&ecirc;m conseguido dar resposta a este desafio de forma satisfat&oacute;ria. Com efeito, as solu&ccedil;&otilde;es apresentadas t&ecirc;m tomado a forma de san&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e de di&aacute;logo pol&iacute;tico que, ainda que possam ter efeitos ben&eacute;ficos no longo prazo, demoram tempo a produzir resultados e n&atilde;o parecem exercer uma press&atilde;o real contra atos agressivos no curto prazo. Desta forma, a resolu&ccedil;&atilde;o desta crise parece estar dependente de um delicado processo que responda aos desafios internos e externos que est&atilde;o na sua origem.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><i>Data de rece&ccedil;&atilde;o: 5 de janeiro de 2015 | Data de aprova&ccedil;&atilde;o: 17 de mar&ccedil;o de 2015 </i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><B>NOTAS</B></p>     <p><Sup><a name="1"></a><a href="#top1">1</a></Sup> Freedman, Lawrence &ndash; &laquo;Ukraine and the art of crisis management&raquo;. In <i>Survival: Global Politics and Society</i>. Vol. 56, N.&ordm; 3, 2014, PP. 7-42.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="2"></a><a href="#top2">2</a></Sup> Kuzio, Taras, e Moroney, Jennifer &ndash; &laquo;Ukraine and the West: moving from stability to strategic engagement&raquo;. In <i>European Security</i>. Vol. 12, N.&ordm; 2, 2001, PP. 49-62.</p>     <p><Sup><a name="3"></a><a href="#top3">3</a></Sup> Braithwaite, Rodric &ndash; &laquo;Russia, Ukraine and the West&raquo;. In <i>The RUSI Journal</i>. Vol. 159, N.&ordm; 2, 2014, PP. 62-65.</p>     <p><Sup><a name="4"></a><a href="#top4">4</a></Sup> Charap, Samuel, e Darden, Keith &ndash; &laquo;Russia and Ukraine&raquo;. In <i>Survival: Global Politics and Strategy</i>. Vol. 56, N.&ordm; 2, 2014, PP. 7-14.</p>     <p><Sup><a name="5"></a><a href="#top5">5</a></Sup> Carroll, Jennifer &ndash; &laquo;This is not about Europe: reflections on Ukraine&rsquo;s Euro-Maidan revolution&raquo;. In<i> Perspetives on Europe</i>. Vol. 44, N.&ordm; 1, 2014, PP. 8-15.</p>     <p><Sup><a name="6"></a><a href="#top6">6</a></Sup> Freedman, Lawrence &ndash; &laquo;Ukraine and the art of crisis management&raquo;, PP. 7-42.</p>     <p><Sup><a name="7"></a><a href="#top7">7</a></Sup> Emerson, Michael &ndash; &laquo;After the Vilnius fiasco: who is to blame? What is to be done?&raquo;. In<i> CEPS Essay</i>. N.&ordm; 8, 21 de janeiro de 2014, PP. 1-19.</p>     <p><Sup><a name="8"></a><a href="#top8">8</a></Sup> Charap, Samuel &ndash; &laquo;Ukraine: seeking an elusive new normal&raquo;. In<i> Survival: Global Politics and Strategy</i>. Vol. 56, N.&ordm; 3, 2014, PP. 85-94.</p>     <p><Sup><a name="9"></a><a href="#top9">9</a></Sup> International risis roup &ndash; &laquo;Eastern Ukraine: a dangerous Winter&raquo;. In<i> Europe Report</i>. N.&ordm; 235, 18 de dezembro de 2014. Bruxelas: International Crisis Group.</p>     <p><Sup><a name="10"></a><a href="#top10">10</a></Sup> Freedman, Lawrence &ndash; &laquo;Ukraine and the art of crisis management&raquo;, PP. 7-42.</p>     <p><Sup><a name="11"></a><a href="#top11">11</a></Sup> Gressel, Gustav &ndash; &laquo;The Ukraine-Russia war&raquo;. In<i> European Council on Foreign Relations</i>. Commentary, 26 de janeiro de 2015.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="12"></a><a href="#top12">12</a></Sup> &laquo;Acordo em Minsk para cessar-fogo, anuncia Vladimir Putin&raquo;. In<i> Observador</i>. 12 de fevereiro de 2015. (Consultado em: 6 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://observador.pt/2015/02/12/nao-ha-ainda-boas-noticias-em-minsk-russia-tem-exigencias-inaceitaveis" target="_blank">http://observador.pt/2015/02/12/nao-ha-ainda-boas-noticias-em-minsk-russia-tem-exigencias-inaceitaveis</a>/.</p>     <p><Sup><a name="13"></a><a href="#top13">13</a></Sup> &laquo;Aplica&ccedil;&atilde;o do acordo de Minsk &ldquo;n&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil&rdquo;, diz Poroshenko&raquo;. In<i> DN Globo</i>. 12 de fevereiro de 2015. (Consultado em: 6 de mar&ccedil;o de 2015). Dispon&iacute;vel em: <a href="http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2015/02/12/kiev-e-rebeldes-assinam-acordo-para-aplicar-plano-de-paz-no-leste-da-ucrania.htm" target="_blank">http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2015/02/12/kiev-e-rebeldes-assinam-acordo-para-aplicar-plano-de-paz-no-leste-da-ucrania.htm</a>.</p>     <p><Sup><a name="14"></a><a href="#top14">14</a></Sup> &laquo;Russia&rsquo;s motives in Ukraine&raquo;. In <i>Strategic Comments</i>. Vol. 20, N.&ordm; 4, 2014, PP. viii-ix.</p>     <p><Sup><a name="15"></a><a href="#top15">15</a></Sup> Blank, Stephen &ndash; &laquo;From Eurasia with love, American foreign policy interests&raquo;. In <i>The Journal of the National Committee on American Foreign Policy</i>. Vol. 36, N.&ordm; 3, 2014, PP. 162-174; Freedman, Lawrence &ndash; &laquo;Ukraine and the art of crisis management&raquo;, PP. 7-42.</p>     <p><Sup><a name="16"></a><a href="#top16">16</a></Sup> Charap, Samuel, e Darden, Keith &ndash; &laquo;Russia and Ukraine&raquo;, PP. 7-14.</p>     <p><Sup><a name="17"></a><a href="#top17">17</a></Sup> Dias, Vanda Amaro &ndash; &laquo;As rela&ccedil;&otilde;es da R&uacute;ssia com a Ucr&acirc;nia, Bielorr&uacute;ssia e Moldova: poder, depend&ecirc;ncias e assimetrias no espa&ccedil;o p&oacute;s-sovi&eacute;tico&raquo;. <i>In </i>Freire, Maria Raquel, e Daehnhardt, Patr&iacute;cia (eds.) &ndash; <i>A Pol&iacute;tica Externa Russa no Espa&ccedil;o Euro-Atl&acirc;ntico: Din&acirc;micas de Coopera&ccedil;&atilde;o e Competi&ccedil;&atilde;o num Espa&ccedil;o Alargado</i>. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014, PP. 57-84.</p>     <p><Sup><a name="18"></a><a href="#top18">18</a></Sup> Freedman, Lawrence &ndash; &laquo;Ukraine and the art of crisis management&raquo;, PP. 7-42.</p>     <p><Sup><a name="19"></a><a href="#top19">19</a></Sup> &laquo;Russia&rsquo;s motives in Ukraine&raquo;, PP. viii-ix.</p>     <p><Sup><a name="20"></a><a href="#top20">20</a></Sup> Blank, Stephen &ndash; &laquo;From Eurasia with love, American foreign policy interests&raquo;, PP. 162-174.</p>     <p><Sup><a name="21"></a><a href="#top21">21</a></Sup> Blockmans, Steven &ndash; &laquo;How should the EU respond to Russia&rsquo;s war in Ukraine?&raquo;. In<i> CEPS Commentary</i>. 3 de setembro de 2014, PP. 1-5.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="22"></a><a href="#top22">22</a></Sup> Freedman, Lawrence &ndash; &laquo;Ukraine and the art of crisis management&raquo;, PP. 7-42.</p>     <p><Sup><a name="23"></a><a href="#top23">23</a></Sup> International risis roup &ndash; &laquo;Eastern Ukraine: a dangerous Winter&raquo;.</p>     <p><Sup><a name="24"></a><a href="#top24">24</a></Sup> Hedenskog, Jakob &ndash; &laquo;Ukraine &ndash; challenges for the future&raquo;. <i>In </i>Granholm, Niklas, Malminen, Johannes, e Persson, Gudrun &ndash; <i>A Rude Awakening: Ramifications of Russian Aggression Towards Ukraine</i>. Estocolmo: foi, 2014, PP. 51-55.</p>     <p><Sup><a name="25"></a><a href="#top25">25</a></Sup> Freedman, Lawrence &ndash; &laquo;Ukraine and the art of crisis management&raquo;, PP. 7-42.</p>     <p><Sup><a name="26"></a><a href="#top26">26</a></Sup> Charap, Samuel &ndash; &laquo;Ukraine: seeking an elusive new normal&raquo;, PP. 85-94.</p>     <p><Sup><a name="27"></a><a href="#top27">27</a></Sup> Freedman, Lawrence &ndash; &laquo;Ukraine and the art of crisis management&raquo;, PP. 7-42.</p>     <p><Sup><a name="28"></a><a href="#top28">28</a></Sup> Blockmans, Steven &ndash; &laquo;How should the EU respond to Russia&rsquo;s war in Ukraine?&raquo;, PP. 1-5.</p>     <p><Sup><a name="29"></a><a href="#top29">29</a></Sup> Dias, Vanda Amaro &ndash; &laquo;The EU and Russia: competing discourses, practices and interests in the shared neighbourhood&raquo;. In<i> Perspetives on European Politics and Society</i>. Vol. 14, N.&ordm; 2, 2013, PP. 256-271.</p>     <p><Sup><a name="30"></a><a href="#top30">30</a></Sup> Charap, Samuel &ndash; &laquo;Ukraine: seeking an elusive new normal&raquo;, PP. 85-94.</p>     <p><Sup><a name="31"></a><a href="#top31">31</a></Sup> Emerson, Michael &ndash; &laquo;After the Vilnius fiasco: who is to blame? What is to be done?&raquo;, PP. 1-19.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><Sup><a name="32"></a><a href="#top32">32</a></Sup> Blockmans, Steven &ndash; &laquo;How should the EU respond to Russia&rsquo;s War in Ukraine?&raquo;, PP. 1-5.</p>     <p><Sup><a name="33"></a><a href="#top33">33</a></Sup> Blank, Stephen &ndash; &laquo;From Eurasia with love, American foreign policy interests&raquo;, PP. 162-174.</p>     <p><Sup><a name="34"></a><a href="#top34">34</a></Sup> Brown, Bernard E. &ndash; &laquo;Europe &ndash; and NATO reack. In<i> American Foreign Policy Interests: The Journal of the National Committee on American Foreign Policy</i>. Vol. 36, N.&ordm; 3, 2014, PP. 201-209.</p>     <p><Sup><a name="35"></a><a href="#top35">35</a></Sup> Blockmans, Steven &ndash; &laquo;How should the EU respond to Russia&rsquo;s war in Ukraine?&raquo;, PP. 1-5.</p>     <p><Sup><a name="36"></a><a href="#top36">36</a></Sup> Blank, Stephen &ndash; &laquo;From Eurasia with love, American foreign policy interests&raquo;, PP. 162-174; Freedman, Lawrence &ndash; &laquo;Ukraine and the art of crisis management&raquo;, PP. 7-42.</p>     <p><Sup><a name="37"></a><a href="#top37">37</a></Sup> Granholm, Niklas, e Malminen, Johannes &ndash; &laquo;A strategic game changer?&raquo;. <i>In </i>Granholm, Niklas, Malminen, Johannes, e Persson, Gudrun &ndash; <i>A Rude Awakening: Ramifications of Russian Aggression Towards Ukraine</i>, PP. 9-15.</p>     <p><Sup><a name="38"></a><a href="#top38">38</a></Sup> Braithwaite, Rodric &ndash; &laquo;Russia, Ukraine and the West&raquo;, PP. 62-65.</p>      ]]></body>
<back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Freedman]]></surname>
<given-names><![CDATA[Lawrence]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ukraine and the art of crisis management]]></article-title>
<source><![CDATA[Survival: Global Politics and Society]]></source>
<year>2014</year>
<volume>56</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>7-42</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kuzio]]></surname>
<given-names><![CDATA[Taras]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Moroney]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jennifer]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ukraine and the West: moving from stability to strategic engagement]]></article-title>
<source><![CDATA[European Security]]></source>
<year>2001</year>
<volume>12</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>49-62</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Braithwaite]]></surname>
<given-names><![CDATA[Rodric]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Russia, Ukraine and the West]]></article-title>
<source><![CDATA[The RUSI Journal]]></source>
<year>2014</year>
<volume>159</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>62-65</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Charap]]></surname>
<given-names><![CDATA[Samuel]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Darden]]></surname>
<given-names><![CDATA[Keith]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Russia and Ukraine]]></article-title>
<source><![CDATA[Survival: Global Politics and Strategy]]></source>
<year>2014</year>
<volume>56</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>7-14</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Carroll]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jennifer]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[This is not about Europe: reflections on Ukraine's Euro-Maidan revolution]]></article-title>
<source><![CDATA[Perspetives on Europe]]></source>
<year>2014</year>
<volume>44</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>8-15</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Emerson]]></surname>
<given-names><![CDATA[Michael]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[After the Vilnius fiasco: who is to blame? What is to be done?]]></article-title>
<source><![CDATA[CEPS Essay]]></source>
<year>21 d</year>
<month>e </month>
<day>ja</day>
<numero>8</numero>
<issue>8</issue>
<page-range>1-19</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Charap]]></surname>
<given-names><![CDATA[Samuel]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ukraine: seeking an elusive new normal]]></article-title>
<source><![CDATA[Survival: Global Politics and Strategy]]></source>
<year>2014</year>
<volume>56</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>85-94</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Blank]]></surname>
<given-names><![CDATA[Stephen]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[From Eurasia with love, American foreign policy interests]]></article-title>
<source><![CDATA[The Journal of the National Committee on American Foreign Policy]]></source>
<year>2014</year>
<volume>36</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>162-174</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dias]]></surname>
<given-names><![CDATA[Vanda Amaro]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As relações da Rússia com a Ucrânia, Bielorrússia e Moldova: poder, dependências e assimetrias no espaço pós-soviético]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Freire]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Raquel]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Daehnhardt]]></surname>
<given-names><![CDATA[Patrícia]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Política Externa Russa no Espaço Euro-Atlântico: Dinâmicas de Cooperação e Competição num Espaço Alargado]]></source>
<year>2014</year>
<page-range>57-84</page-range><publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Imprensa da Universidade de Coimbra]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Hedenskog]]></surname>
<given-names><![CDATA[Jakob]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Ukraine: challenges for the future]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Granholm]]></surname>
<given-names><![CDATA[Niklas]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Malminen]]></surname>
<given-names><![CDATA[Johannes]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Persson]]></surname>
<given-names><![CDATA[Gudrun]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A Rude Awakening: Ramifications of Russian Aggression Towards Ukraine]]></source>
<year>2014</year>
<page-range>51-55</page-range><publisher-loc><![CDATA[Estocolmo ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dias]]></surname>
<given-names><![CDATA[Vanda Amaro]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The EU and Russia: competing discourses, practices and interests in the shared neighbourhood]]></article-title>
<source><![CDATA[Perspetives on European Politics and Society]]></source>
<year>2013</year>
<volume>14</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>256-271</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Brown]]></surname>
<given-names><![CDATA[Bernard E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Europe - and NATO reack]]></article-title>
<source><![CDATA[American Foreign Policy Interests: The Journal of the National Committee on American Foreign Policy]]></source>
<year>2014</year>
<volume>36</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>201-209</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
