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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this theoretical study is to present and discuss the perspective of “Strategy-as-Practice” as a proposal of paradigmatic synthesis in the field of studies on strategy, after a revision of the international literature on this topic. The article is structured in two phases. In the first, the principal models and theoretical constructs related to the “Strategy-as-Practice” approach are discussed. The second part analyzes a variety of methodological contributions that focus on suggesting forms of carrying out research based on this perspective. The study concludes by proposing methodology for research on the process of creation of strategies for companies that operate in competitive markets. Combining multiple dimensions of analysis, the methodological strategy proposed emphasizes people performance and their praxis in strategic interactions, without ignoring the performance of the firm. It unites, horizontally, process and content and, vertically, macro and micro approaches. In doing so, it reduces important gaps of the researches in the “Strategy-as-Practice” field of studies.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[Este ensayo teórico tiene como objetivo presentar y discutir la perspectiva de “ La Estrategia como práctica" como una propuesta de síntesis paradigmática en los estudios sobre la estrategia y siendo revisado en gran medida la literatura internacional sobre el tema. El documento está estructurado en dos momentos. En un primer momento, se discuten los principales modelos y bases teóricas relacionados con el enfoque de "estrategia como práctica", mientras que el segundo, son analizadas y se proponen algunas aportaciones metodológicas que sugieren formas de realizar las búsquedas a partir de esa perspectiva. En la conclusión, se propone la metodología para hacer posible la investigación sobre el proceso de constitución de la estrategia de empresas que actúan en los mercados más competitivos. La estrategia metodológica propuesta, al combinar múltiples dimensiones de análisis abarca una importante brecha en los estudios de la Estrategia como Práctica, ya que hace énfasis tanto en el desempeño de las personas y sus prácticas en interacciones estratégicas, cuanto el desempeño de la empresa, uniendo, horizontalmente, el contenido y proceso, además de integrar verticalmente enfoques macro y micro.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Estratégia como prática: </b><b>Uma proposta de síntese </b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>José Albino<sup><a href="#a1">1</a></sup>, Carlos Alberto Gonçalves<sup><a href="#a2">2</a></sup>,    Alexandre Carrieri<sup><a href="#a3">3</a></sup> e Reynaldo Muniz<sup><a href="#a4">4</a></sup>    <a name="topa1"></a><a name="topa2"></a><a name="topa3"></a><a name="topa4"></a>    </b></p>     <p><sup>1</sup> Doutorando em Administração (Cepead/FACE/UFMG). Professor da PUC    Minas e Coordenador dos MBAs em Marketing e Gestão de Negócios do IEC/PUC Minas,    Brasil. <a href="mailto:albino.albino@uol.com.br">albino.albino@uol.com.br</a>  </p>     <p><sup>2</sup>Doutor em Administração. Professor do Programa de Doutorado e Mestrado    do Centro de Pós-graduação em Administração FACE/UFMG, Brasil. <i></i><a href="mailto:carlos@face.ufmg.br">carlos@face.ufmg.br</a></p>     <p><sup>3</sup> Doutor em Administração. Vice-Coordenador e Professor do Programa    de Doutorado e Mestrado do Centro de Pós-Graduação em Administração (Cepead)    da FACE/UFMG, Brasil.<a href="mailto:alexandre@cepead.face.ufmg.br">alexandre@cepead.face.ufmg.br</a>,  </p>     <p><sup>4</sup> Doutor em Ciência Política    e Administração Pública (Univ. Complutense de Madrid, Espanha). Professor do    Programa de Doutorado e Mestrado do Centro de Pós-graduação em Administração    (Cepead) da FACE/UFMG e Vice-Diretor da FACE/UFMG, Brasil.<a href="mailto:reynaldo@reitoria.ufmg.br">reynaldo@reitoria.ufmg.br</a></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>RESUMO</b></p>     <p>Este ensaio teórico tem como objetivo apresentar e discutir a perspectiva da    «Estratégia como Prática» enquanto proposta de síntese paradigmática no campo    dos estudos sobre estratégia, tendo sido revisada grande parte da literatura    internacional sobre o tema. O artigo está estruturado em dois momentos. No primeiro,    discutem-se os principais modelos e construtos teóricos relacionados à abordagem    da «Estratégia como Prática», enquanto no segundo são analisadas e propostas    algumas contribuições metodológicas que sugerem formas de se realizar pesquisas    a partir dessa perspectiva. Na conclusão, propõe-se metodologia no sentido de    viabilizar a realização de pesquisas sobre o processo de constituição de estratégia    em empresas que atuam em mercados mais competitivos. A estratégia metodológica    proposta, ao combinar múltiplas dimensões de análise, cobre importante lacuna    no campo dos estudos da «Estratégia como Prática», pois enfatiza tanto a <i>performance</i>    das pessoas e sua <i>praxis</i> em interações estratégicas, quanto a <i>performance</i>    da firma, unindo, horizontalmente, conteúdo e processo, além de integrar, verticalmente,    abordagens macro e micro. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras-chave: </b>Estratégia como Prática, Teoria da Estruturação, Teoria    da Prática </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Strategy as practice: a proposal of synthesis </b></p>     <p><b>ABSTRACT</b></p>     <p>The objective of this theoretical study is to present and discuss the perspective    of “Strategy-as-Practice” as a proposal of paradigmatic synthesis in the field    of studies on strategy, after a revision of the international literature on    this topic. The article is structured in two phases. In the first, the principal    models and theoretical constructs related to the “Strategy-as-Practice” approach    are discussed. The second part analyzes a variety of methodological contributions    that focus on suggesting forms of carrying out research based on this perspective.    The study concludes by proposing methodology for research on the process of    creation of strategies for companies that operate in competitive markets. Combining    multiple dimensions of analysis, the methodological strategy proposed emphasizes    people performance and their praxis in strategic interactions, without ignoring    the performance of the firm. It unites, horizontally, process and content and,    vertically, macro and micro approaches. In doing so, it reduces important gaps    of the researches in the “Strategy-as-Practice” field of studies. </p>     <p><b>Key words: </b>Strategy-as-Practice, Theory of Structure, Theory of Practice</p>     <p>&nbsp; </p>     <p><b>Estrategia como Práctica: Una Propuesta de Síntesis </b></p>     <p><b>RESUMEN</b></p>     <p>Este ensayo teórico tiene como objetivo presentar y discutir la perspectiva    de “ La Estrategia como práctica&quot; como una propuesta de síntesis paradigmática    en los estudios sobre la estrategia y siendo revisado en gran medida la literatura    internacional sobre el tema. El documento está estructurado en dos momentos.    En un primer momento, se discuten los principales modelos y bases teóricas relacionados    con el enfoque de &quot;estrategia como práctica&quot;, mientras que el segundo,    son analizadas y se proponen algunas aportaciones metodológicas que sugieren    formas de realizar las búsquedas a partir de esa perspectiva. En la conclusión,    se propone la metodología para hacer posible la investigación sobre el proceso    de constitución de la estrategia de empresas que actúan en los mercados más    competitivos. La estrategia metodológica propuesta, al combinar múltiples dimensiones    de análisis abarca una importante brecha en los estudios de la Estrategia como    Práctica, ya que hace énfasis tanto en el desempeño de las personas y sus prácticas    en interacciones estratégicas, cuanto el desempeño de la empresa, uniendo, horizontalmente,    el contenido y proceso, además de integrar verticalmente enfoques macro y micro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palabras-clave: </b>Estrategia como Práctica, Teoría de las Estructuras,    Teoría de la Práctica</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Os estudos sobre Estratégia têm formação bastante tardia quando comparados    com a produção de conhecimento em campos como Economia e Sociologia. Este fato    se explica pela influência de teorias econômicas, notadamente a neoclássica,    que considera o mercado como um sistema auto-regulado, tornando irrelevante    o papel da estratégia das firmas. No plano das práticas, outro fator explicativo    seria a baixa profissionalização na gestão das grandes empresas, que, até a    segunda metade do Séc. XX, continuavam sendo empresas familiares. </p>     <p>Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) assinalam a década de 1960 como o início    dos estudos sistematizados no campo da Estratégia. Na sua visão, a disciplina    Estratégia já surge como uma área de conhecimento multidisciplinar, fortemente    influenciada pela Teoria das Organizações, Economia e Sociologia. Outro aspecto    ressaltado é a adoção de uma atitude pragmática, voltada para a ação administrativa    e para a criação de modelos fechados, sem divulgação sistematizada e acessível.    Na visão desses autores, com a maior volatilidade dos produtos e serviços nos    mercados e a complexidade da gestão provocadas pela globalização, surge, a partir    da década de 1990, um maior ecletismo nos estudos de Estratégia, principalmente    a partir das contribuições das escolas de Configuração, Aprendizado, Poder e    Cognitiva, que têm obtido maior crescimento em termos de volume de publicações    (Mintzberg, Ahlstrand e Lampel, 2000). </p>     <p>Micklethwait e Wooldridge (1998) são mais críticos na explicação sobre a proliferação    de abordagens nos estudos de Estratégia. Na visão desses autores, as perspectivas    do planejamento estratégico e do posicionamento entraram em crise, pois não    levaram ao pensamento estratégico. Da mesma forma, argumentam que essas perspectivas    separam pensamento e ação e, ao fazer isso, afastam das atividades de «fazer    Estratégia» a contribuição dos trabalhadores da linha de frente, que possuem    conhecimento relevante, mesmo que não estruturado, sobre clientes e concorrentes.  </p>     <p>Outro ponto criticado por Micklethwait e Wooldridge (1998) é a mitificação    dos relatórios formais e das estatísticas de mercado e financeiras. Para esses    autores, o conhecimento verdadeiramente estratégico possui caráter tácito, o    que torna esses documentos uma panacéia, cuja utilidade principal é reduzir    o[s] medo[s] e a ansiedade dos estrategistas frente às incertezas do mercado.  </p>     <p>Nesse contexto, Tavares, Amaral e Gonçalves (2003, p. 2) argumentam que «a    única certeza que se tem no campo da Estratégia é que sua aplicação se dá no    terreno da incerteza e é conseqüente da competitividade». Já Vasconcelos (2001)    ressalta que essa proliferação de perspectivas tem aumentado tanto o dinamismo    quanto a complexidade das pesquisas e do ensino de Estratégia. Ele também aponta    o fato dos executivos se verem cercados de várias teorias alternativas, muitas    vezes contraditórias entre si, o que pode reduzir sua contribuição para a melhoria    do desempenho das firmas. </p>     <p>Pode-se observar que também se aplicam ao Brasil as constatações feitas por    Volberda (2004, p. 32) no sentido de que o campo da Estratégia está enfrentando    momentos difíceis enquanto área de estudo e que é urgente o desenvolvimento    de um pensamento próprio para ambientes hipercompetitivos. Mesmo valorizando    o pluralismo paradigmático, este autor questiona o valor que a fragmentação    possa agregar. Adicionalmente, ele acrescenta que o campo está além de um estágio    classificatório, assim como, na sua visão, a fragmentação não se resolverá pela    preferência por uma Escola em detrimento de outra, mas pela síntese. </p>     <p>Nesse âmbito, este artigo tem como objetivo apresentar e discutir a perspectiva    da «Estratégia como Prática» enquanto proposta de síntese paradigmática, tendo    sido consultada parte significativa da literatura internacional sobre o tema.    O artigo está estruturado em dois momentos. No primeiro, discutem-se os principais    modelos e construtos teóricos relacionados à abordagem da «Estratégia como Prática»,    enquanto no segundo são analisadas diversas contribuições metodológicas que    visam sugerir formas de se realizar pesquisas a partir dessa perspectiva. Finalmente,    na conclusão, propõe-se um arcabouço metodológico visando à realização de pesquisas    teórico-empíricas utilizando esta abordagem teórica. </p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Estratégia como prática </b></p>     <p><b>&#9679 Origem, evolução e principais modelos </b></p>     <p>Whittington (2006) informa que a concepção de «Estratégia como Prática» surge    dentro de um movimento maior das teorias sociais contemporâneas (<i>practice    turn</i>), que vem ganhando espaço desde os anos 1980, a partir da influência    de autores como Bourdieu, de Certeau, Foucault e Giddens. Já Meirelles e Gonçalves    (2005) ressaltam que a teoria da estruturação de Giddens e a teoria da prática    de Bourdieu, podem ser consideradas perspectivas de síntese na medida em que    propõem uma solução para a discussão epistemo-ontológica sobre a primazia da    ação ou da estrutura sobre a conduta humana. Na visão desses autores, Giddens    e Bourdieu estabelecem um caminho intermediário e alternativo entre as perspectivas    interpretativistas, que concedem primazia ao sujeito, à ação, à subjetividade    e ao significado, e as abordagens funcionalistas e estruturalistas, que privilegiam    a estrutura, a coerção e a realidade social objetiva. </p>     <p>Segundo Giddens e Pierson (2000, p. 61), o termo «estruturação» é de origem    francesa e foi por ele empregado com o objetivo de enfatizar o fluxo dinâmico    da vida social. Na visão desse autor, a vida social deve ser vista como «uma    série de atividades e práticas que exercemos e que ao mesmo tempo reproduzem    instituições mais amplas», sendo estas práticas ordenadas no espaço e no tempo.    Dessa forma, a idéia de «práticas sociais recorrentes» passa a constituir o    objeto central das Ciências Sociais, substituindo os conceitos de indivíduo    ou de sociedade que antes constituíam o ponto de partida da pesquisa sociológica    (Pozzebon, 2004). </p>     <p>Giddens (2003) afirma que as atividades humanas são recursivas, i.e., mesmo    não sendo criadas pelos atores sociais, elas são continuamente recriadas por    eles. Logo, os agentes reproduzem as condições que tornam as atividades sociais    possíveis, o que só se realiza devido à forma também reflexiva do conhecimento    dos agentes. Ou seja, todos os agentes podem ser considerados socialmente competentes,    sendo capazes de pensar sobre sua situação, possuindo também capacidade de transformá-la.    Tal concepção de competência exige que se considere o caráter intencional das    ações humanas como um fluxo contínuo e não como estados de consciência que acompanham    a ação. Portanto, a ação intencional não se compõe de um agregado ou série de    intenções, razões e motivos isolados – os atos «são constituídos apenas por    um momento discursivo de atenção à <i>durée</i> da experiência vivida» (Giddens,    2003, p. 4). </p>     <p>A racionalização da ação envolve as condutas não apenas do indivíduo, mas também    de outros, bem como aspectos sociais e físicos dos contextos em que se movem.    Quer dizer, os agentes competentes possuem um «entendimento teórico» da base    de suas atividades e esperam que os outros também sejam capazes de explicar    a maior parte do que fazem quando indagados. Para Giddens (2003, p. 5), a maior    parte desse conhecimento mútuo é prático, ou seja, é inerente à «capacidade    de prosseguir no âmbito das rotinas da vida social». </p>     <p>Cabe ressaltar que possuir um «entendimento teórico» das bases de sua atividade    não deve ser equiparado à apresentação discursiva de razões para determinada    conduta, pois, segundo Giddens (2003), deve-se distinguir consciência prática    de consciência discursiva. A primeira refere-se aos conhecimentos tácitos utilizados    em práticas sociais, presente no nível subconsciente e referente à intencionalidade,    mas não se revelando por meio de práticas discursivas, enquanto a segunda remete    aos conhecimentos que os atores podem expressar por meio de discursos. </p>     <p>Giddens (2003, p. 10) afirma também que a «agência não se refere às intenções    que as pessoas têm ao fazer as coisas, mas à capacidade delas para realizar    essas coisas em primeiro lugar». Os motivos, para ele, fornecem «planos ou programas    globais no âmbito dos quais certa gama de condutas é encenada» (Giddens, 2003,    p. 7), sendo que grande parte do comportamento humano não é diretamente motivado.    Dessa forma, é a monitorização reflexiva da ação ou a racionalização da ação    que está vinculada à continuidade da mesma e não a motivação. Esta se refere    apenas ao potencial para ação e não ao modo como a ação é executada. Nesse contexto,    intencional deve ser entendido «como o que caracteriza um ato que seu perpetrador    sabe, ou acredita, que terá uma determinada qualidade ou desfecho e no qual    esse conhecimento é utilizado pelo autor para obter essa qualidade ou desfecho»    (Giddens, 2003, p. 12). </p>     <p>Percebe-se, assim, que Giddens (2003, p. 12) distingue a questão do que um    agente faz daquilo que é pretendido, sendo que a agência se refere ao fazer.    Da mesma forma, para ele, as conseqüências do que os atores fazem, intencionalmente    ou não, «são eventos que não teriam acontecido se eles tivessem se comportando    de maneira diferente, mas cuja realização não está ao alcance do poder do agente    (independente de quais eram suas intenções)». Logo, Giddens (2003) atribuiu    significativa importância à conexão entre conseqüências impremeditadas da ação    e práticas institucionalizadas, aquelas que estão profundamente enraizadas no    tempo e no espaço. Nesse âmbito, ele chega a sugerir que o analista social pesquise    «o padrão resultante de um complexo de atividades individuais (...). Um ‘resultado    final’ definido é considerado o fenômeno a ser explicado e demonstra-se que    esse resultado final deriva como conseqüência impremeditada de um agregado de    cursos de conduta intencional» (Giddens, 2003, pp. 15-16). </p>     <p>Segundo Giddens (2003, p. 17), a ação depende da capacidade do indivíduo de    criar uma diferença em relação ao estado de coisas ou curso de eventos pré-existentes.    Para ele, as estruturas definem as regras (técnicas, normas, procedimentos)    que geram a ação, assim como os recursos (autoritários e alocativos) que a viabilizam.    Entretanto, ao mesmo tempo em que as propriedades estruturais tornam a ação    possível, incorporando, portanto, formas de poder, elas em si mesmas não possuem    existência física. Sua existência se faz sentir na medida em que as pessoas    agem conscientemente e em certos contextos que têm conseqüências determinadas.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Tais conseqüências não costumam ser previstas nem conhecidas, mas é sua ocorrência    regular – sua reprodução – que as torna estruturais. Dependem, portanto, das    convenções que são, ao mesmo tempo, os meios e os fins de tais opções. Elas    constrangem e capacitam a ação e o seu uso normalmente depende da consciência    prática, da capacidade de «tocar para frente» nos diversos contextos da vida    social. Assim, frente a pressões contraditórias de diferentes instituições,    bem como a tensões internas entre traços socio-psicológicos de personalidade,    surge a possibilidade da agência, da inovação, pois mais de um curso de ação    pode ser considerado legítimo. Logo, as estruturas possibilitam a ação, definem    seus limites, mas não o seu conteúdo. É neste <i>ontological gap</i> que Whittington    (1988) situa o espaço da ação, destacando ainda que os agentes (organizações    e/ou indivíduos) não são necessariamente iguais em sua capacidade de agir, pois    eles não têm igual acesso ou a mesma capacidade de mobilização dos recursos    estruturais sobre os quais precisam engendrar o seu agir. </p>     <p>Whittington (1992) afirma também que no lugar de considerar a organização como    uma entidade atomizada imersa em um ambiente técnico e institucional, cada firma    e suas atividades devem ser compreendidas como «a expressão de princípios sócio-estruturais    potencialmente diversos». Logo, torna-se necessário identificar a interseção    de princípios estruturais importados pela firma e seus atores por meio de suas    múltiplas inserções em contextos institucionais diferentes e, muitas vezes,    sobrepostos. Para Whittington (1992, p. 707), a compreensão dessas interseções    é a base para a análise das escolhas estratégicas dos agentes e, conseqüentemente,    dos recursos materiais e simbólicos que eles são capazes de mobilizar e aqueles    que eles efetivamente articulam. Assim, a análise da estrutura social suplementa    a análise da estrutura da indústria. </p>     <p>Seu modelo teórico articula três conceitos-chave inter-relacionados: práticas,    como conjuntos de tecnologias, rotinas, ferramentas, conceitos, idéias e procedimentos    para pensar e agir que os estrategistas usam para «fazer Estratégia», sendo    estas legitimadas por normas ou sancionadas a partir de experiências passadas;    <i>praxis</i>, ou seja, o trabalho que é, de fato, realizado ao se fazer Estratégia,    que, mesmo sendo um trabalho difuso, na medida em que envolve não apenas a alta    administração, pode ser visto como acontecendo por meio de (seqüências de) episódios    (<i>board meetings</i>, projetos, trabalhos de consultoria, conversas estratégicas,    etc.); praticantes, i.e., aqueles que «fazem a Estratégia» ou os estrategistas,    sejam eles proprietários, membros da cúpula diretiva ou funcionários. </p>     <p>A representação gráfica da articulação entre os construtos desenvolvidos por    Whittington (2006, p. 621) é apresentada na Figura 1.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 1</b></p>     <p><b><img src="/img/revistas/rpbg/v9n1-2/9n1-2a02f1.jpg"> </b></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Como se percebe na base da Figura 1, vários agentes (A, B e C), tipicamente    da alta administração, seus assessores e gerentes de nível médio, encontram-se    imersos em uma organização (paralelograma inferior), que possui um conjunto    de rotinas legitimadas tanto no nível da cultura organizacional quanto no nível    institucional (1-4). Já o indivíduo D não é funcionário direto da organização,    mas participa de vários episódios/atividades estratégicas (iv). Na medida em    que eles seguem, sintetizam ou interpretam as práticas estratégicas legitimadas    pelos contextos extra ou intra-organizacional (paralelograma superior), eles    reproduzem (1, 2 e 3) ou modificam sua <i>praxis</i> em um dado momento por    meio da introdução de uma nova prática (4), descoberta no ambiente extra-organizacional.  </p>     <p>Este modelo contempla tanto os riscos de inércia quanto as possibilidades de    transformação, sendo os agentes vistos como conexões críticas entre a <i>praxis</i>    intra-organizacional e as práticas extra e intraorganizacionais nas quais eles    baseiam seu trabalho (Whittington, 2006). Preserva-se, assim, a reflexividade    dos agentes que atuam em um mundo marcado por sistemas sociais abertos, com    uma pluralidade de práticas nem sempre coerentes entre si (Giddens, 2003), sendo    que eles podem tirar partido dessa abertura para introduzir novas práticas ou    novos praticantes. Ao avaliar (<i>exploit</i>) sua experiência, os agentes podem    adaptar a <i>praxis</i> corrente, ao mesmo tempo em que, explorando (<i>exploring</i>)    a diversidade, podem vir a sintetizar novas práticas (March, 1991; Jarzabkowski,    2004). Outro aspecto contemplado pelo modelo é a possibilidade tanto das práticas    emergirem da <i>praxis</i> (Jarzabkowski e Seidl, 2005), quanto certas práticas    se difundirem rapidamente em uma organização, tornando-se um recurso crítico.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Destaca-se, também, o fato do modelo apontar a importância de terceiros – consultores    ou parceiros dentro da cadeia produtiva, por exemplo – no processo de constituição    da Estratégia, assim como na reformulação, transferência ou introdução de novas    práticas. Da mesma forma, permite deduzir que a efetividade da <i>praxis</i>    depende fortemente da capacidade dos agentes de acessar e mobilizar práticas,    o que enfatiza a importância de se conhecer esse processo, assim como de estudar    as instâncias de socialização (Brown e Duguid, 2001). </p>     <p>Whittington, Johnson e Melin (2004) ampliam o escopo de análise desse modelo    ao sugerir que podem ser acrescentados dois níveis de análise: uma instância    acima e outra abaixo do nível da firma. </p>     <p>No primeiro caso, a partir de uma abordagem sociológica, passa-se a discutir    a Estratégia como um amplo campo de atividade social, cujas práticas são importantes    para a sociedade como um todo, já que envolve o direcionamento de poderosas    instituições públicas e privadas; exige atores capacitados e de alto custo,    além dos efeitos das inovações e dos investimentos estratégicos poderem afetar    toda a sociedade. </p>     <p>Já no segundo caso, a partir de uma perspectiva gerencial, a análise desloca-se    um nível abaixo para tratar de forma mais explícita os processos estratégicos    gerais da firma e das atividades daqueles que «fazem Estratégia». Questões do    tipo onde e como a atividade de criação e administração de estratégias realmente    é feita; quem as realiza; quais as competências necessárias a esta atividade    e como elas são adquiridas; quais são as técnicas e ferramentas utilizadas e    como a atividade de «fazer Estratégia» é organizada passam a ser consideradas    importantes na pauta de pesquisas no campo da Estratégia, conforme afirmam Whittingtton,    Johnson e Melin (2004). Esse modelo pode ser visualizado na Figura 2. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Figura 2</b></p>     <p><b><img src="/img/revistas/rpbg/v9n1-2/9n1-2a02f2.jpg"></b></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Por meio do primeiro <i>link</i> vertical (V1) procura-se explicar, por exemplo,    códigos compartilhados de comportamento, que informam como proceder, pois o    desempenho de cada atividade depende de todos conhecerem e representarem corretamente    seus papéis. Segundo Giddens (2003), estas normas e regras podem ser vistas    como estruturas que conferem legitimidade e autoridade ao mesmo tempo que informam    e autorizam o comportamento apropriado, podendo também ser alteradas por esses    comportamentos. Segundo Whittington, Johnson e Melin (2004), ao empreender este    tipo de análise, o pesquisador evita a descontextualização do estudo da atividade    de «fazer Estratégia». O desafio colocado ao pesquisador por esta interdependência    é combinar <i>insights </i>do nível micro com uma atenção contínua do contexto    institucional mais amplo que informa e autoriza tais práticas. </p>     <p>A preocupação com a explicação sobre como, por exemplo, conteúdos de rotinas    conectam-se com estratégias de crescimento e inovação ou como processos, tais    como os de treinamento, se ajustam aos padrões de mudança organizacional da    firma, constituem as preocupações representadas pelo segundo <i>link </i>vertical    (V2). Já o terceiro <i>link </i>(V3) representa a influência recíproca entre    os níveis da organização e das instituições sociais, sendo ambos considerados    pela abordagem da «Estratégia como Prática» como níveis «macro» de análise.  </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os <i>links</i> horizontais (H) chamam atenção para um importante dilema no    campo dos estudos de Estratégia: as fontes de vantagem competitiva estão no    conteúdo da Estratégia ou nos processos de formação e/ou formulação/implementação    da mesma? </p>     <p>Esse dilema conduz o pesquisador a dois tipos diferentes de problemas de pesquisa.    No primeiro, ele indaga sobre «que» estratégias conduzem a uma <i>performance</i>    superior, medida não apenas em termos de maximização do lucro, enquanto no segundo    sua pergunta centra-se no «como» alcançar estratégias superiores. </p>     <p>Cada uma dessas perguntas, na visão de Whittington (2002), conduz a diferentes    metodologias de pesquisa. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>&#9679 Considerações metodológicas </b></p>     <p>Pesquisas dentro da abordagem da «Estratégia como Prática» têm como um dos    seus focos a descoberta e análise de diferentes tipos de <i>praxis</i>, inter-relacionando-as    com seus praticantes e com práticas extra e intra-organizacionais, utilizando-se,    para tanto, de metodologias qualitativas, principalmente o estudo de caso, a    etnografia, a história oral e a <i>grounded theory</i> (Langley, 1999; Pozzebon    e Pinsonneuault, 2005). Como técnicas de coleta de dados, destacam-se a observação    participante, a entrevista direta (narrativa e/ou episódica) e o uso de fontes    documentais (Pettigrew, 1990 e 1992). </p>     <p>Apesar dos apelos de pesquisadores como Samra-Fredericks (2003, p. 167) no    sentido de se «utilizar métodos inovadores e multidisciplinares para o estudo    das práticas cotidianas», Chia e Mackay (2006, p. 5) afirmam que os estudos    sob a rubrica da «Estratégia como Prática», com algumas exceções, não romperam    com os comprometimentos filosóficos, metodológicos e com as unidades de análise    das pesquisas tradicionais sobre processo estratégico. Para eles, houve «apenas    mudanças na forma de explicar e comunicar os resultados das pesquisas», constituindo-se,    assim, muito mais uma extensão do que uma reformulação da perspectiva de Pettigrew    (1990 e 1992). </p>     <p>Chia e Mackay (2006, pp. 6-7) salientam que a perspectiva da «Estratégia como    Prática», para de fato reformular as pesquisas no campo da Estratégia, precisa    romper com vários comprometimentos filosóficos, adotando outros inteiramente    diferentes, como pode ser observado no Quadro. Ressaltam também que a superação    desses pressupostos se torna um desafio para os pesquisadores do campo da Estratégia    em função da dificuldade que estes têm de concebê-la como: inconsciente e não    deliberadamente formulada; imanente e não transcendente e dirigida a um objetivo;    e não explicitamente articulada em alguma forma de representação que direcione    a ação. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Quadro </b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Mudanças nos pressupostos que norteiam pesquisas na abordagem da «Estratégia    como prática» </b></p>     <p><img src="/img/revistas/rpbg/v9n1-2/9n1-2a02q1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Para Chia e Mackay (2006, pp. 11-12), Estratégia é «uma predisposição culturalmente    adquirida que nos orienta de uma forma particular para lidar com o mundo à nossa    volta». Logo, é imanente, invisível e inconsciente (não discursivo), acontecendo    sem uma intenção estratégica e subsistindo em cada ato que o agente pratica.    Representa uma «arte de manobra» (<i>art of maneuvering</i>), abrangendo uma    tradição de práticas sociais que foi transmitida, inconscientemente, na maioria    das vezes, de uma geração para outra por meio da exemplificação e não apenas    por meio de instruções formais. </p>     <p>Nesse contexto, compreendem-se práticas como atividades humanas organizadas    no espaço e no tempo (Pozzebon, 2004) que têm sua gênese na relação dialética    entre <i>habitus</i> e situação, ou seja, em um sistema de disposições adquiridas    que são um produto estruturado e estruturante de um conjunto de condições que    devem ser vistas em relação a outros sistemas (Bourdieu, 1996). Já as firmas    passam a ser compreendidas como «feixes de práticas e arranjos de artefatos    materiais que se ligam e se sobrepõem» (Chia, Mackay e Masrani, 2005, p. 5).    Recusa-se, portanto, a visão da perspectiva institucional de que as organizações    têm substância material que existe separadamente das práticas organizacionais    (Misoczky, 2003). </p>     <p>Motivado por essa forma de conceber ação, estrutura e organização, Chia (2005,    p. 17) argumenta que a Estratégia deve ser considerada como sendo «imanente    à ação humana em função do caráter disposicional do <i>habitus</i> que assegura    graus de consistência a tais ações», subsistindo, de forma tácita, em cada ação    cotidiana. Logo, Estratégia e identidade se co-produzem, sendo que ambas se    desenvolvem por meio de uma forma particular de engajamento no mundo. Para esse    autor, é o <i>habitus</i> o que dá consistência, estabilidade e identidade ao    agente como o <i>locus</i> da ação. </p>     <p>Rasche (2005, p. 14), complementando esta linha de pensamento, afirma que o    processo de fazer Estratégia implica em «pensar dentro da ação», sendo o sentido    dessa escolha constituído no curso da ação. Logo, não há separação entre decisão    e implementação, sendo necessário que o pesquisador mude de uma ontologia do    ser para uma ontologia do tornar-se. A estratégia passa a ser compreendida como    uma «estruturação lingüística da realidade» (Rasche, 2005, p. 17), sendo constituída    a partir de <i>performative speech acts</i>. </p>     <p>Na medida em que na abordagem da «Estratégia como Prática» a análise da estrutura    social suplementa a análise da estrutura da indústria, Albino (2007) sugere    que se incorpore à análise o conceito de campo. Por campo, Bourdieu (1996) entende    espaços estruturados de posições que podem ser analisados independentemente    das características de seus ocupantes. Por estrutura do campo, o autor entende    as relações de forças entre agentes ou instituições engajadas na luta pela distribuição    de capital específico (econômico, simbólico, social, cultural), o qual, acumulado    no curso das lutas anteriores, orienta as estratégias ulteriores. </p>     <p>Nota-se, portanto, que a noção de campo contém, em si, o princípio de uma apreensão    relacional do mundo social. Assim, os agentes, sejam eles indivíduos, grupos    ou organizações, existem e subsistem na e pela diferença, i.e., enquanto ocupam    «posições relativas» em um espaço de relações. Sendo assim, Bourdieu (1996)    recomenda que, para se compreender como um espaço social ou campo se organiza,    se analisem três dimensões. </p>     <p>Na primeira, estuda-se como os agentes se distribuem de acordo com o volume    total do capital possuído, incluindo-se todos os tipos de capital. Na segunda,    verifica-se como esse capital está estruturado, i.e., levanta-se o peso relativo    do capital econômico, social, cultural e simbólico no conjunto do seu patrimônio.    Na terceira, procura-se compreender a evolução, no tempo, do volume e da estrutura    de seu capital. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Misoczky (2003, p. 25) ressalta que os campos têm sua própria lógica, regras    e regularidades. Para ela, «cada campo constitui potencialidade aberta de jogo,    cujos limites são «fronteiras dinâmicas», que também são objeto de disputa dentro    do próprio campo». Nesse sentido, Bourdieu (2004, p. 29) ressalta que a diferença    maior entre um campo e um jogo é que «o campo é um jogo no qual as regras do    jogo estão elas próprias postas em jogo», o que pode ser percebido toda vez    que uma revolução simbólica vem redefinir as próprias condições de acesso ao    jogo, i.e., «as propriedades que aí funcionam como capital e dão poder sobre    o jogo e sobre os jogadores». </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Considerações finais </b></p>     <p>A perspectiva da «Estratégia como Prática» ainda não propôs um modelo teórico    totalmente estruturado, assim como ainda não foram realizadas muitas pesquisas    empíricas, principalmente em função da quantidade de dados necessária, da forma    de obtê-los, além da dificuldade de acesso aos mesmos (Jarzabkowski, Balogun    e Seidl, 2006). Trata-se, portanto, de um paradigma em construção, mas que tem    encontrado respaldo em jornais, revistas e congressos internacionais, principalmente    na Europa. </p>     <p>As pesquisas dentro da abordagem da ‘Estratégia como Prática’, na maioria das    vezes, buscam compreender como ação e estruturas se articulam no processo de    constituição da Estratégia, além de procurarem evidenciar onde e como as atividades    de ‘fazer Estratégia’ acontecem, quem as realiza, quais as competências necessárias    para exercê-las e como foram adquiridas. Para tanto, sugere-se que se realizem    pesquisas qualitativas de caráter explicativo, utilizando, de forma conjugada,    diferentes estratégias de teorização a partir de dados, assim como sejam utilizadas    várias técnicas de coleta e tratamento de dados. </p>     <p>O caráter indutivo do tipo de pesquisa proposto, associado ao desejo de se    estender teoria a partir de evidências empíricas, são os principais fatores    que indicam a conjugação do método de casos múltiplos incorporados com a <i>grounded    theory</i>, o <i>extended case method</i>, a etnografia e o <i>laddering method</i>    (Yin, 2005; Vergara, 2005; Lewis e Grimes, 2005). </p>     <p>Nesse âmbito, cabe ressaltar que a <i>grounded theory</i> enfatiza, segundo    Corbin e Strauss (1990), a necessidade de selecionar os casos e coletar dados    de forma gradual (amostragem teórica); utilizar minimamente teorias antes do    início dos trabalhos de campo; não utilizar hipóteses formais <i>ex-ante</i>    mas sim conjecturas; coletar e interpretar os dados simultaneamente; definir    categorias de análise a partir de evidências empíricas. Entretanto, tanto Flick    (2004) quanto Eisenhardt (1989) e Yin (2005), argumentam que o processo de pesquisa    usando <i>grounded theory</i> não começa como uma <i>tabula rasa</i>. Para eles,    o ponto de partida é uma compreensão prévia do campo teórico e empírico de pesquisa.    Entretanto, a escolha da(s) abordagem(s) teórica(s) que norteia(m) a coleta    e análise dos dados acontece ao longo do processo de pesquisa iterativa e não    <i>a priori.</i> No caso de não se encontrar uma corrente teórica com poder    explicativo suficiente, o pesquisador pode desenvolver uma nova teoria; integrar    e/ou estender teorias existentes. </p>     <p>No contexto de pesquisa aqui sugerido, o método etnográfico possibilita a obtenção    de informações mais detalhadas e densas, o que enriquecerá as análises feitas    a partir da <i>grounded theory</i> e do <i>extended case method</i>. Ressalta-se    que a sugestão de se conjugar pesquisa histórica/análise longitudinal com o    acompanhamento de acontecimentos em tempo real se deve ao fato das propriedades    estruturais, segundo Giddens (2003), não possuírem existência física, apesar    de serem reais, ou seja, são <i>memory traces</i> que só podem ser observados    dentro da ação humana. </p>     <p>Para analisar os dados obtidos no processo de observação participante, sugere-se    a conjugação da teoria da estruturação de Giddens (2003) com a análise crítica    de discurso (Pozzebon e Rodríguez, 2005). Dessa forma, construtos como dualidade    da estrutura, cognoscitividade, tempo/espaço, poder e identidade podem ser integrados    a uma perspectiva que considera tanto as regularidades quanto as contradições    para fins de análise de discurso, sendo este compreendido como construtor da    realidade social e não apenas como comunicação (Chia, 2000; Heracleous e Hendry,    2000). </p>     <p>Para organização dos dados relativos a cada caso, sugere-se a construção de    narrativas, evitando-se, assim, o que Pettigrew, citado por Eisenhardt (1989,    p. 540), denomina <i>death by data asphyxiation</i>. Em seguida, o pesquisador    deve procurar padrões entre os casos, sendo utilizada a tática de comparar pares    de casos e listar suas similaridades e diferenças. Desse processo, acredita-se    que surgirão categorias que permitirão a comparação do conjunto de casos. Relações    entre essas categorias devem ser propostas e testadas em cada caso, seguindo    a lógica da replicação, assim como deve ser feita comparação com a literatura    corrente (Corbin e Strauss, 1990; Eisenhardt, 1989; Yin, 2005). </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ressalta-se que a técnica <i>broad-ranging temporal bracketing</i> pode ser    usada para estabelecer os intervalos de tempo que permitirão analisar os efeitos    das ações dos agentes sobre as estruturas, assim como os efeitos das coerções    estruturais sobre as ações dos agentes. Segundo Pozzebon e Pinsonneault (2005),    essa técnica é mais indicada quando o período de coleta de dados é inferior    ao período de tempo analisado. </p>     <p>A sugestão de triangular a <i>grounded theory</i> e o <i>extended case method</i>    se deve ao apelo feito por Volberda (2004, p. 32) no sentido de se evitar maior    fragmentação do campo da Estratégia, que, na sua visão, está além de um estágio    classificatório. Assim, no lugar de propor mais uma abordagem teórica, principal    objetivo da <i>grounded theory</i>, busca-se, por meio da sua conjugação com    o <i>extended case method</i>, integrar e estender teorias existentes. </p>     <p>Outra contribuição do <i>extended case method</i> é a sua abordagem reflexiva,    ou seja, neste método, «reconhece-se a mediação do pesquisador ao conhecer a    realidade pesquisada», exigindo que ele desenvolva «capacidade de autocrítica    acerca da sua autoridade como intérprete e autor» (Vergara, 2005, p. 186). Da    mesma forma, ao considerar que princípios estruturais tanto são modelados quanto    modelam o mundo social, esse método permite que o pesquisador fuja da abordagem    eminentemente positivista da <i>grounded theory</i>, ao mesmo tempo em que proporciona    maior aderência com as perspectivas conceituais de Giddens e Bourdieu (Burawoy,    1998). Ressalta-se que o uso do <i>extended case method</i> também possibilita    melhor compreensão sobre a forma como as estruturas sociais se interpenetravam,    ou seja, como os informantes apreendem as estruturas sociais por meio da cultura,    também considerada uma estrutura (Eliasoph e Lickterman, 1999). </p>     <p>Cabe destacar que, em comum, a <i>grounded theory</i>, o <i>extended case method    </i>e a etnografia privilegiam a observação e a análise do comportamento nas    suas condições naturais; priorizam a forma como as interações estão organizadas    e não apenas o seu conteúdo ou significado subjetivo atribuído às mesmas pelos    participantes; destacam a importância de se considerar o contexto das interações    na análise dos dados; defendem o uso de observação participante; definem a amostra    a partir dos dados, bem como enfatizam que os resultados da pesquisa devem ser    úteis tanto para o pesquisador quanto para os informantes, podendo ser compartilhados    com os mesmos ao longo do processo e não apenas ao final do estudo (Burawoy,    1998 e 2003). </p>     <p>Para analisar a estruturação e a dinâmica do campo estudado, sugere-se que    sejam seguidas as recomendações de Bourdieu (1996, p. 18) no sentido de se estudar    a relação entre as posições sociais dos agentes, suas disposições (ou os <i>habitus</i>)    e as tomadas de posição (ou «escolhas») que eles fazem nos domínios das suas    práticas. Para o levantamento dos valores (<i>ethos</i>) que constituem o <i>habitus</i>    desses agentes, recomenda-se o uso de uma versão adaptada por Bourne e Jenkins    (2005) do <i>laddering method</i>, criado por Hinkle em 1965, tendo por base    a teoria do construto pessoal de Kelly, datada de 1955. O uso desta versão do    <i>laddering method</i> é aconselhável na medida em que procura elucidar os    valores pessoais dos entrevistados, hierarquizando-os e correlacionando-os com    a sua trajetória profissional e/ou estratégia adotada pela empresa que possuem    e/ou representam, sendo estes dados coletados durante uma única ou poucas entrevistas    onde outros assuntos também são explorados (Bourne e Jenkins, 2005). </p>     <p>Ao considerar múltiplas dimensões de análise, a metodologia sugerida enfatiza    a importância de se estudar os indivíduos e suas interações, assim como as rotinas/ferramentas    utilizadas nessas interações. Preocupa-se com a <i>performance</i> das pessoas    e sua <i>praxis</i> em interações estratégicas, ao mesmo tempo em que não ignora    a performance da firma. Procura unir, horizontalmente, conteúdo e processo enquanto,    verticalmente, integra abordagens macro e micro, contemplando, inclusive, o    estudo de procedimentos, ferramentas e discursos que legitimam práticas individuais    e organizacionais, sejam elas oriundas de um setor industrial, de uma comunidade    de prática ou diferentes contextos nacionais ou internacionais. Destaca-se,    portanto, o que Brown e Duguid (2001) denominam <i>the internal life of process</i>,    ou seja, a articulação entre práticas e <i>praxis</i> por meio da qual o trabalho    de fazer estratégia é realmente levado a cabo. </p>     <p>Concluindo, pode-se firmar que a abordagem da «Estratégia como Prática» vem    configurando-se como uma proposta de síntese no campo dos estudos sobre Estratégia,    cabendo, portanto, a cada pesquisador a decisão de identificar-se ou não com    esta perspectiva que está se tornando tendencialmente dominante. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Referências bibliográficas </b></p>     <p>ALBINO, J. C. de (2007), «Uma questão de estilo». Dissertação de Mestrado,    Cepead – UFMG, Belo Horizonte. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>BOURDIEU, P. (2004), <b>Os Usos Sociais da Ciência </b>. UNESP, São Paulo.  </p>     <p>BOURDIEU, P. (1996), <b>Razões Práticas</b>. Papirus, Campinas, São Paulo .  </p>     <p>BOURNE, H. e JENKINS, M. (2005), «Eliciting managers’ personal values». <i>Organizational    Research Methods</i>, vol. 8 , n.º 4, pp. 410-428, Outubro. </p>     <p>BROWN, J. S. e DUGUID, P. (2001), «Knowledge and organization». <i>Organization    Science </i>, vol. 12, n.º 2, pp. 198-213, Março/Abril. </p>     <p>BURAWOY, M. (2003), «Revisits: an outline of a theory of reflexive ethnography».    <i>American Sociological Review</i><b>,</b> vol. 68, pp. 645-679, Outubro. </p>     <p>BURAWOY, M. (1998), «The extended case method». <i>Sociological Theory</i><b>,</b>    vol. 16, n.º 1, pp. 4-33, Março. </p>     <p>CHIA, R. (2005), «Strategy-in-action». Disponível em <a href="http://www.strategy-as-practice.org" target="_blank">http://www.strategy-as-practice.org</a>/.    Acesso em 04/12/05. </p>     <p>CHIA, R. (2000), «Discourse analysis as organizational analysis». <i>Organization</i>,    vol. 7, n.º 3, pp. 513-518. </p>     <p>CHIA, R. (1994), «The concept of decision». <i>Journal of Management Studies</i>,    vol. 31, n.º 6, pp. 781-806. </p>     <p>CHIA, R. e MACKAY, R. (2006), «Post-processual challenges for the emerging    strategy-as-practice perspective». <i>In </i>6th EURAM Conference, <i>Anais</i><b>,</b>    Oslo. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>CHIA, R.; MACKAY, B. e MASRANI, S. (2005), «Capabilities as structuring dispositions».    Disponível em <a href="http://www.s-as-p.org/downloadp.php?file=RobertChia.pdf." target="_blank">http://www.s-as-p.org/downloadp.php?file=RobertChia.pdf</a>.    Acesso em 12/01/06. </p>     <p>CORBIN, J. e STRAUSS, A. (1990), «Grounded theory research». <i>Qualitative    Sociology</i>, vol. 13, n.º 1, pp. 3-21. </p>     <p>EISENHARDT, K. M. (1989), «Building theories form case study research». <i>Academy    of Management Review</i>, vol. 14, n.º 4, pp. 532-550. </p>     <p>ELIASOPH, N. e LICHTERMAN, P. (1999), «We begin with our favorite’s theory».    <i>Sociological Theory </i><b>, </b>vol. 17, n.º 2, pp. 228-234, Julho. </p>     <p>FLICK, U. (2004), <b>Uma Introdução à Pesquisa Qualitativa.</b> 2.ª ed., Bookman,    Porto Alegre. </p>     <p>GIDDENS, A. (2003), <b>A Constituição da Sociedade.</b> 2.ª ed., Martins Fontes,    São Paulo. </p>     <p>GIDDENS, A. e PIERSON, C. (2000), «Teoria da estruturação». <i>In</i> _______,    <b>Conversas com Anthony Giddens</b>. Editora FGV, Rio de Janeiro, pp. 61-72.  </p>     <p>HERACLEOUS, L. e HENDRY, J. (2000), «Discourse and the study of organization».    <i>Human Relations</i>, vol. 53, n.º 10, pp. 1251-1286. </p>     <p>JARZABKOWSKI, P. (2004), «Strategy as practice». <i>Organization Studies </i>,    vol. 25, n.º 4, pp. 529-560. </p>     <p>JARZABKOWSKI, P. e SEIDL, D. (2005), «Meetings as strategizing episodes in    the becoming of organizational strategy». <i>In</i> Organizations Studies Summer    Workshop, 1, <i>Anais</i><b>,</b> Santorini. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>JARZABKOWSKI, P.; BALOGUN, J. e SEIDL, D. (2006), «Five key questions and a    conceptual framework for strategy-as-practice research». <i>In</i> 6th EURAM    Conference, <i>Anais</i><b>,</b> Oslo. </p>     <p>LANGLEY, A. (1999), «Strategies for theorizing from process data». <i>Academy    of Management</i>, vol. 24, n.º 4, pp. 691-710, Outubro. </p>     <!-- ref --><p>LEWIS, M. W. e GRIMES, A. J. (2005), «Metatriangulação». <i>Revista de Administraç    ão de Empresas </i><b>, </b>vol. 45, n.º 1, pp. 72-91, Janeiro/Março. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000125&pid=S1645-4464201000010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>MEIRELLES, A. M. e GONÇALVES, C. A. (2005), «Uma abordagem multiparadigmática    para a disciplina estratégia». <i>In</i> 2.º Encontro de Estudos em Estratégia,    <i>Anais </i>, ANPAD, Rio de Janeiro. </p>     <p>MICKLETHWAIT, J. e WOOLDRIDGE, A. (1998), <b>Os Bruxos da Administração </b>.    8.ª ed., Elsevier, Rio de Janeiro. </p>     <p>MINTZBERG, H.; AHLSTRAND, B. e LAMPEL, J. (2000), <b>Safári de Estratégia</b>.    Bookman, Porto Alegre. </p>     <p>MISOCZKY, M. C. A. (2003), «Implicações do uso das formulações sobre campo    de poder e ação de Bourdieu nos estudos organizacionais». <i>Revista de Administração    Contemporânea </i>, Edição Especial, pp. 9-30. </p>     <p>PETTIGREW, A. (1993), «On studying managerial elites». <i>Strategic Management    Journal </i>, vol. 13, pp. 163-182. </p>     <p>PETTIGREW, A. (1990), «Longitudinal field research on change». <i>Organization    Science</i>, vol. 1, n.º 3, pp. 267-292, August. </p>     <p>POZZEBON, M. (2004), «The influence of a structurationist view on strategic    management research». <i>Journal of Management Studies</i>, vol. 41, n.º 2,    pp. 247-272, Março. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>POZZEBON, M. e PINSONNEAULT, A. (2005), «Challenges in conducting empirical    work using structuration theory». <i>Organization Studies</i>, vol. 26, n.º    9, pp. 1353-1376. </p>     <p>POZZEBON, M. e RODRÍGUEZ, C. (2005), «Temporally bracketing discourses for    theorizing process». <i>In</i> 21th EGOS Colloquium, <i>Anais </i>, Berlim .  </p>     <p>RASCHE, A. (2005) «Unlocking strategy process research». <i>In </i>21th EGOS    Colloquium, <i>Anais, </i>Berlim. </p>     <p>SAMRA-FREDERICKS, D. (2003), «Strategizing as lived experience and strategists’    everyday efforts to shape strategic direction». <i>Journal of Management Studies    </i>, vol. 40, n.º 1, pp. 141-174, Janeiro. </p>     <p>TAVARES, M. C.; AMARAL, L. A. S. e GONÇALVES, C. A. (2003), «Constru ção do    conhecimento em estratégia e em competitividade». <i>In</i> 1.º Encontro de    Estudos em Estratégia, <i>Anais </i>, ANPAD, Curitiba. </p>     <p>VERGARA, S. C. (2005), <b>Métodos de Pesquisa em Administração. Atlas , São    Paulo. </b></p>     <p>VOLBERDA, H. W. (2004), «Crise em estratégia». <i>Revista de Administração    de Empresas </i>, vol. 44, n.º 4, pp. 32-43, Outubro/Dezembro. </p>     <p>WHITTINGTON, R. (2006), «Completing the practice turn in st rategy research».    <i>Organization Studies</i>, vol. 27, n.º 5, pp. 613-634. </p>     <p>WHITTINGTON, R. (2002), «Practice perspectives on strategy». <i>Best Paper    Proceedings Academy of Management </i>, Denver. </p>     <p>WHITTINGTON, R. (1992), «Putting Giddens into action». <i>Journal of Management    Studies</i>, vol. 29, n.º 6, pp. 693-712, Novembro. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>WHITTINGTON, R. (1988), «Environmental, structure and theories of strategic    choice». <i>Journal of Management Studies </i>, vol. 25, n.º 6, pp. 521-536,    Novembro. </p>     <p>WHITTINGTON, R.; JOHNSON, G. e MELIN, L. (2004), «The emerging field of strategy    practice». <i>In </i>20th EGOS Colloquium, <i>Anais </i>, Lubliana. </p>     <p>YIN, R. (2005), <b>Estudo de Caso</b>. 3.ª ed., Bookman, Porto Alegre. </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><sup><a name="a1"></a><a href="#topa1">1</a></sup><i>PhD student in Business    Administration (FACE/UFMG). Professor at PUC Minas and Coordinator of the MBA    in Marketing and Business Management at IEC/PUC Minas, Brazil . Alumno de Doctorado    en Administración de Empresas Cepead/FACE/UFMG; profesor da PUC Minas y coordinador    del MBA en Marketing y Administración de Empresas del IEC/PUC Minas Gerais,    Brasil. </i></p>     <p><sup><a name="a2"></a><a href="#topa2">2</a></sup> <i>PhD in Business Administration.    Professor at Doctoral and Master’s Degree Programs of the Business Administration    Center (Cepea d) at FACE/UFMG, Brazil . Doctorado en Administración de Empresas    y profesor del Programa de Maestría y Doctorado del Centro de Estudios de Posgrado    en Administración (Cepead) de FACE/UFMG, Brasil. </i></p>     <p><sup><a name="a3"></a><a href="#topa3">3</a></sup><i>PhD in Business Administration.    Vice-Coordinator and Professor at Doctoral and Master’s Degree Programs of the    Business Administration Center (Cepead) at FACE/UFMG. Society and Management    Studies Research Center Coordinator (Neos) at FACE/UFMG, Brazil. Doctorado en    Administración de Empresas, coordinador adjunto y profesor del Programa de Maestría    y Doctorado del Centro de Posgrado en Administración (Cepead) de FACE/UFMG,    Brasil. </i></p>     <p><sup><a name="a4"></a><a href="#topa4">4</a></sup><i>PhD in Political Science    and Public Administration. Professor at Doctoral and Master’s Degree Programs    of the Business Administration Center (Cepead) at FACE/UFMG and Vice-Director    of FACE/UFMG, Brazil. Doctorado en Ciencia Política y Administración Pública    (Univ. Complutense de Madrid, España) y profesor del Programa de Maestría y    Doctorado del Centro de Estudios de Posgrado en Administración (Cepead) de FACE    / UFMG. Vice-director de FACE/UFMG, Brasil.</i></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido em Abril de 2009 e aceite em Março de 2010. </p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>Received in April 2009 and accepted in March 2010. </i></p>      ]]></body>
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<surname><![CDATA[LEWIS]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. W.]]></given-names>
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<surname><![CDATA[GRIMES]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. J.]]></given-names>
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