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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Técnicas de reabilitação: na inatenção hemiespacial selectiva]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Hospital de Santa Maria Centro de Estudos Egas Moniz Laboratório de Estudos de Linguagem]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Neglect is the major cognitive deficit that results from a lesion on the right cerebral hemisphere. The clinical manifestations are very heterogeneous and bring .to the patient serious repercussions on his quality of life. The fact that the more evident manifestations recover spontaneously during the first 10 days after lesion, could explain the generalized idea, among health staff, that neglect has always a favourable prognostic. In reality, the manifestations of neglect can persist, although subtly, for a long period. That's why the implementation of programs of rehabilitation is so important. The first techniques of rehabilitation for neglect were developed, intuitively, from the clinical practice. Later, a training of the visuospatial scanning was developed on a systematic way. Although this type of intervention may not permit a generalization for functional activities, is useful for training specific activities. A number of other techniques have been implemented to reduce the manifestations of neglect; however, the results are not conclusive.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Inatenção hemiespacial selectiva]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>T&#233;cnicas de reabilita&#231;&#227;o na inaten&#231;&#227;o hemiespacial selectiva</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Unilateral spatial neglect: technics of rehabilitation</b></font></p>          <p>&nbsp;</p>              <p><font face="Verdana" size="2"><b>Clara de Santos Loureiro<sup>1,*</sup></b></font></p>                 <p><font face="Verdana" size="2"><sup>1</sup>Laborat&#243;rio de Estudos de Linguagem, Centro de Estudos Egas Moniz, Hospital de Santa Maria.</font></p>              <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*</sup><a href="#c0">Autor para correspond&#234;ncia</a><a name="topc0"></a></font></font></p>              <p>&nbsp;</p>     <hr size="1" noshade>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O <i>neglect</i> constitui o defeito cognitivo que, mais frequentemente, decorre de uma les&#227;o do hemisf&#233;rio cerebral direito. As suas manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas s&#227;o muito heterog&#233;neas e acarretam ao doente graves repercuss&#245;es na sua qualidade de vida. O facto de a sintomatologia mais evidente recuperar espontaneamente nos primeiros dez dias ap&#243;s a instala&#231;&#227;o da les&#227;o, leva, possivelmente, &#224; ideia generalizada, entre t&#233;cnicos de sa&#250;de, de que o <i>neglect</i> tem geralmente um progn&#243;stico favor&#225;vel. Na realidade, as suas manifesta&#231;&#245;es podem persistir, embora de forma subtil, durante muitos meses. Da&#237; a import&#226;ncia da implementa&#231;&#227;o de programas de reabilita&#231;&#227;o. As primeiras t&#233;cnicas de reabilita&#231;&#227;o do <i>neglect</i> surgiram intuitivamente da pr&#225;tica cl&#237;nica. S&#243; mais tarde foi desenvolvido, de forma mais sistematizada, o treino da capacidade de pesquisa visuoespacial. Embora este tipo de t&#233;cnica possa ter limita&#231;&#245;es quanto &#224; generaliza&#231;&#227;o que proporciona para actividades funcionais, mostrou-se &#250;til no treino de tarefas espec&#237;ficas. Um conjunto de outras t&#233;cnicas tem sido implementado com o objectivo de minorar as manifesta&#231;&#245;es do <i>neglect,</i> embora os resultados n&#227;o sejam conclusivos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave</b> Inaten&#231;&#227;o hemiespacial selectiva, reabilita&#231;&#227;o, <i>neglect.</i></font></p>          <hr size="1" noshade>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Neglect is the major cognitive deficit that results from a lesion on the right cerebral hemisphere. The clinical manifestations are very heterogeneous and bring .to the patient serious repercussions on his quality of life. The fact that the more evident manifestations recover spontaneously during the first 10 days after lesion, could explain the generalized idea, among health staff, that neglect has always a favourable prognostic. In reality, the manifestations of neglect can persist, although subtly, for a long period. That&#39;s why the implementation of programs of rehabilitation is so important. The first techniques of rehabilitation for neglect were developed, intuitively, from the clinical practice. Later, a training of the visuospatial scanning was developed on a systematic way. Although this type of intervention may not permit a generalization for functional activities, is useful for training specific activities. A number of other techniques have been implemented to reduce the manifestations of neglect; however, the results are not conclusive.</font></p>      <hr size="1" noshade>         <p>&nbsp;</p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Introdu&#231;&#227;o</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Defini&#231;&#227;o</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A capacidade de explorar o espa&#231;o e, consequentemente, de orientar voluntariamente a aten&#231;&#227;o para est&#237;mulos relevantes, &#233; um elemento fundamental no comportamento adaptativo do ser humano. A inaten&#231;&#227;o hemiespacial selectiva, ou <i>neglect</i> (termo utilizado na literatura anglo-sax&#243;nica, que ser&#225; adoptado ao longo deste texto), decorre de uma les&#227;o cerebral e consiste na perturba&#231;&#227;o dessa capacidade atencional, desde que a mesma n&#227;o possa ser atribu&#237;da a um defeito sensorial ou motor. Repercute-se no indiv&#237;duo numa impossibilidade em atender, orientar-se para, ou responder, a est&#237;mulos novos ou signficativos (visuais, t&#225;cteis ou auditivos) que se lhe apresentem no hemiespa&#231;o contralateral &#224; les&#227;o (Heilman <i>et ah, </i>1993).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Etiologia e neuropalologta</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O <i>neglect</i> surge, em grande parte dos casos, na sequ&#234;ncia de patologias de instala&#231;&#227;o aguda, constituindo o acidente vascular cerebral (AVC) a causa mais comum para a sua ocorr&#234;ncia, ainda que tumores de r&#225;pido crescimento e traumatismos cranianos possam igualmente estar na sua origem (Heilman <i>et al.,</i> 1993). Decorre, com mais frequ&#234;ncia, de uma les&#224;o do hemisf&#233;rio direito, repercutindo-se, por conseguinte, as suas manifesta&#231;&#245;es no lado esquerdo do espa&#231;o. Calcula-se, pois, que esta patologia, que afecta cerca de 23% dos doentes v&#237;timas de AVC unilateral em fase aguda, se manifesta em 42% dos doentes cuja les&#224;o se situa no hemisf&#233;rio cerebral direito e apenas em 8% dos afectados no hemisf&#233;rio esquerdo (Pederson <i>et ai, </i>1997).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Considera-se actualmente que, subjacente ao mecanismo respons&#225;vel pela maior potencialidade do hemisf&#233;rio direito no controle da aten&#231;&#227;o espacial, haja um sistema paralelo de activa&#231;&#227;o entre diferentes estruturas anat&#243;micas desse hemisf&#233;rio. Tr&#234;s &#225;reas corticais t&#234;m especial import&#226;ncia na explora&#231;&#227;o do espa&#231;o: a regi&#227;o parietal posterior, os campos visuais frontais (<i>frontal eyes fields,</i> &#225;rea 8 de Broadman) e a parte anterior do c&#237;ngulo (ou circunvolu&#231;&#227;o do corpo caloso); estas &#225;reas, al&#233;m de estabelecerem liga&#231;&#245;es entre si, relacionam-se tamb&#233;m com estruturas subcorticais, como sejam os n&#250;cleos pulvinares do t&#225;lamo e o estriado (Mesulam, 1981, 1990). A integridade destas &#225;reas e das suas conex&#245;es &#233;, pois, fundamental para assegurar a capacidade de controlo da aten&#231;&#227;o espacial.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas</i></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas do <i>neglect</i> s&#227;o muito heterog&#233;neas, n&#227;o se podendo, por conseguinte, falar de uma s&#237;ndroma unit&#225;ria (Heilman <i>et al,</i> 1993; Stone <i>et ai, </i>1998). De facto, podem-se distinguir diferentes componentes no <i>neglect:</i> a) visuoes-pacial; b) motor; c) representacional. O doente apresenta, ent&#227;o, respectivamente: a) uma incapacidade em pesquisar visualmente o espa&#231;o circundante; b) em desencadear os movimentos motores necess&#225;rios &#224; sua explora&#231;&#227;o; e c) em represent&#225;-lo mentalmente na sua totalidade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estes aspectos podem manifestar-se a um n&#237;vel: 1) extrapessoal, quando os est&#237;mulos presentes no espa&#231;o circundante contralateral &#225; les&#227;o n&#227;o s&#227;o tidos em considera&#231;&#227;o pelo doente; 2) pessoal, se o doente deixa parte do corpo &#8220;esquecida&#34; ao efectuar tarefas que geralmente exigem a sua utiliza&#231;&#227;o ou ao executar actividades que sobre elas recaem; e 3) representacional. Determinadas actividades podem, assim, tornar-se de dif&#237;cil execu&#231;&#227;o, j&#225; que o doente negligencia os est&#237;mulos que se encontram no seu hemiespa&#231;o esquerdo. Pode, por conseguinte, 1) n&#227;o evitar obst&#225;culos quando se desloca, omitir palavras durante a leitura de um texto ou ignorar determinados alimentos enquanto toma uma refei&#231;&#227;o; 2) ser-lhe imposs&#237;vel realizar actividades que recaiam sobre o seu corpo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">como seja o fazer a barba ou o lavar a cara; 3) ter dificuldade na evoca&#231;&#227;o de imagens mentais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Encontram-se igualmente associados ao <i>neglect</i> o fen&#243;meno de extin&#231;&#227;o, no caso de o doente, perante est&#237;mulos simult&#226;neos, igualmente relevantes, negligenciar permanentemente o est&#237;mulo que se lhe apresente pela esquerda, e o de anosognosia, se o mesmo n&#227;o reconhecer os seus defeitos sensoriais prim&#225;rios.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Hist&#243;ria natural</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As manifesta&#231;&#245;es mais vis&#237;veis do <i>neglect</i> recuperam espontaneamente durante os primeiros 10 dias ap&#243;s a instala&#231;&#227;o da les&#227;o (Stone <i>et al,</i> 1992). Assim sendo, assiste-se, nestes poucos dias, &#224; transforma&#231;&#227;o de uma s&#237;ndroma com manifesta&#231;&#245;es muito evidentes num quadro cl&#237;nico discreto, cuja sintomatologia s&#243; poder&#225; ser posta em evid&#234;ncia atrav&#233;s de cuidadosa observa&#231;&#227;o. Este facto est&#225;, possivelmente, na base da ideia generalizada, entre os t&#233;cnicos de sa&#250;de, de que esta patologia tem geralmente um progn&#243;stico favor&#225;vel. No entanto, s&#227;o muitos os casos descritos de doentes com <i>neglect</i> cujas manifesta&#231;&#245;es persistem mesmo durante v&#225;rios meses, ap&#243;s a instala&#231;&#227;o da les&#227;o (Sunderland <i>et al,</i> 1987).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Repercuss&#245;es</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>O neglect</i> tem repercuss&#245;es negativas n&#227;o s&#243; na recupera&#231;&#227;o do doente, mas igualmente na sua qualidade de vida. De facto, a esta s&#237;ndroma est&#227;o associados internamentos mais longos; estadias mais prolongadas nos centros de reabilita&#231;&#227;o; recupera&#231;&#245;es mais lentas, e nem sempre totais, dos defeitos motores e sensoriais; uma maior necessidade de assist&#234;ncia nas actividades da vida di&#225;ria (Paolucci <i>et al,</i> 1996). Muitas vezes associada ao <i>neglect,</i> a exist&#234;ncia de anosognosia constitui um factor de mau progn&#243;stico na recupera&#231;&#227;o do doente (Gianella &#38; Mattioli, 1992).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A persist&#234;ncia das manifesta&#231;&#245;es do <i>neglect</i> e as s&#233;rias repercuss&#245;es que estas acarretam ao doente, na execu&#231;&#227;o das actividades de vida di&#225;ria, apontam para a import&#226;ncia de programas de reabilita&#231;&#227;o que lhe possibilitem uma recupera&#231;&#227;o da sintomatologia e, por conseguinte, uma melhor qualidade de vida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Reabilita&#231;&#227;o cognitiva do <i>neglect</i></b></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Os primeiros passos da reabilita&#231;&#227;o cognitiva do</i>neglect</b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">As primeiras t&#233;cnicas de reabilita&#231;&#227;o do <i>neglect</i>surgiram intuitivamente da pr&#225;tica cl&#237;nica. As estrat&#233;gias utilizadas pelos t&#233;cnicos de sa&#250;de tinham como objectivo a recupera&#231;&#227;o dos sintomas, pela resolu&#231;&#227;o do problema subjacente: a incapacidade do doente em orientar-se automaticamente para o hemiespa&#231;o esquerdo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>A estrutura dos programas de reabilita&#231;&#227;o e as t&#233;cnicas de estimula&#231;&#227;o utilizadas</i></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O tipo de interven&#231;&#227;o que surge na sequ&#234;ncia das primeiras abordagens adoptadas na reabilita&#231;&#227;o do <i>neglect</i> e que ainda hoje &#233; utilizado, tem como principal objectivo a re-orienta&#231;&#227;o da aten&#231;&#227;o do doente para o hemiespa&#231;o esquerdo. Para alcan&#231;ar esse objectivo, dever-se-&#225;, primeiramente, identificar as capacidades perturbadas que est&#227;o na base da condi&#231;&#227;o patol&#243;gica e, posteriormente, facultar ao doente um programa de reabilita&#231;&#227;o adequado. Espera-se, assim, que o treino numa determinada tarefa perceptiva acarrete uma generaliza&#231;&#227;o autom&#225;tica para outras actividades perceptivas semelhantes, e surta, igualmente, efeito nas actividades da vida di&#225;ria (Calvanio <b><i>et al,</i></b> 1993).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Com o intuito de minorar o defeito atencional do doente, este tipo de interven&#231;&#227;o recorre, frequentemente, a diferentes t&#233;cnicas de estimula&#231;&#227;o, nomeadamente &#224; estimula&#231;&#227;o visual lateralizada e ao feedback. A interven&#231;&#227;o &#233; estruturada de forma a que, numa fase inicial do tratamento, este tipo de estimula&#231;&#227;o seja constantemente utilizado e esteja presente em diferentes modalidades sensoriais; posteriormente, &#224; medida que o paciente desenvolve, de forma aut&#243;noma, estrat&#233;gias compensat&#243;rias, tal estimula&#231;&#227;o vai sendo reduzida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estimula&#231;&#227;o visual lateralizada</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Muitas tarefas utilizadas nos programas de reabilita&#231;&#227;o do <i>neglect</i> recorrem ao uso de estimula&#231;&#227;o visual lateralizada (pistas visuais), com o intuito de proporcionar ao paciente pistas que lhe facilitem a orienta&#231;&#227;o da aten&#231;&#227;o para o lado do espa&#231;o que ele negligencia. Quando utilizadas, estas pistas s&#227;o geralmente est&#225;ticas &#8212; s&#237;mbolos coloridos, n&#250;meros ou letras &#8212; e est&#227;o dispostas no lado esquerdo dos est&#237;mulos que constituem a tarefa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A presen&#231;a deste tipo de estimula&#231;&#227;o parece ser eficiente na redu&#231;&#227;o do <i>neglect.</i> Riddoch e Humphreys (1983) pediram a cinco doentes com <b><i>neglect, </i></b>decorrente de uma les&#227;o do hemisf&#233;rio direito, que executassem uma tarefa de bissec&#231;&#227;o de linhas, na presen&#231;a e na aus&#234;ncia de uma pista est&#225;tica, disposta no hemiespa&#231;o esquerdo. Verificaram uma marcada diminui&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es da s&#237;ndroma, quando os doentes eram for&#231;ados a identificar a pista est&#225;tica antes de realizarem a tarefa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">No entanto, verificaram que este tipo de estimula&#231;&#227;o s&#243; surtia o efeito desejado se o doente fosse instru&#237;do a procurar essa pista; se tal n&#227;o acontecesse, o comportamento de neglig&#234;ncia mantinha-se (Riddoch &#38; Humphreys, 1983).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Uma vez que o doente com <i>neglect</i> n&#227;o tem capacidade para orientar a aten&#231;&#227;o, de forma autom&#225;tica, para o hemiespa&#231;o esquerdo, alguns autores consideram que esta t&#233;cnica n&#227;o &#233; particularmente eficiente, uma vez que exige ao doente que tome a iniciativa de adoptar uma estrat&#233;gia para compensar o seu defeito, do qual pode nem ter consci&#234;ncia. Sugerem, por conseguinte, que o uso de pistas din&#226;micas poder&#225; ser mais ben&#233;fico como forma de estimula&#231;&#227;o.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Para avaliar a maior efic&#225;cia das pistas din&#226;micas em rela&#231;&#227;o &#224;s est&#225;ticas Butter <i>et al.</i>(1990) compararam o desempenho de 18 pacientes com <b><i>neglect, </i></b>decorrente de uma les&#227;o no hemisf&#233;rio direito, em duas tarefas de bissec&#231;&#227;o de linhas, que apenas diferiam entre si na exist&#234;ncia, &#224; esquerda de cada uma das linhas, de est&#237;mulos visuais din&#226;micos ou est&#225;ticos. Verificaram que, embora o est&#237;mulo est&#225;tico tenha produzido um efeito positivo na redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es de <i>neglect,</i> o est&#237;mulo din&#226;mico produziu uma melhoria mais significativa.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Num estudo posterior, Butter e Kisch (1995) corroboraram estes resultados, ao constatarem uma diminui&#231;&#227;o significativa do comportamento de <i>neglect</i> em 11 doentes, gra&#231;as &#224; presen&#231;a de pistas din&#226;micas. Utilizaram uma tarefa computorizada de pesquisa visual, em que o doente deveria encontrar uma letra-alvo no meio de letras distractoras, enquanto est&#237;mulos visuais din&#226;micos eram continuamente apresentados no lado esquerdo do ecr&#227;.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os resultados obtidos, em ambos os estudos, permitiram concluir que a estimula&#231;&#227;o visual din&#226;mica &#233; particularmente eficaz na redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es do neglect.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Feedback</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para al&#233;m do uso da estimula&#231;&#227;o visual lateralizada, o feedback &#233; tamb&#233;m considerado &#250;til no treino de pacientes com <i>neglect.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A forma mais usualmente utilizada de feedback &#233; a auditiva. O terapeuta, durante as sess&#245;es de reabilita&#231;&#227;o, orienta constantemente, de forma expl&#237;cita, a aten&#231;&#227;o do doente para o lado do espa&#231;o por si negligencido; ou seja, leva-o, atrav&#233;s de ordens verbais, a olhar para a esquerda, sempre que o mesmo n&#227;o pesquisa esse hemiespa&#231;o enquanto executa determinadas tarefas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os est&#237;mulos sonoros constituem uma outra forma de <i>feedback</i> auditivo utilizado em terapia; s&#227;o considerados igualmente &#250;teis para atrair a aten&#231;&#227;o do doente para o hemiespa&#231;o negligenciado.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ao contr&#225;rio dos doentes com defeito de campo, que desenvolvem estrat&#233;gias de compensa&#231;&#227;o, de forma a pesquisarem o espa&#231;o circundante na sua totalidade, os doentes com <i>neglect</i> n&#227;o orientam os olhos para o campo visual contralateral &#224; les&#227;o (Ishiai <i>et al.,</i>1987). Fanthom <i>et al.</i> (1995), partindo desta evid&#234;ncia, procuraram investigar a possibilidade da redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es do <i>neglect,</i> no caso dos doentes serem informados &#224;cerca da orienta&#231;&#227;o dos seus olhos. Para tal, compararam dois grupos de doentes com <i>neglect</i> decorrente de uma les&#227;o no hemisf&#233;rio direito. Aos doentes de um dos grupos foi fornecido, durante as sess&#245;es de terapia, um sinal sonoro (<i>feedback</i> auditivo) sempre que o seu olhar n&#227;o era direccionado para a esquerda durante um intervalo de 15 segundos (informa&#231;&#227;o avaliada atrav&#233;s de uns &#243;culos detectores de movimento, respons&#225;veis, igualmente, pela emiss&#227;o do sinal sonoro); aos do outro n&#227;o foi dado qualquer tipo de <i>feedback.</i> Ao n&#227;o verificarem qualquer diferen&#231;a entre os dois grupos, os autores conclu&#237;ram que esta t&#233;cnica n&#227;o tivera qualquer efeito, tanto na orienta&#231;&#227;o dos olhos, quanto na execu&#231;&#227;o dos testes do <i>behavioural innatention test </i>(BIT) (uma bateria de testes amplamente utilizada na avalia&#231;&#227;o do<i>neglect).</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Um outro tipo de <i>feedback</i> utilizado nos programas de reabilita&#231;&#227;o &#233; o que procura confrontar o doente com o seu pr&#243;prio defeito. Alguns autores consideram que consciencializar o doente do seu defeito de explora&#231;&#227;o do espa&#231;o &#233; fulcral para obter dele a colabora&#231;&#227;o necess&#225;ria ao sucesso do programa de reabilita&#231;&#227;o e para o dotar de um papel activo no treino das estrat&#233;gias compensat&#243;rias. Sugerem, pois, que s&#243; eliminando o fen&#243;meno de anosognosia, muitas vezes associado &#224; s&#237;ndroma do <i>neglect,</i> se toma poss&#237;vel a implementa&#231;&#227;o de um treino eficiente, em que as estrat&#233;gias adoptadas surtem o efeito desejado (McGlynn &#38; Schacter, 1989).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Com esse objectivo, muitos terapeutas confrontam o doente com o resultado do seu desempenho nas tarefas por si realizadas, guiando, de forma verbal, a sua aten&#231;&#227;o para o hemiespa&#231;o negligenciado, de forma a que o mesmo se aperceba que, enquanto executava a tarefa pedida, ignorou uma parte do espa&#231;o; recorrem ainda a t&#233;cnicas com suporte visual, como, por exemplo, o espelho.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Alguns autores t&#234;m investigado a utilidade de outro tipo de <i>feedback</i> com suporte visual: a grava&#231;&#227;o em v&#237;deo do desempenho do doente durante a realiza&#231;&#227;o de determinadas tarefas. Consideram que esta t&#233;cnica pode fornecer ao doente uma percep&#231;&#227;o mais precisa do seu defeito, uma vez que a grava&#231;&#227;o em v&#237;deo, ao contr&#225;rio do espelho, proporciona ao paciente a possibilidade de observar o seu comportamento &#8212; de neglig&#234;ncia do hemiespa&#231;o esquerdo &#8212; no lado direito do monitor de TV, e, consequentemente, de aperceber-se dos seus erros (fornece-lhe uma imagem invertida de si pr&#243;prio). Permite, portanto, a obten&#231;&#227;o de imagens objectivas e concretas, que possibilitam uma an&#225;lise imediata do seu conte&#250;do (Soderback <i>et al.,</i>1992; Tham &#38; Tegn&#233;r, 1997).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Soderback <i>et al.</i> (1992), com o objectivo de avaliar a efic&#225;cia deste tipo de <i>feedback,</i> compararam o desempenho de quatro doentes com <i>neglect</i> decorrente de um AVC do hemisf&#233;rio direito. Pediram aos doentes que realizassem tr&#234;s tarefas dom&#233;sticas e um teste de barragem de linhas; foi ainda preenchida uma escala funcional. O desempenho dos doentes durante a realiza&#231;&#227;o das tarefas dom&#233;sticas foi filmado e posteriormente visionado por cada paciente, sob a orienta&#231;&#227;o de um terapeuta. O conte&#250;do do filme obtido foi analisado, de forma a que cada doente se apercebesse de que tinha ignorado uma parte do espa&#231;o enquanto realizava a tarefa, e foram discutidas as estrat&#233;gias que cada um poderia adoptar para lidar com a situa&#231;&#227;o. Os autores verificaram que, ao longo de quatro sess&#245;es de treino, todos os pacientes melhoraram na tarefa treinada; n&#227;o registaram, no entanto, qualquer altera&#231;&#227;o no desempenho, quer do teste de barragem de linhas, quer na escala funcional.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Igualmente interessados nas potencialidades desta t&#233;cnica, Tham e Tegn&#233;r (1997) compararam o grau de efic&#225;cia na redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es de <i>neglect</i> do <i>feedback</i> atrav&#233;s de imagens obtidas em v&#237;deo e do <i>feedback</i> convencional (em que o doente era confrontado com o seu comportamento de neglig&#234;ncia atrav&#233;s de pistas verbais e visuais) durante uma tarefa dom&#233;stica. Avaliaram, ainda, se essa melhoria se generalizava a outros testes de <i>neglect.</i> Para tal, recorreram a um grupo de 14 pacientes com esta patologia, decorrente de um AVC no hemisf&#233;rio direito; sete pacientes foram treinados atrav&#233;s do <i>feedback</i> das imagens obtidas em v&#237;deo e os outros sete atrav&#233;s do <i>feedback</i> convencional. Verificaram que o primeiro grupo obteve resultados significativamente melhores na realiza&#231;&#227;o da tarefa, embora n&#227;o tenham constatado, em nenhum dos dois grupos, uma generaliza&#231;&#227;o para os outros testes de <i>neglect.</i> Os autores consideraram que a inexist&#234;ncia de generaliza&#231;&#227;o pode ser devida ao facto de uma simples sess&#227;o de treino n&#227;o ser suficiente para permitir a transfer&#234;ncia das estrat&#233;gias de compensa&#231;&#227;o adquiridas para outras tarefas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estes estudos demonstraram que, apesar de n&#227;o se ter verificado uma generaliza&#231;&#227;o das estrat&#233;gias adquiridas, a tomada de consci&#234;ncia por parte do doente do defeito de explora&#231;&#227;o espacial &#233; de extrema import&#226;ncia na redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es do <i>neglect.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Treino da capacidade de pesquisa visuoespacial</i></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Uma das primeiras interven&#231;&#245;es levadas a cabo na tentativa de reabilitar o <i>neglect</i> foi descrita por Lawson (1962). Com o intuito de treinar a capacidade de leitura de dois doentes com <i>neglect,</i> o autor relembrava-os constantemente que deviam olhar para a esquerda sempre que o conte&#250;do sem&#226;ntico da frase n&#227;o fizesse sentido, e que deviam seguir o texto com o indicador. Verificou, como resultado deste treino, que os dois doentes apresentavam uma franca melhoria na capacidade de leitura. N&#227;o constatou, no entanto, uma generaliza&#231;&#227;o para outras capacidades; de facto, n&#227;o registou quaisquer altera&#231;&#245;es nas outras capacidades visuoespaciais avaliadas (c&#243;pia de desenhos). O autor concluiu que o benef&#237;cio deste tipo de treino se cingia apenas &#224;s tarefas treinadas.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O estudo de Lawson constitui uma descri&#231;&#227;o pontual deste tipo de interven&#231;&#227;o. De facto, &#233; nos anos 70 e 80 que um grupo de investigadores de Nova Iorque desenvolve, de forma mais sistematizada, o treino da capacidade de pesquisa visuoespacial (Weinberg <i>et al.,</i> 1977).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Este tipo de interven&#231;&#227;o tinha como principal objectivo minorar a sintomatologia cl&#237;nica resultante da les&#227;o cerebral; o alvo dos programas de reabilita&#231;&#227;o eram, portanto, as manifesta&#231;&#245;es do <i>neglect,</i> e n&#227;o a compreens&#227;o dos mecanismos neuropatol&#243;gicos subjacentes. Visava, por conseguinte, atrav&#233;s de t&#233;cnicas espec&#237;ficas, dotar o doente da capacidade de orientar a aten&#231;&#227;o para o hemiespa&#231;o por si negligenciado. Para tal, baseava-se nos princ&#237;pios da psicologia comportamental e na teoria da aprendizagem, que postulam que a apresenta&#231;&#227;o simult&#226;nea de um determinado est&#237;mulo e de um tipo de resposta espec&#237;fico permite criar no doente um condicionamento, de tal forma que a resposta se toma autom&#225;tica (&#233; interiorizada pelo doente e funciona como uma &#34;ordem interna&#34;), perante uma tarefa semelhante &#224; treinada, mesmo que o est&#237;mulo deixe de estar presente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O grupo de investigadores desenvolveu, ent&#227;o, um conjunto de t&#233;cnicas, que se vieram a tomar muito influentes nos anos subsequentes, estruturadas de forma a induzir, de forma gradual, o doente a orientar a aten&#231;&#227;o para o hemiespa&#231;o esquerdo.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O <i>board scanning &#233;</i> um exemplo de uma das t&#233;cnicas por eles criada; consiste num tabuleiro rectangular, disposto na horizontal, com l&#226;mpadas em toda a sua extens&#227;o. Foi constru&#237;do desta forma para proporcionar ao doente uma tarefa de pesquisa visuoespacial; de facto, cabia ao doente a tarefa de seguir, com os olhos, a sequ&#234;ncia de luzes manipuladas pelo investigador. Na fase inicial do treino, o doente era induzido a acompanhar uma sequ&#234;ncia que ocorria apenas no hemiespa&#231;o direito do doente (a primeira luz a ser acesa era a situada na parte central do tabuleiro; depois, as luzes eram acesas, uma a uma, em direc&#231;&#227;o &#224; extremidade direita); numa fase mais avan&#231;ada, o doente era levado a seguir, de forma progressiva, sequ&#234;ncias de luzes que abrangiam o hemiespa&#231;o esquerdo.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No treino de outro tipo de tarefas, como, por exemplo, a leitura, o grupo de investigadores recorreu amplamente &#224; estimula&#231;&#227;o visual lateralizada (pistas est&#225;ticas: s&#237;mbolos coloridos ou n&#250;meros no in&#237;cio de cada linha do texto apresentado) e ao <i>feedback</i> auditivo (&#34;olhe para a esquerda para encontrar o in&#237;cio de cada linha&#34;), como forma de facilitar o treino; a densidade do texto foi tamb&#233;m manipulada (tamanho das frases e da letra em que estavam impressas). Weinberg <i>et al.</i> (1977) verificaram que num grupo de 57 pacientes com <i>neglect,</i> decorrente de um AVC no hemisf&#233;rio direito, os 25 doentes que foram submetidos a um treino espec&#237;fico da capacidade de leitura revelaram resultados francamente melhores na tarefa treinada, do que o grupo de controlo, cujo treino foi inespec&#237;fico; constataram ainda uma generaliza&#231;&#227;o para outras actividades.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Depois destes trabalhos, muitos foram os investigadores a interessarem-se sobre a potencialidade do treino da capacidade de explora&#231;&#227;o visuoespacial como t&#233;cnica de reabilita&#231;&#227;o do <i>neglect.</i> Tal como Lawson (1962) e o grupo de investigadores de Nova Iorque, muitos cl&#237;nicos centraram os seus programas de reabilita&#231;&#227;o no treino de capacidades acad&#233;micas, como a leitura e a escrita; outros focaram-se no treino de actividades funcionais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Embora os estudos realizados variem em diversos aspectos, e da&#237; surja, provavelmente, a falta de uniformidade dos resultados obtidos, todos procuraram: a) direccionar de forma expl&#237;cita a aten&#231;&#227;o do doente para o lado esquerdo do espa&#231;o; b) fomentar mudan&#231;as lentas e progressivas; e c) refor&#231;ar de modo positivo o doente, como forma de estabilizar a aprendizagem. Al&#233;m de procurarem testar a efic&#225;cia deste tipo de treino e das t&#233;cnicas desenvolvidas pelo grupo de Nova Iorque, os autores procuraram investigar o problema da generaliza&#231;&#227;o, levantado, desde cedo, por Lawson.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Webster <i>et al.</i> (1984) recorreram &#224;s t&#233;cnicas desenvolvidas pelo grupo de Nova Iorque e verificaram que, embora se tenha constatado uma melhoria no desempenho de doentes com <i>neglect</i>, decorrente de um AVC no hemisf&#233;rio direito, na tarefa de pesquisa do <i>board scanning,</i> n&#227;o se registaram altera&#231;&#245;es em tarefas n&#227;o treinadas, como a leitura ou a barragem de letras; o oposto revelou-se igualmente verdade.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Tamb&#233;m Robertson <i>et al.</i> (1990) se propuseram avaliar a efic&#225;cia do treino espec&#237;fico c estruturado da capacidade de pesquisa visuoespacial. Para tal, dividiram 36 pacientes com <i>neglect</i> unilateral, determinado pelos testes comportamentais do BIT, em dois grupos aleat&#243;rios, e compararam os resultados do primeiro grupo, com 20 doentes, submetido a um treino computorizado da aten&#231;&#227;o e da capacidade de explorar o espa&#231;o, com os do segundo, com 16 indiv&#237;duos, sujeito a um programa de computador recreativo (jogos de palavras). A compara&#231;&#227;o dos dois grupos n&#227;o revelou diferen&#231;as estat&#237;sticas significativas entre ambos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Wagenaar <i>et al.</i> (1992) procuraram avaliar a efic&#225;cia do treino da capacidade de pesquisa visuoespacial numa tarefa de leitura e na capacidade de o doente se deslocar numa cadeira de rodas. Procederam a tr&#234;s fases de treino; depois de cada uma dessas fases o desempenho dos doentes foi avaliado (atrav&#233;s de um teste de pesquisa visual computorizado, um teste de bissec&#231;&#227;o de linhas e um teste de barragem de letras). Quatro dos cinco pacientes treinados mostraram uma melhoria na capacidade de pesquisa visual na tarefa de leitura; n&#227;o registaram um efeito positivo na desloca&#231;&#227;o em cadeira de rodas. Os autores conclu&#237;ram que n&#227;o havia evid&#234;ncia de uma generaliza&#231;&#227;o do treino para outros dom&#237;nios funcionais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Pizzamiglio <i>et al.</i> (1992), igualmente interessados nesta problem&#225;tica, obtiveram resultados diferentes. De facto, verificaram que o treino da capacidade de pesquisa visuoespacial de 32 doentes com <i>neglect</i> cr&#243;nico, decorrente de uma les&#227;o do hemisf&#233;rio direito, produziu uma melhoria significativa no seu desempenho, quando testados com instrumentos estandardizados para avalia&#231;&#227;o do <i>neglect.</i> As tarefas utilizadas no treino exigiam ao paciente que fizesse uma pesquisa sistematizada do espa&#231;o, de forma a produzir respostas correctas (encontrar um n&#250;mero em diferentes por&#231;&#245;es do espa&#231;o; ler ou copiar frases; desenhar e descrever figuras). No in&#237;cio do treino o doente era provido de um grande n&#250;mero de pistas, atrav&#233;s de <i>feedback</i> auditivo e de estimula&#231;&#227;o visual lateralizada, e a pr&#243;pria complexidade dos est&#237;mulos era reduzida; ao longo das sess&#245;es estas pistas foram sendo retiradas e os est&#237;mulos tomaram-se mais complexos. Al&#233;m de verificarem uma melhoria das manifesta&#231;&#245;es do <i>neglect,</i> os autores constataram ainda, atrav&#233;s do preenchimento de uma escala funcional, uma generaliza&#231;&#227;o para situa&#231;&#245;es semelhantes &#224;quelas vividas no dia-a-dia (informa&#231;&#227;o corroborada pelos familiares). Sete pacientes foram avaliados aproximadamente 5 meses ap&#243;s o t&#233;rmino da interven&#231;&#227;o e obtiveram resultados semelhantes aos conseguidos anteriormente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Num estudo posterior, Antonucci <i>et al.</i> (1995) corroboraram estes resultados. Compararam um grupo de doentes, sujeito a um treino espec&#237;fico da capacidade explorat&#243;ria, com outro, submetido a treino inespec&#237;fico (<i>puzzles</i>, xadrez, jogos de cartas, palavras cruzadas). O treino espec&#237;fico decorreu nos moldes descritos no estudo anterior, j&#225; referido. Verificaram, com base numa bateria de testes estandardizados e numa escala funcional, uma melhoria mais significativa do primeiro grupo em rela&#231;&#227;o ao segundo, que posteriormente, submetido a um treino espec&#237;fico, obteve os mesmos resultados encorajadores. Os autores conclu&#237;ram, pois, que os resultados foram ben&#233;ficos e significativos, e que se generalizaram a situa&#231;&#245;es semelhantes &#224;quelas que fazem parte da vida di&#225;ria do doente.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estes autores consideram que a aus&#234;ncia de generaliza&#231;&#227;o verificada em grande parte dos estudos pode estar relacionada com o tempo investido no treino das tarefas em quest&#227;o (1-2 semanas). De facto, os estudos em que se constatou, n&#227;o s&#243; uma melhoria das tarefas treinadas, mas igualmente uma generaliza&#231;&#227;o para outras actividades recorreram a um per&#237;odo de treino mais longo (5-8 semanas).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Levantam, pois, o problema da dura&#231;&#227;o do tratamento. Da sua experi&#234;ncia concluem que, quando o programa de reabilita&#231;&#227;o tem in&#237;cio, muitos dos pacientes com <i>neglect</i> n&#227;o est&#227;o conscientes do seu defeito e as mudan&#231;as conseguidas s&#227;o transit&#243;rias e podem apenas ser obtidas com grande quantidade de estimula&#231;&#227;o. A medida que os pacientes tomam consci&#234;ncia do defeito, come&#231;am a desenvolver estrat&#233;gias compensat&#243;rias e, gradualmente, v&#227;o deixando de necessitar do aux&#237;lio fornecido pelas pistas; os exerc&#237;cios cont&#237;nuos, com menor grau de estimula&#231;&#227;o, permitem-lhes tornar autom&#225;tica a capacidade de pesquisa visuoespacial. Para que estas fases possam ocorrer, os autores consideram necess&#225;rio que a estrutura dos procedimentos postos em pr&#225;tica seja adequada e que haja um tempo m&#237;nimo de treino. Referem ter verificado que interrup&#231;&#245;es durante o processo de reabilita&#231;&#227;o (devido a problemas m&#233;dicos ou outros) atrasaram o processo de aprendizagem.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Embora n&#227;o esteja ainda esclarecido se se verifica, de facto, uma generaliza&#231;&#227;o para situa&#231;&#245;es funcionais a partir do treino da capacidade de pesquisa visuoespacial, h&#225; alguns benef&#237;cios terap&#234;uticos deste tipo de reabilita&#231;&#227;o que n&#227;o apresentam d&#250;vidas. De facto, revela-se de extrema utilidade na produ&#231;&#227;o de respostas espec&#237;ficas (sacadas compensat&#243;rias) em situa&#231;&#245;es treinadas (como, por exemplo, a leitura e a escrita). Aspectos espec&#237;ficos do comportamento do doente, importantes para a sua recupera&#231;&#227;o funcional, podem, por conseguinte, tornar-se alvos deste tipo de interven&#231;&#227;o, conferindo-lhe uma maior autonomia e, consequentemente, uma maior qualidade de vida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Outras t&#233;cnicas utilizadas na reabilita&#231;&#227;o do <i>neglect</i></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Ao longo dos anos uma pan&#243;plia de outras t&#233;cnicas t&#234;m surgido como forma de reabilitar o <i>neglect.</i> Os mecanismos subjacentes a esta s&#237;ndroma n&#227;o s&#227;o ainda conhecidos, mas existem j&#225; uma s&#233;rie de poss&#237;veis teorias explicativas. &#201; precisamente com base em algumas dessas teorias que tais t&#233;cnicas se t&#234;m proposto minorar as manifesta&#231;&#245;es desta s&#237;ndroma. Ser&#227;o descritas, de seguida, algumas dessas t&#233;cnicas, embora muitas outras estejam referidas na literatura.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Treino da capacidade de aten&#231;&#227;o sustentada</i></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A aten&#231;&#227;o sustentada refere-se &#224; capacidade do indiv&#237;duo em se manter num estado de alerta num ambiente em que os est&#237;mulos n&#227;o apresentam qualquer novidade. Um defeito nesta capacidade pode manifestar-se pela dificuldade de concentra&#231;&#227;o, que alguns doentes revelam, durante a execu&#231;&#227;o de tarefas que apresentam uma certa monotonia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O hemisf&#233;rio direito, em particular as &#225;reas frontoparietais, &#233; respons&#225;vel pela integridade desta capacidade. Este dado foi demonstrado em estudos de activa&#231;&#227;o cerebral, durante a execu&#231;&#227;o de tarefas que exigiam ao indiv&#237;duo que mantivesse a aten&#231;&#227;o sustentada (Pardo <b><i>et al,</i></b> 1991).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Posner (1993) considera que a capacidade de orientar a aten&#231;&#227;o para um determinado sector do espa&#231;o depende de um sistema de orienta&#231;&#227;o espacial, parcialmente localizado no lobo parietal direito. A efic&#225;cia desse sistema &#233; modulado pelo sistema de aten&#231;&#227;o sustentada. Se assim for, o treino desta capacidade possibilitar&#225; a redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es do <i>neglect.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Robertson <i>et al.</i> (1995) treinaram um grupo de pacientes com <i>neglect,</i> que apresentavam tamb&#233;m um defeito na capacidade de aten&#231;&#227;o sustentada, a controlarem voluntariamente, de forma verbal, a aten&#231;&#227;o investida durante a execu&#231;&#227;o de diferentes tarefas. Os pacientes foram instru&#237;dos a adoptaram, de forma sistem&#225;tica, um &#34;sistema de aviso&#34; verbal que lhes permitisse aumentar a concentra&#231;&#227;o na tarefa a realizar, at&#233; que o mesmo se tornasse autom&#225;tico. Os resultados obtidos foram muito encorajadores; n&#227;o s&#243; verificaram uma melhoria na capacidade de aten&#231;&#227;o sustentada, mas tamb&#233;m uma redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es do <i>neglect.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Os autores referem ter verificado que os doentes com uma perturba&#231;&#227;o na capacidade de aten&#231;&#227;o sustentada t&#234;m consci&#234;ncia do seu defeito, o que nem sempre acontece com as manifesta&#231;&#245;es de <i>neglect,</i> pelo que, mais facilmente, compreendem a import&#226;ncia de implementar estrat&#233;gias que melhorem o seu desempenho.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Treino com recurso &#224; utiliza&#231;&#227;o da m&#227;o esquerda</i></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Al&#233;m dos defeitos cognitivos que podem surgir na sequ&#234;ncia de um AVC, os defeitos neurol&#243;gicos, como a hemipar&#233;sia e a hemian&#243;psia, s&#227;o muito frequentes. De facto, muitos doentes com <i>neglect</i> apresentam uma par&#233;sia motora, que lhes impossibilita o uso da m&#227;o esquerda. Devido a este facto, utilizam exclusivamente a m&#227;o direita para realizar as tarefas perceptivo-motoras que fazem parte da avalia&#231;&#227;o do <i>neglect</i> (testes de papel e l&#225;pis).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">&#8226; Alguns autores sugerem que as manifesta&#231;&#245;es de <i>neglect</i> s&#224;o o resultado do envolvimento selectivo do hemisf&#233;rio esquerdo, que controla o movimento da m&#227;o direita, cuja activa&#231;&#227;o deixou de ser inibida, pela les&#227;o ocorrida no hemisf&#233;rio direito (Kinsbourne, 1993).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Halligan &#38; Marshall (1989) descreveram o caso de um doente que, ap&#243;s uma les&#227;o no hemisf&#233;rio direito, adquiriu a s&#237;ndroma do <i>neglect,</i> sem revelar qualquer defeito neurol&#243;gico associado. P&#244;de, portanto, quando lhe foi pedido, utilizar a m&#227;o esquerda na execu&#231;&#227;o das provas para avaliar o <i>neglect. Os</i> autores verificaram que o doente evidenciava um <i>neglect</i> marcado, num teste de bissec&#231;&#227;o de linhas e de barragem de estrelas, quando realizava as tarefas com a m&#227;o direita, e que o seu desempenho melhorou significativamente quando foi induzido a utilizar a m&#227;o esquerda.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Perante est&#225;s evid&#234;ncias, alguns autores p&#245;em a hip&#243;tese de que a redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es de <i>neglect,</i> pela utiliza&#231;&#227;o da m&#227;o esquerda, durante a realiza&#231;&#227;o de diversas tarefas, pode ser explicada pelo facto de o movimento da m&#227;o esquerda, constituir, por si s&#243;, uma fonte de estimula&#231;&#227;o visual lateralizada, que facilitaria ao doente a orienta&#231;&#227;o da aten&#231;&#227;o para esse lado. Para testar esta hip&#243;tese Halligan <i>et al.</i> (1990) pediram a um paciente que executasse uma tarefa de bissec&#231;&#227;o de linhas, primeiro com a m&#227;o direita e, de seguida, com a esquerda. Verificaram que o uso da m&#227;o esquerda originava, de facto, a redu&#231;&#227;o do <i>neglect;</i> no entanto, constataram ainda que quando o doente foi instru&#237;do a colocar a m&#227;o esquerda no lado direito de cada uma das linhas a bissectar, antes de executar a tarefa, o comportamento de neglig&#234;ncia mantinha-se. Os autores conclu&#237;ram que, quando a aten&#231;&#227;o do doente era primeiramente atra&#237;da para o lado direito, a vantagem de usar a m&#227;o esquerda desaparecia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Um outro estudo foi levado a cabo por Robertson e North (1992). Os investigadores compararam o desempenho de um doente, enquanto executava uma tarefa de barragem de letras, em tr&#234;s situa&#231;&#245;es diferentes: numa aplica&#231;&#227;o normal do teste; enquanto fazia movimentos com os dedos da m&#227;o esquerda, estando esta colocada na extermidade esquerda da folha de papel; enquanto era instru&#237;do a procurar o bra&#231;o esquerdo antes de executar a tarefa, bra&#231;o esse igualmente posicionado na extermidade esquerda da folha de papel. Verificaram que apenas se verificou uma redu&#231;&#227;o do <i>neglect</i> quando o doente, ao mesmo tempo que executava a tarefa, mexia os dedos da m&#227;o esquerda. Estes resultados permitiram aos autores do estudo concluir que o recurso a pistas visuais din&#226;micas &#233; mais eficaz na redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es desta patologia.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Rota&#231;&#227;o do tronco</i></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A linha m&#233;dia do tronco parece ser o principal eixo de refer&#234;ncia que o indiv&#237;duo adopta, quando estabelece coordenadas internas egoc&#234;ntricas; s&#227;o essas coordenadas que lhe permitem determinar, de forma subjectiva, o modo como os objectos est&#227;o distribu&#237;dos no espa&#231;o. Na realidade, &#233; a linha m&#233;dia do tronco que, funcionando como eixo de refer&#234;ncia, permite ao indiv&#237;duo estabelecer os limites entre um sector do espa&#231;o &#224; sua esquerda e um sector &#224; sua direita. Como tal, parece ser um factor decisivo, para determinar a por&#231;&#227;o do espa&#231;o negligenciada em pacientes com <i>neglect</i> e a por&#231;&#227;o do espa&#231;o n&#227;o negligenciada (Karnath <i>et al.,</i> 1991; Beschin <i>et al.,</i> 1997).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Karnath <i>et al.</i> (1991) demonstraram que uma simples rota&#231;&#227;o do corpo de 15.&#176; para a esquerda podia reduzir significativamente as manifesta&#231;&#245;es de <i>neglect.</i>Verificaram que a rota&#231;&#227;o do corpo (estando a cabe&#231;a e olhos direccionados para a frente) modificou a distribui&#231;&#227;o dos est&#237;mulos no espa&#231;o; de facto, os est&#237;mulos visuais que, na aus&#234;ncia da rota&#231;&#227;o do tronco, se encontravam &#224; esquerda da linha m&#233;dia definida pelo tronco, passaram a estar localizados &#224; direita dessa mesma linha, quando o doente foi induzido a fazer uma rota&#231;&#227;o do tronco para a esquerda. Os limites do espa&#231;o sofreram, pois, uma altera&#231;&#227;o, e os est&#237;mulos, anteriormente negligenciados, passaram a ser alvo da aten&#231;&#227;o dos doentes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Mais recentemente Wiart <i>et al.</i> (1997) descreveram os resultados obtidos da combina&#231;&#227;o desta t&#233;cnica com os m&#233;todos de treino de pesquisa visuoespacial desenvolvidos pelo grupo de investigadores em Nova Iorque. Atarefa de pesquisa visuoespacial, atribu&#237;da a um grupo de doentes com <i>neglect,</i> decorrente de um AVC do hemisf&#233;rio direito, foi criada de forma a que o doente tivesse que fazer a explora&#231;&#227;o do espa&#231;o com o tronco; para tal foi preso ao tronco de cada doente um ponteiro. Os resultados obtidos revelaram uma redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es de <i>neglect,</i> n&#227;o s&#243; em doentes com <i>neglect</i> na fase aguda do AVC, mas tamb&#233;m em doentes cujo <i>neglect</i> se tornou cr&#243;nico, e uma generaliza&#231;&#227;o para actividades funcionais.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Estimula&#231;&#227;o sensorial</i></b></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O sistema vestibular &#233; respons&#225;vel pela integra&#231;&#227;o da informa&#231;&#227;o recebida atrav&#233;s de tr&#234;s canais sensoriais distintos &#8212; o vestibular, o visual e o proprioceptivo &#8212;, de forma a controlar e modular a postura corporal do indiv&#237;duo. O mapa espacial do indiv&#237;duo parece, pois, ser assistido por esses tr&#234;s subsistemas, que geram as coordenadas espaciais de que o indiv&#237;duo necessita para explorar o espa&#231;o pessoal e extrapessoal. Esses subsistemas s&#227;o independentes, pelo que n&#227;o necessitam de ser activados em simult&#226;neo. No caso de uma les&#227;o focal, a desconex&#227;o nos circuitos que suportam um ou mais de tais subsistemas pode originar uma altera&#231;&#227;o da percep&#231;&#227;o subjectiva que o doente tem da posi&#231;&#227;o dos objectos em rela&#231;&#227;o ao seu corpo (Karnath, 1996).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A linha m&#233;dia do corpo, tal como j&#225; foi referido, parece ser o principal eixo de refer&#234;ncia que condiciona a forma como as coordenadas internas egoc&#234;ntricas s&#224;o determinadas pelo indiv&#237;duo. No indiv&#237;duo com <i>neglect,</i> a percep&#231;&#227;o subjectiva que o doente tem do posicionamento dos objectos em rela&#231;&#227;o &#224; posi&#231;&#227;o do corpo est&#225; perturbada.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Alguns autores analisaram a hip&#243;tese de a estimula&#231;&#227;o dos sistemas neurofisiol&#243;gicos envolvidos no processo de organiza&#231;&#227;o de coordenadas espadais produzir uma redu&#231;&#227;o do defeito de explora&#231;&#227;o espacial. Verificaram que a activa&#231;&#227;o de qualquer dos subsistemas, acima mencionados, &#233; suficiente para reduzir ou, pelo menos, compensar, de forma parcial, as manifesta&#231;&#245;es do <i>neglect, </i>durante a execu&#231;&#227;o de tarefas de pesquisa visuoespadal De facto, constataram que os tr&#234;s tipos de reflexo que se seguem &#224; estimula&#231;&#227;o cal&#243;rica e optocin&#233;tica e &#224; vibra&#231;&#227;o dos m&#250;sculos do pesco&#231;o, parecem modificar a forma como o indiv&#237;duo codifica a informa&#231;&#227;o espacial e conduzem temporariamente &#225; remiss&#227;o das manifesta&#231;&#245;es do <i>neglect.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Estimula&#231;&#227;o cal&#243;rica</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Para se proceder &#224; estimula&#231;&#227;o do sistema vestibular, alguns investigadores procederam &#224; estimula&#231;&#227;o cal&#243;rica, uma t&#233;cnica utilizada na pr&#225;tica cl&#237;nica para avaliar a integridade do reflexo ocular vestibular. Consiste numa estimula&#231;&#227;o do ouvido interno, obtida atrav&#233;s do contacto com &#225;gua gelada ou quente. A estimula&#231;&#227;o atrav&#233;s de &#225;gua fria produz um reflexo vest&#237;bulo-ocular com uma fase lenta de nistagmo em direc&#231;&#227;o ao ouvido estimulado, e um reflexo vest&#237;bulo-espinal, que se reflecte na orienta&#231;&#227;o da postura na mesma direc&#231;&#227;o; a estimula&#231;&#227;o atrav&#233;s de &#225;gua quente tem o efeito contr&#225;rio (Rubens, 1985).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Diversos estudos procuraram investigar a potencialidade da estimula&#231;&#227;o cal&#243;rica como t&#233;cnica para tratar o <i>neglect.</i> Para minorar as manifesta&#231;&#245;es desta s&#237;ndroma, o teste cal&#243;rico consistiria na estimula&#231;&#227;o do ouvido esquerdo do paciente, atrav&#233;s de &#225;gua fria.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Demonstraram uma redu&#231;&#227;o significativa das manifesta&#231;&#245;es cl&#237;nicas, e atribu&#237;ram-na ao desvio dos olhos e da postura na direc&#231;&#227;o oposta ao desvio patologicamente adquirido, em consequ&#234;ncia da les&#227;o cerebral.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Rubens (1985) estudou 18 pacientes com <i>neglect</i> extrapessoal, v&#237;timas de AVC no hemisf&#233;rio direito, e observou o seu desempenho em <i>tarefas</i> de pesquisa visuoespacial (contagem das pessoas presentes na sala; leitura de palavras multissil&#225;bicas; teste de barragem de linhas) antes, durante cinco minutos depois da estimula&#231;&#227;o cal&#243;rica Verificou que, &#224; excep&#231;&#227;o de um doente, todos os outros melhoraram o seu desempenho durante a realiza&#231;&#227;o das tarefas, tendo-se verificado uma orienta&#231;&#227;o do olhar e do bra&#231;o direito para a esquerda. No entanto, estas melhorais revelaram-se transit&#243;rias e a maior parte dos sintomas regressou passados poucos minutos. Concluiu que, mesmo em casos graves de <i>neglect, o </i>reflexo vestibular induzido pela estimula&#231;&#227;o cal&#243;rica produziu resultados positivos e significativos.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Posteriormente, Cappa <i>et al.</i> (1987) demonstraram o efeito positivo da estimula&#231;&#227;o cal&#243;rica sobre outras manifesta&#231;&#245;es do <i>neglect,</i> nomeadamente sobre o <i>neglect</i> pessoal e a anosognosia. Rode e Perenin (1994) verificaram que a estimula&#231;&#227;o cal&#243;rica pode ter tamb&#233;m um efeito positivo na redu&#231;&#227;o do <b><i>neglect</i></b>representacional. Pediram a oito doentes com <i>neglect</i> representacional que enumerassem o maior n&#250;mero poss&#237;vel de cidades de Fran&#231;a, imaginando que uma linha vertical a dividia. O n&#250;mero de cidades referido pelos pacientes foi muito menor &#224; esquerda do que &#224; direita da linha imagin&#225;ria; durante a estimula&#231;&#227;o cal&#243;rica, todos os pacientes melhoraram as suas pontua&#231;&#245;es, quando referiram os nomes das cidades posicionadas &#224; esquerda da linha imagin&#225;ria.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Estes estudos vieram demonstrar que a redu&#231;&#227;o do <i>neglect,</i> atrav&#233;s desta t&#233;cnica, n&#227;o pode ser explicada exclusivamente pela orienta&#231;&#227;o dos olhos e da cabe&#231;a para a esquerda.</font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Estimula&#231;&#227;o optocin&#233;tica</i></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Um outro m&#233;todo que produz um nistagmo, semelhante ao produzido pela estimula&#231;&#227;o cal&#243;rica, &#233; a estimula&#231;&#227;o optocin&#233;tica. Este reflexo surge normalmente quando o doente olha para um padr&#227;o em movimeto lento. Pizzamiglio <i>et al.</i> (1990) compararam tr&#234;s grupos de sujeitos&#8212;um grupo de doentes, com les&#227;o uma no hemisf&#233;rio direito, sem manifesta&#231;&#245;es de <i>neglect</i>; outro, igualmente com uma les&#227;o no hemisf&#233;rio direito, mas com manifesta&#231;&#245;es de <i>neglect</i>; e um grupo de controlo. Pediram aos indiv&#237;duos que efectuassem uma tarefa de bissec&#231;&#227;o de linhas na presen&#231;a de um padr&#227;o em movimento e de outro fixo. Na presen&#231;a do est&#237;mulo em movimento verificaram um nistagmo que originou uma altera&#231;&#227;o da percep&#231;&#227;o subjectiva da orienta&#231;&#227;o do corpo, reduzindo, no caso dos doentes com <i>neglect,</i> as suas manifesta&#231;&#245;es.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Conclu&#237;ram que, dada a simplicidade do procedimento e o reduzido grau de desconforto produzido no doente, em compara&#231;&#227;o com a estimula&#231;&#227;o cal&#243;rica, este procedimento poder&#225; constituir uma t&#233;cnica &#250;til no tratamento do <i>neglect.</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Estimula&#231;&#227;o dos m&#250;sculos do pesco&#231;o</i></b></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">V&#225;rios investigadores t&#234;m avaliado a efic&#225;cia da estimula&#231;&#227;o dos m&#250;sculos do pesco&#231;o, atrav&#233;s de vibra&#231;&#227;o, na redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es de <i>neglect.</i> As descri&#231;&#245;es efectuadas relatam uma remiss&#227;o tempor&#225;ria do defeito de pesquisa visuoespacial, em praticamente todos os doentes submetidos &#224; estimula&#231;&#227;o (Karnath <i>et al.,</i> 1993; Vallar <i>et al.,</i> 1995; Vallar <i>et al.,</i> 1996).</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">O processo atrav&#233;s do qual os diferentes tipos de estimula&#231;&#227;o sensorial produzem a remiss&#227;o tempor&#225;ria do <i>neglect</i> n&#227;o &#233; ainda claro e a sua utilidade como t&#233;cnica de reabilita&#231;&#227;o desta patologia est&#225; ainda longe de estar estabelecida.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><i>Terap&#234;utica farmacol&#243;gica</i></font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Subjacente &#224; capacidade de aten&#231;&#227;o e explora&#231;&#227;o visuoespacial est&#225; uma rede neuronal em larga escala, composta por redes neuronais regionais que, embora distantes, se encontram interligadas. A literatura sugere que as vias dopamin&#233;rgicas desempenham um papel de extrema import&#226;ncia na modula&#231;&#227;o desta rede neuronal.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A exist&#234;ncia de estudos que investiguem a potencialidade de uma interven&#231;&#227;o farmacol&#243;gica na redu&#231;&#227;o das manifesta&#231;&#245;es de <i>neglect 6</i> escassa. Fleet <i>et al.</i> (1987) mostraram uma melhoria do <i>neglect</i> em dois pacientes (um com <i>neglect </i>cr&#243;nico e outro na fase aguda) tratados com um agonista da dopamina. Referem, no entanto, a necessidade de se efectuarem outros estudos com um maior n&#250;mero de pacientes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2"><b>Conclus&#245;es</b></font></p>          ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A efic&#225;cia das t&#233;cnicas desenvolvidas, ao longo dos tempos, com o intuito de reabilitar o <i>neglect,</i> n&#227;o est&#225; ainda determinada. Um aspecto importante na avalia&#231;&#227;o de um programa de treino &#233; a generaliza&#231;&#227;o da melhoria do paciente. Os resultados obtidos n&#227;o s&#227;o conclusivos, uma vez que na literatura existem muitos estudos, cujas descri&#231;&#245;es n&#227;o s&#227;o concordantes.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">Na base da falta de uniformidade dos resultados obtidos nos estudos referidos est&#227;o, provavelmente, diferen&#231;as metodol&#243;gicas, nomeadamente no que diz respeito &#224; selec&#231;&#227;o dos pacientes a incluir nos programas de treino, aos testes escolhidos para avaliar a recupera&#231;&#227;o do <i>neglect</i> e ao tempo destinado &#224; reabilita&#231;&#227;o.</font></p>          <p><font face="Verdana" size="2">A necessidade de estudos que controlem estas vari&#225;veis continua premente.</font></p>           <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><b>Refer&#234;ncias</b></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Antonucci, G., Guariglia, C., Judica, A., Magnotti, L., Paolucci, S., Pizzamiglio, L., &#38; Zoccolotti, P. (1995). Effectiveness of neglect rehabilitation in a randomized group study. <i>Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology, 17</i> (3), 383-389.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491704&pid=S0874-2049200200010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Beschin, N., Cubelli, R., Dellasala, S. &#38; Spinazzola, L. (1997). Left of what: The role of egocentric coordinates in neglect. <i>Journal of Neurology, Neurosurgery &#38; Psychiatry, 63</i> (4), 483-489.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491706&pid=S0874-2049200200010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Butter, C. M., &#38; Kisch, N. (1995). Effect of lateralized kinetic visual cues on visual search in patients with unilateral spatial neglect. <i>Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology, 17,</i> 856-867.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491708&pid=S0874-2049200200010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Butter, C. M., Kisch, N., &#38; Reeves, G. (1990). The effect of lateralized dynamic stimuli on unilateral spatial neglect following right hemisphere lesions. <i>Restorative Neurology and Neuroscience,</i> 2,39-46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491710&pid=S0874-2049200200010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Calvanio, R., Levine, D. N., &#38; Petrone, D. (1993). Elements of cognitive rehabilitation after right hemisphere stroke. <i>Behavioural Neurology, 11,</i> 25-57.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491712&pid=S0874-2049200200010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cappa, S., Strerzi, R., Vallar, G., &#38; Bisiach, E. (1987). Remission of hemineglect and anosognosia during vestibular stimulation. <i>Neuropsychologia, 25</i> (5), 775-782.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491714&pid=S0874-2049200200010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Fanthome, Y., Lincoln, N., Drummond, A., &#38; Walker, M. (1995). The treatment of visual neglect using feedback of eye movements: A pilot study. <i>Disability and Rehabilitation, 17,</i> 413-417.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491716&pid=S0874-2049200200010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Fleet, W. S., Valenstein, E., Watson, R. T., &#38; Heilman, K. M. (1987). Dopamine agonist therapy for neglect in humans. <i>Neurology, 37,</i> 1765-1771.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491718&pid=S0874-2049200200010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gianella, B., &#38; Mattioli, F. (1992). Anosognosia e extrapersonal neglect as predictors of functional recovery following right hemisphere stroke. <i>Neuropsychological Rehabilitation,</i> 2, 169-178.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491720&pid=S0874-2049200200010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Halligan, P. W., Manning, L., &#38; Marshall, J. C. (1990). Hemispheric activation vs. spatio-motor cueing in visual neglect: A case study. <i>Neuropsychologia, 29,</i> 165-176.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491722&pid=S0874-2049200200010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Halligan, P. W. &#38; Marshall, J. C. (1989). Laterality of motor response in visuospatial neglect: A case study. <i>Neurophychologia, 27,</i>1301-1307.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491724&pid=S0874-2049200200010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Heilman, K. M., Watson, R. T., &#38; Valenstein, E. (1993). Neglect and related disorders. In K. M. Heilman &#38; E. Valenstein (Eds.), <i>Clinical Neurophychology</i> (pp. 279-336). Nova Iorque: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491726&pid=S0874-2049200200010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ishiai, S., Furukawa, T., &#38; Tsukagoshi, H. (1987). Eye fixation patterns in homonymous hemianopia and unilateral spatial neglect. <i>Neuropsychologia, 25,</i> 675-679.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491728&pid=S0874-2049200200010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Karnath, H. O. (1996). Optokinetic stimulation influences the disturbed percepcion of body orientation in spatial neglect. <i>Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry, 60,</i> 217-220.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491730&pid=S0874-2049200200010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Karnath, H. O., Christ, K., &#38; Hartje, W. (1993). Decrease of contralateral neglect by neck muscle vibration and spatial orientation of trunk midline. <i>Brain, 116,</i> 383-396.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491732&pid=S0874-2049200200010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Karnath, H. O., Schenkel, P, &#38; Fischer, B. (1991). Trunk orientation as the determining factor of the &#34;contralateral&#34; deficit in the neglect syndrome and as the physical anchor of the internal representation of body orientation in space. <i>Brain, 114, </i>1997-2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491734&pid=S0874-2049200200010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kinsboume, M. (1993). Orientational bias model of unilateral neglect: Evidence from attentional gradients within hemispace. In I. H. Robertson &#38; J. C. Marshall (Eds.), <i>Unilateral neglect: Clinical and experimental studies</i> (pp. 69-85). Hove, UK: Lawrence Erlbaum Associates Ltd.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491736&pid=S0874-2049200200010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lawson, I. R. (1962). Visual-spatial neglect in lesions of the right cerebral hemisphere. <i>Neurology, 12,</i>23-33.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491738&pid=S0874-2049200200010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">McGlynn, S., &#38; Schacter, D. (1989). Unwareness of deficits in neurophychological syndromes. <i>Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology, 11,</i>143-205.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491740&pid=S0874-2049200200010000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mesulam, M. M. (1981). A cortical network for directed attention and unilateral neglect. <i>Annuals of Neurology, 10,</i>309-325.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491742&pid=S0874-2049200200010000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mesulam, M. M. (1990). Large-scale neurocognitive networks and distributed processing for attention, language and memory. <i>Annuals of Neurology, 28,</i>597-613.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491744&pid=S0874-2049200200010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Paolucci, S., Antonucci, G., Guariglia, C., Magnotti, L., Pizzamiglio, L., &#38; Zoccolotti, P. (1996). Facilitatory effect of neglect rehabilitation on the recovery of left hemiplegic stroke patients: A cross-over study. <i>Journal of Neurology, 243,</i>308-314.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491746&pid=S0874-2049200200010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pardo, J. V., Fox, P. T., &#38; Raichle, M. E. (1991). Localization of a human system for sustained attention by positron emission tomography. <i>Nature, 349,</i>61-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491748&pid=S0874-2049200200010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pederson, P. M., Jogensen, H. S., Nakayama, H., Raaschou, H. O., &#38; Olsen, T. S. (1997). Hemineglect in acute stroke &#8212; incidence and prognostic implications: The Compenhagen stroke study. <i>American Journal of Physical Medicine Rehabilitation, 76, </i>122-127.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491750&pid=S0874-2049200200010000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pizzamiglio, L., Antonucci, G., Judica, A., Montener, P., Razzano, C., &#38; Zoccolotti, P. (1992). Cognitive rehabbilitation of the hemineglect disorder in chronic patients with unilateral right brain damage. <i>Journal of Clinical and Experimental Neuropsychology, 14</i> (6), 901-923.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491752&pid=S0874-2049200200010000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Pizzamiglio, L., Frasca, R., Guariglia, C., Incoccia, C., &#38; Antonucci, G. (1990). Effect of optokinetic stimulation in patients with visual neglect. <i>Cortex, 26,</i>535-540.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491754&pid=S0874-2049200200010000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Posner, M. I. (1993). Interaction of arousal and selection in the posterior attention network. In A. Baddeley &#38; L. Weiskrantz (Eds.), <i>Attention: selection, awareness and control</i> (pp. 390-405). 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Microcomputer-based rehabilitation for unilateral left visual neglect: A randomised controlled trial. <i>Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 71,</i> 663-668.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491760&pid=S0874-2049200200010000900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Robertson, I. H., &#38; North, N. (1992). Spatio-motor cueing in unilateral neglect: The role of hemispace, hand and motor activation. <i>Neuropsychologia, 30,</i>553-563.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491762&pid=S0874-2049200200010000900030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Robertson, I. H., Tegn6r, R., Tham, K., Lo, A., &#38; Nimmo-Smith, I. (1995). 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Temporary remission of representation hemineglect through vestibular stimulation. <i>NeuroReport, 5,</i>869-872.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491766&pid=S0874-2049200200010000900032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Rubens, A. B. (1985). Caloric stimulation and unilateral visual neglect. <i>Neurology, 35,</i> 1019-1024.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491768&pid=S0874-2049200200010000900033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Soderback, I., Bengtsson, I., Ginsburg, E., &#38; Ekholm, J. (1992). Video feedback in occupational therapy: Its effect in patients with neglect syndrome. <i>Archives of Physical Medicine &#38; Rehabilitation, 73,</i>1140-1146.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491770&pid=S0874-2049200200010000900034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Stone, S. P., Halligan, P. W., Marshall, J. C., &#38; Greenwood, R. J. (1998). Unilateral neglect: A common but heterogeneous syndrome. <i>Neurology, 50,</i>1902-1905.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491772&pid=S0874-2049200200010000900035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Stone, S. P., Patel, P., Greenwood, R. J., &#38; Halligan, P. W. (1992). Measuring visual neglect in acute stroke and predicting its recovery: The visual neglect recovery index. <i>Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry, 55,</i> 431-436.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491774&pid=S0874-2049200200010000900036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sunderland, A., Wade, D. T., &#38; Hewer, R. L. (1987). The natural history of visual neglect after stroke. <i>International Disabilities Studies, 9,</i> 55-59.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491776&pid=S0874-2049200200010000900037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tham, K., &#38; Tegner, R. (1997). Video feedback in the rehabilitation of patients with unilateral neglect. <i>Archives of Physical Medicine &#38; Rehabilitation, 78,</i>410-413.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491778&pid=S0874-2049200200010000900038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vallar, G., Rusconi, M. L., Barozzi, S., Bemardini, B., Ovadia, D., Papagno, C., &#38; Cesarani, A. (1995). Improvement of left visuospatial hemineglect by left-sided transcutaneous electrical stimulation. <i>Journal of the International Neuropsychological Society,</i> 2,452-459.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491780&pid=S0874-2049200200010000900039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vallar, G., Rusconi, M. L., &#38; Bernardini, B. (1996). Modulation of neglect hemianaesthesia by transcutaneous electrical stimulation. <i>Journal of the International Neuropsychological Society,</i> 2, 452-459.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491782&pid=S0874-2049200200010000900040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Wagenaar, R., Van Wieringen, R, Netelenbos, J., Meijer, O., &#38; Kuik, D. (1992). The transfer of scanning training effects in visual attention after stroke: Five single case studies. <i>Disability and Rehabilitation, 14,</i>51-60.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491784&pid=S0874-2049200200010000900041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Webster, J., Jones, S., Blanton, P., Gross, R., Beissel, G., &#38; Wofford, J. (1984). Visual scanning training with stroke patients. <i>Behaviour Therapy, 15,</i>129-143.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491786&pid=S0874-2049200200010000900042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Weinberg, J., Diller, L., Gordon, W., Gerstman, L., Lieberman, A., Lakin, P., Hodges, G., &#38; Ezrachi, O. (1977). Visual scanning training effect on reading-related tasksin acquired right brain damage. <i>Archives of Physical Medicine and Rehabilitation, 58,</i>479-486.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491788&pid=S0874-2049200200010000900043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Wiart, L., Saintcome, A. B., Debelleix, X., Petit, H., Joseph, P. A., Mazaux, J. M., &#38; Barat, M. (1997). Unilateral neglect syndrome rehabilitation by trunk rotation and scanning training. <i>Archives of Physical Medicine &#38; Rehabilitation, 78</i> (4), 424-429.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=491790&pid=S0874-2049200200010000900044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>          <p>&nbsp;</p>         <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*</sup><a href="#topc0">Autor para correspond&#234;ncia: </a><a name="c0"></a></font></font></p>              <p><font face="Verdana" size="2">Dra. Clara de Santos Loureiro, Laborat&#243;rio de Estudos de Linguagem, piso 8, Centro de Estudos Egas Moniz, Hospital de Santa Maria, 1600 Lisboa; telefone/fax: 217934480; e-mail: <a href="mailto:labling@mail.telepac.pt">labling@mail.telepac.pt</a>.</font></p>         ]]></body>
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