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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estereótipos sociais: Definição e abordagens]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[A definition of social stereotype is presented. We analyse its major features and functions and establish the relation between social and psychological functions. The major theoretical views of the concept are also presented. Among the methodological views, special attention is given to the descriptive study of Katz and Braly, which was pionner of a serial of other descriptive studies of social stereotypes.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana" size="4"><b>Estere&#243;tipos sociais: Defini&#231;&#227;o e abordagens</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="4"><b>Joana Miranda<sup>*</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>*</sup>Universidade Aberta</font></p>      <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#201; apresentada uma defini&#231;&#227;o de estere&#243;tipo social. S&#227;o analisadas as suas principais caracter&#237;sticas e fun&#231;&#245;es e estabelecida a rela&#231;&#227;o entre as fun&#231;&#245;es sociais e as psicol&#243;gicas. S&#227;o enunciadas as principais abordagens te&#243;ricas do conceito. No &#226;mbito das abordagens metodol&#243;gicas, especial aten&#231;&#227;o &#233; conferida ao estudo descritivo de Katz e Braly, pioneiro de uma s&#233;rie de outros estudos descritivos dos estere&#243;tipos sociais.</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A definition of <i>social stereotype</i> is presented. We analyse its major features and functions and establish the relation between social and psychological functions. The major theoretical views of the concept are also presented. Among the methodological views, special attention is given to the descriptive study of Katz and Braly, which was pionner of a serial of other descriptive studies of social stereotypes.</font></p>  <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>1. <i>Defini&#231;&#227;o.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#171;Estere&#243;tipo&#187; tem origem nas palavras gregas <i>stereos</i> (s&#243;lido) e <i>tupos</i> (marca, cunho). Referir-se-ia, portanto, a uma placa de impress&#227;o que produziria uma mesma imagem em cada impress&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A primeira vista, pode parecer desnecess&#225;rio definir estere&#243;tipo. A palavra &#233; correntemente utilizada na linguagem quotidiana e o seu significado parece simples e evidente. No entanto, a palavra &#233; definida de formas bem diversas no dom&#237;nio das Ci&#234;ncias Sociais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Surge neste dom&#237;nio com o desenvolvimento da teoria das opini&#245;es. Lippmann utiliza-a, em 1922, no seu livro <i>Public Opinion,</i> para expressar o car&#225;cter condensado, esquem&#225;tico e simplificado das opini&#245;es. O autor perspectiva o estere&#243;tipo como factualmente incorrecto, r&#237;gido, resultante de um processo il&#243;gico de pensamento e resistente &#224; educa&#231;&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tajfel adopta a defini&#231;&#227;o de estere&#243;tipo de Stallybrass (1977, citado por Tajfel, 1982a: 160), inclu&#237;da no <i>Fontana Dictionary of Modern Thought</i>, segundo a qual, o estere&#243;tipo seria &#171;uma imagem mental hipersimplificada de uma determinada categoria &#091;&hellip;&#093; de indiv&#237;duo, institui&#231;&#227;o ou acontecimento, compartilhada, em aspectos essenciais, por grande n&#250;mero de pessoas.&#187;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O autor considera ser a defini&#231;&#227;o que melhor salienta a dimens&#227;o social dos estere&#243;tipos<a href="#1"><sup>1</sup></a><a name="top1"></a> <i>(&#171;compartilhada</i> &#091;&hellip;&#093; por grande n&#250;mero de pessoas.&#187;).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>2. <i>Caracter&#237;sticas e fun&#231;&#245;es.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os estere&#243;tipos transformam diferen&#231;as menos claras entre os grupos (categorias) em diferen&#231;as mais n&#237;tidas e criam diferen&#231;as onde, antes, elas n&#227;o existiam.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A quest&#227;o coloca-se em termos da rela&#231;&#227;o entre um conjunto de atributos (por exemplo intelig&#234;ncia) que variam em termos de uma dimens&#227;o cont&#237;nua e categorias de indiv&#237;duos<a href="#2"><sup>2</sup></a><a name="top2"></a>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As categorias podem ser mais amplas - ra&#231;as (amarelos, judeus, negros, &hellip;), nacionalidades (alem&#227;es, chineses, &hellip;) ou mais restritas - profiss&#245;es, classes e grupos (professores, capitalistas, imigrantes, &hellip;.).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Os atributos s&#227;o, atrav&#233;s da experi&#234;ncia, associados &#224;s categorias. Quando o conhecimento do indiv&#237;duo avaliado &#233; reduzido, s&#227;o-lhe atribu&#237;das as caracter&#237;sticas consideradas t&#237;picas da categoria.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tajfel considera que os estere&#243;tipos cumprem fun&#231;&#245;es sociais e psicol&#243;gicas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Fun&#231;&#245;es sociais</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Evid&#234;ncias oriundas da Psicologia Social, da Hist&#243;ria Social, da Antropologia Social e do senso comum, demonstram que os estere&#243;tipos tendem a ser criados e difundidos em condi&#231;&#245;es associadas a:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">- Procura de compreens&#227;o de fen&#243;menos sociais complexos (fun&#231;&#227;o causalidade social). Face, por exemplo, &#224; necessidade de explicar a peste no s&#233;culo xvn, acusam-se, na altura, os escoceses de terem envenenado os po&#231;os de Newcastle em 1639 (Thomas, 1971, citado por Tajfel, 1984 : 161).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-Justifica&#231;&#227;o de comportamentos cometidos ou planeados contra <i>outgroups</i> (fun&#231;&#227;o justifica&#231;&#227;o). Esta fun&#231;&#227;o &#233; bem documentada pelo trabalho de Kiernan (1972: ibidem):</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#171;The idea of Europe&rsquo;s &#171;mission&#187; dawned early, but was taken up seriously in the nineteenth century. Turkey, China, and the rest would some day be prosperous, wrote Winwood Reade, one of the most sympathetic Westerners. But those people will never begin to advance &hellip; until they enjoy the rights of men; and these tdiey will never obtain except by means of European conquest.&#187;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">- Diferencia&#231;&#227;o positiva do <i>ingroup</i> relativamente a dados outgroups, num momento em que essa diferencia&#231;&#227;o &#233; perspectivada como insegura ou em que, n&#227;o sendo positiva, existem condi&#231;&#245;es sociais que fazem considerar a possibilidade de altera&#231;&#227;o da situa&#231;&#227;o (fun&#231;&#227;o diferencia&#231;&#227;o).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Fun&#231;&#245;es psicol&#243;gicas</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nas fun&#231;&#245;es psicol&#243;gicas incluem-se a estrutura&#231;&#227;o cognitiva e a manuten&#231;&#227;o de valores individuais. Analisemos, cada uma, em separado.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Estrutura&#231;&#227;o cognitiva</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os estere&#243;tipos s&#227;o, frequentemente, analisados na literatura em rela&#231;&#227;o com um processo cognitivo designado por categoriza&#231;&#227;o. Mais concretamente, a categoriza&#231;&#227;o &#233; perspectivada como um componente fundamental da forma&#231;&#227;o dos estere&#243;tipos (ver, por exemplo, Allport, 1954; Ehrlich, 1973, citados por Hamilton, 1979: 55).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na d&#233;cada de 50, mais precisamente em 1954, Allport analisa o processo de categoriza&#231;&#227;o na sua obra cl&#225;ssica sobre o preconceito - <i>The Nature of Prejudice.</i> E nessa mesma obra que atribui 5 caracter&#237;sticas &#224; categoriza&#231;&#227;o: constitui categorias amplas, assimila tudo a essas mesmas categorias, possibilita a identifica&#231;&#227;o r&#225;pida de um dado elemento, satura tudo o que est&#225; inclu&#237;do na categoria de um mesmo significado emocional, pode ser mais ou menos racional.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para Allport, a categoriza&#231;&#227;o e os estere&#243;tipos s&#227;o entidades distintas. O estere&#243;tipo &#233; uma cren&#231;a exagerada associada a uma categoria cuja fun&#231;&#227;o &#233; justificar (racionalizar) o nosso comportamento relativamente a essa mesma categoria.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Apesar da sua defini&#231;&#227;o de estere&#243;tipo incluir fun&#231;&#245;es cognitivas e de valor, o estere&#243;tipo n&#227;o &#233;, propriamente, uma categoria, mas antes, uma imagem que existe, frequentemente, como uma marca fixa de uma categoria.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As rela&#231;&#245;es entre estere&#243;tipos e categorias s&#227;o, hoje, perspectivadas de uma forma bem mais din&#226;mica do que a perspectivada por Allport.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A principal fun&#231;&#227;o cognitiva dos estere&#243;tipos &#233; a de sistematizar e simplificar informa&#231;&#227;o social de forma a dar sentido a um mundo que, de outra forma, seria demasiado complexo e ca&#243;tico.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Manuten&#231;&#227;o de valores individuais</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A categoriza&#231;&#227;o social pode ter uma conota&#231;&#227;o de valor (positiva ou negativa) ou ser neutra. Exemplifiquemos: um adjectivo (por exemplo <i>alto)</i> pode ser atribu&#237;do a um dado grupo social (por exemplo suecos) sem que isso se revista de qualquer conota&#231;&#227;o de valor (apesar do adjectivo <i>alto</i> n&#227;o ser necessariamente neutro, o grupo &#171;suecos&#187; pode n&#227;o ter qualquer conota&#231;&#227;o de valor).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Se se encontrarem muitos suecos baixos, o estere&#243;tipo pode, inclusivamente, ser reformulado.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">No entanto, se a categoria em causa tem uma dada conota&#231;&#227;o de valor, a inst&#226;ncia que infirma o estere&#243;tipo vai requerer uma nova interpreta&#231;&#227;o dos atributos tidos como caracter&#237;sticos da categoria, amea&#231;a todo o sistema de valores do indiv&#237;duo, sistema esse no qual assenta toda a diferencia&#231;&#227;o intergrupal.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Como Tajfel (1982a: 170) refere &#171;&#091;&hellip;&#093; a aceita&#231;&#227;o de tais exemplos desconfirmat&#243;rios amea&#231;a, ou p&#245;e em perigo, o sistema de valores que est&#225; na base da diferencia&#231;&#227;o entre os grupos.&#187;<a href="#3"><sup>3</sup></a><a name="top3"></a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De facto, de forma a evitar situa&#231;&#245;es deste tipo, os indiv&#237;duos preferem cometer erros de sobreinclus&#227;o (isto &#233;, inclu&#237;rem numa categoria um item que n&#227;o pertence a essa categoria) a erros de sobrexclus&#227;o (isto &#233;, exclu&#237;rem de uma categoria um item que pertence a essa categoria). Preferem, portanto, incluir uma &#171;boa&#187;<a href="#4"><sup>4</sup></a><a name="top4"></a> pessoa numa &#171;m&#225;&#187; categoria do que uma &#171;m&#225;&#187; pessoa numa boa categoria.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">E precisamente a esta conclus&#227;o que chegam os estudos de identifica&#231;&#227;o, em condi&#231;&#245;es amb&#237;guas, de membros de categorias sociais de que n&#227;o se gosta.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em 1950, num estudo deste tipo desenvolvido nos Estados Unidos, verifica-se que os sujeitos anti-semitas s&#227;o mais precisos na identifica&#231;&#227;o de judeus do que os sujeitos n&#227;o anti-semitas. Sendo a categoriza&#231;&#227;o judeus/n&#227;o-judeus relevante para estes sujeitos, preferem identificar indiv&#237;duos n&#227;o-judeus como judeus do que &#171;deixar passar&#187; alguns judeus (Secord &amp; Backman, 1964, citados por Brigham, 1971: 26).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em todos os estudos neste dom&#237;nio, com apenas uma excep&#231;&#227;o (Himmelfarb, 1960, citado por Brigham, 1971: 26), os sujeitos anti-semitas consideram mais rostos como sendo de judeus do que sujeitos n&#227;o anti-semitas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para Allport (1954, citado por Tajfel, 1982a: 170) &#171;&#091;&hellip;&#093; o processo cognitivo do preconceito consistia em &#171;seleccionar, acentuar e interpretar&#187; a informa&#231;&#227;o recolhida do meio &#091;&hellip;&#093; desta forma &#091;&hellip;&#093; o processo preenche a sua fun&#231;&#227;o de proteger o sistema de valores subjacente &#224; divis&#227;o do mundo social envolvente em trigo e joio.&#187;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i><b>Rela&#231;&#245;es entre as fun&#231;&#245;es sociais e psicol&#243;gicas dos estere&#243;tipos</b></i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No passado, as teorias dos estere&#243;tipos n&#227;o est&#227;o especialmente preocupadas em estabelecer rela&#231;&#245;es entre as fun&#231;&#245;es sociais (explicativa, justificativa e de diferencia&#231;&#227;o) e psicol&#243;gicas (estrutura&#231;&#227;o cognitiva e manuten&#231;&#227;o de valores individuais).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Actualmente, compreende-se que as rela&#231;&#245;es competitivas e de poder entre os grupos delimitam, em larga escala, as fun&#231;&#245;es psicol&#243;gicas dos estere&#243;tipos.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Duas linhas recentes de investiga&#231;&#227;o relacionam os dois tipos de fun&#231;&#245;es. Uma dessas linhas, relaciona o auto-conceito (ou identidade social) dos indiv&#237;duos com a posi&#231;&#227;o que o grupo a que pertencem ocupa num sistema social multigrupal. A outra linha, relaciona-se, fundamentalmente, com a fun&#231;&#227;o social de explica&#231;&#227;o mas tem, igualmente, implica&#231;&#245;es nas fun&#231;&#245;es justifica&#231;&#227;o e diferencia&#231;&#227;o. Consiste no chamar a aten&#231;&#227;o para o facto da teoria atribucional ser muito individualizada e negligenciar determinantes e fun&#231;&#245;es sociais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Hewstone e Jaspars (1982, citados por Tajfel, 1984: 165) d&#227;o exemplos emp&#237;ricos recentes do fen&#243;meno de atribui&#231;&#227;o social.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O primeiro exemplo da lista &#233; o estudo do rumor de Allport e Postman (1947, citados por Tajfel, 1984: 166) que conclui que as rela&#231;&#245;es intergrupais determinam a percep&#231;&#227;o das causas e das raz&#245;es<a href="#5"><sup>5</sup></a><a name="top5"></a> dos comportamentos do <i>outgroup</i> e do ingroup e que esta percep&#231;&#227;o determina, por seu lado, o desenvolvimento das rela&#231;&#245;es intergrupais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>3. <i>Abordagens te&#243;ricas.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Um exame de literatura sobre o dom&#237;nio revela, segundo Dorai (1988: 48),<a href="#6"><sup>6</sup></a><a name="top6"></a> a exist&#234;ncia de duas abordagens da tem&#225;tica:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma abordagem sociol&#243;gica que remonta ao s&#233;culo XIX e cuja teoriza&#231;&#227;o parece estar na continuidade da utiliza&#231;&#227;o m&#233;dica do termo (&#171;estereotipia&#187;).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nesta corrente, o estere&#243;tipo encerra algo de patol&#243;gico: patologia do grupo que partilha o estere&#243;tipo e, por vezes, patologia dos indiv&#237;duos estereotipados e tem por fun&#231;&#227;o satisfazer as motiva&#231;&#245;es do indiv&#237;duo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No seio desta abordagem &#233; poss&#237;vel incluir as abordagens psicodin&#226;mica e s&#243;cio-cultural.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A abordagem psicodin&#226;mica, de que os psicanalistas s&#227;o exemplo, encara os estere&#243;tipos como mecanismos de defesa que actuam enquanto redutores da ansiedade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A abordagem s&#243;cio-cultural, por seu lado, perspectiva os estere&#243;tipos como produtos da sociedade, legados por aprendizagem, imagens s&#243;cio-culturais, totalmente independentes das experi&#234;ncias pessoais com os membros dos grupos estereotipados.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A abordagem cognitivista, de fei&#231;&#227;o mais experimentalista, considera que os estere&#243;tipos decorrem da forma como os indiv&#237;duos processam a informa&#231;&#227;o, n&#227;o lhes sendo, assim, associada qualquer conota&#231;&#227;o patol&#243;gica.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A grande diferen&#231;a entre as duas abordagens reside, provavelmente, no facto da primeira encarar os estere&#243;tipos como um processo deficiente de pensamento e da segunda n&#227;o o fazer.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Analisemos em detalhe cada uma das duas abordagens:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>3.1..<i>Abordagem sociol&#243;gica- estere&#243;tipos enquanto processo deficiente de pensamento.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A defesa do car&#225;cter deficiente do estere&#243;tipo est&#225; j&#225; presente em 1950 em Bogardus. (citado por Dorai, 1988: 49) e &#233; retomada por Sanford (1956: ibidem) e por Fishman (1956: ibidem). Baseia-se em 4 argumentos<a href="#7"><sup>7</sup></a><a name="top7"></a>:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-<b><i>Os estere&#243;tipos s&#227;o incorrectamente aprendido.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A observa&#231;&#227;o de Klineberg (1951, citado por Brigham, 1971: 18) enquadra-se neste argumento:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Unlike other generalizations &hellip; stereotypes are based not on an inductive collection of data, but on hearsay, rumor, and anecdotes - in short, on evidence which is insufficient to justify the generalization.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este argumento baseia-se, nomeadamente, em estudos relativos &#224; forma como as crian&#231;as adquirem os estere&#243;tipos. E o caso dos estudos de DelBoca e Ashmore (1980, citado por Dorai, 1988: 49) sobre os estere&#243;tipos sexuais e dos estudos de Cauthen et al. (1971: ibidem) e, posteriormente, de Brigham (1971: ibidem) sobre os estere&#243;tipos &#233;tnicos. Para este conjunto de autores a aprendizagem dos estere&#243;tipos baseia-se nos <i>media</i>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Actualmente, dispomos de conhecimentos sobre as aprendizagens sociais (Bandura, 1980: ibidem), sobre os processos vicariantes (Robert, 1970: ibidem), sobre a forma como a r&#225;dio, a banda desenhada e o cinema afectam a aquisi&#231;&#227;o de estere&#243;tipos nas crian&#231;as (Munoz, 1973: ibidem) &hellip;. Persistem, no entanto, entre outras, d&#250;vidas relativamente ao porqu&#234; das diferen&#231;as individuais e grupais na aprendizagem dos estere&#243;tipos com base nos <i>media.</i></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">-<b><i>Os estere&#243;tipos s&#227;o sobre generaliza&#231;&#245;es</i> (overgeneralized)</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Allport (1958, citado por Dorai, 1988: 50) &#233;, provavelmente, quem melhor define esta posi&#231;&#227;o: &#171;un st&#233;r&#233;otype est une croyance exag&#233;r&#233;e associ&#233;e &#224; une categorie&#187;.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2">A teoriza&#231;&#227;o de Katz e Braly (1935, citados por Brigham, 1971: 17) tamb&#233;m se enquadra nesta perspectiva: &#171;A stereotype is a fixed impression, which conforms very little to the facts it tends to represent, and results from our defining first and observing second&#187;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A sobregeneraliza&#231;&#227;o pode ter duas fontes de erro:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-Direccionalidade-considerar que a maioria dos membros (digamos 95%) do grupo X possui o atributo Y, quando, de facto, a maioria dos membros do grupo X n&#227;o o possui.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-Magnitude-considerar que quase todos (&#171;almost all&#187;) os membros do grupo X possuem o atributo Y, quando, de facto, apenas a maioria (&#171;most&#187;), digamos 65%, o possui.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-<b><i>Os estere&#243;tipos n&#227;o coincidem com os factos que descreve.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As afirma&#231;&#245;es de Katz e Braly (1935, citados por Dorai, 1988: 50): &#171;un st&#233;re&#243;type est une impression fixe qui est tr&#232;s peu conforme au fait qu&rsquo;elle pr&#233;tend repr&#233;senter et r&#233;sulte d&rsquo;abord d&rsquo;une d&#233;finition et en second lieu d&rsquo;une observation&#187; e de Doise (ibidem): &#171;Le groupe cr&#233;e dans Timaginaire la situation qu&rsquo;il veut atteindre&#187; s&#227;o exemplificativas de uma posi&#231;&#227;o, segundo a qual, os estere&#243;tipos s&#227;o o resultado de representa&#231;&#245;es que o sujeito constroi com base em acontecimentos, objectos e indiv&#237;duos. S&#227;o, portanto, deforma&#231;&#245;es da realidade pelo imagin&#225;rio.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Determinados autores v&#227;o mais longe. Consideram que os estere&#243;tipos n&#227;o s&#243; n&#227;o coincidem com os factos que descrevem, como tamb&#233;m n&#227;o possuem qualquer base de verdade. E esta a posi&#231;&#227;o de LaPiere (1936, citado por BrigKam, 1971: 25). No estudo que desenvolve (e que &#233;, de resto, de uma enorme superficialidade), o autor tece algumas considera&#231;&#245;es relativamente &#224; <i>d&#233;calage</i> existente entre o estere&#243;tipo dos arm&#233;nios nos anos 20 na Calif&#243;rnia (desonestos, mentirosos e causadores de perturba&#231;&#245;es) e a realidade com que o grupo se v&#234; confrontado no seu dia a dia e que n&#227;o envolve qualquer discrimina&#231;&#227;o real por parte da comunidade local: reduzido envolvimento em processos judiciais, acesso a condi&#231;&#245;es de cr&#233;dito id&#234;nticas &#224;s dos demais grupos, &hellip;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em 1942, Schoenfeld (ibidem) procura abordar a quest&#227;o de uma forma mais directa. Num estudo sobre os nomes pr&#243;prios, selecciona, ap&#243;s uma s&#233;rie de pr&#233;-testes, 8 nomes masculinos e 8 nomes femininos relativamente aos quais parece existir acordo quanto aos tra&#231;os de personalidade que lhes s&#227;o atribu&#237;dos.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&#201; solicitado aos sujeitos que associem tra&#231;os de personalidade aos diversos nomes que lhes s&#227;o apresentados.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#201; curioso notar que existe consider&#225;vel acordo nos tra&#231;os referidos pelos sujeitos. Apenas 7 dos 218 sujeitos envolvidos no estudo se queixam da dificuldade da tarefa ou da falta de sentido da mesma. De tudo isto, conclui o autor poderem os estere&#243;tipos desenvolver-se sem qualquer fundo de verdade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na mesma linha, Hartley (1946, citado por Dorai, 1988: 52) pede a estudantes americanos que avaliem 3 5 grupos &#233;tnicos. Apesar de 3 dos grupos inclu&#237;dos na lista apresentada <i>(Dan&#233;riens, Pireniens</i> e <i>Walloniens</i><a href="#8"><sup>8</sup></a><a name="top8"></a>) serem fict&#237;cios, os estudantes avaliam-nos de forma negativa.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Wells, Goi e Seader (1958, citados por Brigham, 1971: 25) analisam as caracter&#237;sticas que estudantes universit&#225;rios atribuem a indiv&#237;duos que compram diferentes marcas de autom&#243;veis. Em 1956, os indiv&#237;duos que compram Plymouths s&#227;o perspectivados como sendo <i>calmos, cuidados, lentos, silenciosos, moralistas, gordos, gentis, introspectivos, pacientes, honestos,</i>&hellip; Em 1957, a Plymouth inicia uma campanha publicit&#225;ria que parece explicar o facto de os compradores de Plymouths passarem a ser perspectivados de uma forma completamente diferente: <i>ricos, importantes, diferentes, femininos, ex&#243;ticos</i>&hellip;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os estudos referidos salientam a possibilidade de os estere&#243;tipos existirem sem qualquer base de verdade. E, no entanto, dif&#237;cil compreender que os estere&#243;tipos existam sem qualquer base de verdade, quando experimentalmente se verifica a exist&#234;ncia de coincid&#234;ncia entre hetero-estere&#243;tipos-imagem que os membros dos grupos sociais t&#234;m de outros grupos, (Dorai, 1991:12) e auto-estere&#243;tipos-imagem que os membros dos grupos sociais t&#234;m dos seus pr&#243;prios grupos (Dorai: ibidem)<a href="#9"><sup>9</sup></a><a name="top9"></a>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ser&#225; que os pr&#243;prios auto-estere&#243;tipos s&#227;o incorrectos? Ser&#225; que apenas alguns estere&#243;tipos t&#234;m uma base de verdade? E, por outro lado, se assim for, quais s&#227;o os estere&#243;tipos que t&#234;m uma base de verdade? Ser&#227;o os elicitados por indiv&#237;duos que t&#234;m j&#225; um conhecimento satisfat&#243;rio do grupo a que os seus estere&#243;tipos se referem? S&#227;o quest&#245;es que permanecem.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-<b><i>Os estere&#243;tipos s&#227;o r&#237;gidos</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A quest&#227;o da rigidez dos estere&#243;tipos pode assumir um de dois significados:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-Rigidez associada &#224; persist&#234;ncia dos estere&#243;tipos, &#224; sua manuten&#231;&#227;o ao longo do tempo. Alguns autores analisam a estabilidade dos estere&#243;tipos ao longo de 3 gera&#231;&#245;es sucessivas de estudantes da Universidade de Princeton (ver Dorai, 1991: 14). Neste caso, a rigidez tem um significado mais sociol&#243;gico (n&#237;vel grupai) do que propriamente psicol&#243;gico (n&#237;vel individual).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Mais recentemente, questiona-se a estabilidade temporal dos estere&#243;tipos. Assim, por exemplo, Sinha e Upadhyaya (1960, citados por Billig, 1976: 364) avaliam as atitudes de estudantes indianos face aos chineses em Fevereiro de 1969. Os estudantes consideram os chineses <i>amig&#225;veis, honestos, corajosos</i> e <i>cultos.</i> Em Dezembro do mesmo ano, em resultado da altera&#231;&#227;o da conjuntura internacional e, nomeadamente, da &#171;border dispute&#187;, consideram-nos agressivos, cru&#233;is, est&#250;pidos e desonestos.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Tamb&#233;m a compara&#231;&#227;o dos resultados dos estudos de Katz e Braly (1933, citados por Billig, 1976: 364) com os de Gilbert (1951: ibidem) e com os de Karlins <i>et al.</i> (1969: ibidem) constituem um bom exemplo de altera&#231;&#227;o dos estere&#243;tipos de estudantes universit&#225;rios americanos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com base em estudos do tipo dos referidos, passa a considerar-se que os estere&#243;tipos n&#227;o s&#243; se desenvolvem de acordo com a evolu&#231;&#227;o das rela&#231;&#245;es intergrupais (Avidgor, 1953; Scherif, 1962, citados por Dorai, 1988: 51), como tamb&#233;m as justificam (Clarke &amp; Campbell, 1955: ibidem) e as antecipam (Doise, 1969: ibidem).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A partir do momento em que se considera que os estere&#243;tipos evoluem, que se modificam, h&#225; que reformular o conceito de rigidez. Em 1971, Brigham define-a em termos de persist&#234;ncia dos estere&#243;tipos face a altera&#231;&#245;es na natureza da interac&#231;&#227;o entre os grupos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">- Rigidez inscrita no quadro de certos estudos psicanal&#237;ticos. A rigidez &#233; uma vari&#225;vel de personalidade, uma vari&#225;vel individual; tem por consequ&#234;ncia uma percep&#231;&#227;o indiferenciada dos grupos sociais, uma dificuldade de integra&#231;&#227;o de toda a nova informa&#231;&#227;o. Incluem-se nesta posi&#231;&#227;o os estudos sobre a rela&#231;&#227;o entre o estilo de pensamento e o preconceito (Ehrlich, 1973, citado por Dorai, 1988: 51).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">J&#225; em 1943, Kerr (citado por Brigham, 1971: 19) considera que os estere&#243;tipos n&#227;o evoluem, mantendo-se esclerosados.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Mas o autor mais representativo desta posi&#231;&#227;o &#233;, sem d&#250;vida, Adorno (1950, citado por Dorai, 1988: 51) para quem a estereotipia &#233; a tend&#234;ncia para pensar em termos de categorias r&#237;gidas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Fishman (1956: ibidem) assume uma posi&#231;&#227;o bem menos generalista: nem todos os estere&#243;tipos s&#227;o caracterizados por rigidez; apenas aqueles que n&#227;o sofrem qualquer modifica&#231;&#227;o face ao confronto com nova informa&#231;&#227;o, &#224; altera&#231;&#227;o a n&#237;vel da esfera motivacional ou &#224; evolu&#231;&#227;o das interac&#231;&#245;es desenvolvidas pelo indiv&#237;duo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em s&#237;ntese, a corrente sociol&#243;gica referida considera que os estere&#243;tipos constituem processos incorrectos de pensamento por serem incorrectamente aprendidos e/ou por serem sobregeneraliza&#231;&#245;es e/ou por estarem em contradi&#231;&#227;o com os factos que representam e/ou por serem r&#237;gidos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">3.2 <b><i>Abordagem cognitivista-estere&#243;tipos enquanto processo normal de pensamento</i></b><a href="#10"><sup>10</sup></a><a name="top10"></a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Hamilton (1981, citado por Dorai, 1988: 51) questiona que os estere&#243;tipos sejam perspectivados enquanto um processo deficiente de pensamento. Segundo o autor, considerar que os estere&#243;tipos constituem um processo deficiente de pensamento, implica admitir que os mesmos se geram de estruturas e processos cognitivos desviantes ou patol&#243;gicos. Os estere&#243;tipos t&#234;m limita&#231;&#245;es. As suas limita&#231;&#245;es decorrem do facto de constituirem um processo cognitivo e de todos os processos cognitivos encerrarem limita&#231;&#245;es.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A considera&#231;&#227;o de que os estere&#243;tipos n&#227;o constituem processos deficientes de pensamento baseia-se em tr&#234;s argumentos:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-<b><i>Os estere&#243;tipos representam categorias, conceitos</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para Secord (1959, citado por Brigham, 1971: 18) estere&#243;tipos e categorias s&#227;o precisamente a mesma coisa: &#171;A stereotype is commonly thought of as involving a categorical response; i.e., membership in a category is sufficient to evoke the judgment that the stimulus person possess <i>all</i> the attributes belonging to that category&#187;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Orienta&#231;&#245;es similares s&#227;o expressas por autores como Simpson e Yinger (1965, citados por Dorai, 1988: 51).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Paralelamente, para Vinacke (1957, op.cit: 50-51), os estere&#243;tipos constituem sistemas conceptuais; t&#234;m propriedades id&#234;nticas &#224;s dos outros conceitos e permitem, tal como os outros conceitos, organizar as experi&#234;ncias. Nesta perspectiva, estereotipar &#233; um processo conceptual, no qual os tra&#231;os de personalidade (morais, afectivos e intelectuais) e as caracter&#237;sticas f&#237;sicas est&#227;o englobadas no conceito.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-<b><i>Os estere&#243;tipos s&#227;o generaliza&#231;&#245;es.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os estere&#243;tipos s&#227;o generaliza&#231;&#245;es, independentemente da validade das mesmas. A quest&#227;o da validade ou &#233; perspectivada como irrelevante ou como subjectiva. Mais concretamente, ou se considera que os estere&#243;tipos podem ser quer generaliza&#231;&#245;es correctas, quer generaliza&#231;&#245;es incorrectas ou se considera que &#233; extremamente subjectivo rotular uma generaliza&#231;&#227;o de correcta ou de incorrecta. Tal rotulagem implicaria a posse de crit&#233;rios de validade das generaliza&#231;&#245;es, o que envolve, evidentemente, uma grande subjectividade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">- <b><i>Os estere&#243;tipos s&#227;o teorias impl&#237;citas de personalidade.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Leyens (1983, citado por Dorai, 1988: 52-53) perspectiva os estere&#243;tipos enquanto teorias impl&#237;citas de personalidade (t.i.p.) partilhadas pela maioria dos membros de um grupo relativamente ao conjunto dos membros de um outro grupo ou do seu pr&#243;prio grupo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As t.i.p. s&#227;o cren&#231;as gerais sobre a esp&#233;cie humana e, nomeadamente, sobre a frequ&#234;ncia e variabilidade de um dado tra&#231;o de personalidade na popula&#231;&#227;o. Impl&#237;citas ou naifs, porque os indiv&#237;duos que as possuem n&#227;o est&#227;o, necessariamente, delas conscientes e n&#227;o sabem, provavelmente, como exprimi-las de forma formal. Os indiv&#237;duos recorrem a elas para se julgarem a si e aos outros, para explicar ou predizer o seu comportamento, o dos outros indiv&#237;duos e o de grupos de indiv&#237;duos.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>4. <i>Abordagens metodol&#243;gicas.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>4.1.<i>Estudos descritivo.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>O estudo de Katz e Braly</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">No plano metodol&#243;gico, o estudo de Katz e Braly de 1933 constitui o primeiro estudo emp&#237;rico sobre os estere&#243;tipos &#233;tnicos<a href="#11"><sup>11</sup></a><a name="top11"></a>. E, de facto, este estudo que inspira todo um conjunto de estudos posteriores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O estudo &#233; constitu&#237;do por duas grandes fases:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">I- Um grupo de 25 ju&#237;zes constroi uma lista de adjectivos bipolares (lista A) que, no seu entender, podem caracterizar os grupos raciais. Como exemplo de um adjectivo temos limpo/sujo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">II - Os experimentadores escolhem 10 grupos raciais ou nacionais: alem&#227;es, americanos, chineses, ingleses, irlandeses, italianos, japoneses, judeus, negros e turcos (lista B). Esta fase inclui 3 condi&#231;&#245;es experimentais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na condi&#231;&#227;o 1, a lista A &#233; apresentada aos sujeitos e estes devem escolher 5 adjectivos que consideram adequados a cada um dos grupos da lista B.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na condi&#231;&#227;o 2, a lista A &#233; apresentada aos sujeitos e estes devem escolher 5 adjectivos que gostariam que os seus amigos possuissem.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Na condi&#231;&#227;o 3, a lista B &#233; apresentada aos sujeitos e estes devem avaliar os diferentes grupos nela inclu&#237;dos em termos de simpatia (utilizando a escala de dist&#226;ncia social de Bogardus).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Com base na condi&#231;&#227;o 1, os autores calculam um &#237;ndice de estereotipia, representado pelo menor n&#250;mero de adjectivos a agrupar de forma a obter 50% das escolhas, sendo os estere&#243;tipos tanto mais fortes quanto menos forem os adjectivos necess&#225;rios para atingir esses mesmos 50 %. Constrem uma escala de varia&#231;&#227;o entre os 2.5 tra&#231;os (valor que traduz um acordo total) e os 42 tra&#231;os (valor que traduz um estere&#243;tipo minimamente significativo) e encontram uma varia&#231;&#227;o entre os 4.6 tra&#231;os (negros) e os 15.9 (turcos) .</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com base na condi&#231;&#227;o 2, obtem-se uma escala de desejabilidade dos adjectivos, escala essa independente do contexto nacional ou racial. Da compara&#231;&#227;o das condi&#231;&#245;es 1 e 2, determina-se a desejabilidade te&#243;rica dos grupos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Com base na condi&#231;&#227;o 3, obtem-se uma escala de desejabilidade dos grupos (preconceito).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em termos gerais, encontra-se um grande consenso nos adjectivos seleccionados. Assim, mais de 75% dos sujeitos considera que os negros s&#227;o <i>supersticiosos</i> e <i>astuciosos</i> e que os alem&#227;es t&#234;m <i>esp&#237;rito cient&#237;fico.</i> Mais de 50% considera os americanos <i>inteligentes</i>, os italianos <i>supersticiosos</i>, os irlandeses <i>trabalhadores</i> e os turcos <i>cru&#233;is.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">N&#227;o se encontra significativa correla&#231;&#227;o entre a desejabilidade dos tra&#231;os (condi&#231;&#227;o 2) e a dos grupos (condi&#231;&#227;o 3).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">N&#227;o se encontra, ainda, correla&#231;&#227;o entre a intensidade do estere&#243;tipo (condi&#231;&#227;o 1) e a desejabilidade dos grupos (condi&#231;&#227;o 3). Como exemplo, podemos referir o facto de apesar de existir um estere&#243;tipo forte relativamente aos alem&#227;es, o preconceito relativamente aos mesmos n&#227;o o ser (na condi&#231;&#227;o 3 os sujeitos n&#227;o situam o grupo nos extremos da escala).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A an&#225;lise dos resultados realizada pelos autores contempla as 4 dimens&#245;es que, 7 anos mais tarde, em 1940, Edwards (1940, citado por Brigham, 1971: 23) considera deverem ser privilegiadas em estudos sobre estere&#243;tipos: uniformidade (avaliada no estudo de Katz e Braly com base na condi&#231;&#227;o l)<a href="#12"><sup>12</sup></a><a name="top12"></a>, direccionalidade, grau de favorabilidade e conte&#250;do.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Diversos estudos parecem indiciar que existe pouca ou nenhuma rela&#231;&#227;o entre a uniformidade dos estere&#243;tipos e a prefer&#234;ncia pelos diferentes grupos &#233;tnicos (ver, por exemplo, Taft, 1959; Prothro &amp; Melikian, 1954; 1955 ou, ainda, Vinacke, 1956, citados por Brigham, 1971: 23).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O estudo de Katz e Braly inspira in&#250;meros outros estudos. E o caso do desenvolvido por Prothro (1954a) na d&#233;cada de 50 com estudantes arm&#233;nios.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os sujeitos recebem uma lista de 99 adjectivos e &#233;-lhes solicitado que utilizem esses adjectivos para caracterizar os seguintes grupos: alem&#227;es, americanos, chineses, franceses, ingleses, irlandeses, italianos, japoneses, judeus, libaneses, negros, russos e turcos. Devem, depois, indicar quais, os 5, de entre os que escolheram, que melhor caracterizam cada um dos grupos<a href="#13"><sup>13</sup></a><a name="top13"></a>.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O autor conclui que os estere&#243;tipos que os sujeitos t&#234;m de alguns dos grupos s&#227;o muito semelhantes aos encontrados em sujeitos de outras nacionalidades. Algumas das diferen&#231;as encontradas podem ser justificadas com base nos contactos sociais existentes entre os grupos que det&#234;m os estere&#243;tipos e os grupos estereotipados. Assim, por exemplo, os estere&#243;tipos extremamente negativos que os arm&#233;nios t&#234;m dos turcos e dos ingleses est&#227;o, largamente, relacionados com a persegui&#231;&#227;o que sofreram no fim da Primeira Grande Guerra.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A investiga&#231;&#227;o de Katz e Braly &#233;, ainda, reproduzida no final dos anos 60 por Karlins, Coffinan e Walters (1969, citados por Brigham, 1971: 22) e os estudantes apresentam as mesmas reac&#231;&#245;es estereotipadas. Em termos gerais, no entanto, s&#227;o utilizados menos atributos negativos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os estere&#243;tipos dos negros encontrados com base no paradigma de Katz e Braly, tendem a ser bem definidos e significativamente negativos. Adjectivos como <i>supersticiosos, pregui&#231;osos, sujos</i> e <i>ignorantes</i> s&#227;o, em geral, os mais atribu&#237;dos. Em 1971, Brigham (20) refere que apesar da perspectiva&#231;&#227;o dos negros nos Estados Unidos se ter tornado menos negativa, continua a ser radicalmente diferente da perspectiva&#231;&#227;o dos americanos. Este aspecto n&#227;o &#233; espec&#237;fico do contexto americano. Sujeitos da &#237;ndia, L&#237;bano, Gr&#227;-Bretanha e outros pa&#237;ses t&#234;m estere&#243;tipos similares.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Outras investiga&#231;&#245;es demonstram que os pr&#243;prios negros concordam com essa perspectiva&#231;&#227;o. Assim, em 1941, Bayton (citado por Brigham, 1971: 20) adopta o paradigma de Katz e Braly e observa que os negros da Universidade de Virginia atribuem ao seu pr&#243;prio grupo adjectivos como <i>musicais, supersticiosos, religiosos, pregui&#231;osos</i> e <i>sortudos.</i> Quando solicitados a caracterizar o estudante t&#237;pico da Universidade de Virginia, escolhem adjectivos como <i>conversadores, inteligentes, sortudos, joviais, sofisticados</i> e outros adjectivos favor&#225;veis.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Cr&#237;ticas a Katz &amp; Braly</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Estudos que, como o de Katz e Braly, inspiram a conceptualiza&#231;&#227;o e a investiga&#231;&#227;o nas d&#233;cadas que se lhes seguem s&#227;o, naturalmente, alvo de cr&#237;ticas mais ou menos aprofundadas. Sistematizando-as, ter&#237;amos as seguintes categorias:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">- Ehrlich e Rinehart (1965, citados por Brigham, 1971: 25) chamam a aten&#231;&#227;o para a possibilidade dos resultados encontrados em investiga&#231;&#245;es do tipo das do presente estudo <i>(check-list,</i> tarefa fechada, isto &#233;, os sujeitos apenas podem referir os adjectivos que constam de uma lista que lhes &#233;, <i>a priori</i>, entregue) poderem ser completamente diferentes dos obtidos em investiga&#231;&#245;es que recorrem a uma metologia de tarefa aberta.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os autores comparam as respostas dadas pelos sujeitos nas duas condi&#231;&#245;es referidas e verificam que, enquanto que na tarefa fechada os sujeitos referem entre 8 e 19 adjectivos por grupo, na tarefa aberta apenas referem cerca de 5 adjectivos. E, ainda, curioso notar que apesar de ser dito aos sujeitos da tarefa fechada que podem acrescentar adjectivos &#224; lista que lhes &#233; dada, apenas 14 adjectivos s&#227;o, de facto, acrescentados para a totalidade dos sujeitos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pressupondo que n&#227;o existem d&#250;vidas de que o fornecimento de adjectivos actua como facilitador da tarefa, parece l&#237;cito concluir que os adjectivos referidos pelos sujeitos (n&#227;o apenas em termos de n&#250;mero mas tamb&#233;m em termos de conte&#250;do) dependem, em larga escala, do tipo de tarefa em causa.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-O sujeitos s&#227;o for&#231;ados a tecer escolhas de adjectivos de entre uma lista que lhes &#233; apresentada, sendo, portanto, for&#231;ados a pensar em termos de generaliza&#231;&#245;es e de categorias.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Num estudo de estere&#243;tipos nacionais com base no paradigma descrito, Eysenck e Crown (1948, citados por Brigham, 1971:24) verificam que 19 % dos seus sujeitos recusam responder por considerarem que o que lhes &#233; pedido ou n&#227;o tem sentido ou &#233; imposs&#237;vel. Mais de metade dos restantes sujeitos reconhecem ter sido for&#231;ados a utilizar respostas estereotipadas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-O n&#250;mero e o tipo de grupos &#233;tnicos inclu&#237;dos na lista tem um efeito significativo na caracteriza&#231;&#227;o que os sujeitos fazem de um dado grupo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Diab (1963, citado por Brigham, 1971: 25) observa que a caracteriza&#231;&#227;o de um grupo n&#227;o popular (russos no caso do estudo) &#233; menos favor&#225;vel quando o grupo &#233; apresentado junto a um grupo favor&#225;vel (americanos no caso do estudo). Investiga&#231;&#245;es posteriores (ibidem) indicam que quando os grupos &#233;tnicos perspectivados como mais favor&#225;veis s&#227;o retirados do estudo, as perspectiva&#231;&#245;es dos restantes grupos inicialmente perspectivados de uma forma amb&#237;gua, se tornam mais favor&#225;veis.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-N&#227;o se tem em considera&#231;&#227;o a contribui&#231;&#227;o que cada adjectivo tem para o estere&#243;tipo do grupo. Todos os adjectivos s&#227;o igualmente considerados. De forma a superar esta limita&#231;&#227;o, alguns autores defendem que os adjectivos sejam atribu&#237;dos aos grupos em termos de percentagens, o que, segundo eles, constituiria uma melhor operacionaliza&#231;&#227;o da quest&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-N&#227;o &#233; especificada a natureza dos processos psicol&#243;gicos envolvidos na assimila&#231;&#227;o dos estere&#243;tipos (Ashmore &amp; DelBoca, 1981, citados por Marques, 1986: 57).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Todas estas limita&#231;&#245;es t&#234;m que ser, necessariamente, consideradas na elabora&#231;&#227;o e an&#225;lise de estudos deste tipo. Se assim n&#227;o for, corremos o risco de que os resultados sejam enviezados em virtude da metodologia utilizada.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">4.2.<b><i>Completamento de frases.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Um outro m&#233;todo utilizado na avalia&#231;&#227;o dos estere&#243;tipos &#233; o do completamento de frases. Klineberg (citado por Prothro, 1954b: 39) descreve um estudo n&#227;o publicado de Jahoda em que a autora pede a jovens ingleses, alem&#227;es e franceses que completem a frase &#171;A Am&#233;rica &#233; um pa&#237;s em que &hellip;&#187;. Os resultados do seu estudo, para al&#233;m de fornecerem informa&#231;&#227;o sobre o que os outros pensam da Am&#233;rica, revelam algumas caracter&#237;sticas dos sujeitos, podendo, assim, o m&#233;todo ser perspectivado enquanto t&#233;cnica projectiva.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O m&#233;todo &#233; adoptado, entre outros autores, por Protho (1954b) que pede a raparigas libanesas que completem a frase citada de 5 formas diferentes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">4.3.<b><i>Estudos diacr&#243;nicos.</i></b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Os estudos diacr&#243;nicos dos estere&#243;tipos t&#234;m por objectivo analisar o grau de persist&#234;ncia dos julgamentos obtidos num per&#237;odo anterior.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Muitos destes estudos s&#227;o iniciados por Schrieke (1936, citado por Dorai, 1991: 15) com o estudo da evolu&#231;&#227;o da percep&#231;&#227;o dos chineses residentes na Calif&#243;rnia entre 1850 e 1890.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O autor demonstra que a percep&#231;&#227;o varia consoante a conjuntura econ&#243;mica da &#233;poca.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">4.4.<b><i>Estudos gen&#233;ticos.</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os estudos gen&#233;ticos centram-se na forma como as crian&#231;as adquirem os estere&#243;tipos e as atitudes &#233;tnicas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os primeiros estudos sobre atitudes<a href="#14"><sup>14</sup></a><a name="top14"></a> &#233;tnicas em crian&#231;as centram-se na an&#225;lise da sua capacidade cognitiva, nomeadamente, da sua capacidade em compreender conceitos complexos como os de na&#231;&#227;o, pa&#237;s, &hellip; e de estabelecer rela&#231;&#245;es l&#243;gicas entre as entidades designadas por esses mesmos conceitos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Segundo Piaget e Weil (1951, citados por Milner, 1984: 90-91), o desenvolvimento da no&#231;&#227;o de nacionalidade &#233; anterior ao desenvolvimento das atitudes face &#224;s diferentes na&#231;&#245;es, envolvendo ambos um processo cognitivo e afectivo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Estudos como os de Piaget e Weil, 1951; Jahoda, 1962 (citados por Tajfel, 1983: 214) demonstram que, por volta dos 6, 7 anos, o conceito de na&#231;&#227;o &#233; ainda rudimentar e muito confuso para a maioria das crian&#231;as. No espa&#231;o de poucos anos, verifica-se um grande salto intelectual no que diz respeito ao conceito de nacionalidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Investiga&#231;&#245;es posteriores demonstram que as crian&#231;as come&#231;am a preferir o seu pa&#237;s a outros, muito antes de serem capazes de formar, compreender e utilizar apropriadamente os conceitos relevantes de pa&#237;ses ou na&#231;&#245;es (ibidem). Assim sendo, o desenvolvimento atitudinal seria poss&#237;vel a partir de um n&#237;vel de desenvolvimento cognitivo significativamente mais baixo do que o pressuposto pelos estudos anteriores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Existe <i>d&#233;calage</i> entre o desenvolvimento dos conceitos e das avalia&#231;&#245;es, quer em rela&#231;&#227;o a pa&#237;ses e na&#231;&#245;es, quer em rela&#231;&#227;o a grupos raciais, &#233;tnicos, religiosos e sociais (Proshansky, 1966: ibidem).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">A n&#237;vel metodol&#243;gico, ainda hoje, os estudos sobre atitudes &#233;tnicas em crian&#231;as, recorrem fundamentalmente aos mesmos m&#233;todos introduzidos por Clark e Clark (1947, citados por Milner, 1984: 93), m&#233;todos que Teplin (1974: ibidem) designa de &#171;projectively-based methods&#187;. Nestes m&#233;todos, as crian&#231;as escolhem, de entre um conjunto de figuras (bonecos ou imagens) que lhes s&#227;o apresentadas, aquelas com que se identificam/ que preferem, &hellip;de acordo com o tipo de pedido que lhes &#233; feito.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Atitudes das crian&#231;as de grupos maiorit&#225;rios face ao ingroup</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Num estudo de Tajfel <i>et al.</i> (1970, citado por Milner, 1984: 91) &#233; pedido a crian&#231;as inglesas que distribuam fotografias por dois tipos de caixas: caixas com o r&#243;tulo &#171;English&#187; e caixas com o r&#243;tulo &#171;not English&#187;. Num outro momento, &#233;-lhes pedido que distribuam as mesmas fotografias por diferentes caixas, consoante o seu grau de prefer&#234;ncia por cada fotografia. As crian&#231;as denotam prefer&#234;ncia pelas fotografias anteriormente inclu&#237;das na caixa &#171;English&#187;. A tend&#234;ncia das crian&#231;as para avaliar favoravelmente o seu grupo nacional (e, implicitamente, para avaliar desfavoravelmente os outros) &#233; tamb&#233;m encontrada em crian&#231;as de outras nacionalidades.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De entre as diferentes nacionalidades analisadas neste estudo, apenas as crian&#231;as escocesas nem sempre preferem as fotografias que identificam como sendo escocesas. Este resultado &#233; compreens&#237;vel, atendendo a que o referido estudo &#233; realizado antes do desenvolvimento do nacionalismo escoc&#234;s do in&#237;cio da d&#233;cada de setenta.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Atitudes das crian&#231;as de grupos maiorit&#225;rios face ao</i> outgroup</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pushkin (1967, op. cit.: 94) conduz o primeiro estudo deste tipo na Inglaterra. Verifica que 22% das crian&#231;as de 3 anos entrevistadas se revelam, de uma forma consistente, desfavor&#225;veis a figuras negras. A referida percentagem aumenta para 65% nas crian&#231;as de 6 anos, idade que, aparentemente, se revela o pico da hostilidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Atendendo a que a aplica&#231;&#227;o do referido m&#233;todo n&#227;o se revela adequada para idades superiores aos 9, 10 anos, poucos estudos t&#234;m sido realizados, neste &#226;mbito, com crian&#231;as de idades superiores &#224;s referidas. Os que t&#234;m sido desenvolvidos, requerem a adapta&#231;&#227;o do material dispon&#237;vel. E esse o caso do estudo de Pushkin e Norburn (1973, op.cit.: 97) com o objectivo de, numa perspectiva longitudinal (8 anos mais tarde), analisar a evolu&#231;&#227;o das atitudes dos sujeitos analisados por Pushkin no estudo referido.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os autores verificam que as atitudes dos sujeitos se concentram em torno de uma atitude moderadamente desfavor&#225;vel. Assim, constata-se a diminui&#231;&#227;o da percentagem de crian&#231;as que Pushkin tinha, no estudo de 1967, incluido nas categorias &#171;extremely unfavourable&#187;, &#171;very unfavourable&#187;, &#171;extremely favourable&#187; e &#171;very favourable&#187; e o aumento (da ordem dos 67%) dos inclu&#237;dos na categoria &#171;moderately unfavourable&#187;.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Num estudo com adolescentes mais velhos, Dove (1974: ibidem) encontra um n&#237;vel relativamente baixo de hostilidade para com os negros: 25% de adolescentes tecem coment&#225;rios hostis, 25% coment&#225;rios positivos e a maioria revela-se neutral. No entanto, Dove,L.A. salienta que o clima de toler&#226;ncia da escola em que o estudo &#233; realizado, pode ter contribuido para atitudes falsamente favor&#225;veis. Esta observa&#231;&#227;o revela-se pertinente, salientando a depend&#234;ncia que os resultados encontrados em investiga&#231;&#245;es deste tipo t&#234;m do contexto em que s&#227;o desenvolvidas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A influ&#234;ncia do contexto nos resultados encontrados &#233;, provavelmente, maior em idades mais elevadas, uma vez que, com a idade, os sujeitos se v&#227;o tornando, progressivamente, mais conscientes e mais dependentes das press&#245;es normativas dos grupos de autoridade, pol&#237;ticos ou de companheiros.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Atitudes das crian&#231;as de grupos minorit&#225;rios face ao ingroup e ao outgroup</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nas primeiras investiga&#231;&#245;es realizadas neste &#226;mbito, &#233; verificado, de uma forma relativamente consistente, que as crian&#231;as negras se identificam com figuras brancas. Goodman (1946, op. cit.: 98) explica-o da seguinte forma:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#171;The relative inaccuracy of (their) identification reflects not simple ignorance of self, but unwillingness or psychological inability to identify with the brown doll because the child wants to look like a white doll &#091;&hellip;&#093;&#187;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em alguns estudos recentes, n&#227;o se verifica que as crian&#231;as pertencentes a grupos minorit&#225;rios prefiram o <i>outgroup.</i> Katz (1976, citado por Tajfel, 1982b: 10) comenta este resultado da seguinte forma:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&#171;it is tempting to attribute such changes &hellip; to societal changes that have occurred over the past few years. The importance of black people&rsquo;s developing pride in their blackness is certainly a factor &#091;&hellip;&#093;&#187;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As principais conclus&#245;es dos estudos sobre desenvolvimento das atitudes &#233;tnicas podem ser, assim, sumarizadas:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-As atitudes das crian&#231;as reflectem as atitudes do meio social<a href="#15"><sup>15</sup></a><a name="top15"></a>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-As atitudes das crian&#231;as dos grupos maiorit&#225;rios s&#227;o, geralmente, favor&#225;veis face ao <i>ingroup</i> e desfavor&#225;veis face ao <i>outgroup.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>-</i>As atitudes das crian&#231;as dos grupos minorit&#225;rios s&#227;o, geralmente, (atendendo &#224;s excep&#231;&#245;es referidas) desfavor&#225;veis face ao ingroup, tendendo as crian&#231;as a identificar-se com o outgroup. No entanto, como referido, estudos mais recentes questionam esta conclus&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">-As crian&#231;as de grupos minorit&#225;rios podem desenvolver <i>self-hate</i> ou <i>self-depreciation</i> (em resultado da compara&#231;&#227;o com o mundo exterior). A <i>self-depreciation</i> pode originar conflitos internos (Weinreich, 1979, citado por Tajfel, 1982b: 12).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Nota final</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Apesar da diversidade de abordagens te&#243;ricas e metodol&#243;gicas dos estere&#243;tipos, o seu estudo parece ter-se desenvolvido muito lentamente ao longo do tempo.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Apesar das certezas que hoje pensamos possuir acerca dos estere&#243;tipos, da sua origem, das suas caracter&#237;sticas, das suas fun&#231;&#245;es, do seu funcionamento,&hellip; uma infinidade de incertezas persiste.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Continuamos sem saber como se desenvolvem, quais as condi&#231;&#245;es em que se revelam, quantos indiv&#237;duos os partilham, a sua magnitude (ao atribuirem um adjectivo a um dado grupo, quantos indiv&#237;duos desse grupo, consideram os sujeitos que o partilham) e, em &#250;ltima inst&#226;ncia, o que &#233; que s&#227;o, de facto.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Que entidades s&#227;o essas que fazem parte do nosso dia a dia, a que recorremos indiscriminada e automaticamente, que condicionam as nossas posturas, as nossas atitudes, os nossos comportamentos e, em &#250;ltima inst&#226;ncia, o nosso olhar sobre os Outros.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Estaremos condenados a partilh&#225;-los, a mant&#234;-los, a deix&#225;-los gerir as nossas vidas? Ou, pelo contr&#225;rio, poderemos algum dia revoltarmo-nos, question&#225;-los, reformul&#225;-los ?</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por outro lado, como poder&#237;amos viver sem eles, sem a ajuda que nos d&#227;o na estrutura&#231;&#227;o de um mundo que, de outra forma, se revelaria um imenso universo de est&#237;mulos dispersos? Como poder&#237;amos, sem eles, funcionar de uma forma parcimoniosa e adaptativa?</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Acreditamos que o desenvolvimento da abordagem cognitivista poder&#225; contribuir para encontrar as respostas a estas e a outras quest&#245;es.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O desenvolvimento da cogni&#231;&#227;o social como &#225;rea de investiga&#231;&#227;o tem-se centrado na an&#225;lise dos erros que nos caracterizam enquanto processadores de informa&#231;&#227;o. Um dos principais desafios que neste momento se coloca &#233; o de perceber como &#233; que esses mesmos erros podem ser alterados de forma a tornarmo-nos seres humanos n&#227;o s&#243; mais efectivos, mas tamb&#233;m, mais compreensivos.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b><i>Refer&#234;ncias</i></b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Allport, G. W. (1954/1979). <i>The Nature of Prejudice.</i> Massachusets: Addison-Wesley.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519854&pid=S0874-2049199600020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Billig, M. (1976). <i>Social Psychology and Intergroup Relations.</i> Londres: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519856&pid=S0874-2049199600020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Brigham, J. C. (1971). Ethnic Stereotypes. <i>PsychologicalBulletin, 76</i> (1): 15-38.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519858&pid=S0874-2049199600020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Dorai, M. (1991). Les St&#233;r&#233;otypes: D&#233;finition et Evolution des Travaux. <i>Intercultures,</i> (12): 11-17.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519860&pid=S0874-2049199600020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Dorai, M. (1988). Qu&rsquo;est-ce qu&rsquo;un Stereotype? Contribuition &#224; la D&#233;finition d&rsquo;un Concept. <i>Enfance,</i> 41 (3-4): 45-54.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hamilton, D. L. (1979). A Cognitive-Attributional Analysis of Stereotyping. <i>Advances in Social Psychology,</i> 12: 53 - 84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519863&pid=S0874-2049199600020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Lippmann, W. (1929). <i>Public Opinion.</i> Nova Iorque: The MacMillan Company.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519865&pid=S0874-2049199600020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Marques, J. M. (1986). <i>Toward a D&#233;finition of Social Processing of Information: an Application to Stereotyping.</i> (Tese de Doutoramento). Louvaina: Universidade Cat&#243;lica de Louvaina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519867&pid=S0874-2049199600020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Milner, D. (1984). The Development of Ethnic Attitudes, in H. TAJFEL (Ed.). <i>The Social Dimension. European Developments in Social Psychology,</i> vol. 1, Cambridge: Cambridge University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519869&pid=S0874-2049199600020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Protho, E. T. (1954a). Cross-Cultural Patterns of National Stereotypes. <i>The Journal of Social Psychology,</i> 40: 53-59.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519871&pid=S0874-2049199600020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Protho, E. T. (1954b). Lebanese Stereotypes of America as Revealed by the Sentence Completation Technique. <i>The Journal of Social Psychology,</i> 40: 39-42.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519873&pid=S0874-2049199600020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Stallybrass, O. (1977). Stereotype, in A. Bullock e O. Stallybrass (Eds.), <i>The Fontana Dictionary of Modern Thought.</i> Londres: Fontana/Collins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519875&pid=S0874-2049199600020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tajfel, H. (1982a). <i>Grupos Humanos e Categorias Sociais</i> -1. Lisboa: Livros Horizonte, vol. 1.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519877&pid=S0874-2049199600020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tajfel, H. (1982b). Social Psychology of Intergroup Relations. <i>Annual Review of Psychology.</i> 33: 1-39.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519879&pid=S0874-2049199600020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tajfel, H. (1983). <i>Grupos Humanos e Categorias Sociais</i> - 2. Lisboa: Livros Horizonte, vol. 2.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519881&pid=S0874-2049199600020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tajfel, H. <i>et al.</i> (1971). Social Categorization and Intergroup Behaviour. <i>European Journal of Social Psychology,</i> 1 (2): 149-178.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519883&pid=S0874-2049199600020000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Tajfel, H. (1984). Social Stereotypes and Social Groups, in J.C. Turner e H. Giles (Ed.), <i>Intergroup Behaviour.</i> Oxford: Basil Blackwell Publisher.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=519885&pid=S0874-2049199600020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>       <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b>Notas</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top1"><sup>1</sup></a><a name="1"></a>O nosso estudo refere-se, apenas, aos estere&#243;tipos sociais, i.e., aos estere&#243;tipos partilhados por um grande n&#250;mero de indiv&#237;duos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top2"><sup>2</sup></a><a name="2"></a>Categorias de indiv&#237;duos ou indiv&#237;duos enquanto s&#237;mbolos de uma dada ideologia (Mao Ts&#233;-Toung, Fidel Castro, Che Guevara, Adolf Hitler, &hellip;).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top3"><sup>3</sup></a><a name="3"></a>Sobre estes aspectos ver Tajfel, H. (1969) - Social and Cultural Factors in Perception, in G. LINDZEY e E. ARONSON (Eds.), <i>The Handbook of Social Psychology,</i> 2<sup>a</sup> ed., vol.3, Massachusetts: Addison-Wesley.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top4"><sup>4</sup></a><a name="4"></a>&#171;Boa&#187;/&#187;M&#225;&#187;, consoante o sistema de valores do indiv&#237;duo.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top5"><sup>5</sup></a><a name="5"></a>Causa seria o que acarreta uma mudan&#231;a e raz&#227;o o que tende a ser utilizado para explicar o comportamento.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top6"><sup>6</sup></a><a name="6"></a>Num artigo posterior de 1991, Dorai denomina as duas abordagens de tradicional e actual.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Preferimos, no entanto, adoptar a distin&#231;&#227;o de 1988.</font></p>       <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top7"><sup>7</sup></a><a name="7"></a>Que n&#227;o s&#227;o conjuntamente conceptualizados por nenhum dos autores.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top8"><sup>8</sup></a><a name="8"></a>Sendo os grupos referidos fict&#237;cios, n&#227;o faz sentido proceder &#224; tradu&#231;&#227;o dos seus nomes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top9"><sup>9</sup></a><a name="9"></a>Campbell (1967, citado por Brigham, 1971: 22 ) e LeVine (1965: ibidem) examinam os estere&#243;tipos de 50 sujeitos de cada uma de 30 regi&#245;es tribais ou lingu&#237;sticas da &#193;frica Oriental. Em muitos casos, existe consider&#225;vel acordo entre os grupos vizinhos e o grupo avaliado. Os tra&#231;os considerados t&#237;picos do grupo a que se pertence s&#227;o, normalmente, sobrevalorizados, i.&#233;., perspectivados como mais favor&#225;veis pelo grupo em quest&#227;o do que por grupos que n&#227;o consideram o tra&#231;o como sendo seu (Vinacke, 1956: ibidem ).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Para al&#233;m deste resultado, &#233; curioso notar que existe uma significativa consist&#234;ncia nos estere&#243;tipos que diferentes grupos &#233;tnicos t&#234;m de um dado grupo &#233;tnico. Esta consist&#234;ncia &#233;, p.ex., verificada no Hawai (Vinacke, 1949: ibidem), na Europa (Buchanan, 1951: ibidem ) e no Paquist&#227;o (Schuman, 1966: ibidem ).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top10"><sup>10</sup></a><a name="10"></a>Para uma mais completa compreens&#227;o desta abordagem recomenda-se a leitura da Tese de Doutoramento de Garcia Marques,L. <i>(1993)-The importance ofbeing incongruent: how memorable would an uncultured librarian be,</i> Lisboa, Faculdade de Psicologia e de Ci&#234;ncias da Educa&#231;&#227;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top11"><sup>11</sup></a><a name="11"></a>Rice em 1926 (citado por Brigham, 1971: 16) e Litterer em 1933 (ibidem) tinham desenvolvido um estudo metodologicamente semelhante relativo a estere&#243;tipos profissionais.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top12"><sup>12</sup></a><a name="12"></a>A vari&#225;vel uniformidade &#233; alvo de avalia&#231;&#227;o na maioria dos estudos. Refere-se ao grau em que as respostas dos sujeitos est&#227;o de acordo umas com as outras.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top13"><sup>13</sup></a><a name="13"></a>Apenas esses 5 adjectivos s&#227;o alvo de an&#225;lise.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top14"><sup>14</sup></a><a name="14"></a>Atitude &#233; um conceito psicol&#243;gico que inclui tr&#234;s componentes: afectivo, cognitivo e psicomotor.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="#top15"><sup>15</sup></a><a name="15"></a>Para al&#233;m da influ&#234;ncia do meio social, &#233; admitida a influ&#234;ncia de outros dois factores: as <i>externalising personality variables</i> (Pettigrew, 1958, citado por Milner, 1984: 89-90) que seriam respons&#225;veis pelas diferen&#231;as individuais a n&#237;vel atitudinal e pelas manifesta&#231;&#245;es extremas de racismo e as circunst&#226;ncias s&#243;cio-pol&#237;ticas, incluindo diversas formas de &#171;frusta&#231;&#227;o social&#187;, as &#250;ltimas das quais pass&#237;veis de desencadear agress&#227;o e/ou preconceito face aos grupos minorit&#225;rios.</font></p>       ]]></body>
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