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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os Tratados de Polícia, fundadores da moderna saúde pública (1707-1856)]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The participation of nurses in the hygiene movement is relatively recent in relation to the founding moments of modern public health to which we will refer. It is fundamental for contemporary public health nurses, within their role and competences, to analyze those facts within a conceptual framework allowing the clarification and structuring of their professional identity in the construction of the present and sketching of the future. The object of this study is to present briefly some treatises on the topic and, particularly, to analyze and discuss the «Tratado de Conservação da Saúde dos Povos» by Ribeiro Sanches (1756) and the «Tratado de Polícia Médica» by Freitas Soares (1818) that reflect the principles included in Nicolas Delamare’s work (1707). We have used the historical investigation method according to Foucault’s genealogy paradigm. These works provide a good illustration of the slow passage from the model of corporate governance to that of state governance, which began at the end of the Antigo Regime (old regime) and continued, with several setbacks, throughout the constitutional monarchy established by the revolution of 1820.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="es"><p><![CDATA[La participación de los enfermeros en el movimiento higienista es relativamente reciente con respecto a los momentos fundadores de la salud pública moderna a la cual vamos a referirnos. Para el enfermero actual de salud pública es fundamental, dentro del ámbito de sus atribuciones y competencias, analizar dichos movimientos a la luz de un marco conceptual que le permita aclarar y estructurar su identidad profesional en su construcción del presente y en el delinear de su futuro. El objetivo de este trabajo es realizar una breve presentación de algunos de los estudios sobre el tema y, sobre todo, analizar y discutir el «Tratado de Conservação da Saúde dos Povos», de Ribeiro Sanches (1756) y el «Tratado de Polícia Médica», de Freitas Soares (1818), que recogen los principios de la ciencia de Polícia contenidos en la obra de Nicolas Delamare (1707), recurriendo a la metodología de la investigación histórica fouconiana. Estas obras ilustran claramente el lento paso de un modelo de regimiento corporativo hacia uno de tipo estatal, el cual se inició a finales del Antiguo Régimen y siguió, con avances y retrocesos, a lo largo de la monarquía constitucional inaugurada por la revolución de 1820.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Os Tratados de Pol&iacute;cia, fundadores da moderna sa&uacute;de p&uacute;blica (1707-1856)</b></p>    <p><b>Treatises on Medical Police, founders of modern public health (1707-1856)</b></p>    <p><b>Los Tratados de Polic&iacute;a, fundadores de la salud p&uacute;blica moderna (1707-1856)</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Carlos Lousada Subtil</b>* ; <b>Margarida Vieira</b>**</p>     <p>* Mestre em Ci&ecirc;ncias da Educa&ccedil;&atilde;o. Doutorando em Enfermagem (Especialidade de Filosofia e Hist&oacute;ria da Enfermagem). Instituto de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de | Porto - Universidade Cat&oacute;lica. Professor Coordenador. Escola Superior de Sa&uacute;de | Instituto Polit&eacute;cnico de Viana do Castelo [<a href="mailto:carloslousadasubtil@gmail.com">carloslousadasubtil@gmail.com</a>].</p>     <p>** Doutora em Filosofia. Professora Associada. Instituto de Ci&ecirc;ncias    da Sa&uacute;de | Porto - Universidade Cat&oacute;lica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Resumo</b></p>     <p>A participa&ccedil;&atilde;o dos enfermeiros no movimento higienista &eacute; relativamente recente em rela&ccedil;&atilde;o aos momentos fundadores da moderna sa&uacute;de p&uacute;blica, a que nos vamos referir. Para o enfermeiro de sa&uacute;de p&uacute;blica contempor&acirc;neo &eacute; fundamental, no &acirc;mbito das suas atribui&ccedil;&otilde;es e compet&ecirc;ncias, analisar esses momentos &agrave; luz dum quadro conceptual que lhe permita esclarecer-se e estruturar a sua identidade profissional na constru&ccedil;&atilde;o do presente e no delinear do futuro.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&Eacute; objetivo deste trabalho fazer uma breve apresenta&ccedil;&atilde;o de alguns estudos sobre o tema e, sobretudo, analisar e discutir o &laquo;Tratado de Conserva&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de dos Povos&raquo;, de Ribeiro Sanches (1756) e o &laquo;Tratado de Pol&iacute;cia M&eacute;dica&raquo;, de Freitas Soares (1818) que refletem os princ&iacute;pios da ci&ecirc;ncia de Pol&iacute;cia contidos na obra de Nicolas Delamare (1707), com recurso &agrave; metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica foucauniana. Aquelas obras ilustram bem a lenta passagem do modelo de governa&ccedil;&atilde;o corporativo para o estadualista, que se iniciou nos finais do Antigo Regime, e prosseguiu, com avan&ccedil;os e recuos, ao longo da monarquia constitucional inaugurada pela revolu&ccedil;&atilde;o de 1820.</p>     <p><b>Palavras-chave</b>: hist&oacute;ria Moderna 1601-; pol&iacute;tica de sa&uacute;de; sa&uacute;de p&uacute;blica; hist&oacute;ria da enfermagem</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Abstract</b></p>     <p>The participation of nurses in the hygiene movement is relatively recent in relation to the founding moments of modern public health to which we will refer.</p>     <p>It is fundamental for contemporary public health nurses, within their role and competences, to analyze those facts within a conceptual framework allowing the clarification and structuring of their professional identity in the construction of the present and sketching of the future.</p>     <p>The object of this study is to present briefly some treatises on the topic and, particularly, to analyze and discuss the &laquo;Tratado de Conserva&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de dos Povos&raquo; by Ribeiro Sanches (1756) and the &laquo;Tratado de Pol&iacute;cia M&eacute;dica&raquo; by Freitas Soares (1818) that reflect the principles included in Nicolas Delamare’s work (1707). We have used the historical investigation method according to Foucault’s genealogy paradigm. These works provide a good illustration of the slow passage from the model of corporate governance to that of state governance, which began at the end of the Antigo Regime (old regime) and continued, with several setbacks, throughout the constitutional monarchy established by the revolution of 1820.</p>     <p><b>Keywords</b>: history, modern 1601-; health policy; public health; history of nursing</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><b>Resumen</b></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>La participaci&oacute;n de los enfermeros en el movimiento higienista es relativamente reciente con respecto a los momentos fundadores de la salud p&uacute;blica moderna a la cual vamos a referirnos. Para el enfermero actual de salud p&uacute;blica es fundamental, dentro del &aacute;mbito de sus atribuciones y competencias, analizar dichos movimientos a la luz de un marco conceptual que le permita aclarar y estructurar su identidad profesional en su construcci&oacute;n del presente y en el delinear de su futuro.</p>     <p>El objetivo de este trabajo es realizar una breve presentaci&oacute;n de algunos de los estudios sobre el tema y, sobre todo, analizar y discutir el &laquo;Tratado de Conserva&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de dos Povos&raquo;, de Ribeiro Sanches (1756) y el &laquo;Tratado de Pol&iacute;cia M&eacute;dica&raquo;, de Freitas Soares (1818), que recogen los principios de la ciencia de Pol&iacute;cia contenidos en la obra de Nicolas Delamare (1707), recurriendo a la metodolog&iacute;a de la investigaci&oacute;n hist&oacute;rica fouconiana. Estas obras ilustran claramente el lento paso de un modelo de regimiento corporativo hacia uno de tipo estatal, el cual se inici&oacute; a finales del Antiguo R&eacute;gimen y sigui&oacute;, con avances y retrocesos, a lo largo de la monarqu&iacute;a constitucional inaugurada por la revoluci&oacute;n de 1820.</p>     <p><b>Palabras clave</b>: historia moderna 1601-; pol&iacute;tica de salud; salud p&uacute;blica; historia de la enfermer&iacute;a</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>     <p>“N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida que &eacute; muito melhor n&atilde;o padecer do que curar, assim como &eacute; melhor n&atilde;o furtar do que restituir”</p>     <p>(Henriques, 1731)</p>     <p>Para o enfermeiro de sa&uacute;de p&uacute;blica contempor&acirc;neo &eacute; fundamental, no &acirc;mbito das suas atribui&ccedil;&otilde;es e compet&ecirc;ncias, analisar os momentos fundadores da moderna sa&uacute;de p&uacute;blica &agrave; luz dum quadro conceptual que lhe permita esclarecer-se e estruturar a sua identidade profissional na constru&ccedil;&atilde;o do presente e no delinear do futuro.</p>     <p>Tal como em Portugal, os sistemas de sa&uacute;de da Europa foram-se desenvolvendo a ritmos diferenciados, influenciados em boa parte pelo modelo ingl&ecirc;s. De entre aquilo que os caracteriza sobressai a forma como se tem estabelecido e resolvido o conflito entre duas vis&otilde;es, uma hospitaloc&ecirc;ntrica e outra mais orientada para a promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, para as estrat&eacute;gias preventivas e de interven&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria, apelando &agrave; participa&ccedil;&atilde;o ativa dos cidad&atilde;os, fam&iacute;lias e comunidades e responsabilizando-os pela gest&atilde;o dos seus processos de sa&uacute;de-doen&ccedil;a. Discutindo a posi&ccedil;&atilde;o do hospital no sistema de sa&uacute;de, G. Carapinheiro, apoiada nos trabalhos de Campos e sua equipa, assegura que na administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica portuguesa sempre se valorizaram os instrumentos legislativos como estrat&eacute;gia de mudan&ccedil;a, isto &eacute;, primeiro elabora-se a lei e espera-se que a realidade se lhe adeque (Carapinheiro, 1993).</p>     <p>A vis&atilde;o mais &laquo;sanitarista&raquo; tem sido suportada ideol&oacute;gica e programaticamente pela pr&oacute;pria OMS que, atrav&eacute;s dos seus comit&eacute;s regionais, tem produzido orienta&ccedil;&otilde;es, umas de car&aacute;ter mais global e outras dirigidas &agrave;s realidades sociopol&iacute;ticas e econ&oacute;micas de cada continente e de cada pa&iacute;s.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Vem de longe o conceito de sa&uacute;de p&uacute;blica associado &agrave; sa&uacute;de dos povos, das comunidades ou de grupos da popula&ccedil;&atilde;o, como forma de se diferenciar da sa&uacute;de individual. Este conceito tem evolu&iacute;do de acordo com os per&iacute;odos hist&oacute;ricos e de desenvolvimento social. Desta forma, o significado que a sa&uacute;de p&uacute;blica tem neste per&iacute;odo em estudo n&atilde;o &eacute; sobrepon&iacute;vel com o atual conceito, mais preciso e bem delimitado quanto ao seu objeto (Ferreira, 1975).</p>     <p>O atual conceito reflete o desenvolvimento das v&aacute;rias ci&ecirc;ncias da sa&uacute;de e a constru&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es sociais que valorizam os aspetos positivos da sa&uacute;de e retiram o excessivo protagonismo dos cuidados hospitalares, reduzindo-os a uma dimens&atilde;o estritamente necess&aacute;ria. Deslocam-se boa parte dos cuidados hospitalares para o pr&oacute;prio espa&ccedil;o comunit&aacute;rio, numa l&oacute;gica de cuidados continuados, com uma crescente corresponsabiliza&ccedil;&atilde;o e autodisciplina dos indiv&iacute;duos e fam&iacute;lias. Segundo a OMS, a aproxima&ccedil;&atilde;o &agrave; comunidade deve refletir-se na organiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os, na defini&ccedil;&atilde;o dos objetivos e nos meios de a&ccedil;&atilde;o, de forma a dar resposta &agrave; crescente incapacidade econ&oacute;mico-financeira para satisfazer as exig&ecirc;ncias crescentes do sistema m&eacute;dico em termos de interven&ccedil;&atilde;o e investiga&ccedil;&atilde;o e, por outro lado, desenvolver um pensamento cr&iacute;tico sobre a ilus&atilde;o da efic&aacute;cia da medicina, da sua sofistica&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica, da depend&ecirc;ncia da ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica e das crescentes desigualdades sociais em sa&uacute;de (Silva, 2008).</p>     <p>O movimento sanitarista e a causa da sa&uacute;de p&uacute;blica ter&atilde;o nascido com o Relat&oacute;rio sobre as condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias da popula&ccedil;&atilde;o trabalhadora da Gr&atilde;-Bretanha elaborado por Edwin Chadwik em 1842 e, passados seis anos, com a cria&ccedil;&atilde;o duma autoridade central de sa&uacute;de p&uacute;blica de que ele pr&oacute;prio fez parte (Porter, 1999). Em muitos principados germ&acirc;nicos com forte tradi&ccedil;&atilde;o cameralista, a administra&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de p&uacute;blica j&aacute; estava fortemente enraizada mesmo antes da pol&iacute;tica unificadora de 1871. Quando um surto de tifo epid&eacute;mico eclodiu no inverno de 1847 na Alta Sil&eacute;sia suprimindo uma minoria polanesa, R. Virchow foi investigar as causas do epis&oacute;dio e, influenciado por Villerm&eacute; e Chadwik, acabou por concluir que a epidemia se devia &agrave; conjuga&ccedil;&atilde;o de um agente etiol&oacute;gico com v&aacute;rios fatores sociopol&iacute;ticos (<i>idem</i>). Personalidades e movimentos deste tipo foram surgindo por toda a Europa, tais como as comiss&otilde;es provinciais da B&eacute;lgica, criadas em 1813 e o Conselho Superior da Fran&ccedil;a, em 1822 (Viegas, Frada e Miguel, 2009).</p>     <p>G. Ferreira considera que as descobertas da era bacteriol&oacute;gica iniciada por Pasteur, KocK e Lister, a forma&ccedil;&atilde;o de enfermeiras profissionais por Florence Nigthingale, a aplica&ccedil;&atilde;o da estat&iacute;stica e de inqu&eacute;ritos para o estudo das rela&ccedil;&otilde;es da mortalidade e morbilidade com as condi&ccedil;&otilde;es econ&oacute;micas e sociais dos indiv&iacute;duos e a a&ccedil;&atilde;o dos reformadores sociais que influenciaram e esclareceram a opini&atilde;o p&uacute;blica e a a&ccedil;&atilde;o dos pol&iacute;ticos tiveram uma influ&ecirc;ncia poderosa na mudan&ccedil;a radical que em poucas dezenas de anos viriam a mudar a compreens&atilde;o dos problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica (Ferreira, 1975).</p>     <p>Portugal acompanhou de perto e, por vezes, at&eacute; foi pioneiro na constru&ccedil;&atilde;o do sistema de sa&uacute;de p&uacute;blica. Um dos momentos fundadores da Sa&uacute;de P&uacute;blica ter&aacute; sido, sem d&uacute;vida, a cria&ccedil;&atilde;o da Provedoria-mor da Sa&uacute;de em 1707, especialmente orientada para a pol&iacute;cia sanit&aacute;ria nos portos e que mais tarde viria a estender-se &agrave; vigil&acirc;ncia de epidemias disseminadas por via terrestre ao interior do Reino. Tamb&eacute;m o terramoto de 1755 foi uma calamidade que suscitou a emerg&ecirc;ncia de medidas de preven&ccedil;&atilde;o para este tipo de cat&aacute;strofes, implementadas por Sebasti&atilde;o Jos&eacute; de Carvalho e Melo, futuro marqu&ecirc;s de Pombal. Logo no ano seguinte, esta mat&eacute;ria viria a ser inclu&iacute;da no Tratado de Conserva&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de dos Povos, de Ribeiro Sanches, ao fazer o relato e descri&ccedil;&atilde;o de fen&oacute;menos id&ecirc;nticos em v&aacute;rios pontos da Europa, &Aacute;frica e Am&eacute;rica (Sanches, 1756). Um pouco mais tarde, a forma&ccedil;&atilde;o da Junta do Proto-Medicato (1782) anunciava o fim da velha ordem estabelecida pelo F&iacute;sico-mor e Cirurgi&atilde;o-mor do Reino, figuras que viriam a ser recuperadas em 1809, com a corte no Brasil, pelo pr&iacute;ncipe regente D. Jo&atilde;o VI ao extinguir aquela junta. Quatro anos mais tarde, acabaria por ser constitu&iacute;da a Junta de Sa&uacute;de. O primeiro Regulamento Geral da Sa&uacute;de P&uacute;blica e a cria&ccedil;&atilde;o do Conselho de Sa&uacute;de P&uacute;blica datam de 1837 mas a primeira proposta desse regulamento j&aacute; tinha sido apresentada nas Cortes Gerais e Extraordin&aacute;rias, a 13 de outubro de 1821.</p>     <p>Apresentamos uma breve revis&atilde;o de alguns trabalhos que se referem &agrave; hist&oacute;ria da sa&uacute;de p&uacute;blica em Portugal e os tratados de Francisco da Fonseca Henriques (1731), de Ribeiro Sanches (1756), a que j&aacute; fizemos refer&ecirc;ncia, e de Jos&eacute; Pinheiro de Freitas Soares (1818), por constitu&iacute;rem elementos fundamentais para a compreens&atilde;o deste momento. Trata-se de m&eacute;dicos que, no contexto portugu&ecirc;s, representavam o pensamento m&eacute;dico de vanguarda nas figuras de Boerhaave, Leewenhoek ou Bichat (Pedrosa, 2003).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Metodologia</b></p>     <p>Utilizando a metodologia de investiga&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica segundo o paradigma geneal&oacute;gico proposto por Michel Foucault, proceder-se-&aacute; &agrave; revis&atilde;o de algumas das obras mais divulgadas no seio dos profissionais de sa&uacute;de que constam como fontes secund&aacute;rias nas refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas. Como fontes prim&aacute;rias, analisaremos os tratados destes tr&ecirc;s sanitaristas portugueses dos s&eacute;culos XVIII e XIX, relacionando-os com o &laquo;<i>Trait&eacute; de la Police</i>&raquo;, de Nicolas Delamare, tamb&eacute;m referido na bibliografia.</p>     <p>Pretende-se, assim, analisar e discutir, &agrave; luz da arqueologia e da genealogia dos factos, o valor dos tratados de pol&iacute;cia e de pol&iacute;cia m&eacute;dica, sob a abrang&ecirc;ncia da ci&ecirc;ncia de pol&iacute;cia, na passagem da velha ordem estabelecida para a emerg&ecirc;ncia do estado moderno e, consequentemente, da moderna sa&uacute;de p&uacute;blica.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Resultados</b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Hist&oacute;ria(s) da Sa&uacute;de P&uacute;blica</b></p>     <p>Em 1958, Fernando Correia, Diretor do Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge, na sua obra “Subs&iacute;dios para a hist&oacute;ria da Sa&uacute;de P&uacute;blica Portuguesa do s&eacute;c. XV a 1822”, estabeleceu cinco per&iacute;odos da hist&oacute;ria da sa&uacute;de p&uacute;blica em Portugal, delimitados pela morte de D. Jo&atilde;o II (1495), pelo primeiro diploma do pr&iacute;ncipe regente assinado no Rio de Janeiro (1808) que criou o lugar de Provedor-mor da Sa&uacute;de da Corte e do Estado do Brasil, pela reforma dos servi&ccedil;os de Sa&uacute;de P&uacute;blica de Ricardo Jorge (1899) e pela cria&ccedil;&atilde;o da Subsecretaria de Estado da Assist&ecirc;ncia Social (1940). Do seu estudo fez sobressair cinco ideias, a saber: a) em Portugal, desde a funda&ccedil;&atilde;o da nacionalidade sempre se tinha procurado cuidar da sa&uacute;de p&uacute;blica; b) durante os tr&ecirc;s primeiros s&eacute;culos a sa&uacute;de p&uacute;blica tinha estado a cargo dos munic&iacute;pios sob a tutela do F&iacute;sico-mor do Reino; c) com a cria&ccedil;&atilde;o do provedor-mor da Sa&uacute;de (1808) e toda a legisla&ccedil;&atilde;o sanit&aacute;ria posterior (1837, 1845, 1868, 1899-01, 1926, 1944, 1945) tinha-se aberto um novo rumo &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica; d) o mais not&aacute;vel higienista portugu&ecirc;s de todos os tempos tinha sido Ricardo Jorge; e) a evolu&ccedil;&atilde;o e o maior n&uacute;mero de realiza&ccedil;&otilde;es em prol da higiene, assist&ecirc;ncia e medicina social tinha-se verificado no per&iacute;odo de 1928-1958 (Correia, 1958).</p>     <p>Por seu lado, Gon&ccedil;alves Ferreira estabeleceu uma outra cronologia com base noutros crit&eacute;rios. Recuou &agrave; funda&ccedil;&atilde;o da nacionalidade para definir um primeiro per&iacute;odo que se estendia at&eacute; &agrave; &eacute;poca dos Descobrimentos, caracterizado pela funda&ccedil;&atilde;o das primeiras albergarias e outras institui&ccedil;&otilde;es caritativas de id&ecirc;ntica finalidade (gafarias, hosp&iacute;cios, asilos, confrarias e miseric&oacute;rdias); um segundo per&iacute;odo, o dos descobrimentos, definido por uma pol&iacute;tica de centraliza&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es de assist&ecirc;ncia (miseric&oacute;rdias e hospitais) e de alargamento do ensino m&eacute;dico que o poder r&eacute;gio procurou atualizar; o per&iacute;odo que se estende dos descobrimentos a finais do s&eacute;culo XIX em que faz sobressair o quadro de morbilidade e mortalidade dominantes (pestes, c&oacute;lera e febre amarela), a emerg&ecirc;ncia do novo conceito de popula&ccedil;&atilde;o e das ci&ecirc;ncias que se ocuparam do seu estudo, as reformas do ensino m&eacute;dico, as novas teorias e descobertas cient&iacute;ficas, novas formas de organiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e a especializa&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de (hospitais, sanat&oacute;rios, laborat&oacute;rios, dispens&aacute;rios, infant&aacute;rios e institutos); e, finalmente, um quarto per&iacute;odo que ocupa o s&eacute;culo XX, com destaque para as reformas da sa&uacute;de de 1901 e 1945, a cria&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e Assist&ecirc;ncia (1958), o desenvolvimento de v&aacute;rias especialidades m&eacute;dicas, entre as quais a Pediatria, Psiquiatria/Sa&uacute;de Mental e a Medicina do Trabalho e a reforma da Sa&uacute;de e Assist&ecirc;ncia de 1971 (Ferreira, 1990).</p>     <p>Por &uacute;ltimo, Alo&iacute;sio Coelho, referindo-se a um conjunto de vicissitudes que t&ecirc;m sido simultaneamente causa e consequ&ecirc;ncia de in&uacute;meras d&uacute;vidas, hesita&ccedil;&otilde;es, perplexidades e inquieta&ccedil;&otilde;es quanto ao lugar que a Sa&uacute;de P&uacute;blica deve ocupar no contexto da vida social das sociedades modernas, identifica uma “crise de identidade” deste ramo das ci&ecirc;ncias da sa&uacute;de cujos &uacute;ltimos cento e cinquenta anos divide em tr&ecirc;s fases: a primeira, situada entre meados do s&eacute;culo XIX at&eacute; &agrave; 2&ordf; Guerra Mundial, correspondendo ao tradicional modelo bio-m&eacute;dico-sanit&aacute;rio; a segunda, caracterizada pelo modelo m&eacute;dico-social e que se estendeu at&eacute; finais da d&eacute;cada de setenta do s&eacute;culo passado; a terceira fase, em que nos encontramos, que se iniciou com a realiza&ccedil;&atilde;o da 30&ordf; Assembleia Mundial da Sa&uacute;de, da OMS (1977), cujas resolu&ccedil;&otilde;es se concretizaram na c&eacute;lebre Confer&ecirc;ncia de Alma Ata (1978) e na s&eacute;rie de confer&ecirc;ncias internacionais sobre Promo&ccedil;&atilde;o de Sa&uacute;de que se iniciaram em 1986, em Otawa (Coelho, 1997).</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Os Tratados de Polic&iacute;a</b></p>     <p>O &laquo;<i>Trait&eacute; de la Police</i>&raquo;, de Nicolas Delamare, composto por 12 livros (quadro 1), refere-se a v&aacute;rios dom&iacute;nios da vida dos povos e foi compilado com base nas Ordena&ccedil;&otilde;es Reais desde Filipe, o Belo, nas Leis das mais famosas rep&uacute;blicas e imp&eacute;rios da Antiguidade, nas leis Capitulares e em todos os textos da Antiguidade ou da Idade Moderna que considerou &uacute;teis para a grandiosa obra a que metia ombros. No pref&aacute;cio da sua obra come&ccedil;a por dizer que a felicidade dos homens dependia dos bens da alma, do corpo e da fortuna. Na falta dos primeiros, o seu esp&iacute;rito seria lan&ccedil;ado nas trevas, esquecendo-se das suas obriga&ccedil;&otilde;es e deveres; as segundas abandon&aacute;-lo-iam na languidez e sofrimento (Delamare, 1707).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>Quadro 1 – Livros que comp&otilde;em &laquo;Trait&eacute; de la Police&raquo;, de Nicolas Delamare, 1707</p>     <p><img src="/img/revistas/ref/vserIIIn7/IIIn7a19q1.jpg"></p>     
<p>&nbsp;</p>     <p>Ser&aacute; neste tratado que Jos&eacute; Pinheiro Freitas Soares (1818), entre outras obras, se ter&aacute; inspirado para escrever o seu pr&oacute;prio &laquo;Tratado de Policia M&eacute;dica&raquo; que viria a ser um elemento estruturante do Regulamento de Sa&uacute;de Publica e da organiza&ccedil;&atilde;o da Junta de Sa&uacute;de P&uacute;blica, tal como, muito provavelmente, a obra de Ribeiro Sanches (1756).</p>     <p>O Livro IV sobre a sa&uacute;de tem catorze t&iacute;tulos, abrangendo mat&eacute;rias t&atilde;o diversas como a salubridade do ar e das &aacute;guas, a fiscaliza&ccedil;&atilde;o dos processos de produ&ccedil;&atilde;o e com&eacute;rcio do p&atilde;o, carne, peixe, leite e manteiga, frutos, legumes e vinho mas tamb&eacute;m dos medicamentos e da atividade m&eacute;dica, do controlo da lepra, epidemias, peste, doen&ccedil;as contagiosas e as medidas a ter em conta para evitar a sua propaga&ccedil;&atilde;o. Como se pode ver, o tema da sa&uacute;de est&aacute; integrado num vasto conjunto de outras preocupa&ccedil;&otilde;es que, de uma forma geral, se interligam com a preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a e a manuten&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e que se enquadram no conceito de &laquo;pol&iacute;cia&raquo; do s&eacute;culo XVIII.</p>     <p>E seriam estas mesmas orienta&ccedil;&otilde;es que se mantiveram nos autores portugueses de refer&ecirc;ncia como foi o caso, j&aacute; na passagem para o s&eacute;culo XIX, do tratado de Freitas Soares.</p>     <p>Antes de mais, porque sem os princ&iacute;pios de &laquo;pol&iacute;cia&raquo; n&atilde;o podia haver &laquo;harmonia social, seguran&ccedil;a p&uacute;blica, e boa ordem&raquo;. Sendo os c&oacute;digos de pol&iacute;cia uma ci&ecirc;ncia com fundamento nos s&atilde;os princ&iacute;pios da Filosofia e que abrangia diversos objetos, inclu&iacute;a tamb&eacute;m o de conservar a sa&uacute;de do homem em sociedade e de lhe prolongar a vida, a fim de aumentar a popula&ccedil;&atilde;o que, no quadro econ&oacute;mico da &eacute;poca, era considerada a primeira fonte de riqueza nacional. E daqui advinha, naturalmente, a necessidade de conhecer os preceitos da Higiene P&uacute;blica sobre as capacidades f&iacute;sicas e morais do homem e a salubridade dos diferentes objetos relacionados com a sua exist&ecirc;ncia, objeto central da estrutura designada Pol&iacute;cia M&eacute;dica (Soares, 1818).</p>     <p>&Agrave; falta duma organiza&ccedil;&atilde;o a quem outorgar a aplica&ccedil;&atilde;o do conhecimento m&eacute;dico desses c&oacute;digos [de Pol&iacute;cia], tal como j&aacute; havia em muitas na&ccedil;&otilde;es policiadas, Soares real&ccedil;ava o m&eacute;rito de ter sido criada a Junta de Sa&uacute;de, &agrave; qual ali&aacute;s pertencia, que reputou como uma das institui&ccedil;&otilde;es mais &uacute;teis e necess&aacute;rias pois a ela diziam respeito todas as provid&ecirc;ncias relativas &agrave; seguran&ccedil;a da sa&uacute;de p&uacute;blica. Nessa perspetiva, deveriam ser criados dois regimentos: o da pol&iacute;cia da sa&uacute;de dos portos de mar que j&aacute; existia mas que era preciso reformar e o da pol&iacute;cia m&eacute;dica para o interior do reino, para prevenir as diferentes causas que perturbavam a sa&uacute;de dos indiv&iacute;duos e que o autor se propunha elaborar atrav&eacute;s deste tratado.</p>     <p>O seu plano previa a cria&ccedil;&atilde;o de 43 contas ou divis&otilde;es, excluindo Lisboa, tantas quanto eram as comarcas e os corregedores do Reino, que se deviam articular com a Junta de Sa&uacute;de P&uacute;blica (Cap&iacute;tulo I).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao n&iacute;vel de cada comarca, haveria um provedor-mor da sa&uacute;de (corregedor) que seria assessorado por um escriv&atilde;o e um fiscal da sa&uacute;de (o facultativo [m&eacute;dico] mais competente). Ao n&iacute;vel da c&acirc;mara, haveria um provedor-menor da sa&uacute;de (o pr&oacute;prio presidente), assessorado por um escriv&atilde;o e um fiscal da sa&uacute;de (o facultativo [m&eacute;dico] mais competente).</p>     <p>Nas freguesias, haveria um juiz da sa&uacute;de (um homem de bom entendimento e probidade, ajudado por um escriv&atilde;o da sa&uacute;de e um facultativo fiscal, o m&eacute;dico ou, n&atilde;o o havendo, o cirurgi&atilde;o mais acreditado).</p>     <p>Nos bairros de Lisboa e seu termo haveria um provedor-menor de sa&uacute;de na pessoa dos corregedores e ju&iacute;zes do crime porque o cargo n&atilde;o devia ser ocupado por homens leigos e sem representa&ccedil;&atilde;o. Seria assessorado por um escriv&atilde;o e um fiscal facultativo. Em cada uma das freguesias haveria um juiz da sa&uacute;de, nos termos j&aacute; definidos.</p>     <p>O autor sugere, ainda, que os cabe&ccedil;as de sa&uacute;de se passassem a chamar ju&iacute;zes da sa&uacute;de porque aquela designa&ccedil;&atilde;o era desprestigiante - a avaliar pelo tipo de pessoas que at&eacute; ent&atilde;o ocupavam o cargo - e poderia afastar desta fun&ccedil;&atilde;o homens de posi&ccedil;&atilde;o e conhecimento mais elevados; al&eacute;m do mais, um juiz sempre era o executor dum regimento.</p>     <p>Os empregados subalternos (facultativos fiscais, escriv&atilde;es e ju&iacute;zes de sa&uacute;de) seriam eleitos pelas c&acirc;maras e propostos &agrave; Junta de Sa&uacute;de P&uacute;blica que lhes passaria a respetiva e competente carta; os provedores-mores das comarcas e os provedores- menores de Lisboa seriam nomeados e propostos &agrave; Junta, de entre as pessoas com elevadas qualidades de trabalho, intelig&ecirc;ncia e probidade.</p>     <p>De acordo com a sua perspetiva, um c&oacute;digo de leis de Pol&iacute;cia M&eacute;dica devia pressupor legisla&ccedil;&atilde;o criminal, um C&oacute;digo Penal da Sa&uacute;de P&uacute;blica com penas para os transgressores. Esse c&oacute;digo devia ser elaborado na base do que j&aacute; estava feito noutros pa&iacute;ses, reunindo posturas camar&aacute;rias dispersas e outras decis&otilde;es contidas nas ordena&ccedil;&otilde;es r&eacute;gias.</p>      <p>Desejava que o seu tratado fosse aceite, compreens&iacute;vel e aplicado por toda a gente pelo que dispensava um estilo mais formal.</p>     <p>O projeto de Regulamento Geral da Sa&uacute;de P&uacute;blica que foi apresentado &agrave;s Cortes tr&ecirc;s anos depois da publica&ccedil;&atilde;o deste &laquo;Tratado de Policia M&eacute;dica&raquo; viria a conter todas as mat&eacute;rias deste tratado, &agrave; exce&ccedil;&atilde;o de alguns objetos muito espec&iacute;ficos acerca da pol&iacute;cia dos alimentos, salubridade das habita&ccedil;&otilde;es, casamento e celibato e, noutra dimens&atilde;o, as cadeias, inc&ecirc;ndios, f&aacute;bricas, artes e of&iacute;cios.</p>     <p>Todavia, este movimento j&aacute; se tinha iniciado com Ribeiro Sanches para quem o que tornava um estado poderoso, grande, majestoso e s&oacute;lido era o seu povo, &laquo;a multid&atilde;o dos seus s&uacute;bditos&raquo; e, consequentemente, o aumento da popula&ccedil;&atilde;o. Do seu ponto de vista, tal como se n&atilde;o poupavam esfor&ccedil;os e despesas na educa&ccedil;&atilde;o de te&oacute;logos, juristas, militares e pilotos cujo objetivo era a religi&atilde;o, os costumes, a conserva&ccedil;&atilde;o e aumento dos bens, assim se deveria fazer para estabelecer leis e regras com o objetivo de melhorar a sa&uacute;de e curar as enfermidades dos s&uacute;bditos, atrav&eacute;s de princ&iacute;pios da higiene do ambiente sem a qual nenhum dos outros princ&iacute;pios e conhecimentos produziriam bons efeitos.</p>     <p>N&atilde;o perdendo de vista o objetivo principal dos seus intentos – o da conserva&ccedil;&atilde;o e aumento da popula&ccedil;&atilde;o – achava que o seu tratado poderia ser muito &uacute;til aos prelados e abadessas, inspetores dos hospitais ou a qualquer pai de fam&iacute;lia; para tanto imp&ocirc;s a si pr&oacute;prio um estilo claro e simples, com frequentes repeti&ccedil;&otilde;es e refer&ecirc;ncias a casos e experi&ecirc;ncias sem se preocupar com um estilo mais elegante e ornamental porque, afinal de contas, o que estava em causa era ser &uacute;til &agrave; terra onde tinha nascido em vez de se preocupar em agradar aos mais eruditos (Sanches, 1756). Uma atitude que Freitas Soares tamb&eacute;m viria a retomar, como j&aacute; se referiu.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O pr&oacute;logo desta obra faz dela, antes de mais, um tratado de Pol&iacute;cia e s&oacute; depois um tratado de sa&uacute;de p&uacute;blica, extravasando para as quest&otilde;es da arquitetura civil e militar no que respeita &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o das cidades e localiza&ccedil;&atilde;o das pra&ccedil;as p&uacute;blicas, bosques, arvoredos e p&acirc;ntanos, templos e conventos, hospitais, pris&otilde;es, quart&eacute;is, navios e a pr&oacute;pria habita&ccedil;&atilde;o familiar (Subtil, 2011).</p>     <p>A mesma linha te&oacute;rica era, ainda, defendida em meados do s&eacute;culo XIX por Alphonse Gr&uuml;n (1862). Para este advogado e chefe da sec&ccedil;&atilde;o legislativa e judicial nos Arquivos do Reino de Fran&ccedil;a, a Pol&iacute;cia consistia, segundo a tradi&ccedil;&atilde;o grega, no “conjunto de leis, atos e medidas da autoridade que, no pa&iacute;s ou numa parte do seu territ&oacute;rio, tinha por objeto, com a ajuda de funcion&aacute;rios ou agentes competentes, manter a tranquilidade e a seguran&ccedil;a do estado, proteger a liberdade de cultos, a seguran&ccedil;a das pessoas e da propriedade publica ou privada, vigiar os costumes, assegurar a salubridade p&uacute;blica e as subsist&ecirc;ncias, regular, no interesse geral, o exerc&iacute;cio da industria e do comercio, investigar e constatar as infra&ccedil;&otilde;es com o objetivo de conduzir os autores aos tribunais encarregados de os punir” (Gr&uuml;n, 1862, p. 2).</p>     <p>Nesta perspetiva de &acirc;mbito t&atilde;o alargado, poder-se-ia considerar v&aacute;rios tipos de pol&iacute;cia: pol&iacute;cia pol&iacute;tica, dos cultos, dos costumes, pol&iacute;cia sanit&aacute;ria, pol&iacute;cia de seguran&ccedil;a pessoal, pol&iacute;cia das subsist&ecirc;ncias, pol&iacute;cia rural e florestal, pol&iacute;cia industrial e comercial, pol&iacute;cia de via&ccedil;&atilde;o e pol&iacute;cia judici&aacute;ria. Contudo, o objetivo pol&iacute;tico de Alphonse Gr&uuml;n era, agora, de elaborar um tratado de pol&iacute;cia administrativa face &agrave; confus&atilde;o que vinha do Antigo Regime, n&atilde;o se distinguindo as fun&ccedil;&otilde;es administrativas das atribui&ccedil;&otilde;es judiciais. Assim, proclamou o princ&iacute;pio da separa&ccedil;&atilde;o entre os poderes administrativo e judicial dando &agrave;quela a atribui&ccedil;&atilde;o de manter a ordem p&uacute;blica e, fundamentalmente, prevenir os delitos; &agrave; pol&iacute;cia judici&aacute;ria atribu&iacute;a a miss&atilde;o de investigar os delitos que a pol&iacute;cia administrativa n&atilde;o podia impedir que se cometessem e, com provas, lev&aacute;-los a tribunal para julgamento. A pol&iacute;cia administrativa podia ter um &acirc;mbito mais geral (pol&iacute;cia geral) ou estar circunscrita aos munic&iacute;pios (pol&iacute;cia municipal). Quer num ou noutro caso, o seu objetivo era de manter a ordem e proteger o bem-estar das popula&ccedil;&otilde;es.</p>     <p>Em Portugal, a discuss&atilde;o em torno destas mat&eacute;rias ter-se-&aacute; feito em v&aacute;rios c&iacute;rculos intelectuais, por certo na Academia Real das Ci&ecirc;ncias, e teve reflexo nos debates das Cortes onde chegavam mem&oacute;rias sobre a ci&ecirc;ncia de pol&iacute;cia, como s&atilde;o exemplo tr&ecirc;s reflex&otilde;es e observa&ccedil;&otilde;es de Jo&atilde;o Jos&eacute; da Costa, m&eacute;dico do Partido de Braga: uma sobre os empregados de sa&uacute;de p&uacute;blica; outra sobre os expostos; e a terceira sobre a pol&iacute;cia de sa&uacute;de nas terras. Todas estas mat&eacute;rias constavam do projeto de &laquo;Regulamento Geral de Sa&uacute;de P&uacute;blica&raquo; cuja proposta tinha sido apresentada pelo deputado Soares Franco (Oliveira, 1992).</p>     <p>Nesta proposta, a pol&iacute;cia m&eacute;dica ocupava um t&iacute;tulo com 4 cap&iacute;tulos: um relativo aos g&eacute;neros nocivos &agrave; sa&uacute;de, outro &agrave; pol&iacute;cia de sa&uacute;de das terras e os outros &agrave; vacina&ccedil;&atilde;o e aos enterramentos e cemit&eacute;rios.</p>     <p>Quanto &agrave; pol&iacute;cia de sa&uacute;de das terras, previa-se que a vigil&acirc;ncia (policiamento) de sa&uacute;de, a cargo das c&acirc;maras, reca&iacute;sse sobre as &aacute;guas estagnadas em pauis respons&aacute;veis pelas mol&eacute;stias febris, a limpeza das ruas e cais e a salubridade e asseio das cadeias; em qualquer dos casos, o m&eacute;dico de partido faria as participa&ccedil;&otilde;es tidas por convenientes ao inspetor de sa&uacute;de da comarca e este &agrave; junta de Lisboa.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Discuss&atilde;o </b></p>     <p>As narrativas de F. Correia e G. Ferreira sobre a hist&oacute;ria da sa&uacute;de p&uacute;blica cont&ecirc;m v&aacute;rias refer&ecirc;ncias a datas e factos que se esclarecem de <i>per se</i>, isto &eacute;, s&atilde;o autoreferidos, criando a ideia de que a sua produ&ccedil;&atilde;o se fez de forma autopoi&eacute;tica.</p>     <p>A enumera&ccedil;&atilde;o cronol&oacute;gica e positivista dos acontecimentos pol&iacute;ticos, legislativos, sociais ou cient&iacute;ficos permite a organiza&ccedil;&atilde;o de fases mais ou menos arbitr&aacute;rias ou de acordo com crit&eacute;rios pessoais ou circunstanciais como &eacute; o caso de F. Correia que reconhece em Ricardo Jorge o maior higienista portugu&ecirc;s de todos os tempos, subestimando a figura de Ribeiro Sanches cuja obra e interven&ccedil;&atilde;o, cento e cinquenta anos antes, ter&aacute; tido um impacto e valor que em nada fica atr&aacute;s da inestim&aacute;vel obra de Ricardo Jorge; por outro lado, enaltece o per&iacute;odo 1928-1958 como aquele em que se produziu a mais perfeita e eficaz legisla&ccedil;&atilde;o em toda a hist&oacute;ria de Portugal o que n&atilde;o deixa de ser, no m&iacute;nimo, uma afirma&ccedil;&atilde;o bastante controversa. Alo&iacute;sio Coelho segue um crit&eacute;rio apoiado na diferencia&ccedil;&atilde;o dos modelos assistenciais e de organiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>A nossa op&ccedil;&atilde;o metodol&oacute;gica orienta-se no sentido de esclarecer o passado, no intuito de compreender o presente e perspetivar o futuro, explorando as possibilidades que a Hist&oacute;ria nos oferece. &Agrave; luz desses factos, &eacute; poss&iacute;vel reconstruir a sua genealogia, as rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre os factos e o significado que possuem, recriar os contextos em que aconteceram e os atores que neles participaram. Neste trabalho de recomposi&ccedil;&atilde;o arqueol&oacute;gica, de juntar fragmentos dispersos, ser&aacute; poss&iacute;vel descortinar outros objetos, momentos ou personagens at&eacute; ent&atilde;o ocultos ou sem sentido e estabelecer quadros que permitam compreender as intera&ccedil;&otilde;es entre os contextos sociopol&iacute;ticos, o desenvolvimento cient&iacute;fico e a mudan&ccedil;a social.</p>     <p>&Eacute; nesse sentido que pretendemos destacar o papel fundamental dos tratados de pol&iacute;cia que influenciaram e/ou refletiram uma lenta evolu&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de p&uacute;blica que n&atilde;o acompanhou as fraturas pol&iacute;ticas decorrentes da revolu&ccedil;&atilde;o liberal.</p>     <p>O primeiro projeto de Regulamento Geral de Sa&uacute;de P&uacute;blica (1821) s&oacute; passados quinze anos &eacute; que foi publicado, demonstrando dificuldades e resist&ecirc;ncias que se viriam a prolongar ao longo de todo o s&eacute;culo no que toca, por exemplo, aos enterramentos em cemit&eacute;rios ou &agrave; generaliza&ccedil;&atilde;o da vacina.</p>     <p>Porque &eacute; que este projeto foi apresentado nas Cortes tr&ecirc;s anos depois da publica&ccedil;&atilde;o do &laquo;Tratado de Pol&iacute;cia M&eacute;dica&raquo;, de Freitas Soares? Este tratado era original ou reproduzia os princ&iacute;pios enunciados em tratados que iam sendo publicados noutros pa&iacute;ses? Que raz&otilde;es o motivaram a escrev&ecirc;-lo? A que prop&oacute;sito faz a defesa da ci&ecirc;ncia de Pol&iacute;cia? Porque lhe &eacute; t&atilde;o imperativa esta necessidade de “conservar a sa&uacute;de do homem na sociedade e de lhe prolongar a vida a fim de aumentar a popula&ccedil;&atilde;o que &eacute; a primeira fonte de riqueza nacional”?</p>     <p>Esta nova entidade, a popula&ccedil;&atilde;o, j&aacute; estava claramente indicada no pref&aacute;cio da obra de Ribeiro Sanches. J&aacute; n&atilde;o era o individual nem os espa&ccedil;os &iacute;ntimos e privados que preocupavam o campo pol&iacute;tico e sanit&aacute;rio mas sim os espa&ccedil;os p&uacute;blicos e uma nova forma de governo consubstanciada num Estado vigilante desses corpos e espa&ccedil;os; era o aumento populacional e os fen&oacute;menos a ele associados, isto &eacute;, os nascimentos e as mortes, as doen&ccedil;as, os movimentos migrat&oacute;rios, as profiss&otilde;es e tudo o que permitisse criar uma “sociedade mais civilizada e uma ind&uacute;stria mais avan&ccedil;ada”.</p>     <p>Seriam estes aspetos que Freitas Soares viria a incluir no seu tratado, sob a designa&ccedil;&atilde;o de &laquo;objetos de popula&ccedil;&atilde;o&raquo;, isto &eacute;, os nascimentos por sexo e filia&ccedil;&atilde;o, os expostos, o registo de todos os mortos incluindo os verificados em cadeias, hospitais, casas de expostos, casas de religiosas, etc., as mortes de crian&ccedil;as e da popula&ccedil;&atilde;o em geral segundo os quatro per&iacute;odos de vida (inf&acirc;ncia, mocidade, virilidade e velhice), crian&ccedil;as e adultos que ainda n&atilde;o tivessem tido bexigas naturais, por idade sexo e filia&ccedil;&atilde;o e n&uacute;mero de infantic&iacute;dios.</p>     <p>Com tudo isto, a partir do s&eacute;culo XVIII, com a emerg&ecirc;ncia da ci&ecirc;ncia de pol&iacute;cia, a administra&ccedil;&atilde;o que at&eacute; ent&atilde;o estava vinculada a um paradigma jurisdicionalista, come&ccedil;a a ceder lugar a outras formas de governo e regula&ccedil;&atilde;o da sociedade, ficando em aberto um conflito pol&iacute;tico com as institui&ccedil;&otilde;es da justi&ccedil;a que ficam remetidas apenas ao contencioso, consagrando-se o princ&iacute;pio de separa&ccedil;&atilde;o dos poderes legislativo, judicial e executivo. A realidade social e econ&oacute;mica estava em franca muta&ccedil;&atilde;o e a &laquo;antiga ordem&raquo; fundamentada em tr&ecirc;s tipos estruturantes de governo – a moral (o governo de si pr&oacute;prio), a fam&iacute;lia (economia) e o estado (pol&iacute;tica) - confrontava-se com fen&oacute;menos novos como a expans&atilde;o demogr&aacute;fica e o aumento de fluxos migrat&oacute;rios que arrastavam consigo novos problemas sociais e de sa&uacute;de (epidemias, endemias, mortalidade, criminalidade, mendicidade etc.) para os quais era preciso encontrar solu&ccedil;&otilde;es, novos agentes e novos poderes (o poder m&eacute;dico) que emergiam do desenvolvimento cient&iacute;fico em incremento neste s&eacute;culo das Luzes. &Eacute; neste contexto que os m&eacute;dicos e a organiza&ccedil;&atilde;o em que estavam filiados – Real Academia das Ci&ecirc;ncias – passaram a ter um protagonismo que permitiu expandir a &uacute;nica estrat&eacute;gia capaz de enfrentar os desafios: uma pol&iacute;cia preventiva sobre a popula&ccedil;&atilde;o.</p>     <p>Neste contexto administrativo, a Estat&iacute;stica passaria a ser um instrumento de controlo da popula&ccedil;&atilde;o aplicada a todos os dom&iacute;nios da sa&uacute;de p&uacute;blica e da governa&ccedil;&atilde;o em geral, introduzindo-se a no&ccedil;&atilde;o do &laquo;homem m&eacute;dio&raquo; (m&eacute;dia de vida, m&eacute;dia de for&ccedil;a, etc.) que decorria da an&aacute;lise desses dados estat&iacute;sticos (Vigarello, 2001). Desta forma, a obra de Ribeiro Sanches remete-nos para um macrocosmos pol&iacute;tico, para o coletivo, para o meio social e pol&iacute;tico envolvente, numa rutura epistemol&oacute;gica com o seu contempor&acirc;neo Fonseca Henriques que, duas d&eacute;cadas antes, colocava as quest&otilde;es da sa&uacute;de ao n&iacute;vel do microcosmos individual (Barreiros, 2010).</p>     <p>O movimento sanitarista iniciado nos finais do Antigo Regime traduzia, deste modo, as linhas de fratura com o Antigo Regime cujo modelo de organiza&ccedil;&atilde;o era sustentada em quatro pilares: nos poderes do rei, no sistema das merc&ecirc;s, na Justi&ccedil;a e na economia.</p>     <p>Ribeiro Sanches recomendava que o Estado criasse regulamentos que provessem a necessidade de conservar a sa&uacute;de dos seus s&uacute;bditos e os protegesse da doen&ccedil;a pois por mais doutos e experientes que fossem os m&eacute;dicos e cirurgi&otilde;es n&atilde;o poderiam impedir as epidemias ou outras doen&ccedil;as causadas por fatores externos como, por exemplo, o ar corrupto e terrenos alagados (Sanches, 1756).</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><b>Conclus&atilde;o </b></p>     <p>No momento atual em que se discute o futuro e a sustentabilidade do Servi&ccedil;o Nacional de Sa&uacute;de, faz todo o sentido que os enfermeiros, tal como todos os profissionais de sa&uacute;de, atores incontorn&aacute;veis nessa discuss&atilde;o e tomadas de decis&atilde;o, convoquem a Hist&oacute;ria para compreenderem melhor os seus fundamentos, em especial, os que enformaram as op&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e sociais e n&atilde;o, exclusivamente, os cient&iacute;ficos.</p>     <p>Como procuramos evidenciar, a genealogia do conceito de sa&uacute;de p&uacute;blica n&atilde;o est&aacute; enraizada numa hist&oacute;ria linear da sa&uacute;de, imagin&aacute;ria de uma explica&ccedil;&atilde;o autopoi&eacute;tica, certamente reconfortante para a identidade dos profissionais da sa&uacute;de contempor&acirc;neos, mas politicamente inexistente dos contextos hist&oacute;ricos onde emergiu no Antigo Regime.</p>     <p>A nossa hip&oacute;tese de trabalho aponta, portanto, para ligar o conceito de sa&uacute;de p&uacute;blica ao conceito de &laquo;pol&iacute;cia&raquo; dos finais do s&eacute;culo XVII que se consolidou ao longo de Setecentos, tanto na Europa como em Portugal, neste caso, sobretudo, depois do terramoto de 1755 e da obra de Ribeiro Sanches que, na realidade, estava em linha com as doutrinas do Estado de Pol&iacute;cia. Uma nova pol&iacute;tica cujo facto mais marcante residia na import&acirc;ncia que os poderes &laquo;centralizadores&raquo; das monarquias &laquo;iluminadas&raquo; passaram a conferir aos recursos humanos como fatores de desenvolvimento, deslocando para a esfera da &laquo;popula&ccedil;&atilde;o&raquo; uma aten&ccedil;&atilde;o estruturante de forma a tornar-se cada vez mais dispon&iacute;vel como fonte de riqueza, ou seja, cada vez mais saud&aacute;vel, mais numerosa, biologicamente mais poderosa e, portanto, mais rent&aacute;vel do ponto de vista econ&oacute;mico, pol&iacute;tico e social. Precisamente por isto, todos os tratados de pol&iacute;cia m&eacute;dica se referem &agrave; &laquo;popula&ccedil;&atilde;o&raquo; como suporte da vitalidade e da soberania dos Estados, donde que a sa&uacute;de p&uacute;blica, em particular as medidas relacionadas com a preserva&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de e a preven&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a, tenham conduzido &agrave; cria&ccedil;&atilde;o de instrumentos e dispositivos direcionados para esta &aacute;rea. Esta &eacute;, na nossa perspetiva, a raiz da genealogia da hist&oacute;ria da sa&uacute;de p&uacute;blica, tribut&aacute;ria das propostas que, neste campo, foram avan&ccedil;adas por Michel Foucault, sobretudo nos seus &uacute;ltimos trabalhos (Foucault, 2010).</p>     <p>E seria, justamente, deste amplo conceito de &laquo;pol&iacute;cia&raquo; que se autonomizariam outros tratados, alguns mais circunscritos &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica, que se denominariam como &laquo;tratados de pol&iacute;cia m&eacute;dica&raquo; que desempenhariam um papel fundamental na mudan&ccedil;a da categoriza&ccedil;&atilde;o profissional dos m&eacute;dicos, cirurgi&otilde;es, botic&aacute;rios, enfermeiros e outros empregados da sa&uacute;de e bem assim na formula&ccedil;&atilde;o de uma nova m&aacute;quina administrativa, destinada &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica e ao desenvolvimento de novas disciplinas como, por exemplo, a estat&iacute;stica da sa&uacute;de e a epidemiologia. No nosso entendimento, o s&eacute;culo XIX &eacute; tribut&aacute;rio desta genealogia pol&iacute;tica da hist&oacute;ria da sa&uacute;de p&uacute;blica.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas</b></p>     <p>BARREIROS, Bruno (2010) - O discurso higienista no Portugal do s&eacute;culo XVIII: tradi&ccedil;&atilde;o e modernidade. In Arte m&eacute;dica e imagem do corpo. De Hipocrates ao final do s&eacute;culo XVIII. Lisboa : Biblioteca Nacional de Portugal. p. 123-136.</p>     <p>CARAPINHEIRO, Gra&ccedil;a (1993) - Saberes e poderes no hospital. Porto : Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>COELHO, Alo&iacute;sio M. (1997) - A sa&uacute;de p&uacute;blica no limiar do s&eacute;culo XXI. Revista Portuguesa de Sa&uacute;de P&uacute;blica. Vol. 15, n&ordm; 3, p. 5-10.</p>     <p>CORREIA, Fernando da Silva (1958) - Subs&iacute;dios para a hist&oacute;ria da sa&uacute;de p&uacute;blica Portuguesa do s&eacute;c. XV a 1822. Porto : [s.n.]. Separata publicada pela revista “O M&eacute;dico”, n&ordm; 347.</p>     <p>DELAMARE, Nicolas (1707) - Trait&eacute; de la police o&ugrave; l’on trouvera l’histoire de son &eacute;tablissement, les fonctions et les prerogatives de ses magistrats. Paris : Jean & Pier e Cot.</p>     <p>FERREIRA, Francisco Ant&oacute;nio (1975) - Moderna sa&uacute;de p&uacute;blica. 3&ordf; ed. Lisboa : Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.</p>     <p>FERREIRA, Francisco Ant&oacute;nio (1990) - Hist&oacute;ria da sa&uacute;de e dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de em Portugal. Lisboa : Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.</p>     <p>FOUCAULT, Michel (2010) - Nascimento da biopol&iacute;tica. Lisboa : Edi&ccedil;&otilde;es 70.</p>     <p>GR&Uuml;N, Alphonse (1862) - Trait&eacute; de la police administrative, g&eacute;n&eacute;rale et municipale. Paris : Veuve Berger-Levrault et Fils, Libraires-&Eacute;diteurs.</p>     <p>HENRIQUES, Francisco da Fonseca (1731) - Ancora medicinal, para conservar a vida com sa&uacute;de. Lisboa : Officina Augustiniana.</p>     <p>OLIVEIRA, Luisa Tiago de (1992) - A sa&uacute;de p&uacute;blica no vintismo. Lisboa : Edi&ccedil;&otilde;es Jo&atilde;o S&aacute; da Costa.</p>     <p>PEDROSA, Aliete (2003) - Os cuidados na doen&ccedil;a e os servi&ccedil;os assistenciais desde a Renascen&ccedil;a at&eacute; &agrave; Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial. Refer&ecirc;ncia. N&ordm; 10, p. 81-90.</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>PORTER, Roy (1999) - The greatest benefit to mankind. A medical history of humanity from antiquity to the present. London : Fontana Press.</p>     <p>SANCHES, Ant&oacute;nio Ribeiro (1756) - Tratado da conserva&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de dos povos. Lisboa: Bonardel e Du Beux, Mercadores de Livros.</p>     <p>SILVA, Luisa Ferreira da (2008) - Saber pr&aacute;tico de sa&uacute;de. As l&oacute;gicas do saud&aacute;vel no quotidiano. Porto : Edi&ccedil;&otilde;es Afrontamento.</p>     <p>SOARES, Jos&eacute; Pinheiro de Freitas (1818) - Tratado de policia m&eacute;dica. Lisboa : Typografia da Academia Real das Sciencias.</p>     <p>SUBTIL, Jos&eacute; (2011) - O Ius Policiae nas v&eacute;speras do estado liberal em Portugal. Curitiba : Juru&aacute; Editora.</p>     <p>VIEGAS, Valentino; FRADA, Jo&atilde;o; MIGUEL, Jos&eacute; Pereira (2009) - A Direc&ccedil;&atilde;o-Geral da Sa&uacute;de: notas hist&oacute;ricas. Lisboa : Gradiva.</p>     <p>VIGARELLO, George (2001) - Hist&oacute;ria das pr&aacute;ticas de sa&uacute;de. A sa&uacute;de e a doen&ccedil;a desde a Idade M&eacute;dia. Lisboa : Not&iacute;cias Editorial.</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>Recebido para publica&ccedil;&atilde;o em: 04.10.11</p>     <p>Aceite para publica&ccedil;&atilde;o em: 28.05.12</p>     ]]></body>
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