<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0873-6529</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Sociologia, Problemas e Práticas]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Sociologia, Problemas e Práticas]]></abbrev-journal-title>
<issn>0873-6529</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Editora Mundos Sociais]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0873-65292016000300009</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.7458/SPP2016829463</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Lisboa Multicultural]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Fortuna]]></surname>
<given-names><![CDATA[Carlos]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade de Coimbra Faculdade de Economia ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade de Coimbra Centro de Estudos Sociais ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Coimbra ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>01</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>01</day>
<month>09</month>
<year>2016</year>
</pub-date>
<numero>82</numero>
<fpage>167</fpage>
<lpage>170</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0873-65292016000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0873-65292016000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0873-65292016000300009&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><b>RECENS&Atilde;O</b></p>      <p><b>Lisboa Multicultural</b> <b>[M. Margarida Marques (org.), 2014, Lisboa, Fim de S&eacute;culo]</b> </p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Carlos Fortuna* </b></p>      <p>* Professor de Sociologia, Faculdade de Economia e Centro de Estudos Sociais, Universidade de Coimbra. Av. Dias da Silva, 165, 3904-512 Coimbra. E-mail:  <a href="mailto:cjfortuna@gmail.com">cjfortuna@gmail.com</a></p>      <p><b>&nbsp;</b></p>      <p><b>Lisboa: uma paisagem etnocultural renovada</b> </p>      <p>N&atilde;o erro ao afirmar que as pessoas se sentem mais atra&iacute;das por cidades do que por estados-na&ccedil;&atilde;o.<a name="topedn1"></a><a href="#edn1">[1]</a> Quem n&atilde;o reconhece que, de uma visita aos Estados Unidos da Am&eacute;rica ou a Fran&ccedil;a, as pessoas recordam sobretudo as cidades de Nova Iorque ou Paris?&#8230; Vem isto a prop&oacute;sito do recente <i>Lisboa Multicultural</i> (organizado por M.&nbsp;Margarida Marques), um livro que regista uma mudan&ccedil;a profunda na configura&ccedil;&atilde;o etnocultural de Lisboa. N&atilde;o h&aacute; cidade que n&atilde;o tenha em algum momento da sua hist&oacute;ria procurado ser uma outra. Assim sucede com esta Lisboa que, ao longo das quase 500 p&aacute;ginas da colet&acirc;nea, surge narrada como crescentemente heterog&eacute;nea e cosmopolita. Sintomaticamente, num dos cap&iacute;tulos do livro, assinado por Francisco Carvalho, a Lisboa <i>alfacinha</i> est&aacute; a converter-se numa Lisboa <i>africana</i> sem deixar de ser tamb&eacute;m uma outra Lisboa <i>da</i> <i>diversidade</i> e assumir a diferen&ccedil;a cultural como seu tra&ccedil;o constituinte. </p>      <p>O livro abre com um texto de Jos&eacute; Leit&atilde;o sobre as perip&eacute;cias jur&iacute;dico-formais que enquadram o &#8220;imigrante empres&aacute;rio&#8221; que &eacute;, afinal, o sujeito central da reflex&atilde;o que aqui se comenta. Um outro enquadramento, que n&atilde;o o jur&iacute;dico, &eacute; o que Sofia Santos, uma prolixa autora deste livro, oferece ao debru&ccedil;ar-se sobre a convers&atilde;o da atual diversidade s&oacute;cio-etno-cultural de Lisboa em &#8220;ativo estrat&eacute;gico&#8221; crucial para o planeamento da cidade. No processo de municipaliza&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica e da diversidade cultural, o texto antecipa o que Francisco Costa, outro autor regular da colet&acirc;nea, enuncia como a &#8220;etniciza&ccedil;&atilde;o positiva&#8221; da (nova) dimens&atilde;o cultural de Lisboa. </p>      <p>Este estudo mostra de forma clara como a cidade &eacute; muito mais do que uma cole&ccedil;&atilde;o de <i>settlements</i> com alguma contiguidade nos espa&ccedil;os e nas linguagens. Repare-se nos tr&ecirc;s textos que comp&otilde;em a parte 2 do livro e no modo como ilustram a variedade de acontecimentos identit&aacute;rios e oferecem uma imagem, dir-se-ia, de totalidade, n&atilde;o de um somat&oacute;rio de fragmentos. Os <i>media</i> tendem a devolver-nos essa imagem de totalidade como ressalta do escrito de Nuno Domingues sobre como o jornal <i>P&uacute;blico</i> relata a presen&ccedil;a dos imigrantes em Lisboa, entre 1996 e 2000. &Eacute; uma narrativa sobre a diversidade percebida, centrada principalmente na m&uacute;sica, no artesanato, no cinema e na TV, e em outras express&otilde;es culturais, como a literatura, a dan&ccedil;a e os festivais, sem que o autor deixe de nos alertar para a poss&iacute;vel marca cultural de segmentos das elites culturais como respons&aacute;veis pelos acontecimentos de maior cobertura jornal&iacute;stica. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Francisco Lima Costa regressa de novo &agrave; escrita para falar de (des)ordenamento do territ&oacute;rio, no&ccedil;&atilde;o heuristicamente riqu&iacute;ssima, com que procura caraterizar os (des)ajustamentos das categorias geogr&aacute;ficas e estat&iacute;sticas utilizadas desde 1930 (do &#8220;distrito de Lisboa&#8221; &agrave; &#8220;grande Lisboa&#8221; e &agrave; &#8220;regi&atilde;o metropolitana de Lisboa&#8221;). Ao lado da oscilante nomenclatura estat&iacute;stica, o texto d&aacute; conta da recente multiplica&ccedil;&atilde;o por dez do n&uacute;mero de estrangeiros residentes em Lisboa (de 14.500 em 1970, para 147.800 em 2011), que se pode &#8220;experimentar&#8221; na viagem que o autor prop&otilde;e desde a Lisboa dos &#8220;bairros de lata&#8221; at&eacute; aos espa&ccedil;os de imigra&ccedil;&atilde;o de hoje, marcados por (i) um edificado envelhecido, (ii) alojamentos sobrelotados e arrendados e (iii) uso intenso de transportes coletivos. </p>      <p>No seu outro texto sobre a revitaliza&ccedil;&atilde;o urbana e os mercados da diversidade, Sofia Santos coloca-nos perante a valoriza&ccedil;&atilde;o cultural decorrente da disponibilidade de novos produtos comerciais (veja-se o exemplo trazido noutro cap&iacute;tulo, do ato banal da compra de ch&aacute;), resultante da atividade empresarial de muitos imigrantes. Tal cen&aacute;rio de renovado consumo, vis&iacute;vel na oferta de bens de consumo dom&eacute;stico, na restaura&ccedil;&atilde;o e no artesanato, produz um efeito de boa conviv&ecirc;ncia local (veja-se como Frederica Rodrigues enuncia o acolhimento das empres&aacute;rias de sal&otilde;es de beleza e <i>manicure</i>), tanto em espa&ccedil;os residenciais, como em espa&ccedil;os hist&oacute;ricos e tur&iacute;sticos da cidade, ao mesmo tempo que sedimenta uma rela&ccedil;&atilde;o dupla: por um lado, <i>co&eacute;tnica</i> (partilha dos <i>outros</i> com os seus iguais) e, por outro lado, <i>exo&eacute;tnica</i> (procura pelos locais dos lugares dos <i>outros</i>). </p>      <p>Em si, tanto bastaria para considerar este <i>Lisboa Multicultural</i> um relato socioantropol&oacute;gico not&aacute;vel, que convida a refletir sobre a urbanidade de uma cidade que se transforma, quer ao sabor da sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, quer de outras hist&oacute;rias. &Eacute;&nbsp;disso que trata o livro e n&atilde;o tanto da outra mudan&ccedil;a tur&iacute;stica que, por enquanto, traz muitos lisboetas extasiados com o radioso neg&oacute;cio do turismo internacional. </p>      <p><i>Lisboa</i> <i>Multicultural</i> l&ecirc;-se como se fosse um livro de contos. E essa &eacute; uma vantagem enorme. O conto, aqui chamado &#8220;cap&iacute;tulo&#8221;, &eacute; por natureza um texto curto. Sempre se chega ao fim. Al&eacute;m disso, o estudo &eacute; tamb&eacute;m, obviamente, atual. Primeiro porque trata de um tempo urbano contempor&acirc;neo que nos surpreende a cada instante. Depois porque &eacute; feito de linguagens modernas e ret&oacute;ricas atualizadas que geram intertextualidade e comunica&ccedil;&atilde;o entre cap&iacute;tulos, ampliando a coer&ecirc;ncia ao conjunto. Este <i>Lisboa Multicultural</i> &eacute; ainda fonte de cautelosas &#8220;tradu&ccedil;&otilde;es&#8221;, isto &eacute;, de aplica&ccedil;&otilde;es rigorosas de conceitos forjados em outros contextos e que aqui se testam e aplicam com g&eacute;nio e criatividade. Na voragem do tempo que fustiga Lisboa, este livro permanece atual, apesar de j&aacute; datado. Mas todos livros s&atilde;o datados, sobretudo os que temos por &#8220;cl&aacute;ssicos&#8221;. E, creio, este <i>Lisboa Multicultural</i> partilha dessa virtude dos &#8220;cl&aacute;ssicos&#8221; ao tratar de uma esp&eacute;cie de &#8220;presente eterno&#8221;, uma novidade que se vai prolongar no tempo como tudo parece indiciar. </p>      <p>O renovado enlace etnocultural que se revela na leitura do livro configura um cosmopolitismo progressista, j&aacute; que a presen&ccedil;a dos <i>outros</i> assinala uma condi&ccedil;&atilde;o de cidadania que faz deles atores a ter em conta no planeamento estrat&eacute;gico da pr&oacute;pria cidade. Na Lisboa &#8220;de outras eras&#8221;, se cosmopolitismo existia, era profundamente conservador e a &#8220;diversidade&#8221; era marcada pela subjuga&ccedil;&atilde;o e destitui&ccedil;&atilde;o. Agora, como sujeitos e n&atilde;o j&aacute; mero <i>d&eacute;cor</i> da evolu&ccedil;&atilde;o urbana, os rec&eacute;m-instalados em Lisboa, vindos de &Aacute;frica, da &Aacute;sia, da Am&eacute;rica do Sul, ou da antiga Europa de Leste, negoceiam, vivem e pluralizam os espa&ccedil;os p&uacute;blicos e, mais que isso, participam diretamente, embora limitadamente ainda, no devir da cidade. </p>      <p>No texto de abertura, Margarida Marques (MM) &#8212; a organizadora do livro &#8212; d&aacute; testemunho aturado desta mudan&ccedil;a. O relevo concedido aos empres&aacute;rios refor&ccedil;a o papel dos pequenos com&eacute;rcios que marcam distintivamente o novo &#8220;esp&iacute;rito de cidade&#8221;. Aqui, MM faz lembrar Robert Park, que ousou um dia definir a cidade como um &#8220;estado de esp&iacute;rito&#8221; para surpresa de todos. Est&aacute; MM a dizer, bem entendido, que al&eacute;m das a&ccedil;&otilde;es de arquitetos, urbanistas e decisores pol&iacute;ticos, as cidades s&atilde;o feitas da realidade humana e da sua quotidianidade que importa trazer para o desenho ajustado do futuro urbano e sociocultural desta cidade. Aprecio esta forma quase militante como o texto introdut&oacute;rio assume a &#8220;descoberta&#8221; do potencial estrat&eacute;gico que a diversidade cultural representa para Lisboa. N&atilde;o podendo ser &#8220;romantizado&#8221;, este potencial aproxima Lisboa de outras cidades, cujo sucesso depende de conex&otilde;es geoculturais complexas, como bem assinalou Anthony King quando fez notar que a hist&oacute;ria da Manchester industrial estava inscrita em Bombaim, o que tornava imposs&iacute;vel compreender uma cidade sem se entender a outra&#8230; A Lisboa de hoje encontra na teia imperial as ra&iacute;zes da sua modernidade e o que ela &eacute;, e h&aacute; de ser no futuro, deve-o a outras paragens e a outras (cumpli)cidades&#8230; A Luanda e a Bissau, &agrave; Praia e a Maputo, a Goa, mas tamb&eacute;m ao Brasil e &agrave; China&#8230; </p>      <p>Mas h&aacute; outras &#8220;geografias&#8221; cr&iacute;ticas pertinentes para a leitura deste livro. Entre elas, sobressaem as que ensinam a ver uma cidade sem os limites e as fronteiras espaciais (psicol&oacute;gicas?) que subjazem a categoriza&ccedil;&otilde;es tantas vezes desajustadas e err&oacute;neas. Algumas referem-se ao binarismo das linguagens acad&eacute;micas recheadas de &#8220;centros&#8221; e &#8220;periferias&#8221;, de &#8220;nortes&#8221; e de &#8220;suis&#8221;, de &#8220;ocidentes&#8221; e &#8220;orientes&#8221;. Estes pares de mundos diversos nunca estiveram t&atilde;o pr&oacute;ximos e t&atilde;o &iacute;ntimos. O <i>raper</i> Edson Silva dos For&ccedil;a Suprema, angolano residente h&aacute; mais de 20 anos na regi&atilde;o metropolitana de Lisboa, afirma-o com eloqu&ecirc;ncia (<i>&Iacute;psilon</i>, 12/06/2015): &#8220;Gostamos da Linha de Sintra. D&aacute; para ir ao F&oacute;rum Sintra e sentirmos que estamos na Europa e d&aacute; para ir &agrave; Damaia e comprar mandioca na rua. Somos desses dois mundos!&#8221; </p>      <p>Ser destes dois mundos &eacute; uma implica&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o urbana e democr&aacute;tica de hoje. Atravess&aacute;-los sem impedimentos &eacute; hoje um direito. A diversidade cultural atravessa a cidade sem limites a toda a hora, por toda a parte. <i>Anytime</i><i>/anywhere</i>, como dizia de Niro do <i>Taxi</i><i> Driver</i> de M. Scorcese, parece ser o lema de tudo o que hoje se move, incluindo os novos fluxos migrat&oacute;rios e &eacute;tnicos que Lisboa regista. </p>      <p>No seu <i>Fronteiras Perdidas &#8212; Contos para Viajar</i>, a p&aacute;ginas tantas J. Eduardo Agualusa relata o epis&oacute;dio em que o assaltante, de bons modos e viajando num carro de grande estilo, se dirige ao jovem objeto do assalto: &#8220;Tamb&eacute;m dizem que n&oacute;s destru&iacute;mos este pa&iacute;s. Destruir? Estamos simplesmente a reajust&aacute;-lo a &Aacute;frica, aos nossos h&aacute;bitos culturais. Luanda, por exemplo, era uma cidade europeia, um corpo estranho relativamente ao resto do pa&iacute;s. Foi preciso corromp&ecirc;-la para a libertar&#8221;. Este livro, como que replicando o bandido, ensaia devolver a Lisboa a imagem de uma condi&ccedil;&atilde;o estrutural que s&oacute; na escava&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica e antropol&oacute;gica da usurpa&ccedil;&atilde;o do <i>outro</i> se pode compreender no seu atual reajustamento. </p>      <p>Como evoluir&aacute; no futuro a multiculturalidade lisboeta abordada neste livro? O livro n&atilde;o nos responde. Que Lisboa teremos em resultado dessa evolu&ccedil;&atilde;o? Uma Lisboa mais diversa, mais plural, mais democr&aacute;tica? Ou antes uma Lisboa regressiva, cosmopolita sim, mas conservadoramente cosmopolita que atende &agrave;s reivindica&ccedil;&otilde;es dos turistas mas n&atilde;o dos imigrantes&#8230; mais fechada e segregadora? Receosa dos <i>outros</i> que a procuram como ref&uacute;gio ou como espa&ccedil;o de oportunidade e emancipa&ccedil;&atilde;o? </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8220;Os ares da cidade libertam&#8221;&#8230; diziam os subjugados camponeses alem&atilde;es que rumavam &agrave;s cidades em busca da sua medieval liberta&ccedil;&atilde;o. Esse era um dram&aacute;tico grito que, paradoxalmente, volta a ecoar hoje, lancinante, por toda a regi&atilde;o mediterr&acirc;nica europeia. Sabemos que outrora os ares da cidade n&atilde;o libertaram como se esperava. E sabemos tamb&eacute;m que, por aqui, &agrave; vista das vagas mediterr&acirc;nicas, os ares europeus continuam quase t&oacute;xicos e irrespir&aacute;veis. Temos de continuar a limp&aacute;-los. Sem esmorecer. Este livro pode ser visto como uma metaf&oacute;rica higieniza&ccedil;&atilde;o do ar que respiramos. Em Lisboa e fora dela. A leitura liberta! &#8212; apetece dizer. Da&iacute; o meu convencimento de que este livro vai ser lido por gente jovem em busca de ares l&iacute;mpidos de uma cidadania plural e diversa, como aqueles que brotam das reflex&otilde;es postas neste <i>Lisboa Multicultural</i>. </p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>                <p><a name="edn1"></a><a href="#topedn1">[1]</a> Recupera-se parcialmente o texto de apresenta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica do livro (8 de julho de 2015).</p>           ]]></body>

</article>
