<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>0807-8967</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Diacrítica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Diacrítica]]></abbrev-journal-title>
<issn>0807-8967</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S0807-89672014000100004</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estrutura semântica de &#8211;ismo]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Semantic structure of the suffix -ismo]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barbosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Vieira]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Instituto Politécnico de Leiria Escola Superior de Educação e Ciências Sociais ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Leiria ]]></addr-line>
<country>Portugal</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<volume>28</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>73</fpage>
<lpage>101</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0807-89672014000100004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S0807-89672014000100004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://www.scielo.pt/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S0807-89672014000100004&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[A análise dos nomes em &#8211;ismo formados em português, realizada no quadro da morfologia lexical, permite identificar os seus significados atestados e a tipologia de bases selecionadas pelo sufixo. Estes elementos viabilizam a identificação do sufixo como uma unidade polissémica bem como a análise da sua estrutura semântica, o cerne do trabalho. O sufixo &#8211;ismo é analisado como uma unidade polissémica cujos diferentes significados se organizam de acordo com a teoria do protótipo. Esta análise sustenta-se na conceção de significado da Linguística Cognitiva e da Semântica Conceptual. Assim, é possível reconhecer a estrutura semântica complexa de &#8211;ismo, organizada em dois níveis. O nível subjacente comporta os valores seminais de qualidade e sistematicidade; sendo qualidade o significado prototípico. O nível de superfície comporta os significados atestados de &#8216;princípio epistemológico&#8217;, &#8216;qualidade&#8217;, &#8216;prática&#8217;, &#8216;atitude&#8217;, &#8216;fenómeno&#8217; e &#8216;locução&#8217;, que, de acordo com a ordem apresentada, vão do mais próximo ao mais longínquo do significado prototípico.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[With the analysis of Portuguese names in -ismo, held in the framework of lexical morphology, is possible to identify suffix attested meanings and typology of the bases selected by the suffix. These elements enable the identification of the suffix as a polysemous unit as well as the analysis of its semantic structure, the core of this work. The suffix -ismo is analyzed as a polysemous unit whose different meanings are organized according to prototype theory. This analysis rests on meaning conception of Cognitive Linguistics and Conceptual Semantics. Thus, it is possible to recognize the complex semantic structure of -ismo, organized on two levels. The underlying level carries the seminal values of quality and systematicity; being quality the prototypical meaning. The surface level comprises the attested meanings ‘epistemological principle’, ‘quality’, ‘practice’, ‘attitude’, ‘phenomenon’ and ‘locution’, which according to the order presented, go to the nearest to the more distant from the prototypical meaning.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[derivação]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[estrutura semântica]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[polissemia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[significado]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[sufixo -ismo]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[derivation]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[semantic structure]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[polysemy]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[meaning]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[suffix -ismo]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p><b>Estrutura sem&acirc;ntica de &#8211;ismo</b></p>      <p><b>Semantic structure of the suffix &#8211;ismo</b></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Ana Vieira Barbosa*</b></p>      <p>*Escola Superior de Educa&ccedil;&atilde;o e Ci&ecirc;ncias Sociais do Instituto Polit&eacute;cnico de Leiria, Portugal.</p>      <p><a href="mailto:ana.barbosa@ipleiria.pt">ana.barbosa@ipleiria.pt</a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>     <p>     <p>A an&aacute;lise dos nomes em &#8211;ismo formados em portugu&ecirc;s, realizada no quadro da morfologia lexical, permite identificar os seus  significados atestados e a tipologia de bases selecionadas pelo sufixo. Estes elementos viabilizam a identifica&ccedil;&atilde;o do sufixo como uma  unidade poliss&eacute;mica bem como a an&aacute;lise da sua estrutura sem&acirc;ntica, o cerne do trabalho. O sufixo &#8211;ismo &eacute; analisado como uma unidade poliss&eacute;mica cujos diferentes significados se organizam de acordo com a teoria do  prot&oacute;tipo. Esta an&aacute;lise sustenta-se na conce&ccedil;&atilde;o de significado da Lingu&iacute;stica Cognitiva e da Sem&acirc;ntica  Conceptual. Assim, &eacute; poss&iacute;vel reconhecer a estrutura sem&acirc;ntica complexa de &#8211;ismo, organizada em dois n&iacute;veis.  O n&iacute;vel subjacente comporta os valores seminais de qualidade e sistematicidade; sendo qualidade o significado protot&iacute;pico.  O n&iacute;vel de superf&iacute;cie comporta os significados atestados de &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217;,  &#8216;qualidade&#8217;, &#8216;pr&aacute;tica&#8217;, &#8216;atitude&#8217;, &#8216;fen&oacute;meno&#8217; e &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217;,  que, de acordo com a ordem apresentada, v&atilde;o do mais pr&oacute;ximo ao mais long&iacute;nquo do significado protot&iacute;pico.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Palavras chave</b>: deriva&ccedil;&atilde;o, estrutura sem&acirc;ntica, polissemia, significado, sufixo &#8211;ismo.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>ABSTRACT</b> </p>     <p>     <p>With the analysis of Portuguese names in &#8211;ismo, held in the framework of lexical morphology, is possible to identify suffix attested meanings and typology of the bases selected by the suffix. These elements enable the identification of the suffix as a polysemous unit as well as the analysis of its semantic structure, the core of this work. The suffix &#8211;ismo is analyzed as a polysemous unit whose different meanings are organized according to prototype theory. This analysis rests on meaning conception of Cognitive Linguistics and Conceptual Semantics. Thus, it is possible to recognize the complex semantic structure of &#8211;ismo, organized on two levels. The underlying level carries the seminal values of quality and systematicity; being quality the prototypical meaning. The surface level comprises the attested meanings &#8216;epistemological principle&#8217;, &#8216;quality&#8217;, &#8216;practice&#8217;, &#8216;attitude&#8217;, &#8216;phenomenon&#8217; and &#8216;locution&#8217;, which according to the order presented, go to the nearest to the more distant from the prototypical meaning.</p> </p>     <p><b>Keywords</b>: derivation, semantic structure, polysemy, meaning, suffix &#8211;ismo.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></p>      <p>Em l&iacute;ngua portuguesa, os nomes em &#8211;<i>ismo </i>apresentam uma grande diversidade sem&acirc;ntica, aparentemente atribu&iacute;vel &agrave; espessura sem&acirc;ntica do sufixo. Para aferir este pressuposto, o trabalho que se apresenta procura analisar os significados atestados nos nomes derivados por meio de -<i>ismo </i>por forma a que se possa compreender o perfil sem&acirc;ntico do sufixo, confirmando a exist&ecirc;ncia de uma estrutura sem&acirc;ntica complexa e, portanto, da polissemia de &#8211;<i>ismo</i>. Ao confirmar-se a hip&oacute;tese de polissemia do sufixo, torna-se necess&aacute;rio avan&ccedil;ar para a compreens&atilde;o e descri&ccedil;&atilde;o de como os diversos significados funcionam no seu interior. Uma unidade poliss&eacute;mica n&atilde;o integra, desorganizadamente, um conjunto de significados, pelo contr&aacute;rio, assume-se que esses significados coabitam porque se relacionam, sendo portanto necess&aacute;rio determinar as linhas de relacionamento das diferentes significa&ccedil;&otilde;es, pelo que se recorrer&aacute; &agrave; teoria do prot&oacute;tipo.</p>      <p>Enquadrando a an&aacute;lise num conceito de significado devedor da Sem&acirc;ntica Cognitiva (Geeraerts 2006b, Langacker 2006) e da Sem&acirc;ntica Conceptual (Jackendoff 2010), &eacute; poss&iacute;vel estabelecer um quadro descritivo que coerentemente, numa estrutura do prot&oacute;tipo (Cruse 2004, Geeraerts 2006a e 2006b), reflita a complexidade sem&acirc;ntica de &#8211;<i>ismo</i>; esta complexidade &eacute; observ&aacute;vel atrav&eacute;s dos significados atestados nos seus derivados. A estrutura derivacional dos nomes em &#8211;<i>ismo</i>, que fornecer&aacute; os dados sobre os quais trabalharemos, &eacute; concebida dentro da morfologia lexical (Corbin 1987, Rio-Torto 1998).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Inicia-se o trabalho com a apresenta&ccedil;&atilde;o do quadro te&oacute;rico que sustenta a an&aacute;lise empreendida (1.). Proceder-se-&aacute; &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o das linhas fundamentais da morfologia lexical (1.1.), dentro da qual o trabalho se desenrola e dentro da qual se realizaram trabalhos relevantes para o estudo do sufixo &#8211;<i>ismo </i>e que simultaneamente ser&atilde;o expostos. Conclui-se a exposi&ccedil;&atilde;o do quadro te&oacute;rico com a dilucida&ccedil;&atilde;o do conceito de significado que sustenta o trabalho e que foi tomado da Sem&acirc;ntica Cognitiva e da Sem&acirc;ntica Conceptual (1.2.).</p>      <p>Segue-se uma exposi&ccedil;&atilde;o dos significados atestados dos nomes em -<i>ismo </i>(2.), uma vez que esses dados servir&atilde;o de base ao trabalho a realizar, e dos tipos de base encontradas nesses nomes (3.) porque tamb&eacute;m eles fornecem dados relevantes para o trabalho a realizar.</p>      <p>Por &uacute;ltimo, procede-se ao estudo da estrutura sem&acirc;ntica de &#8211;<i>ismo </i>(4.), entendido como unidade poliss&eacute;mica. Nesta medida, determinar-se-&aacute; o significado central do sufixo (4.1.), bem como os significados perif&eacute;ricos (4.2.), dados que permitem definir a estrutura sem&acirc;ntica do sufixo (4.3.).</p>      <p><b>1. Quadro te&oacute;rico</b></p>      <p>1.1. O que se sabe sobre os nomes em &#8211;<i>ismo</i></p>      <p>Os nomes em &#8211;<i>ismo </i>t&ecirc;m sido consensualmente associados &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de nomes de sistemas, cren&ccedil;as, princ&iacute;pios, doutrinas e fen&oacute;menos lingu&iacute;sticos (Piel 1940, Ali 1964, C&acirc;mara 1976). Mais recentemente o estudo deste sufixo foi enquadrado no modelo associativista de forma&ccedil;&atilde;o de palavras e &eacute; dentro desse modelo que se desenrola a an&aacute;lise do mecanismo genolexical de &#8211;<i>ismo</i>. Ao adotar-se um modelo associativista do processo de forma&ccedil;&atilde;o de palavras, deve manter-se em mente a sua complexidade e o contributo prestado pelos v&aacute;rios intervenientes para a forma&ccedil;&atilde;o de novas palavras. Corbin sintetiza do seguinte modo este modelo:</p>      <blockquote>    <p>l&#8217;application d&#8217;une RCM associe intimement la construction d&#8217;une structure morphologique et celle d&#8217;une structure s&eacute;mantique: le mot construit se voit attribuer un ensemble de propri&eacute;t&eacute;s d&#8217;ordre syntaxique, morphologique, formel, s&eacute;mantique, par la RCM et l&#8217;op&eacute;ration morphologique qu&#8217;il subie. (Corbin 1987: 469)</p></blockquote>      <p>Tomam-se, portanto, em considera&ccedil;&atilde;o as presta&ccedil;&otilde;es morfol&oacute;gicas e sem&acirc;nticas do sufixo, da base e da regra que permitem gerar a palavra. Desta forma se constroem as estruturas morfol&oacute;gica e sem&acirc;ntica das palavras complexas. Esta proposta tem sido desenvolvida e aplicada &agrave; l&iacute;ngua portuguesa em trabalhos mais recentes que os j&aacute; referidos. Em alguns desses trabalhos o sufixo &#8211;<i>ismo </i>&eacute; contemplado. Referimo-nos a Correia (1999 e 2004), Rio-Torto (1992 e 1998), Rio-Torto &amp; Anast&aacute;cio (2004) e Barbosa (2012).</p>      <p>Nestes trabalhos procede-se ou recorre-se ao enquadramento dos afixos em paradigmas, as Regras de Forma&ccedil;&atilde;o de Palavras, RFP. Estabelecer esse enquadramento possibilita a formaliza&ccedil;&atilde;o de determinadas regularidades procedimentais, como as que dizem respeito ao tipo de operadores afixais, &agrave; opera&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica realizada, &agrave; tipologia das bases, &agrave; categoria gramatical do produto e ao seu significado. Nas palavras de Rio-Torto:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>    <p>&Eacute;, pois, da conjuga&ccedil;&atilde;o de determinado tipo sem&acirc;ntico de base e de determinado afixo que decorrem significa&ccedil;&otilde;es convencionais que caracterizam os produtos de uma regra e as variantes que esta recobre. S&oacute; a considera&ccedil;&atilde;o destes dois factores permite reconhecer o estatuto das regularidades sem&acirc;nticas e/ ou das significa&ccedil;&otilde;es convencionais que os derivados apresentam. (Rio-Torto 1998: 123)</p></blockquote>      <p>Dentro deste quadro te&oacute;rico, a autora enquadra o sufixo &#8211;<i>ismo </i>na RFP ESSIV, a regra que permite gerar nomes essivos a partir de bases geralmente adjetivais, mas que tamb&eacute;m podem ser &#8220;um nome (...), atributivamente considerado&#8221; (Rio-Torto 1998: 122). Os nomes essivos &#8220;s&atilde;o parafrase&aacute;veis por &#8220;o facto de ser x&#8221;, &#8220;propriedade/qualidade de ser x&#8221;&#8221; (Rio-Torto 1998: 122).</p>      <p>Numa leitura muito pr&oacute;xima, Correia enquadra os nomes em &#8211;<i>ismo </i>nos nomes de qualidade, tendo por par&aacute;frase &#8220;o facto de ser objectivamente X&#8221; (Correia 2004: 294) e acoplando-se a bases adjetivais.</p>      <p>O trabalho de Barbosa (2012), devedor dos anteriores e que aqui ser&aacute; seguido de perto, afasta-se deles ao considerar que &#8220;o fator que melhor permite descrever as bases de &#8211;<i>ismo </i>&eacute; de natureza sem&acirc;ntica e que percorre transversalmente as categorias de nome, adjetivo e verbo&#8221; (Barbosa 2012: 336) secundarizando a relev&acirc;ncia do valor categorial das bases para o comportamento derivacional de &#8211;<i>ismo</i>.</p>      <p>Em suma, considera-se que as palavras constru&iacute;das s&atilde;o estruturas formal e semanticamente complexas, devedoras de informa&ccedil;&otilde;es contidas nos diversos intervenientes do processo genolexical. Neste quadro, o sufixo &#8211;<i>ismo </i>&eacute; considerado como um dos sufixos formadores de nomes essivos (Rio-Torto 1998) ou nomes de qualidade (Correia 1999, 2004).</p>      <p><i>1.2. Que significado?</i></p>      <p>O trabalho dentro do modelo associativista de forma&ccedil;&atilde;o de palavras ser&aacute; conciliado com a conce&ccedil;&atilde;o de que a constru&ccedil;&atilde;o do significado das palavras se reveste de contornos mais complexos do que os que a exposi&ccedil;&atilde;o supra pode levar a supor. De facto,</p>      <blockquote>    <p>temos que abandonar o princ&iacute;pio da composicionalidade (estrita). O significado de uma express&atilde;o complexa n&atilde;o &eacute; simplesmente nem necessariamente a soma (fun&ccedil;&atilde;o composicional) dos significados das suas partes mais as regras de combina&ccedil;&atilde;o que derivam directamente delas; isto &eacute;, uma estrutura pode apresentar caracter&iacute;sticas n&atilde;o derivadas dos seus constituintes ou pode perder caracter&iacute;sticas que estes possuem (Silva 2010: 359)</p></blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Ao longo deste trabalho, na linha da Sem&acirc;ntica Cognitiva, o significado &eacute; concebido como um constructo resultante de um processo de conceptualiza&ccedil;&atilde;o, &#8220;Meaning is equated with conceptualization&#8221; (Langacker 2006: 30). Desta forma, o significado de uma unidade decorre sempre da atividade mental dos indiv&iacute;duos e n&atilde;o, exclusivamente, de fatores lingu&iacute;sticos. &Eacute; precisamente este pressuposto que leva Jackendoff a apresentar a Sem&acirc;ntica Conceptual como &#8220;a theory of the information in a language user&#8217;s mind/ brain that is involved in understanding utterances, connecting them to perceptual evidence, and making inferences&#8221; (Jackendoff 2010: 655). Neste quadro, &#8220;Word meanings must be composite in order to encode relations among word meanings and in order to state properly general rules of inference&#8221; (Jackendoff 2010: 657). O significado das unidades constr&oacute;i-se por fios informativos flex&iacute;veis e conceptualmente concebidos e articulados.</p>      <p>Deve ent&atilde;o entender-se o significado como uma entidade din&acirc;mica e flex&iacute;vel que se alcan&ccedil;a por mecanismos de conceptualiza&ccedil;&atilde;o. Na realidade, deve ser entendido n&atilde;o tanto como uma entidade mas sobretudo como um processo de cria&ccedil;&atilde;o de sentido, &#8220;The tremendous flexibility that we observe in lexical semantics suggests a procedural (or perhaps &#8216;processual&#8217;) rather than a reified conception of meaning; instead of meanings as things, meaning as a process of sense creation would seem to become our primary focus of attention&#8221; (Geeraerts 2006b: 137). Portanto, considera-se o significado como um processo de cria&ccedil;&atilde;o de sentido, din&acirc;mico e flex&iacute;vel, que se realiza por meio de mecanismos conceptuais e de diversos fios informacionais.</p>      <p>Os trabalhos referidos para a conce&ccedil;&atilde;o de significado centram-se principalmente no significado da palavra. Contudo, estas conce&ccedil;&otilde;es podem ser transpostas para o n&iacute;vel dos afixos que podem ser entendidos como unidades semanticamente complexas, &#8220;&Agrave; semelhan&ccedil;a de um item lexical, tamb&eacute;m um sufixo derivacional tende a exibir um conjunto de sentidos conceptualmente relacionados entre si pelos mesmos mecanismos cognitivos&#8221; (Silva 2006: 241). Como se ver&aacute;, o sufixo &#8211;<i>ismo </i>exemplifica bem o n&iacute;vel de complexidade sem&acirc;ntica pass&iacute;vel de ser encontrado nas unidades afixais.</p>      <p><b>2. Os dados: os significados atestados dos nomes em &#8211;<i>ismo</i></b></p>      <p>A an&aacute;lise sem&acirc;ntica do sufixo &#8211;<i>ismo </i>que se empreende parte da observa&ccedil;&atilde;o dos significados encontrados nos nomes por ele derivados. Como referido, estes nomes n&atilde;o se constituem como o objeto de estudo do presente trabalho, mas sim como o seu ponto de partida, fornecendo os dados iniciais para a an&aacute;lise a desenvolver. A observa&ccedil;&atilde;o das diferentes significa&ccedil;&otilde;es atestadas nos nomes derivados fornecer&aacute; as informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para a an&aacute;lise da configura&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica de &#8211;<i>ismo</i>, sendo este o foco de estudo. Como significados atestados nos nomes portugueses em &#8211;<i>ismo </i>encontramos os seguintes:</p>      <p>&nbsp;</p>  <a name="q1">     <p align="center"><b>Quadro 1: </b>Significados atestados dos nomes em &#8211;<i>ismo</i></p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td colspan="2" valign="top" >    <p><b>Significados</b></p></td>  <td valign="top" >    <p><b>Exemplos</b></p></td> </tr>  <tr> <td colspan="2" valign="top" >    <p>&#8216;qualidade&#8217;</p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>amadorismo, amorfismo, camaleonismo, catonismo, poliglotismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td colspan="2" valign="top" >    <p>&#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217;</p></td> <td valign="top" >    <p><i>jacobinismo, luteranismo, molinismo, pancalismo, transformismo, vulcanismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td rowspan="5" valign="top" >    <p>&#8216;pr&aacute;tica&#8217;</p></td> <td valign="top" >    <p><sup><a href="#1" name="top1">[1]</a></sup></p></td> <td valign="top" >    <p><i>canibalismo, deambulismo, gregarismo, onanismo, tabaquismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>&#8216;pr&aacute;xis&#8217;</p></td> <td valign="top" >    <p><i>cateterismo, dialogismo, divisionismo, pontilhismo, tantrismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>&#8216;pr&aacute;tica profissional&#8217;</p></td> <td valign="top" >    <p><i>faquirismo, funambulismo, ilusionismo, modelismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&#8216;pr&aacute;tica desportiva&#8217;</p></td> <td valign="top" >    <p><i>alpinismo, hipismo, p&aacute;ra-quedismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>&#8216;modo de vida&#8217;</p></td> <td valign="top" >    <p><i>bandoleirismo, inquilinismo, missionarismo, nomadismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td colspan="2" valign="top" >    <p>&#8216;atitude&#8217;</p></td> <td valign="top" >    <p><i>benfiquismo, companheirismo, eleitoralismo, estrelismo, fanatismo, liberalismo, orientalismo, servilismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td rowspan="3" valign="top" >    <p>&#8216;fen&oacute;meno&#8217;</p></td> <td valign="top" >    <p><sup><a href="#2" name="top2">[2]</a></sup></p></td> <td valign="top" >    <p><i>endomorfismo, galvanismo, magmatismo, microbismo, paralelismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>&#8216;intoxica&ccedil;&atilde;o&#8217;</p></td> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><i>alcalinismo, anilismo, barbiturismo, cantaridismo, nicotinismo, saturnismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>&#8216;fen&oacute;meno patol&oacute;gico&#8217;</p></td> <td valign="top" >    <p><i>aden&oacute;idismo, albinismo, ananismo, daltonismo, gigantismo, traumatismo, tromboembolismo, uterismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td colspan="2" valign="top" >    <p>&#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217;</p></td> <td valign="top" >    <p><i>brasileirismo, galicismo, grecismo, italianismo, latinismo</i></p></td> </tr>  </tbody> </table>      <p>&nbsp;</p>      <p>Os significados apresentados no <a href="#q1">Quadro 1</a> tomam por refer&ecirc;ncia o estudo realizado em Barbosa (2012), trabalho onde se procedeu ao levantamento dos nomes em &#8211;<i>ismo </i>atestados na edi&ccedil;&atilde;o de 2006 do Dicion&aacute;rio da Porto Editora complementados com fontes <i>online </i>avulsas. A an&aacute;lise da significa&ccedil;&atilde;o de cada um dos nomes sustenta-se na informa&ccedil;&atilde;o dicionar&iacute;stica complementada e/ou corroborada com a informa&ccedil;&atilde;o fornecida pela observa&ccedil;&atilde;o da palavra em contextos de uso. Estes contextos foram significativamente fornecidos pelo CETEMP&uacute;blico e, sempre que este se revelou insuficiente, por diversas outras fontes <i>online</i>.</p>      <p><i>2.1. Nomes de qualidade</i></p>      <p>O primeiro significado apresentado para os nomes em &#8211;<i>ismo </i>&eacute; o de &#8216;qualidade&#8217;. Nomes como os exemplificados no <a href="#q1">Quadro 1</a> s&atilde;o considerados formas de denomina&ccedil;&atilde;o de uma qualidade porque &#8220;se caracterizam pelo facto de serem substantivos predicativos, sincategorem&aacute;ticos, n&atilde;o-cont&aacute;veis, poliss&eacute;micos, denominando entidades referencialmente dependentes e com ocorr&ecirc;ncias m&uacute;ltiplas&#8221; (Correia 1999: 140). Efetivamente, as propriedades evocadas nesses nomes apenas s&atilde;o observ&aacute;veis nas entidades que as apresentam, pelo que n&atilde;o podem ser contadas e prestam-se a atualizar valores sem&acirc;nticos al&eacute;m do de &#8216;qualidade&#8217;. Tome-se como exemplo <i>camaleonismo</i>, nome para o qual se encontram os seguintes significados: &#8220;zoologia faculdade de certos animais, entre eles o camale&atilde;o, de mudarem bruscamente de pigmenta&ccedil;&atilde;o&#8221; (DPE 2006); &#8220;A justifica&ccedil;&atilde;o que d&aacute; para este <b>camaleonismo </b>militante tem o m&eacute;rito de n&atilde;o esconder nada&#8221; (CETEMP&uacute;blico <i>par=ext911942-nd-93b-2</i>).</p>      <p>Neste nome, a entidade denominada, &#8216;a faculdade de mudar a cor da pigmenta&ccedil;&atilde;o da pele de acordo com o ambiente circundante&#8217;, &eacute; observ&aacute;vel apenas nas suas ocorr&ecirc;ncias, dependendo delas para existir e ser observ&aacute;vel, por conseguinte, apenas essas ocorr&ecirc;ncias, e n&atilde;o a faculdade em si, s&atilde;o suscet&iacute;veis de ser contadas. A segunda cita&ccedil;&atilde;o apresentada mostra a capacidade poliss&eacute;mica deste nome, que, partindo da denomina&ccedil;&atilde;o de uma propriedade morfol&oacute;gica de certos animais, consegue passar para a denomina&ccedil;&atilde;o de um tra&ccedil;o psicol&oacute;gico, a capacidade de muta&ccedil;&atilde;o atitudinal e de car&aacute;ter aplic&aacute;vel a indiv&iacute;duos caracteriz&aacute;veis como humanos.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Seguindo a proposta de Rio-Torto (1998), estes nomes podem ser enquadrados na RFP ESSIV, apresentando as seguintes par&aacute;frases para o seu significado: &#8216;o facto de ser x&#8217; ou &#8216;propriedade/qualidade de ser x&#8217; (Rio-Torto 1998: 122), sendo que x representa a base predicativa.</p>      <p><i>2.2. Nomes de princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico</i></p>      <p>Como segundo significado apresentado no <a href="#q1">Quadro 1</a>, encontra-se o de &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217;. Esta designa&ccedil;&atilde;o procura cobrir aquele que, em l&iacute;ngua portuguesa, &eacute; provavelmente o significado mais imediatamente associado aos nomes em &#8211;<i>ismo</i>, ou seja, aquele que permite fazer a denomina&ccedil;&atilde;o de sistemas, doutrinas, teorias, ideologias, conce&ccedil;&otilde;es, escolas, correntes, movimentos, etc. Muitos dos nomes em &#8211;<i>ismo </i>que apresentam esta significa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o enquadr&aacute;veis em linguagens t&eacute;cnicas e de especialidade, comportando um significado que pode requerer conhecimentos espec&iacute;ficos dentro da &aacute;rea do conhecimento em quest&atilde;o para ser cabalmente compreendido. Tome-se o nome <i>vulcanismo </i>como exemplo:</p>      <blockquote>    <p>1 GEOLOGIA conjunto de fen&oacute;menos vulc&acirc;nicos; 2 geologia teoria que pretende explicar as causas das manifesta&ccedil;&otilde;es vulc&acirc;nicas; 3 geologia hip&oacute;tese que atribui ao fogo a forma&ccedil;&atilde;o da primitiva crusta terrestre; 4 geologia expuls&atilde;o de lavas fundidas, fragmentos de lavas e gases, das partes profundas da Terra; plutonismo; 5 [fig.] erup&ccedil;&atilde;o calamitosa (DPE 2006)</p></blockquote>      <p><i>2.3. Nomes de pr&aacute;tica</i></p>      <p>Este significado comporta uma dimens&atilde;o acional, isto &eacute;, os nomes de pr&aacute;tica pressup&otilde;em a realiza&ccedil;&atilde;o continuada de determinada a&ccedil;&atilde;o, denominando &#8220;um h&aacute;bito, um uso, um costume, uma atividade ou o estudo sobre determinado assunto, uma vez que todos partilham precisamente a ideia de realiza&ccedil;&atilde;o ou pr&aacute;tica regular de determinada a&ccedil;&atilde;o&#8221; (Barbosa 2012: 210211). Apresenta-se como exemplo o nome <i>canibalismo</i>, isto &eacute;, a pr&aacute;tica recorrente do consumo de carne humana, como claramente se atesta na sua defini&ccedil;&atilde;o: &#8220;<b>1 </b>h&aacute;bito de comer carne humana; antropofagia; <b>2 </b>acto de um animal comer outro da mesma esp&eacute;cie&#8221; (DPE 2006).</p>      <p>O conceito de pr&aacute;tica imp&otilde;e a considera&ccedil;&atilde;o das suas diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es e realiza&ccedil;&otilde;es, resultantes em pr&aacute;ticas espec&iacute;ficas. Assim, &eacute; poss&iacute;vel pensar numa pr&aacute;tica sujeita a um <i>modus operandi </i>espec&iacute;fico, numa pr&aacute;tica associada a um desporto, a uma atividade profissional ou mesmo a um modo de vida. Ao considerar estas diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es ou ace&ccedil;&otilde;es de &#8216;pr&aacute;tica&#8217; definem-se subgrupos de nomes de pr&aacute;tica que especificam as variantes identificadas. Por esta via se reconhece a especificidade dos nomes de pr&aacute;xis, dos nomes de pr&aacute;tica profissional, dos nomes de pr&aacute;tica desportiva e dos nomes de modo de vida.</p>      <p>2.3.1. Nomes de pr&aacute;xis</p>      <p>Estes nomes, enquadrando-se nos de pr&aacute;tica mas apresentando especificidades, denominam um tipo de pr&aacute;tica continuada que leva a ou requer o desenvolvimento ou utiliza&ccedil;&atilde;o de uma t&eacute;cnica, m&eacute;todo ou procedimento espec&iacute;ficos. Trata-se de um tipo de pr&aacute;tica para a realiza&ccedil;&atilde;o do qual &eacute; necess&aacute;rio um desempenho espec&iacute;fico e, de certa forma, regulamentado, pelo que o seu exerc&iacute;cio requer algum n&iacute;vel de aprendizagem, de forma&ccedil;&atilde;o, de treino. Exemplifica este tipo de significado o nome <i>tantrismo</i>: &#8220;t&eacute;cnica de coordena&ccedil;&atilde;o subtil entre a mente e o corpo humanos inspirada nos livros esot&eacute;ricos hindus&#8221; (DPE 2006). Portanto, uma pr&aacute;tica que s&oacute; se alcan&ccedil;ar&aacute; depois de alguma aprendizagem e treino. A pr&aacute;tica de <i>tantrismo </i>requer um conjunto de conhecimentos e treinos reiterados que levam &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de determinadas pr&aacute;ticas e t&eacute;cnicas. Estes requisitos permitem a diferencia&ccedil;&atilde;o do <i>tantrismo </i>relativamente a outras pr&aacute;ticas de coordena&ccedil;&atilde;o.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>2.3.2. Nomes de pr&aacute;tica pro?ssional</p>      <p>Tamb&eacute;m em l&iacute;ngua portuguesa estes nomes identificam uma pr&aacute;tica com condicionantes espec&iacute;ficas no que toca &agrave;s suas finalidades, bem como no que toca a modos, locais e momentos de execu&ccedil;&atilde;o. Deste facto decorre que o exerc&iacute;cio de determinada pr&aacute;tica profissional s&oacute; possa ser assegurado por quem tenha desenvolvido as apet&ecirc;ncias necess&aacute;rias &agrave; sua execu&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, por um profissional. Estes nomes foram definidos como constituindo a:</p>      <blockquote>    <p>atividade principal realizada por um indiv&iacute;duo e que serve como sua principal ou &uacute;nica fonte de rendimento, assumindo, por essa raz&atilde;o, um certo car&aacute;ter de obrigatoriedade. Este car&aacute;ter obrigat&oacute;rio decorre da necessidade que o indiv&iacute;duo tem de garantir uma fonte de rendimento. O exerc&iacute;cio da atividade em quest&atilde;o decorre de necessidades individuais, ainda que as normas desse exerc&iacute;cio n&atilde;o sejam determinadas pelo pr&oacute;prio indiv&iacute;duo mas antes resultem de uma imposi&ccedil;&atilde;o externa. Outro aspeto que ajuda a definir estes nomes &eacute; o facto de a &#8216;atividade profissional&#8217; ser exercida n&atilde;o de forma permanente e continuada ao longo do dia, mas em hor&aacute;rio e/ou local previamente definido(s) (Barbosa 2012: 215)</p></blockquote>      <p>Os nomes de pr&aacute;tica profissional podem ser exemplificados atrav&eacute;s do nome <i>ilusionismo</i>: &#8220;<b>1 </b>arte de produzir ilus&otilde;es; <b>2 </b>pr&aacute;tica art&iacute;stica assente na ligeireza dos movimentos (principalmente de m&atilde;os) capazes de fazer desaparecer ou deslocar objectos sem que o espectador d&ecirc; por isso; prestidigita&ccedil;&atilde;o&#8221; (DPE 2006). Esta atividade s&oacute; poder&aacute; ser exercida por quem detiver os conhecimentos necess&aacute;rios e em circunst&acirc;ncias e local espec&iacute;ficos.</p>      <p>2.3.3. Nomes de pr&aacute;tica desportiva</p>      <p>Os nomes de pr&aacute;tica desportiva denominam uma atividade &#8220;secund&aacute;ria do indiv&iacute;duo, praticada de livre vontade, ou seja, sem qualquer car&aacute;ter de obrigatoriedade ou de necessidade, al&eacute;m do que se assume de livre-vontade e por lazer e que n&atilde;o &eacute; imposta ao indiv&iacute;duo por qualquer causa externa&#8221; (Barbosa 2012: 214-215). Tal como nos nomes de pr&aacute;tica profissional, estas pr&aacute;ticas requerem apet&ecirc;ncias espec&iacute;ficas. Diferem dos anteriores nomes por apresentarem distinta finalidade, o lazer, e por serem praticadas sem car&aacute;ter de obrigatoriedade. Veja-se como exemplo o nome <i>alpinismo</i>: &#8220;desporto que consiste em ascens&otilde;es &agrave;s grandes altitudes&#8221; (DPE 2006), cuja pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; sujeita a imposi&ccedil;&atilde;o e que se realiza de livre vontade.</p>      <p>2.3.4. Nomes de modo de vida</p>      <p>Por &#8216;modo de vida&#8217;, considera-se um conjunto de pr&aacute;ticas voluntariamente adotadas pelo indiv&iacute;duo que definem e caracterizam a totalidade da sua viv&ecirc;ncia, n&atilde;o podendo ser limitadas a circunst&acirc;ncias ou momentos (pr&eacute;-) definidos. Deste modo, os nomes de modo de vida denominam um tipo de viv&ecirc;ncia que permite definir um indiv&iacute;duo e que condiciona todos os aspetos dessa viv&ecirc;ncia. Por exemplo, o nome <i>nomadismo</i>, &#8220;<b>1 </b>modo de vida dos n&oacute;madas; <b>2 </b>modo de vida de quem est&aacute; sempre a mudar de habita&ccedil;&atilde;o ou ocupa&ccedil;&atilde;o; modo de vida de pessoa errante&#8221; (DPE 2006), denomina muito mais do que uma atividade do indiv&iacute;duo, denomina toda uma postura e conjunto de op&ccedil;&otilde;es que se infiltram e refletem em todos os aspetos da vida desse indiv&iacute;duo.</p>      <p><i>2.4. Nomes de atitude</i></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Os nomes de atitude denominam uma postura afetiva e/ou intelectual assumida pelo indiv&iacute;duo perante uma determinada circunst&acirc;ncia. A &#8216;atitude&#8217; reconhece-se por um conjunto de manifesta&ccedil;&otilde;es exteriores vis&iacute;veis no comportamento, na postura, na maneira de ser do indiv&iacute;duo. H&aacute; que sublinhar o facto de estes nomes n&atilde;o denominarem uma a&ccedil;&atilde;o, mas sim o que, de inerente ao indiv&iacute;duo, impele a essa a&ccedil;&atilde;o. Insere-se neste grupo de nomes</p>      <p>o nome <i>companheirismo</i>, cujo significado se pode entender pela leitura da seguinte frase: &#8220;O conhecimento de &Aacute;frica e dos africanos, o <b>companheirismo </b>existente entre combatentes brancos e negros era vacina mais do que suficiente contra o racismo&#8221; (CETEMP&uacute;blico <i>par=ext48608-nd-95a-1</i>). A &#8216;atitude&#8217; denominada constitui-se como algo subliminar, observ&aacute;vel atrav&eacute;s de um conjunto de comportamentos, posturas, gestos, etc. assumidos por quem tem determinada atitude.</p>      <p><i>2.5. Nomes de fen&oacute;meno</i></p>      <p>Em Barbosa (2012) apresenta-se a seguinte explica&ccedil;&atilde;o para o que se entende por nomes de fen&oacute;meno: &#8220;Certos factos, acontecimentos e a&ccedil;&otilde;es (volunt&aacute;rios ou n&atilde;o) resultam na transforma&ccedil;&atilde;o da entidade sobre a qual ocorrem. Os nomes em &#8211;<i>ismo </i>que denominam um &#8216;fen&oacute;meno&#8217; s&atilde;o ent&atilde;o aqueles que t&ecirc;m a capacidade de denominar o resultado ou consequ&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o exercida.&#8221; (Barbosa 2012: 224). Estes fen&oacute;menos est&atilde;o frequentemente enquadrados em determinada &aacute;rea do conhecimento, veja-se o exemplo de <i>paralelismo</i>:</p>      <blockquote>    <p><b>1 </b>GEOLOGIA modifica&ccedil;&atilde;o da composi&ccedil;&atilde;o do magma, em resultado da assimila&ccedil;&atilde;o de rochas provenientes do exterior ou de reac&ccedil;&otilde;es com as rochas encaixantes; <b>2 </b>matem&aacute;tica transforma&ccedil;&atilde;o linear de um espa&ccedil;o vectorial em si mesmo e, mais geralmente, um hemomorfismo de um conjunto (grup&oacute;ide, grupo) em si mesmo (DPE 2006)</p></blockquote>      <p>Nas suas diversas ace&ccedil;&otilde;es, o nome &eacute; enquadr&aacute;vel em distintas &aacute;reas do conhecimento apresentando, em cada uma delas, um &#8216;fen&oacute;meno&#8217; espec&iacute;fico, cujo cabal entendimento requer um mais vasto conhecimento dentro dessa mesma &aacute;rea.</p>      <p>Em suma, estes nomes denominam acontecimentos, transforma&ccedil;&otilde;es, factos verificados e suscet&iacute;veis de ser observados, estudados.</p>      <p>Dentro dos nomes de fen&oacute;meno &eacute; poss&iacute;vel recortar dois subgrupos, definidos pela especificidade do fen&oacute;meno denominado, os nomes de intoxica&ccedil;&atilde;o e os nomes de fen&oacute;meno patol&oacute;gico.</p>      <p>2.5.1. Nomes de intoxica&ccedil;&atilde;o</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Destacando-se dos nomes de fen&oacute;meno, os nomes de intoxica&ccedil;&atilde;o denominam a altera&ccedil;&atilde;o do estado normal do indiv&iacute;duo, com consequ&ecirc;ncias negativas, desencadeada pela a&ccedil;&atilde;o t&oacute;xica de determinada subst&acirc;ncia. Nestes nomes encontra-se <i>nicotinismo</i>, &#8220;medicina intoxica&ccedil;&atilde;o devida ao abuso do tabaco; tabagismo&#8221; (DPE 2006); a denomina&ccedil;&atilde;o de todas as consequ&ecirc;ncias negativas ou prejudiciais &agrave; sa&uacute;de associadas ao consumo de uma determinada subst&acirc;ncia.</p>      <p>2.5.2. Nomes de fen&oacute;meno patol&oacute;gico</p>      <p>Igualmente recortados dos nomes de fen&oacute;meno, os nomes de fen&oacute;meno patol&oacute;gico denominam uma perturba&ccedil;&atilde;o morfol&oacute;gica e/ou do regular funcionamento do organismo, independentemente das manifesta&ccedil;&otilde;es que apresenta e das suas causas. Ilustra este tipo de nomes o nome <i>albinismo</i>: &#8220;<b>1 </b>medicina anomalia org&acirc;nica que consiste na diminui&ccedil;&atilde;o ou falta total de pigmento em zonas superficiais do corpo&#8221; (DPE 2006).</p>      <p>2.6. Nomes de locu&ccedil;&atilde;o</p>      <p>O &uacute;ltimo valor sem&acirc;ntico identificado nos nomes em &#8211;<i>ismo </i>&eacute; o de locu&ccedil;&atilde;o, ou seja, a capacidade destes nomes para denominarem uma palavra ou express&atilde;o que apresenta rela&ccedil;&atilde;o com uma determinada regi&atilde;o linguisticamente considerada. Neste grupo de nomes enquadra-se <i>italianismo</i>: &#8220;locu&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria de It&aacute;lia&#8221; (DPE 2006).</p>      <p>Em portugu&ecirc;s, os nomes derivados por meio do sufixo &#8211;<i>ismo </i>apresentam uma enorme variedade sem&acirc;ntica, de tal forma que a rela&ccedil;&atilde;o entre os significados apresentados n&atilde;o &eacute; evidente. Por esta raz&atilde;o, o maior desafio que os dados at&eacute; aqui expostos colocam &eacute; o de compreender de que modo os significados identificados e expostos est&atilde;o relacionados com a mesma unidade lingu&iacute;stica, o sufixo &#8211;<i>ismo</i>. Tomou-se como ponto de partida a considera&ccedil;&atilde;o de que esses significados residem inicialmente no sufixo e que ser&aacute; este a transport&aacute;-los para o nome derivado. A tarefa consiste, portanto, em compreender como esses significados se relacionam no interior do sufixo.</p>      <p><b>3. Os dados: as bases selecionadas por &#8211;<i>ismo</i></b></p>      <p>Como anteriormente referido, o ponto central do presente trabalho n&atilde;o consiste no estudo genolexical do sufixo &#8211;<i>ismo</i>, contudo, este mecanismo n&atilde;o pode ser esquecido. Tal como preconizado pelo modelo associativista adotado, a an&aacute;lise dos nomes em &#8211;<i>ismo </i>revelou que a dimens&atilde;o sem&acirc;ntica das bases e do sufixo desempenha um papel determinante nos mecanismos genolexicais de produ&ccedil;&atilde;o destes nomes. Em Barbosa (2012) demonstra-se precisamente a relev&acirc;ncia da informa&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica presente nas bases para determinar a sua sele&ccedil;&atilde;o por &#8211;<i>ismo</i>. O trabalho referido, e cuja linha de pensamento se adota, procura demonstrar que a informa&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica presente na base &eacute; de tal modo relevante que tem capacidade de secundarizar outros habituais crit&eacute;rios de sele&ccedil;&atilde;o de bases como o da classifica&ccedil;&atilde;o categorial.</p>      <p>Ao articular a an&aacute;lise da significa&ccedil;&atilde;o dos nomes em &#8211;<i>ismo </i>com a significa&ccedil;&atilde;o das bases selecionadas foi poss&iacute;vel determinar regularidades e tra&ccedil;os comuns &agrave;s bases. Do ponto de vista categorial as bases revelaram-se heterog&eacute;neas, selecionando adjetivos, nomes, adjetivos/nomes<sup><a href="#3" name="top3">[3]</a></sup> e verbos, mas foi poss&iacute;vel aferir regularidades sem&acirc;nticas. Assim, tal como demonstrado em Barbosa (2012), independentemente da sua classifica&ccedil;&atilde;o categorial, a base constitui-se por um conjunto de predicados/atributos/propriedades/ qualidades dos quais o sufixo selecionar&aacute; o(s) que mais adequadamente se presta(m) &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do significado do nome derivado.</p>      <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>a base derivacional de &#8211;<i>ismo </i>pode definir-se como sendo semanticamente complexa, na medida em que comporta um feixe de predicados/atributos/ qualidades/propriedades, habitualmente associados &agrave;s categorias predicativas, mas que n&atilde;o podem ser considerados alheios do processo denominativo. Categorialmente, e de modo n&atilde;o fundamentalmente relevante para o sufixo, as bases podem apresentar-se como adjetivo ou nome. (Barbosa 2012: 193)</p></blockquote>      <p>Conclui-se ent&atilde;o que a base de &#8211;<i>ismo </i>&eacute; selecionada por comportar um predicado/atributo/propriedade/qualidade sobre a qual o sufixo aplicar&aacute; a sua instru&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica. Se a base se caracteriza por consider&aacute;vel complexidade sem&acirc;ntica, na medida em que &eacute; constitu&iacute;da por diversos feixes informacionais, o sufixo tem de deter capacidade para selecionar apenas o tipo de informa&ccedil;&atilde;o que a cada passo lhe &eacute; necess&aacute;rio para construir o significado do produto. Desta opera&ccedil;&atilde;o resultar&aacute; o significado do nome em &#8211;<i>ismo</i>.</p>      <p>Contudo, a import&acirc;ncia do valor predicativo da base n&atilde;o &eacute; igual para todos os significados. Este valor &eacute; fundamental para formar nomes de qualidade. A par&aacute;frase de <i>amadorismo </i>ser&aacute; &#8216;propriedade/qualidade de ser amador&#8217;, portanto os predicados/atributos/propriedades/qualidades que constituem o semantismo da base s&atilde;o fundamentais para a constru&ccedil;&atilde;o do significado do nome. O mesmo n&atilde;o acontece, por exemplo, com os nomes de fen&oacute;meno patol&oacute;gico; em <i>uterismo</i>, a base n&atilde;o &eacute; tomada pelo seu valor predicativo, mas pela sua capacidade referencial em rela&ccedil;&atilde;o a um &oacute;rg&atilde;o.</p>      <p>Apesar de a configura&ccedil;&atilde;o da base como predicado/atributo/propriedade/qualidade n&atilde;o se revestir de igual import&acirc;ncia para todos os significados de &#8211;<i>ismo</i>, devemos assumir este tra&ccedil;o da base como o seu valor fundamental para ser selecionada pelo sufixo. De facto, os nomes que se comportam como <i>uterismo </i>s&atilde;o escass&iacute;ssimos, sendo o comportamento id&ecirc;ntico ao de <i>amadorismo </i>o que caracteriza a quase totalidade dos nomes.</p>      <p><b>4. Su?xo &#8211;<i>ismo</i>: uma unidade semanticamente complexa</b></p>      <p>Ao observar o significado dos nomes portugueses em &#8211;<i>ismo </i>encontra-se uma consider&aacute;vel dispers&atilde;o sem&acirc;ntica na medida em que se recolhem significa&ccedil;&otilde;es muito d&iacute;spares e com graus de abstra&ccedil;&atilde;o muito distintos. O desafio colocado por estes nomes consiste em compreender de que modo o sufixo sustenta essa dispers&atilde;o sem&acirc;ntica, evitando uma desagrega&ccedil;&atilde;o/ desestrutura&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica que poderia levar a considerar a exist&ecirc;ncia de mais do que um sufixo; essas unidades afixais teriam de ser formalmente id&ecirc;nticas mas semanticamente distintas.</p>      <p>O enquadramento do sufixo numa RFP contribui para prevenir a sua desestrutura&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica mas n&atilde;o &eacute; suficiente. Apenas a considera&ccedil;&atilde;o da complexidade sem&acirc;ntica de sufixo ser&aacute; capaz de explicar a sua capacidade para produzir nomes portadores dos significados j&aacute; apresentados. A ancoragem dos significados a uma unidade afixal implica que estejam conceptualmente relacionados.</p>      <p>Nas sec&ccedil;&otilde;es anteriores verifi u-se a grande variedade sem&acirc;ntica encontrada nos nomes em &#8211;<i>ismo </i>e o facto de as suas bases se caracterizarem por comportarem um determinado predicado/atributo/propriedade/qualidade que se articular&aacute; com a informa&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica do sufi o para gerar o signifi do nome derivado. A quest&atilde;o consiste agora, como se vem afirmando, em determinar a origem da variedade sem&acirc;ntica encontrada nesses nomes e esta origem s&oacute; pode residir no sufi o. Sendo assim, os signifi encontrados nos nomes em &#8211;<i>ismo </i>estar&atilde;o todos inscritos no sufi o, pelo que dever&aacute; ser considerado uma unidade semanticamente complexa. Esta considera&ccedil;&atilde;o afasta-se de trabalhos como os de Rio-Torto (1992 e 1998) e Correia (1999 e 2004) que prop&otilde;em que essa diversidade surja ao n&iacute;vel dos nomes em &#8211;<i>ismo</i>.<sup><a href="#4" name="top4">[4]</a></sup></p>       <p>Na sequ&ecirc;ncia dos significados apurados para os nomes em &#8211;<i>ismo</i>, considera-se que o sufixo comporta os seguintes significados:</p>      <blockquote>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>1. &#8216;qualidade&#8217;</p>      <p>2. &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217;</p>      <p>3. &#8216;pr&aacute;tica&#8217;</p>      <p>3.1. &#8216;pr&aacute;xis&#8217;</p>      <p>3.2. &#8216;pr&aacute;tica profissional&#8217;</p>      <p>3.3. &#8216;pr&aacute;tica desportiva&#8217;</p>      <p>3.4. &#8216;modo de vida&#8217;</p>      <p>4. &#8216;atitude&#8217;</p>      <p>5. &#8216;fen&oacute;meno&#8217;</p>      <p>5.1. &#8216;intoxica&ccedil;&atilde;o&#8217;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>5.2. &#8216;fen&oacute;meno patol&oacute;gico&#8217;</p>      <p>6. &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217;</p></blockquote>      <p>Esta variedade sem&acirc;ntica sugere que os significados possam n&atilde;o ser relacion&aacute;veis e essa impossibilidade de relacionamento sem&acirc;ntico conduziria precisamente &agrave; desarticula&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica que encaminharia, inevitavelmente, para a considera&ccedil;&atilde;o de mais do que um sufixo &#8211;<i>ismo</i>. Tratar-se-ia, ent&atilde;o, de sufixos formalmente id&ecirc;nticos mas semanticamente distintos. Contudo, e seguindo trabalhos como os de Rio-Torto (1998) ou Correia (2004), rejeita-se a hip&oacute;tese de mais do que um sufixo. Tal como as autoras, considera-se que um significado de base poder&aacute;, por diversos mecanismos, sofrer inflex&otilde;es. A an&aacute;lise que se faz diverge da das autoras por considerar que essas inflex&otilde;es ocorrem no interior do sufixo, o que lhe permitir&aacute; gerar a diversidade sem&acirc;ntica encontrada nos seus derivados.</p>      <p>Imputando a diversidade sem&acirc;ntica dos nomes ao sufixo &#8211;<i>ismo</i>, assume-se que se trata de uma unidade semanticamente complexa e estruturada, ou seja, uma unidade poliss&eacute;mica, entendendo-se a polissemia como</p>      <blockquote>    <p>um fen&oacute;meno de motiva&ccedil;&atilde;o, que introduz uma certa redund&acirc;ncia no l&eacute;xico mental, ao passo que a homon&iacute;mia &eacute; um fen&oacute;meno acidental. O que daqui se pode concluir &eacute; que polissemia e homon&iacute;mia n&atilde;o constituem uma dicotomia estrita, mas antes fazem parte de um <i>continuum </i>de rela&ccedil;&atilde;o de sentidos. E metodologicamente (...) uma an&aacute;lise <i>poliss&eacute;mica </i>ser&aacute; prefer&iacute;vel a uma an&aacute;lise <i>homon&iacute;mica </i>sempre que se encontrarem factores de coer&ecirc;ncia sem&acirc;ntica num complexo de sentidos associados a uma mesma forma (Silva 2006: 49)</p></blockquote>      <p>A cita&ccedil;&atilde;o apresentada pressup&otilde;e a capacidade de encontrar entre os diferentes significados conex&otilde;es l&oacute;gicas, portanto, os significados de uma unidade poliss&eacute;mica s&atilde;o relacion&aacute;veis. Efetivamente, &#8220;it is only with the advent of prototype theory that contemporary linguistics developed a valid model for the polysemy of lexical items&#8221; (Geeraerts 2006a: 144), modelo que permitir&aacute; a organiza&ccedil;&atilde;o dos diversos significados dentro de uma estrutura sem&acirc;ntica complexa. Como se ver&aacute;, os significados apresentados para &#8211;<i>ismo </i>s&atilde;o relacion&aacute;veis, o que permite afirmar que o sufixo configura um caso de polissemia. Este conceito &eacute; habitualmente aplicado no estudo do significado de palavras, e n&atilde;o a unidades afixais, contudo &#8220;we should expect the polysemy we find in affixes to be a proper subset of regular polysemy&#8221; (Lehrer 2003: 217). Esta afirma&ccedil;&atilde;o decorre do pressuposto assumido pela autora de que &#8220;A study of derivational affixes in English will show that polysemy is the norm and that few affixes have only one sense.&#8221; (Lehrer 2000: 144). Acredita-se ser este o caso do sufixo &#8211;<i>ismo</i>, uma unidade afixal que comporta distintos significados conceptualmente relacionados.</p>      <p>No interior da unidade poliss&eacute;mica, o peso relativo dos diversos tra&ccedil;os ou feixes informacionais difere: &#8220;categories with a prototype structure are represented by a set of features. Unlike the classical features, however, these do not constitute a set of necessary and sufficient criteria, except perhaps for the prototype itself &#8221; (Cruse 2004: 132). Por isso, ao assumir a polissemia de &#8211;<i>ismo</i>, imp&otilde;e-se explicar de que modo os significados encontrados coabitam e como se organizam. Explicar o modo de coabita&ccedil;&atilde;o e organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; fundamental para sustentar a polissemia do sufixo.</p>      <p>Parte-se ent&atilde;o do princ&iacute;pio de que, embora de modo n&atilde;o expl&iacute;cito na significa&ccedil;&atilde;o dos nomes em &#8211;<i>ismo</i>, os significados atestados encontram uma rela&ccedil;&atilde;o constante ao n&iacute;vel do sufixo. Esta rela&ccedil;&atilde;o entre os diferentes significados decorre de mecanismos conceptuais, portanto o significado do sufixo deve ser visto como complexo e organizado. A chave para esta organiza&ccedil;&atilde;o reside na no&ccedil;&atilde;o de prototipicidade, isto &eacute;, no estabelecimento de um significado central para a significa&ccedil;&atilde;o do sufixo e a partir do qual se definem os restantes com maior ou menor grau de proximidade. Esta conce&ccedil;&atilde;o enquadra-se na teoria do prot&oacute;tipo, que prev&ecirc; a exist&ecirc;ncia de um significado protot&iacute;pico em rela&ccedil;&atilde;o ao qual os restantes se localizam numa posi&ccedil;&atilde;o de maior ou menor proximidade ou sali&ecirc;ncia.</p>      <p>Para determinar a posi&ccedil;&atilde;o dos diferentes significados de &#8211;<i>ismo</i>, deve ter-se presente que &#8220;The essence of the prototype theory lies in the fact that it highlights the importance of flexibility (absence of clear demarcational boundaries) and salience (differences in structural weight) in the semantic structure of linguistic categories.&#8221; (Geeraerts 2006b: 74). Compreende-se a import&acirc;ncia do conceito de significado adotado, ao conceb&ecirc;-lo como um processo que admite a fluidez entre diversos valores e se torna poss&iacute;vel a considera&ccedil;&atilde;o de diferentes graus de sali&ecirc;ncia entre esses valores e, portanto, do seu diferente peso para a estrutura sem&acirc;ntica da unidade. Deste modo, &#8220;a quest&atilde;o tem a ver com a identifica&ccedil;&atilde;o das diferen&ccedil;as de sali&ecirc;ncia e dos efeitos de prototipicidade na estrutura do complexo poliss&eacute;mico. Quais os sentidos protot&iacute;picos e como os determinar? Poder&aacute; uma palavra possuir mais do que um centro protot&iacute;pico?&#8221; (Silva 2006: 37).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Trabalhar o significado em termos de prototipicidade implica, em primeiro lugar, determinar o significado central (4.1.) a partir do qual, num segundo momento, se pode definir a localiza&ccedil;&atilde;o dos restantes (4.2.). Estes dados permitir&atilde;o estabelecer a estrutura sem&acirc;ntica de &#8211;<i>ismo </i>(4.3.).</p>      <p>4.1. Su?xo <i>&#8211;ismo</i>: o significado central</p>      <p>Para compreender qual o significado central do sufixo portugu&ecirc;s &#8211;<i>ismo</i>, levar-se-&atilde;o em linha de conta tr&ecirc;s crit&eacute;rios:</p>      <p>i) O grau de abstra&ccedil;&atilde;o dos significados do sufixo &#8211;<i>ismo</i>,<sup><a href="#5" name="top5">[5]</a></sup> que surgir&aacute; em grau mais elevado no significado central;</p>      <p>ii) As bases selecionadas pelo sufixo s&atilde;o-no em fun&ccedil;&atilde;o do seu valor predicativo, isto &eacute;, por comportarem um predicado/atributo/propriedade/ qualidade, seja qual for o significado atualizado pelo sufixo;</p>      <p>iii) O significado central ser&aacute; aquele a partir do qual se podem gerar os restantes.<sup><a href="#6" name="top6">[6]</a></sup></p>      <p>Analise-se em primeiro lugar o valor de abstra&ccedil;&atilde;o do sufixo &#8211;<i>ismo</i>. Ao observar o significado dos nomes em &#8211;<i>ismo</i>, destaca-se o facto de apresentarem graus de abstra&ccedil;&atilde;o significativamente distintos. Tal como Correia, considera-se que o valor de abstra&ccedil;&atilde;o &eacute; &#8220;uma forma de dar conta da pr&oacute;pria polissemia dos substantivos em an&aacute;lise [nomes de qualidade]&#8221; (Correia 2004: 64). Como referido, contrariamente &agrave; posi&ccedil;&atilde;o da autora, acredita-se que a variedade sem&acirc;ntica encontrada nos nomes decorre da polissemia do sufixo, portanto, o estudo que em seguida se empreende recai sobre a polissemia de &#8211;<i>ismo</i>.</p>      <p>A abstra&ccedil;&atilde;o &eacute; ent&atilde;o concebida numa perspetiva gradativa que vai do mais abstrato ao menos abstrato:</p>      <blockquote>    <p>a distin&ccedil;&atilde;o entre substantivo concreto e substantivo abstracto n&atilde;o &eacute; tanto uma distin&ccedil;&atilde;o a estabelecer em termos de ser ou n&atilde;o ser, mas sim em termos de gradua&ccedil;&atilde;o: h&aacute; substantivos concretos usados de forma abstracta, tal como h&aacute; substantivos abstractos usados de forma concreta (...) h&aacute; substantivos abstractos mais abstractos do que outros (Correia 2004: 80)</p></blockquote>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Quando inicialmente se expuseram os significados atestados dos nomes em &#8211;<i>ismo </i>e os significados do pr&oacute;prio sufixo seguiu-se a ordem da posi&ccedil;&atilde;o que estes nomes adotariam numa escala de abstra&ccedil;&atilde;o. Essa escala revela que os nomes de qualidade ocupam o extremo m&aacute;ximo, sendo os mais abstratos, enquanto os nomes de locu&ccedil;&atilde;o se encontram no extremo oposto, sendo os menos abstratos. A localiza&ccedil;&atilde;o dos nomes na escala de abstra&ccedil;&atilde;o decorre da localiza&ccedil;&atilde;o que os significados do sufi o assumem nessa mesma escala. O <a href="#q2">Quadro 2</a> apresenta a localiza&ccedil;&atilde;o dos significados de &#8211;<i>ismo </i>na escala de abstra&ccedil;&atilde;o, bem como exemplos de nomes em que s&atilde;o atualizados.</p>      <p>&nbsp;</p>  <a name="q2">     <p align="center"><b>Quadro 2: </b>Escala de abstra&ccedil;&atilde;o dos significados de &#8211;<i>ismo </i>e dos nomes que os atualizam</p>  <table border="1" cellspacing="0" cellpadding="0" >  <tbody> <tr> <td rowspan="2" valign="top" > </td> <td valign="top" colspan="7">     <table border="0" width="100%">     <tr>     <td align="left" valign="top"><b>&gt; abstra&ccedil;&atilde;o</b></td>     <td align="right" valign="top"><b>&lt; abstra&ccedil;&atilde;o</b></td>     </tr>     </table> </td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p align="center"><b>Qualidade</b></p></td> <td colspan="2" valign="top" >    <p align="center"><b>Pr. Ep.</b></p></td> <td valign="top" >    <p align="center"><b>Pr&aacute;tica</b></p></td> <td colspan="2" valign="top" >    <p align="center"><b>Atitude</b></p></td> <td valign="top" >    <p align="center"><b>Fen./Loc.</b></p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Car&aacute;ter categorem&aacute;tico</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">-</p></td> <td colspan="2" valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">-</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">-</p></td> <td colspan="2" valign="top" >    <p align="center">-</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">+</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Pluraliza&ccedil;&atilde;o/quantifica&ccedil;&atilde;o</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">-</p></td> <td colspan="2" valign="top" >    <p align="center">-</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">-</p></td> <td colspan="2" valign="top" >    <p align="center">-</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">+</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Car&aacute;ter material</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">-</p></td> <td colspan="2" valign="top" >    <p align="center">-</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">+</p></td> <td colspan="2" valign="top" >    <p align="center">+</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">+</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Localiza&ccedil;&atilde;o esp&aacute;cio-temporal</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">-</p></td> <td colspan="2" valign="top" >    <p align="center">+</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">+</p></td> <td colspan="2" valign="top" >    ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">+</p></td> <td valign="top" >    <p align="center">+</p></td> </tr>  <tr> <td valign="top" >    <p>Exemplos</p></td> <td valign="top" >    <p><i>amadorismo amorfismo catonismo</i></p></td> <td colspan="2" valign="top" >    <p><i>luteranismo pancalismo vulcanismo</i></p></td> <td valign="top" >    <p><i>canibalismo hipismo pontilhismo</i></p></td> <td colspan="2" valign="top" >    <p><i>estrelismo fanatismo servilismo</i></p></td> <td valign="top" >    <p><i>ananismo traumatismo galicismo</i></p></td> </tr>  <tr> <td></td> <td></td> <td></td> <td></td> <td></td> <td></td> <td></td> <td></td> </tr> </tbody> </table>      <p>&nbsp;</p>      <p>Os crit&eacute;rios utilizados para determinar o grau de abstra&ccedil;&atilde;o dos significados em &#8211;<i>ismo </i>e elaborar o <a href="#q2">Quadro 2</a> foram expostos em detalhe em Barbosa (2012). Apresenta-se aqui uma s&iacute;ntese.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>O car&aacute;ter categorem&aacute;tico, retirado de Correia (2004), &eacute; negativo nos nomes abstratos, que s&atilde;o por isso nomes sincategorem&aacute;ticos. Estes nomes consideram-se sincategorem&aacute;ticos uma vez que &#8220;A propriedade essencial dos nomes abstractos reside na sua depend&ecirc;ncia ontol&oacute;gica: para poderem referenciar necessitam de um suporte ou de um argumento&#8221; (Rio-Torto &amp; Anast&aacute;cio 2004: 213), ou seja, a sua capacidade referencial depende da manifesta&ccedil;&atilde;o da qualidade em determinada entidade. J&aacute; os nomes categorem&aacute;ticos t&ecirc;m capacidade referencial (aut&oacute;noma), como sucede com os nomes de fen&oacute;meno ou de locu&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>O crit&eacute;rio da pluraliza&ccedil;&atilde;o/quantifica&ccedil;&atilde;o diz respeito ao facto de os valores mais abstratos tenderem a refutar a pluraliza&ccedil;&atilde;o ou a quantifica&ccedil;&atilde;o de contagem<sup><a href="#7" name="top7">[7]</a></sup> (*<i>uns amorfismos</i>, *<i>uns luteranismos</i>, *<i>uns pontilhismos</i>, *<i>dois fanatismos</i>). Os significados mais concretos, como os de &#8216;fen&oacute;meno&#8217; e &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217;, tendem a aceitar quer a pluraliza&ccedil;&atilde;o quer a quantifica&ccedil;&atilde;o de contagem (<i>dois traumatismos</i>). Poder-se-ia admitir a express&atilde;o <i>dois fanatismos </i>como forma de refer&ecirc;ncia ao <i>fanatismo religioso </i>e ao <i>fanatismo club&iacute;stico</i>, por exemplo. Contudo, <i>fanatismo religioso </i>e <i>fanatismo club&iacute;stico </i>constituem duas entidades conceptual e referencialmente distintas s&oacute; reconhec&iacute;veis pela adjetiva&ccedil;&atilde;o que acompanha o nome <i>fanatismo</i>. O cerne de significado partilhado pelas duas entidades &eacute; o signifi do nome de atitude <i>fanatismo </i>(obtido por um processo genolexical) e este, por si s&oacute;, sem acr&eacute;scimo de informa&ccedil;&otilde;es contextuais, tende a apresentar-se relutante &agrave; quantifi de contagem. O mesmo sucede com a pluraliza&ccedil;&atilde;o; a express&atilde;o <i>todos os fanatismos </i>pressup&otilde;e diferentes manifesta&ccedil;&otilde;es de <i>fanatismo</i>, s&oacute; discrimin&aacute;veis por informa&ccedil;&otilde;es contextuais. A pluraliza&ccedil;&atilde;o recai sobre essas manifesta&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o sobre o significado obtido por meio do processo genolexical.<sup><a href="#8" name="top8">[8]</a></sup></p>      <p>A distin&ccedil;&atilde;o entre os valores de &#8216;pr&aacute;tica&#8217; e os de &#8216;atitude&#8217;, por um lado, e os de &#8216;qualidade&#8217; e os de &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217;, por outro, faz-se atrav&eacute;s do crit&eacute;rio da materialidade: &#8220;dizer de um substantivo que &eacute; concreto significa dizer que a entidade que ele representa &eacute; concreta e que &eacute; percept&iacute;vel por qualquer um dos sentidos&#8221; (Correia 2004: 65). Os valores de &#8216;pr&aacute;tica&#8217; e de &#8216;atitude&#8217;, enquanto entidades conceptuais, s&atilde;o observ&aacute;veis, capt&aacute;veis pelos sentidos, atrav&eacute;s das suas concretiza&ccedil;&otilde;es.</p>      <p>A ancoragem esp&aacute;cio-temporal de um &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217; ao contexto hist&oacute;rico que o gera retira-lhe algum grau de abstra&ccedil;&atilde;o, afastando-o do grau m&aacute;ximo da escala de abstra&ccedil;&atilde;o. Pelo contr&aacute;rio, o valor &#8216;qualidade&#8217; &eacute; totalmente independente destas duas coordenadas, o que lhe confere maior grau de abstra&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>Os dados expostos colocam o significado de &#8216;qualidade&#8217; no grau m&aacute;ximo de abstra&ccedil;&atilde;o. Esta posi&ccedil;&atilde;o permite assumir os restantes significados como formas de concre&ccedil;&atilde;o desse significado mais abstrato. Assim, os diferentes significados de &#8211;<i>ismo </i>podem ser relacionados na escala de abstra&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de um elemento comum, o valor de &#8216;qualidade&#8217;, em rela&ccedil;&atilde;o ao qual os restantes se situam a maior ou menor dist&acirc;ncia. Subliminarmente, este valor encontra-se em todos os outros significados.</p>      <p>H&aacute; um outro fator, j&aacute; abordado, que deve ser considerado e que concorre para a atribui&ccedil;&atilde;o da posi&ccedil;&atilde;o central a &#8216;qualidade&#8217;: o tipo de bases selecionadas pelo sufixo. Como referido, os nomes portugueses em &#8211;<i>ismo </i>formam-se sobre uma base que comporta um predicado/atributo/propriedade/qualidade com o qual o sufixo se articular&aacute; para produzir o significado do nome derivado. Este tipo de base caracteriza os nomes essivos, &#8220;A base &laquo;x&raquo; &eacute; um adjetivo ou um nome &laquo;atributivamente considerado&raquo;&#8221; (Rio-Torto 1998: 122) ou nomes de qualidade. Considerando a tipologia das bases, deve-se, mais uma vez, conceder a posi&ccedil;&atilde;o central ao valor de &#8216;qualidade&#8217;, j&aacute; que a tipologia de bases identificada para o sufixo &#8211;<i>ismo </i>corresponde &agrave; base caracter&iacute;stica dos nomes de qualidade. Deste modo, mesmo os nomes em &#8211;<i>ismo </i>que n&atilde;o atualizam o valor de &#8216;qualidade&#8217; apresentam o tipo de base que permite gerar nomes de qualidade. A ser assim, &#8216;qualidade&#8217; constitui-se, mais uma vez, como um valor subliminarmente presente nos significados com menor grau de abstra&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>O terceiro fator a levar em considera&ccedil;&atilde;o para determinar que significado ocupa o lugar central na estrutura sem&acirc;ntica de &#8211;<i>ismo </i>consiste na identifi &ccedil;&atilde;o do significado que tem capacidade para gerar novos significados.</p>      <p>Observando o <a href="#q2">Quadro 2</a> &agrave; luz do exposto, e como j&aacute; avan&ccedil;ado, compreende-se que os significados situados &agrave; direita do de &#8216;qualidade&#8217; possam dele decorrer atrav&eacute;s de um mecanismo de perda de abstra&ccedil;&atilde;o. A obten&ccedil;&atilde;o de significados por mecanismos de concre&ccedil;&atilde;o &eacute; uma estrat&eacute;gia reconhecida, nomeadamente no que diz respeito aos nomes de qualidade:</p>      <blockquote>    <p>Por m&eacute;dio de transferencias o extensiones sem&aacute;nticas, el sustantivo de cualidad puede expresar, en coexist&ecirc;ncia con el significado regular &#8220;cualidad de&#8221;, otros significados derivados de &eacute;l. As&iacute;, en una determinada direcci&oacute;n, del significado &#8220;propriedad/cualidad de (ser) A&#8221; se puede passar a los significados:</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>(5) a) &#8220;actitude de (quien es) A&#8221; [...]</p>      <p>b) &#8220;acci&oacute;n de (quien es) A&#8221; [...]</p>      <p>c) &#8220;acto proprio de (quien es) un S (Pena 2004: 10)</p></blockquote>      <p>Ao articular a informa&ccedil;&atilde;o fornecida pelos dados expostos, &eacute;-se levado a reconhecer a centralidade de &#8216;qualidade&#8217;. Esta capacidade de gerar novos significados articula-se com o que se disse em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; perda de valor de abstra&ccedil;&atilde;o, tendo como refer&ecirc;ncia um grau m&aacute;ximo de abstra&ccedil;&atilde;o representado por &#8216;qualidade&#8217;.</p>      <p>Assim, passar-se-&aacute; a considerar que em portugu&ecirc;s o sufixo &#8211;<i>ismo </i>comporta como valor sem&acirc;ntico central e subjacente o de <b>qualidade</b>. Este significado &eacute; detentor do mais elevado grau de abstra&ccedil;&atilde;o, requer uma base que apresente um predicado/atributo/propriedade/qualidade e tem capacidade para gerar os restantes significados. Estes dados levam &agrave; considera&ccedil;&atilde;o de que <b>qualidade </b>se encontra num n&iacute;vel subjacente da estrutura sem&acirc;ntica do sufixo, funcionando como um codificador gen&eacute;tico suficientemente rico e vers&aacute;til para possibilitar as diferentes atualiza&ccedil;&otilde;es que se encontram atestadas nos nomes em &#8211;<i>ismo</i>: &#8216;qualidade&#8217;, &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217;, &#8216;pr&aacute;tica&#8217;, &#8216;atitude&#8217;, &#8216;fen&oacute;meno&#8217; e &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217;.</p>      <p>4.2. Su?xo <i>&#8211;ismo</i>: os significados perif&eacute;ricos</p>      <p>Uma vez estabelecido o significado protot&iacute;pico de &#8211;<i>ismo</i>, &eacute; poss&iacute;vel determinar que posi&ccedil;&atilde;o ocupam, em rela&ccedil;&atilde;o a ele, os restantes significados. Os crit&eacute;rios que permitem definir o lugar ocupado por cada significado s&atilde;o os mesmos que possibilitaram a identifica&ccedil;&atilde;o de <b>qualidade </b>como significado protot&iacute;pico.</p>      <p>Mais uma vez, a compreens&atilde;o de como o valor de abstra&ccedil;&atilde;o se comporta no interior do sufixo ser&aacute; esclarecedora para determinar a posi&ccedil;&atilde;o desses significados, por isso, mais uma vez, recorremos ao <a href="#q2">Quadro 2</a>.</p>      <p>O quadro apresenta os diferentes significados numa posi&ccedil;&atilde;o determinada pelo grau de abstra&ccedil;&atilde;o, apresentado &agrave; esquerda o significado com maior grau de abstra&ccedil;&atilde;o e &agrave; direita o significado com menor grau de abstra&ccedil;&atilde;o. Os significados localizados &agrave; direita podem ser entendidos como formas de conceptualiza&ccedil;&atilde;o, detentoras de maior ou menor grau de abstra&ccedil;&atilde;o, que se elaboram sobre um determinado predicado/atributo/propriedade/ qualidade fornecido pela base. Estes significados comportam o valor de <b>qualidade </b>como um codificador gen&eacute;tico e apresentam, em rela&ccedil;&atilde;o a ele, menor grau de abstra&ccedil;&atilde;o.</p>      <p>O comportamento das bases, como j&aacute; referido, n&atilde;o &eacute; igual para todos os significados do sufixo. O valor de predicado/atributo/propriedade/qualidade das bases &eacute; fundamental para gerar nomes de qualidade e, embora se encontre nos nomes de fen&oacute;meno e de locu&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o lhes &eacute; indispens&aacute;vel. Verifica-se, portanto, que a escala que revela a perda do grau de abstra&ccedil;&atilde;o coincide com uma escala que apresentaria perda do grau de import&acirc;ncia do valor de predicado/atributo/propriedade/qualidade para a sele&ccedil;&atilde;o da base. Para os significados &agrave; esquerda, os mais abstratos, esse valor &eacute; fundamental, mas para os significados situados no extremo oposto, os menos abstratos, esse significado pode n&atilde;o se configurar como imprescind&iacute;vel.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Em s&iacute;ntese, os significados &#8216;qualidade&#8217;, &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217;, &#8216;pr&aacute;tica&#8217;, &#8216;atitude&#8217;, &#8216;fen&oacute;meno&#8217; e &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217; representam diferentes graus de especializa&ccedil;&atilde;o do significado protot&iacute;pico de <b>qualidade</b>, que se encontra em posi&ccedil;&atilde;o subjacente. Os diferentes graus de especializa&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;am-se por mecanismos de concre&ccedil;&atilde;o e por adequa&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica do sufixo e da base. Sendo assim, o significado &#8216;qualidade&#8217; &eacute; o que se encontra mais pr&oacute;ximo do centro. Os restantes significados &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217;, &#8216;pr&aacute;tica&#8217; e &#8216;atitude&#8217; v&atilde;o-se afastando do centro at&eacute; ao extremo mais long&iacute;nquo ocupado pelos significados &#8216;fen&oacute;meno&#8217; e &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217;.</p>      <p>4.3. Su?xo <i>&#8211;ismo</i>: determina&ccedil;&atilde;o da estrutura sem&acirc;ntica</p>      <p>Observou-se como os significados identificados nos nomes em &#8211;<i>ismo </i>se configuram como instancia&ccedil;&otilde;es mais concretas de um significado seminal e com elevado grau de abstra&ccedil;&atilde;o, o de <b>qualidade</b>. Contudo, deve reconhecer-se a exist&ecirc;ncia de constantes sem&acirc;nticas n&atilde;o imput&aacute;veis a esse valor seminal.</p>      <p>A an&aacute;lise dos significados atestados leva-nos a identificar um segundo valor que embora s&oacute; possa residir a n&iacute;vel seminal, se revela fundamental para a estrutura sem&acirc;ntica de &#8211;<i>ismo</i>, o de sistematicidade. Este valor tamb&eacute;m se constitui como um codificador gen&eacute;tico de n&iacute;vel subjacente, a par do de <b>qualidade</b>. &Eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o reconhecer a sua participa&ccedil;&atilde;o como um dos feixes informativos para a constru&ccedil;&atilde;o de significados como &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217;, &#8216;pr&aacute;tica&#8217;, &#8216;atitude&#8217;, &#8216;fen&oacute;meno&#8217; e &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217;. Um &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217; resulta da organiza&ccedil;&atilde;o em sistema de determinados predicados/atributos/propriedades/qualidades da base, pelo que cont&eacute;m em si em grau m&aacute;ximo o valor de sistematicidade. Os restantes significados atestados tamb&eacute;m o apresentam, ainda que em grau vari&aacute;vel. Uma &#8216;pr&aacute;tica&#8217; requer que os predicados/atributos/propriedades/qualidades da base sejam realizados de forma reiterada de acordo com um sistema ou f&oacute;rmula de regulamenta&ccedil;&atilde;o. Um &#8216;fen&oacute;meno&#8217; implica que os predicados/ atributos/propriedades/qualidades que o caracterizam se manifestem de forma sistem&aacute;tica. Por fim, tamb&eacute;m uma &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217; requer que os predicados/atributos/propriedades/qualidades se enquadrem nos sistemas lingu&iacute;sticos de origem e de chegada.</p>      <p>O valor de sistematicidade tem revelado um comportamento id&ecirc;ntico ao de <b>qualidade</b>, mas difere dele por n&atilde;o ter a capacidade de se constituir como significado atestado, ou seja, opera apenas a n&iacute;vel seminal, subjacente, n&atilde;o correspondendo a nenhum significado atestado nos nomes em &#8211;<i>ismo</i>. Al&eacute;m disso, <b>qualidade </b>est&aacute; seminalmente presente em todos os significados atestados, ao contr&aacute;rio de sistematicidade que n&atilde;o se encontra presente em &#8216;qualidade&#8217;.</p>      <p>Os dados expostos revelam a capacidade geratriz de sistematicidade, contudo, este valor n&atilde;o satisfaz todos os requisitos necess&aacute;rios para ser considerado protot&iacute;pico, o que acontece com o valor de <b>qualidade</b>. O facto de sistematicidade falhar na possibilidade de produ&ccedil;&atilde;o do significado atestado de &#8216;qualidade&#8217; impede que seja considerado como valor protot&iacute;pico.</p>      <p>Embora apresentem diferente estatuto, sistematicidade e <b>qualidade</b><sup><a href="#9" name="top9">[9]</a></sup> residem num n&iacute;vel subjacente da estrutura sem&acirc;ntica de &#8211;<i>ismo</i>, como codificadores gen&eacute;ticos dos significados atestados.</p>      <p>Est&atilde;o neste momento identificados os dois n&iacute;veis da estrutura sem&acirc;ntica do sufixo: um n&iacute;vel subjacente, que comporta os valores <b>qualidade </b>e sistematicidade, capazes de gerar os diversos significados, e um n&iacute;vel de superf&iacute;cie, onde se encontram os significados gerados e que surgem atestados nos nomes: &#8216;qualidade&#8217;, &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217;, &#8216;pr&aacute;tica&#8217;, &#8216;atitude&#8217;, &#8216;fen&oacute;meno&#8217; e &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217;.</p>      <p>Como referido, estes significados atestados apresentam diferentes graus de sali&ecirc;ncia, ou seja, de proximidade em rela&ccedil;&atilde;o ao centro protot&iacute;pico, &#8220;it shows the various semantic applications that exist within the boundaries of one particular category need not have the same structural weight within that category&#8221; (Geeraerts 2006a: 75). Na sec&ccedil;&atilde;o anterior iniciou-se a reflex&atilde;o sobre o modo como os diferentes significados atestados se organizam em rela&ccedil;&atilde;o ao centro, essa reflex&atilde;o ir&aacute; agora ser consolidada.</p>      <p>Para determinar o grau de sali&ecirc;ncia dos significados atestados de &#8211;<i>ismo </i>recorremos a um conjunto de crit&eacute;rios, retirados de Barbosa (2012):</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>i) grau de abstra&ccedil;&atilde;o: quanto mais abstrato o significado, mais saliente;</p>      <p>ii) frequ&ecirc;ncia: quanto mais frequente o significado, mais saliente;</p>      <p>iii) contribui&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica da base: quanto mais relevante o valor de predicado/atributo/propriedade/qualidade da base, mais saliente o significado;</p>      <p>iv) sistematicidade: quanto mais forte for este valor, mais saliente o significado.</p>      <p>Destes crit&eacute;rios, o &uacute;nico ainda n&atilde;o abordado foi o da frequ&ecirc;ncia. Para a avalia&ccedil;&atilde;o deste crit&eacute;rio tomam-se por refer&ecirc;ncia os dados apresentados em Barbosa (2012: 246). O <a href="#g1">Quadro 3</a> apresenta os valores percentuais para a frequ&ecirc;ncia dos diferentes significados dos nomes em &#8211;<i>ismo</i>.</p>      <p align="center">&nbsp;</p> <a name="g1"> <img src="/img/revistas/dia/v28n1/28n1a04g1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>Como se pode verificar, os dados de frequ&ecirc;ncia dos nomes em &#8211;<i>ismo </i>e, portanto, dos significados do sufixo permitem elaborar uma escala que colocar&aacute; os significados por uma ordem muito id&ecirc;ntica &agrave; que se encontra no <a href="#q2">Quadro 2</a>. A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o, e que contribuir&aacute; decisivamente para a determina&ccedil;&atilde;o do lugar ocupado por &#8216;qualidade&#8217;, reside nos nomes de qualidade que, apesar de detentores do maior grau de abstra&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&atilde;o os mais atestados.</p>      <p>Verifica-se que os significados mais frequentes (que satisfazem o crit&eacute;rio ii), referente &agrave; frequ&ecirc;ncia) s&atilde;o, em simult&acirc;neo, i) os mais abstratos, iii) aqueles para os quais o tra&ccedil;o predicativo da base tem um maior peso e iv) aqueles que mais fortemente apresentam o valor de sistematicidade (excluindo-se o significado de &#8216;qualidade&#8217; que n&atilde;o o apresenta de todo). Os valores mais frequentes, os que aparecem num maior n&uacute;mero de nomes derivados em &#8211;<i>ismo</i>, s&atilde;o os que re&uacute;nem as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para ocuparem uma posi&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima do centro protot&iacute;pico porque simultaneamente satisfazem os restantes crit&eacute;rios considerados. Recorde-se que estes valores tomam por base o <i>corpus </i>recolhido numa fonte dicionar&iacute;stica complementada com dados avulsos recolhidos online, tal como exposto em Barbosa (2012), fornecendo os elementos necess&aacute;rios para o estudo geno-lexical dos nomes em &#8211;<i>ismo</i>, mas n&atilde;o adequados para uma an&aacute;lise de frequ&ecirc;ncia de uso.</p>      <p>Estes dados permitem desenhar a estrutura sem&acirc;ntica para o sufixo -<i>ismo </i>que se apresenta na <a href="#f1">Figura 1</a>. &Agrave; esquerda, com sombreado mais escuro, encontra-se o significado atestado mais pr&oacute;ximo do significado protot&iacute;pico e &agrave; direita, com sombreado mais claro, o significado atestado que mais se afasta do significado protot&iacute;pico.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <a name="f1"> <img src="/img/revistas/dia/v28n1/28n1a04f1.jpg">     
<p>&nbsp;</p>      <p>A <a href="#f1">Figura 1</a> procura fornecer uma representa&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica da estrutura sem&acirc;ntica de &#8211;<i>ismo</i>. Encontram-se a n&iacute;vel subjacente os valores de <b>qualidade </b>e sistematicidade, funcionando como codificadores gen&eacute;ticos capazes de, por diferentes combinat&oacute;rias, gerar os significados do n&iacute;vel de superf&iacute;cie que se identificam nos nomes em &#8211;<i>ismo</i>.</p>      <p>No n&iacute;vel de superf&iacute;cie registam-se os significados atestados nos nomes. A posi&ccedil;&atilde;o relativa que estes significados ocupam decorre da pondera&ccedil;&atilde;o dos quatro crit&eacute;rios apresentados e que ser&atilde;o seguidos na exposi&ccedil;&atilde;o que se empreender&aacute;. &#8216;Princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217; ocupa a posi&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima do centro protot&iacute;pico por i) deter elevado grau de abstra&ccedil;&atilde;o, ii) ser o significado mais atestado, iii) requerer uma base fortemente predicativa e iv) deter em elevado grau o valor de sistematiciadade. Segue-se o significado &#8216;qualidade&#8217;; embora i) detentor do mais elevado grau de abstra&ccedil;&atilde;o e de iii) requerer uma base fortemente predicativa, n&atilde;o pode colocar-se na posi&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima do centro por ii) n&atilde;o ser o significado mais atestado e por iv) n&atilde;o apresentar de todo o valor de sistematicidade. Os valores de &#8216;pr&aacute;tica&#8217;, &#8216;atitude&#8217;, &#8216;fen&oacute;meno&#8217; e &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217; v&atilde;o-se, gradativamente, afastando do centro na medida em que os crit&eacute;rios de i) abstra&ccedil;&atilde;o, ii) frequ&ecirc;ncia e iii) valor predicativo da base v&atilde;o perdendo expressividade na sua constru&ccedil;&atilde;o. O valor sistematicidade &eacute; aquele que menos parece enfraquecer-se &agrave; medida que nos afastamos do centro protot&iacute;pico. A posi&ccedil;&atilde;o mais long&iacute;nqua &eacute; ocupada por &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217;: i) detentor de capacidade referencial, o seu valor de abstra&ccedil;&atilde;o ser&aacute; residual, ii) como se verifica na <a href="#f1">Figura 1</a> apenas um reduzid&iacute;ssimo n&uacute;mero de nomes atesta este significado, iii) n&atilde;o imp&otilde;e um forte valor de predicatividade &agrave; sua base. Contudo, tal como os restantes significados deste n&iacute;vel, iv) comporta o valor de sistemacidade.</p>      <p>Ao assumir a possibilidade de o sufixo &#8211;<i>ismo </i>apresentar uma estrutura sem&acirc;ntica complexa, imputa-se ao sufixo a total responsabilidade da diversidade sem&acirc;ntica encontrada ao n&iacute;vel dos nomes. Neste ponto, a proposta que se apresenta difere das anteriores porque, apesar de reconhecer a atua&ccedil;&atilde;o de mecanismos como os de meton&iacute;mia e press&otilde;es de natureza pragm&aacute;tica (&#8220;the combination of structure and use in the study of salience phenomena is essentially also a combination of <i>semantics </i>and <i>pragmatics</i>: semantics as the study of structure, and pragmatics as the study of use, combine when salience is seen as the <i>structural reflection of pragmatic phenomena</i>.&#8221; (Geeraerts 2006b: 75), situa-os ao n&iacute;vel da forma&ccedil;&atilde;o do significado de &#8211;<i>ismo </i>e n&atilde;o num momento posterior ao da forma&ccedil;&atilde;o do nome. Considera-se portanto que estes fatores atuam ao n&iacute;vel da constru&ccedil;&atilde;o do significado do sufixo.</p>      <p><b>Conclus&atilde;o</b></p>      <p>Ao longo do trabalho procurou-se demonstrar que, em l&iacute;ngua portuguesa, o sufixo &#8211;<i>ismo</i>, sendo uma unidade poliss&eacute;mica, apresenta uma estrutura sem&acirc;ntica complexa. Enquadrou-se esta an&aacute;lise numa conce&ccedil;&atilde;o do significado como um processo din&acirc;mico e flex&iacute;vel que se estabelece por mecanismos conceptuais, sustentando-se assim a complexidade sem&acirc;ntica do sufixo. Neste contexto foi poss&iacute;vel analisar a estrutura do sufixo de acordo com a teoria do prot&oacute;tipo.</p>      <p>Retirando informa&ccedil;&atilde;o do mecanismo genolexical que produz os nomes em &#8211;<i>ismo</i>, foi poss&iacute;vel compreender a sua estrutura sem&acirc;ntica complexa, organizada em dois n&iacute;veis: um n&iacute;vel subjacente que comporta os valores <b>qualidade </b>e sistematicidade que funcionam como codificadores gen&eacute;ticos e um n&iacute;vel de superf&iacute;cie que comporta os significados atestados nos nomes: &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217;, &#8216;qualidade&#8217;, &#8216;pr&aacute;tica&#8217;, &#8216;atitude&#8217;, &#8216;fen&oacute;meno&#8217; e &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217;, atestados nos nomes em &#8211;<i>ismo</i>.</p>      <p>Os significados de estrutura profunda det&ecirc;m estatutos distintos. Ambos se comportam como codificadores gen&eacute;ticos vers&aacute;teis e flex&iacute;veis dos significados do n&iacute;vel de superf&iacute;cie. Contudo, apenas <b>qualidade </b>se constitui como significado protot&iacute;pico. Esta diferen&ccedil;a deve-se ao facto de <b>qualidade </b>estar seminalmente presente em todos os significados atestados, ao passo que sistematicidade falha um significado, ou seja, encontra-se atestado em todos os significados atestados exceto no de &#8216;qualidade&#8217;.</p>      <p>Os significados atestados obt&ecirc;m-se atrav&eacute;s dos codificadores <b>qualidade </b>e sistematicidade em combinat&oacute;rias distintas. A posi&ccedil;&atilde;o destes significados relativamente ao n&uacute;cleo foi definida atrav&eacute;s de quatro crit&eacute;rios, determinando-se &#8216;princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico&#8217; como o significado mais pr&oacute;ximo do n&uacute;cleo, seguido por &#8216;qualidade&#8217;, &#8216;pr&aacute;tica&#8217;, &#8216;atitude&#8217;, fen&oacute;meno&#8217; e, na posi&ccedil;&atilde;o mais distante, como significado mais afastado do centro protot&iacute;pico, &#8216;locu&ccedil;&atilde;o&#8217;.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Com os dados expostos foi poss&iacute;vel desenhar a estrutura sem&acirc;ntica do sufixo &#8211;<i>ismo</i>.</p>      <p>A constru&ccedil;&atilde;o do significado dos nomes em &#8211;<i>ismo </i>resulta da articula&ccedil;&atilde;o dos dados sem&acirc;nticos do sufixo, uma unidade afixal de estrutura sem&acirc;ntica complexa, com os da base, que se define por conter um conjunto de predicados/atributos/propriedades/qualidades dos quais ser&aacute;(&atilde;o) selecionado(s) o(s) que se adequa(m) &agrave; constru&ccedil;&atilde;o do significado do produto.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Ali, Manuel Said (1964), <i>Gram&aacute;tica Hist&oacute;rica da L&iacute;ngua Portuguesa</i>, S&atilde;o Paulo, Edi&ccedil;&otilde;es Melhoramento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000257&pid=S0807-8967201400010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Barbosa, Ana Vieira (2012), <i>Deriva&ccedil;&atilde;o nominal em portugu&ecirc;s. Denomina&ccedil;&otilde;es em &#8211;ismo</i>, Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento apresentada &agrave; Universidade de Coimbra. &#8211; in&eacute;dita.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000259&pid=S0807-8967201400010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>C&acirc;mara Jr., Joaquim Mattoso (1976), <i>Hist&oacute;ria e Estrutura da L&iacute;ngua Portuguesa </i>(2&ordf; ed.), Rio de Janeiro, Padr&atilde;o &#8211; Livraria Editora Ltda.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000261&pid=S0807-8967201400010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Corbin, Danielle (1987), <i>Morphologie d&eacute;rivationnelle et structuration du lexique</i>, T&uuml;bingen, Max Niemeyer Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000263&pid=S0807-8967201400010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Correia, Margarita (1999), <i>A denomina&ccedil;&atilde;o das qualidades &#8211; contributo para a compreens&atilde;o da estrutura do l&eacute;xico portugu&ecirc;s</i>, Lisboa, Disserta&ccedil;&atilde;o de Doutoramento &#8211; in&eacute;dita.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000265&pid=S0807-8967201400010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>&#8211;&#8211;&#8211;&#8211;, (2004), <i>Denomina&ccedil;&atilde;o e constru&ccedil;&atilde;o de palavras</i>, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Colibri.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000267&pid=S0807-8967201400010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Cruse, D. A. (1998), &#8220;The lexicon&#8221;, in A. Spencer &amp; A. Zwicky (eds.) <i>The Handbook of Morphology</i>, Oxford/Malden, Blackwell Publishers pp. 238-264.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000269&pid=S0807-8967201400010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>&#8211;&#8211;&#8211;&#8211;, (2004), <i>Meaning in Language. An Introduction to Semantics and Pragmatics</i>. (2.&ordf;ed), Oxford, Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000271&pid=S0807-8967201400010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Gerraerts, Dirk (2006a), &#8220;Prototype theory. Prospects and problems of prototype theory&#8221;, in D. Geeraerts (ed.) <i>Cognitive Linguistics: Basic Readings</i>, Berlin/New York, Mouton de Gruyter, pp. 141-165.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000273&pid=S0807-8967201400010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>&#8211;&#8211;&#8211;&#8211;, (2006b), <i>Words and Other Wonders. Papers on Lexical and Semantic Topics</i>, Berlin/ New York, Mouton de Gruyter.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000275&pid=S0807-8967201400010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Jackendoff, Ray (2010), &#8220;The parallel architecture and its place in cognitive science&#8221;, in B. Heine &amp; H. Narrog, (eds.) <i>Oxford Handbook of Linguistic Analysis</i>, Oxford, Oxford University Press, pp. 583-605. (dispon&iacute;vel em <a href="http://ase.tufts.edu/cogstud/incbios/RayJackendoff/recentpapers.htm" target="_blank">http://ase.tufts.edu/cogstud/incbios/RayJackendoff/recentpapers.htm</a>, consultado em 14/12/2013).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000277&pid=S0807-8967201400010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Langacker, Ronald W. (2006), &#8220;Cognitive Grammar. Introduction to Concept, Image, and Symbol&#8221;, in D. Geeraerts (ed.) <i>Cognitive Linguistics: Basic Readings</i>, Berlin/New York, Mouton de Gruyter, pp. 29-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000279&pid=S0807-8967201400010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Lehrer, Adrienne (2000), &#8220;Are affixes signs: The semantic relationship of English derivational affixes&#8221;, in W. U. Dressler, O. E. Pfeiffer, M. A. P&ouml;chtrager &amp; J. R. Rennison (eds.) Morphological Analysis in Comparison, John Benjamins, pp. 143-154.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000281&pid=S0807-8967201400010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>&#8211;&#8211;&#8211;&#8211;, (2003), &#8220;Polysemy in derivational affixes&#8221;, in B. Nerlick, Z. Todd, V. Herman &amp; D. D. Clark (eds.) <i>Polysemy Flexible Patterns of Meaning in Mind and Language</i>, Berlin/ New York, Walter de Gruyter, pp. 217-232.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000283&pid=S0807-8967201400010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Piel, Joseph (1940), &#8220;A forma&ccedil;&atilde;o dos substantivos abstractos em portugu&ecirc;s&#8221;, <i>Biblos</i>16(1), pp. 209-237.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000285&pid=S0807-8967201400010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Raposo, Eduardo Buzagalo Paiva, Nascimento, Maria Fernanda Bacelar do, Mota, Maria Ant&oacute;nia Coelho da, Segura, Lu&iacute;sa &amp; Mendes, Am&aacute;lia (org.) (2013), <i>Gram&aacute;tica do Portugu&ecirc;s</i>. Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000287&pid=S0807-8967201400010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Rio-Torto, Gra&ccedil;a (1992), &#8220;Do ser &agrave; ac&ccedil;&atilde;o: &#8220;o facto de ser X&#8221;, &#8220;condi&ccedil;&atilde;o (estatuto) de X&#8221; e &#8220;atitude de (quem &eacute;) X&#8221;, <i>Revista da Universidade de Coimbra </i>XXXVII, pp. 427-456.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000289&pid=S0807-8967201400010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>&#8211;&#8211;&#8211;&#8211;, (1998), <i>Morfologia Derivacional. Teoria e aplica&ccedil;&atilde;o</i>, Porto, Porto Editora.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000291&pid=S0807-8967201400010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Rio-Torto, Gra&ccedil;a &amp; Anast&aacute;cio, Concei&ccedil;&atilde;o (2004), &#8220;Estrutura e interpreta&ccedil;&atilde;o dos nomes depredicativos em portugu&ecirc;s&#8221;, in G. Rio-Torto &amp; C. Anast&aacute;cio (org.), <i>Verbos e nomes em portugu&ecirc;s</i>, Coimbra, Livraria Almedina, pp. 187-220.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000293&pid=S0807-8967201400010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Silva, Augusto Soares da (2006), <i>O mundo dos sentidos em portugu&ecirc;s. Polissemia, sem&acirc;ntica e cogni&ccedil;&atilde;o</i>, Coimbra, Livraria Almedina.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000295&pid=S0807-8967201400010000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>&#8211;&#8211;&#8211;&#8211;, (2010), &#8220;Polissemia e contexto: o problema dura da diferencia&ccedil;&atilde;o de sentidos&#8221;, <i>Estudos Lingu&iacute;sticos/Linguistic Studies</i>, 5, Lisboa, Edi&ccedil;&otilde;es Colibri/CLUNL, pp. 353-367.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000297&pid=S0807-8967201400010000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1">[1]</a></sup>Esta c&eacute;lula corresponde ao significado atestado &#8216;pr&aacute;tica&#8217; que surge em nomes como os exemplificados (<i>canibalismo</i>, <i>deambulismo</i>,...), tendo-se optado por n&atilde;o repetir a informa&ccedil;&atilde;o colocada na c&eacute;lula vertical. Os significados atestados &#8216;pr&aacute;tica profissional&#8217;, &#8216;pr&aacute;tica desportiva&#8217;, &#8216; modo de vida&#8217; e &#8216;pr&aacute;xis&#8217; representam modalidades espec&iacute;ficas de &#8216;pr&aacute;tica&#8217; (veja-se &sect; 2.3.).</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2">[2]</a></sup>Esta c&eacute;lula corresponde ao significado atestado &#8216;fen&oacute;meno&#8217; que surge em nomes como os exemplificados (<i>endomorfismo</i>, <i>galvanismo</i>,...), tendo-se optado por n&atilde;o repetir a informa&ccedil;&atilde;o colocada na c&eacute;lula vertical. Os significados atestados &#8216;intoxica&ccedil;&atilde;o&#8217; e &#8216;fen&oacute;meno patol&oacute;gico&#8217; representam modalidades espec&iacute;ficas de &#8216;fen&oacute;meno&#8217; (veja-se &sect; 2.5.).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top3" name="3">[3]</a></sup>Esta classifica&ccedil;&atilde;o para as bases &eacute; explicada do seguinte modo: &#8220;Formal e semanticamente, a observa&ccedil;&atilde;o, fora de contexto, de <i>absurdo </i>e de <i>tirano </i>n&atilde;o nos possibilita uma determina&ccedil;&atilde;o inequ&iacute;voca da sua categoria sint&aacute;tica, sendo necess&aacute;ria a cria&ccedil;&atilde;o de um contexto sint&aacute;tico que nos viabilize, sem d&uacute;vidas, a sua categoriza&ccedil;&atilde;o. O portugu&ecirc;s apresenta muitas palavras em situa&ccedil;&atilde;o id&ecirc;ntica, n&atilde;o sendo poss&iacute;vel, ao n&iacute;vel da forma&ccedil;&atilde;o de palavras, determinar qual a categoria sint&aacute;tica selecionada para base, sobretudo quando se trata, como &eacute; o caso, de um sufixo capaz de se acoplar a bases que, de forma inequ&iacute;voca, s&atilde;o enquadr&aacute;veis em uma das duas categorias em quest&atilde;o. Categorizar as palavras nesta situa&ccedil;&atilde;o como nomes ou como adjetivos seria totalmente aleat&oacute;rio e, no que diz respeito ao processo derivacional em quest&atilde;o, n&atilde;o poderia ter qualquer fundamento. Como consequ&ecirc;ncia, optou-se pela cria&ccedil;&atilde;o de um grupo no qual se colocaram as palavras que se encontram em id&ecirc;ntica situa&ccedil;&atilde;o.&#8221; (Barbosa 2012: 109).</p>      <p><sup><a href="#top4" name="4">[4]</a></sup>As autoras consideram que os nomes essivos ou nomes de qualidade, depois de formados, sofrem inflex&otilde;es sem&acirc;nticas que lhes permitem atualizar novos sentidos: Rio-Torto defende que ao significado essencial do nome essivo acrescem, &#8220;Por meton&iacute;mia (...) &#8220;atitude, ac&ccedil;&atilde;o de quem &eacute; x(PRED)&#8221; (...) Por efeito de uma regra sem&acirc;ntica de concre&ccedil;&atilde;o (...) &#8220;aquilo que &eacute; A&#8221; (...) &#8220;aquele que &eacute; A&#8221; (...) conjunto do que &eacute; (...)&#8221; (Rio-Torto 1998: 122).</p>      <p><sup><a href="#top5" name="5">[5]</a></sup>O estudo empreendido em Barbosa (2012) revela que &#8220;o maior n&uacute;mero de nomes em &#8211;<i>ismo </i>se situa junto ao extremo m&aacute;ximo de abstra&ccedil;&atilde;o, os nomes de qualidade (14%), os nomes de princ&iacute;pio epistemol&oacute;gico (35%) e os nomes de pr&aacute;tica (16%) constituem 65% do nosso <i>corpus</i>. Sublinhamos que o maior n&uacute;mero de nomes em &#8211;<i>ismo </i>se situa junto ao extremo m&aacute;ximo de abstra&ccedil;&atilde;o e n&atilde;o no extremo m&aacute;ximo da escala (que &eacute; constitu&iacute;do pelos nomes de qualidade e que apenas representam 14% do <i>corpus</i>)&#8221; (Barbosa 2012: 297).</p>      <p><sup><a href="#top6" name="6">[6]</a></sup>&#8220;Two possibly more valid criteria are, first, the default meaning, that is, the one which comes first to mind when one is confronted by the word out of context, and, second the reading from which the others can most plausibly be derived by standard semantic processes. The latter criterion is most reliable when there are more than two readings.&#8221; (Cruse 1998: 259).</p>      <p><sup><a href="#top7" name="7">[7]</a></sup>Considera-se a quantifica&ccedil;&atilde;o de contagem ancorada na &#8220;no&ccedil;&atilde;o de quantidade &laquo;discreta&raquo;, que se aplica a dom&iacute;nios de objetos como as pessoas, os livros, as cadeiras ou os pa&iacute;ses&#8221; (Raposo, Nascimento, Mota, Segura &amp; Mendes 2013: 771)</p>      <p><sup><a href="#top8" name="8">[8]</a></sup>Agrade&ccedil;o a leitura feita pelo Professor Doutor Rui Pedro Marques, alertando-me para a possibilidade de elabora&ccedil;&atilde;o de enunciados como &#8220;todos os fanatismos devem ser combatidos&#8221; e &#8220;o fanatismo religioso e o fanatismo club&iacute;stico s&atilde;o dois fanatismos diferentes, mas com tra&ccedil;os comuns&#8221;. Esta chamada de aten&ccedil;&atilde;o permitiu-me clarificar a reflex&atilde;o e desse modo responder por antecipa&ccedil;&atilde;o a obje&ccedil;&otilde;es que poderiam ser feitas &agrave; an&aacute;lise exposta.</p>      <p><sup><a href="#top9" name="9">[9]</a></sup>Representamos a negrito <b>qualidade</b>, valor protot&iacute;pico, para o distinguir de sistematicidade.</p>       ]]></body>
<back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Ali]]></surname>
<given-names><![CDATA[Manuel Said]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Gramática Histórica da Língua Portuguesa]]></source>
<year>1964</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições Melhoramento]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Barbosa]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ana Vieira]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Derivação nominal em português: Denominações em -ismo]]></source>
<year>2012</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Câmara Jr.]]></surname>
<given-names><![CDATA[Joaquim Mattoso]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[História e Estrutura da Língua Portuguesa]]></source>
<year>1976</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Padrão - Livraria Editora Ltda]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Corbin]]></surname>
<given-names><![CDATA[Danielle]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Morphologie dérivationnelle et structuration du lexique]]></source>
<year>1987</year>
<publisher-loc><![CDATA[Tübingen ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Max Niemeyer Verlag]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Correia]]></surname>
<given-names><![CDATA[Margarita]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A denominação das qualidades: contributo para a compreensão da estrutura do léxico português]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Denominação e construção de palavras]]></source>
<year>2004</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições Colibri]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cruse]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The lexicon]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Spencer]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Zwicky]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[The Handbook of Morphology]]></source>
<year>1998</year>
<page-range>238-264</page-range><publisher-loc><![CDATA[OxfordMalden ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Blackwell Publishers]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Meaning in Language: An Introduction to Semantics and Pragmatics]]></source>
<year>2004</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Gerraerts]]></surname>
<given-names><![CDATA[Dirk]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Prototype theory: Prospects and problems of prototype theory]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Geeraerts]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cognitive Linguistics: Basic Readings]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>141-165</page-range><publisher-loc><![CDATA[BerlinNew York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mouton de Gruyter]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Words and Other Wonders: Papers on Lexical and Semantic Topics]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[BerlinNew York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mouton de Gruyter]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Jackendoff]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ray]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The parallel architecture and its place in cognitive science]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Heine]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Narrog]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Oxford Handbook of Linguistic Analysis]]></source>
<year>2010</year>
<page-range>583-605</page-range><publisher-loc><![CDATA[Oxford ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Langacker]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ronald W.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Cognitive Grammar: Introduction to Concept, Image, and Symbol]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Geeraerts]]></surname>
<given-names><![CDATA[D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Cognitive Linguistics: Basic Readings]]></source>
<year>2006</year>
<page-range>29-68</page-range><publisher-loc><![CDATA[BerlinNew York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Mouton de Gruyter]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lehrer]]></surname>
<given-names><![CDATA[Adrienne]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Are affixes signs: The semantic relationship of English derivational affixes]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Dressler]]></surname>
<given-names><![CDATA[W. U.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pfeiffer]]></surname>
<given-names><![CDATA[O. E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pöchtrager]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Rennison]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Morphological Analysis in Comparison]]></source>
<year>2000</year>
<page-range>143-154</page-range><publisher-name><![CDATA[John Benjamins]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Polysemy in derivational affixes]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Nerlick]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Todd]]></surname>
<given-names><![CDATA[Z.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Herman]]></surname>
<given-names><![CDATA[V.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Clark]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. D.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Polysemy Flexible Patterns of Meaning in Mind and Language]]></source>
<year>2003</year>
<page-range>217-232</page-range><publisher-loc><![CDATA[BerlinNew York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Walter de Gruyter]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Piel]]></surname>
<given-names><![CDATA[Joseph]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A formação dos substantivos abstractos em português]]></article-title>
<source><![CDATA[Biblos]]></source>
<year>1940</year>
<volume>16</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>209-237</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Raposo]]></surname>
<given-names><![CDATA[Eduardo Buzagalo Paiva]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Nascimento]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Fernanda Bacelar do]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mota]]></surname>
<given-names><![CDATA[Maria Antónia Coelho da]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Segura]]></surname>
<given-names><![CDATA[Luísa]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Mendes]]></surname>
<given-names><![CDATA[Amália]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Gramática do Português]]></source>
<year>2013</year>
<publisher-name><![CDATA[Fundação Calouste Gulbenkian]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rio-Torto]]></surname>
<given-names><![CDATA[Graça]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Do ser à acção: “o facto de ser X”, “condição (estatuto) de X” e “atitude de (quem é) X]]></article-title>
<source><![CDATA[Revista da Universidade de Coimbra]]></source>
<year>1992</year>
<volume>XXXVII</volume>
<page-range>427-456</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Morfologia Derivacional: Teoria e aplicação]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Porto ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Porto Editora]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rio-Torto]]></surname>
<given-names><![CDATA[Graça]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Anastácio]]></surname>
<given-names><![CDATA[Conceição]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Estrutura e interpretação dos nomes depredicativos em português]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Rio-Torto]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Anastácio]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Verbos e nomes em português]]></source>
<year>2004</year>
<page-range>187-220</page-range><publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Livraria Almedina]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Silva]]></surname>
<given-names><![CDATA[Augusto Soares da]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[O mundo dos sentidos em português: Polissemia, semântica e cognição]]></source>
<year>2006</year>
<publisher-loc><![CDATA[Coimbra ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Livraria Almedina]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B21">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
</name>
<name>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Polissemia e contexto: o problema dura da diferenciação de sentidos]]></article-title>
<source><![CDATA[Estudos Linguísticos]]></source>
<year>2010</year>
<volume>5</volume>
<page-range>353-367</page-range><publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições ColibriCLUNL]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
