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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Addressing some of the problematizations that characterize the critical debate within the Indian Ocean Studies (IOS), the aim of this paper is to tackle the Indian Ocean as an alternative, transnational paradigm that will allow the setting up of new epistemologies and critical cartographies within the field of the so called African Literatures.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><b>Narrando o(s) &Iacute;ndico(s). Reflex&otilde;es em torno das ‘geografias transnacionais do imagin&aacute;rio’</b></p>      <p><b>Narrating Indian ocean(s). Reflecting on ‘transnational imaginative geographies’</b></p>      <p><b>Elena Brugioni*</b></p>      <p>*Bolseira em P&oacute;s-doutoramento da Funda&ccedil;&atilde;o para a Ci&ecirc;ncia e a Tecnologia – Programa Operacional Potencial Humano e Fundo Social Europeu – [SFRH/BPD/62885/2009]. Investigadora no Centro de Estudos Human&iacute;sticos (CEHUM) da Universidade do Minho, Braga, Portugal. Professora Convidada do Instituto de Letras e Ci&ecirc;ncias Humanas (ILCH) da mesma Universidade.</p>      <p><a href="mailto:ebrugioni@ilch.uminho.pt ">ebrugioni@ilch.uminho.pt </a></p>      <p>&nbsp;</p>      <p> <b>RESUMO</b> </p>     <p>     <p>Convocando algumas das problematiza&ccedil;&otilde;es que marcam o debate cr&iacute;tico-te&oacute;rico no seio dos Estudos do &Iacute;ndico – <i>Indian Ocean Studies</i> – pretende-se reflectir em torno do Oceano &Iacute;ndico como paradigma transnacional alternativo cuja operacionaliza&ccedil;&atilde;o proporciona o surgir de novas epistemologias e cartografias cr&iacute;ticas no &acirc;mbito das chamadas <i>Literaturas Africanas</i>.</p> </p>     <p><b>Palavras chave</b>: Estudos do &Iacute;ndico; paradigma do &Iacute;ndico; Literaturas Africanas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p> <b>ABSTRACT</b> </p>     <p>     <p>Addressing some of the problematizations that characterize the critical debate within the <i>Indian Ocean Studies</i> (IOS), the aim of this paper is to tackle the Indian Ocean as an alternative, transnational paradigm that will allow the setting up of new epistemologies and critical cartographies within the field of the so called <i>African Literatures.</i> </p> </p>     <p><b>Keywords</b>: Indian Ocean Studies; Paradigm of the Indian Ocean; African Literatures.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p align="right"><i>A historical study centred on a stretch of water has all the charms but undoubtedly all the dangers of a new departure.</i>    <br> Fernand Braudel </p>      <p align="right"><i>The ethico&shy; political task of the humanities has always been the rearrangement of desires.</i>    <br> Gayatri Spivak </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>No Pref&aacute;cio ao ensaio <i>Indian Ocean Studies: Cultural, Social, and Political Perspectives</i> (Moorthy & Jamal, 2010), o historiador Michael Pearson, salientando algumas das vertentes e dos desenvolvimentos mais relevantes do campo de estudo sobre o Oceano &Iacute;ndico – <i>Indian Ocean Studies</i> –, convoca duas problem&aacute;ticas, a meu ver cruciais, e que se prendem, em primeiro lugar, com a marginalidade deste campo de estudos dentro da reflex&atilde;o hist&oacute;rica contempor&acirc;nea, evidenciando, em segundo lugar, a import&acirc;ncia dos Estudos do &Iacute;ndico para a cria&ccedil;&atilde;o de categorias e paradigmas cr&iacute;ticos e epistemol&oacute;gicos alternativos aos que pautam a an&aacute;lise hist&oacute;rica e, logo, social e cultural. No que concerne o primeiro aspecto, convocando o debate historiogr&aacute;fico que caracteriza os chamados Estudos Mar&iacute;timos no seio da historiografia contempor&acirc;nea <i>mainstream</i>, Pearson afirma: </p>      <blockquote>A recent discussion in the very prestigious and widely read <i>American Historical Review</i> was guilty of a major sin of omission. A long introduction by Karen Wigen was followed by analyses of the Mediterranean, the Atlantic, and the Pacific. Curious indeed that the Indian Ocean was ignored. Could the reason for this be that for most of its history the Indian Ocean was crossed and used by people from its littorals, not by Europeans, while the three examples chosen by Wigen were all dominated by Europeans for most or all of their histories? This complaint about a Eurocentric approach applies to an extent to a very recent book, Seascapes, where again the Indian Ocean is largely absent and European-and American-controlled oceans and subjects are privileged. Indeed this Eurocentric bias goes back a long way. Braudel’s study of the Mediterranean was notoriously weak on the southern, Islamic, shore of the sea. Even before this, early in the twentieth century, many European authorities considered the Indian Ocean to be only a “half ocean” as it did not extend far into the Northern Hemisphere! Despite this neglect from the American academic mainstream, historical studies of the Indian Ocean are in fact flourishing. (Pearson, 2010: xv)</blockquote>      <p>A quest&atilde;o salientada pelo estudioso relativamente &agrave; aus&ecirc;ncia do Oceano &Iacute;ndico no debate historiogr&aacute;fico contempor&acirc;neo &eacute; posta em rela&ccedil;&atilde;o com a marginalidade da presen&ccedil;a europeia neste Oceano, apontando de imediato para uma quest&atilde;o ideol&oacute;gica e conceptual relevante que convoca um conjunto de problematiza&ccedil;&otilde;es significativas no que concerne os objectos de estudo do campo disciplinar historiogr&aacute;fico, destacando a perspectiva <i>euroc&ecirc;ntrica</i> como poss&iacute;vel raz&atilde;o desta aparente subalterniza&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndico.</p>      <p>Por outras palavras, recorrendo &agrave; defini&ccedil;&atilde;o proposta por Dipesh Chakrabarty, pode-se evidenciar como a “provincializa&ccedil;&atilde;o da Europa” (2000) que o espa&ccedil;o-tempo do Oceano &Iacute;ndico opera, torna-se, porventura, uma das raz&otilde;es pelas quais este campo de estudo n&atilde;o parece beneficiar da mesma difus&atilde;o que caracteriza, por exemplo, os estudos sobre o Atl&acirc;ntico.<sup><a href="#1" name="top1" >[1]</a></sup> Este aspecto pode ser tamb&eacute;m salientado dentro de uma perspectiva mais situada tal como aquela dos estudos historiogr&aacute;ficos, culturais e pol&iacute;ticos que dizem respeito &agrave; hist&oacute;ria mar&iacute;tima e colonial portuguesa, onde o estudo do Atl&acirc;ntico, nas suas diversas articula&ccedil;&otilde;es, se destaca quantitativamente relativamente, por exemplo, aos estudos sobre o &Iacute;ndico.<sup><a href="#2" name="top2" >[2]</a></sup> Esta situa&ccedil;&atilde;o, cujas raz&otilde;es s&atilde;o de variada natureza, apontando para uma ampla e aprofundada problematiza&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel desenvolver no &acirc;mbito da reflex&atilde;o que me proponho apresentar neste texto, torna-se evidente observando, por exemplo, a produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica desenvolvida em torno do que vem sendo definido como <i>Atl&acirc;ntico Sul</i>, e os variad&iacute;ssimos estudos que se fundamentam na triangula&ccedil;&atilde;o entre a costa ocidental africana, o Brasil e Portugal, configurando o Oceano Atl&acirc;ntico – e a sua regi&atilde;o meridional – como uma categoria anal&iacute;tica de evidente interesse para uma an&aacute;lise hist&oacute;rica, antropol&oacute;gica, pol&iacute;tica e cultural sobretudo em contexto portugu&ecirc;s e brasileiro. Por outro lado, tendo em conta a especificidade da rela&ccedil;&atilde;o entre Portugal e o Oceano &Iacute;ndico, quer no per&iacute;odo pr&eacute;-moderno quer nas &eacute;pocas sucessivas<sup><a href="#3" name="top3" >[3]</a></sup>, os estudos do &Iacute;ndico deveriam representar uma perspectiva&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica matricial, merecendo, como tal, uma mais ampla e aprofundada abordagem conceptual e anal&iacute;tica.<sup><a href="#4" name="top4" >[4]</a></sup> </p>      <p>Voltando ao texto de Michael Pearson, uma segunda quest&atilde;o significativa salientada pelo estudioso prende-se com as potencialidades cr&iacute;ticas que os Estudos do &Iacute;ndico possuem no que concerne o surgir de novas categorias anal&iacute;ticas e paradigmas cr&iacute;ticos. </p>      <blockquote>The question then is whether studies of oceans can generate new and distinctive paradigms, or if they will merely add a little to existing land-based models. It could be that a cultural studies approach to the sea will contribute to the first, very ambitious, possibility. (Pearson, 2010: xvi)</blockquote>      <p>Segundo esta perspectiva, a import&acirc;ncia do &Iacute;ndico n&atilde;o reside apenas na sua especificidade enquanto objecto de estudo, mas sim na renova&ccedil;&atilde;o conceptual e epistemol&oacute;gica que deste pode surgir, proporcionando uma revis&atilde;o crucial das categorias anal&iacute;ticas que pautam a disciplina historiogr&aacute;fica, bem como as abordagens que se situam no &acirc;mbito dos estudos sociais, pol&iacute;ticos ou culturais. A este prop&oacute;sito, os estudos culturais e liter&aacute;rios dentro do campo dos Estudos do &Iacute;ndico possuem uma dimens&atilde;o “in&eacute;dita e inovadora” (Pearson, 2011), destacando-se como abordagens matriciais no que concerne o surgir de aparatos conceptuais e cr&iacute;ticos alternativos. Ali&aacute;s, neste sentido, afirma ainda Pearson:</p>      <blockquote>Literary studies, really combined with cultural studies tendencies, have only just begun to appear. Yet this area will undoubtedly flourish soon, inspired possibly by several important collections which only deal in part with our ocean. (Pearson, 2011: 80)</blockquote>      <p>E com efeito, passando em resenha aquela que pode ser considerada como a <i>bibliografia essencial</i> dos Estudos do Oceano &Iacute;ndico<sup><a href="#5" name="top5" >[5]</a></sup>, destacam-se quantitativamente um conjunto de perspetiva&ccedil;&otilde;es disciplinares e diacr&oacute;nicas espec&iacute;ficas. </p>      <p>No que concerne a dimens&atilde;o disciplinar, a produ&ccedil;&atilde;o de car&aacute;cter hist&oacute;rico, nas suas articula&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e antropol&oacute;gicas, sobressai como mais ampla e aprofundadamente desenvolvida. Ao mesmo tempo, pelo que diz respeito &agrave; dimens&atilde;o diacr&oacute;nica, &eacute; evidente o prevalecer de abordagens que se debru&ccedil;am sobre o per&iacute;odo anterior &agrave; chegada dos europeus no &Iacute;ndico e sobre a &eacute;poca pr&eacute;-moderna, permanecendo menos aprofundados os per&iacute;odos moderno e contempor&acirc;neo.<sup><a href="#6" name="top6" >[6]</a></sup> </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Para al&eacute;m disso, a produ&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e te&oacute;rica que se situa no campo dos <i>Indian Ocean Studies</i> &eacute; pautada por um conjunto de temas e quest&otilde;es transversais e significativas, tais como: <i>migra&ccedil;&atilde;o, cosmopolitismo, insularidade, pirataria, escravatura, trocas comerciais</i>, entre muitas outras, apontando para uma constela&ccedil;&atilde;o conceptual espec&iacute;fica que marca a reflex&atilde;o te&oacute;rica produzida sobre este contexto regional ou transnacional. </p>      <p>Do ponto de vista dos estudos liter&aacute;rios e culturais, os Estudos do &Iacute;ndico parecem apontar para um conjunto de potencialidades epistemol&oacute;gicas e conceptuais de grande relevo, proporcionando o surgir de cartografias cr&iacute;ticas alternativas e relevantes. Simultaneamente, o desenvolvimento de uma perspectiva cultural e liter&aacute;ria dentro dos Estudos do &Iacute;ndico permitiria um enriquecimento deste campo de estudo, contribuindo para a consolida&ccedil;&atilde;o de paradigmas alternativos dentro da &aacute;rea disciplinar, por exemplo, das chamadas <i>Literaturas Africanas.</i><sup><a href="#7" name="top7" >[7]</a></sup></p>      <p>Procurando aprofundar a dimens&atilde;o conceptual e epistemol&oacute;gica deste campo de estudo, pode-se salientar que os Estudos do Oceano &Iacute;ndico – <i>Indian Ocean Studies </i>[IOS], ao operacionalizar a rela&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;o e tempo na senda da reflex&atilde;o proposta por Fernand Braudel e logo encarando o <i>mar</i> como um lugar de rela&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas, econ&oacute;micas e tamb&eacute;m culturais (Braudel, 1985) –, proporcionam um conjunto de itiner&aacute;rios epistemol&oacute;gicos que configuram o Oceano &Iacute;ndicona perspectiva de uma “arena inter-regional” (Bose, 2006: 6) onde, tamb&eacute;m de um ponto de vista cultural, surgem <i>sujeitos, rela&ccedil;&otilde;es</i> e <i>representa&ccedil;&otilde;es</i> espec&iacute;ficas e alternativas. Ora, esta articula&ccedil;&atilde;o, no que concerne &agrave; perspectiva&ccedil;&atilde;o espacial, parte do pressuposto que, como salienta Kirti N. Chaundhury: </p>      <blockquote>Space is a more fundamental, rational and <i>a priori</i> dimension for social action than time-order and succession (…) Space takes precedence in historical understanding over its complementary field of chronology. (Chaundhury, 1990)</blockquote>      <p>No que concerne o aparato epistemol&oacute;gico e conceptual, complexificando a dimens&atilde;o relacional que caracteriza a abordagem proposta pelos chamados <i>area studies,</i> o Oceano &Iacute;ndico apresenta-se n&atilde;o apenas como um “sistema-mundo”, mas sim como uma dimens&atilde;o esp&aacute;cio-temporal capaz de conjugar, como afirma Sugata Bose, “a generalidade do sistema-mundo” com “as especificidades da dimens&atilde;o regional” (Bose, 2006) a entender-se n&atilde;o apenas como um “constructo espacial unit&aacute;rio”, mas sim como uma “rede de rela&ccedil;&otilde;es din&acirc;micas e estruturadas” (Chaundhury, 1990) cuja articula&ccedil;&atilde;o numa dimens&atilde;o esp&aacute;cio-temporal espec&iacute;fica permite salientar liga&ccedil;&otilde;es, contactos e disson&acirc;ncias entre “mundos” distintos e, todavia, cont&iacute;guos.</p>      <blockquote>The Indian Ocean is better characterized as an “interregional arena” rather than as a “system”, a term that has more rigid connotations. An interregional arena lies somewhere between the generalities of a “world system” and the specificities of particular regions. (Bose, 2006: 6) </blockquote>      <p>A articula&ccedil;&atilde;o entre entidade <i>regional</i> e <i>sistema-mundo</i> que a defini&ccedil;&atilde;o do Oceano &Iacute;ndico como uma “arena inter-regional” (Bose, 2006) pretende, de certa forma, complexificar fundamenta-se na necessidade de problematizar constructos espaciais que parecem, todavia, apontar para ideologias e rela&ccedil;&otilde;es de matriz colonial. Ali&aacute;s, neste sentido, como afirma o pr&oacute;prio Sugata Bose: </p>      <blockquote>Regional entities known today as the Middle East, South Asia and Southeast Asia which underpin the rubric of Area Studies in the Western academy, are relatively recent constructions that arbitrarily project certain legacies of colonial power onto the domain of knowledge in the post-colonial era. The world of the Indian Ocean, or for that matter, that of the Mediterranean, has a much greater depth of economic and cultural meaning. Tied together by webs of economic and cultural relationships, such arenas nevertheless had flexible internal and external boundaries. These arenas, where port cities formed the nodal points of exchange and interaction, have been so far mostly theorized, described, and analyzed only for the premodern and early modern periods. They have not generally formed the canvas on which scholars have written histories of modern era. (Bose, 2006: 6-7) </blockquote>      <p>Numa perspectiva liter&aacute;ria e cultural, a defini&ccedil;&atilde;o do Oceano &Iacute;ndico como “espa&ccedil;o de rela&ccedil;&otilde;es estruturadas” ou ainda como “arena inter-regional” e n&atilde;o na perspectiva de um <i>constructo unit&aacute;rio homog&eacute;neo</i> torna-se fundamental na medida em que proporciona uma reflex&atilde;o em torno de diferen&ccedil;as, ambiguidades e tens&otilde;es que se inscrevem neste espa&ccedil;o-tempo. No que concerne o desenvolvimento de uma perspectiva liter&aacute;ria dentro dos Estudos do &Iacute;ndico – e, logo, no que diz respeito &agrave; no&ccedil;&atilde;o de <i>Literaturas do &Iacute;ndico</i> na perspectiva de uma categoria cr&iacute;tica – salientar esta dimens&atilde;o <i>fragment&aacute;ria</i>, <i>diferencial </i>e <i>amb&iacute;gua</i> torna-se crucial em termos epistemol&oacute;gicos, proporcionando um contraponto entre representa&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o se fundamenta apenas em crit&eacute;rios de analogia ou semelhan&ccedil;a, mas tamb&eacute;m de diferen&ccedil;a, contraste e heterogeneidade, configurando o<i> &Iacute;ndico</i> como um paradigma comparativo e, simultaneamente, alternativo para ler e situar as propostas liter&aacute;rias e culturais que ilustram e se inscrevem naquilo que Devleena Ghosh and Stephen Muecke definem como “geografia transnacional do imagin&aacute;rio” (2007). </p>      <p>No que diz respeito &agrave;s chamadas Literaturas Africanas, este desdobramento cr&iacute;tico e conceptual torna-se particularmente interessante na medida em que permite analisar pelo menos duas quest&otilde;es matriciais. Por um lado, o &Iacute;ndico como <i>tema</i> e <i>motivo</i> nas representa&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias que se inscrevem neste espa&ccedil;o-tempo, observando de que forma diferentes pr&aacute;ticas liter&aacute;rias e culturais <i>definem</i> e <i>ilustram</i> este espa&ccedil;o e os seus significados no que concerne os contextos nacionais em que estas propostas habitualmente s&atilde;o situadas. Por outro lado, configura-se um <i>itiner&aacute;rio epistemol&oacute;gico</i> pautado por di&aacute;logos e contraponto entre escritas e representa&ccedil;&otilde;es diversificadas que surgem atrav&eacute;s do Oceano &Iacute;ndico, proporcionando o aparecimento e a consolida&ccedil;&atilde;o de <i>paradigmas cr&iacute;ticos e cartografias alternativas</i> para o estudo e an&aacute;lise de um <i>corpus</i> significativo das chamadas Literaturas Africanas.</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>Contudo, a pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o conceitual do Oceano &Iacute;ndico – e logo as epistemologias disciplinares que desta desembocam – constitui um aspecto problematizante e que pauta a reflex&atilde;o cr&iacute;tico-te&oacute;rica desenvolvida no seio dos mesmos <i>Indian Ocean Studies</i>. Ali&aacute;s, a defini&ccedil;&atilde;o do &Iacute;ndico como “arena inter-regional” proposta por Sugata Bose (2006) n&atilde;o constitui uma formula&ccedil;&atilde;o consensual, tratando-se de uma no&ccedil;&atilde;o cujas implica&ccedil;&otilde;es conceptuais e epistemol&oacute;gicas s&atilde;o questionadas e problematizadas, por exemplo, por Shanti Moorthy e Ashraf Jamal (2010), que, a este prop&oacute;sito, afirmam: </p>      <blockquote>The high seas of the Indian Ocean have never been mare <i>liberum</i> in the opportunistic Grotian sense, or mare <i>clausum</i>, but a shared communal space with intensely local capital and social intercourse. Hence, any study of the Indian Ocean will reveal the collision of the global and the local, not as a site for vulgar power and conquest, but genuine and by and large peaceable exchange, prior to the development of European expansionism. (Moorthy & Jamal, 2010: 3)</blockquote>      <p>Neste sentido, o &Iacute;ndico &eacute; configurado como um “espa&ccedil;o comum partilhado”, onde o “global” e o “local” entram numa colis&atilde;o te&oacute;rica e epistemol&oacute;gica relevante, proporcionando uma configura&ccedil;&atilde;o esp&aacute;cio-temporal que responde &agrave; dimens&atilde;o conceptual de uma &aacute;rea ou ainda de uma regi&atilde;o. </p>      <blockquote>We propose that <b>the Indian Ocean region</b> possesses an internal commonality which enables us to view it as an <b>area</b> in itself: commonalities of history, geography, merchant capital and trade, ethnicity, culture, and religion. This we contrast to Sugata Bose’s notion of an “interregional arena.” While usefully raising the possibility of viewing the Indian Ocean region as a human theatre which occupies interstices and straddles several regions, “interregionalism” runs the risk of diminishing the Indian Ocean region as a unique space, locking it into being a region between more significant regions, overshadowed by the concerns of nations with fixed borders and orchestrated histories, and continents that dominate by virtue of sheer mass. <b>We prefer to treat the Indian Ocean region as one</b>, among many, liminal spaces of hybrid evolution, an area whose boundaries are both moveable and porous, which brings us close to Devleena Ghosh and Stephen Muecke’s notion of <b>transnational imaginative geography</b>. (Moorthy & Jamal, 2010: 4; negrito da autora) </blockquote>      <p>A reflex&atilde;o desenvolvida por Moorthy e Jamal procede de algumas das quest&otilde;es mais problematizantes que caracterizam o debate cr&iacute;tico produzido no seio dos pr&oacute;prios <i>area studies</i>, focando uma quest&atilde;o, a meu ver, particularmente significativa pautada pela necessidade de encarar o Oceano &Iacute;ndico como uma entidade regional aut&oacute;noma e n&atilde;o apenas como uma “zona de contacto” (Pratt, 1992) e, deste modo, atribuindo a este espa&ccedil;o-tempo a dimens&atilde;o de uma “geografia transnacional do imagin&aacute;rio” (Ghosh & Muecke, 2007). A este prop&oacute;sito, a reflex&atilde;o desenvolvida pelos autores convoca a produ&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica que surge no debate em torno da categoria de sistema-mundo<sup><a href="#8" name="top8" >[8]</a></sup>, procurando deste modo refor&ccedil;ar a configura&ccedil;&atilde;o do Oceano &Iacute;ndico como uma unidade de an&aacute;lise. </p>      <blockquote>Reorienting significance and temporality features large in Andre Gunder Frank’s application of world system analysis, advocating one, rather than many, world systems. <b>This not only restores the Indian Ocean world to its place in the panoply of human history, but allows this region to be treated as a unit for analysis</b> in a contemporary world which Frank proposes has always been international, economically integrated and globally interconnected. (Moorthy & Jamal, 2010: 10; negrito da autora)</blockquote>      <p>Ora, dentro de uma perspectiva&ccedil;&atilde;o que encara o espa&ccedil;o-tempo do Oceano &Iacute;ndico como paradigma cr&iacute;tico e epistemol&oacute;gico unit&aacute;rio, surge uma dimens&atilde;o microl&oacute;gica e conceptual, a meu ver significativa, que reposiciona a rela&ccedil;&atilde;o entre espa&ccedil;o e humanidade, providenciando uma articula&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e epistemol&oacute;gica crucial tendo em vista o desenvolvimento dos Estudos do &Iacute;ndico numa perspectiva cultural e liter&aacute;ria.</p>      <blockquote>To speak of a “human ocean,” then, is not merely to speak adjectivally, or metaphorically, but to harness human cultural practice to the element which has made it possible. Moreover, to think the oceanic human is also to affirm “the rearrangement of desires” within the ethico-political sphere of the humanities. (Moorthy & Jamal, 2010: 14)</blockquote>      <p>Por outras palavras, a dimens&atilde;o espacial e humana configura-se como um elemento paradigm&aacute;tico e indispens&aacute;vel para uma abordagem hist&oacute;rica, pol&iacute;tica e tamb&eacute;m cultural de sujeitos, situa&ccedil;&otilde;es e rela&ccedil;&otilde;es dentro de uma dimens&atilde;o contextual espec&iacute;fica tal como parece ser a do Oceano &Iacute;ndico. A articula&ccedil;&atilde;o entre a perspectiva regional e a dimens&atilde;o humana – <i>the human ocean </i>– constitui um aparato conceptual particularmente eficaz para ler e situar algumas das propostas liter&aacute;rias das chamadas <i>Literaturas do &Iacute;ndico</i>, proporcionando itiner&aacute;rios cr&iacute;ticos e conceptuais significativos no que concerne, por exemplo, a rela&ccedil;&atilde;o entre hist&oacute;ria e experi&ecirc;ncia, identidade e imagin&aacute;rios, indiv&iacute;duo e comunidade, espa&ccedil;o e hist&oacute;ria. </p>      <p>Em geral, de um ponto de vista cultural e liter&aacute;rio, tal como evidencia Isabel Hofmeyr: </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>  We need to think of the Indian Ocean as the site <i>par excellence</i> of ‘alternative modernities’; those formations of modernity that have taken shape in an archive of deep and layered existing social and intellectual traditions.    <br>  (…) Understanding political discourse and action, then, becomes a task of understanding a complex layered precolonial, colonial and postcolonial archive in which versions of modernity are negotiated in an ever-shifting set of idioms around ‘tradition’. (Hofmeyr, 2007: 13)  </blockquote>      <p>Ora, as implica&ccedil;&otilde;es que as diferentes reflex&otilde;es te&oacute;ricas aqui convocadas parecem possuir no que concerne a articula&ccedil;&atilde;o dos Estudos do &Iacute;ndico na perspectiva disciplinar dos Estudos Culturais e Liter&aacute;rios s&atilde;o mult&iacute;plices e significativas.</p>      <p>Em primeiro lugar, operacionalizando o “paradigma do &Iacute;ndico” as constela&ccedil;&otilde;es conceptuais que pautam, por exemplo, a cr&iacute;tica &agrave;s <i>Literaturas Africanas</i> – <i>tradi&ccedil;&atilde;o, modernidade, na&ccedil;&atilde;o, diferen&ccedil;a, ra&ccedil;a, comunidade,</i> entre outras – beneficiariam de uma revis&atilde;o situada, capaz de contribuir para a desconstru&ccedil;&atilde;o dos processos de “comodifica&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a” (Ahmad, 1992) que caracterizam v&aacute;rias inst&acirc;ncias de recep&ccedil;&atilde;o das<i> Literaturas Africanas</i><sup><a href="#9" name="top9" >[9]</a></sup>, redefinindo, deste modo, o aparato cr&iacute;tico que molda as epistemologias liter&aacute;rias p&oacute;s-coloniais, e salientando aparatos conceptuais alternativos e, sobretudo, imagin&aacute;rios e repert&oacute;rios culturais in&eacute;ditos.</p>      <p>Para al&eacute;m disso, esta revis&atilde;o conceptual e epistemol&oacute;gica permitiria o surgimento de constela&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas diversificadas que, por exemplo, n&atilde;o se fundamentam apenas numa rela&ccedil;&atilde;o de oposi&ccedil;&atilde;o entre <i>colonialidade</i> e <i>condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-colonial</i>, e onde um conjunto de di&aacute;logos e rela&ccedil;&otilde;es que esbatem as cartografias lingu&iacute;sticas poderiam ocorrer, proporcionando uma revis&atilde;o situada das especificidades que marcam o campo cr&iacute;tico das <i>Literaturas Africanas</i> e o aparato te&oacute;rico produzido no seio dos chamados estudos p&oacute;s-coloniais. </p>      <p>A este prop&oacute;sito, pense-se, por exemplo, na reflex&atilde;o proposta por Isabel Hofmeyr sobre “as pessoas e os tr&acirc;nsitos” [<i>people and passages</i>] no Oceano &Iacute;ndico (2007: 10), sugerindo uma redefini&ccedil;&atilde;o situada dos conceitos de escravo – <i>slave</i> –, colono – <i>settler</i> – e migrante – <i>free migrant</i> – dentro de uma perspectiva&ccedil;&atilde;o esp&aacute;cio-temporal espec&iacute;fica, pensada a partir de uma dimens&atilde;o diferencial relacionada com as especificidades que marcam, por exemplo, os estudos do Oceano Atl&acirc;ntico. Neste sentido, algumas propostas liter&aacute;rias que se situam no espa&ccedil;o-tempo do &Iacute;ndico sugerem configura&ccedil;&otilde;es <i>sui generis</i>, proporcionando itiner&aacute;rios e reflex&otilde;es de grande pertin&ecirc;ncia sobretudo no que diz respeito &agrave;s constela&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas e te&oacute;ricas em torno da problem&aacute;tica <i>identit&aacute;ria </i>e<i> racial</i>, na sua perspectiva&ccedil;&atilde;o em termos end&oacute;genos e ex&oacute;genos e de inscri&ccedil;&atilde;o no espa&ccedil;o nacional.<sup><a href="#10" name="top10" >[10]</a></sup> </p>      <p>No que diz respeito &agrave;s chamadas <i>Literaturas Africanas de l&iacute;ngua portuguesa</i>, um paradigma como o &Iacute;ndico facultaria uma perspectiva&ccedil;&atilde;o relacional, ainda hoje, pouco desenvolvida referente a uma abordagem, por exemplo, da Literatura Mo&ccedil;ambicana numa dimens&atilde;o transnacional, determinando uma redefini&ccedil;&atilde;o de <i>temas</i>, <i>imagin&aacute;rios,</i> <i>especificidades </i>e <i>problemas</i> que pautam algumas das representa&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias contempor&acirc;-neas.<sup><a href="#11" name="top11" >[11]</a></sup> Trata-se de uma abordagem cr&iacute;tica e epistemol&oacute;gica que redefine o campo sem&acirc;ntico e os repert&oacute;rios culturais convocados e apontados por esta literatura, contribuindo, simultaneamente, para uma reconfigura&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o entre <i>medium</i> liter&aacute;rio e vertentes contextuais espec&iacute;ficas. Neste sentido, como salienta Francisco Noa:</p>      <blockquote>[O] Oceano &Iacute;ndico (...) institui-se como fonte e motiva&ccedil;&atilde;o de diferentes universalismos e modernidades que, de certo modo, desafiam as variantes europeias e ocidentais, sobretudo as que est&atilde;o inevitavelmente ligadas a processos de afirma&ccedil;&atilde;o hegem&oacute;nica. Assim, vemos desenhar-se uma cartografia que vai muito al&eacute;m dos limites fronteiri&ccedil;os sejam eles locais ou nacionais e que apostando na imagina&ccedil;&atilde;o transcende a “era da territorialidade” (Bose, 2006: 277) identit&aacute;ria e cultural que caracterizou o per&iacute;odo de afirma&ccedil;&atilde;o nacionalista. (Noa, 2012)</blockquote>      <p>Pensando em algumas das propostas liter&aacute;rias que pautam, por exemplo, a Literatura Mo&ccedil;ambicana sobressaem escritas que convocam dimens&otilde;es espaciais e temporais que redefinem o repert&oacute;rio cultural dito nacional, reposicionando a especificidade de sujeitos e contextos dentro de uma dimens&atilde;o transnacional emblem&aacute;tica.<sup><a href="#12" name="top12" >[12]</a></sup> &Eacute; por via de uma rela&ccedil;&atilde;o complexa entre <i>tempo </i>e<i> espa&ccedil;o</i> que algumas obras liter&aacute;rias mo&ccedil;ambicanas apontam para uma dimens&atilde;o contextual que esbate as fronteiras do espa&ccedil;o nacional, convocando rela&ccedil;&otilde;es e din&acirc;micas que devem ser observadas atrav&eacute;s de uma perspectiva&ccedil;&atilde;o que se situa fora de uma cartografia lingu&iacute;stica e geogr&aacute;fica <i>apenas</i> nacional<sup><a href="#13" name="top13" >[13]</a></sup> e sugerindo, deste modo, uma reconfigura&ccedil;&atilde;o dos paradigmas que fundamentam as cartografias cr&iacute;ticas e, logo, as epistemologias para ler e situar as escritas africanas modernas e contempor&acirc;neas. Ali&aacute;s, observando algumas das propostas liter&aacute;rias de alguns autores contempor&acirc;neos cujas escritas convocam o espa&ccedil;o simb&oacute;lico, cultural e geogr&aacute;fico do &Iacute;ndico<sup><a href="#14" name="top14" >[14]</a></sup>, sobressaem um conjunto de poss&iacute;veis contrapontos cuja operacionaliza&ccedil;&atilde;o proporciona o aparecimento de novas rela&ccedil;&otilde;es entre contextos e representa&ccedil;&otilde;es, facultando a redefini&ccedil;&atilde;o de quest&otilde;es e epistemologias atrav&eacute;s das quais s&atilde;o lidas e situadas as escritas liter&aacute;rias contempor&acirc;neas e, logo, configurando o Oceano&Iacute;ndico como “um novo paradigma para um transnacionalismo do Sul Global no que concerne as rela&ccedil;&otilde;es culturais e liter&aacute;rias” (Hofmeyr, 2007).<sup><a href="#15" name="top15" >[15]</a></sup></p>      <p>Em suma, a necessidade de abordagens cr&iacute;ticas e epistemol&oacute;gicas de matriz <i>heterogl&oacute;ssica</i>, <i>transnacional e transdisciplinar </i>n&atilde;o constitui apenas uma urg&ecirc;ncia do ponto de vista do c&acirc;none cr&iacute;tico das <i>Literaturas Africanas</i> mas tamb&eacute;m institui-se como um pressuposto fundamental em vista de uma consolida&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica e articulada do campo dos <i>Estudos do &Iacute;ndico</i>. Por conseguinte, o estudo e a reflex&atilde;o em torno do &Iacute;ndico parece fundamentar-se numa abordagem transdisciplinar, onde o contraponto entre &aacute;reas disciplinares e campos do saber diversificados constitui o caminho imprescind&iacute;vel para que diferentes cartografias cr&iacute;ticas e, logo, epistemologias alternativas venham surgindo, contribuindo, por um lado, para uma revis&atilde;o dos aparatos que pautam a cr&iacute;tica human&iacute;stica em vista da reconfigura&ccedil;&atilde;o dos significados das representa&ccedil;&otilde;es liter&aacute;rias na contemporaneidade p&oacute;s-colonial e, por um outro, concorrendo para uma defini&ccedil;&atilde;o mais completa e org&acirc;nica dos <i>Estudos do &Iacute;ndico</i> cuja articula&ccedil;&atilde;o numa perspectiva liter&aacute;ria e cultural permanece um itiner&aacute;rio cr&iacute;tico e conceptual todavia por delinear. </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>AGRADECIMENTOS – Como Coorganizadora deste dossier tem&aacute;tico <i>Narrando o &Iacute;ndico</i> gostaria de dirigir os meus mais sinceros agradecimentos a todos os autores que partilharam connosco “os encantos e os perigos” das suas <i>viagens pelo &Iacute;ndico</i>, tornando poss&iacute;vel a concretiza&ccedil;&atilde;o daquilo que esperamos possa ser um passo decisivo “para umas novas partidas”. Um agradecimento especial &agrave; Directora do CEHUM, Ana Gabriela Macedo, ao Coordenador da Revista Diacr&iacute;tica–Literatura, Orlando Grossegesse e &agrave;s indispens&aacute;veis colegas e amigas: Andreia Sarabando, Jessica Falconi, Joana Passos e Marie&shy;Manuelle Silva.</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><b>Refer&ecirc;ncias</b></p>      <!-- ref --><p>Ahmad, Aijaz (1992), <i>In Theory: Classes, Nations, Literatures</i>. London and New York: Versus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000066&pid=S0807-8967201300030000800001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Almeida, Miguel Vale de (2000), <i>Um Mar da Cor da Terra. “Ra&ccedil;a”, Cultura e Pol&iacute;tica da Identidade</i>. Oeiras: Celta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000068&pid=S0807-8967201300030000800002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Alpers, Edward A. (1975), <i>Ivory and Slaves: Changing Patterns of International Trade in East Africa to the Later Nineteen Century. </i>Berkeley: Berkeley University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000070&pid=S0807-8967201300030000800003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Bethencourt, Francisco & Chaudhuri, Kirti (1998-2000), <i>Histo&acute;ria da Expansa~o Portuguesa.</i> Lisboa: Temas e Debates.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000072&pid=S0807-8967201300030000800004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Borges Coelho, Jo&atilde;o Paulo (2004), <i>As Visitas do Dr Valdez</i>. Lisboa: Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000074&pid=S0807-8967201300030000800005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (2005), <i>&Iacute;ndicos Ind&iacute;cios, Meridi&atilde;o e Setentri&atilde;o</i> (2 vols). Lisboa: Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000076&pid=S0807-8967201300030000800006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Bose, Sugata (2006), <i>A Hundred Horizons: The Indian Ocean in an Age of Global Imperialism</i>. Cambridge, Mass.: Harvard University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000078&pid=S0807-8967201300030000800007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Boxer, Charles R. (1963), <i>Race Relations in Portuguese Colonial Empire. 1415-1825. </i>Oxford: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000080&pid=S0807-8967201300030000800008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Braudel, Fernand (1985), <i>La M&eacute;diterran&eacute;e, vol. 1: L’espace et l’histoire, vol. 2: Les hommes et l’h&eacute;ritage.</i> Paris: Flammarion, 1985.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000082&pid=S0807-8967201300030000800009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Brugioni, Elena (2012), “<i>Contiguidades Ambi&acute;guas</i>: Cri&acute;tica Po&acute;s-colonial e Literaturas Africanas”, in A. M. Leite <i>et al.</i> (orgs.) (2013), <i>Nac&cedil;a~o e Narrativa Po&acute;s-Colonial</i> – I.Lisboa: Edic&cedil;o~es Colibri, pp. 379-394.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000084&pid=S0807-8967201300030000800010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (2012a), <i>Mia Couto. Representa&ccedil;&atilde;o, Hist&oacute;ria(s) e P&oacute;s-colonialidade</i>. V.N. Famali&ccedil;&atilde;o: H&uacute;mus Ed. / CEHUM.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000086&pid=S0807-8967201300030000800011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Campbell, Gwyn (ed.) (2004), <i>The Structure of Slavery in Indian Ocean Africa and Asia.</i> London: Frank Cass.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000088&pid=S0807-8967201300030000800012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Capela, Jos&eacute; (2002), <i>O Tr&aacute;fico de Escravos nos Portos de Mo&ccedil;ambique. </i>Porto: Afrontamento.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000090&pid=S0807-8967201300030000800013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Chakrabarty, Dipesh (2000), <i>Provincializing Europe. Postcolonial Thought and Historical Difference</i>. Princeton: Princeton University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000092&pid=S0807-8967201300030000800014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Chaudhury, Kirti N. (1990), <i>Asia before Europe: Economy and Civilization of the Indian Ocean from the rise of Islam to 1750</i>. Cambridge Eng. Cambridge UP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000094&pid=S0807-8967201300030000800015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Devi, Ananda (2001), <i>Pagli. </i>Paris: Gallimard.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000096&pid=S0807-8967201300030000800016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Falconi, Jessica (2008), <i>Utopia e conflittualit&agrave;. Ilha de Mo&ccedil;ambique nella poesia mozambicana contemporanea</i>. Roma: Aracne.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000098&pid=S0807-8967201300030000800017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Farah, Nuruddin (2007), <i>Knots</i>. London: Riverhead Books / Penguin.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000100&pid=S0807-8967201300030000800018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Fawaz, Leila Tarazi <i>et al</i>. (eds.) (2002), <i>Modernity and Culture: From the Mediterranean to the Indian Ocean.</i> New York: Columbia University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000102&pid=S0807-8967201300030000800019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Frank, Andre Gunder (1998), <i>ReOrient: Global Economy in the Asian Age</i>. Los Angeles, CA: University of California Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000104&pid=S0807-8967201300030000800020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Frank, Andre Gunder & Gills, Barry K., (2000), “The Five Thousand Year World System in Theory and Praxis”, in Robert Denemark <i>et al</i>., <i>World System History: Social Science of Long Term Change</i>, London / NewYork: Routledge, 2000, pp. 3-23.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000106&pid=S0807-8967201300030000800021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Garcia, Mar; Hand, Felicity & Can, Nazir (orgs.) (2010), <i>INDICITIES/INDICES/IND&Iacute;CIOS. Hybridations probl&eacute;matiques dans les litt&eacute;ratures de l’Oc&eacute;an Indien. </i>Ille-sur-T&ecirc;t<i>: </i>&Eacute;dition K’A.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000108&pid=S0807-8967201300030000800022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Garuba, Henry (2009), “The Critical Reception of the African Novel”, in: F. Abiola Irele (ed.), <i>The Cambridge Companion to the African Novel</i>. Cambridge: Cambridge University Press, 2009, pp. 243-262.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000110&pid=S0807-8967201300030000800023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Ghosh, Devleena & Muecke, Stephen (eds.) (2007), <i>Cultures of Trade: Indian Ocean Exchanges</i>. Newcastle, UK: Cambridge Scholars Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000112&pid=S0807-8967201300030000800024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gilroy, Paul (1993), <i>The Black Atlantic: Modernity and Double Consciousness. </i>London: Verso.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000114&pid=S0807-8967201300030000800025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gupta, Pamila; Hofmeyr, Isabel & Pearson, Michael (orgs.) (2010), <i>Eyes Across the Water. Navigating the Indian Ocean.</i> Unisa Press & Penguin India.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000116&pid=S0807-8967201300030000800026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Gurnah, Abdulrazak (1994), <i>Paradise. </i>New York: New Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000118&pid=S0807-8967201300030000800027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Henriques, Isabel Castro (2004), <i>Os pilares da diferenc&cedil;a: relac&cedil;o~es Portugal-A&acute;frica.</i> S&eacute;culos XV-XX. Lisboa: Caleidosc&oacute;pio.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000120&pid=S0807-8967201300030000800028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Hofmeyr, Isabel (2007), “The Black Atlantic meets The Indian Ocean: Forging New Paradigms for transnationalism for the Global South. Literary and Cultural Perspectives”, <i>Social Dynamics</i>. <i>A Journal of African Studies, </i>33(2), pp. 3-32.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000122&pid=S0807-8967201300030000800029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Huggan, Graham (2001), <i>The Postcolonial Exotic. Marketing the Margins</i>. London / New York: Rutledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000124&pid=S0807-8967201300030000800030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Kearney, Milo (2004), <i>The Indian Ocean in World History . </i>London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000126&pid=S0807-8967201300030000800031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Leite, Ana Mafalda <i>et al</i>. (orgs.) (2013), <i>Nac&cedil;a~o e Narrativa Po&acute;s-Colonial</i> – I.Lisboa: Colibri.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000128&pid=S0807-8967201300030000800032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Martins, Ana Margarida (2012), <i>Magic Stones and Flying Snakes. Gender and the ‘Postcolonial Exotic’ in the Work of Paulina Chiziane and L&iacute;dia Jorge. </i>Oxford: Peter Lang.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000130&pid=S0807-8967201300030000800033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>M’Bokolo, Elikia (2003), <i>A&acute;frica Negra: histo&acute;ria e civilizac&cedil;o~es</i>. Lisboa: Vulgata (2 vols.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000132&pid=S0807-8967201300030000800034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->).</p>      <!-- ref --><p>McPhearson, Kenneth (1993), T<i>he Indian Ocean: A History of People and the Sea.</i> Delhi: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000134&pid=S0807-8967201300030000800035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Mendon&ccedil;a, F&aacute;tima (2011), <i>Literatura Mo&ccedil;ambicana, as dobras da escrita</i>. Maputo: Ndjira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000136&pid=S0807-8967201300030000800036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Moorthy, Shanti & Jamal, Ashraf (eds.) (2010), <i>Indian Ocean studies: cultural, social, and political perspectives</i>. New York: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000138&pid=S0807-8967201300030000800037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Noa, Francisco (2012), “Oceano &Iacute;ndico e a dispers&atilde;o identit&aacute;ria: o caso de Mo&ccedil;ambique”. Comunica&ccedil;&atilde;o apresentada na Conferencia Internacional <i>Os intelectuais africanos face aos desafios do s&eacute;c. XXI</i>. Em Mem&oacute;ria de Ruth First / Celebra&ccedil;&atilde;o dos 50 anos da UEM. Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, Maputo, 28 e 29 de Novembro, 2012 [texto in&eacute;dito].    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000140&pid=S0807-8967201300030000800038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p><i>OCEANOS. </i>Revista editada pela Comiss&atilde;o Nacional para as Comemora&ccedil;&otilde;es dos Descobrimentos Portugueses entre 1989 e 2002<i>.</i> <a href="http://ww3.fl.ul.pt/unidades/centros/c_historia/SiteRHM/oceanos.html" target="_blank">http://ww3.fl.ul.pt/unidades/centros/c_historia/SiteRHM/oceanos.html</a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000142&pid=S0807-8967201300030000800039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p>Okapi, Sangare (2007), <i>Mesmos Barcos ou Poemas de Revisita&ccedil;&atilde;o do Corpo</i>. Maputo: AEMO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000143&pid=S0807-8967201300030000800040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Pearson, Michael N. (2011), “History of the Indian Ocean: a Review Essay”, WASAFIRI,26 (2), pp. 78-99.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000145&pid=S0807-8967201300030000800041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (2003), <i>The Indian Ocean. </i>London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000147&pid=S0807-8967201300030000800042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>––––, (1998), <i>Port Cities and Intruders: The Swahili Coast, India and Portugal in the Early Modern Era.</i> Baltimore, MD: Johns Hopkins University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000149&pid=S0807-8967201300030000800043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Perez, Rosa Maria (org.) (1998), <i>Culturas do &Iacute;ndico. </i>Comiss&atilde;o Nacional para as Comemora&ccedil;&otilde;es dos Descobrimentos Portugueses.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000151&pid=S0807-8967201300030000800044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Pratt, Mary Louise (1992), <i>Imperial Eyes: Travel Writing and Transculturation</i>. London: Routledge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000153&pid=S0807-8967201300030000800045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Santos, Boaventura de Sousa (2001), “Entre Pr&oacute;spero e Caliban: colonialismo, p&oacute;s-colonialismo e inter-identidade”, in Maria Irene Ramalho & Ant&oacute;nio Sousa Ribeiro (orgs.) (2001), <i>Entre ser e estar. Ra&iacute;zes, percursos e discursos da identidade</i>. Porto: Afrontamento, pp. 23-85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000155&pid=S0807-8967201300030000800046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Shohat, Ella & Stam, Robert (2012), <i>Race in Translation: Culture Wars Around the Postcolonial Atlantic</i>. New York: New York University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000157&pid=S0807-8967201300030000800047&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>Spivak, Gayatri C. (2008), <i>Other Asias.</i> Oxford, UK: Blackwell Publishing.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000159&pid=S0807-8967201300030000800048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Tim&oacute;teo, Adelino (2002), <i>Viagem &agrave; Gr&eacute;cia atrav&eacute;s da Ilha de Mo&ccedil;ambique</i>. Maputo: Ndjira.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000161&pid=S0807-8967201300030000800049&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p>Vassanji, MG (2003), <i>The In-between World of Vikram Lall</i>. Canongate.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000163&pid=S0807-8967201300030000800050&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </p>      <!-- ref --><p>Verg&eacute;s, Fran&ccedil;oise (2003) “Writing on Water: Peripheries, Flows, Capital, and Struggles in the Indian Ocean”, <i>Positions: East Asia Cultures Critique</i>. Special issue, <i>The Afro-Asian Century</i>. 11 (1), pp. 241–57.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000165&pid=S0807-8967201300030000800051&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <!-- ref --><p>White, Eduardo (1998), <i>Janela para Oriente</i>. Lisboa: Caminho.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=000167&pid=S0807-8967201300030000800052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>(a autora segue a antiga ortografia)</p>      <p>[Recebido em 26 de setembro de 2013 e aceite para publica&ccedil;&atilde;o em 5 de novembro de 2013]</p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><b>Notas</b></p>      <p><sup><a href="#top1" name="1" >[1]</a></sup> Refiro-me, por exemplo, na diferen&ccedil;a quantitativa entre os estudos sobre o com&eacute;rcio de escravos no Oceano Atl&acirc;ntico e no &Iacute;ndico, ou ainda na reflex&atilde;o te&oacute;rica produzida em torno da matriz identit&aacute;ria ligada ao Atl&acirc;ntico, na senda da reflex&atilde;o proposta, por exemplo, por Paul Gilroy (1993). Para uma problematiza&ccedil;&atilde;o em torno do “paradigma do Atl&acirc;ntico” em contraste com a reflex&atilde;o sobre o &Iacute;ndico, veja-se: Hofmeyr 2007. Para uma questionamento mais alargado deste conceito, dentro de uma perspectiva te&oacute;rica p&oacute;s-colonial, veja-se: Shohat & Stam 2012. No que diz respeito aos estudos sobre o com&eacute;rcio de escravos no &Iacute;ndico <i>africano</i>, vejam-se, por exemplo, os estudos desenvolvidos por Edward A. Alpers (1975), Charles R. Boxer (1963) e Jos&eacute; Capela (2002).</p>      <p><sup><a href="#top2" name="2" >[2]</a></sup> Pense-se, por exemplo, na categoria do Atl&acirc;ntico em fun&ccedil;&atilde;o da ideologia da mesti&ccedil;agem e, logo, do luso-tropicalismo proposto por Gilberto Freyre, bem como nas articula&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas que prop&otilde;em a sua desconstru&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e epistemol&oacute;gica (Almeida, 2000; Santos, 2001). Em geral, na reflex&atilde;o critica e te&oacute;rica da chamada p&oacute;s-colonialidade no espa&ccedil;o-tempo de l&iacute;ngua portuguesa, o Atl&acirc;ntico configura-se como uma categoria de an&aacute;lise estabelecida qualitativa e quantitativamente. </p>      <p><sup><a href="#top3" name="3" >[3]</a></sup> Veja-se, a este prop&oacute;sito, alguns estudos fundamentais, tais como: Alpers, 1975; Bethencourt & Chaudhuri, 1998-2000; Boxer, 1963; Capela, 2002; Henriques, 2004; M’Bokolo, 2003. </p>      <p><sup><a href="#top4" name="4" >[4]</a></sup> No que concerne os Estudos do &Iacute;ndico no contexto portugu&ecirc;s contempor&acirc;neo &eacute; de se destacar a obra pioneira organizada por Rosa Maria Perez, <i>Culturas do &Iacute;ndico</i> (Perez,1998) e tamb&eacute;m a Revista <i>Oceanos, </i>editada pela Comiss&atilde;o Nacional para as Comemora&ccedil;&otilde;es dos Descobrimentos Portugueses entre 1989 e 2002. Para al&eacute;m disso, um amplo e diversificado <i>corpus</i> de estudos – hist&oacute;ricos, antropol&oacute;gicos, sociais e culturais – vem caracterizando a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica sobre o &Iacute;ndico, sobretudo no que concerne a hist&oacute;ria mar&iacute;tima portuguesa, entre a costa da &Aacute;frica Oriental e a &Aacute;sia, na &eacute;poca imperial e no per&iacute;odo moderno. Em geral, este <i>corpus</i> &eacute; caracterizado por abordagens de contextos nacionais ou regionais espec&iacute;ficos – Mo&ccedil;ambique, Goa, entre outros – permanecendo todavia pouco desenvolvida uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica e epistemol&oacute;gica daquilo que pode ser definido como “paradigma do &Iacute;ndico”. Neste sentido, e antecipando a problematiza&ccedil;&atilde;o que pretendo desenvolver neste texto, poder-se-ia dizer que o Oceano &Iacute;ndico parece responder, em termos epistemol&oacute;gicos, a uma “arena inter-regional” (Bose, 2006) mais do que a uma “&aacute;rea” ou a uma “regi&atilde;o” (Moorthy & Jamal, 2010), n&atilde;o constituindo todavia uma categoria de an&aacute;lise unit&aacute;ria, cr&iacute;tica e epistemologicamente consolidada. </p>      <p><sup><a href="#top5" name="5" >[5]</a></sup> Para uma primeira indica&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica relativamente aos <i>Indian Ocean Studies,</i> dentro de uma produ&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica vasta e diversificada<i>, </i>veja-se: Moorthy & Jamal, 2010; Bose, 2006; Campbell, 2004; Kearney, 2004; Pearson, 2003 e 1998; Fawaz & Bayly, 2002; McPherson, 1993; Verg&egrave;s, 2003, entre outros. </p>      <p><sup><a href="#top6" name="6" >[6]</a></sup> A este prop&oacute;sito veja-se a revis&atilde;o da literatura proposta por Michael Pearson (2011).</p>      <p><sup><a href="#top7" name="7" >[7]</a></sup> O recurso &agrave; defini&ccedil;&atilde;o de <i>Literaturas Africanas</i> &eacute; feito ressalvando os limites cr&iacute;ticos e operacionais apontados, a meu ver, por esta categoria; da&iacute; a op&ccedil;&atilde;o pela grafia em it&aacute;lico.</p>      <p><sup><a href="#top8" name="8" >[8]</a></sup> Os autores referem-se &agrave; teoriza&ccedil;&atilde;o produzida por Andre Gunder Frank no que concerne a defini&ccedil;&atilde;o de sistema-mundo (Frank, 1998; Frank <i>& </i>Gills 2000).</p>      <p><sup><a href="#top9" name="9" >[9]</a></sup> Para uma reflex&atilde;o cr&iacute;tica em torno dos processos de <i>comodifica&ccedil;&atilde;o das margens</i> que caracterizam a recep&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica das <i>Literaturas Africanas</i> em geral e mais especificamente as<i> de l&iacute;ngua portuguesa</i>, veja-se, respetivamente: Huggan (2001) e Garuba (2009); Martins (2012) e Brugioni (2012; 2012a).</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><sup><a href="#top10" name="10" >[10]</a></sup> A este prop&oacute;sito, penso, por exemplo, em romances contempor&acirc;neos como: <i>The In-between World of Vikram Lall</i> de MG Vassanji (2003), <i>As Visitas do Dr Valdez</i> de Jo&atilde;o Paulo Borges Coelho (2005), <i>Knots</i> de Nuruddin Farah (2007), <i>Pagli </i>de Ananda Devi (2001), <i>Paradise</i> de Abdulrazak Gurnah (1994), entre um amplo e diversificado <i>corpus</i> – n&atilde;o apenas liter&aacute;rio – que ‘ilustra’ esta problematiza&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria. </p>      <p><sup><a href="#top11" name="11" >[11]</a></sup> Para uma leitura da poesia mo&ccedil;ambicana atrav&eacute;s do paradigma do &Iacute;ndico, veja-se: Falconi (2008), Mendon&ccedil;a (2011), Noa (2012) e Leite <i>et al</i>. (2012).</p>      <p><sup><a href="#top12" name="12" >[12]</a></sup> A este prop&oacute;sito, no que diz respeito ao romance mo&ccedil;ambicano contempor&acirc;neo pense-se, por exemplo, na obra liter&aacute;ria de Jo&atilde;o Paulo Borges Coelho (2004; 2005); por outro lado, no que concerne a poesia contempor&acirc;nea, escritores como Eduardo White (1998), Sengare Okapi (2007), Adelino Tim&oacute;teo (2002) s&atilde;o apenas alguns dos autores cujas obras liter&aacute;rias convocam o espa&ccedil;o-tempo do &Iacute;ndico, apontando para imagin&aacute;rios alternativos e rela&ccedil;&otilde;es transnacionais significativas.</p>      <p><sup><a href="#top13" name="13" >[13]</a></sup> Ou, por outro lado, estas propostas liter&aacute;rias parecem contribuir para uma reconfigura&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria defini&ccedil;&atilde;o – conceptual e epistemol&oacute;gica – de contexto nacional, apontando para uma revis&atilde;o matricial daquilo que habitualmente se define como o ‘paradigma da literatura nacional’. </p>      <p><sup><a href="#top14" name="14" >[14]</a></sup> Entre os muitos contrapontos poss&iacute;veis, pense-se, por exemplo, em autores como Abdulrazak Gurnah, Abdourahman A. Waberi, Ananda Devi, Imraan Coovadia, Jean-Luc Raharimanana, Jo&atilde;o Paulo Borges Coelho, Khal Torabully, Nuruddin Farah, MG Vassanji – entre muitos outros –, cuja obra liter&aacute;ria aponta para uma operacionaliza&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e conceptual do <i>paradigma do &Iacute;ndico</i>, quer na sua dimens&atilde;o <i>regional unit&aacute;ria</i>, bem como na perspectiva epistemol&oacute;gica de uma <i>arena inter-regional</i>. A possibilidade de articular diferentes perspectivas que marcam o debate em torno do estudos do &Iacute;ndico para operacionalizar o &Iacute;ndico numa dimens&atilde;o liter&aacute;ria e cultural torna-se particularmente significativa. </p>      <p><sup><a href="#top15" name="15" >[15]</a></sup> A este prop&oacute;sito, veja-se: Gupta, Pamila <i>et al</i>. (2010). Relativamente &agrave; operacionaliza&ccedil;&atilde;o do paradigma do &Iacute;ndico numa perspectiva liter&aacute;ria e cultural veja-se os ensaios organizados por Mar Garcia <i>et al</i>. (2010). </p>        ]]></body>
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