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<institution><![CDATA[,ISCTE-IUL CIES - Centro de Investigação e Estudos de Sociologia ]]></institution>
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</front><body><![CDATA[ <p ><i>Andy Furlong</i> (ed.), <b>Handbook of Youth and Young Adulthood. </b><b>New</b><b>    Perspectives and Agendas</b>,<b> </b>Nova Iorque,<b> </b>Routledge,<b> </b>2009,    475 páginas. </p>     <p >&nbsp;</p>     <p ><b>Magda Nico </b></p>     <p >CIES, ISCTE-IUL </p>     <p >&nbsp; </p>        <p >Na senda das obras publicadas pela Routledge    sobre <i>gerações,</i> <i>curso de vida</i> e, sobretudo, sobre <i>juventude</i>,    o livro <i>Handbook</i><i> of    Youth and Young Adulthood    </i>articula estes conceitos com o mais recentemente chegado à sociologia e    a esta <i>família temática</i>, o de <i>young</i><i>    adulthood</i>. Esta colectânea é editada pelo sociólogo Andy Furlong, reconhecido, entre    outras obras, pela autoria, com Fred Cartmel, de <i>Young</i><i> People and Social Change: Individualization and Risk in    Late Modernity</i>, publicada pela Open University Press em 1997. Apesar de reunir um número considerável de    contribuições (55 artigos em 10 secções temáticas), esta obra não espelha a    multiplicidade de perspectivas teórico-metodológicas    que caracterizam a literatura do campo. Mais de 90% das contribuições são provenientes    de países anglo-saxónicos, o que se reflecte particularmente nas fontes bibliográficas    e empíricas utilizadas para as argumentações teóricas. Este predomínio anglo-saxónico    restringe a pluralidade teórica (nomeadamente no âmbito da <i>sociologia da    juventude</i>) e metodológica (especialmente no que se refere à <i>sociologia    do curso de vida, </i>a propósito da qual a quase ausência da tradição alemã    não deixa de ser surpreendente) que caracteriza este campo.  </p>      <p >A estrutura do livro exibe as divisões previsíveis    dos estudos sobre juventude, que se revelam particularmente adequadas a uma    obra desta natureza. Na primeira e na segunda partes sugere-se ao leitor um    olhar atento à continuidade das estruturas sociais, sugestão    essa presente nas breves introduções de Furlong    a cada secção temática. A diversidade de perspectivas teóricas é manifestada    nesta primeira parte, ao contrário das restantes, mais pautadas pela diversidade    temática. Heinz (capítulo 1) usa a <i>perspectiva teórica do curso de vida</i> para    ilustrar que “the impact of uncertainty on the timing of life events and biographical    decisions is <i>institutionally filtered</i>” (p. 6). Outros autores chamam a atenção para a invisibilidade    da continuidade das desigualdades sociais: Roberts    (capítulo 2), através da <i>corrente classista</i> e de pesquisas sobre mobilidade    social, e Goodwin e O’Connor    (capítulo 3), através da <i>corrente geracional</i> (com dados empíricos sobre    jovens da década de 60, recuperados de um projecto de Norbert    Elias). Mais centrada nos processos de <i>individualização, </i>surge a contribuição    de Bois-Reymond (capítulo 4), onde, mesmo sendo assumido    o enfraquecimento do poder determinista da classe, género e etnicidade nas biografias    contemporâneas, este é reafirmado. Apenas no artigo de Tanner    e Arnett (capítulo 5), em torno da polémica “emerging    adulthood”, não se consegue evitar a “falácia epistemológica    da modernidade tardia”, de que nos falam Furlong e    Cartmel na obra acima citada (1997, pp. 109-114),    descurando as dimensões estruturais na análise da mudança social.  </p>      <p >A segunda parte sublinha a importância da persistência    das desigualdades sociais, contrabalançando a predominância, nos estudos sobre    a juventude, das pesquisas sobre culturas juvenis ou sobre a construção da identidade.    O lugar social de origem é apresentado por Weis (capítulo    6) como o “organizador fundamental” da vida social, tanto do ponto de vista    objectivo como subjectivo. Esta valorização da classe social é retomada por    MacDowell (capítulo 7) na análise da relação das classes    com as novas masculinidades e feminilidades no mundo profissional, verificando    um esbatimento da importância do género na divisão do trabalho nas classes médias,    mas não nas classes trabalhadoras, onde este permanece como estruturador do    leque de possíveis profissões. Webster (capítulo 8)    realça o processo pelo qual a “raça” e a etnicidade se agregam às classes sociais,    produzindo desigualdades sociais específicas. Os capítulos 10 e 11 requerem    das novas agendas científicas e políticas um olhar mais atento relativamente    a contextos de vulnerabilidade, como a exclusão dos jovens com deficiências    (de Riddell) ou as experiências dos jovens refugiados (de Boyle). Menos conseguido está o contributo de Bassani (capítulo 9) sobre o capital social, que identifica    mais as lacunas da investigação da relação deste conceito com o de juventude    do que tenta preenchê-las.  </p>      <p >A terceira, a quarta e a quinta partes pertencem    à mesma linha de estudos, a das <i>transições</i>. Contrariando a perspectiva    holística sugerida nas introduções de vários artigos, a <i>escola, </i>o <i>trabalho</i>    e a <i>família</i> são analisados separadamente. A terceira parte ocupa-se da    “educação”, com Wyn (capítulo 12) a defender mudanças    radicais dos contextos escolares modernos e um maior envolvimento dos alunos    no processo de aprendizagem e Biggart (capítulo 14) a alertar para as novas formas — mais    passivas — de resistência à escola e para o regresso dos constrangimentos estruturais    na construção dos projectos profissionais. A diversidade de processos de produção    de desigualdades sociais é abordada por Raffe (capítulo 13), que sublinha as dificuldades em definir    “boas práticas” <i>universais</i> de transição escola-trabalho,    e por Furlong e Cartmel    (capítulo 15), que avaliam a importância da estratificação horizontal das universidades    na manutenção das desigualdades sociais. Nos capítulos 16 e 17, Bills e Stone III discutem em torno    da essência e do funcionamento da controversa “educação vocacional”, dos seus    sucessos e insucessos.  </p>      <p >O “Emprego e desemprego” constituem a quarta    parte desta obra. No capítulo 18, Mortimer realça    a forma como as divisões de classe bifurcam os percursos profissionais e desmonta    a ideia desactualizada de “single career” segundo a classe, sexo, “raça”, etnicidade e educação;    Liu (capítulo 22) confirma esta ideia relativamente    à China, acrescentando a dicotomia “urbano/rural”. Julkunen sustenta o argumento de que as políticas de desemprego    não dão conta das novas precariedades laborais, sendo estas retratadas ao pormenor    por MacDonald (capítulo 20), que verifica que os trabalhos    precários raramente proporcionam avanços graduais, mas sim longos    <i>stand</i><i> by’s</i> na carreira profissional. Numa área ainda emergente    é apresentada por Blanchflower e Oswald uma análise de dados europeus sobre as condições e    constrangimentos ao empreendedorismo na juventude    (capítulo 23).  </p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p >As transições habitacionais e as (in)dependências    familiares constituem a quinta parte. São apresentados padrões de saída de casa    dos pais (Mulder, capítulo 24), de estabelecimento    de agregados domésticos “não familiares” (Heath, capítulo    25) e de experiências sem-abrigo (McCarthy, Williams    e Hagan, capítulo 28). As gravidezes precoces são    um percurso “de risco” analisado por Furstenberg Jr.    O apoio intergeracional durante a transição para a    vida adulta é analisado por Swartz e O’Brien.    Ficam, assim, excluídos desta secção muitos outros aspectos de dependência familiar,    bem como padrões de constituição da conjugalidade    e parentalidade.  </p>      <p >As secções seguintes apresentam divisões temáticas    consolidadas nos estudos sobre a juventude. “Cultura e estilos de vida” (parte    vi) é    o mais forte exemplo disso, tocando temas como lazer e identidade (Abbott-Chapman    e Roberts, capítulo 29), vida nocturna (Hollands,    capítulo 30), consumos musicais (Bennet, capítulo    32), moda e estilo (Hodkinson, capítulo 34) e “era    digital” (Collin e Burns, capítulo 35). Blackman (capítulo 33) aborda as questões dos consumos de    álcool e drogas (geralmente integrados na temática da saúde). Na secção dedicada    à saúde física e mental (parte viii),    os artigos são mais genéricos, o que dificulta um rápido mapeamento temático    ao leitor. As excepções à regra são o artigo de Mugisha    sobre a saúde sexual e reprodutiva (capítulo 42) e o de Eckersley    sobre o bem-estar (capítulo 43). A sétima parte trata da participação cívica    e política e das experiências que as promovem ou desencorajam. Harris (capítulo 37) identifica a ineficácia dos partidos    políticos em integrar os jovens nas suas agendas como uma das causas para a    fraca participação política, enquanto Carle (capítulo    38) explica a fraca presença dos jovens nos sindicatos pelos processos de precariedade    profissional e pela falta de amplitude e flexibilidade da legislação laboral    europeia. Flanagan (capítulo 36) sublinha o aumento    das divisões sociais na participação cívica.  </p>      <p >Na parte ix, “Identidades, valores e crenças”,    Côté (capítulo 45) relembra a importância do papel da agência    na fluidez identitária, nunca negando a importância dos aspectos estruturais.    Os contributos de Johnson e Monserud e de Jones e    Schneider (capítulos 46 e 47) regressam às orientações    e expectativas relativas à transição escola-trabalho.    Exceptuando o artigo de Kelly em torno da <i>geração</i>    e da ética do trabalho, os restantes <i>valores</i> estão demasiado circunscritos    tematicamente (nos contributos de Holland face à sexualidade    e de Pearce e Denton face    à religiosidade). Por fim, o décimo grande tema é dedicado ao crime, onde se    destaca a contribuição de Schaefer e Uggen sobre o declínio da delinquência na entrada para a vida    adulta (capítulo 51). Mais virados para a agenda política, France analisa (capítulo 52) a legislação, no Reino Unido,    sobre comportamentos anti-sociais e White (capítulo    54) critica que o cerne das políticas sociais contra a criminalidade seja o    crime<i> </i>e não as suas causas. </p>      <p >Identificam-se três aspectos menos positivos    nesta obra. Um, já enunciado, refere-se à predominância de perspectivas teórico-metodológicas    de origem anglo-saxónica. Outro prende-se com a articulação do conceito de juventude    com o de <i>young</i><i> adulthood</i>, uma    nova perspectiva <i>per</i><i> se</i> que merecia    uma maior atenção. Uma reflexão em torno deste conceito num capítulo introdutório    seria de extrema importância. Um terceiro aspecto remete para o facto de a obra    não reflectir a diversidade de tradições metodológicas que caracteriza os estudos    sobre a juventude. Este último ponto teria merecido uma secção autónoma num    volume que pretende afirmar-se como um manual.  </p>      <p >A leitura ou consulta desta colectânea não pode deixar de ser fortemente recomendada    a estudantes e investigadores não apenas do campo da juventude, mas também a    todos os que se interessam por processos de <i>mudança</i> e <i>reprodução social</i>.    O que esta obra tem de inovador é, afinal, o regresso das estruturas e das continuidades    sociais aos estudos sobre a juventude. Relembra-nos que, como afirma Furlong,    “if we scratch the surface there are some powerful continuities in the lives    of young people in the post-war generations” (p. 242). </p>       ]]></body>

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