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versão impressa ISSN 1646-107X

Motri. vol.14 no.1 Ribeira de Pena maio 2018

 

ARTIGO ORIGINAL   |   ORIGINAL ARTICLE

 

Avaliação da força, potência e temperatura corporal em uma sessão de crossfit

 

Assessment of body strength, power and temperature in a crossfit session

 

 

Thiago Prado Dantas1; Felipe J. Aidar1; Dihogo de Matos Gama1; Heleno Almeida Junior1; Carlos Roberto Rodrigues Santos1; Walderi Monteiro da Silva Júnior1

1Universidade Federal de Sergipe

Correspondência para

 

 


RESUMO

O Crossfit® se caracteriza por exercício crescente de alta intensidade, movimento variado e funcional, como levantamento olímpico, de peso e movimentos de ginástica combinados em trabalhos de alta intensidade. A complexidade de treinamento e o grande número de indivíduos ligados ao Crossfit®, aumenta a necessidade de estudos para avaliar o efeito dessa modalidade de treinamento no sistema músculo esquelético e metabólico. Assim, o objetivo do estudo foi analisar o efeito de uma sessão de Crossfit® na força, potência e temperatura corporal. Participaram do estudo 10 sujeitos com experiência na modalidade que foram submetidos a um pré-teste, a uma intervenção de uma aula de Crossfit® e um pós teste, os testes foram de saltos, flexibilidade, força de tronco e preensão manual, potência em membros superiores (MMSS) e verificação da assimetria termográfica. Foram verificadas diferenças significativas (p<0,05) nos testes de salto em contra movimento (CMJ) (49,03±3,13 vs. 45,27±4,20) , e potência em MMSS (762,50±171,54 vs. 696,40±162,89) e assimetria térmica de braço (0,27±0,21 vs.0,55±0,34). Do exposto verifica-se que se faz necessário um acompanhamento dos praticantes de Crossfit®, principalmente nos testes mencionados, uma vez que uma única sessão mostrou ser capaz de promover desequilíbrios físicos e estes de forma repetitiva poder gerar sobrecargas locais.

Palavras-chave: Crossfit®, força, assimetria térmica.


ABSTRACT

Crossfit® is characterized by increased high-intensity exercise, varied and functional movement, such as Olympic lifting, weight and gymnastics movements combined in high-intensity workouts. The training complexity and the large number of individuals linked to Crossfit® increases the need for studies to evaluate the effect of this training modality on the musculoskeletal and metabolic system. Thus, the objective of the study was to analyze the effect of a Crossfit® session on body strength, power and temperature. Participating in the study were 10 subjects with experience in the modality who were submitted to a pre-test, a intervention of a Crossfit® class and a post test, the tests were of jumps, flexibility, trunk strength and manual grip, potency in limbs (MMSS) and verification of thermal asymmetry. There were significant differences (p <0.05) in the jump-on-motion (CMJ) tests (49.03 ± 3.13 vs. 45.27 ± 4.20), and power in SBM (762.50 ± 171, 54 vs. 696.40 ± 162.89) and arm thermal asymmetry (0.27 ± 0.21 vs.0.55 ± 0.34). From the above it is verified that it is necessary to follow the Crossfit® practitioners, especially in the mentioned tests, since a single session showed to be able to promote physical imbalances and these in a repetitive way could generate local overloads.

Keywords: Crossfit®, strength, thermal asymmetry.


 

 

INTRODUÇÃO

O Crossfit® é um regime de exercício crescente caracterizado por alta intensidade, movimento variado e funcional, compostos por levantamento olímpico, levantamento de peso e movimentos de ginástica (Tibana, Almeida, & Prestes, 2015), que são combinados em trabalhos de alta intensidade e executados em velocidade, repetição sucessiva, com tempo de recuperação limitado ou não (Tibana et al., 2016). Assim, a avaliação dos exercícios é importante para mensuração e acompanhamento do desempenho, dentre eles se destacam o salto vertical, o qual vem sendo utilizado como forma de mensurar força e potência dos membros inferiores (Carlock, Smith, & Hartman, 2004; Cronin, Hing, & McNair, 2004; Kibele, 1998; Lloyd, Oliver, Hughes, & Williams, 2009; Moreira et al., 2008; Nuzzo, Anning, & Scharfenberg, 2011; Scott, Docherty, 2004;), avaliação da temperatura local da pele, através da termografia, que possui uma tendência a se apresentar de forma simétrica ao comparar os lados do corpo, e uma possível assimetria estaria associada com anormalidades fisiológicas e estruturais (Hildebrandt, Raschner, & Ammer, 2010), além de outros tipos de avaliação de outras valências físicas. A complexidade de treinamento e grande número de indivíduos ligados ao Crossfit® aumenta a necessidade de estudos para avaliar o efeito dessa modalidade de treinamento no sistema músculo esquelético e metabólico.

O objetivo deste trabalho foi analisar o efeito de uma sessão de Crossfit® na força, potência e temperatura corporal.

 

MÉTODO

Amostra foi composta por dez sujeitos, todos do sexo masculino e com experiência mínima de 12 meses na modalidade de Crossfit®, com idade compreendida entre 18 e 35 anos (29±6,32). Foram incluídos os sujeitos com avaliação médica prévia e excluídos os sujeitos que apresentassem qualquer contra-indicação para a prática da modalidade sendo este fato confirmado através de relatório médico. Todos os sujeitos foram submetidos a uma sessão de familiarização/teste dos métodos de avaliação, antes da sessão de treino e submetidos a uma avaliação pré e pós treino com uma antecedência mínima de 48 horas. Todos foram esclarecidos sobre o estudo, e assinaram o termo de autorização (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido) de acordo com a resolução 466/2012 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa – CONEP, do Conselho Nacional de Saúde, em concordância com os princípios éticos expressos na Declaração de Helsinki (1964, reformulada em 1975, 1983, 1989, 1996, 2000, 2008 e 2013), da World Medical Association.

A análise da altura do salto vertical com contramovimento, foi realizada através do Tapete de Contato (Just Jump®, Probotics Inc., EUA) é composto por circuitos eletrônicos que medem o tempo de voo com precisão de milissegundos. O tapete é conectado por um fio a uma caixa coletora e a altura do salto vertical é calculada internamente através da seguinte fórmula:

 

 

onde h = altura do salto, t = tempo de voo em segundos, g = aceleração da gravidade, com valor de 9,81 m/s2. Uma vez que o sistema só disponibiliza a informação de altura do salto vertical em polegadas, os valores foram convertidos para centímetros. Já na avaliação da assimetria, foi utilizado um termovisor C2 (Flir System, Estolcomo, Suécia), com amplitude de medição de -10º C a 150º C, precisão de 2%, sensibilidade < 0,10, banda de espectral dos infravermelhos de 7,5 – 14 µm, para taxa de atualização de 9 Hz, resolução de 80 x 60 pixels, com emissividade configurada em 0,98 (Steketee, 1973). Enquanto que para avaliação da potência muscular, foi utilizado um encoder linear conectado a unidade central de um programa integrado para a análise de dados (Musclelab, Ergotest Innovation, Porsgrunn, Noruega). O equipamento foi conectado ao indivíduo para registrar o seu deslocamento, sendo recordado o maior valor dentre as três tentativas de cada indivíduo. Como também foram avaliados a flexibilidade através do flexímetro Sanny (Monteiro, 2000), a força de tronco e preensão palmar através de dinamômetros Crown e a avaliação de pico de fluxo expiratório através do Peak Flow Medicate . Na coleta dos dados os sujeitos foram submetidos antes do teste, a uma sessão de familiarização com os métodos de avaliação. As coletas foram realizadas entre as 15:00 às 19:00 horas, de acordo com a disponibilidade dos sujeitos. No dia das avaliações os sujeitos foram submetidos a um pré teste, descansaram por 10 minutos (La Motte & Campbell, 1978) e foram submetidos a uma única sessão de Crossfit®, realizando o treino EMOM (Ever Minute On the Minute), ou seja, a cada minuto você começa uma nova tarefa, e assim que terminar, descansa o restante do minuto. Foram desenvolvidos os seguintes números de repetições e exercícios: 20 repetições de kettlebell, 15 de wall ball e 50 double unders durante 1 minuto cada série de exercícios e repetidos em 7 rounds. A execução dos exercícios foi padronizada de acordo com a metodologia da Crossfit® Inc. (Longe, 2012). Imediatamente após a intervenção os sujeitos foram submetidos a um pós-teste. Todos os testes foram realizados com o mesmo examinador presente e no mesmo equipamento, bem como os participantes foram instruídos a não realizar qualquer outro exercício até 24h antes do dia que o experimento ocorreu. A sessão foi iniciada com 10 min de aquecimento e seguida de 40 min de treino, totalizando 50 min de atividades.

A análise estatística foi realizada mediante o pacote computadorizado Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 22.0. Foram utilizadas as medidas de tendência central, Média ± Desvio Padrão (X±DP). Para a verificação da normalidade das variáveis foi utilizado o teste de Shapiro Wilk, tendo em vista o tamanho da amostra. Para verificação das possíveis diferenças entre os grupos, foi utilizado o teste t para medidas pareadas. Foi considerado um p < 0,05.

 

RESULTADOS

Na tabela 1 se encontram os resultados dos testes antes e depois da intervenção.

Com base na tabela 1, observa-se que houve diferenças significativas na Potência de MMSS, assimetria termográfica de braço em uma visão posterior, e no teste de salto em contramovimento, não apresentando o mesmo resultado nas demais avaliações realizadas

Podemos observar, através da termografia a diferença da temperatura no pré-teste em relação ao pós-teste, principalmente na região posterior dos braços.

 

Figura 1

 

 

DISCUSSÃO e CONCLUSÕES

Ao serem realizadas as avaliações do SJ e CMJ, foi possível observar que o atual estudo apresentou diferença apenas no resultado do countermovement jump, o que nos demonstra a não perda relativa de força, mas sim uma perda na coordenação de execução do salto, que também pode estar relacionada às características específicas dos exercícios utilizados durante a sessão. Esse resultado pode ser sustentado por Van Hooren e Zolotarjorva (2017), quando avaliaram a diferença entre as performances de Countermovement e Squat Jump através de um estudo de revisão dos mecanismos subjacentes com aplicativos práticos, onde os achados da literatura revisada sugerem que esse aumento de força residual, reflexos de estiramento e diferenças na cinemática, provavelmente não tem ou tem uma pequena contribuição para o desempenho agudo superior do CMJ se quando comparado ao SJ. Em vez disso, a diferença de desempenho pode ser principalmente relacionada à maior aceitação da folga muscular e ao acúmulo de alta estimulação durante o contramovimento em um CMJ. Em relação à avaliação da potência de MMSS, podemos verificar uma diferença significativa entre o momento pré e pós, o que pode estar vinculado ao alto grau de desgaste, vindo a corroborar em partes com Tibana et al. (2016), quando ao avaliar a potência pós treino e 24h depois durante duas sessões de Crossfit, pode observar que logo após o treinamento há de fato uma perda, sendo que a mesma já se demonstra recuperada 24h após. A assimetria térmica contra lateral encontrada no grupo pode ser considerada normal na vista anterior de braço e antebraço, vista posterior de antebraço, apresentando uma diferença apenas na vista posterior de braço, de acordo com os níveis de atenção para assimetria propostos por Marins et al. (2015). Esse resultado pode estar vinculado aos exercícios inseridos na sessão, sendo necessária talvez uma próxima avaliação com maior número de sessões. Sendo assim conclui-se que uma única sessão de Crossfit® apresenta uma grande possibilidade de gerar alterações em algumas competências físicas tais como a força e potência e também em relação a temperatura corporal.

 

REFERÊNCIAS

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Agradecimentos:
Nada a declarar
Conflito de Interesses:

Nada a declarar.
Financiamento:
Nada a declarar.

 

 

Correspondência para: Federal University of Sergipe - UFS, São Cristovão, Sergipe, Brazil. E-mail: fjaidar@gmail.com

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