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Psicologia, Saúde & Doenças

versão impressa ISSN 1645-0086

Psic., Saúde & Doenças vol.24 no.2 Lisboa ago. 2023  Epub 31-Out-2023

https://doi.org/10.15309/23psd240230 

Artigo

Sentimento de pertença e saúde mental de adolescentes: uma revisão de escopo

Adolescents’ sense of belonging and mental health: a scoping review

Marina Speranza1 
http://orcid.org/0000-0003-1186-1386

Adrieli Fernanda Mazari2 
http://orcid.org/0000-0002-1556-2618

Lilian Magalhães1 
http://orcid.org/0000-0003-3666-3685

Maria Fernanda Barboza Cid1 
http://orcid.org/0000-0002-0199-0670

1. Universidade Federal de São Carlos - UFSCar/PPGTO, São Carlos, São Paulo, Brasil

2. Departamento de Terapia Ocupacional, Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, São Carlos, São Paulo, Brasil


Resumo

Este estudo mapeou e analisou, por meio de uma revisão de escopo, a relação entre os conceitos saúde mental e sentimento de pertença de adolescentes. A busca foi realizada nas bases de dados Web of Science, Scopus, Scielo e BVS, e os termos utilizados foram “sense of belong*”, teenage*, adolescen*, youth, "mental health" e “well-being”, e seus respectivos correspondentes nos idiomas português e espanhol. As buscas nas bases geraram 270 resultados, sendo que 30 artigos foram considerados elegíveis. Aponta-se que mais da metade das pesquisas foram desenvolvidas no contexto escolar. Sobre os dados qualitativos, analisados por meio da análise temática dos objetivos dos estudos, emergiram cinco categorias de análise: 1) A centralidade da escola na construção do sentimento de pertença de adolescentes; 2) Sentimento de pertença e o sofrimento psíquico em adolescentes; 3) Sentimento de pertença como fator de proteção da saúde mental de adolescentes; 4) Outros fatores relacionados ao sentimento de pertença de adolescentes; 5) Validação de escalas relacionadas ao sentimento de pertença. Mais estudos qualitativos, brasileiros e latino americanos em torno dessa temática são necessários, especialmente os desenhos participativos que abordem os diferentes contextos nos quais os adolescentes circulam e/ou possuem o direito de circular.

Palavras-Chave: Sentimento de pertença; Adolescência; Saúde mental

Abstract

This study mapped and analyzed, through a scoping review, the relationship between the concepts of adolescents’ sense of belonging and mental health. The search was carried out in the Web of Science, Scopus, Scielo and BVS databases, and the terms used were “sense of belong*”, teenage*, adolescen*, youth, “mental health” and “well-being”, and their respective correspondents in Portuguese and Spanish. Database searches generated 270 results, of which 30 articles were considered eligible. It is pointed out that more than half of the researches were developed in the school context. On the qualitative data, analyzed through the Thematic Analysis of the objectives of the studies, five categories of analysis emerged: 1) The centrality of the school in the construction of the sense of belonging of adolescents; 2) Sense of belonging and the psychological suffering in adolescents; 3) Sense of belonging as a protective factor for Mental Health of adolescents; 4) Other factors related to the sense of belonging of adolescents; 5) Validation of scales related to the sense of belonging. More qualitative, Brazilian and Latin American studies on this theme are needed, especially participatory designs that address the different contexts in which adolescents circulate and/or have the right to circulate.

Keywords: Sense of belong; Adolescence; Mental health

O sentimento de pertença aos diferentes grupos e espaços da sociedade tem sido compreendido pela literatura como uma necessidade fundamental e universal, que transcende fronteiras culturais e influencia as atividades humanas, fazendo com que as pessoas tenham o impulso de formar e manter pelo menos uma quantidade mínima de relacionamentos interpessoais duradouros, positivos e significativos, que permitem que elas se sintam respeitadas, reconhecidas e apreciadas por suas qualidades individuais (Baumeister & Leary, 1995). Apresenta impotante destaque na adolescência, pois nessa fase os processos de socialização fora do núcleo familiar ganham maior intensidade (Juvenon, 2006). Autores mostram que o sentimento de pertença está relacionado à saúde mental e ao bem-estar das pessoas e sua ausência, entretanto, associada a fatores como vivências de violência e baixo acesso aos direitos sociais, podendo culminar em sofrimento psíquico, suicídio, uso prejudicial álcool e outras drogas, assim como envolvimento em atos infracionais (Baumeister & Leary, 1995; Hatcher & Stubbersfield, 2013; O’Brien & Bowles, 2014).

Uma revisão narrativa aponta que a pertença escolar está vinculada à autoestima, autoeficácia e satisfação com a vida desses indivíduos (Hatcher & Stubbersfield, 2013). Além deste estudo, foram localizadas 3 revisões narrativas de literatura (Juvenon, 2006; Osterman, 2000; Prince, 2013) e uma revisão sistemática (Pendergast et al., 2018) que exploraram o conceito do “sentimento de pertença” de crianças e adolescentes ao contexto escolar e apresentam a compreensão de que a pertença aumenta a percepção do suporte social, favorece a motivação e a construção da identidade da população infantojuvenil. Observa-se, entretanto, que os pesquisadores, apesar de destacarem o sentimento de pertença na adolescência, focalizam um contexto específico, ou seja, a escola, e não visam investigar especificamente sua relação com a saúde mental dessa população. É, portanto, essencial compreender a relação entre sentimento de pertença de adolescentes e a saúde mental desses indivíduos, o que pode trazer contribuições importantes em termos de novas perspectivas de cuidado e de promoção da saúde mental dessa população. Propomos então uma revisão de escopo sobre a temática do sentimento de pertença de adolescentes na sua interface com a saúde mental.

Método

Foi realizada uma Revisão de Escopo a partir dos pressupostos teóricos e metodológicos do Instituto Joanna Briggs- JBI (Peters et al., 2017), e que buscou responder a seguinte questão de pesquisa: “Como a relação entre o sentimento de pertença e a saúde mental de adolescentes tem sido abordada na literatura científica?”.

Estratégia de Busca

A busca foi realizada nas seguintes bases de dados, em novembro de 2020: Web of Science, Scopus, Scielo e Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), utilizando-se termos chave em português, inglês e em espanhol, levando em consideração os possíveis plurais e variantes linguísticas de cada termo. Os termos chave utilizados em inglês foram: “sense of belong*”, “adolesc*”, “teenage*”, “youth*”, “mental health” e “well-being”; em português: "sentimento de pertença", "sentido de pertença”, ”senso de pertença", "sentimento de pertencimento", "sentido de pertencimento", "senso de pertencimento", “adolesc*”, “jovem”, “jovens OR juventude”, “saúde mental" e "bem-estar”; em espanhol: “sentimiento de pertinência”, “sentido de pertinência”, adolesc*, joven*, “salud mental” e “bienestar”.

Critérios inclusão e de exclusão

Para seleção dos estudos foram adotados os seguintes critérios de inclusão: Artigos empíricos qualitativos e quantitativos; Estudos publicados em português, inglês ou espanhol; Estudos sobre adolescentes ou que registrem dados sobre essa população (10 a 19 anos) (OMS, 2014); Estudos que focalizam o sentimento de pertença de adolescentes, em articulação com a temática da saúde mental; Estudos que discorrem sobre os elementos que perpassam o campo da saúde mental, tais como: bem-estar, resiliência, ideação suicida, satisfação com a vida, algum transtorno mental, sintomas depressivos, autoestima e uso prejudicial de álcool e outras drogas. E, os critérios de exclusão: Publicações duplicadas; Estudos que, apesar de tratarem da temática do sentimento de pertença de adolescentes, não possuem articulação com a saúde mental; Publicações que enfocam outras fases da vida (infância, adultos ou idosos); Cartas aos editores, pontos de vista e literatura cinza, uma vez que o presente estudo explorou a literatura acadêmica revisada por pares.

Seleção dos estudos

A seleção dos estudos foi realizada em duas fases por duas pesquisadoras de forma independente e em caso de dúvida, outra pesquisadora foi consultada. Na fase 1, foram excluídas duplicatas, e analisaram-se os títulos, resumos e palavras-chave dos estudos identificados nas bases de dados. Aqueles que não abordassem a adolescência e o sentimento de pertença foram excluídos. Na fase 2, os estudos remanescentes foram analisados na íntegra, tendo sido mais uma vez aplicados os critérios de inclusão e exclusão. Além disso, uma consulta cruzada, que consiste em uma busca de fontes adicionais de dados foi realizada, somando 9 fontes adicionais à amostra.

Análise dos dados

Os dados quantitativos foram analisados segundo análise estatística simples, e os qualitativos, advindos da leitura aprofundada dos artigos, por meio da análise temática (Bardin, 2011) dos objetivos dos estudos.

Resultados

A Figura 1 apresenta o diagrama de busca e seleção dos estudos. Na fase 1 foram eliminados 160 estudos e na segunda 89, seguindo os critérios de inclusão e exclusão. Nove estudos foram incluídos na etapa de consulta, resultando em uma amostra de 30 estudos. Conforme Quadro 1, destacam-se os 30 estudos que compõem este estudo de revisão, organizados por ano de publicação, e suas principais características.

Deste total, 20 foram publicados nos últimos cinco anos, sendo os anos de 2015 e 2020 que tiveram destaque no número de produções, 5 em cada um deles. O estudo mais antigo é do ano de 1993, sendo o único da década de 1990. Foram encontradas publicações em periódicos de diferentes áreas do conhecimento, tais como educação, psicologia, psiquiatria, periódicos que focalizam o ciclo de vida da adolescência e que se ocupam de assuntos interdisciplinares.

Constata-se que os 30 estudos estão concentrados em países do hemisfério norte e Oceania. Os Estados Unidos é o país que mais apresentou pesquisas sobre a temática, totalizando 11 artigos, seguido da Austrália, 7 artigos. Não foram encontradas produções brasileiras e da América Latina, bem como asiáticas e do continente africano. Vinte e três estudos adotaram a abordagem quantitativa e apenas 7 foram conduzidos a partir de metodologia qualitativa, empregando entrevistas e grupos focais. Somente um, dentre estes, se caracteriza como pesquisa participativa.

Figura 1 Diagrama de busca e seleção dos estudos (PRISMA) 

Metade dos estudos foi realizada com alguma população específica de adolescentes, como aqueles com diferentes questões relacionadas à saúde mental, à deficiência e à vulnerabilidade social, e também adolescentes LGBTQIAPN+ (sigla utilizada para referir-se ao grupo de pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transsexuais, Queer/Questionando, Intersexo, Assexuais/Arromânticas/Agênero, Pan/Poli, Não-binárias e mais) (Moreira, 2022), e imigrantes de variadas regiões do mundo. A outra metade não destacou nenhuma população específica. Por fim, a análise temática dos objetivos dos estudos resultou em 5 categorias temáticas, as quais serão apresentadas e analisadas, a seguir.

Categoria 1- A centralidade da escola na construção do sentimento de pertença de adolescentes

Esta categoria contém 15 estudos que focalizam o contexto escolar. Em alguns, a interface entre o sentimento de pertença de adolescentes e a saúde mental se apresentou no próprio objetivo dos trabalhos (Anwar-McHenry et al., 2016; Dimitrellou & Hurry, 2019; Pesonen et al., 2015; Prati et al., 2018; Rowe & Stewart, 2009; Ryzin et al., 2009; Sanmarco et al., 2020; Singla et al., 2020), enquanto em outros, a saúde mental foi contemplada nos resultados, discussões dos estudos e nos apontamentos dos autores (Borman et al., 2019; Hamm & Faircloth, 2005; Kashy-Rosenbaum & Aizenkot, 2020; Li et al., 2020; Longaretti, 2020; Minkkinen et al., 2015; Napoli et al., 2015).

Três estudos qualitativos conceitualizaram o sentimento de pertença a partir da perspectiva de adolescentes e identificaram que o mesmo é construído a partir das relações que são capazes de produzir apoio social e emocional e processos de aceitação, de se sentir valorizado e parte de um todo maior, de um sentimento geral de conexão com as pessoas, de se sentir bem-vindo e incluído, sem a necessidade de mudança para conseguir “se encaixar”, culminando na valorização da diversidade, e não à padronização das adolescências, em todos os sentidos (Hamm & Faircloth, 2005; Longaretti, 2020; Pesonen et al., 2015).

Quadro 1 Características dos estudos que compõem o estudo de Revisão de Escopo. 

Autores, Ano País Participantes Design de estudo Principais resultados
Resnick et al., 1993 Estados Unidos Adolescentes de escola pública Quantitativo: questionários com dados demográficos, informações sobre saúde mental, relações com a família, dentre outros. Identificou-se que o sentimento de pertença a família e a escola são fatores de proteção da saúde mental de adolescentes.
Ueno, 2005 Estados Unidos Adolescentes de ensino médio Quantitativo: questionários sobre sintomas depressivos, amizade, integração com a escola, sentimento de pertença à escola O sentimento de pertença a um grupo de amigos foi associado a uma menor incidência de depressão na adolescência.
Hamm & Faircloth, 2005 Estados Unidos Adolescentes de uma escola pública Qualitativo: entrevistas individuais semiestruturadas. As amizades na escola favorecem o sentimento de pertença e a saúde mental de adolescentes quando oferecem apoio mútuo, acolhimento e senso de identidade.
Albanesi et al., 2007 Itália Adolescentes de 14 a 19 anos Quantitativo: questionários sobre sentimento de comunidade e pertencimento, bem estar social, integração social, dentre outros Os adolescentes com maiores índices de senso de comunidade e pertencimento apresentaram níveis mais elevados de bem estar social.
Ryzin et al., 2007 Estados Unidos Adolescentes com idade média de 15 anos Quantitativo, Longitudinal: questionários sobre autonomia acadêmica, sentimento de pertença e engajamento escolar. O sentimento de pertença apesar de ser um fator que pode impactar de forma positiva a saúde mental de adolescentes, não necessariamente resulta em maior engajamento acadêmico.
Rowe & Stewart, 2009 Austrália Adolescentes, equipe escolar e familiares Qualitativo: entrevistas e grupos focais. O estudo analisou os resultados de um programa de intervenção no contexto escolar, que objetivou a promoção da saúde mental e o sentimento de pertença.
Caxaj & Berman, 2010 Canadá Adolescentes imigrantes nos EUA Qualitativo: análise do discurso de 25 textos escritos online. O estudo demonstrou que a experiência de ser imigrante impacta negativamente a saúde mental e o sentimento de pertença de adolescentes imigrantes, quando associada a vivências de preconceito e exclusão social.
Shimshock et al., 2011 Estados Unidos Adolescentes de 17 a 19 anos Quantitativo: questionários sobre saúde mental e sentimento de pertença. O estudo identificou que níveis baixos de sentimento de pertença configuram-se como fator de risco para pensamento suicida e suicídio na adolescência.
McCallum & McLaren, 2011 Austrália Adolescentes LGBTQIAPN+ de 14 a 18 anos Quantitativo: questionários sobre pertencimento e sintomas depressivos. Níveis mais altos de sentimento de pertença à comunidade em geral e a comunidade LGBTQIAPN+ foram associados a menores índices de depressão em adolescentes.
Pesonen et al., 2015 Finlândia Adolescentes com necessidades educacionais especiais Qualitativo: entrevistas semiestruturas. Identificou-se que relacionamentos de confiança com os pares e equipe escolar, relações mais democráticas na escola e clima escolar de respeito e tolerância facilitam o sentimento de pertença à escola.
Minkkinen et al., 2015 Estados Unidos Foram utilizados dados online de adolescentes. Quantitativo: questionários sobre senso de felicidade, exposição a sites pró-suicídio e sentimento de pertença. O estudo identificou que o sentimento de pertença à família e amigos atua como fator de proteção contra pensamento suicida e suicídio na adolescência.
Napoli et al., 2015 Estados Unidos Adolescente indígenas de 11 a 15 anos Quantitativo: questionários a respeito do uso de álcool e outras drogas e pertencimento escolar. Os adolescentes com sentimento de pertença à escola mais forte apresentaram menor uso problemático de álcool e outras drogas.
McLaren et al., 2015 Austrália Adolescentes LGBTQIAPN+ de 14 a 18 anos. Quantitativo: questionários sobre sentimento de pertença e sintomas depressivos. Níveis mais altos de sentimento de pertença e vínculo com professores e colegas foram associados a níveis mais baixos de sintomas depressivos.
King et al., 2016 Estados Unidos Adolescentes e suas famílias. Quantitativo O estudo analisou o sentimento de pertença de adolescentes às suas famílias, compostas por madrastas ou padrastos.
Anwar-McHenry et al., 2016 Austrália Adolescentes de até 12 anos e equipe escolar Qualitativo: análise de um programa de intervenção na escola, cujo objetivo era a promoção da saúde mental, sendo o sentimento de pertença a esse contexto um elemento da intervenção. As ações do programa trouxeram o diálogo da saúde mental para o contexto escolar, e aumentaram o sentimento de pertença nesse cenário.
Corrales et al., 2016 Austrália Adolescentes em vulnerabilidade social Quantitativo: questionários sobre sentimento de pertença, saúde mental e exposição à fatores de risco na infância e adolescência. O estudo evidenciou que quanto maior a exposição aos fatores de risco (situações de abuso, violência, uso de álcool e outras drogas, etc) menores níveis de pertencimento aos diferentes espaços e piores resultados em saúde mental de adolescentes.
Petrillo et al., 2016 Itália Adolescentes com média de idade de 16 anos. Quantitativo Este estudo validou uma escala de sentimento de pertença.
Arslan & Duru, 2017 Turquia Alunos de ensino fundamental e 2 de ensino médio Quantitativo O estudo desenvolveu e validou uma escala de avaliação do sentimento de pertença na escola.
Prati et al., 2018 Itália Adolescentes de ensino fundamental e médio. Quantitativo: questionários autoaplicáveis sobre sentimento de comunidade/pertencimento e saúde mental. O estudo demonstrou que o sentimento de comunidade e de pertença à escola atuaram como favorecedores da saúde mental de adolescentes.
Daley et al., 2018 Canadá Adolescentes entre 12 e 17 anos. Quantitativo: questionários a respeito das vivências cotidianas de uma pessoa com deficiência e sentimento de pertença. O estudo comparou um grupo com deficiência e sem, e dessa forma, o grupo de adolescentes com deficiência apresentou altos níveis de discriminação social, baixo nível de sentimento de pertença e satisfação com a vida.
Hatchel & Marx, 2018 Estados Unidos Adolescentes transgêneros Quantitativo: questionários sobre sentimento de pertença à escola, identidade de gênero, uso de álcool e outras drogas e violência escolar. Identificou-se que o sentimento de pertença pode atuar como fator de proteção de processos de violência escolar e uso problemático de álcool e outras drogas por adolescentes transgêneros.
Borman et al., 2019 Estados Unidos Adolescentes de ensino médio de 11 escolas públicas Quantitativo: questionários sobre bem-estar social e emocional, sentimento de pertença, identificação com a escola e ansiedade. O estudo comparou dois grupos: um participante de uma intervenção de promoção da saúde mental e do sentimento de pertença a escola, e outro não. O grupo participante apresentou melhores resultados em saúde mental.
Chen & Schweitzer, 2019 Austrália Adolescentes de 11 a 18 anos imigrantes Qualitativo: grupos focais. O estudo demonstrou que a experiência de pertencimento para adolescentes imigrantes é algo emocional e íntimo, que pode ser impactada pela familiaridade com o idioma do local onde estão.
Dimitrellou & Hurry, 2019 Inglaterra Adolescentes com necessidades educacionais especiais do ensino fundamental Quantitativo: questionários sobre sentimento de pertença à escola, relações entre aluno-professor e entre pares. Identificou-se que os adolescentes com necessidades educacionais especiais apresentam níveis mais baixos de sentimento de pertença.
Estrada-Martínez et al., 2019 Estados Unidos Dados nacionais de adolescentes de 1994 à 2008 Quantitativo, Longitudinal: questionários sobre saúde mental, dados demográficos, sentimento de pertença, dentre outros O estudo analisou de forma longitudinal o efeito do sentimento de pertença na saúde mental de adolescentes.
Kashy-Rosenbaum & Aizenkot, 2020 Israel Adolescentes de 10 à 17 anos Quantitativo: questionários sobre sentimento de pertença, cyberbullying e clima social em sala de aula. O estudo demonstrou que um clima social de pertencimento escolar pode atuar como fator de proteção contra situações de cyberbullying.
Longaretti, 2020 Austrália Adolescentes de 11 e 12 anos Qualitativa: entrevistas e métodos criativos. O estudo identificou que estimular a promoção do sentimento de pertença é algo fundamental em processos de transição escolar.
Sanmarco et al., 2020 Espanha Adolescentes de 12 a 16 anos Quantitativa: questionários sobre sentimento de pertença e bullying na adolescência O estudo identificou o efeito mediador/protetor do sentimento de pertença na saúde mental e no bullying escolar.
Li et al., 2020 China Adolescentes de 15 anos Quantitativo: utilização de dados nacionais sobre bullying, pertencimento escolar, engajamento acadêmico e desempenho acadêmico. O estudo buscou compreender de que maneira o sentimento de pertença à escola influencia no engajamento acadêmico e no bullying escolar.
Singla et al., 2020 Índia Adolescente com 13 anos em média Quantitativo longitudinal- utilização de questionários sobre clima escolar e pertencimento, depressão, bullying e violência escolar. O estudo investigou o impacto de um programa de intervenção na escola, que objetivou a promoção do clima social positivo e o sentimento de pertença.

Um estudo desta categoria analisou a inclusão escolar de adolescentes com dificuldades em saúde mental e aponta que é comum essas dificuldades estarem relacionadas a baixos níveis de sentimento de pertença, sendo ele um termômetro para identificar problemas nesse âmbito (Dimitrellou & Hurry, 2019). Outro estudo identificou que a pertença escolar e a autonomia nesse espaço impactam de forma positiva a saúde mental dos adolescentes. Contudo, de acordo com os autores, ter uma boa saúde mental e se sentir pertencente à escola não garantem, necessariamente, um bom desempenho acadêmico (Dimitrellou & Hurry, 2019; Ryzin et al., 2009). O estudo de Prati et al. (2018) aponta que a participação em atividades extracurriculares promovidas pela escola (esportivas, eventos, grêmios estudantis) favorecem a pertença escolar, e resultam em melhores resultados no âmbito da saúde mental da população adolescente.

Cinco estudos exploraram o sentimento de pertença à escola como um fator de proteção contra o uso prejudicial de álcool e outras drogas entre adolescentes (Hatchel & Marx, 2018; Napoli et al., 2015), o bullying escolar (Hatchel & Marx, 2018; Li et al., 2020; Sanmarco et al., 2020) e o cyberbullying (Kashy-Rosenbaum & Aizenkot, 2020), que são fatores que prejudicam a saúde mental de adolescentes. Os autores sinalizam que a escola é protagonista no papel de estimular/favorecer uma cultura de valorização e respeito à diversidade, de um clima escolar afirmativo, o que por consequência aumenta os níveis de pertencimento escolar e a saúde mental.

Os últimos quatro estudos desta categoria retratam programas de intervenção realizados no âmbito escolar que focalizaram a construção do sentimento de pertença de adolescentes nesse contexto. Todas as intervenções apresentam caráter participativo e valorizaram a autonomia da equipe escolar, bem como dos próprios adolescentes, estimularam a realização de atividades extracurriculares baseadas nos interesses desses indivíduos, e a construção de um clima escolar de segurança, apoio e pertencimento (Anwar-McHenry et al., et al., 2016; Borman et al., 2019; Rowe & Stewart, 2009; Singla et al., 2020). Dois programas também desenvolveram parcerias com diferentes atores do território, proporcionando atividades intersetoriais (Anwar-McHenry et al., 2016; Singla et al., 2020).

Os autores desta categoria reconhecem o papel fundamental da escola e dos educadores na promoção da saúde mental de adolescentes, que ao criar espaços de pertença que favoreçam as relações sociais, e um ambiente que transmita segurança, respeito e valorização da diversidade, permite que esses indivíduos participem de forma mais ativa das atividades escolares, desenvolvendo-se acadêmica e emocionalmente.

Categoria 2: Sentimento de pertença e o sofrimento psíquico em adolescentes

Os 3 estudos desta categoria enfatizam que o sentimento de pertença é fundamental para a saúde mental de adolescentes, especialmente para aqueles que vivenciam processos de exclusão social, como adolescentes LGBTQIAPN+ +, com deficiência e imigrantes que encontram cotidianamente dificuldades para sentir que pertencem aos diferentes espaços da sociedade o que impacta de forma negativa a saúde mental desses indivíduos, culminando muitas vezes em sofrimento psíquico intenso (McCallum & McLaren, 2011; McLaren et al., 2015; Shimshock et al., 2011). Tendo isso em vista, o estudo de Shimshock et al. (2011) enfatiza que há inclusive relação entre ideação suicida e suicídio na adolescência com os níveis de pertença, sendo uma variável proporcional a outra.

Ademais, de acordo com alguns autores, estudos futuros devem aprofundar, preferencialmente de forma qualitativa, as complexidades dessa temática tendo em vista à população LGBTQIAPN+ e o impacto da homofobia na pertença dessa população (McCallum & McLaren, 2011; McLaren et al., 2015). Ainda, Shimshock et al. (2011) destacam que a pertença pode trazer implicações fundamentais para o debate do suicídio nessa população, tanto no que se refere às estratégias de intervenção em casos de intenso sofrimento psíquico, quanto aquelas relacionadas à detecção/intervenção precoce.

Categoria 3: Sentimento de pertença como fator de proteção da saúde mental de adolescentes

Os 5 estudos desta categoria investigaram a respeito do sentimento de pertença na qualidade de fator de proteção da saúde mental de adolescentes (Albanesi et al., 2009; Corrales et al., 2016; Daley et al., 2018; Minkkine et al., 2015; Resnick et al., 1993). Apontam que o sentimento de pertença possui o potencial de favorecer à saúde mental de adolescentes, diminuindo níveis de exclusão social (Daley et al., 2018), vulnerabilidade social (Albanesi et al., 2009; Corrales et al., 2016; Resnick et al., 1993), e suicídio na adolescência (Minkkinen et al., 2015).

Categoria 4: Outros fatores relacionados ao sentimento de pertença de adolescentes

Dois estudos desta categoria focalizaram a experiencia de pertencimento de adolescentes imigrantes em diferentes regiões do mundo, e identificaram que para os mesmos que o status de imigrante influenciou de modo direto o sentimento de pertença, em decorrência de experiências de discriminação social, de se sentirem “diferentes” e “estranhos”, refletindo em isolamento e alienação. Logo, as experiências de não pertencimento resultaram em sentimentos de inferioridade e de perda, com relação à vida que foi deixada no país de origem. Ambos estudos apontam a necessidade das instituições que lidam com adolescentes e jovens trabalharem com a temática da diversidade, do respeito e da potência dos encontros entre as culturas, de modo a facilitar/favorecer espaços de pertença (Caxaj & Berman, 2010; Chen & Schweitzer, 2019).

Outro estudo desta categoria explorou os elementos que perpassam o sentimento de pertença de adolescentes aos seus contextos familiares compostos por padrastos, cenário que, de acordo com os autores, pode resultar em baixo pertencimento ao contexto familiar por parte desses indivíduos, e por consequência em dificuldades relacionadas à saúde mental, e identificou que a pertença familiar depende mais da relação que os adolescentes conseguem desenvolver com suas mães do que com os seus padrastos (King et al., 2015).

Categoria 5: Validação de escalas relacionadas ao sentimento de pertença

Os dois estudos desta categoria desenvolveram e validaram escalas de avaliação do sentimento de pertença de adolescentes. Ambos utilizaram instrumentos de avaliação da saúde mental para compor a abordagem metodológica, demonstrando que essa temática está vinculada ao sentimento de pertença. Os autores apontam que escalas dessa natureza são fundamentais para as intervenções em saúde mental, pois podem contribuir na identificação das questões e demandas que necessitam de intervenção, e, além disso, são úteis para a avaliação do impacto de programas de intervenção, tanto no âmbito da prática quanto da pesquisa (Arslan & Duru, 2017; Petrillo et al., 2016).

Discussão

A partir da metodologia empregada foram encontrados 30 estudos, publicados entre 1993 e 2020, sendo 22 produções do período de 2015 a 2020. Apenas um estudo é da década de 1990, indicando o início tardio das investigações sobre sentimento de pertença de adolescentes na interface com a saúde mental. Este aspecto pode ser justificado pelo fato de que, à época, tanto o cenário nacional quanto o mundial estavam concentrados em adicionar novas variáveis e formas de compreensão da saúde mental para além da visão até então vigente advinda da psiquiatria tradicional, cuja concepção de sujeito negligencia a família e a comunidade/território como componentes essenciais da discussão dos processos saúde-doença. Isso implicava em minimizar a subjetivação da experiência do sofrimento psíquico, ou seja, era o início da mudança de um paradigma que prevaleceu durante séculos (Amarante, 2007).

Desde então a inserção do debate a respeito da saúde mental de crianças e adolescentes neste cenário de reformas aconteceu de forma tardia se comparado aos adultos, conforme abordado detalhadamente por Taño & Matsukura (2015). Estima-se que o aumento dos estudos epidemiológicos indica um incremento nos índices de sofrimento psíquico de adolescentes (OCDE, 2019). Isto resulta em um aumento da detecção dessa demanda pelas escolas e por outros setores de assistência a essa população (sistema judicial, por exemplo), o que faz aumentar o interesse de pesquisadores para melhor compreender não só as diferentes possibilidades de adolescer, como também, os fatores envolvidos na produção de saúde mental e de sofrimento psíquico nas adolescências.

Conforme esta revisão mostra, o sentimento de pertença aos diferentes espaços da sociedade é um favorecedor (promotor) da saúde mental de adolescentes, configurando-se como um importante fator de produção de saúde e de prevenção de agravos, tais como o sofrimento psíquico e o uso prejudicial de álcool e outras drogas (Albanesi et al., 2007; Daley et al., 2018). No entanto, claramente, estudos que abordem o sentimento de pertença e sua relação com a saúde mental são ainda escassos, se considerarmos que não foram encontradas publicações advindas da América Latina ou do Continente Africano, e que o maior destaque, em termos de quantidade de publicações, recaiu sobre os Estados Unidos e a Austrália, ou seja, países onde a produção de conhecimento tem relevância social, ainda que pouco tenham avançado nas políticas de saúde mental para a população infanto-juvenil (Chambers et al., 2012; Patel et al., 2007).

Quanto a metodologia empregada pelos estudos selecionados, nota-se um maior enfoque em pesquisas quantitativas (23 artigos da amostra), sendo 7 qualitativos, e dentre estes, apenas um apresentou abordagem participativa, demonstrando que a produção de conhecimento acerca do sentimento de pertença de adolescentes na interface com a saúde mental tem sido feita SOBRE e não COM a população interessada/focalizada (Parrilla et al., 2016). Isto evidencia uma significativa lacuna que deve ser mais explorada em estudos futuros, tendo como respaldo, a própria compreensão de saúde mental que precisa ir além da ausência de doença e deve abranger a inclusão e participação social, de forma que o sujeito tenha garantido o seu lugar autêntico de fala nas questões que dizem respeito a ele (Amarante, 2007; Chambers et al., 2012).

Verifica-se também que, nos estudos examinados, todas as interfaces feitas entre o sentimento de pertença e a saúde mental dessa população possuem um caráter ampliado, ou seja, a saúde mental é concebida para além dos transtornos mentais/diagnósticos psiquiátricos, estando relacionada ao acesso à educação, ao lazer, ao esporte, à cultura, à participação social e ao sentimento de pertença. Por esse ângulo, a saúde e o adoecimento se intersectam a múltiplos determinantes sociais, e, portanto, reafirmam que a promoção da saúde exige estratégias que favoreçam a integração de políticas setoriais e tecnológicas inovadoras para a defesa e a garantia da vida (Amarante, 2007; Chambers et al., 2012).

Outro significativo resultado refere-se à quantidade de estudos que exploraram o sentimento de pertença de adolescentes no contexto escolar (15 estudos), evidenciando que este é um locus importante de pertencimento para essa população. Cabe ressaltar que não é atribuição das escolas a identificação e o diagnóstico de patologias ou transtornos mentais, porém, está ao seu alcance a construção de ambientes que permitam a produção da vida, ações e situações que visem espaços de acolhida, participação e que, portanto, promovam a saúde mental de adolescentes (Brasil, 2014), e o sentimento de pertença.

Em relação aos estudos sobre bullying e cyberbullying, os achados revelam que ações que favoreçam o sentimento de pertença ao contexto escolar podem agregar variáveis indispensáveis no enfrentamento dessa problemática, que impacta de forma negativa a saúde mental de adolescentes que sofrem esse tipo de violência (Hatchel & Marx, 2018; Kashy-Rosenbaum & Aizenkot, 2020; Napoli et al., 2015; Sanmarco et al., 2020; Singla et al., 2020). Quanto a isso, a literatura tem sinalizado que apesar de evidente a vinculação entre o bullying/cyberbullying com as diversas dificuldades no âmbito da saúde mental por parte das vítimas, os estudos relativos aos meios de enfrentamento dessas situações de violência são incipientes (Pigozi, 2018). Portanto, há a necessidade de se avançar em estratégias de prevenção do bullying e do cyberbullying, e o sentimento de pertença pode ser elemento chave neste debate, compondo ações de promoção da saúde mental no ambiente escolar.

Destaca-se a potência das ações realizadas em parcerias entre setores, com especial enfoque para aquelas entre a escola com comunidade/território, para a promoção do sentimento de pertença de adolescentes, o que corrobora com apontamentos tanto da literatura nacional quanto internacional, que sinalizam que a chave para a promoção da saúde mental de adolescentes é o fortalecimento das redes comunitárias (Brasil, 2014; Patel et al., 2007; Taño, 2017). Quanto às ações e estratégias que se dão nas diferentes esferas da comunidade, autores brasileiros têm trabalhado com noções de território que ultrapassam o sentido meramente geográfico do termo, vislumbrando os reais contextos de vida dos sujeitos, e englobando a dimensão da subjetividade, na qual o território é o espaço de circulação das relações sociais e dos agenciamentos da própria existência (Ballarin, 2007; Taño, 2017). Ainda, ações ancoradas na comunidade corresponsabilizam os atores envolvidos e estimulam a produção de territórios mais vivos, participativos, nos quais as políticas sociais acontecem adequadamente (Taño, 2017).

Na tentativa de ampliar o debate a respeito do território, aponta-se o sentimento de pertença como um dos elementos que o atravessa, pois este só se faz possível no âmbito do território, espaço subjetivo e ao mesmo tempo coletivo da existência humana (Ballarin, 2007; Taño, 2017). Sinaliza-se então a escassez de investigações que se debrucem em compreender, com os adolescentes, aquilo que eles percebem de seus territórios, quais lugares circulam, de que maneira desenvolvem (ou não) o sentimento de pertença pelos diferentes espaços de suas comunidades, e o que favorece ou dificulta a pertença.

Por fim, ressalta-se que o atual contexto da pandemia da COVID-19, tem resultado em uma ruptura no cotidiano dos adolescentes, principalmente no que se refere à escola e ao encontro com os amigos, devido à necessidade de distanciamento social e às demais recomendações necessárias para a prevenção e diminuição da transmissão da doença. Isto tem resultado em tensão, angústia, estresse, ansiedade, podendo agravar os índices de sofrimento psíquico dessa população (Oliveira et al., 2020). Considerando este fato, estudos futuros e ações no âmbito da prática precisam vislumbrar estratégias de fortalecimento do sentimento de pertença à escola e aos diferentes espaços do território, de forma remota ou presencial, e podem ser essenciais no enfrentamento ou na prevenção de dificuldades em saúde mental resultantes deste cenário.

O presente estudo avança ao agregar a variável do sentimento de pertença como parte do debate sobre a saúde mental nas adolescências, especialmente de populações específicas (adolescentes LGBTQIPAN+, imigrantes, com deficiência e transtornos mentais), as quais estão à margem da sociedade, e por conta disso acabam muitas vezes desenvolvendo processos de sofrimento psíquico. Em suma, apesar dos avanços apontados por esta revisão, mais investigações são necessárias em torno da temática do sentimento de pertença de adolescentes na interface com a saúde mental, englobando os diferentes contextos em que os adolescentes circulam ou possuem o direito de circular, tais como a escola, os serviços de saúde, espaços da comunidade, as diferentes populações de adolescentes, e o contexto familiar. Para além, estudos que proponham estratégias de intervenção, de promoção do sentimento de pertença de adolescentes aos diferentes espaços da sociedade brasileira são necessários, de tal maneira a construir evidencias mais plausíveis da potência do sentimento de pertença no fortalecimento da saúde mental dessa população.

A despeito dos cuidados aplicados ao desenho e à seleção dos estudos, esta revisão pode apresentar limitações referentes às bases de dados, que nem sempre apresentam estabilidade e consistência. As palavras chave utilizadas podem também ter limitado as buscas, pois talvez haja estudos que investiguem de forma indireta o sentimento de pertença, utilizando outras expressões para se referir ao mesmo tipo de problemática. De qualquer forma, esta revisão revelou que estudos sobre sentimento de pertença são recentes, ainda que sua relação com a saúde mental de adolescentes seja mais contemporânea, indicando tratar-se de um importante constructo para o desenvolvimento e a manutenção da saúde mental dessa população.

Contribuição dos autores

Marina Speranza: Conceitualização; Metodologia; Curadoria dos dados; Investigação; Análise formal: Redação do rascunho original; Redação- revisão edição.

Adrieli Fernanda Mazari: Curadoria dos dados; Investigação, Análise formal; Redação do rascunho original.

Lilian Magalhães: Metodologia; Análise formal; Supervisão; Redação do rascunho original.

Maria Fernanda Barboza Cid: Conceitualização; Metodologia; Investigação; Análise formal; Supervisão; Redação do rascunho original.

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Recebido: 11 de Janeiro de 2022; Aceito: 19 de Outubro de 2023

Autor de Correspondência: Marina Speranza (speranza.marina@gmail.com)

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